{"id":331,"date":"2025-10-22T08:44:00","date_gmt":"2025-10-22T11:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=331"},"modified":"2025-10-22T08:44:02","modified_gmt":"2025-10-22T11:44:02","slug":"vozes-indigenas-e-quilombolas-seguem-a-margem-da-cobertura-antes-da-cop-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2025\/10\/22\/vozes-indigenas-e-quilombolas-seguem-a-margem-da-cobertura-antes-da-cop-30","title":{"rendered":"Vozes ind\u00edgenas e quilombolas seguem \u00e0 margem da cobertura antes da COP-30"},"content":{"rendered":"\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/10\/indigenas_marco_temporal_indigena_stf250820213912_0-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-332\" style=\"width:1102px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/10\/indigenas_marco_temporal_indigena_stf250820213912_0-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/10\/indigenas_marco_temporal_indigena_stf250820213912_0-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/10\/indigenas_marco_temporal_indigena_stf250820213912_0-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/10\/indigenas_marco_temporal_indigena_stf250820213912_0-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/10\/indigenas_marco_temporal_indigena_stf250820213912_0-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/10\/indigenas_marco_temporal_indigena_stf250820213912_0-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ind\u00edgenas descem a esplanada dos minist\u00e9rios em dire\u00e7\u00e3o ao STF para a realiza\u00e7\u00e3o de uma vig\u00edlia contra o Marco Temporal. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Por Bruna Einecke Cabreira* e Cl\u00e1udia Herte de Moraes**<\/p>\n<p>Cerca de 80% dos mais pobres e vulner\u00e1veis do mundo,\u00a0<a href=\"https:\/\/climainfo.org.br\/2025\/10\/19\/crise-climatica-afeta-900-milhoes-de-pessoas-que-vivem-na-pobreza\/\">quase 900 milh\u00f5es de pessoas<\/a>, est\u00e3o diretamente expostas a riscos clim\u00e1ticos, como calor extremo, inunda\u00e7\u00f5es, secas ou polui\u00e7\u00e3o do ar. E os n\u00fameros evidenciam que mulheres negras e ind\u00edgenas est\u00e3o entre as mais afetadas, com os piores \u00edndices de moradia digna, de viol\u00eancia, de acesso \u00e0 renda e \u00e0 sa\u00fade, entre outros indicadores de vulnerabilidade. Ainda assim, elas s\u00e3o as pessoas menos escutadas quando falamos sobre vulnerabilidade social diante da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Essa quest\u00e3o foi abordada nos debates da Pr\u00e9-COP sediada em Bras\u00edlia, na \u00faltima semana. A Pr\u00e9-COP nada mais \u00e9 que uma reuni\u00e3o preparat\u00f3ria que funciona como um term\u00f4metro para as negocia\u00e7\u00f5es oficiais da COP-30 \u2013 que ocorrer\u00e3o dos dias 10 a 21 de novembro, em Bel\u00e9m. O evento reuniu mais de 600 representantes de 67 delega\u00e7\u00f5es ao longo de dois dias de debates intensos, que abordaram temas centrais como o financiamento clim\u00e1tico, a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a adapta\u00e7\u00e3o aos eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das discuss\u00f5es formais, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/podcast\/2025\/10\/15\/pre-cop-30-belem-mudancas-climaticas-conferencia-onu\">Pr\u00e9-COP<\/a> tamb\u00e9m foi marcada por manifesta\u00e7\u00f5es da sociedade civil, que cobraram a\u00e7\u00f5es concretas e compromissos efetivos para a confer\u00eancia em Bel\u00e9m. Povos ind\u00edgenas marcaram presen\u00e7a com uma passeata, na segunda-feira, com cerca de 200 manifestantes de diferentes regi\u00f5es do Brasil, em defesa da demarca\u00e7\u00e3o de terras. A Conaq (Coordena\u00e7\u00e3o Nacional de Articula\u00e7\u00e3o das Comunidades Negras Rurais Quilombolas) pediu ao governo federal a titula\u00e7\u00e3o do passivo de 87% das terras ocupadas tradicionalmente por comunidades quilombolas como uma medida de preserva\u00e7\u00e3o da natureza e da biodiversidade.<\/p>\n<p>Mas, ainda assim, as vozes destes grupos tiveram pouco espa\u00e7o na cobertura da m\u00eddia brasileira. Nos portais\u00a0<em>G1<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>, dois dos maiores sites de not\u00edcias do pa\u00eds, apenas uma reportagem em cada site abordou as manifesta\u00e7\u00f5es durante a Pr\u00e9-COP. No\u00a0<em><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2025\/10\/13\/indigenas-levam-decreto-gigante-e-canetao-inflavel-a-brasilia-para-pedir-que-lula-demarque-terras-ate-a-cop30.ghtml\">G1<\/a><\/em>, a cobertura destacou o ato ind\u00edgena, focando principalmente em noticiar o protesto e deixando as reivindica\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas em segundo plano. Os argumentos pelo pedido de demarca\u00e7\u00e3o urgente das terras ind\u00edgenas apareceram apenas por meio de duas fontes entrevistadas. Na\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ambiente\/2025\/10\/quilombolas-pedem-titulacao-de-terras-como-parte-da-meta-climatica-do-brasil.shtml\">Folha de S. Paulo,<\/a><\/em> a not\u00edcia cobriu o protesto quilombola, dando \u00eanfase especificamente na proposta de anexo \u00e0 meta clim\u00e1tica do Brasil, conhecida como NDC. A mat\u00e9ria se apoiou em apenas uma fonte, retirando grande parte das informa\u00e7\u00f5es diretamente do documento e sem detalhar outros aspectos relevantes.<\/p>\n<p>Por outro lado, mesmo n\u00e3o repercutindo os protestos ind\u00edgena e quilombola, o jornal\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/10\/14\/caminho-para-belem-organizacoes-da-sociedade-civil-elaboram-contribuicoes-para-a-cop30\/\">Brasil de Fato<\/a><\/em>\u00a0deu \u00eanfase para as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil presentes na Pr\u00e9-COP, destacando o evento \u201cCaminho para Bel\u00e9m: contribui\u00e7\u00f5es da sociedade civil\u201d que aconteceu durante as negocia\u00e7\u00f5es. A not\u00edcia teve foco nas falas da Ministra S\u00f4nia Guajajara e Selwin Hart, enviado especial do Secret\u00e1rio-Geral da ONU, que participaram da cerim\u00f4nia de abertura.<br \/>A cobertura limitada das manifesta\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e quilombolas evidencia que essas vozes continuam \u00e0 margem do debate p\u00fablico e midi\u00e1tico em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>A pouca aten\u00e7\u00e3o da grande imprensa refor\u00e7a a necessidade de ampliar o espa\u00e7o dado \u00e0s comunidades historicamente vulner\u00e1veis, garantindo que suas reivindica\u00e7\u00f5es e perspectivas sejam ouvidas e consideradas nas decis\u00f5es pol\u00edticas, e em especial, sobre o clima e o meio ambiente. A inclus\u00e3o dessas vozes se faz necess\u00e1ria n\u00e3o apenas por uma quest\u00e3o de justi\u00e7a social e clim\u00e1tica com estas comunidades, mas tamb\u00e9m essencial para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas clim\u00e1ticas mais eficazes para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p><br \/>*Graduanda em Jornalismo na UFSM, bolsista do PET Educom Clima. E-mail: bruna.cabreira@acad.ufsm.br.\u00a0<\/p>\n<p>**Jornalista, doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, professora na UFSM. Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e l\u00edder do Grupo Educom Clima (CNPq\/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental e do Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica. (CNPq\/UFRGS). E-mail: claudia.moraes@ufsm.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Bruna Einecke Cabreira* e Cl\u00e1udia Herte de Moraes** Cerca de 80% dos mais pobres e vulner\u00e1veis do mundo,\u00a0quase 900 milh\u00f5es de pessoas, est\u00e3o diretamente expostas a riscos clim\u00e1ticos, como calor extremo, inunda\u00e7\u00f5es, secas ou polui\u00e7\u00e3o do ar. 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