{"id":357,"date":"2025-11-27T09:56:36","date_gmt":"2025-11-27T12:56:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=357"},"modified":"2025-11-27T09:56:38","modified_gmt":"2025-11-27T12:56:38","slug":"enquanto-discutimos-o-mapa-do-caminho-o-futuro-nos-escapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2025\/11\/27\/enquanto-discutimos-o-mapa-do-caminho-o-futuro-nos-escapa","title":{"rendered":"Enquanto discutimos o mapa do caminho, o futuro nos escapa"},"content":{"rendered":"\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"613\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/11\/rbr3906-0-1024x613.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-358\" style=\"width:1102px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/11\/rbr3906-0-1024x613.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/11\/rbr3906-0-300x180.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/11\/rbr3906-0-768x460.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/955\/2025\/11\/rbr3906-0.jpg 1100w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n\n\n<p>Por Franchesco de Oliveira* e Cl\u00e1udia Herte de Moraes**<\/p>\n<p>Depois de dias intensos em Bel\u00e9m, a COP-30 deixa de ser apenas um encontro global e se torna um ponto de virada (ou de cobran\u00e7a) para o mundo. Agora, no p\u00f3s-COP-30, \u00e9 hora de olhar para al\u00e9m dos discursos e avaliar o que realmente ficou: os compromissos firmados, as tens\u00f5es expostas, os avan\u00e7os poss\u00edveis e as lacunas que persistem. Entre an\u00e1lises que apontam diverg\u00eancias internas, acordos considerados t\u00edmidos e expectativas n\u00e3o atendidas por cientistas, ambientalistas e negociadores, estamos em um momento decisivo para entender o que, de fato, mudou e o que ainda permanece na agenda clim\u00e1tica mundial.<\/p>\n<p>A confer\u00eancia terminou com promessas de acelerar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, elevar o financiamento clim\u00e1tico e estabelecer mecanismos mais r\u00edgidos de adapta\u00e7\u00e3o. Houve avan\u00e7os, mas tamb\u00e9m frustra\u00e7\u00f5es: os pa\u00edses maiores emissores ainda resistem a metas vinculantes, e o financiamento aos pa\u00edses do Sul Global continua marcado por burocracias e disputas pol\u00edticas. Ainda assim, Bel\u00e9m deslocou o eixo das discuss\u00f5es: a urg\u00eancia clim\u00e1tica tem territ\u00f3rio, tem povo, tem nome. E tem pressa.\u00a0<\/p>\n<p>Neste\u00a0<a href=\"https:\/\/jornalismoemeioambiente.com\/category\/de-olho-na-cop\/\">Observat\u00f3rio de Jornalismo Ambiental<\/a>, acompanhamos a prepara\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o da COP-30 a partir de diferentes abordagens e jornalismos. Podemos afirmar que a pauta se consolidou como mais relevante e mais aprofundada nesta edi\u00e7\u00e3o do evento, realizado no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. A atmosfera e a proximidade da COP-30 trouxeram elementos de destaque para o debate sobre a emerg\u00eancia clim\u00e1tica que, afinal, j\u00e1 est\u00e1 sendo vivenciada de forma avassaladora no mundo.\u00a0<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/cop30-belem-resultados-insuficientes-participacao\"><em>Nexo<\/em><\/a>, mesmo com a inclus\u00e3o de temas na COP que geralmente passam ao largo da visibilidade midi\u00e1tica (justi\u00e7a racial, g\u00eanero e participa\u00e7\u00e3o social com a C\u00fapula dos Povos), o ponto central sobre os combust\u00edveis f\u00f3sseis e desmatamento foi considerado vago e incapaz de reparar minimamente a d\u00edvida hist\u00f3rica do Norte Global com o Sul Global. Neste sentido, a reportagem analisada colabora para um debate mais aprofundado sobre as causas do aquecimento global e n\u00e3o apenas sobre as consequ\u00eancias j\u00e1 sentidas em v\u00e1rios cantos do mundo.\u00a0<\/p>\n<p>Da mesma forma, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c5yqj75jleyo\"><em>BBC<\/em><\/a>\u00a0destacou que a COP-30 terminou sob o peso das aus\u00eancias, sobretudo a dos Estados Unidos, e de um texto final que frustrou ambientalistas ao n\u00e3o incluir qualquer refer\u00eancia aos \u201cmapas do caminho\u201d para abandonar os combust\u00edveis f\u00f3sseis e zerar o desmatamento, duas das propostas centrais defendidas por Lula. Embora o \u201cMutir\u00e3o Global\u201d tenha sido saudado por evitar a implos\u00e3o do Acordo de Paris, o recuo diante da press\u00e3o de grandes produtores e consumidores de petr\u00f3leo, como Ar\u00e1bia Saudita, \u00cdndia e China, marcou um dos pontos mais sens\u00edveis da confer\u00eancia. Ainda assim, a\u00a0<em>BBC\u00a0<\/em>apontou avan\u00e7os moderados, como o aumento do financiamento para adapta\u00e7\u00e3o agora com a meta de triplicar at\u00e9 2035, a inclus\u00e3o hist\u00f3rica do termo \u201cafrodescendentes\u201d nos documentos oficiais e a ado\u00e7\u00e3o de 59 indicadores globais para medir a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Ou seja, o ve\u00edculo destacou o avan\u00e7o da justi\u00e7a racial, incorporando uma vis\u00e3o mais complexa da quest\u00e3o clim\u00e1tica que \u00e9 socioambiental em sua base.<\/p>\n<p>Para o\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/jn-na-cop30\/noticia\/2025\/11\/22\/resultado-da-cop30-frustra-cientistas-ambientalistas-e-representantes-de-diversos-paises.ghtml\"><em>G1<\/em><\/a>\u00a0a palavra que resume a COP30 \u00e9 frustra\u00e7\u00e3o. A principal decep\u00e7\u00e3o foi a aus\u00eancia total de men\u00e7\u00f5es aos combust\u00edveis f\u00f3sseis nos documentos finais, assim como\u00a0 nos textos de\u00a0<em>Nexo<\/em>\u00a0e\u00a0<em>BBC<\/em>.\u00a0 O portal inclui uma avalia\u00e7\u00e3o de que\u00a0 houve avan\u00e7os simb\u00f3licos, como a inclus\u00e3o in\u00e9dita de refer\u00eancias a afrodescendentes. Indicou ainda que para a ONU, a falta de ambi\u00e7\u00e3o reflete a conjuntura geopol\u00edtica fragmentada, com os Estados Unidos ausentes, a Uni\u00e3o Europeia enfraquecida e China relutante em assumir lideran\u00e7a. Observamos que a an\u00e1lise do\u00a0<em>G1\u00a0<\/em>trouxe a vis\u00e3o da governan\u00e7a global, de forma indireta, indicando que para a constru\u00e7\u00e3o de um caminho ainda h\u00e1 fortes entraves de Estados negacionistas e\/ou pressionados pelas elites econ\u00f4micas que atuam globalmente.<\/p>\n<p>Diante desse conjunto de avan\u00e7os pequenos e problemas que continuam sem solu\u00e7\u00e3o, os textos do p\u00f3s-COP funcionam como um alerta: o mundo n\u00e3o est\u00e1 discutindo apenas metas, mas o que ainda \u00e9 poss\u00edvel evitar diante da crise clim\u00e1tica. Bel\u00e9m mostrou a for\u00e7a dos povos da floresta, das vozes que quase nunca s\u00e3o ouvidas e da press\u00e3o social que tenta mudar o centro das decis\u00f5es.\u00a0<\/p>\n<p>Ficou evidente que as grandes pot\u00eancias defendem de forma cada vez mais aguerrida os seus interesses ligados aos combust\u00edveis f\u00f3sseis e que a pol\u00edtica internacional segue dividida. Relembramos aqui\u00a0<a href=\"https:\/\/jornalismoemeioambiente.com\/2023\/12\/\">uma an\u00e1lise<\/a>\u00a0deste Observat\u00f3rio sobre a cobertura da COP-28, em 2023, que tratava do mesmo tema: o abandono dos combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 uma exig\u00eancia de nosso tempo<\/p>\n<p>Durante a \u201cbarqueata\u201d que integrou a programa\u00e7\u00e3o da C\u00fapula dos Povos, evento paralelo \u00e0 COP30, o cacique Raoni disse: \u201cPrecisamos cuidar do planeta. Se continuar o desmatamento, nossos filhos e netos v\u00e3o ter problemas s\u00e9rios. O nosso territ\u00f3rio garante a respira\u00e7\u00e3o do mundo inteiro.\u201d O p\u00f3s-COP-30 n\u00e3o \u00e9 um encerramento, e sim um aviso: o planeta continua cobrando medidas concretas enquanto muitos pa\u00edses ainda hesitam em agir. O rel\u00f3gio clim\u00e1tico n\u00e3o para e a hist\u00f3ria vai registrar quem escolheu empurrar o problema para depois, enquanto o futuro escapava.<\/p>\n<p>*Franchesco de Oliveira \u00e9 graduando em Jornalismo na UFSM e bolsista do PET Educom Clima. E-mail:\u00a0<a href=\"mailto:franchesco.castro@acad.ufsm.br\">franchesco.castro@acad.ufsm.br<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>**Cl\u00e1udia Herte de Moraes \u00e9 Jornalista e Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o, professora no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o (UFSM). Tutora do PET Educom Clima (UFSM) e l\u00edder do Grupo Educom Clima (CNPq\/UFSM). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental e do Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica. (CNPq\/UFRGS). E-mail:\u00a0<a href=\"mailto:claudia.moraes@ufsm.br\">claudia.moraes@ufsm.br<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>***Publicado originalmente no no Observat\u00f3rio de Jornalismo Ambiental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Franchesco de Oliveira* e Cl\u00e1udia Herte de Moraes** Depois de dias intensos em Bel\u00e9m, a COP-30 deixa de ser apenas um encontro global e se torna um ponto de virada (ou de cobran\u00e7a) para o mundo. 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