{"id":366,"date":"2026-03-11T10:29:02","date_gmt":"2026-03-11T13:29:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/?p=366"},"modified":"2026-03-11T15:16:24","modified_gmt":"2026-03-11T18:16:24","slug":"a-falta-de-saneamento-basico-como-parte-do-racismo-ambiental-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/educom-clima\/2026\/03\/11\/a-falta-de-saneamento-basico-como-parte-do-racismo-ambiental-no-brasil","title":{"rendered":"A falta de saneamento b\u00e1sico como parte do racismo ambiental no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O termo \u201cracismo ambiental\u201d se refere \u00e0s injusti\u00e7as sociais e ambientais que popula\u00e7\u00f5es marginalizadas enfrentam. Historicamente, os locais mais afastados dos centros das cidades s\u00e3o ocupados por popula\u00e7\u00f5es de baixa renda e minorias, por conterem im\u00f3veis baratos, al\u00e9m de conseguirem adquirir um terreno de forma irregular. A necessidade de ter uma moradia, mesmo que de forma prec\u00e1ria, faz com que essas pessoas enfrentem desigualmente as mudan\u00e7as do clima e os problemas socioambientais dos seus territ\u00f3rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A falta de saneamento b\u00e1sico \u00e9 um exemplo dessa desigualdade, atingindo mais da metade dos habitantes de 3.505 dos 5.569 munic\u00edpios do pa\u00eds, segundo o Censo de 2022, realizado pelo IBGE. As cidades mais afetadas com a falta de saneamento s\u00e3o as interioranas com 5 mil moradores, em que 49% dos domic\u00edlios possuem rede coletora, pluvial ou fossa s\u00e9ptica, enquanto as cidades com mais de 500 mil habitantes chegam a 91% de tratamento de dejetos. Logo, o espa\u00e7o geogr\u00e1fico interfere no acesso p\u00fablico \u00e0 despolui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o sem acesso ao saneamento tem sua sa\u00fade fragilizada. Conforme o m\u00e9dico e ambientalista, Gilberto Natalini, em declara\u00e7\u00e3o no festival \u201cVirada Sustent\u00e1vel 2025\u201d, a comunidade marginalizada tem maiores chances de desenvolver problemas de sa\u00fade relacionados aos mosquitos, \u00e0s febres e outras doen\u00e7as sanit\u00e1rias. Por conta da falta de coleta residual nos lugares em que habitam, conforme o IBGE, 9,1% dos brasileiros n\u00e3o t\u00eam acesso ao servi\u00e7o, o que fragiliza ainda mais essas popula\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro fator que contribui para o esquecimento destas pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o b\u00e1sico ainda \u00e9 etnico-racial. De acordo com o IBGE, 87% das pessoas brancas t\u00eam acesso a saneamento, enquanto pessoas pretas 75%, pardas 70% e ind\u00edgenas 30%, diminuindo a qualidade de vida e bem-estar, fazendo parte tamb\u00e9m da desigualdade estrutural que esses grupos sofrem. De acordo com o analista do IBGE, Bruno Perez \u201c[&#8230;] em todos os 20 munic\u00edpios brasileiros mais populosos, a popula\u00e7\u00e3o de cor ou ra\u00e7a branca t\u00eam mais acesso a abastecimento de \u00e1gua, esgotamento sanit\u00e1rio e coleta de lixo do que a popula\u00e7\u00e3o de cor ou ra\u00e7a preta, parda e ind\u00edgena.\u201d em nota \u00e0 revista Carta Capital.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Portanto, o racismo ambiental, assim como a escassez de saneamento, tem ra\u00edzes profundas de desigualdades sociais e afetam diretamente a vida de milh\u00f5es de\u00a0 brasileiros. Esse \u00e9 um dos problemas que grupos minorit\u00e1rios passam dentro da sociedade e que o esquecimento dos governadores por essas popula\u00e7\u00f5es. O espa\u00e7o geogr\u00e1fico se torna pol\u00edtico e o afastamento dos centros municipais torna a prefeitura ausente, pelo menor tr\u00e2nsito de pessoas e turistas por esses lugares.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p>| Por Emylli Fontoura&nbsp;<\/p>\n\n\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O termo \u201cracismo ambiental\u201d se refere \u00e0s injusti\u00e7as sociais e ambientais que popula\u00e7\u00f5es marginalizadas enfrentam. Historicamente, os locais mais afastados dos centros das cidades s\u00e3o ocupados por popula\u00e7\u00f5es de baixa renda e minorias, por conterem im\u00f3veis baratos, al\u00e9m de conseguirem adquirir um terreno de forma irregular. 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