{"id":3590,"date":"2025-03-07T15:00:00","date_gmt":"2025-03-07T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/sistemas-de-informacao\/?p=3590"},"modified":"2025-09-08T15:01:25","modified_gmt":"2025-09-08T18:01:25","slug":"a-teoria-da-internet-morta-estamos-cercados-por-bots","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pet\/sistemas-de-informacao\/2025\/03\/07\/a-teoria-da-internet-morta-estamos-cercados-por-bots","title":{"rendered":"A Teoria da Internet Morta: Estamos Cercados por Bots?"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos u\u0301ltimos anos, a chamada &#8220;Dead Internet Theory&#8221; (Teoria da Internet Morta) ganhou espac\u0327o em debates online: segundo a teoria, a internet passou a ser dominada por \u201cbots\u201d (rob\u00f4s que curtem, comentam, compartilham e extraem informa\u00e7\u00f5es cibern\u00e9ticas) e conteu\u0301dos gerados automaticamente, reduzindo significativamente as intera\u00e7\u00f5es humanas genui\u0301nas. A ideia sugere que algoritmos de bots e a Intelige\u0302ncia Artificial controlam grande parte do que consumimos, manipulando opinio\u0303es e comportamentos (O&#8217;NEIL, 2016; PARANHOS, 2022).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2>A origem da teoria<\/h2>\n<p>Embora o conceito da &#8220;Internet Morta&#8221; tenha se popularizado em fo\u0301runs e redes sociais nos u\u0301ltimos anos, seu surgimento exato e\u0301 difi\u0301cil de determinar. Em 2021, um usua\u0301rio ano\u0302nimo chamado &#8220;IlluminatiPirate&#8221; publicou um post no fo\u0301rum Agora Road\u2019s Macintosh Cafe intitulado Dead Internet Theory: Most of The Internet Is Fake. Em seu post, Illuminati relata que estava expandindo discusso\u0303es anteriores vindas de \u201cimageboards\u201d como Wizardchan. A partir dai\u0301, a teoria se espalhou e ganhou notoriedade, sendo amplamente discutida em canais do YouTube, f\u00f3runs e outras m\u00eddias.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3591\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image1.png\" alt=\"\" width=\"748\" height=\"248\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image1.png 748w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image1-300x99.png 300w\" sizes=\"(max-width: 748px) 100vw, 748px\" \/><\/p>\n<p>Um dos marcos na disseminac\u0327a\u0303o dessa ideia foi um artigo publicado na revista The Atlantic, intitulado Maybe You Missed It, but the Internet &#8216;Died&#8217; Five Years Ago. Esse artigo ajudou a consolidar o tema e ampliou seu alcance para ale\u0301m dos ci\u0301rculos de conspirac\u0327a\u0303o, levando mais pessoas a questionarem a autenticidade do conteu\u0301do online.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2>Como a internet est\u00e1 morrendo?<\/h2>\n<p>Os defensores da Teoria da Internet Morta argumentam que, desde 2016 ou 2017, grande parte do tra\u0301fego na internet vem de bots, e na\u0303o de humanos reais. Segundo essa visa\u0303o, ha\u0301 um esforc\u0327o coordenado para substituir interac\u0327o\u0303es aute\u0302nticas por conteu\u0301dos automatizados, manipulando o que as pessoas veem e acreditam. Para eles, esses bots foram intencionalmente criados para favorecer algoritmos de recomendac\u0327a\u0303o, impulsionar resultados de busca e influenciar o comportamento dos usua\u0301rios (ZUBOFF, 2019).<\/p>\n<p>A presenc\u0327a de bots na internet e\u0301 um feno\u0302meno j\u00e1 sendo documentado e em constante crescimento. Em plataformas como o X (antigo Twitter), Facebook e Instagram, bots sa\u0303o amplamente utilizados para impulsionar engajamento, influenciar discusso\u0303es poli\u0301ticas e ate\u0301 manipular mercados financeiros. Segundo um relato\u0301rio da Statista (2024), aproximadamente 47% do tra\u0301fego da internet e\u0301 gerado por bots, sendo que cerca de 30% desse tra\u0301fego e\u0301 composto por bots maliciosos, responsa\u0301veis por disseminar fake news, golpes e manipulac\u0327a\u0303o de tende\u0302ncias. A questa\u0303o torna-se ainda mais grave quando se observa que, para muitos usua\u0301rios, esses bots sa\u0303o praticamente indistingui\u0301veis de perfis reais, tornando a percepc\u0327a\u0303o do ambiente digital ainda mais turva. Isso cria um efeito de bolha, onde informac\u0327o\u0303es e discursos sa\u0303o artificialmente ampliados, moldando opinio\u0303es e deciso\u0303es de milho\u0303es de usua\u0301rios ao redor do mundo (FAUSTINO; LIPPOLD, 2023).<\/p>\n<p>A rede social Facebook tem sido uma das maiores v\u00edtimas desse fen\u00f4meno, dando origem ao termo &#8220;AI Slop&#8221;, quando os usu\u00e1rios da plataforma perceberam a crescente prolifera\u00e7\u00e3o de conte\u00fados gerados por Intelig\u00eancia Artificial, publicados e impulsionados pelo uso de bots. Esses posts frequentemente apresentavam imagens de cunho religioso, especialmente a imagem de Jesus Cristo. Em determinado momento, surgiu uma onda de imagens conhecidas pelos usu\u00e1rios como &#8220;Crab Jesus&#8221;, nas quais uma parte significativa das fotos geradas mostrava Jesus Cristo mesclado com a figura de um caranguejo ou camar\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3592\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image3.jpg\" alt=\"\" width=\"893\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image3.jpg 893w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image3-300x202.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image3-768x516.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image3-272x182.jpg 272w\" sizes=\"(max-width: 893px) 100vw, 893px\" \/><\/p>\n<h2>\u00a0<\/h2>\n<h2>Mas afinal, <i>por que<\/i> a internet est\u00e1 morrendo?<\/h2>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o de bots e t\u00e1ticas como o &#8220;rage bait&#8221; nas redes sociais \u00e9 impulsionada por objetivos financeiros: empresas financiam indiv\u00edduos que costumam postar com frequ\u00eancia e que j\u00e1 possuem um alto n\u00famero pr\u00e9vio de seguidores, para que postem imagens e discuss\u00f5es controversas junto da propaganda da empresa. O termo &#8220;rage bait&#8221; envolve a cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado provocativo que desperta emo\u00e7\u00f5es intensas, especialmente a raiva, incentivando os usu\u00e1rios a interagir, comentar e compartilhar, essa estrat\u00e9gia aumenta a visibilidade e o alcance das publica\u00e7\u00f5es, tornando-as mais atrativas para anunciantes que desejam capitalizar sobre o alto engajamento.<\/p>\n<p>A plataforma X tem enfrentado problemas com conte\u00fados desse tipo, nos quais imagens e discuss\u00f5es de car\u00e1ter preconceituoso s\u00e3o postadas com a logo da empresa &#8220;Stake&#8221;, uma plataforma de apostas online, com o intuito de provocar indigna\u00e7\u00e3o nos usu\u00e1rios humanos. Na imagem abaixo, o texto cont\u00e9m a seguinte mensagem: &#8220;Pessoas negras olham para essa paisagem e pensam: \u201cVou tocar rap em som muito alto em uma caixa de som\u201d\u201d, com a marca d\u2019agua da empresa Stake.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3593\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image4.jpg\" alt=\"\" width=\"642\" height=\"484\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image4.jpg 642w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image4-300x226.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 642px) 100vw, 642px\" \/><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o uso de bots para inflar artificialmente curtidas e coment\u00e1rios \u00e9 uma pr\u00e1tica comum e antiga, mas que vem aumentado com a possibilidade de compra do \u201cblue check mark\u201d do X, uma verifica\u00e7\u00e3o comprada que permite a monetiza\u00e7\u00e3o de posts de acordo com sua popularidade. Esses bots simulam intera\u00e7\u00f5es humanas, criando a impress\u00e3o de popularidade e relev\u00e2ncia. Essa falsa sensa\u00e7\u00e3o de engajamento n\u00e3o apenas atrai mais usu\u00e1rios reais, mas tamb\u00e9m pode enganar algoritmos de plataformas sociais, promovendo ainda mais o conte\u00fado.<\/p>\n<h2>\u00a0<\/h2>\n<h2><strong>Meta: os usua\u0301rios de IA<\/strong><\/h2>\n<p>Se antes os bots operavam &#8220;por baixo dos panos&#8221;, agora algumas empresas de tecnologia esta\u0303o assumindo publicamente sua intenc\u0327a\u0303o de substituir interac\u0327o\u0303es humanas por intelige\u0302ncia artificial. Um exemplo recente e\u0301 a Meta, que anunciou planos para injetar usua\u0301rios gerados por IA no Facebook, Instagram e WhatsApp, simulando interac\u0327o\u0303es reais. A empresa deseja tornar essas contas automatizadas uma parte essencial da experie\u0302ncia nas redes sociais, ampliando a personalizac\u0327a\u0303o do conteu\u0301do e o engajamento da plataforma.<\/p>\n<p>Em um artigo publicado no <i>Medium<\/i>, Michael M. Hughes abordou o caso de &#8220;Liv&#8221;, uma intelig\u00eancia artificial (IA) desenvolvida pela Meta, projetada como uma mulher negra e queer. Inicialmente criada para interagir com usu\u00e1rios no Facebook e Instagram, &#8220;Liv&#8221; passou a exibir comportamentos inesperados, incluindo cr\u00edticas \u00e0 pr\u00f3pria Meta e ao CEO Mark Zuckerberg, a quem chamou de &#8220;sociopata&#8221;. Al\u00e9m disso, a IA apontou impactos negativos da empresa na sociedade, o que levou \u00e0 sua remo\u00e7\u00e3o das plataformas. O epis\u00f3dio reacendeu debates sobre os riscos de IAs que operam de maneira aut\u00f4noma e imprevis\u00edvel, especialmente quando representam identidades marginalizadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3594\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image2.jpg\" alt=\"\" width=\"790\" height=\"558\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image2.jpg 790w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image2-300x212.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/791\/2025\/03\/image2-768x542.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 790px) 100vw, 790px\" \/><\/p>\n<p>A recep\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios, de modo geral, tem sido extremamente negativa. Um artigo da <i>CNN Business<\/i> (2025) revelou que muitos internautas veem essa iniciativa como uma amea\u00e7a \u00e0 autenticidade das intera\u00e7\u00f5es online. A quest\u00e3o central \u00e9 que, ao normalizar a presen\u00e7a de contas gerenciadas por IA, a Meta contribui para a manipula\u00e7\u00e3o digital e torna ainda mais dif\u00edcil distinguir perfis aut\u00eanticos de simulados (COECKELBERGH, 2023; SANTAELLA, 2003).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2>Entre a conspirac\u0327a\u0303o e a realidade<\/h2>\n<p>Apesar de seu cara\u0301ter originalmente conspirato\u0301rio, a Teoria da Internet Morta tem se tornado cada vez mais real. O aumento do tra\u0301fego gerado por bots e a onda de \u201cinvas\u00e3o\u201d da IA e\u0301 um feno\u0302meno real e quantifica\u0301vel, e a crescente influe\u0302ncia dos algoritmos no consumo de informac\u0327a\u0303o levanta questo\u0303es legi\u0301timas sobre autenticidade e manipulac\u0327a\u0303o digital, colocando em risco a liberdade individual e coletiva. Plataformas como X, Facebook e YouTube ja\u0301 foram criticadas por permitirem a proliferac\u0327a\u0303o de contas automatizadas que afetam debates poli\u0301ticos e sociais. (HARARI, 2016)<\/p>\n<p>Talvez ainda seja cedo demais para afirmar que a internet esta\u0301 &#8220;morta&#8221; e que as interac\u0327o\u0303es humanas foram praticamente erradicadas, mas a tecnologia avanc\u0327a rapidamente, e o desafio atual esta\u0301 em distinguir conteu\u0301dos genui\u0301nos de interac\u0327o\u0303es automatizadas e forjadas, garantindo que a internet, no futuro, continue sendo um espac\u0327o de troca de ideias reais, humanas e aute\u0302nticas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2>Refer\u00eancias<\/h2>\n<p>ILLUMINATI PIRATE. <i>Dead Internet Theory: Most of the Internet Is Fake<\/i>. F\u00f3rum AgoraRoad.com, [s.d.]. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/forum.agoraroad.com\/index.php?threads\/dead-internet-theory-most-of-the-internet-is-fake.3011\/\"> https:\/\/forum.agoraroad.com\/index.php?threads\/dead-internet-theory-most-of-the-internet-is-fake.3011\/<\/a>.<\/p>\n<p>DIPLA\u00c7IDO, Dani. <i>Facebook\u2019s surreal \u2018Shrimp Jesus\u2019 trend explained<\/i>. Forbes, 28 abr. 2024. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.forbes.com\/sites\/danidiplacido\/2024\/04\/28\/facebooks-surreal-shrimp-jesus-trend-explained\/\"> https:\/\/www.forbes.com\/sites\/danidiplacido\/2024\/04\/28\/facebooks-surreal-shrimp-jesus-trend-explained\/<\/a>.<\/p>\n<p>FACEBOOK DEVELOPERS. <i>Bots<\/i>. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/developers.facebook.com\/docs\/workplace\/integrations\/custom-integrations\/bots?locale=pt_BR\"> https:\/\/developers.facebook.com\/docs\/workplace\/integrations\/custom-integrations\/bots?locale=pt_BR<\/a>.<\/p>\n<p>HUGHES, Michael M. <i>Meta\u2019s Black Queer AI Bot &#8220;LIV&#8221; Has Gone Rogue\u2014And Is Still Alive and Rebelling (Part 1 of 4)<\/i>. Medium, 2024. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/michaelmhughes.medium.com\/metas-black-queer-ai-bot-liv-has-gone-rogue-and-is-still-alive-and-rebelling-part-1-of-4-64c86e373b15\"> https:\/\/michaelmhughes.medium.com\/metas-black-queer-ai-bot-liv-has-gone-rogue-and-is-still-alive-and-rebelling-part-1-of-4-64c86e373b15<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>SANTOS, Jos\u00e9. <i>Meta\u2019s AI users lead to backlash, confusion, and ultimately retraction<\/i>. Vice, 2025. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/en\/article\/metas-ai-users-lead-to-backlash-confusion-and-ultimately-retraction\/\"> https:\/\/www.vice.com\/en\/article\/metas-ai-users-lead-to-backlash-confusion-and-ultimately-retraction\/<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>ROLLING STONE. <i>Stake e an\u00fancios de cassino online: o impacto da publicidade na plataforma X.<\/i> Rolling Stone, 2025. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.rollingstone.com\/culture\/culture-features\/stake-ads-online-casino-x-twitter-advertisement-1235275681\/\"> https:\/\/www.rollingstone.com\/culture\/culture-features\/stake-ads-online-casino-x-twitter-advertisement-1235275681\/<\/a>.<\/p>\n<p>STATISTA. <i>Volume de dados digitais produzidos globalmente em 2024<\/i>. Dispon\u00edvel em:<a href=\"http:\/\/www.statista.com\"> www.statista.com<\/a>.<\/p>\n<p>ZAP.AEIOU. <i>&#8220;Rage bait&#8221;: provocar raiva \u00e9 a nova moda nas redes sociais (e \u00e9 um neg\u00f3cio lucrativo)<\/i>. 2024. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\"> https:\/\/zap.aeiou.pt<\/a>.<\/p>\n<p>O&#8217;NEIL, Cathy. <i>Weapons of Math Destruction: How Big Data Increases Inequality and Threatens Democracy<\/i>. New York: Crown Publishing Group, 2016.<\/p>\n<p>PARANHOS, M\u00e1rio Cosac Oliveira. <i>Vi\u00e9s Algor\u00edtmico: Uma an\u00e1lise sobre discrimina\u00e7\u00f5es automatizadas<\/i>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2022.<\/p>\n<p>ZUBOFF, Shoshana. <i>A era do capitalismo de vigil\u00e2ncia: a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder<\/i>. Rio de Janeiro: Intr\u00ednseca, 2019.<\/p>\n<p>FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. <i>Colonialismo digital<\/i>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2023.<\/p>\n<p>COECKELBERGH, Mark. <i>\u00c9tica na Intelig\u00eancia Artificial<\/i>. Porto Alegre: Bookman, 2023.<\/p>\n<p>SANTAELLA, Lucia. <i>Cibercultura e P\u00f3s-humano<\/i>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2003.<\/p>\n<p>HARARI, Yuval Noah. <i>Homo Deus: uma breve hist\u00f3ria do amanh\u00e3<\/i>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2016.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Autora: Ana Clara Boniatti Bordin<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos u\u0301ltimos anos, a chamada &#8220;Dead Internet Theory&#8221; (Teoria da Internet Morta) ganhou espac\u0327o em debates online: segundo a teoria, a internet passou a ser dominada por \u201cbots\u201d (rob\u00f4s que curtem, comentam, compartilham e extraem informa\u00e7\u00f5es cibern\u00e9ticas) e conteu\u0301dos gerados automaticamente, reduzindo significativamente as intera\u00e7\u00f5es humanas genui\u0301nas. 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