{"id":746,"date":"2019-01-30T21:47:42","date_gmt":"2019-01-30T23:47:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/?page_id=746"},"modified":"2019-01-30T21:53:26","modified_gmt":"2019-01-30T23:53:26","slug":"sempre-e-tempo-de-falar-sobre-os-lanceiros-negros-e-a-traicao-de-porongos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/sempre-e-tempo-de-falar-sobre-os-lanceiros-negros-e-a-traicao-de-porongos","title":{"rendered":"Sempre \u00e9 tempo de falar sobre os Lanceiros Negros e a Trai\u00e7\u00e3o de Porongos"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"746\" class=\"elementor elementor-746 elementor-bc-flex-widget\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-679d485e elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"679d485e\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-652f4fc\" data-id=\"652f4fc\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6efd228c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6efd228c\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<!-- wp:tadv\/classic-paragraph -->\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Andressa Mour\u00e3o Duarte<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Pouco sabemos sobre a trajet\u00f3ria das nossas origens no caminho percorrido at\u00e9 o sul do Brasil, segundo Cl\u00f3vis Moura (2014), a \u00c1frica era (e ainda \u00e9) um mosaicode culturas e n\u00e3o aquele conglomerado de indiv\u00edduos igualados no n\u00edvel de semi-animalidade como apregoavam os colonizadores. N\u00e3o sabemos com exatid\u00e3o quais as fun\u00e7\u00f5es que exerciam em suas organiza\u00e7\u00f5es sociais, se eram reis, rainhas, nobres, artes\u00f5es, etc. O que sabemos \u00e9 que n\u00f3s, os negros do Sul (e de outras localidades do Brasil), somos constitu\u00eddos tanto individualmente, quanto grupo social, de diferen\u00e7as, sejam essas culturais, h\u00e1bitos e\/ou costumes. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Existe uma dificuldade de \u00a0aprofundarmos os estudos sobre a presen\u00e7a do negro da hist\u00f3ria e cultura do Rio Grande do Sul, o que comumente nos alcan\u00e7a s\u00e3o as vers\u00f5es rom\u00e2nticas, como a ideia de que a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha foi uma a\u00e7\u00e3o concordante, ou que teve um car\u00e1ter abolicionista, sendo que se tratava de uma revolta reivindicat\u00f3ria das elites ga\u00fachas, que se sentiam prejudicadas com a pol\u00edtica econ\u00f4mica regencial, al\u00e9mda elite econ\u00f4mica rural, propriet\u00e1ria de negros em condi\u00e7\u00e3o de escravos, tinham interesse na supress\u00e3o da escravid\u00e3o. (Euz\u00e9bio Assump\u00e7\u00e3o. 1996. P 19). <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, h\u00e1 uma imensa necessidade tradicionalista de preservar uma hist\u00f3ria m\u00edtica de hero\u00edsmo, exaltando e preservando uma idealiza\u00e7\u00e3o de \u201corgulho ga\u00facho\u201d, como se de fato os farrapos tivessem lutado pela liberdade de toda a popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha, sendo que, desde seu in\u00edcio a luta farroupilha contou com a contribui\u00e7\u00e3o dos <\/span><b>Lanceiros Negros<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, estes que nunca vemos exaltados nas comemora\u00e7\u00f5es de 20 de setembro. <\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 de suma import\u00e2ncia que atentemos a hist\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o farroupilha \u00e0 <\/span><b>Trai\u00e7\u00e3o dos Porongos<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, trata-se do ataque planejado por acordo firmado entre Duque de Caxias e David Canabarro contra os Lanceiros Negros, pois, segundo Euz\u00e9bio Assump\u00e7\u00e3o,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">[&#8230;] Duque de Caxias ordenou que o Coronel Francisco Pedro de Abreu atacasse o acampamento farroupilha no dia 14\/11\/1844, e que o mesmo n\u00e3o temesse o resultado do confronto, pois a infantaria farroupilha, composta por escravos, estaria desarmada. Por ordem de Canabarro, conforme \u201cacordo secreto\u201d entre ambos. Desta forma, como o auxilio de Canabarro, a infantaria negra foi covardemente massacrada. Como prova inequ\u00edvoca de que o alvo era apenas os Lanceiros Negros, escreveu Caxias a Abreu: \u201cNo conflito poupe o sangue brasileiro quando puder, particularmente de gente branca da prov\u00edncia ou \u00edndios, pois bem sabe que esta pobre gente ainda nos pode ser \u00fatil no futuro\u201d. (1996. p20).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">\u00c9 n\u00edtido que o \u00fanico alvo desse massacre eram os Lanceiros Negros, a trai\u00e7\u00e3o de porongos \u00e9 um marco na hist\u00f3ria do RS, principalmente para a popula\u00e7\u00e3o negra ga\u00facha, marca essa que ainda \u00e9 sentida atrav\u00e9s do racismo, manifestadas em viol\u00eancias e exclus\u00e3o, como por exemplo a aus\u00eancia e invisibilidade dos negros como protagonista nas hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00f5esga\u00fachas. \u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Neste sentido, Cl\u00f3vis Moura (2014) \u00e9 assertivo em afirmar que, durante a escravid\u00e3o, o negro transformou todos os padr\u00f5es de suas culturas em <\/span><b>cultura de resist\u00eancia social, <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">uma vez que<\/span><b>,<\/b><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">cultura de resist\u00eancia, que parece amalgamar-se no seio da cultura dominante, no entanto desempenhou durante a escravid\u00e3o (como desempenha at\u00e9 hoje) um papel de resist\u00eancia social &#8211; \u00a0o que muitas vezes escapa aos seus pr\u00f3prios agentes, uma fun\u00e7\u00e3o de resguardo contra a cultura e estrutura de domina\u00e7\u00e3o social dos opressores. ( p.242). <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400; font-size: 10pt;\">Por fim \u00e9 poss\u00edvel declarar que, o massacre do Lanceiros Negros se ressignifica e se simboliza em ato pol\u00edtico, em especial para toda a comunidade negra no territ\u00f3rio ga\u00facho, transcendendo as demarca\u00e7\u00f5es do tradicionalismo vigente. Cabe demarcar nossa territorialidade no exerc\u00edcio de excluir as simbologias que ignora os negros do sulenquanto cidad\u00e3os dignos e dignas de uma hist\u00f3ria contada por outros vieses e perspectivas, que rompa com as idealiza\u00e7\u00f5es da elite ga\u00facha dominante e que nos tire do esquecimento e da marginaliza\u00e7\u00e3o da dita \u201ctradi\u00e7\u00e3o ga\u00facha\u201d.<\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 10pt;\">Bibliografia <\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-weight: 400;\">MOURA, Cl\u00f3vis. <\/span><b>Dial\u00e9tica do Brasil Negro<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. 2 ed. SP: edAnita Garibald, 2014. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-weight: 400;\">_______. <\/span><b>Rebeli\u00f5es da Senzala<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. 4 ed.PoA. Ed Mercado Aberto, 1988. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-weight: 400;\">ASSUMP\u00c7\u00c3O, Euz\u00e9bio; MAESTRI, Marcio (coods). <\/span><b>N\u00f3s, os afro-ga\u00fachos. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">PoA. Ed UFRGS. 1996. <\/span><\/span><\/p>\n<!-- \/wp:tadv\/classic-paragraph -->\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andressa Mour\u00e3o Duarte Pouco sabemos sobre a trajet\u00f3ria das nossas origens no caminho percorrido at\u00e9 o sul do Brasil, segundo Cl\u00f3vis Moura (2014), a \u00c1frica era (e ainda \u00e9) um mosaicode culturas e n\u00e3o aquele conglomerado de indiv\u00edduos igualados no n\u00edvel de semi-animalidade como apregoavam os colonizadores. 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