{"id":5231,"date":"2026-09-04T17:04:04","date_gmt":"2026-09-04T20:04:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/?p=5231"},"modified":"2026-09-22T14:47:48","modified_gmt":"2026-09-22T17:47:48","slug":"mestre-adel-a-tradicao-da-guascaria-viva-em-cacapava-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/2026\/09\/04\/mestre-adel-a-tradicao-da-guascaria-viva-em-cacapava-do-sul","title":{"rendered":"Mestre Adel: A Tradi\u00e7\u00e3o da Guasqueria Viva em Ca\u00e7apava do Sul"},"content":{"rendered":"<figure>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"513\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/414\/2026\/09\/Banner-1024x513.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>Entre mem\u00f3ria e pr\u00e1tica, Adel mant\u00e9m vivo um of\u00edcio que aprendeu com o pai e com a vida no campo.<\/figcaption><\/figure>\n<p dir=\"ltr\" style=\"line-height: 1.2;text-align: right;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt\">por <i>Fellipe H. Alves Medeiros e Fernanda de Figueiredo Ferreira<\/i><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<\/p>\n<p>Dias de chuva em Ca\u00e7apava do Sul mudam o ritmo no galp\u00e3o de Adel Sim\u00e3o Mendes Ferreira, conhecido como Mestre Adel Guasqueiro. Longe de ser um problema, a umidade amacia o couro cru e deixa o material no ponto ideal para o trabalho, ao contr\u00e1rio do que acontece no tempo seco do ver\u00e3o. O artes\u00e3o aproveita o clima para abrir sobre a mesa uma pe\u00e7a com mais de meio s\u00e9culo de hist\u00f3ria, ainda firme e serv\u00edvel. Orgulhoso, ele aponta para a rel\u00edquia:<i> \u201cVoc\u00ea v\u00ea um couro velho, esse aqui mesmo, nunca mostrei para voc\u00eas, tem mais de 50 anos de uso\u201d<\/i>. Com o material em m\u00e3os, o mestre tran\u00e7a os tentos com a destreza de quem aprendeu o of\u00edcio na inf\u00e2ncia e recorda como o tempo moldava a sua rotina desde guri:<i> \u201cDia de chuva era mais pr\u00e1tico para lidar com o couro. Ele ficava mais brando, mais f\u00e1cil de trabalhar. Com tempo \u00famido, o couro se adapta melhor\u201d.<\/i><\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de Adel come\u00e7ou no Irapu\u00e1, distrito rural de Ca\u00e7apava do Sul marcado por uma paisagem de cerros antigos, forte tradi\u00e7\u00e3o de campo e da heran\u00e7a das terras de benfeitores e senhores de escravos. Ele resume a inf\u00e2ncia moldada pelos costumes desse interior de ch\u00e3o batido, terra que carrega a ancestralidade de matriz africana: <i>\u201cEu nasci na campanha, l\u00e1 no Irapu\u00e3, e trabalhei desde pequeno na lida da ch\u00e1cara, trabalho com o gado, ovelhas, na planta\u00e7\u00e3o, na campereada e em tudo assim\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Filho de Jos\u00e9 Bernardino Ferreira e Isabel Mendes Ferreira, o artes\u00e3o cresceu acompanhando o trabalho do av\u00f4, do pai, um domador de cavalos bravos e xucros que conhecia a fundo os segredos do of\u00edcio, da lida e o manejo do couro cru. Seu Jos\u00e9 foi o grande professor, ensinando o filho a ler o tempo e a respeitar o ritmo da natureza: em dia de sol, cuidava-se da terra; quando o tempo virava e a chuva barrava o servi\u00e7o na lavoura ou com o gado, o ref\u00fagio era o galp\u00e3o.<\/p>\n<p>O mestre ri ao lembrar de como o galp\u00e3o virava o seu paradeiro nesses dias de inverno ou temporal: <i>\u201cEm chuva n\u00e3o podia ir para o campo. Ent\u00e3o ficava em casa, ficava no galp\u00e3o, e tinha que ter servi\u00e7o para n\u00e3o fazer muita arte\u201d.<\/i> Para aproveitar a claridade que teimava em entrar pelo cinza dos dias chuvosos, o pai trazia o guri para perto da porta. <i>\u201cAli \u00e9 mais claro para trabalhar. No dia de chuva tem que ficar dentro do galp\u00e3o, mas quando n\u00e3o est\u00e1 chovendo, a gente fica na porta para trabalhar o couro\u201d<\/i>, descreve Adel.\u00a0<\/p>\n<p>Foi nessa observa\u00e7\u00e3o mi\u00fada, entre o cheiro da umidade e o som das ferramentas, que ele aprendeu a amaciar a mat\u00e9ria-prima batendo com o macete de madeira e a dar forma \u00e0s primeiras cordas.<\/p>\n<p>Dessa \u00e9poca de aprendizado no pampa, a lembran\u00e7a mais viva \u00e9 o primeiro la\u00e7o, feito pelo pai sob medida para as m\u00e3os da crian\u00e7a. Adel resgata o epis\u00f3dio com a nitidez de quem guarda o passado no bolso:<i> \u201cEle me deu o primeiro la\u00e7o quando eu tinha uns oito anos. Saiu um terneiro por uma fresta da cerca. O terneiro veio para o meu lado e eu lacei ele. O dono da lida me deu uma terneira por causa daquele la\u00e7o. Tenho at\u00e9 hoje lembran\u00e7a disso\u201d. <\/i>Essa mem\u00f3ria da primeira terneira e os ensinamentos da inf\u00e2ncia foram a base que o sustentou dali por diante.<\/p>\n<p>Ainda menino, Adel j\u00e1 lidava com cavalos e preparava os xerg\u00f5es para a montaria. A necessidade de fabricar os utens\u00edlios para o dia a dia na campanha fez com que ele seguisse praticando as t\u00e9cnicas do pai, salvando da mem\u00f3ria um saber tradicional que corria o risco de desaparecer com o tempo. At\u00e9 hoje, o mestre preserva rel\u00edquias daquela inf\u00e2ncia na campanha de Ca\u00e7apava, mostrando com orgulho o rebenque antigo que guarda como tesouro: <i>\u201cEste rebenque foi feito pelo meu pai, n\u00e9? Isso aqui se chama rabo de tatu. No tempo em que ele domava, usava isso aqui para tocar os baguais\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Aos 29 anos, Adel mudou-se para a zona urbana de Ca\u00e7apava do Sul para casar e trabalhar. Mesmo mudando de rumo e enfrentando o servi\u00e7o pesado da lavoura, ele nunca largou o of\u00edcio do tran\u00e7ado em couro. O repasse do trabalho no reparo, conserto e feitio de pe\u00e7as resistentes possibilitou a troca, a manuten\u00e7\u00e3o, a valoriza\u00e7\u00e3o e o reconhecimento desse saber por diferentes idades e gera\u00e7\u00f5es que buscam ferramentas, tecnologias sociais capazes de auxiliar a lida de campo, com os animais, onde o cavalo conduz as tropas, as marca\u00e7\u00f5es,\u00a0 mas tamb\u00e9m as atividades festivas conectadas a essas pr\u00e1ticas como os rodeios, os desfiles, exposi\u00e7\u00f5es, feiras que representam os valores atribu\u00eddos \u00e0s atividades regionais dessas lidas de campo, onde o cavalo \u00e9 o principal agente. A busca pelo conserto de l\u00e1ticos, sobrel\u00e1ticos, barrigueiras e bu\u00e7ais. Ele conta, rindo, que o bu\u00e7al novo \u00e9 meio bagual e brabo na cabe\u00e7a do cavalo, mas que amansa logo com o tempo de uso e um pouco de graxinha, ou seja, o bu\u00e7al torna-se um dos componentes que facilitam a doma, o manejo e a condu\u00e7\u00e3o do animal de maneira segura, para ambos.<\/p>\n<p>Para Mestre Adel, o trabalho manual carrega uma durabilidade que as pe\u00e7as de f\u00e1brica n\u00e3o conseguem alcan\u00e7ar. O couro de gado \u00e9 o sustento de toda a montaria, dando corpo aos la\u00e7os, \u00e0s r\u00e9deas e \u00e0s soiteiras dos relhos. \u00c9 um servi\u00e7o que exige for\u00e7a bruta, pois o couro precisa ser estaquiado, esticado, amaciado e limpo na faca para ganhar aquela caracter\u00edstica correta que o ga\u00facho valoriza.<\/p>\n<p>O couro industrializado, curtido com qu\u00edmica para acelerar o processo nas f\u00e1bricas, apresenta uma estrutura mais fina e de menor durabilidade para o manejo e n\u00e3o serve para quem conhece o rigor do dia a dia no campo. O artes\u00e3o sabe bem onde esse material racha na hora do pux\u00e3o: <i>\u201cTem com\u00e9rcio que vende esse material, mas muitos vendem s\u00f3 para revenda. Parece umas cascas secas\u201d. <\/i>Mestre Adel realiza o feitio de seu of\u00edcio tradicional na regi\u00e3o, no galp\u00e3o que fica nos fundos de sua resid\u00eancia na cidade, onde os amigos e conhecidos chegam para buscar uma pe\u00e7a, levar outra para o reparo e alguns jovens v\u00eam aprender a tirar o tento e tran\u00e7ar. Ele continua o trabalho e o repasse do of\u00edcio na for\u00e7a do bra\u00e7o e na paci\u00eancia de tran\u00e7ar o que as est\u00f3rias vividas e as mem\u00f3rias dessa identidade campeira n\u00e3o registram nos livros, mas na oralidade deste saber. Ele se orgulha de manter o mesmo ritmo de antigamente:<i> \u201cEu ainda estou na moda antiga, de garrotear o couro no macete. O bruto ainda existe, e s\u00e3o poucos que fazem assim, s\u00f3 na for\u00e7a e no macete\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Adel explica que o couro de curtume \u00e9 trabalhado com costura de linha, um m\u00e9todo que acaba fragilizando a pe\u00e7a com o tempo. O guasqueiro aponta a diferen\u00e7a do seu fazer: <i>\u201cJ\u00e1 esse aqui \u00e9 trabalhado com couro, com tento de lonca de cavalo, por isso dura mais\u201d. <\/i>Neste of\u00edcio, o artes\u00e3o sinaliza que a pele fina e resistente do cavalo \u00e9 o que amarra toda a estrutura, dispensando totalmente os fios de algod\u00e3o ou nylon das f\u00e1bricas. Muitos clientes chegam ao galp\u00e3o com l\u00e1ticos comprados em lojas, reclamando que as tiras quebram por falta de tratamento adequado na ind\u00fastria.\u00a0<\/p>\n<p>Embora j\u00e1 tenha visto em cursos universit\u00e1rios o funcionamento de m\u00e1quinas modernas para amaciar a mat\u00e9ria-prima, Adel nota que o maquin\u00e1rio rouba a textura e a flexibilidade do material. A prefer\u00eancia do mestre continua sendo o processo manual no tempo \u00famido da chuva, sabendo que o cavalo oferece o tento fino e firme para os acabamentos, enquanto o couro do gado garante a estrutura mais forte para o arreio.<\/p>\n<p>Essa busca por resist\u00eancia tamb\u00e9m resgata t\u00e9cnicas antigas da heran\u00e7a ind\u00edgena que ele traz guardada na mem\u00f3ria e na ponta dos dedos. Um exemplo vivo desse passado \u00e9 a bota de garr\u00e3o de potro, um cal\u00e7ado r\u00fastico feito sem moldes ou costuras, retirado inteiro da perna do animal. O mestre ensina o of\u00edcio demonstrando o movimento com as m\u00e3os:<i> \u201cA bota garr\u00e3o de potro era feita do garr\u00e3o do animal. Tinha que secar e tirar inteira, sem riscar. Virava do avesso e colocava uma madeira por dentro para secar sem fechar, para n\u00e3o craquelar o couro, e assim caber na canela\u201d. <\/i>Ele lembra que o cal\u00e7ado tradicionalmente deixava os dedos dos p\u00e9s descobertos, um detalhe fundamental para dar mais firmeza ao pe\u00e3o na hora de firmar o p\u00e9 no estribo.<\/p>\n<p>Da mesma forma, para montar as boleadeiras, Adel busca na fauna local os materiais capazes de aguentar o impacto do uso no campo. Ele resgata a origem da pe\u00e7a que hoje adorna o galp\u00e3o: <i>\u201cEsta aqui era a arma dos \u00edndios para pegar os bichos baguais\u201d<\/i>. Para encapar as pedras que ele mesmo esculpe, o artes\u00e3o utiliza a pele da barriga do tatu-peludo ou o couro de lagarto, mat\u00e9rias-primas conhecidas pela longevidade. Adel descreve o processo desse feitio: <i>\u201cCobria-se a pedra com o couro da barriga do tatu-peludo. Tamb\u00e9m se usava couro de lagarto, que \u00e9 muito forte\u201d. <\/i>Por dentro das cordas de couro que ligam as tr\u00eas pedras da boleadeira, o mestre utiliza o couro do gado torcido, o segredo antigo que garante a flexibilidade e a for\u00e7a necess\u00e1rias para suportar o movimento do arremesso no meio do campo.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a rotina do guasqueiro assumiu novos modos de transmiss\u00e3o dos saberes que v\u00e3o al\u00e9m do p\u00fablico que utiliza as ferramentas e tecnologias sociais elaboradas por ele, seja nas atividades voltadas \u00e0 lida de campo direta quanto \u00e0s de festividades. Neste sentido, o galp\u00e3o, lugar de refer\u00eancia na elabora\u00e7\u00e3o dos instrumentos artesanais, passa a ser ressignificado na perspectiva do trabalho e no of\u00edcio de tran\u00e7ar e fortalecer ensinamentos que legitimam e valorizam o nosso patrim\u00f4nio cultural e regional do conhecimento campeiro e de todo o ambiente que o envolve.\u00a0<\/p>\n<p>Em abril de 2024, ele ministrou uma oficina pr\u00e1tica no I Semin\u00e1rio de Not\u00f3rios Saberes da Universidade Federal de Santa Maria, a UFSM. Entre fevereiro e mar\u00e7o de 2025, participou como expositor na Recep\u00e7\u00e3o Estudantil e na Semana Descobrindo os Not\u00f3rios Saberes, levando esse patrim\u00f4nio da cultura regional e o sentido das tradi\u00e7\u00f5es campeiras para dentro do ambiente universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>O encontro com as novas gera\u00e7\u00f5es de estudantes rendeu boas hist\u00f3rias. Adel conta, com bom humor e um sorriso no rosto, sobre os trabalhos e a procura pelo aprendizado. Em oficinas e cursos realizados em Ca\u00e7apava com outros guasqueiros respons\u00e1veis, a troca e o aux\u00edlio na elabora\u00e7\u00e3o e destreza de cortar o tento, marcam os primeiros contatos na arte de tran\u00e7ar o couro e quando se observa os primeiros feitios, ambos ficam realizados, mestre e aprendiz.\u00a0<\/p>\n<p>Apesar do reconhecimento acad\u00eamico, Adel mant\u00e9m a mod\u00e9stia t\u00edpica dos homens da campanha. Ele quase recusou os primeiros convites da UFSM por achar que n\u00e3o tinha o estudo ou a t\u00e9cnica refinada que as salas de aula exigiam. O mestre desabafa, deixando de lado qualquer vaidade:<i> \u201cO meu servi\u00e7o \u00e9 mais grosseiro, n\u00e3o \u00e9 muito aperfei\u00e7oado n\u00e3o. \u00c9 forte, mas n\u00e3o \u00e9 muito bonito, n\u00e3o\u201d.<\/i> Ele prioriza a utilidade pr\u00e1tica no dia a dia do pampa e faz quest\u00e3o de elogiar seu colega de of\u00edcio, o guasqueiro Batista, a quem considera o trabalho mais fino e especializado no acabamento e nas bainhas de faca detalhadas.<\/p>\n<p>Para Adel, o companheiro domina a parte est\u00e9tica da guasquearia e tem o perfil ideal para o ensino formal. Ele afirma, reconhecendo o valor do outro:<i> \u201cO Batista trabalha muito bem. Ele tem condi\u00e7\u00f5es de fazer cursos, participa de semin\u00e1rios fora do estado, no Uruguai tamb\u00e9m\u201d<\/i>. Ainda assim, ciente de que muitos jovens hoje evitam o trabalho pesado de preparar a mat\u00e9ria-prima, Adel entende a import\u00e2ncia de transmitir e repassar o conhecimento, pois s\u00e3o of\u00edcios que podem ser esquecidos, ao mesmo tempo que podem ser aprimorados, com t\u00e9cnicas que mantenham a for\u00e7a e a qualidade dos materiais, a expressividade do patrim\u00f4nio cultural e condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais dignas e sustent\u00e1veis na manuten\u00e7\u00e3o do corpo f\u00edsico, em especial das m\u00e3os que no inverno ga\u00facho racham pelo frio e a firmeza do material. O Mestre alerta sobre o risco do esquecimento:<i> \u201c\u00c9 muito importante ensinar, porque se a gente n\u00e3o der continua\u00e7\u00e3o, vai terminar os que lidam com couro\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Aos 80 anos e aposentado, Adel hoje divide o tempo entre o galp\u00e3o, os cuidados com a horta que tem com os amigos, o gado e o cavalo na propriedade que j\u00e1 foi do seu pai. Com a serenidade que a experi\u00eancia vivida transmite, ele sinaliza que o of\u00edcio j\u00e1 t\u00e3o incorporado em sua pr\u00e1tica di\u00e1ria que o trabalho com o couro, <i>\u201ca guasqueria hoje \u00e9 mais um entretenimento, algo que eu gosto de fazer\u201d.<\/i> A atividade fortalece seus v\u00ednculos com o campo, com a \u00e9gua grande companheira nas lidas de camperiada, com a manuten\u00e7\u00e3o do trabalho e os v\u00ednculos sociais no Centro de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas e no Piquete.<\/p>\n<p>Essas mem\u00f3rias preservam a pr\u00f3pria identidade do ser campeiro conectado \u00e0s suas ra\u00edzes, ao seu pampa e ao seu ser social. Nesse lugar, o of\u00edcio e o trabalho com o couro cru, \u00e2ncora-se no palanque da vida, onde a corda se estica, se torne, se reduz e sobretudo se fortalece, mas n\u00e3o se arrebenta ao sustentar uma tradi\u00e7\u00e3o que passa de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o a destreza de tirar o tento e firmar o la\u00e7o de doze bra\u00e7as como quem cuida do cora\u00e7\u00e3o deste pampa, pois o campo tem raiz, hist\u00f3ria, mem\u00f3ria e identidade na cultura regional pampeana. Enquanto tran\u00e7a o couro cru nas m\u00e3os firmes marcadas pela presen\u00e7a e a for\u00e7a em aproximar os tentos, aprimora-os dando novas formas e sentidos, assim como se conjugam saberes, entre a t\u00e9cnica e o of\u00edcio capazes de manterem vivos a tradi\u00e7\u00e3o herdada de av\u00f4 e seu pai Jos\u00e9 Bernardino, al\u00e9m da forte identidade do Irapu\u00e3. Na sustentabilidade desse of\u00edcio que a chuva corra mansa para amaciar o couro, que o sopro do minuano semeie essas ra\u00edzes culturais pampeanas para outros cerros, para al\u00e9m do Cerro da Ang\u00e9lica, mas sobretudo nos permita de l\u00e1 ver no horizonte essa identidade e mem\u00f3ria espraiadas por outros campos do saber, onde as rachaduras nas m\u00e3os sinalizam caminhos e rupturas mais equ\u00e2nimes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre mem\u00f3ria e pr\u00e1tica, Adel mant\u00e9m vivo um of\u00edcio que aprendeu com o pai e com a vida no campo. por Fellipe H. Alves Medeiros e Fernanda de Figueiredo Ferreira \u00a0 Dias de chuva em Ca\u00e7apava do Sul mudam o ritmo no galp\u00e3o de Adel Sim\u00e3o Mendes Ferreira, conhecido como Mestre Adel Guasqueiro. Longe de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":545,"featured_media":5232,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[136,257,51],"class_list":["post-5231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-neabi","tag-notorios-saberes","tag-odh"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/users\/545"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5231"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5231\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}