{"id":2848,"date":"2019-07-08T10:27:02","date_gmt":"2019-07-08T13:27:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/?p=2848"},"modified":"2025-02-25T10:20:56","modified_gmt":"2025-02-25T13:20:56","slug":"a-gente-precisa-da-visibilidade-para-ter-reconhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/2019\/07\/08\/a-gente-precisa-da-visibilidade-para-ter-reconhecimento","title":{"rendered":"\u201cA gente precisa da visibilidade para ter reconhecimento\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c0s 14 horas do \u00faltimo domingo, 7, a equipe Americana sagrou-se campe\u00e3 da Copa do Mundo de Futebol Feminino. O time da Holanda ficou em segundo lugar.<\/p>\n<p>Esta Copa do Mundo foi at\u00edpica, especialmente para o Brasil, afinal, foi a primeira vez que o futebol feminino passou a ganhar visibilidade e lugar de destaque nos principais notici\u00e1rios do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, os jogos da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira que, infelizmente, caiu nas oitavas de final para a Fran\u00e7a, foram transmitidos pela Rede Globo, Band e SporTV. Uma quebra de paradigmas que deu destaque \u00e0s mulheres e tamb\u00e9m ao futebol e, demonstrou que lugar de mulher \u00e9 onde elas quiserem. E que desempenham com maestria qualquer fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a \u00e1rbitra assistente de futebol da Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) e Federa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Futebol (FGF), Maira Mastella, a participa\u00e7\u00e3o da equipe feminina foi muito positiva. \u201cAcho que o Brasil avan\u00e7ou muito em rela\u00e7\u00e3o ao preconceito e quanto \u00e0 sele\u00e7\u00e3o porque o futebol feminino est\u00e1 sendo mais estimulado. Ent\u00e3o, na medida do poss\u00edvel, a equipe foi muito bem e passou essa paix\u00e3o para os brasileiros. Vi muita gente tendo uma mudan\u00e7a de \u00f3tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sele\u00e7\u00e3o brasileira. Uma conhecida inclusive colocou a filha para jogar futsal em fun\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo\u201d, comenta.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2852 alignright\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-content\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0107-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0107-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0107-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0107-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0107-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0107.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>No entanto, embora in\u00fameros canais de televis\u00e3o tenham dado grande visibilidade \u00e0 copa, despertado a curiosidade da sociedade e quebrado alguns tabus em rela\u00e7\u00e3o ao futebol feminino, o tratamento dado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sele\u00e7\u00e3o masculina ainda \u00e9 bastante diferente. \u201cA m\u00eddia come\u00e7a a dar mais valor, mas ainda h\u00e1 um longo caminho a prosseguir pois ainda, culturalmente falando, o futebol masculino \u00e9 mais midi\u00e1tico, principalmente comercialmente. E sabemos que a m\u00eddia televisiva \u00e9 comercial, com mais patroc\u00ednios\u201d, explica a jornalista esportiva Maria Ang\u00e9lica Varaschini.<\/p>\n<p>J\u00e1 para a \u00e1rbitra da CBF e FGF, a falta de visibilidade predomina principalmente nos telejornais. \u201cEles iniciam, d\u00e3o uma pincelada sobre a sele\u00e7\u00e3o feminina, por\u00e9m j\u00e1 voltam a falar da masculina, ainda mais que estamos na \u00e9poca da Copa Am\u00e9rica. Teve um dia que era jogo da sele\u00e7\u00e3o brasileira \u00e0 tarde, e eu fiquei a manh\u00e3 toda assistindo ao SporTV e, por uma hora inteira, em nenhum momento citaram o jogo. Mas, se fosse a masculina a jogar \u00e0s 15h, eles estariam falando a manh\u00e3 inteira\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Em busca de visibilidade<\/strong><\/p>\n<p>Em 1941, o ent\u00e3o presidente do Brasil, Get\u00falio Vargas, assinou um decreto que proibia \u00e0s mulheres a pr\u00e1tica de esportes como o futebol. \u201c\u00c0s mulheres n\u00e3o se permitir\u00e1 a pr\u00e1tica de desportos incompat\u00edveis com as condi\u00e7\u00f5es de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necess\u00e1rias instru\u00e7\u00f5es \u00e0s entidades desportivas do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Um longo caminho foi percorrido at\u00e9 chegarmos a 2019, ano em que o futebol feminino, representado na figura da sele\u00e7\u00e3o feminina, come\u00e7ou, portanto, a ganhar as telas de TV, p\u00e1ginas de jornais e sites, e, \u00e9 claro, o cora\u00e7\u00e3o dos brasileiros. A jornada da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira Feminina de Futebol nesta Copa do Mundo pode ser vista como um divisor de \u00e1guas, afinal, marca o momento em que milh\u00f5es de brasileiros pararam para assistir \u00e0s partidas protagonizadas por mulheres e reconheceram o trabalho desempenhado por elas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda falta muito para que as barreiras entre homens e mulheres deixem de existir e que, assim, todos sejam tratados como iguais. Para a jornalista esportiva, \u201cainda ganhamos menos em muitos empregos. A Marta \u00e9 um exemplo disso, eleita seis vezes melhor jogadora do mundo e o sal\u00e1rio \u00e9 praticamente o mesmo que um jogador ganha para jogar um campeonato brasileiro. Ent\u00e3o, ainda h\u00e1 sim muita diferen\u00e7a nisso. Mas, acredito que isso vem mudando, a passos lentos e graduais, mas vem acontecendo. O que n\u00e3o podemos \u00e9 nos intimidar, isso jamais\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-2850\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-content\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0092-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"163\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0092-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0092-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0092-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0092-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0092.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 245px) 100vw, 245px\" \/>Maira Mastella tamb\u00e9m v\u00ea um longo caminho pela frente, que se iniciou quando as mulheres foram \u00e0 luta em busca de uma coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. \u201cVejo passos de formiguinha, as coisas n\u00e3o v\u00e3o mudar do dia pra noite. E n\u00e3o \u00e9 o que precisa ser feito, a gente precisa seguir trabalhando e de apoio. A gente precisa da visibilidade para ter reconhecimento\u201d<\/p>\n<p>Esse apoio pode ser exemplificado na Copa Libertadores da Am\u00e9rica e no Campeonato Brasileiro, os quais exigem que os clubes participantes tenham tamb\u00e9m uma equipe feminina. \u00c9 um estimulo e que abre as fronteiras de um universo ainda amplamente masculinizado. \u201cAs equipes est\u00e3o apoiando e, mesmo que obrigadas, v\u00e3o ter que apoiar, porque se n\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e3o participar do campeonato\u201d, frisa a \u00e1rbitra.<\/p>\n<p>Quarenta anos depois, as mulheres finalmente puderam mostrar seu futebol para todo o pa\u00eds. E, a partir de agora, esperamos que, n\u00e3o s\u00f3 no mundo esportivo, mas em todas as esferas da sociedade, as mulheres sejam reconhecidas e que tenham seus sal\u00e1rios equiparados aos homens. Que sejam valorizadas.\u00a0<\/p>\n<p><strong>UFSM e o futebol feminino<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2851 alignright\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-content\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0080-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0080-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0080-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0080-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0080-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/346\/2019\/07\/DSC_0080.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\u00c9 comum durante as competi\u00e7\u00f5es masculinas que o com\u00e9rcio feche as portas, as escolas dispensem os alunos e os servi\u00e7os sejam paralisados durante os jogos. O prest\u00edgio da sele\u00e7\u00e3o feminina, no entanto, n\u00e3o \u00e9 o mesmo e a mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 praticamente inexistente.<\/p>\n<p>Pensando nisso, neste ano, o Observat\u00f3rio de Direitos Humanos, vinculado \u00e0 Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o da UFSM, exibiu duas das quatro partidas disputadas pela sele\u00e7\u00e3o feminina brasileira. Ap\u00f3s os jogos, aconteceram debates que buscaram problematizar a situa\u00e7\u00e3o da mulher no mundo esportivo, ainda fortemente marcado pelo machismo. De acordo com \u00a0Victor de Carli Lopes, coordenador do ODH, a atividade tem um valor simb\u00f3lico muito grande e busca valorizar a participa\u00e7\u00e3o das mulheres em um espa\u00e7o ainda fortemente masculino.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Texto: Andr\u00e9a Ortis\/ Bolsista NDI PRE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s 14 horas do \u00faltimo domingo, 7, a equipe Americana sagrou-se campe\u00e3 da Copa do Mundo de Futebol Feminino. 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