{"id":7139,"date":"2022-10-27T16:57:33","date_gmt":"2022-10-27T19:57:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/?p=7139"},"modified":"2022-11-04T11:47:26","modified_gmt":"2022-11-04T14:47:26","slug":"ufsm-e-a-pluralidade-etnica-de-santa-maria-a-cultura-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/2022\/10\/27\/ufsm-e-a-pluralidade-etnica-de-santa-maria-a-cultura-indigena","title":{"rendered":"UFSM no Distrito Criativo e a pluralidade \u00e9tnica de Santa Maria: a cultura ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"7139\" class=\"elementor elementor-7139\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4fff5ff elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4fff5ff\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-761ae9b\" data-id=\"761ae9b\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6ee6e2a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6ee6e2a\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"font-weight: 400\">A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) tem entre os seus valores a justi\u00e7a, o respeito \u00e0 identidade e \u00e0 diversidade e o compromisso social. Uma das formas de promover esses princ\u00edpios \u00e9 atrav\u00e9s da extens\u00e3o, que visa fortalecer a rela\u00e7\u00e3o entre a Institui\u00e7\u00e3o e a comunidade. Em Santa Maria (RS), o v\u00ednculo da UFSM com o Distrito Criativo Centro-Gare tem representado uma das formas de fomentar esses e outros valores. O Comit\u00ea de Identidades e Recursos Culturais do espa\u00e7o, que tem como membro o Pr\u00f3-Reitor de Extens\u00e3o UFSM, Flavi Ferreira Lisboa Filho, tem encontrado no conhecimento sobre a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica do munic\u00edpio um modo de incentivar reflex\u00f5es sobre inclus\u00e3o e pluralidade.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">De maneira geral, etnia \u00e9 uma categoria definida pela \u00e1rea da Antropologia para nomear grupos com especificidades socioculturais. Essas identifica\u00e7\u00f5es entre coletividades podem ser caracterizadas por semelhan\u00e7as diversas, como, por exemplo, relativas \u00e0 l\u00edngua, \u00e0 na\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 hist\u00f3ria, \u00e0 religi\u00e3o e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o. Dentre os grupos que constituem a forma\u00e7\u00e3o da cidade, est\u00e3o os povos ind\u00edgenas, habitantes origin\u00e1rios do Brasil, que representam 305 etnias no pa\u00eds. Estima-se que, no territ\u00f3rio nacional, essa popula\u00e7\u00e3o re\u00fana 896.917 pessoas, enquanto que no estado do Rio Grande do Sul totalize 32.989 e, no caso de Santa Maria, 326, segundo o <\/span><a href=\"https:\/\/indigenas.ibge.gov.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\">censo<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Para saber mais sobre a presen\u00e7a dos povos ind\u00edgenas na forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica de Santa Maria, bem como acerca do papel da Universidade na preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o dos saberes relacionados a esse grupo, a Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o (PRE) conversou com o doutor egresso do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UFSM, Jo\u00e3o Heitor Silva Macedo. A seguir, voc\u00ea confere a entrevista:<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>PRE: Qual a import\u00e2ncia do aprendizado sobre a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnica de Santa Maria?<\/b><\/p><p><b>Jo\u00e3o Heitor: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Acredito que um dos pilares para a forma\u00e7\u00e3o de uma identidade cultural que respeite a diversidade \u00e9 tamb\u00e9m entender que a nossa forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 plural. Ela n\u00e3o se limita \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio a partir da presen\u00e7a europeia, mas sim a partir dos primeiros homin\u00eddeos que ocuparam o nosso territ\u00f3rio. E essa ocupa\u00e7\u00e3o, desde sempre, foi plural, composta por uma diversidade de grupos humanos que ao longo do tempo ocuparam essa espacialidade e dialogaram com o meio ambiente. Reconhecer essa diversidade que sempre existiu \u00e9 fundamental para que, em um processo educativo de reconhecimento da humanidade, nos reconhe\u00e7amos como a humanidade da diversidade. Que possamos ver no outro a diferen\u00e7a e que essa diferen\u00e7a nos potencialize para o reconhecimento do todo. Entender a forma\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-cultural de Santa Maria \u00e9 reconhecer uma Santa Maria que em 2022 segue plural e diversificada.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>PRE: Como podemos pensar a presen\u00e7a dos povos ind\u00edgenas na hist\u00f3ria de Santa Maria?<\/b><\/p><p><b>Jo\u00e3o Heitor:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Os estudos sobre os povos ind\u00edgenas na cidade de Santa Maria t\u00eam crescido bastante. Havia um momento em que se limitava a ouvir hist\u00f3rias tradicionais e lendas sobre o surgimento da cidade. Na medida em que o desenvolvimento cultural e educacional ligado \u00e0 pesquisa hist\u00f3rica, arqueol\u00f3gica e documental aconteceu, pudemos visualizar a diversidade de grupos humanos pret\u00e9ritos na cidade, percebendo que Santa Maria, devido seu aspecto geogr\u00e1fico, formativo e social, sempre foi um atrativo para os grupos ind\u00edgenas, de modo que ao longo do s\u00e9culo 19 encontramos v\u00e1rios momentos dessa presen\u00e7a na cidade &#8211; com predomin\u00e2ncia dos grupos tradicionais Tupi-guarani, mas incluindo tradi\u00e7\u00f5es Pampeanas, \u00edndios Minuanos e at\u00e9 mesmo Kaingangs. Essa presen\u00e7a ind\u00edgena, infelizmente, foi muito negligenciada pela historiografia tradicional, que n\u00e3o cita a continuidade desses grupos durante a forma\u00e7\u00e3o da cidade, principalmente no s\u00e9culo 20. Mas, as pesquisas que desenvolvemos hoje, ainda ligadas \u00e0 Arqueologia e \u00e0 Hist\u00f3ria, permitem entender a presen\u00e7a de dois grupos na atualidade: Guarani e Kaingang. Permitem entender que a hist\u00f3ria dessas aldeias na cidade deve ser contada a partir da pr\u00f3pria l\u00f3gica e narrativa dos grupos ind\u00edgenas e que, a partir da\u00ed, podem ser adensadas as pesquisas hist\u00f3ricas e arqueol\u00f3gicas que seguem existindo em todo o estado do Rio Grande do Sul e em Santa Maria.<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Olhar para a diversidade dos grupos origin\u00e1rios ind\u00edgenas da cidade \u00e9 reconhecer que nenhum deles veio de fora. N\u00f3s temos uma outra l\u00f3gica de compreens\u00e3o, que consiste em reconhecer como esse espa\u00e7o geogr\u00e1fico e pol\u00edtico contempor\u00e2neo n\u00e3o existia para os grupos ind\u00edgenas, de modo que a circula\u00e7\u00e3o, a ambi\u00eancia e a viv\u00eancia se deu em toda essa diversidade que contempla tamb\u00e9m o territ\u00f3rio santa-mariense. \u00c9 necess\u00e1rio que os estudos continuem acontecendo para que essas informa\u00e7\u00f5es cheguem no campo educacional, na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, no Ensino Superior; para que a gente quebre os velhos mitos de constru\u00e7\u00e3o de narrativas lineares, de uma hist\u00f3ria meramente europeia. Aqui na cidade, temos uma hist\u00f3ria de diversidade cultural plural desde a sua origem, com a presen\u00e7a dos ind\u00edgenas Kaingangs, Guaranis, Charruas, Minuanos e de v\u00e1rios outros grupos origin\u00e1rios anteriores a eles.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>PRE: Como voc\u00ea observa a Universidade no contexto de preserva\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o de saberes?<\/b><\/p><p><b>Jo\u00e3o Heitor: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Olhar o papel da Universidade \u00e9 fundamental. Sou egresso da UFSM e comecei os meus estudos l\u00e1 na d\u00e9cada de 1990, justamente pesquisando sobre os grupos Guaranis que habitaram o territ\u00f3rio de Santa Maria. Percebo que, desde sempre, antes mesmo da minha gera\u00e7\u00e3o, a Universidade desenvolveu um papel important\u00edssimo de pesquisa: inicialmente, l\u00e1 na d\u00e9cada de 1970, com o Laborat\u00f3rio de Estudos e Pesquisas Arqueol\u00f3gicas (LEPA); mais adiante, com a cria\u00e7\u00e3o do Museu Gama d\u2019E\u00e7a e com a evolu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Laborat\u00f3rio de Arqueologia do Curso de Hist\u00f3ria da UFSM; e, hoje, com o Laborat\u00f3rio de Arqueologia, Sociedades e Culturas das Am\u00e9ricas (LASCA). Todos t\u00eam um papel fundamental na cria\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores dedicados ao estudo da cultura material e da exist\u00eancia dos povos pret\u00e9ritos no nosso territ\u00f3rio.\u00a0<\/span><\/p><p><span style=\"font-weight: 400\">Mas n\u00e3o posso ficar limitado tamb\u00e9m s\u00f3 \u00e0 quest\u00e3o da Museologia e da Hist\u00f3ria. Atualmente, n\u00f3s encontramos um di\u00e1logo muito grande que passa por uma diversidade de forma\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, que s\u00e3o plurais nas Ci\u00eancias Sociais; que t\u00eam estudos de Antropologia; e da pr\u00f3pria Geografia humana. Os cursos s\u00e3o formadores de conhecimento \u00e0 medida em que a pesquisa e a inova\u00e7\u00e3o no campo dessas \u00e1reas trazem para a sociedade novos elementos de interpreta\u00e7\u00e3o e conhecimento, potencializados pela Universidade e comunicados \u00e0 comunidade atrav\u00e9s da Extens\u00e3o. A Universidade \u00e9 fundamental enquanto centro de pesquisa e tamb\u00e9m na extens\u00e3o.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p><b>PRE: Por que preservar o conhecimento hist\u00f3rico?<\/b><\/p><p><b>Jo\u00e3o Heitor: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Estudar e, mais do que isso, preservar o patrim\u00f4nio dessa diversidade cultural, que come\u00e7a com as popula\u00e7\u00f5es pret\u00e9ritas do nosso territ\u00f3rio, \u00e9 tamb\u00e9m poder comunicar e educar as gera\u00e7\u00f5es futuras sobre um passado comum a todos e todas, que dialoga com a diversidade territorial, ambiental, e que serve para que as pessoas dentro dos espa\u00e7os educacionais possam perceber a forma\u00e7\u00e3o cultural e de saberes diferenciadas. Essas novas fontes de conhecimento ampliam nosso escopo de interpreta\u00e7\u00e3o do mundo. A preserva\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria, da Arqueologia e do Patrim\u00f4nio Cultural, seja atrav\u00e9s da pesquisa, da Comunica\u00e7\u00e3o ou da Museologia, representa pilares para o desenvolvimento humano, da economia, do turismo e da progress\u00e3o social da nossa sociedade.<\/span><\/p><p>\u00a0<\/p><p>Esta entrevista foi editada para fins de concis\u00e3o.<\/p><p><i><span style=\"font-weight: 400\">Texto: Anna J\u00falia da Silva | Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o UFSM<\/span><\/i><\/p><p><i><span style=\"font-weight: 400\">Revis\u00e3o: Camila Steinhorst | Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o UFSM<\/span><\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, egresso da UFSM fala sobre a preserva\u00e7\u00e3o do conhecimento acerca dos povos ind\u00edgenas da cidade<\/p>\n","protected":false},"author":5698,"featured_media":7140,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[495,490],"tags":[365,335],"class_list":["post-7139","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-dh","category-sociedade","tag-ods-09","tag-ods-16"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5698"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7139\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}