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Calourada segue até 29 de março com palestras e mostras artístico-culturais

Descrição da imagem: a imagem da campanha calourada é quadrada com o fundo amarelo e todas as letras e os elementos contidos em preto. Na parte superior central está o brasão UFSM. Na parte inferior, são mostradas, a partir de ilustração inspirada nas figura do cordel, três pessoas, todas de mãos dadas e com características próprias, representando a pluralidade da Universidade.

Na próxima segunda-feira (11), começa a Semana da Calourada na UFSM, com o tema “A Universidade se pinta de povo”. A programação marca o início das atividades letivas, além de recepcionar os mais de 25 mil estudantes, em especial os calouros, novos na Instituição e, muitas vezes, recém chegados em Santa Maria.

Esta edição da calourada, começou a ser pensada ainda em outubro de 2018, a partir de projeto desenvolvido pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e apresentado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) da UFSM no início desse ano. A partir de então, diferentes setores passaram a integrar a Comissão da Calourada de modo a contribuir com a elaboração de uma proposta ampla e conjunta.

Além de representantes das unidades de ensino, a Comissão da Calourada conta com integrantes da Pró-Reitoria de Extensão (PRE) e da Unidade de Comunicação Integrada (Unicom), órgão de apoio institucional vinculado à Pró-Reitoria de Planejamento (Proplan) e responsável, durante a Calourada, por definir a identidade visual e as estratégias comunicacionais para a campanha.

O diferencial deste semestre, segundo Isadora Barrios, integrante do DCE, é que a calourada se “capilarizou” pelos centros de ensino e pelos campi da instituição, que se somaram com suas atividades e adotaram a mesma identidade visual. “A questão da integração foi muito maior do que a gente já tinha visto”, comenta.

Literatura de cordel como inspiração

Tradicional na UFSM, a Semana da Calourada serve de contraponto aos trotes abusivos e violentos, além de propor debates sobre conjuntura, sociedade e Universidade. Para esta edição, a literatura de cordel e a participação popular ganharam destaque e servem como demarcação de um projeto de Universidade “do povo para o povo”, conforme explica Isadora.

Ainda segundo a estudante, a escolha do lema da Semana, “A Universidade se pinta de povo”, aconteceu em um momento bastante oportuno, tendo em vista os ataques que a educação pública vem sofrendo com discursos que insistem em limitar o espaço das universidades públicas apenas às elites intelectuais. Para Isadora, a Calourada, além de dar as boas vindas aos novos estudantes, também serve como um momento de apresentação do movimento estudantil e de reflexão sobre a Universidade que temos e queremos.

Para a maior parte dos estudantes, a próxima segunda-feira representará o primeiro contato com o ensino superior. Dessa forma, Calourada também servirá para sanar dúvidas e prestar informações sobre as estruturas da UFSM e conscientizar sobre a importância dos espaços públicos de saber. “A gente tem que chamar essa galera para mobilizar, para estar junto na luta, e fazer com que se entenda a importância de estar defendendo uma universidade pública, gratuita, laica, plural e de qualidade”, ressalta Rodrigo Poletto, também integrante do DCE.

Além do lema, outra característica que é a identidade visual da campanha. Inspirada no cordel, a ideia foi ressaltar, por meio da arte, uma manifestação cultural de resistência do povo brasileiro, que ainda é bastante marginalizada. “Quando pensamos em cordel, entendemos como uma cultura do nordeste, mas não só de lá. É uma cultura do povo brasileiro. Por isso, resolvemos trazer essa identidade pra cá, pra mostrar que gente está em um período de uma conjuntura muito difícil, mas que a gente precisa resistir”, avalia Poletto.

A criação gráfica parte de adaptações e de um resgate simbólico como forma de aproximar a arte à realidade local. Dessa maneira, as artes, criadas pelo ilustrador Evandro Bertol, servidor do Centro de Artes e Letras (CAL) da UFSM, trouxe elementos marcantes da paisagem da Universidade e do estado do Rio Grande do Sul: o Arco e o Planetário, construções simbólicas da UFSM; o quero-quero, conhecido como sentinela dos pampas, pássaro que recebe com seu canto aquele que chega mais cedo ao campus, representando a acolhida; além de árvores tradicionais do estado, como o araçá e o ipê. Já as cores escolhidas para a ilustração, representam a atual gestão do Diretório Central dos Estudantes.

Primeiro dia terá programação cultural intensa

Além da colaboração na organização da campanha, neste ano as atividades oferecidas durante a Semana foram pensadas de maneira conjunta, objetivando promover a maior integração entre os calouros e veteranos de diferentes cursos.

De acordo com Angélica Iensen, pró-reitora substituta de Assuntos Estudantis, “a calourada é um momento de acolhimento e integração dos estudantes e dos servidores. Na segunda-feira, vai funcionar de manhã nos centros e, à tarde, com uma integração maior, juntando todos os centros em um único espaço para fazer uma festa e dar as boas vindas para todos”, explica.

Durante o primeiro dia, as atividades de recepção serão mais intensas. A partir das 11h até as 13h30, haverá apresentações artísticas e culturais embaixo da ponte seca da Universidade. À tarde, a partir das 16h, os estudantes serão direcionados ao Jardim Botânico, onde poderão participar de oficina de defesa pessoal, além de assistir às apresentações musicais e adquirir os produtos vendidos pelo produtores rurais integrantes da Polifeira do Agricultor.

Outros destaques da programação são a mesa “ Educação em tempos de golpe: Desafios e Perspectivas”, que será ministrada pela professora Rosana Pinheiro Machado, e o documentário “PPP – Preto, Pobre e Puto”, sobre a trajetória do ativista negro Nei D’Ogum, figura reconhecida e reverenciada em Santa Maria, falecido em 2017. O filme, será exibido no dia 29 de março, seguido de um debate com a cientista social, graduada pela UFSM, Suélen Aires. 

Isadora Barrios destaca que nesta edição da Calourada foram priorizados espaços de cultura, caracterizados por momentos de intervenção e espaços de fala. Além disso, explica que os temas escolhidos para as mesas envolvem, educação, negritude, cultura e movimentos sociais. Salienta ainda que, pela primeira vez, a programação da Semana preenche o mês inteiro, finalizando suas atividades apenas em abril, quando acontecerá a muamba, carnaval de rua popular que será retomado em Santa Maria. A programação prevê atividades específicas nos diferentes unidades de ensino.

A calourada conta ainda com a parceria entre a UFSM e o jornal Diário de Santa Maria. Participando pela primeira vez da programação, representantes do jornal distribuirão, nos dias 11 e 12 de março, no hall do Restaurante Universitário (RU), cadernos especiais para os estudantes, com informações sobre a Universidade e sobre a Semana. Além disso, haverá distribuição de assinaturas digitais gratuitas, por tempo limitado, para os alunos.

Texto: Bárbara Marmor, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Maurício Dias

Fonte: www.ufsm.br