{"id":14,"date":"2015-05-30T23:19:29","date_gmt":"2015-05-31T02:19:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/prograd\/egressos\/2015\/05\/30\/entrevista-com-fernando-floresta-bacharel-em-geografia-e-mestre-em-engenharia-de-producao-pela-ufsm\/"},"modified":"2015-05-30T23:19:29","modified_gmt":"2015-05-31T02:19:29","slug":"entrevista-com-fernando-floresta-bacharel-em-geografia-e-mestre-em-engenharia-de-producao-pela-ufsm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/prograd\/egressos\/2015\/05\/30\/entrevista-com-fernando-floresta-bacharel-em-geografia-e-mestre-em-engenharia-de-producao-pela-ufsm","title":{"rendered":"Entrevista com Fernando Floresta, Bacharel em Geografia e Mestre em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o pela UFSM"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-13\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/prograd\/egressos\/wp-content\/uploads\/sites\/639\/2015\/05\/images_29_05_2015_14_42_41.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"253\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/639\/2015\/05\/images_29_05_2015_14_42_41.jpg 450w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/639\/2015\/05\/images_29_05_2015_14_42_41-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 35.4pt;\">Trabalhar no que gostava foi o que Fernando Floresta sempre quis. Ap\u00f3s tentar v\u00e1rias cursos, concluir sua gradua\u00e7\u00e3o e ser aprovado em um concurso p\u00fablico estadual, ele finalmente conseguiu. E foi durante uma de suas viagens \u00e0 trabalho que a equipe Volver esteve com ele, enquanto ele nos contava sobre sua \u00e9poca na UFSM. Nosso entrevistado \u00e9 Bacharel em Geografia pela UFSM \u2013 1987 e Mestre em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o pela UFSM \u2013 2003. H\u00e1 10 anos\u00e9 Analista Ambiental da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental \u2013 FEPAM.<\/p>\n<p><strong>Volver:<\/strong>Como era a vida na UFSM quando tu estava na gradua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Floresta:<\/strong>Era muito parecido com hoje, talvez com um pouco mais de rigidez do ponto de vista acad\u00eamico, hoje eu vejo mais flexibilidade nos cursos \u2013 o que n\u00e3o \u00e9 totalmente ruim \u2013, mas talvez a cobran\u00e7a por parte dos professores fosse maior, principalmente com rela\u00e7\u00e3o a exerc\u00edcios em aula, tarefas complementares, bibliografia extensa, bastante pr\u00e1tica de laborat\u00f3rio e de campo. Talvez a presen\u00e7a mais forte do professor em sala de aula, at\u00e9 pelo que eu sei hoje \u00e9 dado muito semin\u00e1rio, a gradua\u00e7\u00e3o vem seguindo o ritmo da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, que exige mais iniciativa dos alunos, e antes, por n\u00e3o ter isso tudo, era mais direto, era mais presente em sala de aula, rigidez maior no controle de frequ\u00eancia, boa distribui\u00e7\u00e3o de provas, com calend\u00e1rio definido no come\u00e7o do semestre. A conviv\u00eancia entre alunos e professores tamb\u00e9m era maior, tudo em fun\u00e7\u00e3o de n\u00e3o existir ainda a internet. Trabalhos eram datilografados, xerox era uma coisa rara, ent\u00e3o a convivencia entre alunos e professores era mais forte, tamb\u00e9m. Ent\u00e3o eu acho que a grande mudan\u00e7a foi nas redes de comunica\u00e7\u00e3o, a atualiza\u00e7\u00e3o e a facilidade do acesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Volver: <\/strong>Do que tu sentes mais falta do tempo de gradua\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Floresta: <\/strong>Ah! Eu sinto falta do ambiente universit\u00e1rio, da atualiza\u00e7\u00e3o que o ambiente proporciona, dos colegas, dos trabalhos em grupo, das viagens de estudo que a gente tinha bastante, e daquela conviv\u00eancia mais frequente: toda semana tinha encontro de alunos, se passava manh\u00e3 e tarde no campus praticamente, e tamb\u00e9m tem o lado saudosista, n\u00e9? Os colegas e o ambiente acad\u00eamico, que eu sempre gostei muito. A universidade favorece isso, a proposta dela \u00e9 tamb\u00e9m a universaliza\u00e7\u00e3o do ensino, e eu sempre gostei de estar envolvido com um monte de coisa, eu era \u201cleitor de mural\u201d: descobria cursos, eventos, palestras.O ambiente acad\u00eamico era bem efervescente tanto no campus l\u00e1 fora (camobi) quanto nas sociais e humanas, aqui no centro na antiga reitoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Volver: <\/strong>E tu pretendes voltar pra UFSM, pra ser estudante ou professor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Floresta: <\/strong>Para professor n\u00e3o, eu nem tenho idade (risos) \u2013 vontade at\u00e9 tenho, mas tem gente mais nova para isso \u2013. Mas eu mantenho contato com a universidade, seguido eu fa\u00e7o cursos de extens\u00e3o, quando tem a chance eu me atualizo. Voltei muito tempo depois, pra fazer o mestrado, quando consegui libera\u00e7\u00e3o do trabalho. Iniciei um doutorado como aluno especial, n\u00e3o cheguei a fazer a sele\u00e7\u00e3o porque (o estado) n\u00e3o tinha liberado, mas agora tem um horizonte novo no estado que libera at\u00e9 dois dias na semana para o doutorado, ent\u00e3o isso me motiva a tentar voltar pro doutorado, quem sabe? Mas a\u00ed \u00e9 satisfa\u00e7\u00e3o pessoal mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Volver:<\/strong> Como foi a tua vida depois que tu te formaste?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Floresta:<\/strong>No come\u00e7o foi complicada, porque eu cheguei a cursar efetivamente uns 6 cursos na federal, mas s\u00f3 conclu\u00ed um. Minha vontade mesmo era cursar o curso de Ge\u00f3grafo, n\u00e3o existe mais, depois virou o bacharelado em geografia, era uma profiss\u00e3o nova que foi regulamentada como t\u00e9cnico encarregado a fazer a divis\u00e3o pol\u00edtica da uni\u00e3o, de estados e munic\u00edpios, cria\u00e7\u00e3o de novos munic\u00edpios, estudos geoecon\u00f4micos, antropol\u00f3gicos, geogr\u00e1ficos, mineral\u00f3gicos, recursos naturais e tudo mais&#8230; Ent\u00e3o eu fiz o vestibular, gostei do curso mas atrasei. O complicado foi, depois de egresso, trabalhar numa profiss\u00e3o completamente nova, que ningu\u00e9m conhecia. Me perguntavam \u201cah, tu \u00e9 professor de geografia?\u201d e eu dizia \u201cn\u00e3o, eu sou ge\u00f3grafo, posso fazer <em>isso isso e isso<\/em>\u201d. A\u00ed na \u00e9poca eu fiz c\u00f3pia da lei (que explica o que um ge\u00f3grafo \u00e9 e faz) e larguei em munic\u00edpios, no estado, em tudo. Era complicado, aparecia um trabalho de vez em quando, eu dei aula em col\u00e9gios particulares, cursinhos pr\u00e9-vestibular, trabalhei com turismo e cheguei a montar um escrit\u00f3rio, trabalhei 17 anos como construtor ambiental. Eu dizia que nunca queria ser funcion\u00e1rio p\u00fablico, queria ser sempre aut\u00f4nomo. Em um dado momento eu cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que na \u00e9poca \u2013 como hoje persiste \u2013 o melhor caminho ainda \u00e9 o concurso p\u00fablico. Fiz v\u00e1rios concursos pra minha \u00e1rea, passei em quase todos mas s\u00f3 aceitei quando foi vaga em Santa Maria. Mas em termos de retorno eu passei um trabalho sem tamanho, mas n\u00e3o por culpa da universidade, foi culpa da profiss\u00e3o, culpa da conjuntura nacional no momento, pregui\u00e7a minha de procurar coisas melhores&#8230; Mas hoje eu me sinto realizado, n\u00e3o ganho uma fortuna mas trabalho na \u00e1rea que eu gosto, tenho meu tempo, estou sempre em sa\u00eddas de campo, atingi o que eu queria, e ainda vai me dar a chance de fazer o doutorado se eu quiser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Volver:<\/strong>Depois da tua forma\u00e7\u00e3o, o que tu percebeste que a ufsm n\u00e3o ensinou e tu teve que aprender por fora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Floresta: <\/strong>Na minha \u00e1rea, o principal s\u00e3o as geotecnologias, a parte que no meu tempo n\u00e3o tinha trabalhos com mapas e tal era tudo manual, topografia era com teodolito, era trabalho com b\u00fassola, com trena, mas isso tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 culpa da universidade, foi culpa do momento, e o que eu tive que aprender por fora um pouquinho s\u00f3 porque eu n\u00e3o me interesso muito em aprender \u2013 eu n\u00e3o tenho mais idade pra isso (risos) \u2013&nbsp; \u00e9 o uso das geotecnologias, ferramentas pra estudo de relevo, solo, mapeamento geral, ferramentas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todo mundo, mapas digitais, imagens digitalizadas, facilita muito o trabalho de campo, medi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas, etc. Talvez a universidade tenha deixado a desejar na parte pr\u00e1tica da profiss\u00e3o, est\u00e1gios n\u00e3o existiam na \u00e9poca, a gente tinha que procurar por conta, n\u00e3o oferecia um contato com a profiss\u00e3o, o que a universidade n\u00e3o proporcionou era a extens\u00e3o no curso de geografia. Mas depois, pelo projeto Rondon, conseguimos fazer a pr\u00e1tica de campo a partir do 5\u00b0 semestre, trabalhando com mapeamento, com demografia das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, trabalhar com educa\u00e7\u00e3o ambiental, com levantamento de solos, de minerais, tudo atrav\u00e9s do projeto Rondon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Volver:<\/strong>Tu tens uma filha estudando na universidade. Qual \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de v\u00ea-la passando por isso que tu j\u00e1 passou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Floresta:<\/strong>Primeiramente, \u00e9 um orgulho ter uma filha fazendo curso superior, numa \u00e1rea que \u00e9 parecida com a minha \u2013 ela cursa Engenharia Florestal \u2013. Embora ela relate que tem v\u00e1rias disciplinas novas, tem um monte de tecnologias \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Ela gosta bastante, embora tenha uma vis\u00e3o mais social da profiss\u00e3o e ache que o curso \u00e9 voltado mais pro lado empresarial. Mas \u00e9 muito bom ter uma filha ali, a gente troca bastantes informa\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias da parte ambiental, ela tem inten\u00e7\u00e3o de ser professora, pesquisadora, e eu vejo isso com bons olhos. Outra diferen\u00e7a \u00e9 a facilidade de se chegar num professor, num coordenador. Hoje em dia \u00e9 mais tranquilo, todo mundo \u00e9 mais camarada. Antigamente, principalmente porque era \u00e9poca de ditadura, falar com o reitor era quase falar com o presidente da rep\u00fablica. Hoje facilita, o pessoal discute com o departamento, tem espa\u00e7os variados, \u00e9 bem mais democr\u00e1tico o ambiente universit\u00e1rio, eu acho.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhar no que gostava foi o que Fernando Floresta sempre quis. Ap\u00f3s tentar v\u00e1rias cursos, concluir sua gradua\u00e7\u00e3o e ser aprovado em um concurso p\u00fablico estadual, ele finalmente conseguiu. 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