{"id":900,"date":"2021-05-05T17:50:12","date_gmt":"2021-05-05T20:50:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/proinfra\/uma\/?p=900"},"modified":"2021-05-05T17:59:33","modified_gmt":"2021-05-05T20:59:33","slug":"mulheres-sustentaveis-e-transformadoras-debora-bobsin-e-o-ods-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/proinfra\/uma\/2021\/05\/05\/mulheres-sustentaveis-e-transformadoras-debora-bobsin-e-o-ods-8","title":{"rendered":"Mulheres Sustent\u00e1veis e Transformadoras: D\u00e9bora Bobsin e o ODS 8"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"341\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1-1024x341.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-842\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1-1024x341.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1-300x100.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1-768x256.jpeg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma como a sociedade interpreta o trabalho foi se transformando ao longo do tempo. Ele j\u00e1 foi tratado como forma de subsist\u00eancia na pr\u00e9-hist\u00f3ria, com a constru\u00e7\u00e3o de ferramentas e plantio de alimentos; como moeda no per\u00edodo feudal, quando os camponeses trabalhavam em troca de uma por\u00e7\u00e3o de terra, e com a industrializa\u00e7\u00e3o, ele se tornou pe\u00e7a chave para o relacionamento interpessoal dentro da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro desse \u00faltimo conceito, h\u00e1 a vis\u00e3o da sociedade sobre a for\u00e7a do trabalho e seu mecanismo de produ\u00e7\u00e3o, que atrav\u00e9s do longo contexto hist\u00f3rico de revolu\u00e7\u00f5es industriais e lutas trabalhistas, vai al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o emprego e sal\u00e1rio. De acordo com o soci\u00f3logo franc\u00eas \u00c9mile Durkheim, o sistema capitalista \u00e9 guiado pela solidariedade org\u00e2nica, que apresenta diferentes fun\u00e7\u00f5es (profiss\u00f5es) especializadas, gerando uma interdepend\u00eancia entre todos os seres humanos envolvidos nas distintas tarefas realizadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo essa linha, a participa\u00e7\u00e3o formal da popula\u00e7\u00e3o nesse mecanismo indica mais do que poder econ\u00f4mico e sua capacidade de gerar e consumir bens, mas tamb\u00e9m revela sua relev\u00e2ncia para a comunidade e transmite a sensa\u00e7\u00e3o de dignidade e pertencimento. Quando n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o justa e legal entre empregado e empregador, a desvaloriza\u00e7\u00e3o do ser humano como indiv\u00edduo \u00e9 inevit\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme <a href=\"https:\/\/www.ilo.org\/global\/publications\/books\/WCMS_626831\/lang--pt\/index.htm\">dados de 2018 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT)<\/a>, mais de 61% da popula\u00e7\u00e3o empregada do mundo, 2 bilh\u00f5es de pessoas, est\u00e1 no mercado informal. No Brasil, o \u00edndice \u00e9 de 46%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Infelizmente, a informalidade n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica quest\u00e3o preocupante relacionada ao trabalho. De acordo com o estudo <a href=\"https:\/\/reliefweb.int\/report\/world\/global-estimates-modern-slavery-forced-labour-and-forced-marriage\"><em>Global Estimates of Modern Forced Labor and Forced Marriage<\/em><\/a>, de 2017, mais de 40 milh\u00f5es de pessoas foram v\u00edtimas da escravid\u00e3o moderna em 2016, sendo que a maioria eram mulheres e meninas. A escravid\u00e3o moderna se distingue das formas de trabalho for\u00e7ado tradicionalmente estudadas, como a aplicada no per\u00edodo escravocrata que vigorou no Brasil que durou tr\u00eas s\u00e9culos e ecoa suas consequ\u00eancias at\u00e9 hoje. Esse tipo \u00e9 mais discreto e popular, resumido em situa\u00e7\u00f5es onde pessoas s\u00e3o for\u00e7adas a trabalhar em condi\u00e7\u00f5es insalubres sob amea\u00e7a de retalia\u00e7\u00e3o e com pouco ou nenhum sal\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desses n\u00fameros e problem\u00e1ticas, diversas leis e a\u00e7\u00f5es governamentais agem contra&nbsp; essas situa\u00e7\u00f5es, visando o alcance do trabalho decente para todos. Sabendo que s\u00f3 h\u00e1 como ter um desenvolvimento sustent\u00e1vel com todas as pessoas exercendo seu trabalho de forma digna e honesta, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) conta com o <a href=\"http:\/\/www.agenda2030.org.br\/ods\/8\/\">Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) n\u00famero 8<\/a>, que visa o Trabalho Decente e Crescimento Econ\u00f4mico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u201cAt\u00e9 2030, alcan\u00e7ar o emprego pleno e produtivo e trabalho decente todas as mulheres e homens, inclusive para os jovens e as pessoas com defici\u00eancia, e remunera\u00e7\u00e3o igual para trabalho de igual valor\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Artigo 5 do ODS 8&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Universidade Federal de Santa Maria colabora diretamente com esse ODS e com toda a Agenda 2030 nos futuros geoparques vinculados \u00e0 ela. A UNESCO explica que geoparques s\u00e3o territ\u00f3rios de interesse geol\u00f3gico e geomorfol\u00f3gico que devem possuir uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento respons\u00e1vel tanto social quanto ambientalmente. S\u00e3o \u00e1reas de valor natural muito grandes e que oferecem uma fonte de renda vi\u00e1vel aos moradores da regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a UFSM auxilia duas localidades com potencial para se tornarem geoparques:&nbsp; Ca\u00e7apava do Sul e Quarta Col\u00f4nia, cada uma com suas peculiaridades. Com a ajuda do meio acad\u00eamico nesses locais, h\u00e1 o est\u00edmulo do desenvolvimento regional e dos eixos propostos pela UNESCO para a final denomina\u00e7\u00e3o de geoparque ser concedida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das formas que a Universidade encontrou para atuar em prol disso \u00e9 atrav\u00e9s do projeto de extens\u00e3o <a href=\"https:\/\/portal.ufsm.br\/projetos\/publico\/projetos\/view.html?idProjeto=65916\"><strong>\u201cGeoparques: Laborat\u00f3rio de Neg\u00f3cios\u201d<\/strong><\/a>, coordenado pela professora do Departamento de Ci\u00eancias Administrativas da UFSM D\u00e9bora Bobsin.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto em quest\u00e3o visa o desenvolvimento econ\u00f4mico da regi\u00e3o auxiliando novos empreendedores e fortalecendo os neg\u00f3cios j\u00e1 existentes. A a\u00e7\u00e3o trabalha tanto com iniciativas empreendedoras, ou seja, pessoas que s\u00f3 t\u00eam as ideias, mas ainda n\u00e3o tiveram a oportunidade de coloc\u00e1-las em pr\u00e1tica, quanto com empreendimentos que ainda n\u00e3o trabalham formalmente, a fim de legalizarem as pr\u00e1ticas. \u201cAlgu\u00e9m que quer empreender precisa de uma porta de entrada, um suporte\u201d, explica a professora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os caminhos que levaram Bobsin \u00e0 coordenar essa iniciativa datam desde 2014, quando ela fez um interc\u00e2mbio de pesquisa para o seu p\u00f3s-doutorado no Canad\u00e1 durante um ano. Apesar de ter a maior parte de sua carreira acad\u00eamica voltada para a tecnologia aplicada na administra\u00e7\u00e3o, no exterior ela come\u00e7ou a se interessar por inova\u00e7\u00e3o social e por tecnologias do terceiro setor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final de 2017, a professora foi convidada para trabalhar na Incubadora Social da UFSM junto \u00e0 Pr\u00f3 Reitoria de Extens\u00e3o e l\u00e1 atuou durante os anos de 2018 e 2019, onde se aproximou ainda mais do empreendedorismo social, que \u00e9 uma forma alternativa de gerir neg\u00f3cios, que al\u00e9m do lucro, visa tamb\u00e9m melhorias sociais. Com essas experi\u00eancias, o \u201cGeoparques: Laborat\u00f3rio de Neg\u00f3cios\u201d nasceu em agosto de 2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o v\u00e1rios os empreendimentos atendidos pelo projeto, dentre eles est\u00e3o oficinas de confec\u00e7\u00e3o de pilchas, fortalecendo a cultura ga\u00facha,&nbsp; produ\u00e7\u00e3o de morango (fruta <em>in natura<\/em> e doces), salames e queijo. Bobsin chama aten\u00e7\u00e3o para duas situa\u00e7\u00f5es: a primeira \u00e9 um grupo de empreendedores que visam gerir neg\u00f3cios voltados \u00e0 cultura negra, e a segunda \u00e9 a iniciativa embrion\u00e1ria de uma jovem que quer trabalhar com uma horta agroecol\u00f3gica que foi muito beneficiada com a oficina de canvas ministrada pela equipe do projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUm dos pontos positivos da extens\u00e3o \u00e9 que aprendemos a conversar com diferentes p\u00fablicos\u201d, afirma a professora. \u201cA forma como eu explico para os meus alunos o que \u00e9 canvas \u00e9 completamente diferente da forma que eu explico para o empreendedor que est\u00e1 l\u00e1 na ponta [&#8230;] Fazer com que as pessoas entendam o que fazemos e desenvolvemos na academia e fazer com que elas apliquem em seus neg\u00f3cios, com suas devidas adapta\u00e7\u00f5es\u201d, explica Bobsin.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D\u00e9bora Bobsin ainda retoma a import\u00e2ncia do fortalecimento das comunidades perif\u00e9ricas para minimizar os problemas sociais. A professora ainda retoma o fato da quest\u00e3o de g\u00eanero e ra\u00e7a no meio empresarial: \u201cA quest\u00e3o de g\u00eanero aparece em diferentes frentes. Ela aparece no nosso dia a dia, como chegar em uma reuni\u00e3o e ser s\u00f3 voc\u00ea como mulher, e por outro lado, \u00e9 quando atuamos com as empreendedoras. Precisamos entender os desafios que elas vivenciam\u201d, diz Bobsin.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora diz que trabalhar com a extens\u00e3o \u00e9 um exerc\u00edcio de empatia e que ela e os outros membros do projeto buscam mudar a realidade daqueles envolvidos, estimulando o empreendedorismo feminino e negro. Nas escolas de Ca\u00e7apava do Sul, o projeto auxilia os professores nas aulas de empreendedorismo e instiga as alunas a adentrarem no mercado empresarial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA extens\u00e3o pra mim, eu gosto dela, eu tenho um apre\u00e7o pelo vi\u00e9s mais pr\u00e1tico pelo contato com as pessoas porque a gente tem a sensa\u00e7\u00e3o de que estamos contribuindo\u201d, ela fala.\u00a0<br>Hoje, Bobsin tamb\u00e9m faz parte do <a href=\"http:\/\/ice.org.br\/programa-academia\/\">programa academia do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE)<\/a>. Essa organiza\u00e7\u00e3o visa fortalecer a atua\u00e7\u00e3o das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior (IES) brasileiras nas tem\u00e1ticas de Finan\u00e7as Sociais e Neg\u00f3cios de Impacto, com \u00eanfase nas tr\u00eas dimens\u00f5es b\u00e1sicas do ensino: pesquisa, doc\u00eancia e extens\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A forma como a sociedade interpreta o trabalho foi se transformando ao longo do tempo. 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