{"id":918,"date":"2021-06-16T18:02:20","date_gmt":"2021-06-16T21:02:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/proinfra\/uma\/?p=918"},"modified":"2021-06-16T18:02:22","modified_gmt":"2021-06-16T21:02:22","slug":"mulheres-sustentaveis-e-transformadoras-eliane-maria-foleto-e-o-ods-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/proinfra\/uma\/2021\/06\/16\/mulheres-sustentaveis-e-transformadoras-eliane-maria-foleto-e-o-ods-14","title":{"rendered":"Mulheres Sustent\u00e1veis e Transformadoras: Eliane Maria Foleto e o ODS 14"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"341\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1-1024x341.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-842\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1-1024x341.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1-300x100.jpeg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1-768x256.jpeg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/609\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-17-at-18.26.55-1.jpeg 1280w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00e1gua \u00e9 um recurso indispens\u00e1vel para a nossa sobreviv\u00eancia. Como exposto numa <a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/proinfra\/uma\/2021\/03\/22\/nos-precisamos-falar-sobre-a-agua\/\">na mat\u00e9ria N\u00f3s precisamos falar sobre a \u00e1gua<\/a>, os corpos d\u2019\u00e1gua v\u00eam sofrendo cada vez mais com as consequ\u00eancias das a\u00e7\u00f5es do ser humano. A pesca predat\u00f3ria, a deposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos industriais, agrot\u00f3xicos, esgoto dom\u00e9stico e o pl\u00e1stico s\u00e3o os principais agentes poluentes dos recursos h\u00eddricos. A fauna e a flora marinha v\u00eam perdendo grande parte de sua diversidade devido a essas problem\u00e1ticas e isso se tornou pauta de diferentes congressos mundiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensando nisso, a Agenda 2030 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) prev\u00ea o <a href=\"http:\/\/www.agenda2030.org.br\/ods\/14\/\">Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) n\u00famero 14<\/a>, que visa conservar e promover o uso sustent\u00e1vel dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustent\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>\u201cAt\u00e9 2025, prevenir e reduzir significativamente a polui\u00e7\u00e3o marinha de todos os tipos, especialmente a advinda de atividades terrestres, incluindo detritos marinhos e a polui\u00e7\u00e3o por nutrientes.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Artigo 1 do ODS 14<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas para mudar o cen\u00e1rio atual, \u00e9 necess\u00e1rio entender como a \u00e1gua funciona, quais s\u00e3o seus ciclos e quais caminhos ela percorre desde a sua nascente at\u00e9 chegar \u00e0 foz do rio, quando se encontra com um corpo d\u2019\u00e1gua maior, geralmente os oceanos. Quanto a isso, o projeto de extens\u00e3o \u201cHidross\u00edtios no Geoparque da Quarta Col\u00f4nia\u201d, coordenado pela professora do Departamento de Geoci\u00eancias do Centro de Ci\u00eancias Naturais e Exatas (CCNE) e do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da UFSM, Eliane Maria Foleto, ganha grande destaque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com in\u00edcio datado em 2018, a a\u00e7\u00e3o visa, atrav\u00e9s de visitas aos nove munic\u00edpios que abrigam o Geoparque Quarta Col\u00f4nia, levantar junto aos gestores e representantes da comunidade quais s\u00e3o os mananciais h\u00eddricos, superficiais, subterr\u00e2neos que apresentam singularidade; definir dentre mananciais apontados quais possuem atributos excepcionais a serem inventariados; delimitar os hidross\u00edtios de maior valor patrimonial e, construir junto ao Poder P\u00fablico e comunidade, o caminho das \u00e1guas no Geoparque da Quarta Col\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Quarta Col\u00f4nia \u00e9 composta por nove munic\u00edpios ga\u00fachos: Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivor\u00e1, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Seca, S\u00e3o Jo\u00e3o do Pol\u00easine e Silveira Martins.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da a\u00e7\u00e3o ser recente, o contato de Eliane Foleto com a natureza e os recursos h\u00eddricos come\u00e7ou muito antes disso. \u201cEstou nesse debate muito antes da c\u00fapula da Agenda 2030 tra\u00e7ar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d, diz a professora. Desde pequena, filha de agricultores e com inf\u00e2ncia dentro do meio rural, ela brincava com o p\u00e9 no ch\u00e3o e nos rios pr\u00f3ximos de casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao entrar na Faculdade de Ci\u00eancias e Letras Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (FIC), no curso de Geografia Licenciatura, ela teve maior contato com as quest\u00f5es ambientais e nutriu ainda mais o seu interesse em se tornar professora, pois ela gostava da ideia de difundir e \u201cplantar sementinhas\u201d de conhecimento. Ao terminar sua gradua\u00e7\u00e3o em 1989, ela optou por continuar sua carreira acad\u00eamica e fez mestrado em Engenharia Civil, na \u00e1rea de Cadastro T\u00e9cnico Multifinalit\u00e1rio, pela Universidade Federal de Santa Catarina&nbsp; (UFSC) em 1995.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 em 1996, entrou no quadro de docentes da Universidade Federal de Santa Maria, oferecendo, dentre outras disciplinas, a mat\u00e9ria de Hidrogeografia. Nessa cadeira, a \u00e1gua \u00e9 trabalhada como um indicador de qualidade ambiental e ainda como um agente que se transforma (seus estados f\u00edsicos da mat\u00e9ria), mas ao mesmo tempo, transforma a paisagem, atrav\u00e9s de processos de eros\u00e3o, transporte e deposi\u00e7\u00e3o. Outra perspectiva trazida por essa disciplina \u00e9 olhar a \u00e1gua como elemento integrante e estruturante da paisagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse mesmo per\u00edodo, o Brasil estava passando por uma reestrutura\u00e7\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o ambiental e aprovou em 1997 a Lei n. 10.350, que indica como instrumentos de gerenciamento da \u00e1gua o plano de recursos h\u00eddricos, o enquadramento de recursos h\u00eddricos, a outorga dos usos e o plano de informa\u00e7\u00f5es para tais recursos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir dessa movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nacional, a professora sentiu a&nbsp; necessidade em se especializar na \u00e1rea de recursos ambientais. Ent\u00e3o, ela solicitou o afastamento na Universidade e foi fazer o doutorado na \u00e1rea de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o da UFSC numa linha de pesquisa de Gest\u00e3o Ambiental. Quando ela retornou de seu doutorado, no final de 2003, o curso de mestrado em Geografia acabara de ser aprovado na UFSM. A partir de ent\u00e3o, a professora passou a ministrar uma disciplina que discute sobre o uso racional dos recursos h\u00eddricos e o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de estar ligada \u00e0s causas ambientais em fun\u00e7\u00e3o&nbsp; da pesquisa, Foleto sentia vontade de aplicar esses conhecimentos com a comunidade e colocar em pr\u00e1tica aquilo que estudava na Universidade. Seguindo essa vontade, em 2004, a professora aproximou-se da F<a href=\"http:\/\/www.fundacaomoa.org.br\/pesquisas.php\">unda\u00e7\u00e3o Mo\u2019\u00c3<\/a> de Santa Maria, uma ONG que foi institu\u00edda por professores aposentados da UFSM e atua, desde 1997, na regi\u00e3o central do Rio Grande do Sul. A funda\u00e7\u00e3o tem lugar de fala em v\u00e1rios conselhos, como o Conselho Municipal de Meio Ambiente de Santa Maria e no Comit\u00ea de Bacias Hidrogr\u00e1ficas de Santa Maria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em setembro de 2007, a organiza\u00e7\u00e3o recebeu por doa\u00e7\u00e3o uma propriedade de 25 hectares no munic\u00edpio de Itaara, distante 12km do centro de Santa Maria. L\u00e1, a professora foi desafiada a criar uma Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o. Dentro desse territ\u00f3rio, existem tr\u00eas nascentes de \u00e1gua e a professora faz quest\u00e3o de levar seus alunos para l\u00e1. Os discentes da UFSM pesquisam e realizam a\u00e7\u00f5es nas unidades de conserva\u00e7\u00e3o no munic\u00edpio de Santa Maria. Dentro dessas discuss\u00f5es cient\u00edficas, surgiu o livro <strong>\u00c1reas Protegidas<\/strong>. Publicado pela Editora da UFSM, \u00e9 uma colet\u00e2nea de trabalhos realizados voluntariamente por acad\u00eamicos e docentes da UFSM nessa perspectiva de \u00e1reas protegidas e foi organizado pela professora Eliane Maria Foleto e pela Dalvana Brasil do Nascimento. Ele est\u00e1 dispon\u00edvel para compra no <a href=\"https:\/\/editoraufsm.com.br\/areas-protegidas.html\">site da Editora da UFSM <\/a>e tamb\u00e9m possui vers\u00e3o e-book.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda dentro da Mo\u2019\u00c3, Foleto organizou a obra <strong>A Conserva\u00e7\u00e3o da \u00c1gua sob Diferentes Olhares<\/strong>, que foi uma consequ\u00eancia do trabalho da Funda\u00e7\u00e3o em conjunto com a comunidade do munic\u00edpio de Itaara e de parcerias acad\u00eamicas relacionadas ao projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2015, o Grupo de Pesquisa que a professora fazia parte, o <a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/pro-reitorias\/pre\/observatorio-de-direitos-humanos\/grupo-de-apoio-e-incentivo-a-adocao-gaia-sm\/\">Grupo de An\u00e1lise e Investiga\u00e7\u00e3o Ambiental (Gaia)<\/a>, teve uma amplia\u00e7\u00e3o e foi criado o Grupo Patrim\u00f4nio Natural Geoconserva\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o da \u00c1gua (Pangea). Nele, a professora \u00e9 respons\u00e1vel pela tem\u00e1tica Gest\u00e3o da \u00c1gua, na \u00e1rea dos hidross\u00edtios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse mesmo per\u00edodo, a quest\u00e3o dos Geoparques come\u00e7ou a ganhar maior visibilidade no meio acad\u00eamico e a UFSM acabou se envolvendo diretamente com esses dois projetos. Atualmente, a Universidade possui a\u00e7\u00f5es nos Geoparques Ca\u00e7apava do Sul e Quarta Col\u00f4nia. E \u00e9 a partir da\u00ed que o projeto coordenado por Foleto ganha suas primeiras formas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO hidross\u00edtio \u00e9 um patrim\u00f4nio. A ideia \u00e9 que utilizemos esses geoss\u00edtios de car\u00e1ter hidrol\u00f3gico que t\u00eam um apelo muito grande junto \u00e0 sociedade para conscientizar a comunidade sobre a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.\u201d, explica a professora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas n\u00e3o s\u00e3o todos os recursos h\u00eddricos que se tornam hidross\u00edtios: \u201cO hidross\u00edtio precisa ter valor ecol\u00f3gico, valor hidromorfol\u00f3gico, valor est\u00e9tico para o apelo da comunidade, sociocultural (roda d&#8217;\u00e1gua, barramento) e import\u00e2ncia cient\u00edfica\u201d, ressalta Foleto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os chamados hidross\u00edtios servem como uma esp\u00e9cie de bandeira para a sensibiliza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o frente \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e dos recursos h\u00eddricos. \u201cA import\u00e2ncia de manter \u00e1reas verdes e instituir unidades de conserva\u00e7\u00e3o neste processamento de \u00e1gua \u00e9 que elas possuem papel fundamental s v\u00e3o reter naturalmente o escoamento e fazer com que as \u00e1guas infiltrem e regulem a vaz\u00e3o nos per\u00edodos de estiagem\u201d, esclarece a professora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foleto tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para a crise ambiental que estamos vivendo. Ela diz que \u00e9 essencial que haja uma revis\u00e3o do nosso consumo e das problem\u00e1ticas relacionadas ao meio ambiente o quanto antes, pois se n\u00e3o, as consequ\u00eancias ser\u00e3o ainda mais graves.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doc\u00eancia e \u00e0 ideia de plantar sementes de conhecimentos, a professora Eliane Foleto j\u00e1 vem colhendo frutos. Ela se&nbsp; orgulha em dizer que tem um ex-aluno concursado que atua hoje no Instituto Brasileiro&nbsp; do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis no Norte do pa\u00eds e tamb\u00e9m fala sobre uma aluna de doutorado que trabalha em um projeto de investiga\u00e7\u00e3o na Universidade de Coimbra, definindo \u00e1reas priorit\u00e1rias para conserva\u00e7\u00e3o, nessa mesma perspectiva ambiental.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00e1gua \u00e9 um recurso indispens\u00e1vel para a nossa sobreviv\u00eancia. 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