{"id":151,"date":"2019-05-20T13:25:09","date_gmt":"2019-05-20T16:25:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos-extensao-observatorio-da-desigualdade\/?page_id=151"},"modified":"2023-12-12T08:41:01","modified_gmt":"2023-12-12T11:41:01","slug":"dados-basicos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/dados-basicos","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>Partindo da compreens\u00e3o de que a desigualdade se constitui no principal problema enfrentado pela sociedade brasileira, o Observat\u00f3rio da Desigualdade busca articular a investiga\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica das dimens\u00f5es materiais e simb\u00f3licas deste fen\u00f4meno cr\u00f4nico com o ensino e a extens\u00e3o universit\u00e1ria. Conforme estudo sobre a desigualdade de renda realizado pela OXFAM\u00b9 a partir de dados da Receita Federal de 2013, 0,36% da popula\u00e7\u00e3o brasileira (algo em torno de 726.725 indiv\u00edduos) det\u00e9m um patrim\u00f4nio, irrisoriamente tributado, que equivale a 45,54% do Produto Interno Bruto do pa\u00eds. Segundo Neri (2022), na base da pir\u00e2mide social derivada do v\u00e9rtice ocupado por menos de 1% da popula\u00e7\u00e3o brasileira em 2021, a renda domiciliar de 62,9 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o alcan\u00e7a a soma de 500,00 reais\u00b2. Corroborando os dados que revelam a iniqua estratifica\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds, relat\u00f3rio recente do<em>\u00a0World Inequality Lab<\/em>\u00b3\u00a0revela que metade da popula\u00e7\u00e3o do Brasil det\u00e9m menos de 1% da riqueza do pa\u00eds compreendida como ativos financeiros e n\u00e3o financeiros, tais como propriedades imobili\u00e1rias enquanto que os 10% mais ricos det\u00e9m aproximadamente 80% do patrim\u00f4nio privado existente. No Brasil, a desigualdade assume ainda contornos geogr\u00e1ficos desvelando profundas desigualdades regionais entre as regi\u00f5es setentrionais e meridionais do pa\u00eds. N\u00e3o obstante, a desigualdade no Brasil, como n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil perceber, n\u00e3o se limita a sua dimens\u00e3o econ\u00f4mica, mas \u00e9 exponenciada \u00e0 en\u00e9sima pot\u00eancia quando passamos a contemplar suas dimens\u00f5es simb\u00f3licas que, no entanto, n\u00e3o s\u00e3o puramente simb\u00f3licas, mas incorporam tamb\u00e9m, em graus vari\u00e1veis, dimens\u00f5es materiais quando tematizamos sua indexa\u00e7\u00e3o pelas categorias de g\u00eanero e ra\u00e7a. Quando as categorias de g\u00eanero e ra\u00e7a s\u00e3o inclu\u00eddas na an\u00e1lise da conforma\u00e7\u00e3o da estrutura da desigualdade no pa\u00eds nos deparamos com oportunidades desiguais nos mercados de trabalho relativamente \u00e0 inclus\u00e3o das mulheres e da popula\u00e7\u00e3o negra. A mesma sub-representa\u00e7\u00e3o ocorre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s oportunidades de participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no que se refere a composi\u00e7\u00e3o das inst\u00e2ncias de delibera\u00e7\u00e3o legislativa, bem como nos \u00f3rg\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es que conformam as estruturas do poder estatal. Todavia, mesmo gritante, a desigualdade tende a assumir uma fei\u00e7\u00e3o naturalizada que elide da percep\u00e7\u00e3o da grande maioria da popula\u00e7\u00e3o a compreens\u00e3o das l\u00f3gicas sociais que presidem sua cont\u00ednua produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o. Com efeito, a naturaliza\u00e7\u00e3o da desigualdade pode ser objeto de narrativas de cunho ideol\u00f3gico que acabam por justificar sua preval\u00eancia muitas vezes sob o benepl\u00e1cito do discurso da meritocracia. Nesse sentido, o s\u00edtio do Observat\u00f3rio da Desigualdade, contempla a face extensionista do programa de pesquisa, ensino e extens\u00e3o, qual seja: ao destinar-se aos p\u00fablicos externos \u00e0 comunidade acad\u00eamica, divulga dados, informa\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises sobre o fen\u00f4meno em tela procurando evidenciar e desnaturalizar as l\u00f3gicas sociais que concorrem para a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o desigualdade em suas m\u00faltiplas formas.<br \/><br \/><br \/>\u00b9 Conforme o estudo da OXFAM\/INESC coordenado por Evil\u00e1sio Salvador intitulado \u201cPerfil da desigualdade e da injusti\u00e7a<br \/>tribut\u00e1ria\u201d; dispon\u00edvel na seguinte url: https:\/\/www.ceapetce.org.br\/uploads\/documentos\/587e0c439bbf33.59808206.pdf<br \/>\u00b2 NERI, M. Mapa da nova pobreza. Rio de Janeiro: Centro de Pol\u00edticas Sociais da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, 2022.<br \/>\u00b3 Os relat\u00f3rios World Inequality Lab (Grupo de Pesquisa coordenado por Thomas Piketty vinculado \u00e0 \u00c9cole d\u2019\u00c9conomie de Paris)<br \/>sobre a evolu\u00e7\u00e3o da desigualdade no mundo; podem ser acessados atrav\u00e9s da seguinte url: https:\/\/wir2022.wid.world\/download\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partindo da compreens\u00e3o de que a desigualdade se constitui no principal problema enfrentado pela sociedade brasileira, o Observat\u00f3rio da Desigualdade busca articular a investiga\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica das dimens\u00f5es materiais e simb\u00f3licas deste fen\u00f4meno cr\u00f4nico com o ensino e a extens\u00e3o universit\u00e1ria. Conforme estudo sobre a desigualdade de renda realizado pela OXFAM\u00b9 a partir de dados da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-151","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/151","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/observatorio-da-desigualdade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}