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				<title>UFSM e agricultores da Serra Gaúcha se unem para recuperar solos atingidos pelas enchentes</title>
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				<pubDate>Thu, 25 Sep 2025 01:04:38 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Projeto de extensão orienta sobre a adoção de práticas de manejo que fortalecem a resiliência da terra diante das mudanças climáticas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>As enchentes de maio de 2024 provocaram erosões e deslizamentos que comprometeram a produção agrícola da Serra Gaúcha. Um levantamento coordenado pelo professor Gustavo Brunetto, do Departamento de Solos da UFSM, mostrou que o solo perdeu cerca de 85% da matéria orgânica — recuperação que pode levar de 14 a 40 anos.</p><p>A partir desse diagnóstico, o projeto revelou a dimensão do problema e passou a orientar soluções de manejo viáveis para recuperar áreas degradadas e preparar a terra para resistir a eventos extremos cada vez mais frequentes. </p><p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/09/IMG-20250916-WA0006-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></p><p> </p><h3>Manejo em condições adversas</h3><p>Segundo Brunetto, o primeiro passo para recuperar áreas degradadas deve ser avaliar o solo. Mas essa não é a solução definitiva: a proteção contínua é o que garante resultados duradouros.<br />“Você tem que proteger o solo para que, se no futuro chover de novo com aquela intensidade, menos terra seja perdida”, explica o pesquisador. Para isso, ele recomenda a adoção de técnicas de conservação.</p><p>Uma das principais estratégias é o uso de plantas de cobertura. Elas podem ser espécies nativas ou cultivadas e devem ser semeadas entre linhas de videiras e pessegueiros. Essas plantas formam uma camada que protege contra a erosão, melhora a estrutura do solo e contribui para a ciclagem de nutrientes.<br />“Elas absorvem nutrientes, crescem, completam o ciclo e depois retornam para o solo, enriquecendo-o”, explica Brunetto.</p><p>Ele compara a técnica a um pão coberto por nata:<br />“A nata seria a planta de cobertura. Ela não só está protegendo o solo, mas também repondo matéria orgânica, que foi perdida.”</p><p>Entre as espécies indicadas estão aveia, azevém e trevo, cultivadas justamente no período de maior intensidade de chuvas, de abril a setembro. O pesquisador lembra que o Sul do Brasil é referência no uso dessas técnicas, mas parte dos produtores havia abandonado a prática.<br />“É uma oportunidade de retomar esse conhecimento antigo, que já foi muito pesquisado na região e tem eficácia comprovada”, afirma.</p><p>Outro ponto destacado é que a revegetação ocorre naturalmente: uma vez semeada, parte das sementes permanece no solo e germina nos anos seguintes. Por isso, a recomendação é evitar químicos que eliminem essas espécies, preservando o ciclo de ressemeadura.</p><p>Outra estratégia defendida pela equipe é o uso de resíduos orgânicos, como esterco de animais, dejetos de aves e suínos, restos vegetais e composto orgânico. Esses materiais ajudam a repor o carbono perdido com as enchentes, melhorando a estrutura física e a fertilidade do solo.<br />“Mais carbono no solo significa menos CO₂ na atmosfera, que é um dos problemas do efeito estufa, além de mais nutrientes para as plantas”, explica Brunetto.</p><p>Como muitos agricultores já têm esse tipo de resíduo em suas propriedades, a prática também pode ser uma alternativa de baixo custo em comparação ao uso exclusivo de adubos minerais. A recomendação é que o material orgânico seja analisado para evitar excesso de nutrientes, ou que sejam seguidas as orientações de manuais técnicos regionais.</p>[caption id="attachment_364" align="aligncenter" width="1024"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/09/IMG-20250916-WA0003-1024x707.jpg" alt="" width="1024" height="707" /> Terraços construídos na Serra Gaúcha como estratégia de proteção do solo[/caption]<p>Em áreas de encosta, a construção de terraços também pode ser determinante. Eles funcionam como degraus que reduzem a velocidade da água e diminuem as perdas de solo e de nutrientes. Embora o investimento inicial seja mais alto, pela necessidade de maquinário, a prática pode evitar prejuízos maiores no futuro.</p><h3>Experiência no campo</h3><p>O agricultor Fabiano Orsatto, associado à Cooperativa Vinícola Aurora, já utilizava plantas de cobertura e, após as enchentes, passou a testar espécies de ciclo mais tardio para ampliar o período de proteção.<br />“Onde as plantas estavam bem formadas e o solo estava protegido, ocorreram menos danos. Quanto mais protegido o solo, melhor para manutenção do mesmo.”</p><p>Apesar dos custos com sementes e reconstrução de áreas atingidas, ele aposta na eficácia da estratégia:<br />“O investimento inicial valeu a pena.”</p><p>Já o produtor Emerson Cimadon adotou a cobertura verde no início dos anos 2000, quando mecanizou os vinhedos. Desde então, observa benefícios como menor erosão, maior infiltração de água e até a volta de insetos que auxiliam no controle natural de pragas.<br />“Com o tempo, vimos a volta de insetos que ajudam no controle natural de pragas.”</p><p>Ele acrescenta que a palhada seca formada após o ciclo das plantas continua protegendo os parreirais no verão, aumentando a eficiência do manejo.</p><h3>Preparar hoje para resistir amanhã</h3><p>Brunetto destaca que a construção de soluções é sempre feita em parceria com agricultores e técnicos da extensão rural.<br />“O que conquistamos foi confiança. Sempre retornamos os resultados das pesquisas e mostramos como podem ser aplicados no campo. Ajudamos o produtor a melhorar seu cenário, muitas vezes com baixo custo, mas com retorno em produtividade e lucro”, afirma.</p><p>O pesquisador lembra ainda que o conhecimento científico precisa sair da universidade e chegar de fato ao campo, para não perder relevância.<br />“Não adianta termos o melhor conhecimento dentro da academia se ele não chega ao produtor. Para o agricultor, a prática precisa ser eficiente e lucrativa”, pontua.</p><p>Essa relação de confiança também é percebida pelos agricultores.<br />“As orientações da equipe ajudam nas decisões de manejo que tomamos na propriedade”, conta Fabiano Orsatto.<br />“Quanto mais orientações técnicas tivermos, mais chances teremos de proteger o solo no futuro”, acrescenta Emerson Cimadon.</p><h3>Repercussão nacional</h3><p>A pesquisa também repercutiu fortemente fora do meio acadêmico. Segundo Brunetto, os resultados chegaram até jornais do Sudeste e do Nordeste do Brasil. O dado que mais chamou atenção foi o cálculo de que a recuperação dos solos poderia levar até 40 anos.<br />“Esse número deu um ‘boom’, porque é fácil de compreender a gravidade da situação”, lembra o professor.</p><p>Para ele, a ampla cobertura midiática demonstra a relevância do trabalho, que uniu diagnóstico e soluções práticas.<br />“Esse foi o projeto científico de maior visibilidade da minha carreira, porque mostrou que a universidade pode contribuir de forma direta para recuperar solos degradados e preparar os agricultores para enfrentar novos desafios climáticos.”</p><h3>Evento em Bento Gonçalves</h3><p>No início de setembro, a equipe da UFSM esteve em Bento Gonçalves, em parceria com a Cooperativa Vinícola Aurora, para apresentar os resultados preliminares. O encontro reuniu técnicos e agricultores que tiveram perdas de solo com as enchentes.</p><p>A programação foi dividida em duas etapas: primeiro, a apresentação dos dados levantados nas propriedades; depois, a discussão sobre alternativas para recuperar os solos e se preparar para novos eventos climáticos extremos.</p><p>Para Brunetto, a mensagem central é de prevenção: “Sabemos que eventos de chuva intensa vão se repetir em intervalos cada vez menores. Se os agricultores mantiverem o solo protegido com plantas de cobertura, reforçado com resíduos orgânicos e manejado com terraços, os danos serão menores. É um investimento feito hoje para reduzir as perdas de amanhã.”</p><p>R<i style="font-size: 16px">eportagem: </i><i style="font-size: 16px">Luciane Treulieb, jornalista<br />Fotografias disponibilizadas pelo projeto</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>Análises de solo em áreas de deslizamentos mostram consequências das enchentes no RS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/extensao/proext-pg/2025/03/27/analises-de-solo-em-areas-de-deslizamentos-mostram-consequencias-das-enchentes-no-rs</link>
				<pubDate>Thu, 27 Mar 2025 14:05:47 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Projeto da UFSM identificou ganho de acidez e perda de matéria orgânica na Serra Gaúcha]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Análises de solo funcionam como exames médicos que buscam identificar doenças. No caso da terra, a intenção é descobrir a qualidade e as necessidades do solo para o cultivo de plantas. O projeto de extensão dos Programas de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS), em Agrobiologia (PPGAgroBio) e em Química (PPGQ) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) realizou um trabalho de coleta e análise de solo na Serra Gaúcha, em cidades  atingidas pelas enchentes de maio de 2024. Nos municípios de Pinto Bandeira, Bento Gonçalves e Veranópolis, os pesquisadores coletaram amostras em áreas de deslizamento de propriedades rurais dedicadas à fruticultura.</p><p>Allan Kokkonen, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS) e integrante do projeto, explica que as análises comuns revelam dois padrões distintos: os solos de áreas nativas, que tendem a ser muito ácidos e apresentam baixa disponibilidade de nutrientes, tornando-se menos adequados para o cultivo; e os solos de áreas já cultivadas, nos quais geralmente se identifica a necessidade de reposição de adubação ou fertilização.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/03/analise-de-solos_002-1024x667.jpg" alt="Descrição de imagem: Imagem no formato de colagem, com fotografias e elementos ilustrativos, de equipamentos de laboratório de análise. Sobre uma bancada fina e marrom, há três tubos de ensaio com diferentes amostras de terra. Ao lado, o desenho de um microscópio branco. Ao fundo, em desfoque, está a fotografia de uma área de deslizamento de terra, com uma cratera em meio a um pomar com árvores nativas atrás." />													
		<p>No caso da Serra Gaúcha pós-enchente, os pesquisadores identificaram ainda um terceiro tipo de solo, que mistura características de áreas nativas e cultivadas. No deslizamento de terra, tanto as áreas que perderam quanto as que receberam sedimentos passam por uma grande transformação. O material deslocado pode conter solo, pedras e outros elementos, tornando o cenário imprevisível. “É uma completa surpresa, um tiro no escuro. A gente não sabe o que vai encontrar ali”, destaca Allan. Para o pesquisador, na comparação com exames de sangue, é como se a análise mostrasse uma doença nova, que ainda não tem padrão de tratamento.<br /><br />Os resultados mostram que as áreas degradadas não perderam grandes quantidades de nutrientes, mas apresentaram um aumento na acidez. Esse problema, porém, pôde ser facilmente corrigido com aplicação de calcário, permitindo que muitas áreas já estejam aptas para o cultivo. “Esse foi um resultado que a gente não esperava: essas áreas de deposição têm fertilidade relativamente boa para a maioria dos nutrientes”, ressalta Allan.<br /><br />No entanto, para o pesquisador, o maior problema diz respeito à qualidade ou saúde do solo, ou seja, não se trata apenas de analisar os nutrientes, mas também a estrutura. Os pesquisadores perceberam que os solos analisados tiveram perda de matéria orgânica. Allan explica: “É aquele material que tem origem orgânica, formado por microorganismos que vieram de plantas decompostas”. Allan ressalta que a matéria orgânica tem várias funções importantes. “Ela é responsável por dar estrutura e agregação ao solo, o que é crucial, pois é essa estrutura que facilita a retenção de água”, detalha. Essa característica auxilia em períodos de seca, em que a água é mais escassa - como o que o Rio Grande do Sul enfrenta agora.<br /><br />Um segundo ponto é que a matéria orgânica oferece nutrientes para a planta, principalmente nitrogênio, um dos mais importantes para o fornecimento de energia. “Provavelmente esses solos que perderam muita matéria orgânica - e foi bastante a quantidade perdida - vão ter um volume de micróbios, de fungos e de bactérias muito pequenos. E eles são benéficos”, especifica Allan. <br /><br />Além disso, de acordo com o pesquisador, a matéria orgânica também pode interagir com o ambiente. “Ela é feita basicamente de carbono”, afirma. Ou seja, quando está no solo, permite que ele funcione como dreno de carbono, que se converte em energia para o desenvolvimento das plantas. “Quando se perde ela, provavelmente foi liberada na forma de gás. Ou seja, toneladas e toneladas de carbono que estavam na matéria orgânica, estocadas no solo, foram para a atmosfera”, conclui. Para Allan, essa perda transforma os sistemas agrícolas de drenos em emissores. “Aquela área de deslizamento emitiu bastante carbono, o que a gente sabe que vai potencializar as mudanças climáticas e o efeito estufa”, destaca.</p>		
			<h3>Prejuízos no setor da agricultura</h3>		
		<p>Na Serra Gaúcha, cujas características são de encostas e morros, o relevo acidentado facilita o escoamento superficial das águas. De acordo com pesquisadores do Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces) da UFSM, esses solos têm adaptações que favorecem a condução de águas em períodos de chuva normais. No entanto, em maio de 2024, em regiões como a da Serra, choveu mais de 500 milímetros em 48 horas, de acordo com estimativas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Nesses casos, há uma sobrecarga dos sistemas hídricos, o que resultou em deslizamentos de terra em encostas.<br /><br />Estes eventos não causaram só consequências sociais, mas também prejuízos financeiros, especialmente na agricultura. De acordo com dados de estudo realizado em novembro pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), são pelo menos R$88,9 bilhões em prejuízos financeiros, entre o setor produtivo (69%), o social (21%), a infraestrutura (8%) e o meio ambiente (1,8%). <br /><br />Já no setor da agricultura, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) divulgou, em junho do ano passado, perdas que somam pelo menos R$ 467 milhões, em pequenas, médias e grandes propriedades. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), ocorreram danos diversos em setores produtivos de grãos, olericultura - cultivo de hortaliças, legumes e verduras -, floricultura, pastagens, produção leiteira e produção florestal, além de animais mortos e solos afetados. A fruticultura também foi impactada, afetando a produção de uva, pêssego, caqui, kiwi, bergamota, ameixa, nectarina e outras frutas. <br /><br />Rubiane Rubo é engenheira agrônoma e presidente da Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira. Depois de terminar a graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela retornou à propriedade familiar para continuar o negócio iniciado pela avó. São cerca de cem hectares com plantações de frutas diversas em um terreno extenso em comprimento. Rubiane conta que, nas enchentes, três grandes deslizamentos atingiram a propriedade. “Um no início, um no meio e um no final. Isso comprometeu os tratamentos de inverno, porque a gente trabalha em patamares, então não tinha como um trator andar”, explica. Patamares são formas de organizar o terreno dos pomares, em uma espécie de escada. Maurício Bonafé, engenheiro agrônomo na Vinícola Aurora, esclarece que esses sistemas são feitos para evitar a perda de solo por escorrimento superficial de água, ou seja, em volumes normais de chuva. “Isso faz com que a água caia com menor velocidade no solo. A gota tem menos impacto e consequentemente a água consegue penetrar com mais facilidade”, detalha. Além disso, outra estratégia que tem esse intuito é a da cobertura verde, ou seja, o plantio de árvores e vegetações, o que também favorece a função do solo como reservatório de água.</p>		
										<figure>
										<img width="703" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/03/WhatsApp-Image-2025-03-25-at-13.04.12-703x1024.jpeg" alt="Descrição da imagem: fotografia quadrada e colorida de uma cratera em propriedade rural de cultivo de frutas. A cratera ocupa a metade inferior da fotografia, e se abre em meio e uma área de pomar em patamares. Ao fundo dos pomares, há uma área de árvores de eucaliptos. Acima, o céu azul com nuvens." />											<figcaption>Cratera no final da propriedade da família de Rubiane Rubo, em Pinto Bandeira. No lado esquerdo da foto, é possível ver os patamares que restaram.</figcaption>
										</figure>
		<p>Os deslizamentos atrasaram os tratamentos de inverno nos pomares, por conta do risco e da dificuldade de acesso à propriedade. “Comprometeu a floração depois, que não foi de tanta qualidade, e consequentemente impactou em menor quantidade de frutos”, relata Rubiane.</p>		
			<h3>Análise de solo como técnica de avaliação de perdas</h3>		
		<p>Na UFSM, um dos projetos que busca auxiliar na avaliação dos impactos das enchentes no solo é o ‘Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos’, dos Programas de Pós-Graduação em Ciências do Solo (PPGCS), em Agrobiologia (PPGAgroBio) e em Química (PPGQ). Foi contemplado no último edital do Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG). O objetivo é produzir conhecimento para facilitar o retorno das atividades agrícolas, com foco no fortalecimento das famílias de pequenos agricultores.</p><p>A técnica usada no projeto é a análise de solo. Gustavo Brunetto é coordenador do projeto e professor no Departamento de Solos e no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Solo da UFSM. Ele explica que alguns solos não conseguem fornecer as quantidades de nutrientes que uma planta precisa para o crescimento. Para conhecer essas características, se faz uma análise. “Se recomenda ir até o campo e fazer a coleta de uma porção do solo, que depois é levado para o laboratório e analisado”, descreve Gustavo.</p><p>A análise de solos tem algumas etapas:<br />1 - Amostragem: definição das áreas a serem analisadas e coletadas. Em uma gleba (área de terra), se define de dez a 20 pontos de coleta, em locais variados do terreno, mas que tenham as mesmas características, de histórico de adubação e plantio. Em cada um desses pontos, a coleta é feita em uma profundidade de zero a dez ou de zero a 20 centímetros, a depender das características. Com uma pá de corte, um trado ou até um quadriciclo, coleta-se uma porção de solo de cada ponto. Com as coletas feitas, pega-se uma porção de solo de cada um dos pontos e se mistura em um balde, para ter uma representação homogênea da área. Depois, pega-se cerca de 500 gramas da amostra de solo para fazer uma pré-secagem, o que envolve desfazer os torrões de terra, espalhar em uma superfície limpa e deixar secar de dois a três dias, a depender das condições climáticas. Depois de seca, a terra é colocada em um saco plástico e identificada com a propriedade e produtor/a, nome da gleba e demais características.</p>		
										<figure>
										<img width="768" height="995" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/03/Image-2025-03-19-at-15.12.59-scaled-e1743085666884-768x995.jpeg" alt="Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida de duas mulheres que coletam amostras de solo. Elas estão em pé em meio a uma propriedade rural atingida por deslizamentos de terras, em uma encosta. Um delas segura um saco plástico enquanto a outra coloca no saco a terra retirada com um trado." />											<figcaption>Integrantes do Gepaces em atividade de coleta de solo</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/03/Image-2025-03-19-at-15.12.58-768x1024.jpeg" alt="Descrição da imagem: fotografia vertical e colorida, em que uma pessoa segura um trado em uma das mãos. O equipamento tem formato de um cilindro comprido em uma das pontas, com uma abertura para o armazenamento de terra. Na outra, se encontra com uma barra horizontal laranja, que permite que o equipamento seja girado para a coleta da terra. No fundo da imagem, aparece o terreno que sofreu deslizamento, e algumas vegatações em arbustos." />											<figcaption>Trado usado para a coleta de porções de solo</figcaption>
										</figure>
		<p>2 -  Análise no laboratório: as amostras de solo são enviadas para um laboratório credenciado, que faz a análise. A credencial pode ser emitida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) ou pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro)<br /><br />3 - Interpretação da análise: feita por um técnico, que pode ser alguém formado em Engenharia Agronômica. Envolve entender os resultados de análise para indicar soluções.<br /><br />4 - Recomendação: A partir dos resultados, a pessoa responsável pela interpretação elabora as recomendações de aplicação no solo analisado. Quantidade de adubação e calagem (aplicação de cal), qual a melhor fonte de nutrientes, melhor época de aplicação, entre outras questões, podem compor esse relatório.<br /><br />Apesar de ser uma técnica simples e de baixo custo, Gustavo afirma que ela é fundamental. A etapa da amostragem precisa ser feita com cuidado e rigor para que o resultado seja qualitativo. “É mais ou menos você ter a preocupação de ir no médico e ele interpretar o teu resultado da análise de sangue, mas se não foi feito um procedimento adequado na amostragem, ele não vai ter validade”, compara.</p>		
			<h3>As coletas na Serra Gaúcha</h3>		
		<p>As coletas de porções de solo para análise do projeto da UFSM foram realizadas em dez áreas de pomares e vinhedos atingidos por deslizamentos nos municípios de Veranópolis, Bento Gonçalves e Pinto Bandeira. Para a escolha das áreas, o grupo do professor Gustavo Brunetto contou com o apoio do engenheiro agrônomo Maurício Bonafé, que é gerente agrícola da Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves. Por conta do contato direto com as famílias, Maurício já tinha um mapeamento das áreas degradadas. “Fizemos alguns apontamentos sobre as áreas que podiam ser recuperadas e, com isso, se propôs as áreas para coleta das amostras”, explica Maurício.<br /><br />A fase de mapeamento e escolha das propriedades levou em torno de dois meses, em meados de setembro de 2024. A coleta das amostras foi feita entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, concomitantemente com as análises.</p>		
			<h3>Próximos passos</h3>		
		<p>Os próximos passos do projeto envolvem o encaminhamento dos resultados de análise para as famílias de produtores, além da realização de eventos para a divulgação e explicação dos dados. O projeto também pretende realizar análises agrobiológicas e químicas, a partir dos programas de pós-graduação parceiros, e criar cartilhas e relatórios para os técnicos e produtores.</p>		
			<h3>Capítulo de livro</h3>		
		<p>No dia 14 de março, o grupo de pesquisadores do projeto foi até Porto Alegre para o evento de lançamento do livro ‘RS: Reflexões para a reconstrução do Rio Grande do Sul’. O produto foi feito a partir do projeto ‘RS: Resiliência &amp; Sustentabilidade’, que é uma promoção de acordo de cooperação entre a Secretaria Extraordinária de Reconstrução do RS, do Governo Federal e a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Também contou com o apoio da Open Society Foundations. O grupo de 17 pesquisadores da UFSM assina o capítulo 4, ‘Diagnóstico da aptidão agrícola das terras e fertilidade do solo em áreas agrícolas atingidas por desastres climáticos na Serra Gaúcha’. O livro pode ser acessado por meio deste link.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="777" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/03/20cf8986-1904-4ce0-ab6f-ad2714c3723e-e1743085612946-1024x777.jpeg" alt="Descrição de imagem: Fotografia horizontal e colorida do lançamento de capítulo de livro do Gepaces. Em um palco, Gustavo Brunetto está em pé, de terno e gravata, e segura um microfone próximo à boca. Há mais quatro pessoas no palco, sentadas em cadeiras brancas estofadas, sendo uma mulher e três homens. Atrás, tela de projeção de slides com fotos e texto escrito: ‘Reagindo aos eventos climáticos extremos’. Ao lado, banner vertical do evento ‘RS Resiliência e Sustentabilidade’." />											<figcaption>Apresentação do capítulo de livro no Seminário Científico do projeto ‘RS: Resiliência e Sustentabilidade’</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/03/0b1e176e-d61f-4be0-b085-f0349b1762d8-1024x768.jpeg" alt="Descrição da imagem: Grupo de 12 jovens pesquisadores ao lado de banner vertical do evento &#039;RS Resiliência e Sustentabilidade&#039;. São quatro mulheres e oito homens. Dois estão agachados e o restante está em pé. No fundo, uma vidraã permite ver o interior do prédio, que tem paredes amareladas e janelas pretas." />											<figcaption>Grupo de pesquisadores da UFSM presentes no evento de lançamento</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-f9783841-7fff-a7df-a6b0-4b76d94a75ca" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Expediente:</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Reportagem: Samara Wobeto, jornalista</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Edição: Luciane Treulieb, jornalista</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Design: Evandro Bertol, designer</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Fotografias: Grupo de Estudos de Predição de Adubação e Potencial de Contaminação de Elementos em Solos (Gepaces)</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Aluata Comunicação e Ciência</p>]]></content:encoded>
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