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				<title>Oficina de costura aproxima UFSM e comunidade na Montanha Russa</title>
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				<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 15:31:59 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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						<description><![CDATA[Encontros semanais promovidos pelo Projeto Fluir conectam Universidade, famílias e território ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Desde o início do ano, na Associação de Moradores da comunidade Montanha Russa, em Santa Maria, uma oficina de costura passou a reunir moradoras, voluntárias, estudantes e professores da UFSM. Aos poucos, os encontros passaram a atrair famílias inteiras, transformando a associação em um espaço de convivência entre moradores e a Universidade.  <img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-16-at-15.50.43-768x1024.jpeg" alt="" width="450" height="525" /></p><p>O Projeto Fluir, da UFSM, iniciou suas ações em escolas da região há cerca de um ano e meio, a partir do trabalho com crianças e professoras em territórios marcados pelos impactos das enchentes de 2024 e por situações de vulnerabilidade social. A proposta era construir espaços de acolhimento, escuta e garantia de direitos. Com o tempo, porém, a equipe percebeu que compreender a realidade das crianças exigia olhar também para os espaços onde elas vivem e constroem suas relações cotidianas. Segundo a coordenadora do projeto, Taciana Segat, o trabalho foi ganhando novas dimensões ao longo do percurso: "Teve uma metamorfose entre o que era o projeto inicial e no que ele se transformou", resume. </p><p>Foi nesse movimento que surgiu a ideia da oficina de costura. Mais do que ensinar uma nova habilidade às moradoras, a atividade passou a funcionar como uma forma de se aproximar das famílias e criar um espaço de encontro fora do ambiente escolar. “Como é que essa criança vive na comunidade, para além dos muros da escola?”, questiona o professor Gabriel dos Santos Kehler. </p><p> </p><p>A partir dessa pergunta, a costura se tornou uma oportunidade para fortalecer vínculos, acompanhar o cotidiano das famílias e ampliar a atuação do projeto para além da escola. “A costura tem sido usada como um dispositivo para acessar essa família. Ao pensar nas aulas de costura, a gente pensou em algo que chamaria a atenção com esse caráter de aprender algo novo”, explica Gabriel.</p>		
			<h2>Costura como forma de aproximação</h2>		
		<p>A proposta se consolidou a partir de uma conversa entre a professora Taciana e Berenice Trindade de Mello, proprietária do Armarinho Donna Bere, de Camobi. Acostumada a participar de iniciativas comunitárias, Bere aceitou o convite para ensinar costura junto a outras voluntárias.</p><p>No início, a expectativa era incerta. “Eu já tinha feito isso em outra comunidade e não foi muito bem aceito. Então eu pensava: será que vão aceitar?”, lembra. A recepção, porém, surpreendeu. “No primeiro dia tinha umas 30 mulheres. Elas foram muito receptivas, fizeram mesa de doces, de salgados para nos receber. Foi muito legal”, conta.</p><p>Com o passar dos encontros, Bere percebeu que o interesse das participantes era grande, mas esbarrava em uma limitação prática: muitas não tinham máquinas para continuar treinando em casa. A partir disso, ela passou a adaptar as atividades. “Eu mudei um pouco o foco. Botei o fuxico, agora vou botar pintura. Eu levo tecido, agulha e linha”. Para ela, no entanto, os resultados mais importantes vão além da aprendizagem de uma técnica: “Não é só chegar ali e ensinar alguma coisa. É saber ouvir a pessoa, dar atenção, dar um abraço quando ela chega. Depois ela te retribui isso. Tu vê o interesse delas crescendo cada vez mais”.</p><p><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-16-at-15.50.43-1-1024x768.jpeg" alt="" width="600" height="450" /></p><p>Uma das histórias que mais a marcaram foi a de uma participante que chegava aos encontros e permanecia isolada, acompanhada dos dois filhos pequenos. “A mudança dela é perceptível. Hoje o gurizinho brinca com todo mundo, a neném anda de colo em colo e ela senta para fazer as atividades despreocupada. Antes parecia que ela tinha medo”, relata a costureira. As quartas-feiras acabaram se tornando especiais também para quem ensina: “Quando eu vou para lá, eu volto renovada. Renovada mesmo. É só gratidão”.</p><p>A costura também passou a se articular às atividades das crianças. Em uma das ações propostas pelo Fluir, elas produziram histórias em uma atividade de RPG (Role-Playing Game, jogo em que os participantes interpretam personagens e constroem juntos uma história) e passaram a pensar na caracterização dos personagens. Com isso, a confecção das roupas se conectou ao trabalho das costureiras. </p><p>A metáfora da costura acabou se tornando uma síntese do que acontece na comunidade. “A aula de costura está costurando uma rede”, diz Gabriel. “Ela está costurando vínculos afetivos, está costurando essas histórias que a gente está criando para pensar uma cultura da infância em contexto de não escolarização”, afirma.</p>		
			<h2>Crianças vistas em outro contexto
</h2>		
		<p>A presença da equipe na comunidade também abriu novas possibilidades de compreensão sobre as crianças acompanhadas pelo projeto. Ao encontrar famílias e estudantes fora do ambiente escolar, a equipe passou a observar relações, rotinas e experiências que não apareciam durante as atividades nas escolas. </p><p>Gabriel explica que a proposta não é reproduzir a escola dentro da comunidade, mas trabalhar a chamada “pedagogia social”, que busca desenvolver ações educativas em espaços comunitários e fortalecer os vínculos entre crianças, famílias e território. “A pedagogia social entra pensando esse espaço não formal de escolarização”, pontua o professor. </p><p>A experiência também tem impactado a formação dos estudantes de graduação e pós-graduação envolvidos no projeto. "O coletivo Fluir se torna, além de um projeto de extensão, também um projeto de ensino", afirma Taciana Segat. Segundo a professora, o interesse dos estudantes cresceu à medida que as ações se expandiram para a comunidade. "Eles querem ir lá, eles vêm, eles querem entender", relata. Ao atuar diretamente na comunidade, eles passam a conhecer possibilidades de trabalho para além da escola e a refletir sobre diferentes formas de atuação educativa.</p>		
			<h2>Um ponto de encontro semanal
</h2>		
		<p>Com o passar dos meses, os encontros se consolidaram como um momento esperado pela comunidade. “A quarta-feira se tornou um ponto de encontro”, resume Gabriel. Segundo ele, famílias passaram a frequentar regularmente a associação para participar da iniciativa. </p><p>As atividades são planejadas e sistematizadas pela equipe da UFSM antes de cada encontro. Pela manhã, há trabalho com bolsistas; à tarde, formação com os estudantes; e, à noite, a ida à comunidade. “O que acontece lá é fruto do planejamento e da sistematização que a gente fez durante o dia”, explica Gabriel.</p><p>Essa presença contínua também ajudou a construir confiança. Gabriel lembra o caso de um pai que, no início, não entrava na Associação. “Ele ficava quase ‘de guarda’ do lado de fora, esperando a esposa e a criança. Depois ele começou a entrar e ficar no celular. Hoje ele é um pai que entra e tem a autonomia de pegar uma bola e brincar com as crianças”.</p><p>Para ele, a mudança mostra que o espaço passou a ser reconhecido como seguro. “No início, pode ter tido certa desconfiança. ‘Ah, quem é essa gente? Que que eles vêm fazer?’. Mas é um lugar seguro, seja para chorar, seja para brincar, seja para ser protagonista, porque sabe que tem pessoas que estão toda semana lá fazendo esse trabalho”.</p>[caption id="attachment_468" align="alignright" width="400"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2026/07/WhatsApp-Image-2026-07-16-at-15.50.41-295x300.jpeg" alt="" width="400" height="407" /> Crianças da comunidade também participam das atividades, enquanto as moradoras recebem aulas de costura[/caption]<p>Entre as participantes está Diná de Lourdes Stock, moradora da comunidade. Ela conta que decidiu participar da oficina para ocupar o tempo livre e enfrentar a solidão. “Eu faço faxinas, mas tenho algumas horas vagas para descanso. Sou separada, moro sozinha e queria ocupar meu tempo em alguma coisa para me distrair. Foi o meio que achei para disfarçar um pouco a solidão e a depressão que eu sinto”, relata. Com o passar dos meses, ela percebeu mudanças tanto em si mesma quanto na convivência entre os moradores. “O que mais me motiva a voltar é que a gente aprende coisas novas. A conversa, a participação de todos, o entrosamento que dá, isso enche o coração da gente de coisas boas. Antes a gente só dava um oi. Depois do curso foi fortalecendo mais as amizades”.</p><p>Para Diná, a presença das crianças também é uma das marcas dos encontros. “É uma alegria sem tamanho. Elas ocupam a mente, se distraem e cultivam coisas boas. A convivência entre as gerações da nossa comunidade é muito importante”. </p><p>A percepção é compartilhada por Jonas, presidente da Associação de Moradores da Montanha Russa. “O projeto Fluir veio com o intuito de juntar as famílias, as crianças e os moradores. Todos estão empenhados nas atividades e muito felizes com o que está acontecendo. Com as crianças, está sendo muito importante para o desenvolvimento delas nas atividades de convivência social”, afirma.</p>		
			<h2>Da comunidade às políticas públicas</h2>		
		<p>A experiência vivida na Montanha Russa também alimenta outra frente do Fluir: o diálogo com gestores municipais e redes de ensino sobre políticas públicas voltadas à infância, especialmente os Planos Municipais da Primeira Infância.</p><p>Para a professora Viviane Ache Cancian, pensar sobre a infância exige articular educação, saúde, assistência social e outros setores da sociedade. “A cidade não é pensada para a criança, ela é pensada numa perspectiva do adulto. E o marco legal da primeira infância traz pela primeira vez a escuta das crianças”, afirma.</p><p>Segundo ela, o trabalho desenvolvido na comunidade ajuda a aproximar as políticas públicas das realidades vividas pelas crianças e suas famílias. “Nós temos políticas interessantes, mas elas não chegam na ponta, não chegam nas crianças. A gente tá defendendo o direito das crianças aqui”.</p><p>Viviane destaca que a aproximação com as famílias foi fundamental para compreender situações que muitas vezes permanecem invisíveis no cotidiano escolar. “Uma coisa é fazer um trabalho com as crianças, outra coisa é compreender quem é que está por trás delas”, observa.</p><p>Para a professora, a principal contribuição do projeto está justamente em conectar diferentes dimensões da vida das crianças. “Quando a gente vai dialogando para além da escola, a gente vai entendendo esses contextos. Na verdade, é tudo interligado. Nós que socialmente fomos ‘fatiando’ as coisas”. Por isso, conclui: “Não se faz educação de criança sem escola, família e comunidade”.</p>		
			<h2>O que fica quando a Universidade sai?</h2>		
		<p>Com o fim dos recursos do PROEXT-PG, programa da Capes que vinha financiando o projeto, o Fluir deve seguir em atividade, mas com o desafio de fortalecer o protagonismo da própria comunidade. A equipe já discute formas de manter os vínculos criados e, ao mesmo tempo, permitir que a associação e os moradores assumam cada vez mais as ações.</p><p>“No próximo semestre, a gente vai tentar reorganizar. Vamos tirar as máquinas de costura, porque tem um custo ligado a esse edital que termina agora, mas queremos planejar rodas de conversa envolvendo tricô, crochê, alguma coisa que permita continuar esse vínculo, porque a gente já viu que isso se tornou uma cultura. Queremos, sobretudo, engajar cada vez mais a gestão comunitária para que o protagonismo fique com a própria comunidade”, explica Gabriel.</p><p>Para ele, a pergunta agora é o que permanece quando o projeto se desloca para outros territórios. “A ideia é essa: quando a gente sai, o que que fica? Então esse é o desafio para o próximo semestre”.</p><p> </p><p><strong>Reportagem:</strong> Luciane Treulieb, jornalista</p><p><strong>Fotografias:</strong> Projeto Fluir</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Projeto da UFSM amplia atuação com a comunidade Montanha Russa</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/extensao/proext-pg/2026/01/12/projeto-da-ufsm-amplia-atuacao-com-a-comunidade-montanha-russa</link>
				<pubDate>Mon, 12 Jan 2026 23:40:56 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[montanha russa]]></category>
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		<category><![CDATA[proext-pg]]></category>

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						<description><![CDATA[A partir do pedido de moradores, Coletivo Fluir passa a atuar também fora do espaço escolar ]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Em meados de 2025, Daiane Ribas dos Santos — moradora da comunidade Montanha Russa e, à época, cozinheira da escola da região — fez um pedido à equipe do Coletivo Fluir: que o trabalho realizado com as crianças dentro da escola também chegasse aos demais moradores. A associação comunitária da qual ela fazia parte poderia ser o local para esses encontros. A partir dessa demanda, o projeto de extensão da Universidade Federal de Santa Maria passou a ocupar novos espaços.</p><p>Criado em 2024, o Coletivo Fluir é um projeto de extensão desenvolvido por professores e estudantes da UFSM, voltado à defesa das infâncias em contextos de vulnerabilidade social. Inicialmente, a iniciativa atuava em três instituições da rede pública municipal, com foco na formação da comunidade escolar e no cotidiano das crianças pequenas.</p><p>A presença regular dos universitários nesses territórios — em especial na Escola Municipal de Educação Infantil Montanha Russa — fez com que as ações desenvolvidas com as crianças começassem a repercutir para além do ambiente escolar. “A proposta de aproximação surgiu da necessidade que a comunidade tem de troca de conhecimento e desenvolvimento”, afirma Daiane.</p>[caption id="attachment_408" align="aligncenter" width="800"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2026/01/lideres-comunitarios-1024x768.jpg" alt="" width="800" height="600" /> Integrantes do Coletivo Fluir em diálogo com moradores da comunidade Montanha Russa[/caption]		
			<h2>Território Andarilho: escuta antes da ação</h2>		
		<p>A partir desse pedido, o Coletivo Fluir passou a estruturar o Território Andarilho da Comunidade Montanha Russa, um desdobramento do projeto que deslocou parte das ações para fora da escola e passou a concentrar encontros, oficinas e atividades na sede da associação comunitária.</p><p>Na prática, o Território Andarilho se consolidou como uma forma de atuação baseada na escuta da comunidade e na presença continuada da universidade no bairro. Desde o início, a equipe optou por não chegar ao território com propostas fechadas. O primeiro passo foi apresentar o Coletivo e ouvir os moradores.</p><p>“Nós fomos dialogar com as pessoas, apresentar o projeto — como a Dai nos pediu —, mas, ao mesmo tempo, queríamos ouvir quais eram as demandas e dificuldades da comunidade”, explica Taciana Segat, professora da UFSM e coordenadora do Coletivo Fluir.</p><p>Segundo ela, o contato inicial com a comunidade também foi marcado por incertezas sobre como o projeto poderia contribuir naquele contexto. “A gente foi um tanto sem saber exatamente como poderia ajudar”, afirma.</p><p>Com o avanço dos encontros e das conversas com moradores e lideranças locais, novos desafios começaram a emergir — muitos deles não visíveis a partir da experiência restrita ao espaço escolar. “Existia mais vulnerabilidades do que a gente imaginava”, relembra Leandra Possa, docente da UFSM e integrante do Fluir.</p>		
			<h2>Cuidar das crianças exige olhar para o entorno</h2>		
		<p>O contato direto com a comunidade levou os integrantes do projeto a rever alguns dos seus pressupostos. A equipe percebeu que a atuação centrada nos bebês e crianças pequenas não seria suficiente para enfrentar situações de vulnerabilidade mais amplas. “Trabalhar com crianças envolve trabalhar com adultos”, reconhece Taciana.</p><p>Ao aprofundar o diálogo no território, o coletivo percebeu que muitos dos adultos que hoje cuidam das crianças também viveram infâncias marcadas por vulnerabilidade. “São adultos que tiveram infâncias vulneráveis e que hoje participam da formação de crianças que vivem situações semelhantes. Isso foi complexificando o projeto”, explica Leandra.</p><p>A partir dessa compreensão, o Fluir reorganizou sua atuação: as crianças seguem no centro do projeto, mas passaram a ser pensadas em relação com as famílias, os adultos e as condições de vida do território. Essa leitura ampliada fez com que o projeto passasse a operar em diferentes frentes ao mesmo tempo. Enquanto aprofundava a atuação no território, o Fluir manteve as ações nas escolas e a disciplina de extensão em funcionamento. Para o grupo, o trabalho com as infâncias não se restringe a um único espaço. “A gente está pensando em como transformar os lugares onde as crianças vivem e moram em espaços mais seguros para crianças e adultos”, afirma a coordenadora do Fluir.</p>		
			<h2>Ações no território: presença, escuta e construção coletiva</h2>		
		<p>As ações do Território Andarilho da Comunidade Montanha Russa se estruturam a partir da presença contínua do Coletivo Fluir no bairro. Entre as atividades estão oficinas coletivas, momentos de convivência e escutas com moradores de diferentes idades, realizadas principalmente no espaço da associação comunitária.</p>[caption id="attachment_409" align="alignleft" width="400"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2026/01/IMG_1580-768x1024.jpg" alt="" width="400" height="533" /> Caminhada realizada pelo território[/caption]<p>Além dos encontros, a aproximação com a comunidade incluiu uma caminhada junto com moradores. A proposta era conhecer o território a partir de quem vive ali, percorrendo ruas, acessos e trajetos cotidianos que organizam a vida das famílias. Segundo Taciana Camera Segat, a parceria com as professoras da escola foi decisiva para que a atividade acontecesse. “Sem esse trabalho conjunto, não teria sido possível.”</p><p>Durante a caminhada pelo bairro, a equipe identificou obstáculos enfrentados pelas famílias que não se evidenciam no ambiente escolar.“Quando a gente subiu o morro, ficou muito mais claro o que uma mãe precisa enfrentar para levar uma, duas, três crianças, mochila, guarda-chuva, para chegar até a escola”, relata Márcia Cardona, egressa da UFSM e integrante do Coletivo Fluir. Segundo ela, a experiência reforçou a necessidade de compreender as infâncias para além da escola. “Só dentro da escola, a gente tem uma abrangência muito pequena da vida das crianças.”</p><p>Outra ação de destaque realizada pelo Coletivo Fluir foi uma oficina para a criação da marca da comunidade Montanha Russa. Conduzida por Andrei Lopes, doutorando integrante do projeto, a atividade reuniu crianças, jovens, adultos e idosos em torno da construção coletiva de uma identidade visual para a vila.</p>[caption id="attachment_410" align="alignright" width="400"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2026/01/oficina-logo-768x1024.jpg" alt="" width="400" height="533" /> Moradores participam de uma oficina oferecida pelo Fluir para discutir a logo da comunidade[/caption]<p>Ao longo dos encontros, a proposta se ampliou. Entre lápis de cor, desenhos e pinturas, os participantes passaram a compartilhar memórias e histórias do bairro, transformando a oficina também em um espaço de escuta e troca coletiva.</p><p>A aproximação com os moradores também revelou entraves burocráticos que dificultavam a organização comunitária. Um deles era a situação da Associação de Moradores, que não possuía CNPJ formalizado. A partir dessa demanda, o projeto articulou o contato com estudantes do curso de Direito da UFSM, que passaram a auxiliar a associação na compreensão dos trâmites legais necessários para a regularização.</p><p>Segundo Taciana, esse tipo de ação evidencia um papel assumido pelo projeto ao longo do processo: o de mediação entre as demandas da comunidade e os acessos institucionais que a Universidade possui. “A gente tem oportunidades de formação, de trânsito e de acesso que muitas pessoas da comunidade não têm. Nosso papel é construir essa ponte a partir da Universidade com a sociedade”, afirma a coordenadora do Fluir.</p><p>O semestre de atividades culminou, no início de dezembro, com uma grande festa comunitária realizada na Associação de Bairro, reunindo cerca de 300 pessoas. O evento funcionou como momento de encontro, devolutiva das ações e convivência.</p>		
			<h2>Quando o território transforma a universidade</h2>		
		<p>A experiência no Território Andarilho também produziu efeitos dentro da própria Universidade, especialmente na formação dos estudantes envolvidos no projeto. Ao lidar com demandas que não cabem em respostas prontas, o trabalho no território passou a tensionar modos tradicionais de fazer extensão e a forma como o conhecimento é construído e compartilhado.</p><p>Para Leandra Possa, o impacto do Território Andarilho não se dá apenas no sentido da Universidade em direção à comunidade. “A gente fala muito do impacto da universidade na comunidade. Mas o que esse projeto tem mostrado é o impacto da comunidade na Universidade, na nossa formação”, afirma.</p><p>Segundo as integrantes do Coletivo Fluir, esse impacto aparece de forma direta no percurso formativo dos alunos, que passam a confrontar, no território, os limites do que aprendem em sala de aula. “Um projeto como esse impacta inclusive nas nossas aulas e na nossa possibilidade de dialogar com os estudantes universitários sobre o que vivemos no bairro”, relata Taciana. </p><p>Nesse processo, a extensão deixa de ser entendida como aplicação de um saber pronto e passa a exigir escuta, negociação e construção conjunta. Para o grupo, assumir esse lugar implica reconhecer limites e aceitar o caráter experimental da extensão. Para as participantes, esse é o papel da universidade pública: criar condições, sustentar diálogos e construir junto, mesmo quando os caminhos não estão dados de antemão.</p>		
			<h2>Próximos passos: dados, políticas públicas e continuidade</h2>		
		<p>Para 2026, o Coletivo Fluir prevê a continuidade das ações nas escolas, da disciplina de extensão e das atividades no território. Ao mesmo tempo, a equipe identificou a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a realidade da Comunidade Montanha Russa a partir da produção de dados mais sistematizados.</p><p>“Agora a gente percebeu a necessidade de construir um instrumento de levantamento de dados, de ir casa a casa, conversar com as pessoas, para entender o que a universidade pode fazer e o que é responsabilidade do poder público”, explica Leandra.</p><p>A proposta é que esse levantamento possa subsidiar tanto ações da Universidade quanto a formulação de políticas públicas, a partir do diálogo com a prefeitura e a Câmara de Vereadores.</p><p>Reportagem: Luciane Treulieb</p><p>Fotografias: Coletivo Fluir</p><p> </p>]]></content:encoded>
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