{"id":362,"date":"2025-09-24T22:04:38","date_gmt":"2025-09-25T01:04:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/?p=362"},"modified":"2025-09-24T22:10:39","modified_gmt":"2025-09-25T01:10:39","slug":"ufsm-e-agricultores-da-serra-gaucha-se-unem-para-recuperar-solos-atingidos-pelas-enchentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/2025\/09\/24\/ufsm-e-agricultores-da-serra-gaucha-se-unem-para-recuperar-solos-atingidos-pelas-enchentes","title":{"rendered":"UFSM e agricultores da Serra Ga\u00facha se unem para recuperar solos atingidos pelas enchentes"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"362\" class=\"elementor elementor-362\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6d373d6 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6d373d6\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-b8a6bdb\" data-id=\"b8a6bdb\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2c48c96 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2c48c96\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>As enchentes de maio de 2024 provocaram eros\u00f5es e deslizamentos que comprometeram a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola da Serra Ga\u00facha. Um levantamento coordenado pelo professor Gustavo Brunetto, do Departamento de Solos da UFSM, mostrou que o solo perdeu cerca de 85% da mat\u00e9ria org\u00e2nica \u2014 recupera\u00e7\u00e3o que pode levar de 14 a 40 anos.<\/p><p>A partir desse diagn\u00f3stico, o projeto revelou a dimens\u00e3o do problema e passou a orientar solu\u00e7\u00f5es de manejo vi\u00e1veis para recuperar \u00e1reas degradadas e preparar a terra para resistir a eventos extremos cada vez mais frequentes.\u00a0<\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-363 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0006-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0006-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0006-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0006-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0006-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0006.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p><p>\u00a0<\/p><h3>Manejo em condi\u00e7\u00f5es adversas<\/h3><p>Segundo Brunetto, o primeiro passo para recuperar \u00e1reas degradadas deve ser avaliar o solo. Mas essa n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o definitiva: a prote\u00e7\u00e3o cont\u00ednua \u00e9 o que garante resultados duradouros.<br \/>\u201cVoc\u00ea tem que proteger o solo para que, se no futuro chover de novo com aquela intensidade, menos terra seja perdida\u201d, explica o pesquisador. Para isso, ele recomenda a ado\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Uma das principais estrat\u00e9gias \u00e9 o uso de plantas de cobertura. Elas podem ser esp\u00e9cies nativas ou cultivadas e devem ser semeadas entre linhas de videiras e pessegueiros. Essas plantas formam uma camada que protege contra a eros\u00e3o, melhora a estrutura do solo e contribui para a ciclagem de nutrientes.<br \/>\u201cElas absorvem nutrientes, crescem, completam o ciclo e depois retornam para o solo, enriquecendo-o\u201d, explica Brunetto.<\/p><p>Ele compara a t\u00e9cnica a um p\u00e3o coberto por nata:<br \/>\u201cA nata seria a planta de cobertura. Ela n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 protegendo o solo, mas tamb\u00e9m repondo mat\u00e9ria org\u00e2nica, que foi perdida.\u201d<\/p><p>Entre as esp\u00e9cies indicadas est\u00e3o aveia, azev\u00e9m e trevo, cultivadas justamente no per\u00edodo de maior intensidade de chuvas, de abril a setembro. O pesquisador lembra que o Sul do Brasil \u00e9 refer\u00eancia no uso dessas t\u00e9cnicas, mas parte dos produtores havia abandonado a pr\u00e1tica.<br \/>\u201c\u00c9 uma oportunidade de retomar esse conhecimento antigo, que j\u00e1 foi muito pesquisado na regi\u00e3o e tem efic\u00e1cia comprovada\u201d, afirma.<\/p><p>Outro ponto destacado \u00e9 que a revegeta\u00e7\u00e3o ocorre naturalmente: uma vez semeada, parte das sementes permanece no solo e germina nos anos seguintes. Por isso, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 evitar qu\u00edmicos que eliminem essas esp\u00e9cies, preservando o ciclo de ressemeadura.<\/p><p>Outra estrat\u00e9gia defendida pela equipe \u00e9 o uso de res\u00edduos org\u00e2nicos, como esterco de animais, dejetos de aves e su\u00ednos, restos vegetais e composto org\u00e2nico. Esses materiais ajudam a repor o carbono perdido com as enchentes, melhorando a estrutura f\u00edsica e a fertilidade do solo.<br \/>\u201cMais carbono no solo significa menos CO\u2082 na atmosfera, que \u00e9 um dos problemas do efeito estufa, al\u00e9m de mais nutrientes para as plantas\u201d, explica Brunetto.<\/p><p>Como muitos agricultores j\u00e1 t\u00eam esse tipo de res\u00edduo em suas propriedades, a pr\u00e1tica tamb\u00e9m pode ser uma alternativa de baixo custo em compara\u00e7\u00e3o ao uso exclusivo de adubos minerais. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que o material org\u00e2nico seja analisado para evitar excesso de nutrientes, ou que sejam seguidas as orienta\u00e7\u00f5es de manuais t\u00e9cnicos regionais.<\/p><figure id=\"attachment_364\" aria-describedby=\"caption-attachment-364\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-364\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0003-1024x707.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"707\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0003-1024x707.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0003-300x207.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0003-768x530.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2025\/09\/IMG-20250916-WA0003.jpg 1170w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-364\" class=\"wp-caption-text\">Terra\u00e7os constru\u00eddos na Serra Ga\u00facha como estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o do solo<\/figcaption><\/figure><p>Em \u00e1reas de encosta, a constru\u00e7\u00e3o de terra\u00e7os tamb\u00e9m pode ser determinante. Eles funcionam como degraus que reduzem a velocidade da \u00e1gua e diminuem as perdas de solo e de nutrientes. Embora o investimento inicial seja mais alto, pela necessidade de maquin\u00e1rio, a pr\u00e1tica pode evitar preju\u00edzos maiores no futuro.<\/p><h3>Experi\u00eancia no campo<\/h3><p>O agricultor Fabiano Orsatto, associado \u00e0 Cooperativa Vin\u00edcola Aurora, j\u00e1 utilizava plantas de cobertura e, ap\u00f3s as enchentes, passou a testar esp\u00e9cies de ciclo mais tardio para ampliar o per\u00edodo de prote\u00e7\u00e3o.<br \/>\u201cOnde as plantas estavam bem formadas e o solo estava protegido, ocorreram menos danos. Quanto mais protegido o solo, melhor para manuten\u00e7\u00e3o do mesmo.\u201d<\/p><p>Apesar dos custos com sementes e reconstru\u00e7\u00e3o de \u00e1reas atingidas, ele aposta na efic\u00e1cia da estrat\u00e9gia:<br \/>\u201cO investimento inicial valeu a pena.\u201d<\/p><p>J\u00e1 o produtor Emerson Cimadon adotou a cobertura verde no in\u00edcio dos anos 2000, quando mecanizou os vinhedos. Desde ent\u00e3o, observa benef\u00edcios como menor eros\u00e3o, maior infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e at\u00e9 a volta de insetos que auxiliam no controle natural de pragas.<br \/>\u201cCom o tempo, vimos a volta de insetos que ajudam no controle natural de pragas.\u201d<\/p><p>Ele acrescenta que a palhada seca formada ap\u00f3s o ciclo das plantas continua protegendo os parreirais no ver\u00e3o, aumentando a efici\u00eancia do manejo.<\/p><h3>Preparar hoje para resistir amanh\u00e3<\/h3><p>Brunetto destaca que a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es \u00e9 sempre feita em parceria com agricultores e t\u00e9cnicos da extens\u00e3o rural.<br \/>\u201cO que conquistamos foi confian\u00e7a. Sempre retornamos os resultados das pesquisas e mostramos como podem ser aplicados no campo. Ajudamos o produtor a melhorar seu cen\u00e1rio, muitas vezes com baixo custo, mas com retorno em produtividade e lucro\u201d, afirma.<\/p><p>O pesquisador lembra ainda que o conhecimento cient\u00edfico precisa sair da universidade e chegar de fato ao campo, para n\u00e3o perder relev\u00e2ncia.<br \/>\u201cN\u00e3o adianta termos o melhor conhecimento dentro da academia se ele n\u00e3o chega ao produtor. Para o agricultor, a pr\u00e1tica precisa ser eficiente e lucrativa\u201d, pontua.<\/p><p>Essa rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 percebida pelos agricultores.<br \/>\u201cAs orienta\u00e7\u00f5es da equipe ajudam nas decis\u00f5es de manejo que tomamos na propriedade\u201d, conta Fabiano Orsatto.<br \/>\u201cQuanto mais orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas tivermos, mais chances teremos de proteger o solo no futuro\u201d, acrescenta Emerson Cimadon.<\/p><h3>Repercuss\u00e3o nacional<\/h3><p>A pesquisa tamb\u00e9m repercutiu fortemente fora do meio acad\u00eamico. Segundo Brunetto, os resultados chegaram at\u00e9 jornais do Sudeste e do Nordeste do Brasil. O dado que mais chamou aten\u00e7\u00e3o foi o c\u00e1lculo de que a recupera\u00e7\u00e3o dos solos poderia levar at\u00e9 40 anos.<br \/>\u201cEsse n\u00famero deu um \u2018boom\u2019, porque \u00e9 f\u00e1cil de compreender a gravidade da situa\u00e7\u00e3o\u201d, lembra o professor.<\/p><p>Para ele, a ampla cobertura midi\u00e1tica demonstra a relev\u00e2ncia do trabalho, que uniu diagn\u00f3stico e solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas.<br \/>\u201cEsse foi o projeto cient\u00edfico de maior visibilidade da minha carreira, porque mostrou que a universidade pode contribuir de forma direta para recuperar solos degradados e preparar os agricultores para enfrentar novos desafios clim\u00e1ticos.\u201d<\/p><h3>Evento em Bento Gon\u00e7alves<\/h3><p>No in\u00edcio de setembro, a equipe da UFSM esteve em Bento Gon\u00e7alves, em parceria com a Cooperativa Vin\u00edcola Aurora, para apresentar os resultados preliminares. O encontro reuniu t\u00e9cnicos e agricultores que tiveram perdas de solo com as enchentes.<\/p><p>A programa\u00e7\u00e3o foi dividida em duas etapas: primeiro, a apresenta\u00e7\u00e3o dos dados levantados nas propriedades; depois, a discuss\u00e3o sobre alternativas para recuperar os solos e se preparar para novos eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/p><p>Para Brunetto, a mensagem central \u00e9 de preven\u00e7\u00e3o: \u201cSabemos que eventos de chuva intensa v\u00e3o se repetir em intervalos cada vez menores. Se os agricultores mantiverem o solo protegido com plantas de cobertura, refor\u00e7ado com res\u00edduos org\u00e2nicos e manejado com terra\u00e7os, os danos ser\u00e3o menores. \u00c9 um investimento feito hoje para reduzir as perdas de amanh\u00e3.\u201d<\/p><p><span style=\"font-size: 16px\">R<\/span><i style=\"font-size: 16px\">eportagem:\u00a0<\/i><i style=\"font-size: 16px\">Luciane Treulieb, jornalista<br \/>Fotografias disponibilizadas pelo projeto<\/i><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Projeto de extens\u00e3o orienta sobre a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de manejo que fortalecem a resili\u00eancia da terra diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":363,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,2],"tags":[26,67,21,22,23,24,69],"class_list":["post-362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-noticias","tag-alem-do-arco","tag-analises-de-solo","tag-extensao","tag-pos-graduacao","tag-pre","tag-prpgp","tag-serra-gaucha"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/362\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/media\/363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}