{"id":432,"date":"2026-05-06T12:41:28","date_gmt":"2026-05-06T15:41:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/?p=432"},"modified":"2026-05-06T12:41:30","modified_gmt":"2026-05-06T15:41:30","slug":"12-coisas-que-voce-pode-aprender-ouvindo-o-podcast-clima-de-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/2026\/05\/06\/12-coisas-que-voce-pode-aprender-ouvindo-o-podcast-clima-de-crise","title":{"rendered":"12 coisas que voc\u00ea pode aprender ouvindo o podcast Clima de Crise"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"432\" class=\"elementor elementor-432\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-d2a1d36 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"d2a1d36\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-addc616\" data-id=\"addc616\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-07a99e6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"07a99e6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 deixaram marcas vis\u00edveis nas cidades, nas paisagens e na vida de milhares de pessoas. Mas tamb\u00e9m evidenciaram algo maior: a crise clim\u00e1tica j\u00e1 faz parte do cotidiano. Foi a partir desse cen\u00e1rio que surgiu o podcast <em>Clima de Crise<\/em>, produzido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para aproximar universidade e sociedade a partir da pauta clim\u00e1tica.<\/p><p>Com seis epis\u00f3dios divididos em duas temporadas, o podcast re\u00fane pesquisadores e profissionais que est\u00e3o na linha de frente dos estudos sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para discutir, em linguagem acess\u00edvel, como eventos extremos afetam a sa\u00fade, o territ\u00f3rio, a comunica\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o e a vida em comunidade. Mais do que explicar fen\u00f4menos ambientais, a s\u00e9rie busca mostrar os impactos sociais da crise clim\u00e1tica.<\/p><p>\u201cO principal aprendizado \u00e9 o entendimento de que j\u00e1 estamos vivendo em um per\u00edodo de emerg\u00eancia clim\u00e1tica e que precisamos agir, individual e coletivamente\u201d, afirma a diretora do podcast, Camila Pereira. \u201cPrecisamos repensar nosso consumo, nossos h\u00e1bitos, nossa comunica\u00e7\u00e3o, nossa gest\u00e3o e nossas leis ambientais.\u201d<\/p><p>O <em>Clima de Crise<\/em> parte de perguntas concretas: o que acontece com quem precisa de atendimento de sa\u00fade quando uma cidade fica isolada por uma enchente? Como as pessoas se informam quando a internet deixa de funcionar? O que muda nos rios e no solo depois de um evento extremo? Ao longo dos epis\u00f3dios, especialistas ajudam a compreender como a crise clim\u00e1tica reorganiza rotinas, amplia desigualdades e transforma territ\u00f3rios. \u201cPassei a enxergar a crise clim\u00e1tica de forma mais pr\u00f3xima, entendendo que ela j\u00e1 est\u00e1 acontecendo e que n\u00e3o h\u00e1 como voltar atr\u00e1s\u201d, diz Camila.<\/p><p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2026\/05\/WhatsApp-Image-2026-04-28-at-17.39.00-1024x667.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"667\" \/><\/p><p>A lista a seguir re\u00fane 12 aprendizados e curiosidades extra\u00eddos das entrevistas com especialistas e apresentam ideias que ajudam a entender melhor o que aconteceu em 2024 e o que pode acontecer daqui para frente.<\/p><ol><li><p><strong>O v\u00ednculo com o territ\u00f3rio muda a forma de reagir a desastres<\/strong><\/p><p>Diante de um desastre, nem todo mundo reage da mesma forma, e isso pode estar relacionado com a rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda com o lugar onde se vive. No epis\u00f3dio 1, <em>Pertencimento e Mem\u00f3ria em tempos de Crise Clim\u00e1tica<\/em>, a professora Maria Medianeira Padoin, do Departamento de Hist\u00f3ria da UFSM, destaca que se reconhecer como parte do territ\u00f3rio pode influenciar a disposi\u00e7\u00e3o para agir diante dos problemas e impactar diretamente a resposta \u00e0s crises. Ela considera fundamental que se fortale\u00e7a um \u201csentimento comunit\u00e1rio\u201d, ou seja, \u201cum sentimento de pertencimento coletivo, [que o territ\u00f3rio] n\u00e3o s\u00f3 meu, [mas \u00e9] nosso\u201d.<\/p><\/li><li><p><strong>Universidades podem atuar diretamente nos territ\u00f3rios em situa\u00e7\u00f5es de crise<\/strong><\/p><p>No epis\u00f3dio 1, Maria Medianeira Padoin explica que a presen\u00e7a da UFSM no territ\u00f3rio da Quarta Col\u00f4nia se d\u00e1 em projetos desenvolvidos junto \u00e0s comunidades, escolas e gestores locais, e s\u00e3o voltados \u00e0 compreens\u00e3o e \u00e0 busca de solu\u00e7\u00f5es para problemas da regi\u00e3o em di\u00e1logo com os moradores. Durante as enchentes de 2024, essa rede tamb\u00e9m se tornou vis\u00edvel na pr\u00e1tica. \u201cEu comecei a receber muitas liga\u00e7\u00f5es de nossos alunos, era meia-noite, uma da manh\u00e3\u2026 [eles diziam] n\u00f3s estamos sem luz, com necessidades\u201d, relata. Ao mesmo tempo, professores de diferentes \u00e1reas tamb\u00e9m entraram em contato oferecendo ajuda, evidenciando a universidade como uma rede mobilizada diante da crise.<\/p><\/li><li><p><strong>Nem toda cidade pode ter todos os servi\u00e7os de sa\u00fade \u2014 e isso vira um problema em situa\u00e7\u00f5es de crise<\/strong><\/p><p>No epis\u00f3dio 2, <em>Sa\u00fade em contexto de emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/em>, a mestranda em Sa\u00fade Coletiva pela UFSM, Gabriela Toniolo Bertolo, explica que n\u00e3o existem atendimentos especializados em todos os munic\u00edpios do Brasil, j\u00e1 que o sistema de sa\u00fade no pa\u00eds \u00e9 organizado para funcionar de forma regionalizada.<\/p><p>\u201cPensa um munic\u00edpio de 2, 3 mil habitantes ter cardiologista, ter cirurgia geral para aquela popula\u00e7\u00e3o \u2014 isso \u00e9 invi\u00e1vel e insustent\u00e1vel, tanto financeiramente quanto de forma log\u00edstica para o sistema\u201d, afirma.<\/p><p>A organiza\u00e7\u00e3o do SUS em regi\u00f5es e macrorregi\u00f5es permite concentrar recursos e garantir atendimento para aquela popula\u00e7\u00e3o, mas cria vulnerabilidades em situa\u00e7\u00f5es extremas. Durante as enchentes de 2024, cidades ficaram isoladas e perderam acesso a servi\u00e7os: \u201cEm dois dias, Santa Maria ficou ilhada. E como agir quando os servi\u00e7os de m\u00e9dia e alta complexidade, os principais prestadores da regi\u00e3o, ficam isolados? N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel trazer os pacientes para c\u00e1, e os que j\u00e1 est\u00e3o aqui tamb\u00e9m n\u00e3o conseguem voltar para casa.\u201d<\/p><p>Segundo Gabriela, foi necess\u00e1rio mobilizar diferentes frentes para garantir o atendimento, com apoio de outras inst\u00e2ncias p\u00fablicas e, em alguns momentos, da iniciativa privada.<\/p><\/li><li><p><strong>Rem\u00e9dios doados durante enchentes podem acabar descartados<\/strong><\/p><p>Durante as enchentes de 2024, a grande quantidade de doa\u00e7\u00f5es de medicamentos acabou gerando alguns desafios, como conta Gabriela Bertolo no epis\u00f3dio 2: \u201cA solidariedade \u00e9 o que nos torna humanos, mas, sem uma orienta\u00e7\u00e3o, nos trouxe v\u00e1rios problemas\u201d.<\/p><p>Muitos dos medicamentos doados n\u00e3o puderam ser utilizados, seja por falta de controle de validade, por terem sido armazenados de forma inadequada ou por n\u00e3o corresponderem \u00e0s necessidades do momento: \u201cQuando as pessoas doam medicamento da farmacinha da casa delas, aquele medicamento controlado ou aquele medicamento cortado que a gente n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o da data de validade, n\u00e3o temos como entregar esse medicamento para a popula\u00e7\u00e3o, ele vai ser descartado\u201d, explica Gabriela.<\/p><p>A situa\u00e7\u00e3o exigiu a cria\u00e7\u00e3o de uma estrutura espec\u00edfica para triagem, com equipe t\u00e9cnica respons\u00e1vel por avaliar o que poderia ou n\u00e3o ser aproveitado.<\/p><\/li><li><p><strong>Quando a internet falha, a informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m entra em risco<\/strong><\/p><p>Sem internet, como uma comunidade se informa em meio a um desastre? Durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, essa pergunta deixou de ser hipot\u00e9tica. Em diversas regi\u00f5es, a conex\u00e3o caiu ou se tornou inst\u00e1vel \u2014 e, com ela, o principal meio de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p><p>No epis\u00f3dio 3 \u2014 <em>Jornalismo Local, Desertos de Not\u00edcia e Resili\u00eancia Clim\u00e1tica<\/em> \u2014 a professora Laura Storch, do Departamento de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM, relata que algumas regi\u00f5es da Quarta Col\u00f4nia ficaram sem acesso \u00e0 internet: \u201ctoda aquela l\u00f3gica globalizada de informa\u00e7\u00e3o, desabou naquele momento\u201d.<\/p><p>O epis\u00f3dio revela como a crise exp\u00f4s a depend\u00eancia de infraestruturas digitais e a vulnerabilidade dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o em contextos extremos.<\/p><\/li><li><p><strong>R\u00e1dios e WhatsApp foram essenciais para a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o durante a crise<\/strong><\/p><p>Com a queda ou instabilidade da internet, a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o passou a depender de meios mais pr\u00f3ximos do territ\u00f3rio. No epis\u00f3dio 3, Laura Storch destaca que as r\u00e1dios mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o direta com as comunidades, o que fortalece seu papel em momentos de crise. Al\u00e9m disso, sua atua\u00e7\u00e3o envolve presen\u00e7a f\u00edsica nas \u00e1reas afetadas, com profissionais que se deslocam at\u00e9 regi\u00f5es isoladas para relatar o que est\u00e1 acontecendo.<\/p><p>Mesmo com falhas na conex\u00e3o, os grupos de WhatsApp tamb\u00e9m tiveram papel importante sempre que havia algum acesso dispon\u00edvel. Por serem organizados a partir de v\u00ednculos diretos entre moradores, funcionaram como redes locais de troca de informa\u00e7\u00f5es. \u201cExistia um fluxo de informa\u00e7\u00e3o muito potente acontecendo ali\u201d, afirma.<\/p><p>Os grupos ajudavam a identificar pessoas isoladas, organizar pedidos de ajuda e circular informa\u00e7\u00f5es urgentes entre moradores e equipes de resposta.<\/p><\/li><li><p><strong>Eventos extremos s\u00e3o naturais, o desastre depende de como ocupamos o territ\u00f3rio<\/strong><\/p><p>No epis\u00f3dio 4 \u2014 <em>Clima, Territ\u00f3rio e Educa\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica<\/em> \u2014 o professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia da UFSM Adriano Figueir\u00f3 explica que eventos como as chuvas fortes de 2024 s\u00e3o parte do processo natural da din\u00e2mica da evolu\u00e7\u00e3o da paisagem: \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada de estranho no que aconteceu, porque isso vem acontecendo h\u00e1 milh\u00f5es de anos. A paisagem hoje s\u00f3 \u00e9 o que \u00e9 porque eventos extremos dessa natureza aconteceram com muito mais intensidade, com muito mais frequ\u00eancia\u201d, afirma.<\/p><p>O que transforma esses eventos em desastre, no entanto, \u00e9 a forma como os territ\u00f3rios s\u00e3o ocupados. \u00c1reas como margens de rios e encostas inst\u00e1veis s\u00e3o especialmente vulner\u00e1veis. \u201cOs maiores danos ocorreram justamente naquelas estruturas constru\u00eddas pelos seres humanos que desrespeitam os caminhos naturais da pr\u00f3pria paisagem\u201d, explica Adriano.<\/p><p>Segundo ele, esses eventos continuar\u00e3o ocorrendo \u2014 possivelmente com maior frequ\u00eancia em fun\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Diante disso, \u00e9 preciso aprender como reduzir os danos \u00e0 vida e aos bens materiais.<\/p><\/li><li><p><strong>O solo leva s\u00e9culos para se formar \u2014 mas pode desaparecer em poucos dias<\/strong><\/p><p>No epis\u00f3dio 4, Adriano Figueir\u00f3 destaca que a forma\u00e7\u00e3o do solo \u00e9 um processo extremamente lento: \u201cPara produzir 1 cm de solo, eu preciso por volta de 400 anos\u201d.<\/p><p>Durante as enchentes de 2024, \u00e1reas da Quarta Col\u00f4nia perderam quase 1,5 metro de solo em apenas tr\u00eas dias de chuva. O contraste revela que certos danos ambientais s\u00e3o praticamente irrevers\u00edveis no tempo humano, e refor\u00e7a a import\u00e2ncia de pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o e planejamento do uso da terra: \u201ccom algumas t\u00e9cnicas simples de conserva\u00e7\u00e3o do solo, n\u00f3s poder\u00edamos ter preservado mais do nosso patrim\u00f4nio\u201d, enfatiza o pesquisador.<\/p><\/li><li><p><strong>Um rio pode ficar mais r\u00e1pido e destrutivo depois de um evento extremo<\/strong><\/p><p>Eventos extremos podem alterar a forma e o comportamento dos rios, com efeitos que permanecem no tempo. No epis\u00f3dio 5,\u00a0<i>Chuva, solo e ci\u00eancia: o que aprendemos com as enchentes,<\/i> o professor do Departamento de Solos da UFSM Jean Minella explica que, ap\u00f3s as enchentes, mudan\u00e7as no leito do rio reduziram sua rugosidade e alteraram seu fluxo.<\/p><p>\u201cEle se tornou menos rugoso, mais retil\u00edneo\u201d, afirma, explicando que \u00e9 como se tivesse passado por uma \u201cpavimenta\u00e7\u00e3o natural\u201d, ou seja, \u201cpara um mesmo evento de chuva que aconte\u00e7a agora, as velocidades do rio est\u00e3o maiores. Ent\u00e3o o rio est\u00e1 propagando aquela mesma vaz\u00e3o que propagava antes de uma forma muito mais r\u00e1pida\u201d.<\/p><p>Isso, segundo o pesquisador, pode intensificar os danos em eventos futuros.<\/p><\/li><li><p><strong>O mesmo sistema que causa enchente tamb\u00e9m pode causar falta de \u00e1gua depois<\/strong><\/p><p>No epis\u00f3dio 5, o professor Jean Minella explica que os per\u00edodos de enchente e estiagem est\u00e3o ligados ao funcionamento do sistema h\u00eddrico. Segundo ele, a forma como a superf\u00edcie das bacias \u00e9 ocupada interfere diretamente na recarga dos aqu\u00edferos, das nascentes e na quantidade de \u00e1gua dispon\u00edvel nos rios ao longo do ano.<\/p><p>O impacto vai al\u00e9m dos eventos extremos. Jean Minella afirma que rios que ficam \u201cextremamente violentos\u201d durante as chuvas podem depois \u201cagonizar\u201d, sem \u00e1gua suficiente para abastecer comunidades urbanas e rurais. \u201cEsse excesso que a gente tem de escoamento superficial \u00e9 a \u00e1gua que vai faltar no per\u00edodo de baixa precipita\u00e7\u00e3o\u201d, resume o pesquisador.<\/p><p>Para ele, o sistema est\u00e1 \u201cobviamente desequilibrado\u201d: a \u00e1gua escoa r\u00e1pido demais durante as chuvas e deixa de abastecer o solo, os rios e os aqu\u00edferos nos per\u00edodos secos.<\/p><\/li><li><p><strong>Nem os especialistas esperavam a dimens\u00e3o das enchentes no Sul<\/strong><\/p><p>Mesmo com dados e modelos de medi\u00e7\u00e3o cada vez mais sofisticados, a magnitude de alguns eventos clim\u00e1ticos ainda surpreende. No epis\u00f3dio 6 \u2014 <em>Variabilidade clim\u00e1tica no Sul do Brasil<\/em> \u2014 a meteorologista e docente do Departamento de F\u00edsica da UFSM Nathalie Boiaski afirma que os eventos extremos surpreenderam at\u00e9 quem pesquisa o tema. \u201cNenhum de n\u00f3s era capaz de compreender a magnitude de um evento extremo at\u00e9 ent\u00e3o\u201d, relata.<\/p><p>A pesquisadora, que mora na Quarta Col\u00f4nia, conta que tamb\u00e9m foi atingida pelas enchentes de 2024: \u201cEu sou meteorologista, tenho a forma\u00e7\u00e3o, eu tinha os dados na m\u00e3o. Por que que eu n\u00e3o sa\u00ed? Porque a gente n\u00e3o quer acreditar\u201d.<\/p><p>Ela relata que n\u00e3o deixou sua casa imediatamente, porque jamais imaginou que o rio pudesse atingir o n\u00edvel que atingiu. Segundo ela, como nunca havia acontecido algo parecido antes, acreditou que \u201cia chover, mas n\u00e3o ia ser tanto assim a ponto de a gente precisar sair de casa\u201d. A sa\u00edda aconteceu apenas quando percebeu que o n\u00edvel do rio estava subindo r\u00e1pido demais.<\/p><p>Para ela, os eventos recentes mostram que, mesmo com avan\u00e7os na meteorologia, a dimens\u00e3o dos impactos ainda desafia a capacidade de previs\u00e3o e resposta da sociedade.<\/p><\/li><li><p><strong>Eventos extremos locais s\u00e3o mais dif\u00edceis de prever \u2014 e os alertas ganham ainda mais import\u00e2ncia<\/strong><\/p><p>No epis\u00f3dio 6, Nathalie Boiaski explica que eventos em escala regional ou local s\u00e3o mais dif\u00edceis de antecipar com precis\u00e3o, especialmente pela falta de dados em determinadas \u00e1reas. Chuvas intensas podem atingir uma regi\u00e3o espec\u00edfica enquanto bairros pr\u00f3ximos permanecem sem chuva, o que dificulta a representa\u00e7\u00e3o desses eventos nos modelos de previs\u00e3o. \u201cchove no centro da cidade de Santa Maria e n\u00e3o chove em Camobi\u201d, exemplifica.<\/p><p>A situa\u00e7\u00e3o se torna ainda mais complexa em \u00e1reas com pouco monitoramento. \u201cEnt\u00e3o n\u00f3s precisamos sim de mais monitoramento, porque n\u00e3o tem milagre que o meteorologista possa fazer sem ter um ponto de observa\u00e7\u00e3o, sem ter pluvi\u00f4metro, sem ter term\u00f4metro, sem ter anem\u00f4metros\u201d, afirma a pesquisadora, citando a falta de equipamentos em parte da Quarta Col\u00f4nia.<\/p><p>Nesse cen\u00e1rio, mesmo com incertezas, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre considerar os avisos e agir preventivamente. A forma como as pessoas respondem a esses alertas pode influenciar diretamente os impactos das situa\u00e7\u00f5es de risco. Ela defende que os alertas meteorol\u00f3gicos sejam levados a s\u00e9rio: \u201cNa d\u00favida, saia\u201d.<\/p><\/li><\/ol><p>&#8220;`<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-c5c4a41 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"c5c4a41\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f66ab52\" data-id=\"f66ab52\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2c393d9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2c393d9\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-434 size-medium alignleft\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-06-123446-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-06-123446-300x213.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/929\/2026\/05\/Captura-de-tela-2026-05-06-123446.jpg 626w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><span style=\"font-weight: 400\">O podcast <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Clima de Crise<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> foi produzido no \u00e2mbito dos projetos \u201cGovernan\u00e7a e multidimensionalidade dos riscos clim\u00e1ticos\u201d (Fapergs 06\/2024) e \u201cComunica\u00e7\u00e3o de proximidade\u201d (PROEXT-PG\/Capes), vinculados \u00e0 Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).<\/span><\/p><h4><b>Todos os epis\u00f3dios j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis, confira:<\/b><\/h4><ul><li style=\"font-weight: 400\"><b>Epis\u00f3dio 1 \u2014 Pertencimento e Mem\u00f3ria em tempos de Crise Clim\u00e1tica<\/b><b><br \/><\/b><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/5aSErRkx2eMqHOvTKvxBiq\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/5aSErRkx2eMqHOvTKvxBiq<\/span><\/a><\/li><li style=\"font-weight: 400\"><b>Epis\u00f3dio 2 \u2014 Sa\u00fade em contexto de emerg\u00eancia clim\u00e1tica<\/b><b><br \/><\/b><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/41Z21uM58NGSPpESF1cOHX\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/41Z21uM58NGSPpESF1cOHX<\/span><\/a><\/li><li style=\"font-weight: 400\"><b>Epis\u00f3dio 3 \u2014 Jornalismo Local, Desertos de Not\u00edcia e Resili\u00eancia Clim\u00e1tica<\/b><b><br \/><\/b><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/2xChGQmiHA7hRaNL27qsyD\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/2xChGQmiHA7hRaNL27qsyD<\/span><\/a><\/li><li style=\"font-weight: 400\"><b>Epis\u00f3dio 4 \u2014 Clima, Territ\u00f3rio e Educa\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica<\/b><b><br \/><\/b><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/11g5CbODKQGhs7pKfaoqMi\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/11g5CbODKQGhs7pKfaoqMi<\/span><\/a><\/li><li style=\"font-weight: 400\"><b>Epis\u00f3dio 5 \u2014 Chuva, solo e ci\u00eancia \u2014 o que aprendemos com as enchentes<\/b><b><br \/><\/b><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/0vyVHnbyzCHqMyDsGvioug\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/0vyVHnbyzCHqMyDsGvioug<\/span><\/a><\/li><li style=\"font-weight: 400\"><b>Epis\u00f3dio 6 \u2014 Variabilidade clim\u00e1tica no Sul do Brasil \u2014 intera\u00e7\u00f5es, mecanismos e impactos<\/b><b><br \/><\/b><a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/6QFzVuNFxZQ6kh5bHnAZvg\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/open.spotify.com\/episode\/6QFzVuNFxZQ6kh5bHnAZvg<\/span><\/a><\/li><\/ul>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-049c3d4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"049c3d4\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1700272\" data-id=\"1700272\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6b986db elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6b986db\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>Texto: Luciane Treulieb, jornalista<\/p><p>Ilustra\u00e7\u00e3o: Evandro Bertol, designer<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Podcast produzido pela UFSM re\u00fane pesquisadores e profissionais que est\u00e3o na linha de frente dos estudos sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":433,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9,2],"tags":[26,38,21,115,22,23,35,24,34],"class_list":["post-432","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-noticias","tag-alem-do-arco","tag-comunicacao","tag-extensao","tag-podcast","tag-pos-graduacao","tag-pre","tag-proext-pg","tag-prpgp","tag-quarta-colonia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/432","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=432"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/432\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/media\/433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=432"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=432"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/extensao\/proext-pg\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=432"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}