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			<description>Observatório Brasileiro de Comunicação e Crise</description>
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				<title>Ciência para proteger a comunidade universitária: entenda como a FURG toma decisões diante de eventos climáticos extremos</title>
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				<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 18:45:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

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						<description><![CDATA[Quando uma portaria da FURG enquadra um evento meteorológico como de impacto baixo, médio, alto ou severo, o documento representa apenas a etapa final de um processo que envolve análise científica, acompanhamento meteorológico, avaliação das condições dos diferentes territórios onde a Universidade está presente e discussão entre profissionais de diversas áreas. Por trás dessas decisões [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img class="alignright size-medium wp-image-693" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/09/marca-preferencial-cores-originais-furg-183x300.png" alt="" width="183" height="300" />Quando uma portaria da FURG enquadra um evento meteorológico como de impacto baixo, médio, alto ou severo, o documento representa apenas a etapa final de um processo que envolve análise científica, acompanhamento meteorológico, avaliação das condições dos diferentes territórios onde a Universidade está presente e discussão entre profissionais de diversas áreas.</p>
<p>Por trás dessas decisões está uma estrutura que começou a ser organizada em 2023, depois de uma sequência de ciclones que atingiu o Rio Grande do Sul e provocou danos, interrupções no fornecimento de energia e dificuldades de mobilidade, deixando um rastro de destruição inclusive nos campi da instituição. Foi naquele contexto que a FURG identificou a necessidade de estabelecer um mecanismo permanente para avaliar riscos e subsidiar a gestão diante da ocorrência de fenômenos extremos.</p>
<p>Em novembro de 2023, a FURG aprovou o Programa Institucional de Avaliação, Prognóstico e Mitigação de Impactos de Eventos Extremos, instituído pela <a href="https://www.furg.br/arquivos/Noticias/2024/2103-resolucao-coepea-programa-eventos-extremos-furg.pdf?utm_source=chatgpt.com">Resolução Coepea nº 117/2023</a>. A iniciativa estabeleceu mecanismos permanentes de monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas, avaliação de prognósticos, definição de níveis de impacto e protocolos acadêmicos e administrativos para diferentes cenários.</p>
<p>É dentro dessa estrutura que atua o Comitê de Avaliação e Prognóstico de Eventos Extremos da FURG. O grupo foi criado inicialmente com forte presença de pesquisadores das áreas de meteorologia, climatologia, oceanografia, geografia e correlatas, mas sua atuação foi ampliada ao longo dos anos à medida que a Universidade passou a compreender que uma decisão durante um evento extremo envolve muito mais do que a análise das condições meteorológicas e climáticas.</p>
<p>Atualmente, de acordo com o coordenador do grupo, Felipe Kessler, o grupo é constituído por aproximadamente 30 pessoas, reunindo representantes das áreas da saúde, psicologia, educação, comunicação, infraestrutura, meteorologia, previsão e simulação, engenharia, gestão institucional, Hospital Universitário e pró-reitorias, além de representantes de todos os campi da FURG.</p>
<p>Ainda segundo o coordenador, a proposta é fazer com que as recomendações sejam construídas de forma interdisciplinar, incorporando tanto a avaliação científica do fenômeno quanto seus possíveis impactos sobre a rotina de estudantes, servidores, trabalhadores terceirizados, unidades acadêmicas e administrativas e serviços essenciais. “É um comitê grande, que tenta justamente abarcar, da maneira mais interdisciplinar possível, as decisões, as recomendações e o acompanhamento do cenário”, explicou o professor.</p>
<p> </p>
<h3><strong>Entre a preservação da vida e a manutenção das atividades</strong></h3>
<p> </p>
<p>A lógica que orienta o trabalho do Comitê parte de duas premissas: preservar a vida como prioridade e, sempre que possível, manter o funcionamento acadêmico e administrativo da Universidade. Essa segunda parte se tornou particularmente importante diante da intensificação dos episódios meteorológicos extremos. Para a FURG, simplesmente suspender todas as atividades sempre que houver uma previsão adversa não representa uma estratégia sustentável de adaptação, principalmente porque a Universidade está inserida em uma região onde eventos desse tipo podem ocorrer diversas vezes ao longo do ano.</p>
<p>Em toda sua estrutura multicampi espalhada por quatro cidades do Estado, a FURG conta com unidades externas, museus, centros associados, estruturas de pesquisa, espaços de extensão, restaurantes universitários, casas de estudantes, laboratórios com espécies biológicas vivas e também um Hospital Universitário. “O universo de atividades da Universidade exige um pensamento muito cuidadoso. Não se trata apenas de não ter aula. São restaurantes universitários, espaços como o Centro Integrado de Atenção à Criança e ao Adolescente (Caic), unidades de extensão e espaços de pesquisa que não podem simplesmente ser fechados sem um planejamento”, ressaltou o coordenador.</p>
<p>Além de espaços e patrimônio público, é importante não esquecer que toda essa estrutura é mantida por pessoas. “O Comitê pensa no estudante, no técnico, no terceirizado e no serviço essencial. Cada território tem sua especificidade, e nós temos um grande quantitativo de estudantes e servidores que dependem de transporte público. Isso também precisa entrar na tomada de decisão”, completou Kessler.</p>
<p>Ainda em razão dessa estrutura intermunicipal, existem também diferenças importantes entre os territórios. Um evento pode apresentar impacto limitado na unidade Carreiros, no campus Rio Grande, por exemplo, mas comprometer o transporte público, inundar vias de acesso ou atingir outro município onde a FURG também está presente.</p>
<p>A avaliação considera justamente essa dimensão territorial e as condições concretas de deslocamento da comunidade. Para o Comitê, estudantes, servidores e trabalhadores que não consigam se deslocar com segurança durante um evento devem ser acolhidos pelas medidas institucionais, mesmo quando não há necessidade de suspensão generalizada das atividades, garantindo que, ainda que não consigam se fazer presentes com a manutenção do expediente acadêmico, tenham garantia à recomposição de frequência e conteúdo.</p>
<p> </p>
<h3><strong>De onde o comitê tira informações para embasar suas discussões?</strong></h3>
<p> </p>
<p>Apesar do nome original do grupo, o Comitê não atua isoladamente na elaboração das previsões meteorológicas. Na estrutura atual, sua função é reunir e interpretar diferentes informações para planejar a resposta institucional. As análises consideram dados e recomendações produzidos por órgãos como as Defesas Civis, institutos oficiais de meteorologia e equipes especializadas da própria Universidade, incluindo o Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX).</p>
<p>Em suas portarias, <strong>a FURG explicita justamente o conjunto de fontes, utilizando informações do Comitê, do CIEX, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e das Defesas Civis municipais para enquadrar os diferentes níveis de impacto.</strong></p>
<p>Segundo o coordenador, cabe ao Comitê reunir essas informações e avaliar qual resposta é mais adequada para a Universidade. “Assim que são emitidas as recomendações da Defesa Civil, quando chegam as previsões que monitoramos e quando conversamos com o CIEX sobre as recomendações necessárias, o Comitê reúne todos esses dados e analisa o melhor caminho dentro da premissa de precaução, preservação da vida e, sempre que possível, manutenção das atividades acadêmicas”, detalhou Kessler.</p>
<p>A atuação conjunta com o CIEX também amplia a capacidade técnica da FURG. Criado a partir da experiência acumulada pela Universidade durante os grandes eventos de 2024, o Centro passou a produzir informações utilizadas não apenas internamente, mas também por municípios, instituições do Estado e, recentemente, <a href="https://www.furg.br/noticias/noticias-institucional/furg-e-mcti-firmam-parceria-para-fortalecer-politicas-publicas-de-gestao-de-riscos-climaticos-e-ambientais">ainda firmou um protocolo de intenções com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para atuar também em nível nacional</a>.</p>
<p>Na avaliação do professor, essa estrutura coloca a FURG em uma posição diferenciada pela quantidade e diversidade de especialistas envolvidos na análise dos fenômenos.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>Quatro possibilidades de resposta</strong></h3>
<p> </p>
<p>Uma das principais características incorporadas à rotina institucional foi a superação de uma lógica exclusivamente binária entre funcionamento normal e suspensão total.</p>
<p>O Programa aprovado em 2023 estabeleceu quatro níveis de impacto: baixo, médio, alto e severo. A classificação considera fatores como limitações de mobilidade, energia elétrica e comunicação, possíveis danos à infraestrutura e risco à saúde ou à vida. Na prática, esses enquadramentos permitem diferentes respostas institucionais, que podem envolver desde a manutenção normal das atividades até medidas especiais, atividades exclusivamente remotas ou suspensão integral.</p>
<p>Kessler resume essa lógica em quatro situações gerais: normalidade, atenção, atividades exclusivamente remotas e suspensão completa do calendário. Essa flexibilidade busca responder a uma realidade em que um fenômeno meteorológico pode produzir impactos relevantes sem necessariamente exigir o fechamento integral da Universidade.</p>
<p>Nos casos de impacto intermediário, por exemplo, podem ser adotadas medidas específicas para estudantes ou trabalhadores afetados, assegurando reposição de atividades ou tratamento diferenciado quando o deslocamento não puder ser realizado com segurança.</p>
<p>“O caminho mais fácil seria cancelar as atividades e pronto, todo mundo fica em casa. Mas isso não contempla o contexto que nós vivemos. Estamos em uma região em que essas ocorrências não se resumem a um evento extremo por ano. Essa realidade faz parte do cotidiano do nosso território”, ponderou o professor.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>Decisões precisam ser rápidas, mas não precipitadas</strong></h3>
<p> </p>
<p>Outro desafio central é o tempo. Eventos extremos podem evoluir em poucas horas e exigir mudanças rápidas de planejamento. Por isso, o Comitê não funciona apenas em reuniões formais.</p>
<p>“Em situações de evento extremo, tempo de resposta é essencial. Entre a chegada da previsão do dia ou do próximo dia, o debate e a tomada de decisão, é preciso agir o mais rápido possível”, afirmou Felipe.</p>
<p>Segundo ele, boa parte do trabalho ocorre de maneira contínua, inclusive fora dos horários tradicionais de expediente. <strong>“O Comitê não pode agir somente por meio de uma reunião protocolar em um determinado dia da semana. Trabalhamos de forma contínua. Às vezes, os comunicados chegam em um domingo à noite, por exemplo e, com isso, precisamos, enquanto grupo, operacionalizar e dimensionar essas informações para auxiliar a reitoria na sua tomada de decisão”</strong>, explicou.</p>
<p>Esse acompanhamento permanente busca justamente reduzir o intervalo entre a identificação de um risco e a comunicação para a comunidade. O coordenador reconhece, no entanto, que esse processo ainda está em aperfeiçoamento.</p>
<p>“Nós já identificamos que nosso tempo de resposta estava muito lento para o que a situação exige e, portanto, estamos tomando providências para que a informação circule o mais rápido possível. Também estamos desenvolvendo protocolos de emergência para as unidades e territórios”, relatou.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>Processos em permanente revisão</strong></h3>
<p> </p>
<p>Uma característica importante do modelo adotado pela FURG é que os protocolos não são tratados como documentos definitivos<strong>. Após cada evento significativo, o Comitê avalia o que funcionou, quais as falhas identificadas e quais procedimentos precisam ser aperfeiçoados.</strong></p>
<p>Essa revisão permanente é considerada parte fundamental da adaptação institucional às mudanças climáticas, justamente porque fenômenos extremos podem apresentar comportamentos distintos e produzir impactos diferentes em cada território. Entre as ações em desenvolvimento estão protocolos específicos para unidades, definição de serviços críticos, treinamentos, organização de demandas prioritárias e resposta, além de procedimentos relacionados à evacuação e esvaziamento de espaços quando necessário.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>Informação oficial e construção de uma cultura de prevenção</strong></h3>
<p> </p>
<p>Para além da estrutura técnica, outro importante desafio é construir uma cultura institucional de prevenção. Durante períodos de instabilidade meteorológica, dúvidas sobre suspensão de aulas ou funcionamento dos campi se espalham rapidamente por grupos de mensagens e redes sociais. Para o professor, a comunidade precisa compreender que informações oficiais devem ser buscadas nos canais institucionais da Universidade.</p>
<p>“É preciso destacar que precisamos criar uma cultura de acompanhar o canal oficial da Universidade, seja pelo portal FURG.br ou pelo perfil da FURG no <em>Instagram</em>. É ali que está a fonte da informação, e não em um grupo de <em>WhatsApp</em>. Se as informações ainda não estiverem públicas, o comitê ainda está deliberando e uma decisão será emitida em breve”, explicou o coordenador.</p>
<p>Esse cuidado também busca evitar a propagação de informações alarmistas.<strong> Como instituição com forte atuação nas áreas ambiental, oceanográfica e atmosférica, a FURG possui grande responsabilidade sobre a forma como comunica riscos.</strong> “A decisão da instituição é fundamentada na ciência. Ela envolve vários pesquisadores e vários mecanismos. A comunidade precisa entender que essa decisão não é tomada de forma inocente”, destacou.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>Quando o alerta não se confirma, a prevenção ainda funcionou</strong></h3>
<p> </p>
<p>Ainda tratando sobre a criação e adaptação de uma cultura em que eventos extremos fazem parte do cotidiano, vale destacar que esse é um processo que passa também pela compreensão de que previsões meteorológicas trabalham com probabilidades e cenários que podem se alterar. Mesmo quando as condições evoluem de forma positiva após a emissão de uma portaria, isso não reduz a importância das medidas preventivas adotadas.</p>
<p>Um evento classificado inicialmente como potencialmente grave pode perder intensidade. Da mesma forma, fenômenos previstos como menos severos podem evoluir rapidamente. Isso significa que uma medida preventiva não deve ser considerada equivocada simplesmente porque o pior cenário não se concretizou.</p>
<p>Para o grupo, esse entendimento faz parte da construção de uma nova cultura de convivência com eventos extremos. <strong>“Quando há um alerta e não acontece nada, que bom que não aconteceu nada. É uma cultura que precisa ser estabelecida”</strong>, resumiu.</p>
<p>O mesmo princípio vale quando a Universidade recomenda a interrupção imediata de uma atividade. Em situações de risco elevado, a orientação deve ser tratada como uma medida de proteção, e não como algo que possa ser adiado até o encerramento de uma aula, reunião ou experimento.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>Ciência para subsidiar decisões</strong></h3>
<p> </p>
<p>Mais de três anos depois dos ciclones que deram origem à iniciativa, o Comitê passou de uma estrutura criada para responder a situações excepcionais para um mecanismo permanente de adaptação institucional. <strong>Sua atuação hoje combina monitoramento científico, análise territorial, infraestrutura, mobilidade, saúde, comunicação, assistência estudantil e gestão acadêmica.</strong></p>
<p>A decisão final sobre o funcionamento da Universidade cabe à Reitoria, mas é subsidiada por essa rede de especialistas e por informações provenientes de órgãos oficiais. Para o professor, essa diversidade técnica representa uma das principais forças da FURG diante de uma realidade climática que tende a exigir respostas cada vez mais frequentes.</p>
<p>“Podemos ser falíveis, porque evento extremo é muito dinâmico e pode se transformar em algo mais tranquilo ou em algo muito pior do que o inicialmente imaginado. Agora, é importante destacar para a nossa comunidade que nós, enquanto grupo de especialistas e enquanto instituição, vamos sempre tomar a melhor decisão com os dados que temos disponíveis”, completou.</p>
<p>Nesse cenário, <strong>o objetivo do Comitê não é eliminar a incerteza, algo impraticável diante da própria natureza dos fenômenos meteorológicos, mas reduzir riscos, antecipar impactos e garantir que a Universidade disponha de mecanismos cada vez mais rápidos e qualificados para proteger sua comunidade.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>____</p>
<p>Com informações da Secretaria de Comunicação da FURG</p>
<p>Texto: Hiago Reisdoerfer</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Segurança Cibernética: Falta de articulação institucional impacta capacidade de resposta a incidentes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/09/17/seguranca-cibernetica-falta-de-articulacao-institucional-impacta-capacidade-de-resposta-a-incidentes</link>
				<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 12:35:34 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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						<description><![CDATA[Por Adriana Prado (Diretora executiva &#8211; FTI Consulting)   O ano era 2020. Recém-implementada no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) dominava as discussões sobre segurança da informação no país. Foi quando comecei a  analisar mais fortemente a incoerência entre discurso e prática na postura das empresas brasileiras em relação a [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Por <strong>Adriana Prado</strong> (Diretora executiva - FTI Consulting)</p>
<p> </p>
<p>O ano era 2020. Recém-implementada no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) dominava as discussões sobre segurança da informação no país. Foi quando comecei a  analisar mais fortemente a incoerência entre discurso e prática na postura das empresas brasileiras em relação a incidentes envolvendo dados pessoais. Embora o dano à imagem já fosse reconhecido como um dos principais impactos de vazamentos e outras situações críticas, raramente se via o aspecto reputacional sendo devidamente considerado nos processos de preparação para crises dessa natureza. Corta para 2026. Hoje, mais de meia década depois, trago estudos recentes para corroborar a constatação de que aquela contradição se mantém. E pior, ela se aplica a um cenário mais amplo, da segurança cibernética.</p>
<p>Realizada pelo MiTi - Markets Innovation &amp; Technology Institute, a 3ª edição da Pesquisa Setorial em Cibersegurança, Inteligência Artificial e Governança de Dados, de 2025, escancara a situação: ainda que 72% das empresas participantes considerem o impacto reputacional de um incidente cibernético mais crítico do que o financeiro, só 19% tem planos formais de Comunicação para tais crises.</p>
<p>Além disso, com base em minha experiência na preparação e resposta a incidentes cibernéticos junto a empresas de diversos setores, noto também uma confusão conceitual que agrava o cenário: quando CISOs, CIOs, DPOs e outros profissionais mais diretamente envolvidos com temas de segurança cibernética falam em “comunicação”, eles comumente estão se referindo a assessoria de imprensa, “redes sociais” e/ou marketing. “Ah, SE tivermos um incidente que se torne público, a nossa área de comunicação vai acabar sendo envolvida”, dizem. Isso até é verdade. No entanto, como as organizações, em geral, dividem as responsabilidades de Comunicação (assim mesmo, com C maiúsculo, enquanto disciplina que impacta todo o negócio) entre diversos departamentos (assuntos regulatórios, jurídico, RH, comercial, relações com investidores, sustentabilidade etc), a equipe de comunicação acaba mesmo cuidando “só” da relação com parte dos <em>stakeholders</em> críticos da companhia. E é aí que mora o perigo.</p>
<p>Em muitos casos, os incidentes cibernéticos repercutem negativamente entre diversos <em>stakeholders</em> críticos para as empresas, mas não chegam à imprensa ou às redes sociais. Isso quer dizer que não houve um dano reputacional? Não mesmo! Como bem define o Glossário de Crise do Observatório Brasileiro de Comunicação de Crise, a “Reputação” é “(...) baseada em percepções, opiniões e julgamentos dos grupos de relacionamento de uma organização sobre o quanto ela é capaz de honrar e cumprir as promessas que faz”. No fim das contas, é a base das tantas relações que permitem que a empresa exista. Tomemos como exemplo uma indústria B2B. Um incidente gera uma disrupção operacional importante, afetando clientes, funcionários, fornecedores e parceiros comerciais, entre outros públicos. Nada sai no jornal, mas a empresa precisa renegociar prazos, acalmar preocupações e até convencer a emissora de certificado de qualidade de que tudo está sob controle. Já vi acontecer. Mais de uma vez.</p>
<p>O que a empresa vai dizer sobre o ocorrido para esses <em>stakeholders</em> pode não ser uma tarefa direta da área de comunicação, mas é uma atividade de Comunicação. Manter a consistência na narrativa talvez seja a lição número 1 de qualquer manual de crise, mas, na prática, raramente é o que acontece quando um risco cibernético se materializa. Como a responsabilidade pelo relacionamento com os diferentes públicos de interesse muitas vezes “mora” em diversas áreas da empresa, alcançar esse alinhamento é desafiador porque, em suma, falta articulação e alinhamento institucional em relação ao tema “segurança cibernética”.</p>
<p>Como todo desafio, isso também representa uma oportunidade para os profissionais de Comunicação, que podem favorecer o diálogo entre as diferentes áreas da companhia sobre o impacto reputacional de crises de origem cibernética – que têm as suas especificidades e ainda são um terreno novo para muita gente.</p>
<p>É comum, por exemplo, que uma empresa só descubra estar sob ataque quando o impacto já é visível de alguma forma. Os criminosos (seja de dentro ou de fora da organização) em geral passam um bom tempo se familiarizando e se movimentando nos ambientes virtuais de suas vítimas antes de “oficializarem” a invasão. A organização pode realmente não ter ideia de que algo errado se passa até ser informada por um público externo (como imprensa, os próprios <em>hackers</em>, clientes, parceiros comerciais e empresas que monitoram ameaças), o que já de início pode passar uma impressão de ineficiência ou até de opacidade.</p>
<p>Isso se relaciona com outra especificidade das crises cibernéticas: os atores que normalmente as provocam não apenas aperfeiçoam suas táticas continuamente, incluindo pressão contínua por meio de atividades de Comunicação, como reagem aos esforços das empresas atacadas em tempo real. Ou seja, o cenário pode mudar a qualquer momento – e surpreender. Um exemplo: em novembro de 2023, ao perceberem que a empresa de tecnologia americana MeridianLink (à época listada na Bolsa de Valores de Nova York) estava ignorando suas tentativas de negociação de resgate, o grupo <em>hacker</em> ALPHV/BlackCat denunciou (de forma até então inédita) a própria vítima à Comissão de Valores Mobiliários (SEC) dos Estados Unidos por violar a lei ao não reportar um ataque “material” no prazo legal de quatro dias úteis.</p>
<p>Porque ainda temos esse complicador: no Brasil e no mundo, já há diversos requisitos de notificação em vigor, dependendo do país onde a empresa opera, se tem ações negociadas na bolsa de valores ou não, da indústria da qual faz parte ou da natureza do incidente (e.g. se envolve dados pessoais ou não etc). E a tendência é que o marco regulatório se torne ainda mais estrito. Ainda que, em vários casos, a necessidade seja de notificar “apenas” o regulador, isso impacta a narrativa sobre o incidente e impõe riscos de exposição.   </p>
<p>Além disso, investigações de incidentes cibernéticos levam tempo e não há garantia de que chegarão a uma conclusão. Lidar com <em>story gaps </em>é desafiador em qualquer crise, mas empresas afetadas por incidentes cibernéticos podem, por algum tempo, não ter mesmo absolutamente nada concreto a informar sobre o caso – nem nunca serem capazes de apresentar uma explicação completa para o que aconteceu.</p>
<p>Como profissionais da área, já sabemos que a maneira como uma organização responde a uma crise pode importar mais do que a crise em si. Mas o duradouro impacto reputacional gerado por incidentes cibernéticos de grandes proporções precisa entrar na pauta das lideranças, nos setores público e privado. Como disciplina que perpassa todos os setores das organizações, nosso papel é fundamental.</p>
<p>2026 será o terceiro ano que participo do Guardião Cibernético, simulação de crise cibernética organizada anualmente pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber) do Exército Brasileiro para as empresas operadoras de infraestruturas críticas. Falar sobre Comunicação com abordagem focada em não-comunicadores tem dado certo. Uma boa resposta começa com preparação e com uma perspectiva multidisciplinar. Segurança cibernética não se constrói em silos, mas em conjunto. Vamos facilitar esse movimento.</p>
<p> </p>
<p>____</p>
<p><strong>Artigos assinados expressam a opinião de seus autores</strong>.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O STF precisa de um porta-voz</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/09/07/o-stf-precisa-de-um-porta-voz</link>
				<pubDate>Mon, 07 Sep 2026 23:03:16 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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						<description><![CDATA[Por João Fortunato (Jornalista, Mestre em Comunicação e Cultura Midiática e especialista em Gestão de Crises e Media Training)   Um porta-voz institucional poderia ajudar a administrar a crise, reduzir a disputa de versões e proteger a reputação e a imagem da Corte. O STF – Supremo Tribunal Federal – vive o momento mais delicado de sua [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<header class="entry-header"><hr /></header>
<div class="entry-content noticia-conteudo">
<p>Por <strong>João Fortunato </strong>(Jornalista, Mestre em Comunicação e Cultura Midiática e especialista em Gestão de Crises e Media Training)</p>
<p> </p>
<p><strong>Um porta-voz institucional poderia ajudar a administrar a crise, reduzir a disputa de versões e proteger a reputação e a imagem da Corte.</strong></p>
<p>O STF – Supremo Tribunal Federal – vive o momento mais delicado de sua história e, por essa razão, ganhou o centro do noticiário nacional. A “briga” entre ministros da Corte e o posicionamento “apaziguador” de seu presidente alimentam polêmicas, algumas, inclusive, baseadas em ilações descabidas e em fontes de informação anônimas, mas com interesses partidários explícitos. Esse diz-que-me-diz, é claro, deixa o País apreensivo, sobretudo pela proximidade das eleições.</p>
<p>O circo está em chamas, e nenhum de seus artistas vem ao “respeitável público” revelar a intensidade das labaredas e se, ao final e ao cabo, seus membros sairão carbonizados ou somente chamuscados do centro da arena. Do lado de fora, o calor é intenso! Enquanto as versões ocupam o lugar dos fatos, o que derrete de maneira assustadoramente rápida é a imagem da instituição, a guardiã da Constituição Federal, sobre a qual não deveriam pairar dúvidas ou desconfianças de qualquer natureza. Todos deveriam respeitá-la!</p>
<p>Resta claro que o STF não está sabendo como lidar com a crise, que cresce dia após dia, com revelações em conta-gotas, como se o processo de desgaste fosse algo planejado para desacreditar a instituição perante a opinião pública. Partidos políticos, políticos em busca de reeleição, candidatos de primeira viagem e militantes da oposição alimentam a “fogueira” que queima a imagem do STF com ofensas e inverdades – ao menos até que se prove o contrário. Um desserviço à democracia.</p>
<p>Os ministros não falam diretamente à imprensa. Algumas vezes, manifestam-se por meio de notas emitidas por suas assessorias de comunicação ou em off. Porém, na maioria das vezes, o que se lê, ouve e assiste são informações oferecidas por fontes protegidas pelo sigilo legal, que dificilmente podem ser confirmadas. Isso alimenta ainda mais a fornalha que consome a reputação e a imagem do Tribunal.</p>
<p>Ministros passam, mas o STF permanece. E precisa permanecer, não somente para o bem da democracia, mas para a sua própria manutenção. Esse fogaréu, tudo indica, não cederá antes das eleições. Para acalmar os ânimos internos e reduzir a ansiedade e os receios da opinião pública, que sofre com boatos e fake news, o presidente do STF há tempos deveria ter instituído a figura do porta-voz na instituição. Somente por meio dele o Tribunal se manifestaria oficialmente, o que contribuiria para reduzir boatos e mentiras.</p>
<p>Obviamente, os ministros, individualmente, poderiam continuar se manifestando publicamente, se assim o desejassem. Contudo, falariam em seus próprios nomes, e não como representantes oficiais da instituição. Esta somente seria representada diante da opinião pública, por intermédio da imprensa, pela fala de seu presidente ou de seu porta-voz nomeado.</p>
<p>Esse porta-voz, que poderia ser um ministro auxiliar, desde que muito bem treinado, funcionaria como um antídoto às crises do STF: se não para eliminá-las ainda na raiz, ao menos para mitigar seus efeitos. Essa figura daria agilidade à divulgação de informações e aos posicionamentos do STF sobre diferentes temas, o que ajudaria a evitar especulações, boatos e mentiras. Além disso, contribuiria para organizar os contatos do presidente da instituição com a mídia, incluindo entrevistas individuais e coletivas de imprensa.</p>
<p>A Suprema Corte americana pode ser um bom exemplo. Seus ministros raramente são vistos na mídia, tanto que boa parte dos americanos desconhece seus nomes. Porém, reconhece e respeita a Suprema Corte, que se manifesta publicamente, não raro, por meio do porta-voz da instituição. O porta-voz, por certo, não é uma solução definitiva. Contudo, sua contribuição para evitar ou mitigar os danos de uma crise seria inegável.</p>
</div>
<p> </p>
<p>____</p>
<p><strong>Artigos assinados expressam a opinião de seus autores</strong>.</p>
<p> </p>
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													</item>
						<item>
				<title>Grupo de Pesquisa Crise.Com (UFSM) convida comunidade a colaborar em estudo que mapeia referências brasileiras em comunicação do risco e de crise</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/09/02/grupo-de-pesquisa-crise-com-ufsm-convida-comunidade-a-colaborar-em-estudo-que-mapeia-referencias-brasileiras-em-comunicacao-do-risco-e-de-crise</link>
				<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 17:47:28 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

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						<description><![CDATA[O Grupo de Pesquisa Crise.Com (UFSM/CNPq) está desenvolvendo estudo que visa mapear e difundir as principais referências nacionais &#8211; pioneiras e contemporâneas &#8211; responsáveis pelo avanço e pela consolidação da área de comunicação do risco e comunicação de crise no Brasil nos últimos 30 anos. A pesquisa tem por objetivos traçar o panorama de contribuições, [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><strong><img class="alignright size-full wp-image-689" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/09/Crise.Com-.jpg" alt="" width="500" height="500" /></strong>O <strong>Grupo de Pesquisa Crise.Com (UFSM/CNPq) </strong>está desenvolvendo estudo que visa mapear e difundir as principais referências nacionais - pioneiras e contemporâneas - responsáveis pelo avanço e pela consolidação da área de comunicação do risco e comunicação de crise no Brasil nos últimos 30 anos.</p>
<p>A pesquisa tem por objetivos traçar o panorama de contribuições, reconhecer os esforços ao longo do tempo, inspirar novas iniciativas e colaborar para a legitimação do campo.</p>
<p>Nesta fase, os pesquisadores solicitam a colaboração da comunidade para a<strong> indicação de nomes de pessoas com as respectivas filiações acadêmicas/profissionais e suas contribuições para a área</strong> (autoria de livros, capítulos e artigos científicos, desenvolvimento de pesquisas, docência, atuação profissional, etc.).</p>
<p>No formulário, <strong>é possível indicar o nome de até cinco pessoas (escritores, professores, consultores, pesquisadores e outros profissionais)</strong> que tenham contribuído ou contribuem para a área de comunicação do risco e comunicação de crise no Brasil.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Formulário para indicações: </strong><a href="https://forms.gle/D5idVanUSy2iAbwd6">https://forms.gle/D5idVanUSy2iAbwd6</a></p>
<p><strong>Para saber mais sobre o projeto:</strong> <a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=429299">https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=429299</a></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O alerta da Defesa Civil chega ao celular. Mas o cidadão sabe o que fazer?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/08/14/o-alerta-da-defesa-civil-chega-ao-celular-mas-o-cidadao-sabe-o-que-fazer</link>
				<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 13:54:40 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=687</guid>
						<description><![CDATA[Por Luiz Celso Piratininga Jr. (Sociólogo e publicitário, Diretor da ADAG Comunicação)   Com um El Niño potencialmente muito forte no horizonte, o sistema já opera em todo o país. O desafio agora é transformar o aviso em orientação para agir.   Fato   O El Niño está de volta. O boletim mais recente do [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Por <strong>Luiz Celso Piratininga Jr.</strong> (Sociólogo e publicitário, Diretor da ADAG Comunicação)</p>
<p> </p>
<p>Com um El Niño potencialmente muito forte no horizonte, o sistema já opera em todo o país.</p>
<p>O desafio agora é transformar o aviso em orientação para agir.</p>
<p> </p>
<h3><span style="color: #0000ff"><strong><span style="color: #000000">Fato</span> </strong></span></h3>
<p> </p>
<p><strong>O El Niño está de volta</strong>. O boletim mais recente do Painel El Niño 2026–2027, referente a julho, reforçou a previsão de intensificação do fenômeno. Confirmado em junho, o El Niño deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027 e tem 81% de probabilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro deste ano.</p>
<p> </p>
<p><strong>Os efeitos não serão iguais em todo o Brasil</strong>. Enquanto o Sul tende a enfrentar chuvas intensas, áreas do centro-norte podem registrar menos chuva e calor excessivo. No Centro-Oeste e no Sudeste, ondas de calor e baixa umidade aumentam o risco de queimadas e de insegurança hídrica.</p>
<p> </p>
<p><strong>O país entra neste novo ciclo com uma diferença importante</strong>. O Defesa Civil Alerta começou a operar em dezembro de 2024 e foi ampliado gradualmente até alcançar todo o território nacional, em outubro de 2025. A tecnologia envia avisos aos celulares compatíveis conectados às redes 4G ou 5G, sem cadastro prévio nem pacote de dados. Em situações extremas, a mensagem ocupa a tela e aciona um sinal sonoro, mesmo que o aparelho esteja no modo silencioso.</p>
<p> </p>
<p>Segundo a ABR Telecom, associação responsável pela infraestrutura tecnológica do sistema, no primeiro semestre deste ano foram emitidos 1.768 alertas, que alcançaram 2.779 municípios:  mais de quatro vezes o volume registrado no mesmo período de 2025.</p>
<p> </p>
<p>A mensagem na tela é um avanço tecnológico. <strong>Fazer com que diferentes públicos compreendam o risco, confiem na orientação e saibam como agir é uma tarefa de comunicação pública.</strong></p>
<p> </p>
<h3><strong>Entre receber e compreender</strong></h3>
<p> </p>
<p><strong>A capacidade de avisar com antecedência salva vidas.</strong> Segundo a Organização Meteorológica Mundial, a mortalidade associada a desastres é pelo menos seis vezes menor nos países que contam com bons sistemas de alerta precoce. Uma antecedência de 24 horas pode reduzir os danos em até 30%.</p>
<p> </p>
<p>Mas a palavra importante é “sistema”. O modelo defendido pelas Nações Unidas reúne quatro elementos: conhecimento do risco; monitoramento e previsão; comunicação do alerta; e capacidade de preparação e resposta. <strong>Fazer a mensagem chegar é uma parte decisiva. Não é a única.</strong></p>
<p> </p>
<p>No Defesa Civil Alerta, a infraestrutura de transmissão é nacional, mas o conteúdo e o momento do envio são definidos pelos órgãos estaduais e municipais. Cabe a eles dizer qual é o perigo, quem está ameaçado, o que deve ser feito, para onde a pessoa deve ir e quando haverá uma nova orientação.</p>
<p> </p>
<h3 style="text-align: center"><strong>“Chuva forte. Há risco de deslizamento. Fique atento” descreve uma ameaça. </strong></h3>
<h3 style="text-align: center"><strong style="color: revert;font-size: revert">Não necessariamente permite que alguém se proteja dela.</strong></h3>
<p> </p>
<p>Um morador antigo de uma área de risco, um turista, uma pessoa idosa, alguém com deficiência e uma família recém-chegada ao bairro podem compreender a mesma mensagem de maneiras diferentes. Há também quem esteja fora da cobertura de telefonia ou não tenha aparelho compatível.</p>
<p> </p>
<p>O canal distribui o aviso. A comunicação pública precisa fazer a orientação alcançar cada um desses cidadãos.</p>
<p> </p>
<h3><strong>O ponto cego</strong></h3>
<p> </p>
<p><strong>O ponto cego está em tratar a comunicação de risco como um texto produzido somente quando a emergência já começou</strong>. Nesse momento, há pouco espaço para descobrir quem precisa ser alcançado, testar a clareza da mensagem, apresentar uma rota desconhecida ou construir confiança em uma fonte até então ausente da comunidade.</p>
<p> </p>
<p><strong>Os dados mostram grandes diferenças na capacidade de resposta dos municípios</strong>. O Indicador de Capacidade Municipal, com dados de 2024, apontou que em 3.253 cidades 58,49% dos municípios brasileiros) estavam nos estágios iniciais de gestão de riscos e desastres. Em estudo divulgado em maio de 2026, o Cemaden constatou que 75% dos municípios prioritários possuíam menos da metade dos planos e mapeamentos necessários. Em 91% deles, não havia plano de obras e serviços para a redução dos riscos.</p>
<p> </p>
<p>Esses números não medem a qualidade das mensagens, mas revelam as condições necessárias para que uma orientação possa ser cumprida. Um alerta que determina a evacuação não cria uma rota de fuga, não abre um abrigo nem providencia transporte para quem precisa de ajuda para se deslocar.</p>
<p> </p>
<p>A comunicação não substitui essa estrutura. Mas pode revelar o que falta antes que o desastre o faça, além de preparar a população para utilizar aquilo que já existe.</p>
<p> </p>
<h3><strong>O que desenvolver</strong></h3>
<p> </p>
<p><strong>A comunicação precisa ocupar um lugar na mesa de preparação, e não ser chamada apenas para publicar o alerta</strong>. As equipes municipais devem participar da construção dos protocolos, conhecer os riscos de cada território, testar as mensagens e manter um fluxo direto de informações verificadas com a Defesa Civil e os responsáveis pela resposta.</p>
<p> </p>
<p>É um trabalho que começa antes da emergência, acompanha o resgate e continua depois que o perigo imediato passou.</p>
<p> </p>
<p><strong>Antes do evento, é preciso mapear as áreas ameaçadas, as pessoas que vivem nelas</strong> e os lugares pelos quais a informação circula: escolas, igrejas, unidades de saúde, associações de moradores e mercados. Esses espaços podem ajudar a divulgar previamente os níveis de alerta, as rotas de fuga, os pontos de apoio, os abrigos e os números que devem ser acionados.</p>
<p> </p>
<p><strong>O planejamento deve considerar quem não recebe o aviso pelo celular</strong>, quem depende de ajuda para se deslocar e quais recursos de acessibilidade são necessários. Simulados permitem verificar se a população compreendeu a orientação e se a própria prefeitura está preparada para cumpri-la.</p>
<p> </p>
<p><strong>Durante a emergência, a comunicação precisa estar integrada ao centro de decisões</strong>, com acesso permanente a informações confirmadas, uma fonte oficial reconhecível, porta-voz e boletim com hora marcada. O aviso à população tem de dizer o que está acontecendo, quais áreas estão ameaçadas, o que fazer naquele momento, para onde ir, quais serviços funcionam e quando virá nova atualização.</p>
<p> </p>
<p><strong>Atender aos repórteres, aqui, é mais do que tarefa de assessoria de imprensa</strong>: o jornalismo ocupa o espaço que o boato ocuparia, se tiver acesso permanente a informações confirmadas, uma fonte oficial reconhecível, um porta-voz e boletins com hora marcada. O celular também deve ser combinado com sirenes, rádios locais, carros de som, WhatsApp, agentes de saúde, escolas e redes comunitárias. Em uma emergência, repetir uma orientação correta por diferentes canais não é excesso: é proteção.</p>
<p> </p>
<p><strong>Depois do evento, a comunicação informa se o risco diminuiu ou terminou</strong>, o que continua interditado, quando escolas, postos de saúde e estradas voltam a funcionar e onde buscar ajuda. Também é preciso avaliar o que funcionou, o que falhou e o que deve ser mudado nos protocolos. A avaliação vai além do número de pessoas alcançadas:  importa saber quantas compreenderam o aviso, quantas conseguiram agir e quais grupos ficaram de fora.</p>
<p> </p>
<p><strong>Nada disso se resolve com uma campanha publicitária no mês do desastre</strong>. Exige tratar a comunicação de risco como serviço público permanente, integrada à Defesa Civil, à saúde, à educação, à mobilidade e à assistência social. O objetivo não é apenas informar que existe um perigo. É preparar a população antes, orientá-la durante e prestar contas depois.</p>
<p> </p>
<h3><strong>Uma pergunta para o setor</strong></h3>
<p>Quando o alerta chegar, o cidadão saberá apenas que corre perigo — ou saberá o que fazer para sair dele?</p>
<p> </p>
<p>____________</p>
<p> </p>
<p>Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.</p>
<p> </p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>El Niño 2026-2027: RSU/Fiocruz emite Nota Técnica para Integridade da Informação e Comunicação de Risco</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/08/12/el-nino-2026-2027-rsu-fiocruz-emite-nota-tecnica-para-integridade-da-informacao-e-comunicacao-de-risco</link>
				<pubDate>Wed, 12 Aug 2026 13:21:10 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=685</guid>
						<description><![CDATA[O El Niño 2026–2027 exige atenção qualificada, não pânico. O fenômeno está configurado e apresenta alta probabilidade de persistência e intensificação, mas seus impactos locais permanecem probabilísticos e dependem da interação entre condições meteorológicas, hidrológicas, territoriais e sociais. Nesse contexto, a RSU/Fiocruz publicou Nota Técnica “Integridade da informação e comunicação de risco no El Niño [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img class="alignright size-medium wp-image-686" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/08/novo-logo-RSU-removebg-EW-psmMm-300x88.png" alt="" width="300" height="88" />O El Niño 2026–2027 exige atenção qualificada, não pânico. O fenômeno está configurado e apresenta alta probabilidade de persistência e intensificação, mas seus impactos locais permanecem probabilísticos e dependem da interação entre condições meteorológicas, hidrológicas, territoriais e sociais.</p>
<p>Nesse contexto, a RSU/Fiocruz publicou Nota Técnica “<strong>Integridade da informação e comunicação de risco no El Niño 2026-2027 - Orientações para sociedade civil, gestores públicos, universidades e departamentos de comunicação</strong>”.</p>
<p>A NT reúne orientações para apoiar sociedade civil, gestores públicos, universidades, profissionais de saúde, equipes de comunicação e demais atores envolvidos na gestão de riscos climáticos e sanitários. <strong>O documento traz medidas para qualificar a comunicação de risco, prevenir a desinformação e apoiar a preparação ao longo do ciclo do fenômeno.</strong></p>
<p>Ao reunir universidades, equipes de comunicação, serviços públicos e comunidades em um ciclo contínuo de observação, validação, tradução, escuta e correção, a RSU/Fiocruz contribui para uma resposta mais transparente, acessível e responsável.</p>
<p>Elaborado por especialistas de diversas instituições (Fiocruz, UFSM, UFPel, UFRGS, FURG, Unisinos e Feevale), <strong>o documento aborda a</strong> <strong>interpretação de cenários climáticos, a comunicação de incertezas e os potenciais impactos</strong> <strong>sobre a saúde</strong>.</p>
<p>Nessa direção, apresenta <strong>princípios para a integridade da informação, modelos de linguagem, recomendações dirigidas a diferentes públicos e protocolos para prevenção, verificação, correção e resposta à desinformação.</strong></p>
<p> </p>
<h3><strong>Finalidades da Nota Técnica</strong></h3>
<p> </p>
<p><strong>A prioridade da nota é reduzir</strong> <strong>dois riscos simultâneos: o risco climático e sanitário e o risco informacional.</strong> Alarmismo, falsas certezas, mapas sem data, atribuições causais simplistas, áudios sem origem, alertas falsos e golpes, frequentemente disseminados por canais não oficiais, perfis falsos ou conteúdos que imitam instituições públicas, podem produzir pânico, fadiga, decisões inadequadas e perda de confiança. Em face disso, o enfrentamento exige prevenção, escuta social, verificação, mensagens acionáveis, canais acessíveis e governança interinstitucional.</p>
<p><strong>A publicação tem quatro finalidades:</strong></p>
<ul>
<li>Consolidar o estado atual do El Niño 2026-2027 com base em fontes oficiais e datadas;</li>
<li>Oferecer uma mensagem pública comum para reduzir interpretações enganosas e preencher vazios informacionais;</li>
<li>Orientar gestores, universidades e equipes de comunicação na preparação, resposta e correção de desinformação;</li>
<li>Estabelecer um protocolo transparente para validação técnica e comunicacional pelas instituições da RSU.</li>
</ul>
<p> </p>
<h3><strong>Recomendações</strong></h3>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A integridade da informação é parte da infraestrutura de prevenção: reduz vazios informacionais, melhora decisões, protege serviços, fortalece a confiança e favorece a atuação coordenada entre ciência, gestão e sociedade.</strong></p>
<p><strong>Sob essa perspectiva,</strong> além das orientações conceituais, <strong>a publicação reúne ferramentas de aplicação prática, como protocolos de verificação e correção de informações, checklist para publicação de conteúdos e modelo de boletim público</strong>, oferecendo suporte a instituições e profissionais responsáveis pela comunicação de riscos e pelo planejamento diante de situações marcadas por incertezas climáticas.</p>
<p>Entre as recomendações está a<strong> manutenção de uma fonte institucional de referência, datada e atualizada</strong>, capaz de reunir informações técnicas, perguntas frequentes, orientações, correções, histórico de versões e materiais derivados. A medida busca reduzir vazios informacionais e facilitar o acesso da população, dos gestores e dos profissionais a informações confiáveis durante todo o ciclo do fenômeno.</p>
<p>A publicação também<strong> orienta que instituições públicas, universidades, pesquisadores e equipes de comunicação diferenciem claramente observações, previsões, cenários e recomendações</strong>, evitando transformar probabilidades em certezas ou tendências sazonais em previsões de desastres específicos. A orientação é<strong> comunicar de maneira transparente o que já se sabe, o que permanece incerto e quais novas informações poderão modificar as avaliações existentes.</strong></p>
<p> </p>
<p>O documento é nacional, com atenção especial ao Rio Grande do Sul por sua exposição a chuvas intensas, cheias, enxurradas e movimentos de massa, pela memória social das enchentes de 2024 e pela capacidade de articulação da Rede Saúde Única. Não substitui produtos operacionais locais nem pretende antecipar um desastre específico.</p>
<p>Ainda, a efetividade desta nota dependerá de sua atualização periódica, do respeito às competências institucionais e da incorporação de novas evidências ao longo do ciclo do El Niño 2026–2027. A próxima revisão está prevista para setembro de 2026, podendo ocorrer antes caso haja mudança material nas fontes oficiais.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Recurso técnico-educacional</strong></p>
<p>A Nota Técnica pode ser utilizada também em atividades de formação, capacitação, planejamento institucional e consulta para comunicação de risco e promoção da integridade da informação no contexto do El Niño 2026–2027. Nesse sentido, apresenta-se como recurso técnico-educacional voltado à educação permanente, formação profissional e apoio à atuação de gestores, profissionais de comunicação, saúde, proteção e defesa civil, pesquisadores, docentes e demais atores envolvidos na gestão de riscos climáticos e sanitários.</p>
<p>O documento vislumbra compreender os princípios e as práticas de integridade da informação e comunicação de risco aplicáveis ao contexto do El Niño 2026–2027, reconhecendo a diferença entre observações, previsões, cenários e recomendações e identificando estratégias para prevenção, preparação e resposta à desinformação.</p>
<p> </p>
<p><strong>Leia na íntegra:</strong> <a href="https://educare.fiocruz.br/resource/show?id=4NUXd4nb"><strong>Nota Técnica: Integridade da Informação e Comunicação de Risco no El Niño 2026-2027</strong></a></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>___________________</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Elaboração técnica do documento: </strong>Calvin Cousin (UFPEL); Cláudia Herte de Moraes (UFSM); Elisa Helena Fernandes (CIEX/FURG); Eloisa Beling Loose (UFRGS); Gustavo Buss (RSU/Fiocruz); Jones Machado (<strong>OBCC</strong>/UFSM); Marcelo Frey (RSU/Fiocruz); Maristela Cassia De Oliveira Peixoto (FEEVALE); Mellanie Fontes-Dutra (UNISINOS); Raquel Recuero (UFPEL); Tammie Caruse Faria Sandri (FURG).</p>
<p><strong>Resumo da notícia</strong></p>
<p>Nota Técnica da Rede Saúde Única (RSU/Fiocruz), elaborada tecnicamente por pesquisadores e profissionais vinculados a instituições de ensino, pesquisa e saúde do Rio Grande do Sul e à RSU/Fiocruz. O documento apresenta orientações para a comunicação de risco e a promoção da integridade da informação no contexto do El Niño 2026–2027, reunindo evidências, princípios e recomendações dirigidas à sociedade civil, gestores públicos, universidades e equipes de comunicação. Aborda a interpretação de previsões e cenários climáticos, riscos à saúde sob a perspectiva de Uma Só Saúde, comunicação de incertezas, prevenção e resposta à desinformação, escuta social, acessibilidade, governança e validação interinstitucional. Inclui recomendações acionáveis, protocolos de verificação e correção, lista de verificação pré-publicação e modelo de boletim público.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Comunicação Inclusiva diante da atualização da NR-1</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/08/03/comunicacao-inclusiva-diante-da-atualizacao-da-nr-1</link>
				<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 21:53:56 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=673</guid>
						<description><![CDATA[Por Patrícia Milano Pérsigo (Professora Associada da UFSM, Doutora em Comunicação)    A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a responsabilidade das organizações pela identificação, avaliação e prevenção dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Embora esses fatores já estivessem compreendidos no gerenciamento dos riscos ocupacionais, a nova redação, em vigor desde 26 de [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Por <strong>Patrícia Milano Pérsigo</strong> (Professora Associada da UFSM, Doutora em Comunicação) </p>
<p> </p>
<p>A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a responsabilidade das organizações pela identificação, avaliação e prevenção dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Embora esses fatores já estivessem compreendidos no gerenciamento dos riscos ocupacionais, a nova redação, em vigor desde 26 de maio de 2026, passou a mencioná-los de maneira explícita. Com isso, as organizações são convocadas a observar não apenas as condições materiais do ambiente, mas também a organização do trabalho e sobretudo a qualidade das relações que nele se estabelecem.</p>
<p>Esse movimento exige uma análise abrangente dos processos organizacionais, incluindo os canais de escuta, as práticas de gestão e os fluxos de informação que sustentam o cotidiano de trabalho. Esse cenário apresenta, simultaneamente, desafios e oportunidades. O principal desafio consiste em reafirmar a dimensão estratégica, transversal e relacional da comunicação organizacional.</p>
<p>Uma vez que a comunicação permeia todos os processos e relacionamentos de uma organização, não pode ser tratada de maneira fragmentada, meramente instrumental ou utilitária. A atualização da NR-1 contribui para evidenciar essa necessidade ao demonstrar que, no campo dos riscos ocupacionais, a comunicação pode ser tanto fator de prevenção quanto de produção ou agravamento de situações prejudiciais à saúde dos trabalhadores.</p>
<p>A falta de clareza na definição de funções, as solicitações contraditórias, o excesso de reuniões, a sobrecarga informacional, a ausência de feedback, a dificuldade de acesso às lideranças e o uso de linguagem discriminatória ou pejorativa são alguns exemplos de questões comunicacionais que podem contribuir para a ocorrência ou intensificação de fatores de risco psicossociais. Da mesma forma, informações incompletas, mudanças organizacionais conduzidas sem transparência e canais de denúncia que não asseguram confidencialidade podem gerar insegurança e silenciamentos.</p>
<p>Por outro lado, a atualização da NR-1 amplia as oportunidades de atuação das Relações Públicas em interface com diversas áreas. A capacidade de realizar a leitura estratégica de cenários, mapear públicos, diagnosticar relacionamentos e formular, executar e avaliar estratégias comunicacionais constitui uma contribuição relevante para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e para a implementação das novas disposições da norma.</p>
<p>Se a NR-1 orienta as organizações a examinarem as condições e a organização do trabalho, cabe perguntar: como essas condições são percebidas e vivenciadas pelos diferentes públicos organizacionais?</p>
<p>Esse questionamento é fundamental porque uma mesma política, mensagem ou prática de gestão pode produzir experiências distintas, conforme a posição ocupada pelas pessoas, suas características, identidades, condições de acesso e relações de poder. Nesse sentido, os fatores de risco psicossociais também possuem uma dimensão comunicacional: eles se manifestam nas relações, nas práticas de gestão e nas formas pelas quais as informações circulam, ou deixam de circular, entre os diferentes públicos.</p>
<p>É nesse contexto que a comunicação acessível e inclusiva se torna ainda mais necessária. Embora relatórios de sustentabilidade frequentemente apresentem números relativos à contratação de pessoas pertencentes a grupos historicamente minorizados, é preciso avançar para além da presença quantitativa.</p>
<p>A organização oferece conteúdos em diferentes línguas, linguagens e formatos? Seus canais e sistemas são acessíveis? As pessoas dispõem de condições seguras e confidenciais para se manifestar? Têm acesso a instrumentos de trabalho compatíveis com suas características e necessidades? Sentem-se representadas nas narrativas institucionais?</p>
<p>Os diferentes públicos organizacionais podem estar expostos a situações e intensidades distintas de risco, especialmente quando barreiras comunicacionais, culturais, linguísticas, tecnológicas e atitudinais se somam às desigualdades já existentes.</p>
<p>A diversidade, portanto, não deve ser compreendida como um risco para a organização. Os riscos encontram-se na produção e na perpetuação das desigualdades, na invisibilidade, na exclusão e na reprodução de estereótipos. É justamente nesse ponto que a comunicação inclusiva ultrapassa o discurso sobre diversidade e se concretiza como um processo protetivo, capaz de promover segurança, pertencimento e confiança nas relações organizacionais.</p>
<p>Mais do que atender formalmente às exigências da NR-1, as organizações precisam desenvolver uma cultura permanente de prevenção. Escutar os trabalhadores, reconhecer as diferenças entre os públicos, revisar práticas comunicacionais e assegurar que as informações sejam acessíveis, compreensíveis e coerentes com as experiências vividas no ambiente de trabalho.</p>
<p>A atualização da NR-1, portanto, não apenas explicita a responsabilidade das organizações diante dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Ela também coloca em evidência sua responsabilidade comunicacional. Quando os processos de comunicação favorecem a escuta, a participação, o pertencimento e a legitimação das diferentes identidades, a comunicação inclusiva amplia sua contribuição e colabora diretamente para a construção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. Concretiza-se assim, como um fator protetivo.</p>
<p>____________</p>
<p><strong>Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.</strong></p>
<p> </p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->

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<!-- wp:tadv/classic-paragraph /-->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Consertar o telhado enquanto o sol está brilhando: como a prevenção de riscos fortalece a reputação, a governança e a confiança dos stakeholders.</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/08/03/consertar-o-telhado-enquanto-o-sol-esta-brilhando-como-a-prevencao-de-riscos-fortalece-a-reputacao-a-governanca-e-a-confianca-dos-stakeholders</link>
				<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 21:35:27 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=672</guid>
						<description><![CDATA[Por Elisa Prado (Especialista em Comunicação Corporativa e Consultora de Gestão de Reputação)   Trabalhei por muitos anos ao lado de um CEO que repetia uma frase que carrego comigo até hoje: &#8220;Conserte o telhado enquanto o sol está brilhando.&#8221; Na época, parecia apenas um conselho de boa gestão. Com o tempo, compreendi que se tratava de [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Por <strong>Elisa Prado</strong> (Especialista em Comunicação Corporativa e Consultora de Gestão de Reputação)</p>
<p> </p>
<p>Trabalhei por muitos anos ao lado de um CEO que repetia uma frase que carrego comigo até hoje: "<strong>Conserte o telhado enquanto o sol está brilhando</strong>."</p>
<p>Na época, parecia apenas um conselho de boa gestão. Com o tempo, compreendi que se tratava de uma filosofia de liderança.</p>
<p>Ele acreditava que é justamente quando a empresa cresce, entrega bons resultados e navega em céu de brigadeiro que deve investir tempo para inovar, corrigir fragilidades e preparar-se para o inesperado. <strong>Afinal, quando a tempestade chega, já não há tempo para reformas.</strong></p>
<p>Essa visão nunca foi tão atual. Estudos recentes mostram que uma crise reputacional grave pode reduzir o valor de mercado de uma empresa em mais de 35% e comprometer significativamente sua lucratividade.</p>
<p><strong>O custo da falta de preparação é concreto, mensurável e, muitas vezes, irreversível. </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>O convite do CEO </strong></p>
<p>Como responsável pela comunicação corporativa da empresa, fui desafiada a transformar essa visão em prática. Nossa missão era antecipar riscos capazes de comprometer a reputação da organização, identificar vulnerabilidades do negócio e estruturar mecanismos de prevenção. Não se tratava apenas de evitar crises, mas de fortalecer a governança e proteger um dos ativos mais valiosos da empresa: a confiança de seus stakeholders.</p>
<p>Existe, porém, um obstáculo recorrente nesse processo. Sempre que o tema chega ao conselho de administração ou à diretoria, costuma surgir um certo desconforto.</p>
<p><strong>Riscos representam problemas que ainda não aconteceram, e existe uma tendência natural de acreditar que "isso não acontecerá conosco</strong>".</p>
<p>A realidade, entretanto, mostra exatamente o contrário. Pesquisas revelam que apenas uma pequena parcela das organizações mede efetivamente sua exposição aos riscos considerados críticos. Ao mesmo tempo, executivos costumam declarar elevado grau de preocupação com esses riscos, mas reconhecem que suas empresas ainda não estão suficientemente preparadas para enfrentá-los.</p>
<p>Essa aparente contradição explica por que tantas organizações ainda reagem às crises, em vez de se anteciparem a elas. Foi justamente por isso que o apoio do CEO se mostrou decisivo.</p>
<p>Sem o comprometimento da principal liderança da organização, iniciativas dessa natureza dificilmente ganham prioridade, recursos e continuidade. <strong>A cultura de prevenção começa no topo. </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Mapeando os riscos</strong></p>
<p>Com o patrocínio da liderança, iniciamos um programa estruturado de prevenção e gestão de riscos reputacionais. O primeiro passo foi promover um workshop de sensibilização para toda a liderança.</p>
<p>Antes de discutir processos ou metodologias, era necessário construir uma consciência coletiva sobre o papel de cada executivo na proteção da reputação corporativa. Afinal, <strong>reputação não pertence apenas à área de comunicação.</strong> Ela é consequência das decisões tomadas diariamente por todas as áreas da empresa.</p>
<p>Hoje sabemos que essa preocupação faz todo sentido. Estudos apontam que aproximadamente 29% do valor de mercado das empresas está diretamente relacionado à sua reputação, e organizações com reputações sólidas tendem a entregar retornos superiores aos seus acionistas ao longo do tempo.</p>
<p>Na sequência, reunimos toda a diretoria para identificar os principais riscos do negócio. Utilizando a metodologia COSO* (Commitee of Sponsoring Organizations of the Treadway Comission) como referência, avaliamos cada vulnerabilidade sob a perspectiva de impacto e probabilidade, construindo uma matriz de riscos capaz de apoiar decisões estratégicas e direcionar investimentos para os temas realmente relevantes.</p>
<p>Mais importante do que preencher uma matriz foi promover um exercício coletivo de reflexão. Pela primeira vez, diferentes áreas passaram a discutir seus riscos de forma integrada, compreendendo como uma fragilidade operacional poderia rapidamente se transformar em uma crise reputacional.</p>
<p>Esse talvez tenha sido o maior ganho de todo o processo: criar uma linguagem comum sobre riscos e fazer com que cada líder compreendesse que <strong>reputação é uma responsabilidade compartilhada. </strong></p>
<p> </p>
<p><strong>Da matriz ao plano de ação</strong></p>
<p>O trabalho, naturalmente, não terminou com a identificação dos riscos. No encontro seguinte, definimos a estratégia para cada um deles: quais deveriam ser evitados, mitigados, compartilhados ou simplesmente aceitos, sempre considerando o apetite e a tolerância ao risco definidos pela organização.</p>
<p>Também estruturamos políticas, procedimentos e mecanismos de monitoramento capazes de acompanhar continuamente a evolução dessas vulnerabilidades. A matriz de riscos passou a integrar a agenda permanente do board.</p>
<p>Todos os meses revisávamos os riscos identificados, acompanhávamos os planos de ação e avaliávamos novos cenários que pudessem alterar o nível de exposição da empresa.</p>
<p>Paralelamente, a área de comunicação, em conjunto com uma consultoria especializada, desenvolveu planos específicos para cada risco prioritário. Foram preparados posicionamentos institucionais, perguntas e respostas, mensagens-chave e porta-vozes previamente treinados para responder de forma rápida, consistente e alinhada à estratégia da organização.</p>
<p>Essa preparação tornou-se ainda mais relevante em um ambiente digital em que crises ultrapassam fronteiras em poucas horas. Hoje, uma crise pode ganhar repercussão global em menos de 24 horas. Não existe mais espaço para improviso. A velocidade da informação exige que as organizações respondam com a mesma rapidez — mas, sobretudo, com coerência, credibilidade e transparência.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Um novo fator de risco: a inteligência artificial</strong></p>
<p>Se antes a principal preocupação era monitorar a opinião de clientes, colaboradores, imprensa, investidores, órgãos reguladores e demais stakeholders, hoje as organizações precisam considerar um novo elemento nesse ecossistema: a inteligência artificial.</p>
<p>Ferramentas de IA generativa, mecanismos de busca, assistentes virtuais e algoritmos que resumem informações passaram a influenciar a forma como empresas são percebidas, muitas vezes antes mesmo de uma pessoa acessar o site institucional ou ler uma reportagem.</p>
<p>Identificações equivocadas, conteúdos sintéticos imprecisos, <em>deepfakes</em> e informações descontextualizadas podem moldar narrativas em questão de minutos e ampliar exponencialmente uma crise reputacional.</p>
<p>Mais do que um novo recurso tecnológico, <strong>a inteligência artificial tornou-se um novo mediador da confiança</strong>. Ela influencia quais informações serão encontradas, resumidas, recomendadas e, muitas vezes, consideradas verdadeiras.</p>
<p><strong>Ignorar esse novo ambiente significa deixar de monitorar um dos espaços onde a reputação está sendo construída ou desconstruída diariamente</strong>.</p>
<p>Por isso, a gestão de riscos precisa incorporar também o monitoramento desse ambiente digital, garantindo que a reputação da organização seja protegida não apenas perante seus stakeholders tradicionais, mas também diante dos sistemas de inteligência artificial que, cada vez mais, mediam o acesso à informação e influenciam a formação da opinião pública.</p>
<p> </p>
<p><strong>A prevenção como estratégia de valor</strong></p>
<p>Ao final desse processo, percebemos que não havíamos criado apenas um plano de gestão de crises. Havíamos incorporado a gestão de riscos reputacionais à governança da organização. <strong>A prevenção deixou de ser uma atividade pontual para tornar-se um processo contínuo de geração e proteção de valor</strong>.</p>
<p>No fim, percebi que o maior aprendizado daquele processo não foi sobre metodologias, matrizes ou planos de contingência. Foi sobre liderança. <strong>Organizações que protegem sua reputação não esperam que uma crise as obrigue a agir.</strong> Elas cultivam uma cultura de prevenção, na qual antecipar riscos é tão importante quanto perseguir resultados. Essa cultura nasce no exemplo da alta liderança, inspira toda a organização e transforma a gestão de riscos em uma vantagem competitiva.</p>
<p><strong>Empresas resilientes não são aquelas que nunca enfrentam crises. São aquelas que desenvolvem a capacidade de antecipá-las</strong>, responder com rapidez e preservar a confiança construída ao longo de anos.</p>
<p>Por isso, a frase daquele CEO continua fazendo ainda mais sentido para mim. O melhor momento para proteger a reputação de uma organização é quando ela ainda não está sendo ameaçada. Porque, quando a tempestade chega, já não existe tempo para consertar o telhado.</p>
<p>E a sua empresa? Está aproveitando os dias de sol para fortalecer sua reputação ou pretende descobrir onde estão as goteiras quando a chuva começar?</p>
<p> </p>
<p>*COSO - Commitee of Sponsoring Organizations of the Treadway Comission - foi criado nos Estados Unidos para ajudar organizações a prevenir fraudes, fortalecer a governança e</p>
<p>_________</p>
<p>Artigos assinados expressam a opinião de seus autores.</p>
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													</item>
						<item>
				<title>Institute for Crisis Management divulga relatório: cibercrime representa 1/4 das crises corporativas no mundo em 2025</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/07/08/institute-for-crisis-management-divulga-relatorio-anual-cibercrime-representa-1-4-das-crises-corporativas-no-mundo-em-2025</link>
				<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 18:29:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

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						<description><![CDATA[O cibercrime consolidou-se como a maior ameaça à continuidade de negócios no mundo, representando 25,44% de todas as notícias sobre crises corporativas registradas em 2025. O dado foi revelado no 35º Relatório Anual de Crise do Institute for Crisis Management (ICM), divulgado globalmente na primeira semana de julho deste ano. Ao todo, a consultoria em [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400"><img class="alignright size-medium wp-image-664" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/ICM-300x100.jpg" alt="" width="300" height="100" /></span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O cibercrime consolidou-se como a maior ameaça à continuidade de negócios no mundo, representando 25,44% de todas as notícias sobre crises corporativas registradas em 2025. O dado foi revelado no 35º Relatório Anual de Crise do Institute for Crisis Management (ICM), divulgado globalmente na primeira semana de julho deste ano. Ao todo, a consultoria em RP contabilizou mais de 1,23 milhão de registros de crises na mídia ao longo de 2025, representando uma alta de 8% em comparação com o ano anterior. A</span><span style="font-weight: 400">pesar do crescimento anual, o volume total de notícias ainda ficou abaixo do recorde histórico registrado em 2023, quando o indicador mapeou quase dois milhões de ocorrências. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">De acordo com o relatório, as chamadas "crises crônicas" (</span><i><span style="font-weight: 400">smoldering crises</span></i><span style="font-weight: 400">) — problemas que se desenvolvem silenciosamente antes de explodirem publicamente — mantiveram a liderança histórica, respondendo por 65% do total de casos monitorados. As crises repentinas fecharam o ano com 35% de participação. Salienta-se que o estudo analisa notícias sob a perspectiva dos veículos de comunicação do Hemisfério Norte.</span></p>
<p> </p>
<h3><b>Ataques bilionários lideram a lista</b></h3>
<pre> </pre>
<p><span style="font-weight: 400">O avanço do cibercrime foi impulsionado por episódios de escala global que afetaram desde corretoras de ativos digitais até grandes fabricantes e companhias aéreas. O principal destaque do ano foi o ataque hacker à corretora Bybit, classificado como o maior roubo de criptomoedas da história, resultando no desvio de US$ 1,45 bilhão em Ethereum. Outros casos de impacto envolveram uma violação de dados na Coinbase e prejuízos econômicos estimados em £ 1,9 bilhão na montadora Jaguar Land Rover após um incidente digital no Reino Unido.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Logo atrás do cibercrime, a </span><b>"Má Gestão"</b><span style="font-weight: 400"> figurou como a segunda categoria de crise mais frequente, com 19,03% das menções. Especialistas do ICM apontam que o indicador reflete erros em decisões estratégicas de marcas, falhas de governança e uma adaptação lenta à Inteligência Artificial.  </span></p>
<p> </p>
<h3><b>Assédio sexual e o repique do #MeToo e a Discriminação</b></h3>
<pre> </pre>
<p><span style="font-weight: 400"><strong>Uma das maiores surpresas do relatório foi o salto nas menções à categoria de Assédio Sexual</strong>, que atingiu 15,26% do bolo de crises monitoradas. Segundo Deborah Hileman, CEO do ICM, o patamar é o mais elevado registrado pela sua Consultoria desde o auge do movimento #MeToo entre 2018 e 2019. O crescimento foi impulsionado pelo uso massivo da</span><i><span style="font-weight: 400"> hashtag</span></i><span style="font-weight: 400"> e por processos envolvendo grandes redes de serviços e varejo.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><strong>O ano também foi marcado por uma alta rotatividade no topo de grandes companhias</strong>, motivada por condutas inadequadas e reestruturações. Executivos da alta gestão de marcas globais como Nestlé e Kohl's foram desligados após investigações internas comprovarem o envolvimento dos mesmos em relacionamentos românticos não declarados no ambiente de trabalho e conflitos de interesse.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400"><strong>Já as crises relacionadas à discriminação (8,59%) diminuíram em relação a 2024</strong>, mas registraram 88 mil novas acusações de discriminação nas organizações no órgão americano EEOC. Esse número de processos resultou em 660 milhões de dólares pagos pelas organizações a título de indenização. </span></p>
<p> </p>
<h3><b>Alerta para os Gestores de Organizações</b></h3>
<pre> </pre>
<p><span style="font-weight: 400">Para a direção do ICM, o panorama de 2025 reforça que <strong><span style="color: #003366">a gestão de riscos e a comunicação de crise não podem mais ser tratadas de forma secundária pelas lideranças corporativas.</span> </strong>O documento conclui que o custo financeiro e reputacional de remediar um escândalo público sem uma estratégia prévia supera drasticamente os investimentos necessários em auditoria, planos de contingência e treinamentos simulados. </span></p>
<pre> </pre>
<p><span style="font-weight: 400">O </span><i><span style="font-weight: 400">Institute for Crisis Management - ICM</span></i><span style="font-weight: 400"> é uma das agências pioneiras de relações públicas a prestar serviços exclusivamente em gestão e comunicação de crises na América do Norte. Com quase 40 anos no mercado, desde 2001 oferece para seus clientes e sociedade um relatório anual que registra e analisa, a partir da clipagem de notícias publicadas nos jornais norte-americanos, os tipos de crise evidenciados na mídia. Com esse estudo, busca exemplificar as situações de crise nos quais seus clientes podem se envolver, caso não estabeleçam uma cultura de prevenção de crise. </span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-weight: 400">O <a href="https://crisisconsultant.com/icm-annual-crisis-report/">Relatório Anual de Crises do ICM 2025</a> pode ser acessado de forma gratuita, mediante cadastro dos dados dos interessados.</span></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-665" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/cabecalho-report-300x55.png" alt="" width="300" height="55" /></p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><span style="font-weight: 400"><strong>Fonte</strong>: ICM</span></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A Copa da Mundo não é nossa: discriminação, racismo e mercantilismo</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/07/06/a-copa-da-mundo-nao-e-nossa-discriminacao-racismo-e-mercantilismo</link>
				<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 13:21:27 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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						<description><![CDATA[Por João José Forni (Autor do livro “Gestão de Crises e Comunicação – O que Gestores e Profissionais de Comunicação precisam saber para enfrentar Crises Corporativas”)   Quatro anos passam rápido. O Brasil se preparou para aquele tradicional período em que, de norte a sul, muita gente começa a curtir o clima de Copa do Mundo e, naturalmente, [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Por <strong>João José Forni</strong> (Autor do livro <em>“Gestão de Crises e Comunicação – O que Gestores e Profissionais de Comunicação precisam saber para enfrentar Crises Corporativas”)</em></p>
<p> </p>
<p>Quatro anos passam rápido. O Brasil se preparou para aquele tradicional período em que, de norte a sul, muita gente começa a curtir o clima de Copa do Mundo e, naturalmente, da seleção brasileira de futebol, como favorita para ganhar mais um título. Aquele clima de “Pra frente Brasil”... Não é o caso agora. O grupo de jogadores convocados pelo técnico Carlo Ancelotti em sua maioria não joga no Brasil e alguns nunca jogaram. Foram direto para usufruir dos cofres cheios das equipes da Liga dos Campeões da Europa ou para outros países, com salários bem superiores aos pagos no Brasil. “Como a grande maioria deixa o país muito cedo para se formar sob a lógica europeia, o torcedor perdeu a convivência e a criação de memórias afetivas com seus craques.” Quem diz é a psicóloga e escritora Ana Paula Hornos, em artigo publicado no jornal <em>“O Estado de São Paul</em>o” de 13 de junho de 2026.</p>
<p>No imaginário popular, acabou aquele tempo romântico em que os jogadores, maioria deles jogando no Brasil, iam dar show nos gramados da Copa, não importava onde fosse, jogando pelas cores e pela alma do País. De que são exemplos, tantos os heróis do primeiro título, de 1958, como Gilmar, Garrincha, Pelé e Nilton Santos, como outros dos anos de 1962, 1970, 1994 e 2002, quando o Brasil foi Campeão do Mundo.</p>
<p>O que os torcedores deduzem, hoje, de nossa seleção, até mesmo pelo comportamento midiático ou ostentação de algumas estrelas do futebol? Os jogadores estariam menos interessados em defender uma bandeira, a honra do país, do que aparecerem na seleção, ser convocados, mais pelo que a Copa poderá render para eles no futuro. A rigor, a maioria são profissionais que atuam em clubes de ponta, no exterior, com salários milionários. Assediados pelas famigeradas BETs, marcas de cerveja e outros penduricalhos, eles também estão de olho em milionários contratos publicitários.</p>
<p>Resultado: não há aquele comprometimento e despojamento do passado, em que a seleção brasileira tinha um grupo dos notáveis que atuava no país e se deslocava até de trem, como numa famosa foto de Pelé e cia, esperando a passagem de um trem na estação de Poços de Caldas, MG, em 1958, como se todos estivessem ali numa confraria, despojados, num encontro de amigos, dispostos a jogar por uma paixão, por uma camisa, pelo país. Foto essa que se encontra no Museu do Futebol, em São Paulo.</p>
<p>A psicóloga e engenheira Ana Paula Hornos, especialista em comportamento humano, e autora da coleção didática escolar ‘Educação Financeira e Valores’, do livro ‘Crise Financeira na Floresta’, no denso artigo publicado no jornal “<em>O Estado de São Paulo</em>” - <a href="https://www.estadao.com.br/einvestidor/ana-paula-hornos/por-que-a-copa-parece-diferente-desta-vez/?srsltid=AfmBOor1hzdkhlaYyQKUSUp-cN3Zx7XNhbFuttMaIM7_bU6qgCTN97eu">“Por que a Copa parece diferente desta vez?”,</a> tenta explicar que os brasileiros hoje não conseguem dissimular uma certa frustração quando a seleção brasileira entra em campo. Salvo algumas exceções, acabou aquela empolgação, aquela mística como se o grupo que viaja para a Copa fosse defender a honra e a reputação do País. Mudaram os tempos, mudaram os interesses, as prioridades. Garotos com 18, 20 anos já são contratados por grandes clubes do exterior, sem terem passado pelas dificuldades de uma carreira no Brasil. Alguns sequer são conhecidos da torcida brasileira.</p>
<p>“O brasileiro sempre admirou o sucesso, mas historicamente se conectava ao esforço, à superação e à sensação de humanidade no ídolo. Neste novo cenário, muitos jogadores deixaram de ocupar o espaço de heróis esportivos e passaram a representar estilos de vida inalcançáveis, consumo ostentatório e publicidade de apostas”, diz a escritora.</p>
<p>Vinte quatro anos depois do último título, a equipe do Brasil se tornou meio que uma vitrine de talentos, ou melhor, de egos, fazendo a Confederação Brasileira de Futebol trocar treinadores e, por consequência, também de jogadores, a cada tropeço, a cada eliminação na Copa do Mundo ou em outros torneios, como a Copa América. Resultado: em quatro anos, com a CBF em crise, numa gestão política, errática e pouco profissional, não houve um trabalho continuado com treinadores, para formação de um verdadeiro time. Cada novo treinador impunha o próprio estilo, convocava novos atletas e, nas primeiras derrotas, seu nome já começava a ficar desgastado. Quem se segurava um ano, numa temporada, nos primeiros tropeços já ficava ameaçado; podia perder a posição, numa autêntica competição pra ver quem errava menos.</p>
<p>E o brasileiro, como reagiu a isso? “Há um visível recuo no engajamento espontâneo. As camisas amarelas estão guardadas, o comércio está mais tímido e sumiu aquela antiga sensação de que o País inteiro, de forma visceral, parava emocionalmente junto. E se até Neymar está diferente nesta nova fase, ele se torna o símbolo mais claro dessa transição”, diz a escritora Ana Paula, no citado artigo. “O craque que antes representava o sonho do herói salvador do futebol brasileiro, atualmente aparece associado menos à performance e mais ao universo das <em>bets</em>, campanhas publicitárias, <em>streams</em> e à lógica da hiperexposição permanente.”</p>
<p>“No curto prazo, isso gera atenção, engajamento e dinheiro. No longo prazo, desgasta o ativo mais valioso de qualquer figura pública: o vínculo emocional, a confiança e a identificação. A verdade é que a Copa parece diferente porque nós também estamos diferentes. A nossa realidade ficou pesada demais e o anestésico antigo do futebol já não faz efeito”, segundo a articulista.</p>
<p> </p>
<p><strong>A Copa da discriminação</strong></p>
<p>Quando a FIFA escolheu os Estados Unidos como a sede da atual Copa do Mundo, certamente não poderia saber quem seria o presidente do país em 2026. Mas, se tivesse tido um cuidado maior, descobriria com uma simples pergunta à IA, ou talvez por contatos com o governo americano, amplas informações sobre o que o atual presidente e seus comparsas pensavam sobre imigração, segurança e minorias, como lamentavelmente vem acontecendo com as delegações de países pobres ou sem expressão no futebol, incluindo a do Irã, do Haiti, Senegal, que foram literalmente discriminadas por Donald Trump e sua polícia de fronteiras. A rigor, não deveria causar surpresas para a FIFA, essa truculência, pela forma autocrática e xenofóbica da gestão Trump. Não faltaram cenas de constrangimento. A seleção do Uruguai, um dos países mais pacíficos e educados da América, teve que passar pelo constrangimento de uma revista, onde até cachorros foram utilizados pelos policiais. Cidadãos do Irã e Haiti estão proibidos de entrar nos Estados Unidos. Sem falar em outros torcedores estrangeiros que compraram ingressos, confiando no chamado “fair play” da FIFA, e acabaram impedidos de entrar nos Estados Unidos. Quem vai pagar o prejuízo?</p>
<p>O presidente da FIFA, Giani Infantino lava as mãos e diz que lamenta o que aconteceu, mas a entidade não pode intervir nas normas internas dos países-sede. Uma desculpa esfarrapada, para quem teve o desplante de criar um troféu da paz da FIFA para entregar ao presidente dos Estados Unidos, que, na época, reivindicava o Prêmio Nobel da Paz.</p>
<p>Mas, voltando à população brasileira e sua reação a uma Copa do Mundo, além do desalento de uma seleção sem alma, por trás também existe um certo ‘preconceito’ ou seria constrangimento de torcedores em utilizar as cores verde e amarela. A desconfiança, possivelmente, tem relação com o período bolsonarista que, de certa forma tentou se apropriar da bandeira e das cores brasileiras para ostentá-las em passeatas, carreatas e comícios durante os quatro anos daquele mandato. Certamente, há pessoas que são partidárias do ex-presidente e continuam usando o verde e amarelo, como símbolo.</p>
<p>A escritora Ana Paula Hornos atribui esse desinteresse patriótico pela seleção a outros fatores, além do desencanto pelos jogadores que mal conhecem: o momento histórico que vivemos, com crises que atingem, principalmente a população de baixa renda. “Diante de um cenário profundo de insegurança social, avanço da pobreza e um endividamento crônico que sufoca o orçamento doméstico, o esforço diário pela sobrevivência simplesmente esgotou a nossa capacidade de dar uma pausa para celebrar.”</p>
<p>“Durante muito tempo, o futebol funcionou como uma suspensão simbólica da realidade nacional. A Copa do Mundo fazia o País esquecer, ainda que temporariamente, do desemprego, da inflação e da desigualdade. O jogo operava como uma espécie de anestesia coletiva". Algo que aconteceu em 1970, durante o período da ditadura militar, quando o regime surfou nas vitórias daquela seleção inesquecível, com uma geração de ouro no time brasileiro, como Pelé, Tostão, Gerson, Rivelino e companhia.</p>
<p>“É justamente nessa exaustão real e financeira que fomos engolidos pela disputa agressiva por nossa atenção e por nosso bolso. A paixão pelo futebol passou a competir com um ecossistema digital desenhado para capturar cérebros cansados e transformar ansiedade em consumo instantâneo”, conclui a escritora no artigo citado. </p>
<p> </p>
<p><strong>O novo Big Brother nos gramados dos Estados Unidos</strong></p>
<p>A Copa pode se tornar um novo <em>Big Brother</em> para a Rede Globo, principalmente pela avalanche publicitária que tenta transformar o evento na redenção do País, como se aqui estivéssemos num clima do famigerado <em>Pra Frente Brasil</em>, dos anos 1970. Não é de hoje que os governos gostam de tirar proveito de vitórias na Copa. O comércio comemora com festas, shows e encontros onde o consumo de bebidas alcoólicas, principalmente, aumenta e facilita o clima de oba-oba. As empresas de comunicação comemoram, porque o faturamento publicitário também cresce.</p>
<p>No caso da Rede Globo, que tem os direitos de transmissão da Copa do Mundo, o esforço de marketing é tamanho que podemos especular que o faturamento destes 40 dias podem superar os valores do inútil programa <em>Big Brother</em> (R$ 2 bilhões). A cada passo do time do Brasil, o cofrinho fica mais cheio. Os consumidores são envolvidos pela onda que anuncia não apenas os patrocinadores da Copa do Mundo, mas uma série de outras empresas interessadas em embarcar na "caravana holiday" da Copa. Basta ver a poluição de marcas ostentadas nos painéis, atrás dos entrevistados, durante a Copa. A Rede Globo enviou perto de 120 profissionais para os Estados Unidos, México e Canadá, apostando numa possibilidade de o Brasil chegar à final. Um tanto quanto improvável, pelo futebol apresentado no primeiro jogo contra o Marrocos e pela dificuldade, até do treinador, definir qual o time titular do Brasil.</p>
<p>A avalanche comercial da mídia, principalmente, não constrangeu a Rede Globo – detentora dos direitos de transmissão - a cometer um pecado mortal: confundir jornalismo com publicidade, ignorando uma máxima que qualquer estagiário de jornalismo aprendeu na faculdade. Nunca misturar a igreja com o estado, ou seja nada de jornalismo se confundir com publicidade. Ou vice-versa. O contrato da Rede Globo com o treinador da seleção, Carlo Ancelotti, facilitou a entrevista de 28 minutos, ao “Jornal Nacional”, em 18 de maio, quando anunciou os convocados. Seguida, poucos minutos depois, por anúncio publicitário, onde o treinador aparece. A entrevista, de certo modo, perdeu credibilidade com essa ação de marketing. Tampouco ficou bem para a imagem do treinador contratado.</p>
<p>Agora, já na Copa do Mundo, houve uma outra cena, desta vez com o jornalista Alex Escobar, lá nos Estados Unidos, em que ele entra ao vivo numa reportagem sobre a Copa e no fim dessa participação o jornalista, com cara de paisagem, faz um escancarado anúncio de uma BET. Não foi um anúncio isolado, até porque o jornalista poderia, na sua vida privada, ter algum contrato publicitário. Na reportagem, ao misturar notícia com faturamento, quebrou-se o encanto, o dogma do jornalismo, vulgarizado, provavelmente, por pressão do departamento de marketing da emissora. Mas, vale perguntar: o jornalista não ficou constrangido com esse "publieditorial"?</p>
<p>Assim como acontece com a FIFA, a Copa do mundo se transformou num grande caça níquel. Onde todos os envolvidos querem ganhar alguma coisa. Até aqueles três minutos da pausa para hidratação estão sendo questionados, pelo fato de a FIFA aproveitar para inserir anúncios pela televisão. E o torcedor, iludido, ainda pensa que os times entram em campo com espírito patriótico, para defender as cores do país. Ao fim e ao cabo, tudo tem a ver com <em>Money, Money,</em> e não com futebol.</p>
<p>“Essa quebra de sintonia com o ídolo isolado reflete também uma mudança profunda no próprio esporte. O futebol moderno evoluiu: os times que vencem hoje não dependem mais do milagre de um único homem, mas sim de sistemas coletivos extremamente coordenados, de um espírito de equipe operário e de disciplina tática”, conclui a escritora Ana Paula Hornos. Melhor não se iludir. Os milhões de brasileiros que trabalham, estudam, com salário no limite, sem transporte adequado, na fila dos postos de saúde e do INSS, esses são os verdadeiros representantes do País.</p>
<p>________</p>
<p><strong>Artigos assinados expressam a opinião de seus autores</strong>.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>El Niño 2026/2027 (comunicação de risco, preparação e resposta)</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/07/03/el-nino-2026-2027-comunicacao-de-risco-preparacao-e-resposta</link>
				<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 13:32:21 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[orientação]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=661</guid>
						<description><![CDATA[Teve início em junho de 2026 o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão é de que [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Teve início em junho de 2026 o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão é de que o El Niño atue no Brasil entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com potencial de ser o mais forte da história.</p>
<p>As projeções disponíveis indicam um cenário de atenção ampliada. Ainda que existam incertezas quanto à intensidade final do fenômeno e à distribuição regional dos impactos, há possibilidade de que este episódio esteja entre os eventos mais intensos já registrados. Esse cenário exige preparação antecipada, monitoramento contínuo e comunicação pública clara, coordenada e baseada em evidências.</p>
<p>Nesse contexto, as orientações à sociedade não devem ser tratadas apenas como um alerta pontual, mas como parte de um processo permanente de preparação, resposta, atualização de informações e redução de riscos, considerando a evolução do fenômeno e seus efeitos combinados com as mudanças climáticas.</p>
<p>O cenário sugere aumento nos riscos relacionados a incêndios na Amazônia e no Pantanal, altas temperaturas nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tendência de aumento dos riscos de desastres de origem hidrológica e geológica na Região Sul, associados ao excesso de chuva, além de episódios de secas e alta probabilidade de incêndios de vegetação nas Regiões Norte e Nordeste do país. Tendo em vista este cenário, elencamos algumas orientações para preparação e resposta aos impactos do El Niño.</p>
<p>As orientações a seguir partem de uma perspectiva comunicacional e levam em conta uma visão interdisciplinar, visto que a gestão de riscos e de crises é um processo complexo que exige atuação conjunta e gestão integrada de múltiplas áreas especializadas.</p>
<p>Tais sugestões são voltadas à população, ao Poder Público e à Imprensa a fim de contribuir na preparação e resposta em casos de tempestades com granizo, incêndios florestais, rajadas de vento, deslizamentos de encostas, tornados, ciclones, inundações e enchentes.</p>
<p> </p>
<p><b>População</b></p>
<p>– <b>Cadastrar-se nos sistemas de alerta da Defesa Civil</b> (SMS: enviar o CEP para 40199 por SMS, Telegram: pesquisar o contato Defesa Civil Alertas, Whatsapp: cadastrar o nº 6120344611 e interagir com o robô informando CEP);</p>
<p>– <b>Ter em mãos um kit de emergência para 72h</b> com itens de primeira necessidade, sobrevivência ou de importância para identificação: mochila contendo RG/CPF, chaves de casa, roupa extra, agasalho, dinheiro, óculos de grau, remédios, apito, sacolas plásticas, curativos, lanterna carregada ou com pilhas, água e itens de higiene básica;</p>
<p>– <b>Informar-se pelos canais de comunicação oficiais</b> dos governos e de outros órgãos oficiais envolvidos: Defesa Civil, Bombeiros, INMET, Cemaden, empresas de distribuição de energia elétrica, água e esgoto;</p>
<p>– <b>Informar-se a partir de publicações de veículos de comunicação reconhecidos</b> pela prática jornalística (impresso, digital, radiofônico, televisivo);</p>
<p>– <b>Informar-se pelos canais oficiais de comunicação dos governos a fim de evitar cair em golpes de criminosos</b> (informação de dados pessoais, depósitos em contas bancárias, entre outros);</p>
<p>– <b>Não compartilhar informações inverídicas</b>, sem checagem e sem apuração;</p>
<p>– <b>Não compartilhar informações que não contribuam</b> para ajudar as vítimas e as equipes de resgate e assistência;</p>
<p>– <b>Compartilhar alertas oficiais para que as pessoas saiam das áreas de risco</b> a fim de diminuir o número de resgates e concentrar os esforços das equipes;</p>
<p>– <b>A população deve evitar registrar e postar imagens </b>em redes sociais digitais apenas por entretenimento ou em busca de seguidores e curtidas, principalmente se houver crianças e idosos nas fotografias e vídeos;</p>
<p>– <b>Seguir as orientações emitidas pelos órgãos oficiais</b>, a exemplo da Defesa Civil.</p>
<p> </p>
<p><b>Poder Público</b></p>
<p>– <b>Instalar sala/gabinete de situação/crise</b> a fim de coordenar os esforços de forma organizada e integrada entre governos federais, estaduais e municipais;</p>
<p>– <b>Monitorar continuamente situações de risco </b>para identificação, mapeamento e acompanhamento em tempo real;</p>
<p>– <b>Coordenar a identificação de rotas de fuga e definir locais seguros,</b> a exemplo de pontos de encontro ou abrigos temporários;</p>
<p>– <b>Organizar abrigo(s) temporário(s)</b> para receber com dignidade as pessoas atingidas (segurança, água potável, energia elétrica, alimentação, banheiro, cobertores), principalmente para crianças, mulheres, pessoas com deficiência e idosos;</p>
<p>– <b>Acionar rede de voluntários e servidores</b> previamente treinados e capacitados para situações de crises;</p>
<p>– <b>Dispor de sistema de alertas</b> eficiente e acessível, com informações claras e breves, em diversos dispositivos (TV aberta, TV por assinatura, SMS, rádios, aplicativos, redes sociais digitais);</p>
<p>– <b>Emitir alertas em tempo hábil</b> para que a população possa agir, indicando o que fazer, para onde ir e o que levar;</p>
<p>– <b>Comunicar a população antecipadamente</b> sobre rotas de fuga, pontos de encontro e abrigos temporários em caso de desastres;</p>
<p>– <b>Seguir plano de contingência</b> com as ações de resposta delineadas para casos de emergência;</p>
<p>– <b>Designar porta-vozes</b> para situações críticas, sejam eles prefeitos, secretários, assessores, governadores, Presidente da República, Ministros de Estado;</p>
<p>– <b>Atender a imprensa</b>, repassando informações e respondendo a questionamentos que contribuam para a cobertura da situação;</p>
<p>– <b>Acionar líderes comunitários, sistemas de alto-falantes, sirenes, carros de som e rádio</b> para alertar/avisar a população sobre algum risco iminente como alternativa à internet e outros meios que necessitam de energia elétrica.</p>
<p> </p>
<p><b>Imprensa</b></p>
<p>– <b>Estar atenta às notas e aos comunicados emitidos</b> pela Sala de Situação e/ou Gabinete de Crise dos governos;</p>
<p>– <b>Não compartilhar informações inverídicas</b>, sem checagem e sem apuração;</p>
<p>– <b>Compartilhar alertas oficiais</b> para que as pessoas saiam das áreas de risco a fim de diminuir o número de resgates e concentrar os esforços das equipes;</p>
<p>– <b>Auxiliar na verificação de fake news </b>disseminadas na sociedade, a fim de contribuir no combate ao processo de desinformação; </p>
<p>– <b>Relacionar e problematizar a cobertura jornalística</b> levando em conta as mudanças climáticas, suas causas e consequências;</p>
<p>– <b>Produzir conteúdo que informe e esclareça a população</b>, a fim de evitar medo, boatos e dúvidas, facilitando a ação das pessoas em caso de necessidade de evacuação de áreas de risco;</p>
<p>– <b>Abordar o desastre de forma responsável</b>, evitando sensacionalismo, relativização ou espetacularização.</p>
<p> </p>
<p>As orientações acima não contemplam ações de restabelecimento e recuperação visto que eventos climáticos decorrentes do El Niño já estão sendo registrados nos Estados brasileiros – a exemplo de chuvas em excesso, tempestades e altas temperaturas.</p>
<p> </p>
<p><b>Para mais alertas, informações e orientações, acesse:</b></p>
<p><a href="https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/defesa-civil-alerta">Defesa Civil Nacional – Defesa Civil Alerta</a></p>
<p><a href="https://defesacivil.rs.gov.br/avisos-e-alertas">Defesa Civil RS – Avisos e alertas </a></p>
<p><a href="https://metsul.com/">MetSul Meteorologia</a></p>
<p><a href="https://portal.inmet.gov.br/notasTecnicas">Instituto Nacional de Meteorologia – Notas técnicas</a></p>
<p><a href="https://earlywarningsforall.org/site/early-warnings-all">Organização Meteorológica Mundial – Avisos antecipados para todos </a></p>
<p><a href="https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/noticias-cemaden/copy2_of_SEI_MCTI13770843NotaTcnica.pdf?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQMMjU2MjgxMDQwNTU4AAGny3ePSDjAEcLrmQuErG9RGu0ZY6RpFuHW7jz2an224p5lYmdsf7GfO-srqV0_aem_3i8g45wIyRxMxHOz6TVx4g">Cemaden – Nota Técnica Nº 627/2026: El Niño 2026/2027 e impactos esperados no Brasil  </a></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>OBCC publica orientações de comunicação de risco, preparação e resposta ao El Niño</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/07/03/obcc-publica-orientacoes-de-comunicacao-de-risco-preparacao-e-resposta-ao-el-nino</link>
				<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 13:05:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=653</guid>
						<description><![CDATA[O El Niño Teve início em junho de 2026 o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><b><a href="https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/orientacoes-para-a-sociedade"><img class="alignright size-medium wp-image-655" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/Orientacoes-OBCC-El-Nino-portal-300x252.jpg" alt="" width="300" height="252" /></a>O El Niño</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Teve início em junho de 2026 o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão é de que o El Niño atue no Brasil entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com potencial de ser o mais forte da história.</span></p>
<p> </p>
<p><b>Cenário de atenção ampliada</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">As projeções disponíveis indicam um cenário de atenção ampliada. Ainda que existam incertezas quanto à intensidade final do fenômeno e à distribuição regional dos impactos, há possibilidade de que este episódio esteja entre os eventos mais intensos já registrados. Esse cenário exige preparação antecipada, monitoramento contínuo e comunicação pública clara, coordenada e baseada em evidências.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Nesse contexto, as orientações à sociedade não devem ser tratadas apenas como um alerta pontual, mas como parte de um processo permanente de preparação, resposta, atualização de informações e redução de riscos, considerando a evolução do fenômeno e seus efeitos combinados com as mudanças climáticas.</span></p>
<p> </p>
<p><b>Aumento dos riscos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">O cenário sugere aumento nos riscos relacionados a incêndios na Amazônia e no Pantanal, altas temperaturas nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tendência de aumento dos riscos de desastres de origem hidrológica e geológica na Região Sul, associados ao excesso de chuva, além de episódios de secas e alta probabilidade de incêndios de vegetação nas Regiões Norte e Nordeste do país. Tendo em vista este cenário, elencamos algumas orientações para comunicação de risco, preparação e resposta aos impactos do El Niño.</span></p>
<p> </p>
<h2><b>Orientações de comunicação de risco, preparação e resposta </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400">As orientações a seguir partem de uma perspectiva comunicacional e levam em conta uma visão interdisciplinar, visto que a gestão de riscos e de crises é um processo complexo que exige atuação conjunta e gestão integrada de múltiplas áreas especializadas.</span></p>
<p><b>Tais sugestões são voltadas à população, ao Poder Público e à Imprensa a fim de contribuir na preparação e resposta em casos de</b> <b>tempestades com granizo, incêndios florestais, rajadas de vento, deslizamentos de encostas, tornados, ciclones, inundações e enchentes</b><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p> </p>
<h2><b><img class="alignright size-medium wp-image-656" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/p-300x236.jpg" alt="" width="300" height="236" />População</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Cadastrar-se nos sistemas de alerta da Defesa Civil</b><span style="font-weight: 400"> (SMS: enviar o CEP para 40199 por SMS, Telegram: pesquisar o contato Defesa Civil Alertas, Whatsapp: cadastrar o nº 6120344611 e interagir com o robô informando CEP);</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Ter em mãos um kit de emergência para 72h</b><span style="font-weight: 400"> com itens de primeira necessidade, sobrevivência ou de importância para identificação: mochila contendo RG/CPF, chaves de casa, roupa extra, agasalho, dinheiro, óculos de grau, remédios, apito, sacolas plásticas, curativos, lanterna carregada ou com pilhas, água e itens de higiene básica;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Informar-se pelos canais de comunicação oficiais</b><span style="font-weight: 400"> dos governos e de outros órgãos oficiais envolvidos: Defesa Civil, Bombeiros, INMET, Cemaden, empresas de distribuição de energia elétrica, água e esgoto;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Informar-se a partir de publicações de veículos de comunicação reconhecidos</b><span style="font-weight: 400"> pela prática jornalística (impresso, digital, radiofônico, televisivo);</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Informar-se pelos canais oficiais de comunicação dos governos a fim de evitar cair em golpes de criminosos</b><span style="font-weight: 400"> (informação de dados pessoais, depósitos em contas bancárias, entre outros);</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Não compartilhar informações inverídicas</b><span style="font-weight: 400">, sem checagem e sem apuração;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Não compartilhar informações que não contribuam</b><span style="font-weight: 400"> para ajudar as vítimas e as equipes de resgate e assistência;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Compartilhar alertas oficiais para que as pessoas saiam das áreas de risco</b><span style="font-weight: 400"> a fim de diminuir o número de resgates e concentrar os esforços das equipes;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>A população deve evitar registrar e postar imagens </b><span style="font-weight: 400">em redes sociais digitais apenas por entretenimento ou em busca de seguidores e curtidas, principalmente se houver crianças e idosos nas fotografias e vídeos;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Seguir as orientações emitidas pelos órgãos oficiais</b><span style="font-weight: 400">, a exemplo da Defesa Civil.</span></p>
<p> </p>
<h2><b><img class="alignright size-medium wp-image-657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/pp-300x236.jpg" alt="" width="300" height="236" />Poder Público</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Instalar sala/gabinete de situação/crise</b><span style="font-weight: 400"> a fim de coordenar os esforços de forma organizada e integrada entre governos federais, estaduais e municipais;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Monitorar continuamente situações de risco </b><span style="font-weight: 400">para identificação, mapeamento e acompanhamento em tempo real;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Coordenar a identificação de rotas de fuga e definir locais seguros,</b><span style="font-weight: 400"> a exemplo de pontos de encontro ou abrigos temporários;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Organizar abrigo(s) temporário(s)</b><span style="font-weight: 400"> para receber com dignidade as pessoas atingidas (segurança, água potável, energia elétrica, alimentação, banheiro, cobertores), principalmente para crianças, mulheres, pessoas com deficiência e idosos;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Acionar rede de voluntários e servidores</b><span style="font-weight: 400"> previamente treinados e capacitados para situações de crises;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Dispor de sistema de alertas</b><span style="font-weight: 400"> eficiente e acessível, com informações claras e breves, em diversos dispositivos (TV aberta, TV por assinatura, SMS, rádios, aplicativos, redes sociais digitais);</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Emitir alertas em tempo hábil</b><span style="font-weight: 400"> para que a população possa agir, indicando o que fazer, para onde ir e o que levar;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Comunicar a população antecipadamente</b><span style="font-weight: 400"> sobre rotas de fuga, pontos de encontro e abrigos temporários em caso de desastres;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Seguir plano de contingência</b><span style="font-weight: 400"> com as ações de resposta delineadas para casos de emergência;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Designar porta-vozes</b><span style="font-weight: 400"> para situações críticas, sejam eles prefeitos, secretários, assessores, governadores, Presidente da República, Ministros de Estado;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Atender a imprensa</b><span style="font-weight: 400">, repassando informações e respondendo a questionamentos que contribuam para a cobertura da situação;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Acionar líderes comunitários, sistemas de alto-falantes, sirenes, carros de som e rádio</b><span style="font-weight: 400"> para alertar/avisar a população sobre algum risco iminente como alternativa à internet e outros meios que necessitam de energia elétrica.</span></p>
<p> </p>
<h2><b><img class="alignright size-medium wp-image-658" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/i-300x236.jpg" alt="" width="300" height="236" />Imprensa</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Estar atenta às notas e aos comunicados emitidos</b><span style="font-weight: 400"> pela Sala de Situação e/ou Gabinete de Crise dos governos;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Não compartilhar informações inverídicas</b><span style="font-weight: 400">, sem checagem e sem apuração;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Compartilhar alertas oficiais</b><span style="font-weight: 400"> para que as pessoas saiam das áreas de risco a fim de diminuir o número de resgates e concentrar os esforços das equipes;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Auxiliar na verificação de fake news </b><span style="font-weight: 400">disseminadas na sociedade, a fim de contribuir no combate ao processo de desinformação; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Relacionar e problematizar a cobertura jornalística</b><span style="font-weight: 400"> levando em conta as mudanças climáticas, suas causas e consequências;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Produzir conteúdo que informe e esclareça a população</b><span style="font-weight: 400">, a fim de evitar medo, boatos e dúvidas, facilitando a ação das pessoas em caso de necessidade de evacuação de áreas de risco;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">- </span><b>Abordar o desastre de forma responsável</b><span style="font-weight: 400">, evitando sensacionalismo, relativização ou espetacularização.</span></p>
<p> </p>
<p><span style="font-weight: 400">As orientações acima não contemplam ações de restabelecimento e recuperação visto que eventos climáticos decorrentes do El Niño já estão sendo registrados nos Estados brasileiros - a exemplo de chuvas em excesso, tempestades e altas temperaturas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Para obter orientações voltadas a todas as fases da gestão de riscos, crises e desastres, acesse as </span><a href="https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2024/07/18/eventos-climaticos-extremos-atualizacao"><span style="font-weight: 400">Orientações Eventos Climáticos Extremos</span></a><span style="font-weight: 400">, publicadas em 2024 pelo OBCC.</span></p>
<p> </p>
<h2><b>Importante: intensidade do El Niño não significa impacto proporcional em todos os territórios</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400">A intensidade do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial é um indicador relevante, mas não determina, de forma automática e proporcional, a gravidade dos impactos em cada região. Os efeitos observados dependem também da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos, como a temperatura do Atlântico, frentes frias, bloqueios atmosféricos, correntes de jato, ciclones, frentes estacionárias, Oscilação Antártica, Oscilação de Madden-Julian e outros sistemas de variabilidade climática.</span></p>
<p><b>Por isso, recomenda-se evitar mensagens alarmistas ou deterministas. A comunicação de risco deve reconhecer a gravidade do cenário, mas também explicar que os impactos concretos dependem do monitoramento contínuo e da atualização permanente das previsões de curto, médio e longo prazo.</b></p>
<p> </p>
<h2><b>Atenção por região e período crítico</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400">A preparação para o El Niño 2026/2027 deve considerar os diferentes </span><b>riscos regionais e seus possíveis períodos de maior atenção</b><span style="font-weight: 400">. A regionalização das orientações permite que governos, comunidades, imprensa, instituições, produtores rurais, empresas e organizações da sociedade civil adotem medidas proporcionais aos riscos de cada território.</span></p>
<p><b>Norte e Nordeste</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Entre julho e dezembro de 2026, com atualização conforme os boletins oficiais, recomenda-se atenção especial à possibilidade de redução de chuvas, aumento das temperaturas, secas, pressão sobre o abastecimento de água, impactos na agropecuária e maior risco de incêndios de vegetação e queimadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As ações de comunicação devem priorizar orientações sobre uso seguro da água, prevenção de incêndios, cuidados com a saúde em períodos de calor extremo, proteção de populações vulneráveis e acompanhamento dos alertas oficiais.</span></p>
<p><b>Sul</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, com atenção especial ao período de maior intensidade do fenômeno, recomenda-se monitoramento ampliado para chuvas intensas, inundações, enchentes, enxurradas, deslizamentos, vendavais, granizo, ciclones, tornados e outros eventos extremos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As ações de comunicação devem priorizar alertas antecipados, rotas de fuga, pontos de encontro, abrigos temporários, evacuação preventiva de áreas de risco, comunicação comunitária e orientações claras sobre o que fazer antes, durante e depois dos eventos.</span></p>
<p><b>Sudeste e Centro-Oeste</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">No segundo semestre de 2026 e no verão 2026/2027, recomenda-se atenção para episódios de calor extremo, tempestades severas, incêndios de vegetação, impactos urbanos, interrupções no fornecimento de energia elétrica, pressão sobre serviços de saúde e alterações no abastecimento de água.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As ações de comunicação devem priorizar cuidados com a saúde no calor, prevenção de queimadas, atenção a temporais, proteção de crianças, idosos, pessoas com deficiência, pessoas em situação de rua e demais grupos vulnerabilizados.</span></p>
<p> </p>
<h2><b>Monitoramento contínuo e comunicação baseada em evidências</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400">Além do acompanhamento do El Niño, recomenda-se que órgãos públicos, imprensa e instituições envolvidas na gestão de riscos acompanhem continuamente boletins, alertas e notas técnicas emitidos por instituições oficiais, como Defesa Civil, INMET, Cemaden, INPE, Censipam, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, órgãos estaduais de meteorologia, universidades e centros de pesquisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O monitoramento do El Niño deve considerar não apenas o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, mas também fatores complementares que podem amenizar ou agravar seus impactos em cada região. Entre eles, destacam-se a temperatura do Atlântico Tropical e do Atlântico Sul, correntes de jato, bloqueios atmosféricos, ciclones, frentes estacionárias, Oscilação Antártica e Oscilação de Madden-Julian.</span></p>
<p><b>A comunicação à sociedade deve ser atualizada conforme a evolução dos riscos</b><span style="font-weight: 400">, com atenção especial a mudanças no padrão de chuvas, ondas de calor, estiagens, incêndios de vegetação, vendavais, granizo, ciclones, inundações, enxurradas e deslizamentos.</span></p>
<p><b>Sempre que possível, os alertas devem indicar com clareza:</b></p>
<ul>
<li style="list-style-type: none">
<ul>
<li style="font-weight: 400"><b>o que </b><span style="font-weight: 400">pode acontecer;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>onde</b><span style="font-weight: 400"> pode acontecer;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>quando</b><span style="font-weight: 400"> pode acontecer;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>quem</b><span style="font-weight: 400"> está mais vulnerável;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>o que fazer</b><span style="font-weight: 400">;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><b>para onde ir;</b></li>
<li style="font-weight: 400"><b>o que levar;</b></li>
<li style="font-weight: 400"><b>quais canais oficiais</b><span style="font-weight: 400"> acompanhar.</span></li>
</ul>
</li>
</ul>
<p> </p>
<p><b>Para mais alertas, informações e orientações, acesse:</b></p>
<p><a href="https://www.gov.br/mdr/pt-br/assuntos/protecao-e-defesa-civil/defesa-civil-alerta"><span style="font-weight: 400">Defesa Civil Nacional – Defesa Civil Alerta</span></a></p>
<p><a href="https://defesacivil.rs.gov.br/avisos-e-alertas"><span style="font-weight: 400">Defesa Civil RS – Avisos e alertas </span></a></p>
<p><a href="https://portal.inmet.gov.br/notasTecnicas"><span style="font-weight: 400">Instituto Nacional de Meteorologia – Notas técnicas</span></a></p>
<p><a href="https://earlywarningsforall.org/site/early-warnings-all"><span style="font-weight: 400">Organização Meteorológica Mundial – Avisos antecipados para todos </span></a></p>
<p><a href="https://www.gov.br/cemaden/pt-br/assuntos/noticias-cemaden/copy2_of_SEI_MCTI13770843NotaTcnica.pdf?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAc3J0YwZhcHBfaWQMMjU2MjgxMDQwNTU4AAGny3ePSDjAEcLrmQuErG9RGu0ZY6RpFuHW7jz2an224p5lYmdsf7GfO-srqV0_aem_3i8g45wIyRxMxHOz6TVx4g"><span style="font-weight: 400">Cemaden - Nota Técnica Nº 627/2026: El Niño 2026/2027 e impactos esperados no Brasil  </span></a></p>
<p> </p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-659" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/banner-instituicoes-envolvidas.jpg" alt="" width="1920" height="346" /></p>
<p> </p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>IBGE apresenta pesquisa inédita que retrata o impacto do desastre climático de 2024 no RS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/07/01/ibge-apresenta-pesquisa-inedita-que-retrata-o-impacto-do-desastre-climatico-de-2024-no-rs</link>
				<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 17:46:46 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=650</guid>
						<description><![CDATA[Nesta quarta, 1º, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados de levantamento estatístico que mensurou pela primeira vez os impactos e ações no âmbito de desastres junto ao público atingido.   Ao realizar a Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul &#8211; PEERS, o Instituto apresenta dados [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_652" align="alignright" width="391"]<a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102289.pdf"><img class="size-full wp-image-652" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/IBGE.jpg" alt="" width="391" height="535" /></a> Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul - PEERS[/caption]
<p>Nesta quarta, 1º, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados de levantamento estatístico que mensurou pela primeira vez os impactos e ações no âmbito de desastres junto ao público atingido.</p>
<p> </p>
<p>Ao realizar a <strong>Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul - PEERS</strong>, o Instituto apresenta dados com potencial de subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas às mudanças climáticas, que sejam efetivas na prevenção e no enfrentamento de fenômenos dessa natureza, na mitigação de seus efeitos e na recuperação de danos.</p>
<p> </p>
<p>Além de investigar as características socioeconômicas dos moradores atingidos, a pesquisa avançou na compreensão dos danos sofridos e dos graus de gravidade vivenciados, possibilitando também conhecer o tipo de suporte demandado e recebido e a opinião sobre as medidas de prevenção e recuperação.</p>
<p> </p>
<p>Os comentários analíticos são apresentados em duas partes: a primeira contém as análises referentes à área total abrangida pela pesquisa e a segunda explora resultados das Regiões Intermediárias. Para os dois recortes geográficos, características principais de moradores, danos dos domicílios e do entorno e diferentes dificuldades enfrentadas pela população durante as chuvas foram destacadas.</p>
<p> </p>
<blockquote>
<h3><span style="color: #003366">"Mais do que um fenômeno climático isolado, a catástrofe revelou a necessidade urgente de ações rápidas, não só de suporte à população atingida, mas também de recuperação e prevenção".</span></h3>
</blockquote>
<p> </p>
<p>No que diz respeito ao período da coleta, foram investigadas a avaliação da qualidade de vida sob diversos aspectos comparada com um mês antes das enchentes, bem como a opinião sobre a satisfação em relação aos trabalhos de recuperação realizados nas áreas atingidas pelas enchentes e o conhecimento sobre medidas de prevenção adotadas. No que se refere a isso, conforme mostra o Gráfico 16, registrou-se apenas 38,5% das pessoas para a área completa pesquisada.</p>
<p> </p>
[caption id="attachment_651" align="aligncenter" width="589"]<img class="size-full wp-image-651" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/07/Grafico-16-Proporcao-de-moradores-que-conheciam-medidas-preventivas-adotadas-para-amenizar-os-impactos-de-futuras-enchentes.png" alt="" width="589" height="461" /> <strong>Gráfico 16 - Proporção de moradores que conheciam medidas preventivas adotadas para amenizar os impactos de futuras enchentes</strong>[/caption]
<p> </p>
<p>Através da realização da PEERS, foi desenvolvida uma metodologia de pesquisa para medir impactos em decorrência de desastres climáticos, que poderá ser usada em situações que possam vir a ocorrer em qualquer lugar do país. Ainda, segundo a gerente substituta de Estudos e Pesquisas Sociais do IBGE, Juliana Paiva, o estudo “Possibilita respostas rápidas à população frente aos danos decorrentes de desastres naturais e ao enfrentamento de fenômenos dessa natureza. Propicia informação que amplia a conscientização de diferentes atores sociais sobre as graves implicações da inação diante de riscos climáticos. Possui potencial para oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas que sejam efetivas na mitigação e recuperação de danos sofridos, bem como na minimização dos impactos de futuros eventos”.</p>
<p> </p>
<p><strong>Acesse a pesquisa na íntegra</strong>: <a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102289.pdf">https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102289.pdf</a></p>
<p> </p>
<p>_______</p>
<p>Com informações do <a href="https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/47396-divulgacao-peers">IBGE</a>.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Início do El Niño intensifica debates e coloca a comunicação de riscos e desastres no centro das estratégias de gestão</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/06/30/inicio-do-el-nino-intensifica-debates-e-coloca-a-comunicacao-de-riscos-e-desastres-no-centro-das-estrategias-de-gestao</link>
				<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 21:27:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?p=647</guid>
						<description><![CDATA[Em junho de 2026, teve início o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão é de que [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_648" align="alignright" width="221"]<img class="size-full wp-image-648" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/06/NASA-Earth-ObservatoryLauren-Dauphin.jpg" alt="" width="221" height="200" /> NASA Earth Observatory / Lauren Dauphin[/caption]
<p>Em junho de 2026, teve início o El Niño, fenômeno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa equatorial. Na interação com as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atuação em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previsão é de que o El Niño atue no Brasil entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com potencial de ser o mais forte da história.</p>
<p>Isso sugere aumento nos riscos relacionados a incêndios na Amazônia e no Pantanal, altas temperaturas nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tendência de aumento relativo dos riscos de desastres de origem hidrológica e geológica na Região Sul, associados ao excesso de chuva, além de episódios de secas e alto risco de incêndios de vegetação nas Regiões Norte e Nordeste do país.</p>
<p> </p>
<blockquote>
<h3><span style="color: #003366"><strong>O</strong><em><strong> El Niño precisa ser tratado como um alerta climático urgente</strong></em></span></h3>
</blockquote>
<p><strong> </strong></p>
<p>Segundo o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, o El Niño precisa ser tratado como um “alerta climático urgente”. Na mesma direção, a secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, sinaliza que “Previsões sazonais antecipadas e alertas precoces são vitais para salvar vidas e atenuar os impactos em nossas economias e comunidades”. Diante desse cenário, são urgentes estratégias de preparação e resposta a eventos climáticos extremos que deverão ser empreendidas por países, estados e municípios a fim de proteger a população e evitar prejuízos.</p>
<p> </p>
<h3><strong>Comunicação de risco em pauta</strong></h3>
<p> </p>
<p>No Brasil, muitos movimentos para capacitação, qualificação e gestão integrada de riscos de desastres já estão sendo efetivados, principalmente pela rede da Defesa Civil nacional presente nos estados e municípios, além de universidades e outros órgãos públicos ligados aos governos federais e estaduais.</p>
<p>Dentre eles, eventos como seminários e congressos são espaços para o debate sobre temas relacionados à área, a saber: prevenção, vulnerabilidade, monitoramento, educação para redução de riscos e desastres, assim como comunicação de riscos. Tais ocasiões são importantes para reunir gestores públicos, pesquisadores, profissionais da proteção e defesa civil, organismos internacionais e comunidades para pensar, conjuntamente, os desafios.</p>
<p> </p>
[caption id="attachment_649" align="aligncenter" width="800"]<img class="size-full wp-image-649" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/06/Foto-Anselmo-Cunha.jpg" alt="" width="800" height="450" /> Painel: "Comunicação de Risco" durante o 1º Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil. (Foto: Anselmo Cunha)[/caption]
<p> </p>
<p>Em tempos em que a desinformação se prolifera nas redes sociais digitais provocando alarmismo, insegurança e medo, é imprescindível que a discussão sobre gestão de riscos e desastres considere o papel estratégico da comunicação em todas as fases do desastre. Afinal, a comunicação precisa ser clara, acessível e baseada na confiança, orientada para o enfrentamento do negacionismo climático e do El Niño. Para isso, a pauta que se impõe deve ser considerada contínua e permanentemente, não apenas como uma agenda sazonal. A comunicação de risco precisa ser reconhecida como parte estruturante das políticas públicas de proteção e defesa civil, e não acionada somente às vésperas ou quando um acontecimento já ocorreu.</p>
<p> </p>
<blockquote>
<h3><em><span style="color: #003366"><strong>Comunicação de risco é infraestrutura de proteção coletiva</strong></span></em><strong><br /><br /></strong></h3>
</blockquote>
<p>Para Rosângela Florczak, professora e pesquisadora da PUCRS, que participou do painel Comunicação de Risco, no 1º Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil, “Os primeiros sinais de um El Niño potencialmente forte exigem preparação imediata. Na prática, isso significa tratar a comunicação de risco como infraestrutura de proteção. Não basta emitir alertas: é preciso garantir que eles sejam compreendidos, confiáveis e acionáveis. O roteiro é complexo, mas viável. Precisamos: (1) mapear vulnerabilidades comunicacionais nos territórios; (2) Identificar quem não recebe, não entende ou não consegue responder aos avisos; (3) Formar lideranças e mediadores locais antes da crise; (4) Cocriar protocolos simples com as comunidades; (5) Produzir mensagens acessíveis para diferentes públicos e situações;  (6) Monitorar dúvidas, boatos e desinformação em tempo real. Em eventos extremos, comunicar bem é parte da capacidade pública de salvar vidas.”</p>
<p> </p>
<h3><span style="color: #003366"><strong>Não basta emitir alertas!</strong></span></h3>
<p><br />Em contextos de eventos extremos e desastres não basta emitir alertas. É preciso construir confiança antes da crise, traduzir informações técnicas em linguagem acessível, reconhecer vulnerabilidades dos territórios, fortalecer redes locais e criar condições reais para que as pessoas possam agir e se proteger. Alertas são indispensáveis. Mas, sozinhos, não bastam. Entre a informação emitida e a ação possível, existe um caminho que passa pela escuta, pela mediação, pela presença institucional, pelo enfrentamento da desinformação e pela construção cotidiana de vínculos de confiança.<br /><br /></p>
<p> <a href="https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/eventos-e-cursos">Relembre alguns eventos da área realizados nos últimos meses.</a></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Clientes da Enel ficam quase uma semana sem energia elétrica em São Paulo</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/clientes-da-enel-ficam-quase-uma-semana-sem-energia-eletrica-em-sao-paulo</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 19:21:59 +0000</pubDate>
				
				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?page_id=646</guid>
						<description><![CDATA[Moradores de São Paulo ficaram em torno de 6 dias sem energia elétrica depois de um temporal, que começou no dia 11 de outubro de 2024. A Enel, empresa responsável pela distribuição de energia, comunicou, somente no dia 17 de outubro, que o serviço havia sido restabelecido em quase todas as residências. Segundo a Enel, [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Moradores de São Paulo ficaram em torno de 6 dias sem energia elétrica depois de um temporal, que começou no dia 11 de outubro de 2024. A Enel, empresa responsável pela distribuição de energia, comunicou, somente no dia 17 de outubro, que o serviço havia sido restabelecido em quase todas as residências. Segundo a Enel, 3,1 milhões de clientes foram impactados na primeira noite do ocorrido. No dia 8 de novembro, a Advocacia-Geral da União (AGU) abriu uma ação judicial contra a Enel, solicitando o pagamento de R$ 260 milhões pelas falhas na distribuição de energia, além de indenizações a consumidores afetados. De acordo com a AGU, o apagão poderia ter sido impedido. A empresa foi multada em R$ 13,3 milhões pelo Procon-SP e intimada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Temporal iniciou em 11 de outubro de 2024, fazendo com que moradores de São Paulo ficassem em torno de 6 dias sem luz. Segundo a Enel, empresa responsável pela distribuição de energia, 3,1 milhões de clientes foram impactados na primeira noite do ocorrido.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>No dia 21 de outubro de 2024, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) intimou a Enel diante da reincidência no atendimento insatisfatório aos clientes em cenários de emergência e do descumprimento do plano de contingência assumido pela empresa.</p>
<p>A empresa foi multada em R$ 13,3 milhões pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon-SP), devido à má prestação de serviço.</p>
<p>No dia 8 de novembro de 2024, a Advocacia-Geral da União (AGU) abriu uma ação judicial contra a Enel, solicitando o pagamento de R$ 260 milhões pelas falhas na distribuição de energia do dia 11 a 17 de outubro. Na ação, a AGU também incluiu o pagamento de indenizações individuais de R$ 500 por dia aos imóveis que ficaram sem energia por mais de 24 horas.</p>
<p>Ainda em 8 de novembro de 2024, foi comunicado o protocolamento de uma ação civil pública contra a Enel, articulada pela Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, juntamente com o Procon-SP e a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). A ação busca proteger os direitos dos clientes atendidos pela Enel e dos cidadãos paulistas.</p>
<p> </p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>Entre os dias 11 e 17 de outubro de 2024, a Enel publicou diversos alertas. Os primeiros comunicaram a ocorrência de fortes ventos e chuvas em parte da área de atuação da empresa, ocasionando danos à sua rede, e informaram que o plano de emergência havia sido acionado e que as equipes em campo haviam sido reforçadas. Já os próximos informes se voltaram ao esclarecimento e à atualização de fatores como os números de clientes afetados e com a energia restaurada, a quantidade de profissionais trabalhando no restabelecimento dos serviços e as áreas afetadas. A maioria dos alertas também contava com a informação dos canais digitais para abertura de chamados pelos clientes (SMS, site, aplicativo e WhatsApp). O último informe, publicado no dia 17 de outubro, às 9h, comunicou que as ocorrências de ausência de energia relatadas por consumidores entre 11 e 12 outubro haviam sido atendidas, e que as equipes continuavam trabalhando em atendimentos específicos recebidos nos dias seguintes.</p>
<p>Em nota publicada pelo portal de notícias g1, a Enel reiterou que vinha efetuando fortes investimentos a fim de aperfeiçoar os serviços prestados e reforçou o comprometimento com os seus consumidores. A empresa afirmou que teve de reconstruir trechos inteiros da rede elétrica e que restaurou progressivamente a energia para os afetados em menos de 6 dias. Na ocasião, a Enel disse que aumentou seus investimentos de 2024 a 2026, para em torno de R$ 2 bilhões por ano, totalizando R$ 6,2 bilhões. Segundo a companhia, o plano em curso enfoca a modernização e o fortalecimento das redes, o aumento da capacidade dos canais de comunicação com os consumidores e a automação dos sistemas. A empresa ainda informou que havia reforçado o plano de atuação nas contingências com a mobilização antecipada de equipes e uma ampliação significativa do quadro de eletricistas próprios em desenvolvimento.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>Diante do ocorrido, a Enel recebeu diversas críticas, principalmente por parte de seus consumidores, e também por autoridades, como o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.</p>
<p>De acordo com cálculos realizados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), entre os dias 11 e 15 de outubro, as perdas de faturamento bruto dos setores paulistanos de varejo e serviços somaram ao menos R$ 1,82 bilhão. De acordo com a federação, os impactos da ausência de energia devem ser superiores, visto que os custos fixos que permaneceram mesmo sem as receitas ou os prejuízos ocasionados pelas perdas de estoques, por exemplo, não foram incluídos no cálculo.</p>
<p> </p>
<p><strong>Aprendizados</strong></p>
<p>Considerar os riscos advindos dos eventos climáticos nas operações e serviços fornecidos pela organização, realizando ações preventivas e possuindo planos de contingência e gerenciamento de crises voltados a esses cenários.</p>
<p>Ter capacidade de atendimento e de prestação de serviços adequada à demanda da empresa, que seja capaz de fornecer assistência efetiva aos consumidores e de operar satisfatoriamente em situações de emergência.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Denúncias de assédio sexual derrubam Ministro dos Direitos Humanos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/denuncias-de-assedio-sexual-derrubam-ministro-dos-direitos-humanos</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 19:20:26 +0000</pubDate>
				
				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?page_id=645</guid>
						<description><![CDATA[No dia 5 de setembro de 2024, vieram à tona denúncias de assédio sexual contra o então Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, as quais foram reportadas por mulheres à ONG Me Too Brasil. Almeida negou as acusações, declarando que eram mentiras sem provas e que iria solicitar à Justiça a responsabilização [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>No dia 5 de setembro de 2024, vieram à tona denúncias de assédio sexual contra o então Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, as quais foram reportadas por mulheres à ONG Me Too Brasil. Almeida negou as acusações, declarando que eram mentiras sem provas e que iria solicitar à Justiça a responsabilização das pessoas que efetuaram os relatos. Uma das vítimas seria Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial. Quatro ex-alunas de Almeida, uma advogada e Franco relataram seus casos publicamente. No dia 6 de setembro, o presidente Lula demitiu Almeida dizendo que, diante das denúncias, a condição dele como ministro era insustentável. A Comissão de Ética Pública, a Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho abriram investigação sobre o caso.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Denúncias de assédio sexual contra o Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania à época, Silvio Almeida, reportadas à ONG Me Too Brasil. Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial, quatro ex-alunas de Almeida e uma advogada relataram publicamente terem sofrido assédio sexual.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>A Comissão de Ética Pública, a Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho começaram a investigar o caso.</p>
<p>Em 6 de setembro de 2024, Almeida encaminhou à Justiça um pedido de interpelação judicial contra a ONG Me Too Brasil, solicitando que a organização detalhasse as acusações e dissesse qual o encaminhamento dado às informações.</p>
<p>Almeida encaminhou ofícios à Controladoria-Geral da União, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria-Geral da República, para apurar o ocorrido.</p>
<p>Em 10 de março de 2025, foi protocolada uma queixa-crime por difamação contra Silvio Almeida, que partiu da ONG Me Too Brasil e da diretora da organização, Marina Ganzarolli, apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a defesa da organização, Almeida ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao acusar, sem evidências, a ONG de buscar interferir na licitação do Disque Direitos Humanos — Disque 100, e apontar uma suspeita de superfaturamento. Isso foi anunciado pela primeira vez em uma nota oficial divulgada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, enquanto Almeida ainda comandava a pasta.</p>
<p> </p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>No dia do ocorrido, Silvio Almeida se pronunciou em vídeo, manifestando seu repúdio, com veemência, às mentiras que estavam sendo imputadas contra ele. Na ocasião, Almeida disse que estava encaminhando ofícios à Controladoria-Geral da União, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria-Geral da República, para que houvesse uma apuração séria e cuidadosa do ocorrido. De acordo com ele, era clara a existência de uma campanha para afetar a sua imagem enquanto homem negro, defensor dos direitos humanos e com posição de destaque no Poder Público.</p>
<p>No dia seguinte, Almeida publicou nova nota, afirmando que havia solicitado que o Presidente Lula o demitisse, para dar liberdade e isenção às investigações. De acordo com Almeida, aquela era uma oportunidade para que ele pudesse se reconstruir e atestar sua inocência, e devido à sua luta e aos compromissos que transpassam sua trajetória, ele iria incentivar a execução de apurações criteriosas. Para Almeida, ele mesmo era o maior interessado em atestar sua inocência.</p>
<p>Logo após o ocorrido, algumas notas haviam sido publicadas no site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, e foram apagadas mais tarde. As postagens apresentavam a defesa de Almeida e o envio de solicitações de investigação das acusações, e comunicavam que a ONG Me Too possuía um histórico relacional controverso diante das atribuições da pasta, e que a organização tinha tentado interferir em uma licitação do Disque 100. A gestão interina do Ministério optou por apagar as notas, afirmando que não é cabível o uso da estrutura de comunicação da pasta para defesa pessoal, e que as hipóteses apresentadas devem ser investigadas pelas instâncias responsáveis, antes de alguma comunicação oficial do Ministério.</p>
<p>Em 24 de fevereiro de 2025, foi publicada uma entrevista que o UOL realizou com Almeida. Na ocasião, ele disse que Anielle Franco, ao denunciá-lo por assédio sexual, "se perdeu no personagem". A acusação da ministra foi classificada por Almeida como um “espalhamento de fofocas e intrigas”. Na entrevista, Almeida negou as acusações. Após o ocorrido, Franco se pronunciou, afirmando que a manifestação dele era "desprezível" e "inaceitável”.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>Em 6 de setembro de 2024, o presidente Lula demitiu Almeida do cargo de Ministro dos Direitos Humanos, dizendo que, diante das denúncias, a condição dele como ministro era insustentável.</p>
<p>Diversas críticas dirigidas a Silvio Almeida, que impactaram na sua imagem e reputação.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Aprendizados e legados</strong></p>
<p>Em 1 de outubro de 2024, o Governo Lula publicou o Plano Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação na Administração Pública, no Diário Oficial da União. O plano abrange, por exemplo, a escuta ativa, a instrução e o acompanhamento das vítimas, além da garantia do sigilo dos dados pessoais dos denunciantes e a proteção contra possíveis retaliações. A iniciativa é válida para servidores e empregados públicos, e também integra ações para terceirizados.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>CEO da G4 Educação renuncia após declaração machista</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/ceo-da-g4-educacao-renuncia-apos-declaracao-machista</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 19:19:16 +0000</pubDate>
				
				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?page_id=644</guid>
						<description><![CDATA[No dia 18 de setembro de 2024, o então CEO e presidente do Conselho do G4 Educação, Tallis Gomes, publicou uma fala machista em seu perfil na rede social Instagram, dizendo “Deus me livre de mulher CEO”, e que as mulheres CEOs não realizam o “melhor uso da energia feminina”. Após repercussões negativas, Gomes se [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>No dia 18 de setembro de 2024, o então CEO e presidente do Conselho do G4 Educação, Tallis Gomes, publicou uma fala machista em seu perfil na rede social Instagram, dizendo “Deus me livre de mulher CEO”, e que as mulheres CEOs não realizam o “melhor uso da energia feminina”. Após repercussões negativas, Gomes se retratou no dia seguinte, afirmando que não pretendia questionar a capacidade de uma mulher como CEO, e que utilizou o tom e os termos errados para relatar quem ele desejaria como mulher. No dia 21 de setembro, o G4 Educação comunicou que Gomes havia renunciado aos seus cargos na empresa, e que a nova CEO seria uma mulher, a sócia e diretora financeira da companhia, Maria Isabel Antonini. Gomes também foi expulso do conselho consultivo da marca de moda feminina Hope.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Fala machista publicada em 18 de setembro de 2024 por Tallis Gomes no seu Instagram, então CEO e presidente do Conselho do G4 Educação. Na ocasião, o homem disse “Deus me livre de mulher CEO”, afirmando que esse não é o “melhor uso da energia feminina”, que, segundo ele, tem de ser utilizada nos lugares corretos, família e lar. Além disso, Gomes escreveu que “o mundo começou a desabar” exatamente no momento em que o movimento feminista começou a impor à mulher que ela desempenhe a função de homem.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>Depois do ocorrido, Gomes renunciou aos seus cargos de CEO e de presidente do Conselho no G4 Educação, e a sócia e então diretora financeira da companhia, Maria Isabel Antonini, foi nomeada para assumir a posição de CEO da empresa.</p>
<p>A marca de moda feminina Hope expulsou Gomes do seu conselho consultivo. Antes dessa decisão, a herdeira e sócia-diretora da organização, Sandra Chayo, havia defendido o homem em suas redes sociais, provocando uma repercussão negativa.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>No dia seguinte ao ocorrido, Gomes postou um story no Instagram, no qual afirmou que não pretendia questionar a capacidade de uma mulher como CEO, e que utilizou o tom e os termos errados para relatar, única e exclusivamente, quem ele desejaria como mulher. Na oportunidade, o homem reconheceu seu erro, pediu desculpas pelo ocorrido e disse que suas palavras não refletem o que o G4 é como empresa.</p>
<p>Após o ocorrido, o G4 Educação publicou uma nota, na qual afirmou não compactuar com as palavras de Gomes, e que elas não refletem a trajetória e o pensamento da empresa. Ainda, a organização declarou se orgulhar por ter colaborado na formação de centenas de executivas de êxito, comunicando que seguiria comprometida com essa causa.</p>
<p>Em 21 de setembro de 2024, Gomes postou um comunicado, informando que havia tomado a decisão de se afastar de seus cargos de CEO e de presidente do Conselho do G4. Na ocasião, ele também disse que se manifestou de maneira inaceitável acerca do papel das mulheres, e que aquilo era injustificável.</p>
<p>Ainda no dia 21 de setembro de 2024, o G4 Educação também publicou um comunicado, anunciando a renúncia de Gomes dos seus cargos de CEO e de presidente do Conselho da empresa, e a nomeação de Maria Isabel Antonini, sócia e então CFO do G4 Educação, como a nova CEO. A empresa encerrou o comunicado reafirmando seu comprometimento com a educação executiva de impacto, destacando o protagonismo da liderança feminina nesse aspecto.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>Gomes acabou renunciando e sendo afastado de cargos que ocupava, e o caso teve uma grande repercussão negativa. O homem recebeu diversas críticas, inclusive de empresárias e executivas como Luiza Helena Trajano, do Magalu, Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, Carol Paiffer, da Atom, e Nathália Rodrigues, influenciadora do canal Nath Finanças.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Aprendizados</strong></p>
<p>Importância de entender que atitudes, posicionamentos e condutas individuais de colaboradores/dirigentes podem impactar a organização a qual eles estão vinculados.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Queda do Voo 2283 da Voepass faz 62 vítimas fatais e companhia encerra operações</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/queda-do-voo-2283-da-voepass-faz-62-vitimas-fatais-e-companhia-encerra-operacoes</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 19:17:22 +0000</pubDate>
				
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						<description><![CDATA[No dia 9 de agosto de 2024, uma aeronave ATR-72 da companhia aérea Voepass, com 62 pessoas a bordo, caiu e não deixou sobreviventes. O avião saiu com 58 passageiros e 4 tripulantes, às 11:58, do município de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, São Paulo, mas caiu em uma área residencial na cidade [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>No dia 9 de agosto de 2024, uma aeronave ATR-72 da companhia aérea Voepass, com 62 pessoas a bordo, caiu e não deixou sobreviventes. O avião saiu com 58 passageiros e 4 tripulantes, às 11:58, do município de Cascavel, no Paraná, com destino a Guarulhos, São Paulo, mas caiu em uma área residencial na cidade paulista de Vinhedo. De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), até às 13:20, o voo acontecia normalmente, mas após às 13:21, o avião não retornou às chamadas da torre de São Paulo, e não informou estar sob circunstâncias meteorológicas adversas ou sob uma emergência. Segundo a Voepass, a aeronave não possuía restrições e estava apta para voar. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e a Polícia Federal estão investigando o acidente.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Ainda estão sendo apuradas. De acordo com especialistas, a queda da aeronave em espiral indica a ocorrência de um estol. Uma das hipóteses é o acúmulo de gelo.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Questões que podem estar relacionadas às causas do acidente</strong></p>
<p>Segundo uma análise de satélite, a aeronave voou por cerca de 8 a 10 minutos em uma formação de gelo severo, capaz de fazer com que o avião perca sua sustentação e gire.</p>
<p>O programa Fantástico expôs que, desde março do mesmo ano, a aeronave vinha sofrendo problemas operacionais, e que houve paradas de manutenção para solucionar questões de falha em seu sistema hidráulico, contato anormal com a pista e problemas no ar-condicionado. De acordo com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), os registros de manutenção da aeronave estavam atualizados.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>O Cenipa e a Polícia Federal começaram a investigar o acidente.</p>
<p>A Câmara dos Deputados instituiu uma comissão externa, a fim de acompanhar as investigações do ocorrido.</p>
<p>Após o acidente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) instaurou uma operação para inspecionar as instalações da Voepass.</p>
<p>Em 6 de setembro de 2024, o Cenipa divulgou um relatório preliminar do acidente. Uma das principais linhas de investigação é como a formação de gelo impactou as atitudes da tripulação e o desempenho do avião. Além disso, outras linhas verificam fatores operacionais e humanos. De acordo com o órgão, no começo do voo, os pilotos perceberam um problema no sistema antigelo e mencionaram “bastante gelo” antes da queda. Os dados levantados indicam que o sistema antigelo da aeronave foi ligado e desligado diversas vezes no voo, segundo o Cenipa.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>No dia do acidente, a Voepass publicou nota comunicando o ocorrido, e lamentando informar a morte das pessoas a bordo. A empresa ainda declarou que o avião decolou sem restrições de voo e com todos os seus sistemas adequados para a execução da operação. Segundo a Voepass, naquele momento, ela estava colaborando com as autoridades para descobrir as causas do ocorrido, e sua prioridade era fornecer assistência irrestrita aos familiares das vítimas.</p>
<p>No dia seguinte, a Voepass divulgou uma nota dizendo que sua equipe, médicos e psicólogos estavam em contato com as famílias das vítimas e recebendo-as em um setor de acolhimento. A empresa declarou que estava desempenhando todos os esforços operacionais e logísticos para que as famílias tivessem apoio em demandas de hospedagem, transporte e alimentação, além de suporte emocional.</p>
<p>No dia 13 de agosto de 2024, o Presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, se manifestou, expressando sua solidariedade com o ocorrido e expondo as medidas de assistência que a Voepass estava tomando. De acordo com ele, a prioridade da empresa sempre foi e continuará sendo a vida dos passageiros e tripulantes.</p>
<p>Em 15 de agosto de 2024, a empresa publicou nova nota, afirmando que cumpre todos os protocolos, que comprovam a conformidade dos seus equipamentos e procedimentos, quanto aos padrões mais elevados da aviação internacional, e que suas aeronaves não decolam sem estarem em conformidade com a regulamentação. A empresa declarou que as investigações oficiais seriam as únicas a revelarem as causas do ocorrido, e que as especulações acerca de reparos técnicos passados apenas serviriam para intensificar a dor das famílias das vítimas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>Morte de 62 pessoas (58 passageiros e 4 tripulantes). Em 13 de agosto de 2024, a Polícia-Técnico Científica de São Paulo informou que as vítimas do acidente morreram de politraumatismo, após a queda de 4 mil metros de altura, e que queimaduras nos corpos foram secundárias ao politraumatismo.</p>
<p>A partir de 11 de março de 2025, as operações aéreas da Voepass foram suspensas provisoriamente pela Anac, diante da falta de segurança em suas operações, pois a empresa não foi capaz de solucionar as irregularidades identificadas na fiscalização executada pelo órgão, e não cumpriu exigências como o acréscimo de tempo de aviões em solo para manutenção e a diminuição da malha aérea.</p>
<p>A imagem e a reputação da empresa foram prejudicadas, e diversos relatos de clientes que já haviam tido problemas em voos anteriores da Voepass, inclusive relacionados à estrutura das aeronaves, surgiram nas redes sociais.</p>
<p>Em 2025, a Voepass teve suas operações suspensas e, posteriormente, seu Registro de Operador Aéreo foi cassado pela Anac, impedindo a empresa de operar voos comerciais no Brasil.</p>
<p>No mesmo ano, a companhia aérea encerrou suas atividades.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Aprendizados</strong></p>
<p>Respeitar as necessidades de manutenção das aeronaves, tanto preventivas quanto corretivas.</p>
<p>Treinamento e orientação efetiva das equipes de manutenção, pilotos e tripulação.</p>
<p>Agilidade e respeito no atendimento a familiares.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Erros em exames de HIV feitos pelo PCS Lab Saleme resultam em contaminação de transplantados</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/erros-em-exames-de-hiv-feitos-pelo-pcs-lab-saleme-resultam-em-contaminacao-de-transplantados</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 19:16:16 +0000</pubDate>
				
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						<description><![CDATA[No dia 11 de outubro de 2024, foi divulgada a informação de que seis pessoas testaram positivo para HIV após receberem órgãos infectados de dois doadores, na Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). De acordo com o Governo do Estado, o erro está em exames realizados pelo laboratório PCS Labs Saleme, que [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>No dia 11 de outubro de 2024, foi divulgada a informação de que seis pessoas testaram positivo para HIV após receberem órgãos infectados de dois doadores, na Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). De acordo com o Governo do Estado, o erro está em exames realizados pelo laboratório PCS Labs Saleme, que resultaram em não reagentes para HIV. O caso foi percebido após um transplantado, que não possuía o vírus, positivar para HIV após receber o coração de um doador. Depois, outro paciente também positivou, e foi percebida a existência de outra doadora. Com isso, as autoridades chegaram aos exames com falso negativo. A Secretaria de Saúde, Polícia Civil, o Conselho Regional de Medicina (Cremerj), Ministério da Saúde e Ministério Público do RJ instauraram ações para investigar o caso.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Erro em exames do laboratório PCS Lab Saleme, que resultaram em não reagentes para HIV em dois doadores de órgãos. As autoridades chegaram aos exames com falso negativo após um transplantado, que não possuía o vírus, positivar para HIV após receber o coração de um doador.</p>
<p>De acordo com o delegado Felipe Curi, secretário estadual da Polícia Civil do RJ, o laboratório teria abrandado o controle dos testes em órgãos destinados a transplantes, a fim de obter lucro. Conforme as investigações, existiu uma ordem para fazer com que o controle de qualidade dos reagentes utilizados nas análises se tornasse menos frequente.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>Em 22 de outubro de 2024, seis pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), e se tornaram réus: Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira e Walter Vieira, sócios do laboratório, Adriana Vargas dos Anjos, coordenadora, Jacqueline Iris Barcellar de Assis, funcionária, Ivanilson Fernandes dos Santos, funcionário e Cleber de Oliveira dos Santos, funcionário. Todos os seis denunciados chegaram a ser presos.</p>
<p>Em 24 de fevereiro de 2025, a Justiça iniciou o julgamento do caso, no qual os 6 réus respondem por lesão corporal, associação criminosa e falsidade ideológica.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>Em nota, o PCS Lab afirmou que havia instaurado uma sindicância interna para averiguar as responsabilidades do ocorrido, e que esse era um episódio sem precedentes na trajetória da organização. Segundo a empresa, o laboratório comunicou à Central Estadual de Transplantes os resultados dos exames de HIV em amostras de sangue de doadores de órgãos feitos durante o tempo em que cumpriu serviços à Fundação de Saúde do Governo do Estado. O PCS Lab afirmou que, nessas operações, os kits de diagnóstico aconselhados pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foram usados. A organização ainda disse que iria fornecer suporte médico e psicológico aos pacientes e familiares envolvidos, e se colocou à disposição das autoridades que estavam apurando o ocorrido.</p>
<p>Em outra nota, fixada no site da organização, o PCS Lab Saleme se desculpou pelo ocorrido e afirmou que considera inaceitáveis os erros. A empresa disse que são os maiores interessados na elucidação do ocorrido, que colaboram com as investigações e que esperam a conclusão dessas, estando comprometidos em responder a sociedade. O PCS Lab ainda afirmou que iria procurar a mediação com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Ministério Público, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil, a fim de compensar os danos para as vítimas e suas famílias.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>Contaminação de seis transplantados por HIV, depois de receberem órgãos infectados de dois doadores, na Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ).</p>
<p>O laboratório PCS Lab Saleme foi interditado.</p>
<p>O caso levou ao questionamento da segurança da realização dos transplantes, e os exames de sorologia dos doadores do laboratório tiveram que ser retestados pelo Hemorio.</p>
<p> </p>
<p><strong>Aprendizados</strong></p>
<p>Certificar-se, antes da contratação, da competência e qualidade dos prestadores de serviço, considerando que o laboratório era contratado por licitação via pregão eletrônico para realizar a sorologia de órgãos doados.</p>
<p>Tornar os processos transparentes, reconhecer os erros e primar pela verdade.</p>
<p>Realizar fiscalizações rígidas, tanto internas quanto externas à empresa, a fim de garantir a qualidade e a regularidade dos serviços prestados.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Bullying leva a suicídio de aluno do Colégio Bandeirantes</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/bullying-leva-a-suicidio-de-aluno-do-colegio-bandeirantes</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 19:14:57 +0000</pubDate>
				
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						<description><![CDATA[No dia 12 de agosto de 2024, um aluno de 14 anos, bolsista do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, cometeu suicídio a caminho da escola. O menino estava no último ano do ensino fundamental, e havia conquistado uma bolsa integral na escola pelo Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart). Antes do ocorrido, [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>No dia 12 de agosto de 2024, um aluno de 14 anos, bolsista do Colégio Bandeirantes, de São Paulo, cometeu suicídio a caminho da escola. O menino estava no último ano do ensino fundamental, e havia conquistado uma bolsa integral na escola pelo Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos (Ismart). Antes do ocorrido, o garoto havia relatado que estava sofrendo bullying por parte dos colegas, incluindo agressões físicas e verbais. Segundo um familiar, isso ocorria pelo fato de o menino ser negro, homossexual e de origem humilde. O aluno chegou a comunicar o caso ao Ismart, que disse que notificou o Colégio Bandeirantes sobre o bullying, mas a escola contestou a versão e afirmou que não foi informada. O 23º Distrito Policial de São Paulo, em Perdizes, abriu investigação sobre o ocorrido.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Aluno bolsista do Colégio Bandeirantes cometeu suicídio a caminho da escola. Antes do ocorrido, o garoto relatou que vinha sofrendo bullying por parte dos colegas, incluindo agressões físicas e verbais. Conforme um familiar, isso ocorria pelo fato de o menino ser negro, homossexual e morar na periferia.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>O 23º Distrito Policial de São Paulo, em Perdizes, instaurou um inquérito para investigar o ocorrido. O procedimento, no início, foi classificado como “suicídio consumado”, que é o atentado contra a própria vida, mas, depois, começou a ser investigado como suspeita de “induzimento ao suicídio”.</p>
<p>Em setembro de 2024, a revista piauí publicou uma matéria sobre os desdobramentos judiciais do caso. Na ocasião, foi informado que os advogados que defendem os familiares do aluno estavam preparando uma série de ações, com base em uma culpabilidade múltipla, envolvendo o Colégio Bandeirantes, a família dos suspeitos de proferir ofensas contra o estudante, o Ismart e o Estado.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>Em comunicado publicado pela revista piauí, o Colégio Bandeirantes afirmou que, em maio de 2024, o aluno havia comunicado uma ocorrência de provocação pontual à orientadora, e que, no mesmo instante, recebeu apoio e acolhimento. Ainda segundo a instituição, um trabalho educativo foi feito com os estudantes implicados, e não aconteceram indícios de reincidência de provocações.</p>
<p>Em nota postada pelo portal de notícias Metrópoles, o Colégio Bandeirantes declarou que toda a comunidade escolar estava intensamente abalada com a perda irreparável do aluno. Na ocasião, a instituição ofereceu sua solidariedade e suporte aos familiares e amigos do estudante, e afirmou que estavam comprometidos em seguir proporcionando um ambiente de acolhimento.</p>
<p>Dois dias após o ocorrido, em 14 de agosto, o ex-diretor e assessor do núcleo de estratégia e inovação do Colégio Bandeirantes, Mauro Salles Aguiar, se declarou acerca de “o nível de agressividade realmente grande e espantoso" dos bolsistas. O homem fez essa fala após outros bolsistas solicitarem uma resposta da escola, além de auxílio psicológico. Na ocasião, Aguiar também disse que "escola não é clínica psicológica" e associou a reação dos estudantes frente ao caso com "essa sociedade de direitos". A assessoria de imprensa da escola afirmou ao UOL que, desde 2023, Aguiar não compõe a estrutura de gestão da instituição.</p>
<p>Em 23 de agosto de 2024, a Folha de São Paulo publicou um comunicado do Colégio Bandeirantes, que havia sido encaminhado aos pais. Nele, a instituição criticou a imprensa, afirmando que o caso não havia sido investigado com responsabilidade pelos veículos, e que existiam muitas inverdades. Por fim, a escola disse que o tom sensacionalista era extremamente irresponsável e afetava, de forma negativa, a saúde mental de seus colaboradores e estudantes.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>Após o ocorrido, o Colégio Bandeirantes sofreu diversas críticas, e foi acusado de negligência e omissão diante da situação que o aluno vivenciava. Um protesto foi realizado por um grupo de jovens, na frente de suas instalações, no dia 19 de agosto de 2024. A manifestação contou com cartazes que diziam frases como “A sua negligência custou uma vida”, “A minha sexualidade não me define”, “Ciência diante do racismo é cumplicidade” e “O racismo da escravidão é o mesmo de hoje”.</p>
<p>Após o ocorrido, o Colégio Bandeirantes ponderou sobre rever a sua parceria com o Instituto Ismart. A diretora de convivência da escola, Estela Zanini, estava pretendendo que os analistas do instituto estivessem mais presentes no espaço escolar, a fim de atender às demandas dos bolsistas, o que foi julgado como inviável pelo Ismart.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Aprendizados</strong></p>
<p>Ter canais de denúncia efetivos, que acolham estudantes que sofrem com qualquer tipo de discriminação, responsabilizando e obrigando as instâncias envolvidas a tomar as medidas adequadas diante dos agressores.</p>
<p>Propor medidas efetivas a respeito da diversidade e inclusão e do combate à discriminação no ambiente escolar.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>O bloqueio da rede social X no Brasil</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/o-bloqueio-da-rede-social-x-no-brasil</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 19:13:07 +0000</pubDate>
				
				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?page_id=639</guid>
						<description><![CDATA[No dia 30 de agosto de 2024, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio da rede social X no Brasil. Isso aconteceu porque o STF havia intimado o dono da plataforma, Elon Musk, para que apontasse um representante legal da companhia no Brasil, o que não ocorreu dentro do [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>No dia 30 de agosto de 2024, o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou o bloqueio da rede social X no Brasil. Isso aconteceu porque o STF havia intimado o dono da plataforma, Elon Musk, para que apontasse um representante legal da companhia no Brasil, o que não ocorreu dentro do prazo estipulado. Em 17 de agosto, a plataforma havia comunicado o fechamento do seu escritório brasileiro, após Moraes determinar a prisão da representante legal da empresa se não fossem respeitadas ordens de suspensão de perfis na rede. No dia 20 de setembro, a companhia nomeou um novo representante legal e, em 4 de outubro, comunicou que havia pago as multas estipuladas. Em 8 de outubro, Moraes autorizou a volta das atividades da rede social no país.</p>
<p> </p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p><strong> </strong>Encerramento do escritório do X no Brasil, comunicado pela companhia em 17 de agosto de 2024, após o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinar a prisão da representante legal da empresa se não fossem respeitadas ordens de suspensão de perfis na rede social.</p>
<p>Bloqueio da rede social X no Brasil, em 30 de agosto de 2024, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) havia intimado Elon Musk, dono da plataforma, para que apontasse um representante legal da companhia no Brasil, o que não ocorreu dentro do prazo estipulado. Para que as atividades da companhia fossem retomadas ao país, ela deveria seguir algumas determinações, como a apresentação de um representante legal da empresa no Brasil e o pagamento de R$ 18,3 milhões em multas.</p>
<p> </p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>Estabelecimento de uma multa diária de R$ 50 mil para usuários que usassem VPN ou outras tecnologias para acessar a rede social.</p>
<p>Em 11 de setembro de 2024, Moraes ordenou o bloqueio de valores de contas do X no Brasil e da Starlink, pertencente à Elon Musk. Isso aconteceu pela ausência de pagamento de multas estabelecidas. Foram bloqueados R$ 7.282.135,14 do X Brasil, e R$ 11.067.864,86 da Starlink Brazil Serviços de Internet Ltda. O valor das multas havia sido enviado para uma conta da União no Branco do Brasil, e depois as contas foram liberadas.</p>
<p>No dia 20 de setembro de 2024, a plataforma nomeou um novo representante legal, a advogada Rachel de Oliveira Villa Nova.</p>
<p>Em 26 de setembro de 2024, os advogados da companhia encaminharam uma petição ao STF, declarando que os documentos requeridos para a volta da rede social no Brasil haviam sido apresentados. Além disso, os advogados também comunicaram que a plataforma havia bloqueado os perfis determinados por Moraes.</p>
<p>No dia seguinte, Moraes ordenou que a companhia assegurasse o pagamento de multas para que a rede social fosse desbloqueada.</p>
<p>No dia 4 de outubro de 2024, a companhia comunicou que havia pago multas no valor de R$ 28,6 milhões. Desse valor, R$ 18,3 milhões se referiam a multas anteriores, por não ter cumprido ordens de Moraes, R$ 10 milhões por uma volta temporária do X em setembro, e R$ 300 mil de multa à representante legal.</p>
<p>Em 8 de outubro de 2024, Moraes autorizou a volta das atividades da rede social no Brasil. O ministro deu um prazo de 24 horas para que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tomasse providências para desbloquear a rede social.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>Em relação ao encerramento do escritório do X no Brasil, Musk se manifestou em 17 de agosto de 2024, dizendo que essa havia sido uma decisão difícil, mas, que, segundo ele, se tivessem concordado com a “censura secreta (ilegal)” de Moraes e as determinações de entrega de informação privada, não teria maneira de se explicarem sem se envergonharem.</p>
<p>Em 29 de agosto de 2024, quando o prazo para a indicação de um novo representante legal havia vencido, o X publicou uma nota afirmando que aguardava, para breve, a ordem de Moraes determinando a suspenção da rede social no Brasil, apenas pelo fato de não terem cumprido suas “ordens ilegais para censurar seus opositores políticos”, disse a companhia. O X comunicou que buscou se defender judicialmente, porém Moraes havia ameaçado prender sua representante legal. A companhia afirmou que suas contestações contra as ações “manifestamente ilegais” do ministro haviam sido ignoradas ou rejeitadas, e que os colegas de Moraes estavam impedidos ou não queriam confrontá-lo.</p>
<p>Depois que o X foi bloqueado no Brasil, Elon Musk proferiu ataques a Moraes, e o chamou de “pseudo-juiz” que estava destruindo a liberdade de expressão.</p>
<p>Ainda em agosto, o X criou um perfil na sua rede social, chamado “Alexandre Files”, a fim de “lançar luz sobre os abusos cometidos por Alexandre de Moraes em face da lei brasileira”, como cita a primeira publicação da página.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>Bloqueio do X por 39 dias no Brasil, deixando os residentes do país sem acesso à rede social, sob pena de multa diária no valor de R$ 50 mil, caso utilizassem VPN ou outras tecnologias para acessar a plataforma.</p>
<p>Organizações, figuras públicas, criadores de conteúdo e influenciadores digitais ficaram prejudicados, já que a plataforma é uma das principais mídias utilizadas para comunicação e divulgação de conteúdo.</p>
<p>Migração de usuários para outras redes sociais, como Bluesky e Threads.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Aprendizados</strong></p>
<p><strong> </strong>Nos casos de organizações que atuem de forma internacional, considerar e respeitar a legislação dos países e as decisões judiciais em suas atividades e cumpri-las.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Animais mortos em loja da Cobasi durante inundação em Porto Alegre</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/animais-mortos-em-loja-da-cobasi-durante-inundacao-em-porto-alegre</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 18:46:27 +0000</pubDate>
				
				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/?page_id=638</guid>
						<description><![CDATA[Em maio de 2024, durante as fortes chuvas que atingiram o estado do Rio Grande do Sul (RS), duas lojas da Cobasi, em Porto Alegre, foram inundadas. Uma unidade se localizava no shopping Praia de Belas, e a outra no bairro São Geraldo. Esse acontecimento resultou na morte de 175 animais, de acordo com a [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Em maio de 2024, durante as fortes chuvas que atingiram o estado do Rio Grande do Sul (RS), duas lojas da Cobasi, em Porto Alegre, foram inundadas. Uma unidade se localizava no shopping Praia de Belas, e a outra no bairro São Geraldo. Esse acontecimento resultou na morte de 175 animais, de acordo com a Polícia Civil, porém, apenas 38 carcaças foram encontradas, incluindo peixes, aves e roedores. A Defensoria Pública do Estado do RS iniciou uma ação indenizatória de R$ 50 milhões contra a empresa. Já a Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o acontecido, e indiciou a Cobasi por crime ambiental. A empresa foi proibida, pelo Tribunal de Justiça do RS, de comercializar animais em shopping centers no Brasil.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Inundação da loja da Cobasi no subsolo do shopping Praia de Belas, em Porto Alegre, que levou à morte dos animais que estavam na unidade.</p>
<p>Inundação da loja da Cobasi no bairro São Geraldo, em Porto Alegre. Voluntários se deslocaram até à loja depois de uma denúncia de que os animais permaneciam na unidade desde o início da inundação. Os animais foram resgatados e transportados para outra loja, porém alguns morreram por terem ficado isolados por dias.</p>
<p> </p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>No dia 19 de maio de 2024, o Corpo de Bombeiros, a Delegacia do Meio Ambiente e a ONG Princípio Animal visitaram a loja do shopping Praia de Belas, para encontrar possíveis animais vivos e fotografar a unidade, mas não conseguiram ver nenhum animal.</p>
<p>No dia 23 de maio de 2024, a Polícia Civil realizou uma vistoria na loja do shopping Praia de Belas, encontrando 38 carcaças de peixes, aves e roedores. Na mesma ocasião, também foi percebido o fato de que CPUs utilizados para pagamento, que estavam no subsolo, foram transportados até o mezanino da unidade, que não foi alagado.</p>
<p>Em 31 de maio de 2024, a Defensoria Pública do Estado (DPE) do Rio Grande do Sul iniciou uma ação indenizatória de R$ 50 milhões contra a Cobasi, solicitando a proibição da venda de animais por parte da empresa e que não sejam utilizadas gaiolas presas em locais sujeitos a inundações.</p>
<p>A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o ocorrido e indiciou a Cobasi por crime ambiental, além de responsabilizar sete funcionárias da empresa por omissão diante do ocorrido.</p>
<p>A Cobasi celebrou um acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), no qual deve fornecer 500 casinhas plásticas, coleiras e potes, além de doar ração, durante um ano, para um abrigo da prefeitura de Porto Alegre. A Cobasi também deve elaborar um plano de contingência a fim de prevenir novos acidentes, incluindo o treinamento de seus colaboradores.</p>
<p>A empresa foi proibida, pelo Tribunal de Justiça do RS, de comercializar animais em shopping centers no Brasil.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>No dia 17 de maio, a Cobasi emitiu uma nota dizendo que a loja Cobasi Praia de Belas foi deixada, emergencialmente, cumprindo as instruções das autoridades locais. De acordo com a empresa, a segurança dos animais foi garantida, além do essencial para a sobrevivência deles, até o retorno dos funcionários. Porém, a tragédia foi sem precedentes, e os animais morreram.</p>
<p>Já no dia 23 de maio, a empresa publicou uma nova nota, desmentindo o fato de que as CPUs foram salvas em detrimento da vida dos animais que estavam na loja. Segundo a Cobasi, tudo foi posto a mais de um metro de altura, mas a água, na noite de 04 de maio e na madrugada de 05 de maio, chegou aos 3,5 metros de altura. Somente 4 CPUs dos checkouts da loja foram transportadas ao andar superior, pois estavam a 20 centímetros do chão.</p>
<p>No dia 7 de junho, a Cobasi publicou uma nova nota para “contar a sua versão dos fatos”, alegando que as decisões foram feitas para proteger a vida dos animais e dos funcionários da loja. Na nota, a empresa apresenta diversos registros que mostram circulares do shopping Praia de Belas e mensagens de funcionários e gerentes do shopping, além de fotos da situação da unidade e de barreiras de sacos de areia postas na entrada da loja. Assim, a empresa buscou se defender e justificar suas ações diante do ocorrido, e ao fim da nota, lamentou o ocorrido.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos:</strong></p>
<p>Morte de 175 animais, incluindo peixes, roedores e aves.</p>
<p>Imagem e reputação da empresa prejudicada e perda de clientes.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Aprendizados</strong></p>
<p>Evacuação completa da loja em situações de emergência, incluindo animais.</p>
<p>Elaboração de plano de contingência para prevenir novos acidentes.</p>
<p>Treinamento para trabalhadores.</p>
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													</item>
						<item>
				<title>A morte do cachorro Joca em um voo da GOLLOG</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/a-morte-do-cachorro-joca-em-um-voo-da-gollog</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 18:44:54 +0000</pubDate>
				
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						<description><![CDATA[No dia 22 de abril de 2024, o cachorro Joca, um Golden Retriever de 5 anos, morreu enquanto era transportado pela GOLLOG, empresa de cargas da companhia aérea Gol. O cão saiu de Guarulhos, São Paulo, e deveria ter sido transportado até Sinop, no Mato Grosso, onde encontraria seu tutor, mas foi posto em um [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>No dia 22 de abril de 2024, o cachorro Joca, um Golden Retriever de 5 anos, morreu enquanto era transportado pela GOLLOG, empresa de cargas da companhia aérea Gol. O cão saiu de Guarulhos, São Paulo, e deveria ter sido transportado até Sinop, no Mato Grosso, onde encontraria seu tutor, mas foi posto em um voo para Fortaleza, Ceará. Por isso, teve que ser levado novamente até Guarulhos, mas já estava sem vida quando seu tutor o recebeu. Joca fez quase 8 horas de voo, e de acordo com o tutor, o veterinário atestou que o cão suportaria uma viagem de duas horas e meia. Segundo inquérito da Polícia Civil de Guarulhos, Joca morreu no avião que ia para São Paulo. O laudo necroscópico indicou que o cão morreu por choque cardiogênico. Em outubro do mesmo ano, a Justiça de São Paulo arquivou o inquérito que investigava o caso.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Erro no embarque aéreo do cão Joca, que deveria ter sido transportado de Guarulhos, São Paulo, até Sinop, Mato Grosso, mas foi colocado em um voo para Fortaleza, Ceará. Em seguida, o cão foi levado novamente até Guarulhos, mas já estava morto quando seu tutor o recebeu.</p>
<p> </p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>No dia 23 de abril de 2024, Silvio Costa Silva, ministro dos Portos e Aeroportos, afirmou que a pasta iria apurar o caso, juntamente com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a fim de desvendar as circunstâncias da morte de Joca.</p>
<p>Em 6 de maio de 2024, a Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT) ajuizou uma ação civil pública contra a empresa e seus proprietários, em R$ 10 milhões, por danos morais coletivos. O autor, o Defensor Público Willian Camargo Zuqueti, exigiu a suspensão, por tempo indeterminado, do transporte de animais pela Gollog, até que a companhia expusesse à Justiça um relatório da falha que culminou na morte de Joca, bem como o protocolo de segurança a ser aplicado caso ocorra o retorno das atividades.</p>
<p>Em inquérito, a Polícia Civil de Guarulhos concluiu que Joca morreu no avião que ia para São Paulo, e que aconteceu erro efetivo no embarque do cão em uma caixa de transportes lacrada.</p>
<p>Em outubro de 2024, a Justiça de São Paulo decidiu arquivar o inquérito policial que investigava o caso, a pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que disse que não haviam elementos o bastante para uma denúncia de maus-tratos. O juiz do caso afirmou que não haviam elementos aptos que constatassem maus-tratos e o sofrimento do animal. Mais tarde, a defesa do tutor de Joca solicitou a reabertura do inquérito.</p>
<p> </p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>No dia 23 de abril de 2024, a Gol publicou uma nota lamentando o ocorrido, solidarizando-se com o sofrimento do tutor do cão e de seus familiares e dizendo que estava fornecendo todo o apoio necessário a eles. De acordo com a Gol, uma falha operacional fez com que Joca fosse embarcado para Fortaleza, e o levantamento dos detalhes do acontecimento estava sendo direcionado prioritariamente pela sua equipe. A empresa ainda informou que havia suspendido a venda do serviço de transporte de cães e gatos no porão de aviões, por 30 dias, a fim de empenhar-se na conclusão da investigação do ocorrido.</p>
<p> </p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>Morte do cão Joca, por choque cardiogênico, de acordo com laudo da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).</p>
<p>Imagem e reputação da empresa Gol afetada diante de manifestações e ameaças de boicote. O ocorrido gerou diversos protestos em defesa dos direitos dos animais e de seus tutores. A família acusou a companhia de negligência.</p>
<p> </p>
<p><strong>Aprendizados e legados</strong></p>
<p>No dia 30 de outubro de 2024, o Governo Federal anunciou um conjunto de diretrizes, a fim de fazer com que o transporte de animais em voos comerciais se torne mais seguro, chamado de Plano de Transporte Aéreo de Animais (Pata). Os principais aspectos do programa são: a assistência veterinária em aeroportos, a rastreabilidade dos animais enquanto transportados, a comunicação direta com os tutores e a padronização dos procedimentos de transporte, visando a segurança e o bem-estar dos animais. Porém, a portaria que instituiu o programa não tem caráter obrigatório.</p>
<p>Criação de protocolos, guias e treinamentos voltados para a segurança, o bem-estar e o transporte correto de animais, a serem realizados com os funcionários das companhias aéreas.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Fã morre em show de Taylor Swift organizado pela produtora T4F</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/fa-morre-em-show-de-taylor-swift-organizado-pela-produtora-t4f</link>
				<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 18:42:37 +0000</pubDate>
				
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						<description><![CDATA[No dia 17 de novembro de 2023, Ana Clara Benevides, de 23 anos, morreu depois de passar mal em um show da cantora Taylor Swift, no Rio de Janeiro (RJ). Segundo laudo, Ana teve uma exaustão térmica provocada pelo calor. No dia do show, a temperatura na capital do RJ chegou aos 39,1°C, e fãs [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>No dia 17 de novembro de 2023, Ana Clara Benevides, de 23 anos, morreu depois de passar mal em um show da cantora Taylor Swift, no Rio de Janeiro (RJ). Segundo laudo, Ana teve uma exaustão térmica provocada pelo calor. No dia do show, a temperatura na capital do RJ chegou aos 39,1°C, e fãs relataram que foram proibidos de entrar no evento com garrafas de água. A apresentação era organizada pela empresa Time for Fun (T4F), que disse que a estudante foi prontamente atendida pelos socorristas e transportada até o hospital. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Ana chegou em parada cardiorrespiratória ao Hospital Municipal Salgado Filho às 20h50 e, apesar das manobras de reanimação, a garota não resistiu.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Causas</strong></p>
<p>Proibição de entrada do público com garrafa de água para hidratação.</p>
<p>Exposição do público ao calor difuso e exposição indireta do calor solar.</p>
<p>Exaustão térmica com quadro de choque cardiovascular e comprometimento grave dos pulmões, evoluindo para morte súbita.</p>
<p>Hemorragia alveolar e paralisação de diversos órgãos diante da exposição difusa ao calor.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Gerenciamento</strong></p>
<p>A Polícia Civil do Rio de Janeiro ordenou que o corpo fosse encaminhado para o Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto (IMLAP), a fim de efetuar exames de perícia e clarificar as causas da morte.</p>
<p>Flávio Dino, na época ministro da Justiça e Segurança Pública, determinou uma apuração para verificar o acesso à água potável no show.</p>
<p>A Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou inquérito a fim de investigar a possibilidade de responsabilidade da T4F na morte de Ana. A Delegacia do Consumidor (Decon) desejava constatar se houve “crime de perigo para a vida ou saúde”.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Comunicação</strong></p>
<p>No dia seguinte ao ocorrido, a T4F publicou uma nota informando o falecimento de Ana, declarando que ela foi prontamente atendida por brigadistas e paramédicos, dirigida ao posto médico do Estádio Nilton Santos para os primeiros socorros, e depois transportada até o Hospital Salgado Filho. A empresa expressou seus sentimentos aos familiares e amigos da jovem.</p>
<p>A cantora Taylor Swift também emitiu uma nota na madrugada do dia seguinte, lamentando o falecimento de Ana e afirmando que havia recebido poucas informações acerca do ocorrido. A cantora ainda disse que sofre profundamente com a perda da garota, e que não seria capaz de se pronunciar sobre o assunto no palco.</p>
<p>Em outra nota, a T4F afirmou que cumpriu as melhores práticas de organização de eventos, envolvendo as exigências de autoridades, que forneceu milhares de copos de água e que liberou a entrada com copos de água descartáveis no dia do show. A empresa lamentou novamente o ocorrido, e defendeu que, em seus mais de 40 anos de atividade, nunca registrou um episódio trágico como esse.</p>
<p>No dia 23 de novembro de 2023, o CEO da T4F, Serafim Abreu, se pronunciou por meio de um vídeo, no qual reconheceu medidas alternativas que poderiam ter sido tomadas no show, como a formação de locais de sombra na parte externa, a ênfase na autorização da entrada com copos de água descartáveis e a mudança no horário das apresentações. O CEO alegou que o ocorrido os fez inserir novas práticas em eventos em dias de calor extremo, e expressou seus sentimentos à família de Ana.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Consequências e Impactos</strong></p>
<p>O acontecimento prejudicou a imagem da cantora Taylor Swift e do T4F, por conta de seus posicionamentos tardios ou insuficientes diante do ocorrido.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Aprendizados</strong></p>
<p>Reagendar shows e apresentações em situações que coloquem o público em risco, a exemplo de dias com temperaturas elevadas.</p>
<p>Oferecer ventilação, proteção ao sol e estrutura de fornecimento de bebidas adequados à demanda e lotação dos eventos.</p>
<p>Após o ocorrido, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ordenou que o Chefe Executivo de Operações da cidade demandasse providências com a produção das apresentações, incluindo o acréscimo de ambulâncias, de brigadistas e de pontos de distribuição de água, além da antecipação da entrada em 1 hora e da ocupação do anel de circulação, a fim de afastar o público do sol.</p>
<p>Após o caso, Flávio Dino comunicou que, a partir do dia 18 de novembro de 2023, por decisão da Secretaria do Consumidor do Ministério da Justiça, as empresas deveriam disponibilizar água potável gratuitamente, em ilhas de hidratação acessíveis, em eventos de alta exposição ao calor. Além disso, a entrada com garrafas de água em espetáculos passaria a ser liberada.</p>
<p>Em 23 de novembro de 2023, a T4F emitiu uma nota, alegando que havia reavaliado suas práticas e protocolos para adotar os aprendizados com o fato, voltados para os eventos em temperaturas extremas, tais como: oferecimento de novos locais de sombra no interior e exterior do estádio, estabelecimento de novas ilhas de distribuição de água gratuita e o início das apresentações em horários com temperaturas mais amenas.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente (DMA) publica sessão especial sobre Comunicação de Riscos e Desastres Socioambientais</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/institucional/observatorio-crise/2026/06/10/revista-desenvolvimento-e-meio-ambiente-dma-publica-sessao-especial-sobre-comunicacao-de-riscos-e-desastres-socioambientais</link>
				<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 18:13:10 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[notícia]]></category>

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						<description><![CDATA[A edição 67 da Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente (DMA), vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (PPGMADE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), apresenta uma sessão especial dedicada a pesquisas sobre Comunicação de Riscos e Desastres Socioambientais.   Editado pelas professoras Eloisa Beling Loose (UFRGS) e Luciana R. Londe (Cemaden), o [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img class="alignright size-full wp-image-634" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/880/2026/06/cover_issue_3949_pt_BR-1-e1781114965851.png" alt="" width="500" height="604" />A edição 67 da Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente (DMA), vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (PPGMADE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), apresenta uma sessão especial dedicada a pesquisas sobre <strong>Comunicação de Riscos e Desastres Socioambientais</strong>.</p>
<pre> </pre>
<p>Editado pelas professoras Eloisa Beling Loose (UFRGS) e Luciana R. Londe (Cemaden), o dossiê tem como propósito reunir e estimular os estudos orientados para a comunicação de riscos e desastres, especialmente sob a compreensão de que são permeados por relações entre sociedade e natureza.</p>
<pre> </pre>
<p>A edição teve a participação de autores de todas as regiões brasileiras e de outros países (Chile, Argentina, Espanha e Estados Unidos), contando com diversas vozes a fim de debater a comunicação de riscos de forma multidisciplinar. <strong>Os artigos e relatos de experiências publicados revelam interfaces com capacidades organizacionais, saúde, percepção de riscos, discussão de nomenclaturas, povos tradicionais, educação ambiental climática, entre outros temas</strong>.</p>
<p> </p>
<p>Para Loose e Londe, “este dossiê reúne, em certa medida, um diagnóstico do caráter multifacetado e em desenvolvimento dos estudos orientados para melhor comunicar riscos e desastres. Essa variedade de olhares é um convite que as editoras estendem a todos os leitores interessados para que conheçam mais sobre os desafios e as potencialidades da área”.</p>
<p> </p>
<p><strong>Acesse a edição especial <a href="https://revistas.ufpr.br/made/issue/view/3949">aqui</a>.</strong></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
					</channel>
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