{"id":227,"date":"2023-06-27T15:22:21","date_gmt":"2023-06-27T18:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=227"},"modified":"2023-07-25T14:41:51","modified_gmt":"2023-07-25T17:41:51","slug":"elsa-lemos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/elsa-lemos","title":{"rendered":"Elsa Lemos | Crisis Communication"},"content":{"rendered":"\n<ol>\n<li><strong> Basicamente, quais aspectos envolvem a gest\u00e3o de riscos e crises nas organiza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Riscos e Crises s\u00e3o duas \u00e1reas que inevitavelmente est\u00e3o conectadas, s\u00e3o altamente complementares. O problema maior \u00e9 que existe maior enfoque na listagem de riscos e de crises, do que na sua gest\u00e3o. Se nada fizermos quanto aos riscos, podemos ter a certeza de que as crises v\u00e3o ser uma consequ\u00eancia dessa ina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o, muitas vezes, conscientes da sua vulnerabilidade aos riscos e crises. Podem at\u00e9 possuir planos de gest\u00e3o, mas existe um gap em transpor isso para medidas concretas e sua capacidade de atua\u00e7\u00e3o. O planeamento \u00e9 importante mas a sua materializa\u00e7\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>Na Gest\u00e3o de Risco dever\u00e1 envolver a identifica\u00e7\u00e3o dos riscos, sua an\u00e1lise e meios de tratar ou mitigar, monitorizar, avaliar e quando necess\u00e1rio fazer uma atualiza\u00e7\u00e3o dos mesmos. Quanto \u00e0 Gest\u00e3o de Crise surge numa situa\u00e7\u00e3o limite, quando foram ultrapassadas todas as linhas de defesa, quando a continuidade de neg\u00f3cio fez todos os seus esfor\u00e7os e mesmo assim \u00e9 declarada a crise.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> Nem tudo \u00e9 uma crise! Ent\u00e3o, o que de fato caracteriza uma crise? A partir do que\/de qual momento podemos afirmar que uma crise est\u00e1 se instaurando ou se instaurou?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta pergunta \u00e9 uma das minhas bases de trabalho com organiza\u00e7\u00f5es. Precisamos de definir isto antes de tudo. N\u00e3o podemos usar a palavra \u201ccrise\u201d como sin\u00f3nimo para tudo o que de mal acontece numa organiza\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 uma crise numa organiza\u00e7\u00e3o pode n\u00e3o o ser noutra. Da\u00ed a import\u00e2ncia de as organiza\u00e7\u00f5es sentarem-se \u00e0 mesa e come\u00e7arem por discutir o que \u00e9 um evento (programado causado pelo homem, natural ou tecnol\u00f3gico que pode resultar em perturba\u00e7\u00e3o), um incidente (n\u00e3o planeado), uma emerg\u00eancia (que amea\u00e7a sa\u00fade, seguran\u00e7a, vida, propriedade ou ambiente). Quer um evento, um incidente ou uma emerg\u00eancia podem tornar-se numa crise.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a terminologia que aprendi com Melissa Agnes e utilizo, contudo mais importante do que as designa\u00e7\u00f5es, \u00e9 o que a organiza\u00e7\u00e3o define e todos entendem.<\/p>\n<p>Para mim, uma crise \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de alto impacto que interrompe os neg\u00f3cios, por isso \u00e9 que exige uma escalada imediata ao n\u00edvel da lideran\u00e7a. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a pessoas, ambiente, opera\u00e7\u00f5es e reputa\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m disso, como se n\u00e3o fosse suficiente, pode perdurar no tempo e ter um alto impacto financeiro.<\/p>\n<p>Note-se ainda que \u00e9 preciso determinar a escala de impacto na organiza\u00e7\u00e3o e o seu n\u00edvel de resposta. \u00c9 muito curioso verificar o comportamento humano de uma escalada de um evento a uma situa\u00e7\u00e3o de crise. Inicialmente, h\u00e1 uma despreocupa\u00e7\u00e3o, uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, mas quando h\u00e1 interrup\u00e7\u00e3o e esta n\u00e3o \u00e9 resolvida rapidamente, o n\u00edvel de stress aumenta e quando tudo j\u00e1 foi feito ao n\u00edvel da continuidade do neg\u00f3cio, a situa\u00e7\u00e3o escala ao mais alto n\u00edvel da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> No seu ponto de vista, as organiza\u00e7\u00f5es portuguesas avan\u00e7aram na gest\u00e3o de riscos e crises nos \u00faltimos 20 anos? H\u00e1 inova\u00e7\u00f5es nesta \u00e1rea no mercado?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Existem sectores de atividade que sempre fizeram gest\u00e3o de riscos e de crises, nomeadamente ao n\u00edvel financeiro.<\/p>\n<p>Em Portugal, o tecido empresarial \u00e9 sobretudo de pequenas e m\u00e9dias empresas e estas n\u00e3o t\u00eam estes processos estabelecidos. Existe a ideia de que s\u00f3 est\u00e1 ao alcance das grandes empresas e de altos budgets. Por\u00e9m, desde 2004 que tenho vindo a desmistificar essa ideia. Um dos meus objetivos foi e \u00e9 democratizar a Comunica\u00e7\u00e3o de Crises (que \u00e9 a minha \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o). N\u00f3s, profissionais das crises, precisamos de proporcionar aos pequenos e m\u00e9dios empres\u00e1rios uma cultura de preven\u00e7\u00e3o e de gest\u00e3o de crises. N\u00e3o pode estar s\u00f3 ao alcance de alguns!<\/p>\n<p>Notei, sobretudo durante a pandemia, um crescente interesse sobre a Comunica\u00e7\u00e3o de Crise. E h\u00e1 um despertar para a tem\u00e1tica, muito embora existam ainda sectores mais r\u00edgidos. \u00c9 preciso quebrar mentalidades e isso vai levar o seu tempo. Por outro lado, culturalmente, em Portugal, h\u00e1 a ideia de que \u201csomos bons a desenrascar\u201d, a resolver tudo na hora. E sabemos que o profissional das crises n\u00e3o \u00e9 um \u201capaga fogos\u201d, \u00e9 sim sobretudo um trabalho de preven\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de processos e de mindset. Se todos soubermos o que fazer, onde \u201ccolocar as m\u00e3os\u201d, e o que dizer, comunicar, tudo fica mais f\u00e1cil de gerir.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Poucas comunica\u00e7\u00f5es de risco s\u00e3o publicadas. Quando algo oficial \u00e9 divulgado j\u00e1 \u00e9 uma comunica\u00e7\u00e3o de crise. Se h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico que devem ser comunicadas para fins de alerta e preven\u00e7\u00e3o, por exemplo, por que ainda s\u00e3o omitidas ou negligenciadas?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Coombs, o pai da Comunica\u00e7\u00e3o de Crises, chama-as de paracrisis, ou seja, uma gest\u00e3o de risco que \u00e9 tornada p\u00fablica. \u00c9 uma linha t\u00e9nue entre uma paracrisis e uma crise, \u00e9 verdade.<\/p>\n<p>Quanto ao porqu\u00ea ainda s\u00e3o omitidas ou negligenciadas, tenho duas op\u00e7\u00f5es de resposta: uma por ignor\u00e2ncia, falta de gest\u00e3o de risco e de consci\u00eancia das fragilidades; outra por medo de expor uma fragilidade e do que isso pode acarretar.<\/p>\n<p>Eu defendo uma comunica\u00e7\u00e3o verdadeira e honesta, mas ainda h\u00e1 quem pense que a Comunica\u00e7\u00e3o de Crise \u00e9 mentir ou at\u00e9 ludibriar a informa\u00e7\u00e3o. Precisamos de todos contribuir para uma real no\u00e7\u00e3o deste trabalho que \u00e9 muito s\u00e9rio e de responsabilidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> Vivemos um per\u00edodo de incertezas e desconfian\u00e7a nas organiza\u00e7\u00f5es, incluindo personalidades (da m\u00fasica, do futebol, do cinema, etc.). Na sua perspectiva, qual a justificativa para isso?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Em Portugal, temos uma express\u00e3o que diz \u201cgato escaldado de \u00e1gua fria tem medo\u201d. Este ditado antigo significa que quando algu\u00e9m j\u00e1 sentiu na pele e sofreu com isso, n\u00e3o vai querer ser enganado de novo, ou seja, desconfia.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma pergunta complexa. A desconfian\u00e7a nas organiza\u00e7\u00f5es pode surgir de v\u00e1rios n\u00edveis, pol\u00edtico, cultural, legislativo. No meu ponto de vista, estamos a existir a uma crise de valores e h\u00e1 falta de l\u00edderes que consigam ter um papel relevante em tempos conturbados que s\u00e3o as crises. Honestamente faltam muitos timoneiros para liderar os navios durante as tempestades. E isto reflete-se nos \u00edndices de confian\u00e7a das pessoas.<\/p>\n<p>Por outro lado, na era da hiper conectividade e da desinforma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 todo o aproveitamento da mente humana para mudar n\u00e3o s\u00f3 a sua forma de pensar, como de agir. \u00c9 aquilo que Fran\u00e7ois Du Cluzel chama de Guerra Cognitiva, onde a mente humana \u00e9 o novo campo de batalha, onde \u201cprocura-se semear d\u00favidas, introduzir narrativas conflitantes, polarizar opini\u00f5es, radicalizar grupos e motiv\u00e1-los a atos que podem romper ou fragmentar uma sociedade coesa\u201d.<\/p>\n<p>Acredito que o n\u00edvel de a\u00e7\u00f5es seja cada vez mais complexo e com o emergir da Intelig\u00eancia Artificial tudo fique mais complicado para n\u00f3s profissionais das crises, e muito mais dif\u00edcil para as pessoas distinguir aquilo que \u00e9 fake do mundo real.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong> Levando em conta o contexto digital, como a \u201ccultura do cancelamento\u201d vem influenciando a forma de gerir riscos, ou ent\u00e3o, o modo de gest\u00e3o de uma crise organizacional gerada por \u201ccancelamento\u201d?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A cultura de cancelamento \u00e9 baseada na emo\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A Opini\u00e3o P\u00fablica foi ultrapassada pela Emo\u00e7\u00e3o P\u00fablica, j\u00e1 dizia a Ros\u00e2ngela Florczak. Quando tal sucede \u00e9 preciso agir com o m\u00e1ximo de velocidade e dureza. N\u00e3o basta um comunicado, \u00e9 preciso uma comunica\u00e7\u00e3o mais forte, mais impactante. O v\u00eddeo de resposta \u00e0 situa\u00e7\u00e3o grave pode e deve ser utilizado. Eu defendo isso, porque se est\u00e1 a mexer com as emo\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 um comunicado que vai conseguir contrabalan\u00e7ar, tem de ser algo mais poderoso. O julgamento na ponta dos dedos n\u00e3o pode ter uma resposta \u201cpequenina\u201d, tem de ser proporcional.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong> Na mesma dire\u00e7\u00e3o, outros fen\u00f4menos p\u00f3s-digitais preocupam os gestores da \u00e1rea. Na sua an\u00e1lise, como lidar com as fake news e a p\u00f3s-verdade em tempos de viraliza\u00e7\u00e3o por meio de aplicativos de mensagens e redes sociais digitais? Como planejar neste cen\u00e1rio?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Esta \u00e9 uma \u00e1rea preocupante porque a tend\u00eancia \u00e9 aumentar o n\u00famero de casos. Fake News, Deep Fake Videos, Fake Image Generator. Isto ir\u00e1 ter consequ\u00eancias para os n\u00edveis de confian\u00e7a de organiza\u00e7\u00f5es, marcas e pessoas. A confian\u00e7a pode ser corro\u00edda e com a Intelig\u00eancia Artificial que aproveita o padr\u00e3o mental da suposi\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9 mais ou menos confi\u00e1vel\u2026 a crise \u00e9 anunciada.<\/p>\n<p>O estudo recente da iScience revela que existe confus\u00e3o em distinguir rostos artificiais dos reais e que isso tem implica\u00e7\u00f5es no nosso comportamento online. A pesquisa sugere que esta pr\u00e1tica pode aumentar a desconfian\u00e7a nos outros e mudar profundamente a forma como nos comunicamos. Passamos a julgar a realidade e a veracidade. Por outras palavras, o nosso n\u00edvel de confiabilidade desce para valores muito baixos ou nulos. Podemos dar in\u00edcio a um novo desafio: como criar e manter confian\u00e7a nas marcas e nas pessoas? Palavras como cr\u00e9dito, certeza, insuspei\u00e7\u00e3o, idoneidade, seguran\u00e7a, passam a ser mito?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong> Qual situa\u00e7\u00e3o de crise ocorrida nos \u00faltimos anos pode ser considerada emblem\u00e1tica, seja pela condu\u00e7\u00e3o bem-sucedida seja pela gest\u00e3o desastrosa?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Eu gosto de encontrar bons exemplos e nem sempre s\u00e3o f\u00e1ceis. Tenho uns quantos que menciono nas minhas forma\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1 um recente que todos se recordam, o atentado de Christchurch, na Nova Zel\u00e2ndia. Real\u00e7o este pela sua comunica\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel da atitude de Jacinda Arden, sua estrat\u00e9gia, conte\u00fado e forma como lidou. Foi uma crise que ficar\u00e1 na hist\u00f3ria por ser um atentado em live streaming, mas gostaria de real\u00e7ar a atitude de Jacinda Arden. Ela estava a caminho de uma escola e recebe um telefonema da pol\u00edcia com a informa\u00e7\u00e3o do que estava a acontecer. D\u00e1 meia volta e vai para a esquadra mais pr\u00f3xima. Come\u00e7a a rabiscar os pensamentos em peda\u00e7os de papel. E liga para o Ministro das Finan\u00e7as (um dos seus conselheiros) e transmite-lhe os pensamentos. Uma hora depois vai para o hotel e faz uma comunica\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds. Duas c\u00e2maras, uma mesa e uma toalha preta. Foi o que precisou. Acho isto not\u00e1vel.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o, seu conte\u00fado e forma foram amplamente noticiados. \u201cThey are us\u201d marcou o discurso. Ao n\u00e3o nomear o atacante de Christchurch, Ardern n\u00e3o apenas tirou de cena a narrativa do her\u00f3i nacionalista branco, mas tamb\u00e9m roubou-lhe a notoriedade. E at\u00e9 marcou um ponto de viragem na abordagem da comunica\u00e7\u00e3o em caso de atentados terroristas. Depois, concentrou a sua voz no apoio e na uni\u00e3o da comunidade da Nova Zel\u00e2ndia. Alta capacidade de intelig\u00eancia emocional em situa\u00e7\u00e3o de crise. Este \u00e9 um dos casos que est\u00e1 no meu \u201cbest off\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong> De que formas os profissionais da Comunica\u00e7\u00e3o podem sensibilizar empres\u00e1rios e gestores p\u00fablicos sobre a import\u00e2ncia da cultura da preven\u00e7\u00e3o e a necessidade da gest\u00e3o de riscos?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Pelas pessoas. Basta uma para conseguirmos colocar a semente. Eu comecei pelas entidades dif\u00edceis, mais r\u00edgidas como as For\u00e7as Armadas e for\u00e7as policiais. N\u00e3o ter medo de mostrar que a Comunica\u00e7\u00e3o de Crise \u00e9 \u00fatil e precisa.<\/p>\n<p>Criar awareness pode ser o princ\u00edpio desse trabalho mais estruturado. Eu gosto de pedir \u00e0s empresas para colocar todos os departamentos representado num audit\u00f3rio. E assim se come\u00e7a a lan\u00e7ar as sementes.<\/p>\n<p>Outra forma de sensibilizar \u00e9 mostrar o efeito de n\u00e3o ter uma cultura de preven\u00e7\u00e3o, ou seja, quais s\u00e3o os danos causados. Quando se trata de \u201cmexer no bolso\u201d, na componente financeira, as organiza\u00e7\u00f5es despertam mais para o assunto.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso n\u00e3o desistir. Sabemos que estamos certos. \u00c9 uma miss\u00e3o que temos em m\u00e3os.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong> Ap\u00f3s a Pandemia do Novo Coronav\u00edrus, a imprensa est\u00e1 mais bem preparada para cobrir situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Os media est\u00e3o atentos e, ao m\u00ednimo deslize, est\u00e3o em cima do assunto. O que n\u00e3o \u00e9 sin\u00f3nimo de estar mais preparada para lidar.<\/p>\n<p>Julgo que precisamos de trabalhar numa melhor rela\u00e7\u00e3o com os media. Coloc\u00e1-los como stakeholder e n\u00e3o \u201co inimigo\u201d e a\u00ed t\u00eam de existir a\u00e7\u00f5es de abertura das organiza\u00e7\u00f5es para os media \u201cem contexto de paz\u201d para que depois em crise funcionem melhor.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso que os media entendam como funcionam as entidades, a sua linguagem, aspectos t\u00e9cnicos para aprimorar depois o resultado nas suas publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No mundo onde a informa\u00e7\u00e3o e desinforma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 cada vez maior, encontrar atalhos e evitar o distanciamento pode proporcionar um acesso direto ao que est\u00e1 a acontecer, sem qualquer g\u00e9nero de desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li><strong> E as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-midi\u00e1ticas, t\u00eam melhores condi\u00e7\u00f5es de gerir os impactos de uma conjuntura semelhante a imposta pela pandemia de Covid-19, caso venha ou quando vier a ocorrer algo com a mesma dimens\u00e3o?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um se ir\u00e1 acontecer. Ali\u00e1s, alguns m\u00e9dicos infecciologistas portugueses e brasileiros j\u00e1 o afirmam que a probabilidade de novas pandemias \u00e9 alta, a curto e m\u00e9dio prazo.<\/p>\n<p>Em Janeiro de 2023, foi publicado no jornal Expresso um estudo, onde referia que 96% das pessoas em Portugal acreditam em novas pandemias, apesar de s\u00f3 7% dos portugueses considerarem que o pa\u00eds est\u00e1 preparado para enfrentar o aparecimento de uma nova pandemia. Por\u00e9m, ao n\u00edvel da popula\u00e7\u00e3o algo mudou, o mesmo estudo aponta para que 71% tencionam manter h\u00e1bitos adquiridos, durante a covid-19, como forma de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Julgo que a crise econ\u00f3mica tem prejudicado o investimento p\u00f3s-pandemia. Mas eu tenho alertado para as organiza\u00e7\u00f5es e alunos para discutirem isso internamente. Pensarem na 3\u00aa fase da Crise, o p\u00f3s-crise, e onde precisam investir, seja em pessoas, tecnologia ou processos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li><strong> No contexto atual e diante da atua\u00e7\u00e3o de empresas e governos, \u00e9 poss\u00edvel perceber sinais que p\u00f5em em risco a imagem e a reputa\u00e7\u00e3o de alguma organiza\u00e7\u00e3o portuguesa nos pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Ningu\u00e9m \u00e9 imune \u00e0s crises. Mas aquelas que n\u00e3o fizerem um trabalho interno forte, t\u00eam maior probabilidade de n\u00e3o resistir.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a \u00e9 um resultado de um trabalho de dentro para fora, come\u00e7a por processos justos internos para depois lidar com os outros.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos ver as organiza\u00e7\u00f5es a trabalhar s\u00f3 para si ou para cumprir os objetivos financeiros. Trabalha para fazer o que \u00e9 bom para os seus stakeholders, ou seja, corresponde \u00e0s suas expectativas e ambi\u00e7\u00f5es. Mostra disponibilidade para corresponder ao desejado.<\/p>\n<p>S\u00f3 assim merece ser digno de confian\u00e7a. Ser na sua plenitude: dentro e fora. Anote esta palavra: SER.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>*<\/strong>Especialista em Comunica\u00e7\u00e3o de Crise. O seu prop\u00f3sito \u00e9 criar e treinar para uma cultura de comunica\u00e7\u00e3o de crises em Portugal. Prepara pessoas e organiza\u00e7\u00f5es, de entidades p\u00fablicas, a privadas e sem fins lucrativos para comunicar em situa\u00e7\u00f5es de crise. Entre os seus clientes est\u00e1 o sector de infraestruturas cr\u00edticas. \u00c9 mestre em Guerra de Informa\u00e7\u00e3o, pela Academia Militar. Tem licenciatura em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o, pela Universidade Lus\u00f3fona. \u00c9 auditora de Gest\u00e3o de Crises pelo Instituto de Defesa Nacional. Ao n\u00edvel universit\u00e1rio, \u00e9 docente na cadeira de Gest\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o de Crises, na P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica para Autarquias, no Polit\u00e9cnico de Coimbra (PT). E \u00e9 docente na cadeira de Media e Opini\u00e3o P\u00fablica no Mestrado de Guerra de Informa\u00e7\u00e3o, na Academia Militar (PT). O seu trabalho pode ser acompanhado atrav\u00e9s da #elsalemos ou em www.elsalemos.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Basicamente, quais aspectos envolvem a gest\u00e3o de riscos e crises nas organiza\u00e7\u00f5es? Riscos e Crises s\u00e3o duas \u00e1reas que inevitavelmente est\u00e3o conectadas, s\u00e3o altamente complementares. O problema maior \u00e9 que existe maior enfoque na listagem de riscos e de crises, do que na sua gest\u00e3o. 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