{"id":274,"date":"2024-01-16T09:33:23","date_gmt":"2024-01-16T12:33:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=274"},"modified":"2024-07-02T14:07:12","modified_gmt":"2024-07-02T17:07:12","slug":"eloisa-beling-loose","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/eloisa-beling-loose","title":{"rendered":"Eloisa Beling Loose | UFRGS"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">1. Para voc\u00ea, o que s\u00e3o considerados riscos clim\u00e1ticos?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">Os riscos clim\u00e1ticos s\u00e3o aquelas amea\u00e7as percebidas em decorr\u00eancia da atual crise clim\u00e1tica. Compreendo os riscos como constructos sociais, que dependem dos contextos, das viv\u00eancias de cada indiv\u00edduo ou grupo e da maneira como se d\u00e1 sua apreens\u00e3o. Logo, os riscos n\u00e3o dependem somente de processos objetivos e, por isso, diferentes culturas percebem a mesma situa\u00e7\u00e3o com variados ou nenhum grau de risco.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">2. Qual a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o de risco para a sociedade?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel enfrentar de forma adequada os riscos se n\u00e3o conseguimos identific\u00e1-los. A comunica\u00e7\u00e3o de risco \u00e9 uma \u00e1rea interdisciplinar que est\u00e1 orientada para um processo dial\u00f3gico que envolve m\u00faltiplos sujeitos, a fim de promover uma gest\u00e3o participativa. A comunica\u00e7\u00e3o de risco envolve a compreens\u00e3o das din\u00e2micas correlacionadas ao risco, n\u00e3o sendo apenas convencimento de medidas estabelecidas a partir de um fluxo top-down. Quando nos referimos \u00e0 gest\u00e3o de riscos, o papel da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, pois \u00e9 a partir da rela\u00e7\u00e3o com o outro que ser\u00e1 poss\u00edvel propor elementos que contribuam para uma cultura preventiva. Embora o enfoque instrumental da comunica\u00e7\u00e3o seja preponderante ainda, \u00e9 o processo da comunica\u00e7\u00e3o que permite a media\u00e7\u00e3o e possibilidade de uma a\u00e7\u00e3o coletiva que consiga evitar ou mitigar riscos.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">3. Comente sobre o papel do Jornalismo na cobertura de riscos clim\u00e1ticos, da crise clim\u00e1tica e de desastres clim\u00e1ticos.<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">A comunica\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica, em raz\u00e3o de seu alcance e credibilidade, \u00e9 um fator de amplifica\u00e7\u00e3o ou atenua\u00e7\u00e3o de riscos na nossa sociedade. Assim, ao enfatizar em uma cobertura que os riscos de uma amea\u00e7a natural s\u00e3o inevit\u00e1veis, corrobora-se para uma percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 nada que possamos fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cfor\u00e7as da natureza\u201d. Quando a imprensa coloca como manchete de uma reportagem que a respons\u00e1vel pelas mortes e\/ou danos materiais ap\u00f3s um temporal intenso foi a chuva, retira-se do poder p\u00fablico a responsabilidade de rever a infraestrutura e outras quest\u00f5es de planejamento urbano. Os efeitos da crise clim\u00e1ticas n\u00e3o s\u00e3o naturais. S\u00e3o decorrentes de escolhas e omiss\u00f5es humanas. J\u00e1 temos progn\u00f3sticos dos cen\u00e1rios futuros e a certeza de que os riscos ser\u00e3o mais frequentes, mas a cobertura segue aguardando a concretiza\u00e7\u00e3o da previs\u00e3o para <\/span><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">avan\u00e7ar no debate. O papel do Jornalismo \u00e9 fundamental, mas precisa ser reajustado \u00e0s urg\u00eancias do nosso tempo.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">4. A partir do seu ponto de vista, as institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os brasileiros avan\u00e7aram na gest\u00e3o de riscos e de crises nos \u00faltimos anos?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">Em raz\u00e3o da dimens\u00e3o que os desastres ambientais v\u00eam ganhando nos \u00faltimos anos, percebe-se que h\u00e1 um movimento de rea\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), por exemplo, foi criado em 2011, ap\u00f3s o desastre ocorrido na regi\u00e3o Serrana do Rio de Janeiro. A Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil (PNPDEC) \u00e9 de 2012, mas carece ainda de uma s\u00e9rie de regulamenta\u00e7\u00f5es e investimentos para que consiga ser, de fato, implementada. Aqui no Rio Grande do Sul, observamos uma s\u00e9rie de iniciativas do governo estadual ap\u00f3s as enchentes no Vale do Taquari, mas a atua\u00e7\u00e3o preventiva \u00e9 muito aqu\u00e9m do que precisar\u00edamos. Para avan\u00e7armos na gest\u00e3o de riscos e desastres s\u00e3o necess\u00e1rios programas robustos e cont\u00ednuos de medidas estruturais (obras que auxiliam com a adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o) e n\u00e3o estruturais (como campanhas de comunica\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o de tem\u00e1ticas de redu\u00e7\u00e3o de riscos de desastres em escolas, empresas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos).<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">5. Poucas pr\u00e1ticas de comunica\u00e7\u00e3o de risco v\u00eam a p\u00fablico. Quando algo \u00e9 divulgado pelas organiza\u00e7\u00f5es &#8211; midi\u00e1ticas ou n\u00e3o &#8211; j\u00e1 faz parte da comunica\u00e7\u00e3o de crise. Se h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico que devem ser comunicadas, por que ainda s\u00e3o omitidas?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">Ainda existe uma mentalidade que tratar dos riscos pode gerar p\u00e2nico ou outros preju\u00edzos de ordem econ\u00f4mica e reputacional. Nesse sentido, como o risco est\u00e1 no \u00e2mbito da incerteza, espera-se a materializa\u00e7\u00e3o dele (o desastre ou a crise) \u2013 porque trabalha-se na esperan\u00e7a de que tudo permane\u00e7a como est\u00e1. O pensamento de curto prazo \u00e9 guiado por questionamento como: por que gastar energia e recursos com uma probabilidade? E se n\u00e3o acontecer nada? \u00c9 esta racionalidade que dever\u00e1 ser desconstru\u00edda para lidarmos com a realidade na qual m\u00faltiplos riscos se sobrep\u00f5em e j\u00e1 s\u00e3o cada vez mais frequentes.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">6. O que implica para a sociedade a n\u00e3o cobertura de riscos clim\u00e1ticos pela imprensa?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">A percep\u00e7\u00e3o do risco depende de v\u00e1rios fatores e um deles est\u00e1 atrelado \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e a maneira pela qual ela nos \u00e9 apresentada. Dessa forma, ao n\u00e3o visibilizar os riscos clim\u00e1ticos, a imprensa colabora para a representa\u00e7\u00e3o de um mundo sem amea\u00e7as, deixando a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel \u00e0s situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 mapeadas por cientistas.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">7. No que contribui a cobertura clim\u00e1tica para a gest\u00e3o de riscos e de crises no Brasil?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">H\u00e1 v\u00e1rios aspectos que podem ser considerados quando falamos de gest\u00e3o de riscos e crises ou desastres. Quando falamos sobre isso \u00e9 bom lembrar que h\u00e1 a\u00e7\u00f5es diferentes em tr\u00eas momentos: antes, durante e depois do desastre. A sensibiliza\u00e7\u00e3o e compreens\u00e3o dos riscos diz respeito a primeira etapa, ligada \u00e0 preven\u00e7\u00e3o. Aqui a imprensa deveria adotar uma postura educativa, tratando de autoprote\u00e7\u00e3o e do cuidado a ser tomado caso haja um evento extremo. Durante a concretiza\u00e7\u00e3o do risco, h\u00e1 uma responsabilidade grande em termos de evitar novas crises a partir do que j\u00e1 est\u00e1 instaurado, al\u00e9m de mobilizar autoridades para atuarem de forma r\u00e1pida e assertiva. Ap\u00f3s o evento, que \u00e9 um per\u00edodo longo na linha do tempo, h\u00e1 de se debater como a reconstru\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais resiliente, destacando que retornar ao que era antes n\u00e3o \u00e9 o bastante diante da crise clim\u00e1tica. A fase chamada reconstru\u00e7\u00e3o costuma ser lenta e pouco visibilizada, prorrogando a trag\u00e9dia dos diretamente afetados. Nesse sentido, os jornalistas devem ser mais vigilantes e propositivos, de maneira a discutir o futuro a partir dos acontecimentos vividos.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">8. Que desastre ambiental ocorrido nos \u00faltimos anos pode ser considerado emblem\u00e1tico e quais aprendizados foram percebidos e potencializados pelas institui\u00e7\u00f5es com o evento cr\u00edtico?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">No contexto nacional, j\u00e1 mencionei o desastre da Regi\u00e3o Serrana do Rio de Janeiro, que desencadeou uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es, como a cria\u00e7\u00e3o do Cemaden. De maneira geral, sempre que h\u00e1 uma trag\u00e9dia, h\u00e1 uma ampla visibiliza\u00e7\u00e3o da trag\u00e9dia e promessas de mudan\u00e7as, por\u00e9m observa-se que, com o passar do tempo, as resolu\u00e7\u00f5es nem sempre s\u00e3o suficientes. H\u00e1 aprendizados e li\u00e7\u00f5es com cada processo, mas nem sempre tais informa\u00e7\u00f5es conseguem ser disseminadas para lugares geograficamente distantes. A forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, com foco na preven\u00e7\u00e3o, precisa ser estimulada e as institui\u00e7\u00f5es precisam incorporar uma cultura que considere o cen\u00e1rio multirrisco decorrente das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">9. De que formas os profissionais da \u00e1rea do Jornalismo podem sensibilizar os grupos de m\u00eddia sobre a import\u00e2ncia e a necessidade em pautar a crise clim\u00e1tica?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">Cada vez mais percebe-se o interesse de estudantes de Jornalismo e tamb\u00e9m a maior cobertura dos ve\u00edculos a respeito das pautas clim\u00e1ticas. Assim, \u00e9 poss\u00edvel dizer que j\u00e1 h\u00e1 um certo entendimento da relev\u00e2ncia da quest\u00e3o por parte dos profissionais, sobretudo de que este \u00e9 um problema que impacta diferentes setores e neg\u00f3cios. Talvez seja preciso pensar mais na crise clim\u00e1tica antes que ela acarrete os desastres, ouvir uma diversidade de vozes e <\/span><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">discuti-la de forma sist\u00eamica. O Jornalismo separa os acontecimentos em editorias\/perspectivas; o desafio \u00e9 que essa cobertura n\u00e3o seja apenas sobre os efeitos, mas traga o debate das causas (para compreenderemos como chegamos at\u00e9 aqui) e das formas de enfrentamento (para conhecermos o que \u00e9 poss\u00edvel fazer). Nesse sentido, sugere-se uma reorienta\u00e7\u00e3o do modo de pensar e fazer o Jornalismo, de modo a colocar no centro do debate p\u00fablico o questionamento sobre a racionalidade econ\u00f4mica dominante na nossa sociedade, respons\u00e1vel pela altera\u00e7\u00e3o do clima do planeta.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">10. Ap\u00f3s os desastres de Mariana e Brumadinho, a Pandemia do Novo Coronav\u00edrus e as Elei\u00e7\u00f5es 2022 no Brasil, a imprensa est\u00e1 mais bem preparada para cobrir situa\u00e7\u00f5es de risco ambiental, de sa\u00fade p\u00fablica e \u00e0 Democracia?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">\u00c9 dif\u00edcil responder&#8230; De qual imprensa estamos falando? H\u00e1 muitas formas e propostas de jornalismo. A pandemia de covid-19, por exemplo, exigiu um incremento do jornalismo cient\u00edfico e de sa\u00fade, mas hoje, sem a emerg\u00eancia, esse conhecimento especializado parece estar dilu\u00eddo no trabalho cotidiano. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso considerar a alta rotatividade dos profissionais nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a precariza\u00e7\u00e3o dos postos de trabalho, que dificultam uma forma\u00e7\u00e3o consistente e a perman\u00eancia daqueles profissionais mais experientes nas reda\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">11. H\u00e1 sinais ou alertas clim\u00e1ticos que p\u00f5em a popula\u00e7\u00e3o brasileira em risco iminente e que os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o abordaram de forma significativa?<\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">O que noto \u00e9 que h\u00e1 mais cuidado e aten\u00e7\u00e3o aos riscos clim\u00e1ticos. Pode-se observar que os quadros destinados \u00e0 previs\u00e3o do tempo dos principais telejornais t\u00eam avan\u00e7ado sobre a cobertura de alertas e fen\u00f4menos clim\u00e1ticos, como ondas de calor e frio, por exemplo. O que, na minha opini\u00e3o, deveria ser mais eficaz \u00e9 a pr\u00f3pria divulga\u00e7\u00e3o de alertas, em termos de linguagem e de como reagir a eles \u2013 e isso n\u00e3o depende somente do Jornalismo. Esse \u00e9 um esfor\u00e7o conjunto, que envolve institui\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, de alertas e de comunica\u00e7\u00e3o. Mais do que pensar na emiss\u00e3o do alerta, \u00e9 necess\u00e1rio investir em um letramento para que tais mensagens fa\u00e7am sentido para a popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">*\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">Pesquisadora e consultora na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o e meio ambiente, com \u00eanfase em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. P\u00f3s-doutora pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; habilita\u00e7\u00e3o em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o pela UFRGS, doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade <\/span><span style=\"font-size: 13.5pt;color: black\">Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e doutora em Comunica\u00e7\u00e3o pela UFRGS. Recebeu o Pr\u00eamio Capes 2017 pela melhor tese na \u00e1rea de Ci\u00eancias Ambientais. Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o Ambiental, com \u00eanfase em Jornalismo Cient\u00edfico e Clim\u00e1tico, atuando principalmente nos seguintes temas: divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, comunica\u00e7\u00e3o de riscos e desastres, e comunica\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. \u00c9 vice-l\u00edder do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq\/UFRGS) e autora da obra &#8220;Jornalismo e Riscos Clim\u00e1ticos&#8221; (Editora UFPR\/2020). Trabalha atualmente na divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do Projeto Multirrisco (UFRN\/UFABC\/Cemaden). E-mail: eloisa.beling@gmail.com.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Para voc\u00ea, o que s\u00e3o considerados riscos clim\u00e1ticos? Os riscos clim\u00e1ticos s\u00e3o aquelas amea\u00e7as percebidas em decorr\u00eancia da atual crise clim\u00e1tica. Compreendo os riscos como constructos sociais, que dependem dos contextos, das viv\u00eancias de cada indiv\u00edduo ou grupo e da maneira como se d\u00e1 sua apreens\u00e3o. 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