{"id":311,"date":"2024-03-18T09:36:21","date_gmt":"2024-03-18T12:36:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=311"},"modified":"2024-03-18T09:37:40","modified_gmt":"2024-03-18T12:37:40","slug":"wilson-da-costa-bueno-usp-jorcom-comtexto","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wilson-da-costa-bueno-usp-jorcom-comtexto","title":{"rendered":"Wilson da Costa Bueno | USP\/JorCom\/Comtexto"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>1. Na sua vis\u00e3o, o que engloba a gest\u00e3o de riscos e de crises e qual a contribui\u00e7\u00e3o deste processo para as organiza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>A gest\u00e3o de riscos e a gest\u00e3o de crises, compreendem, obrigatoriamente, uma governan\u00e7a ativa e competente, associada um sistema de compliance com diretrizes conhecidas por todos os p\u00fablicos internos. Elas devem estar respaldadas por uma cultura organizacional e de comunica\u00e7\u00e3o que incorpore, como atributos b\u00e1sicos, a identifica\u00e7\u00e3o de riscos ou situa\u00e7\u00f5es que possam acarretar preju\u00edzos do ponto de visa financeiro, patrimonial ou \u00e0 imagem de uma empresa ou organiza\u00e7\u00e3o de maneira geral.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o de riscos e a gest\u00e3o de crises se caracterizam pela articula\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo entre os v\u00e1rios setores ou \u00e1reas da empresa e pelo desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o que disseminem boas pr\u00e1ticas, a necessidade de observ\u00e2ncia aos princ\u00edpios \u00e9ticos e a estrita conformidade com a legisla\u00e7\u00e3o em vigor. Elas devem estar previstas em documentos oficiais, como os que sistematizam o Planejamento Estrat\u00e9gico, a Pol\u00edtica de Comunica\u00e7\u00e3o, e serem de conhecimento dos gestores que integram a alta administra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de todos os funcion\u00e1rios ou servidores.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>2. No seu ponto de vista, as organiza\u00e7\u00f5es brasileiras avan\u00e7aram na gest\u00e3o de riscos e crises nos \u00faltimos 10 anos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que h\u00e1, nos dias atuais, uma percep\u00e7\u00e3o mais ampliada e precisa sobre a import\u00e2ncia da gest\u00e3o de riscos e de crises nas organiza\u00e7\u00f5es brasileiras, mas \u00e9 fundamental reconhecer que, embora os riscos e as crises fa\u00e7am parte do quotidiano das empresas, um n\u00famero significativo delas ainda n\u00e3o as contempla com a prioridade devida. Muitas empresas t\u00eam evidenciado, na pr\u00e1tica, que n\u00e3o est\u00e3o adequadamente capacitadas para enfrentar os desafios decorrentes de eventos que tenham a capacidade de provocar instabilidade institucional, preju\u00edzos financeiros e abalos \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es relacionadas com a governan\u00e7a, compliance, sustentabilidade, diversidade, inclus\u00e3o, acessibilidade, dentre outras, e, particularmente no caso brasileiro, o enfrentamento de problemas associados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, certamente aumentou, mas ainda h\u00e1 muitos desafios a enfrentar. In\u00fameros setores empresariais e institui\u00e7\u00f5es governamentais se mant\u00eam displicentes em rela\u00e7\u00e3o aos riscos e subestimam os impactos decorrentes das crises, apostando, certamente, no lobby junto ao Congresso, na lentid\u00e3o da Justi\u00e7a e at\u00e9 (o que \u00e9 cada vez mais arriscado) na falta de mobiliza\u00e7\u00e3o e de vigil\u00e2ncia da sociedade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>3. Como se apresenta o cen\u00e1rio atual da pesquisa cient\u00edfica sobre risco e crise no contexto da comunica\u00e7\u00e3o organizacional no Brasil? <\/strong><\/p>\n<p>Temos observado um incremento significativo de estudos e pesquisas relacionados com gest\u00e3o de riscos e de crises na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o organizacional, com uma produ\u00e7\u00e3o crescente e a aten\u00e7\u00e3o de grupos de pesquisa que incorporam esta tem\u00e1tica em suas linhas de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise de casos de crise tem frequentado habitualmente os eventos de prest\u00edgio nesta \u00e1rea e h\u00e1 uma capacita\u00e7\u00e3o maior de profissionais que atuam nestes processos, inclusive com foco em estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o. Tem contribu\u00eddo tamb\u00e9m, para a qualifica\u00e7\u00e3o dos especialistas na \u00e1rea, a cria\u00e7\u00e3o de estruturas\/n\u00facleos nas organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas voltadas para atender a estes desafios, com a participa\u00e7\u00e3o de gestores da \u00e1rea profissionalizada de comunica\u00e7\u00e3o. Estamos aprendendo, portanto, como gerenciar estes processos tanto pelo desenvolvimento de estudos e pesquisas s\u00e9rias, como pela observa\u00e7\u00e3o atenta da pr\u00e1tica das organiza\u00e7\u00f5es que identificam os riscos e enfrentam as crises.<\/p>\n<p>Mesmo assim, \u00e9 importante frisar que o n\u00famero de grupos de pesquisa em comunica\u00e7\u00e3o com foco espec\u00edfico em comunica\u00e7\u00e3o de riscos e comunica\u00e7\u00e3o de crises ainda \u00e9 insuficiente. Em busca realizada, no in\u00edcio de mar\u00e7o de 2024, com as palavras-chave \u201ccomunica\u00e7\u00e3o de crise\u201d e \u201ccomunica\u00e7\u00e3o de riscos\u201d, no Diret\u00f3rio de Grupos de Pesquisa do CNPq, resgatamos apenas um total 14 grupos com foco nestes temas, o que \u00e9 surpreendentemente pouco expressivo, se comparado ao n\u00famero de grupos de pesquisa que se ocupam da maioria de outros temas de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>4. Quais contribui\u00e7\u00f5es pesquisas brasileiras na \u00e1rea j\u00e1 promoveram para o aperfei\u00e7oamento das pr\u00e1ticas profissionais?<\/strong><\/p>\n<p>A principal contribui\u00e7\u00e3o, a meu ver, reside no esfor\u00e7o empreendido pelas empresas, governos, centros produtores de conhecimento (universidades, por exemplo) para despertar a consci\u00eancia de gestores e dos cidad\u00e3os em geral sobre a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o nos processos de gest\u00e3o de riscos e de crises. Podemos admitir, no entanto, que poder\u00edamos estar caminhando mais aceleradamente, visto que t\u00eam aumentado os fatores de risco que potencializam as crises. No campo da comunica\u00e7\u00e3o podemos observar, nos \u00faltimos anos, a emerg\u00eancia de novos fatores potencialmente cr\u00edticos no que diz respeito a crises, como o incremento da desinforma\u00e7\u00e3o e do movimento negacionista, o impacto da utiliza\u00e7\u00e3o de aplica\u00e7\u00f5es\/ferramentas de intelig\u00eancia artificial generativa e as tens\u00f5es crescentes pelo embate pol\u00edtico\/ideol\u00f3gico que define um contexto intensamente polarizado.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>5. Que caminhos a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre risco e crise deve percorrer com vistas \u00e0 legitima\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante analisar, de maneira profunda e cr\u00edtica, os casos concretos de gest\u00e3o de riscos e de crises de modo a identificar solu\u00e7\u00f5es competentes adotadas pelas empresas, mas tamb\u00e9m registrar o esp\u00edrito n\u00e3o proativo de muitas delas em rela\u00e7\u00e3o a esta quest\u00e3o. Quando for o caso, \u00e9 imperioso denunciar posturas n\u00e3o \u00e9ticas utilizadas pelo ambiente empresarial e governamental. Tendo em vida as particularidades da nossa \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, \u00e9 recomend\u00e1vel analisar, particularmente, as a\u00e7\u00f5es\/diretrizes e normas de comunica\u00e7\u00e3o associadas a processos emblem\u00e1ticos de gest\u00e3o de riscos e de crises porque elas podem indicar caminhos, revelar lacunas e sobretudo refor\u00e7ar a necessidade de capacita\u00e7\u00e3o dos profissionais de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>6. Vivemos um per\u00edodo de desconfian\u00e7a e de incertezas nas organiza\u00e7\u00f5es envolvendo personalidades (da m\u00fasica, do futebol, do cinema etc). Na sua perspectiva, qual \u00e9 a justificativa para isso?<\/strong><\/p>\n<p>Vivemos, efetivamente, um per\u00edodo de incertezas e de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es, incluindo personalidades e\/ou celebridades.<\/p>\n<p>A ocorr\u00eancia de casos de crises que envolvem profissionais de v\u00e1rias \u00e1reas acabou despertando a aten\u00e7\u00e3o para o protagonismo destes personagens e para o fato de que muitos deles, envolvidos em situa\u00e7\u00f5es de instabilidade institucional ou por elas respons\u00e1veis, n\u00e3o estiveram sob a vigil\u00e2ncia de sistemas competentes de governan\u00e7a, compliance e da \u00e9tica corporativa.\u00a0 Casos de ass\u00e9dio sexual envolvendo artistas, jogadores de futebol, gestores de organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, conhecidos do grande p\u00fablico, evidenciam a necessidade de maior aten\u00e7\u00e3o por parte das organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas. Elas os transformam em seus parceiros, notadamente, em seu esfor\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o institucional (campanhas publicit\u00e1rias, marketing corporativo) sem se darem conta de que conflitos entre o perfil e as posturas destes personagens e os objetivos e valores institucionais podem desencadear crises potencialmente nefastas \u00e0 sua reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o crescente de influenciadores digitais em campanhas institucionais e mercadol\u00f3gicas por parte de empresas e governos permite concluir que se privilegiam, exclusivamente, as vantagens potenciais desta parceria sem levar em conta a falta de sinergia com a miss\u00e3o, a vis\u00e3o e o prop\u00f3sito das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>7. Poucas pr\u00e1ticas de comunica\u00e7\u00e3o de risco v\u00eam a p\u00fablico. Quando algo oficial \u00e9 divulgado j\u00e1 faz parte da comunica\u00e7\u00e3o de crise. Se h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico ou do mercado que devem ser comunicadas, por que ainda s\u00e3o omitidas?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 for\u00e7oso reconhecer, apesar de alguns avan\u00e7os nos \u00faltimos anos, que a cultura de preven\u00e7\u00e3o, de gest\u00e3o de riscos, dado o perfil diverso das empresas brasileiras, ainda n\u00e3o est\u00e1 presente em boa parte delas, o que favorece o surgimento e a intensifica\u00e7\u00e3o das crises. A gest\u00e3o de riscos e a gest\u00e3o de crises constituem processos estrat\u00e9gicos que devem caminhar juntos. Na verdade, a gest\u00e3o de riscos deve ser desencadeada em primeiro plano porque \u00e9 ela que orienta e sinaliza para os fatores que s\u00e3o potencialmente desencadeadores das crises. \u00c9 preciso destacar, tamb\u00e9m, que, pelo menos na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 mais estudos e pesquisas voltados para a gest\u00e3o de crises do que para a gest\u00e3o de riscos, mas \u00e9 poss\u00edvel observar algumas mudan\u00e7as nos \u00faltimos anos, com a inclus\u00e3o deste tema nos eventos, a publica\u00e7\u00e3o de artigos nos peri\u00f3dicos da \u00e1rea e mesmo a incorpora\u00e7\u00e3o de linhas de pesquisa com esse foco nos grupos de investiga\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>8. Qual crise ocorrida nos \u00faltimos anos no Brasil pode ser considerada emblem\u00e1tica, seja pela condu\u00e7\u00e3o bem-sucedida seja pela gest\u00e3o desastrosa?<\/strong><\/p>\n<p>Os exemplos s\u00e3o muitos, mas eu destacaria dois casos que ainda est\u00e3o, nesse momento em andamento. Na \u00e1rea privada, \u00e9 patente o impacto nefasto da atua\u00e7\u00e3o da mineradora Braskem na cidade de Macei\u00f3, com preju\u00edzos incalcul\u00e1veis para uma porcentagem significativa de moradores e para o meio ambiente. A mineradora ignorou os riscos desta explora\u00e7\u00e3o abusiva e predadora, priorizando unicamente os lucros e essa gan\u00e2ncia e irresponsabilidade empresarial acabaram aprofundando os preju\u00edzos, tornando a situa\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel e insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o desenvolvido para a gest\u00e3o da crise provocada pela Braskem se caracterizou pela falta de \u00e9tica, transpar\u00eancia e de di\u00e1logo com as v\u00edtimas, com a\u00e7\u00f5es que evidenciaram a sua disposi\u00e7\u00e3o de manipular a opini\u00e3o p\u00fablica. O grupo empresarial apostou no seu poderio econ\u00f4mico, no apadrinhamento pol\u00edtico e na cumplicidade dos poderes da rep\u00fablica, no \u00e2mbito municipal (executivo, legislativo e judici\u00e1rio), para empreender campanhas de convencimento sobre as suas boas pr\u00e1ticas, tentando, quase sempre, eximir-se ou reduzir a sua responsabilidade.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea p\u00fablica, devemos destacar o epis\u00f3dio da fuga de 2 presos no Pres\u00eddio Federal de Mossor\u00f3, no Rio Grande do Norte, que se tornou emblem\u00e1tico tanto do ponto de vista da gest\u00e3o de riscos, como na gest\u00e3o da crise desencadeada pela fuga.<\/p>\n<p>O sistema de seguran\u00e7a do pres\u00eddio era prec\u00e1rio, o que facilitou a sa\u00edda dos foragidos pela janela das celas, o seu deslocamento pelo ambiente do pres\u00eddio sem que fossem avistados por c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia, que n\u00e3o funcionavam, e pela ilumina\u00e7\u00e3o deficiente. Os dois elementos tiveram acesso ainda a ferramentas que possibilitaram romper o fr\u00e1gil alambrado que cercava o pres\u00eddio. \u00c9 preciso reconhecer que a culpa n\u00e3o \u00e9 devida apenas ao governo atual, mas que se reporta \u00e0 pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do pres\u00eddio, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, e \u00e0 sua manuten\u00e7\u00e3o de forma prec\u00e1ria em governos anteriores.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da comunica\u00e7\u00e3o, quando identificada a fuga, o governo federal tentou, de imediato, garantir que os presos seriam recuperados com brevidade, mas o tempo passou e ficou patente a incompet\u00eancia da for\u00e7a policial para det\u00ea-los. Flashes repetidos nos jornais de televis\u00e3o criaram a expectativa de que o momento de recupera\u00e7\u00e3o estava pr\u00f3ximo, proclamaram o esfor\u00e7o do Governo nesta empreitada (mais de 500 agentes policiais, uso de recursos tecnol\u00f3gicos modernos para identificar movimenta\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 mata e na escurid\u00e3o), mas nada aconteceu, como previsto. Muito pelo contr\u00e1rio, embora os policiais n\u00e3o o encontrassem, eles tiveram ajuda externa, receberam armas, amea\u00e7aram moradores da regi\u00e3o e, a cada dia, se movimentavam mais aceleradamente em dire\u00e7\u00e3o a pontos de fuga, como estradas municipais e estaduais.<\/p>\n<p>Manifestei-me a este respeito pelo Facebook, assim como muitos comunicadores e cidad\u00e3os, declarando que, \u201cn\u00e3o d\u00e1 para evitar a fuga de um pres\u00eddio de seguran\u00e7a m\u00e1xima, se n\u00e3o tivermos pelo menos um sistema de intelig\u00eancia m\u00ednima.\u201d<\/p>\n<p>Eu destacaria, como experi\u00eancia bem-sucedida de gest\u00e3o de crise, com participa\u00e7\u00e3o expressiva da comunica\u00e7\u00e3o, o exemplo j\u00e1 relatado pelo prof. Jo\u00e3o Jos\u00e9 Forni, em entrevista ao Observat\u00f3rio da Comunica\u00e7\u00e3o de crise e que consta tamb\u00e9m do e-book, lan\u00e7ado recentemente pelo OBCC, em comemora\u00e7\u00e3o ao seu primeiro ano de funda\u00e7\u00e3o: o choque de avi\u00f5es no aeroporto internacional Haneda, em T\u00f3quio, no dia 2 de janeiro de 2024. Embora n\u00e3o exista d\u00favida de que houve uma falha grave de comunica\u00e7\u00e3o entre os controladores de tr\u00e1fego a\u00e9reo e os pilotos das aeronaves &#8211; um Airbus A350 da Japan Airlines (JAL), um avi\u00e3o Dash-8 da Guarda Costeira japonesa, o importante \u00e9 que todas as 400 pessoas, entre tripulantes e passageiros, do Airbus, sa\u00edram ilesas. O tempo de retirada destas pessoas foi recorde (apenas 90 segundos) e impediu que elas fossem atingidas pelo fogo que, quase instantaneamente, consumiu a aeronave O \u00eaxito desta retirada, que salvou todas as vidas, se deveu a in\u00fameros procedimentos e a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o corretas e r\u00e1pidas tomadas pela tripula\u00e7\u00e3o do avi\u00e3o de passageiros.<\/p>\n<p>As(os) colegas interessadas(o)s em consultar maiores detalhes deste epis\u00f3dio, exemplarmente lembrado como de gest\u00e3o perfeita de crises, podem acessar a descri\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise que constam do site do prof. Forni pelo link: https:\/\/www.comunicacaoecrise.com\/site\/index.php\/artigos\/1238-choque-de-avioes-no-japao-uma-aula-de-gestao-de-crise. Ali\u00e1s, convido a toda(o)s a conhecerem este portal de Comunica\u00e7\u00e3o &amp; Crise que traz recursos valiosos para quem estuda e pesquisa essa tem\u00e1tica relevante.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>9. De que formas os profissionais da Comunica\u00e7\u00e3o podem sensibilizar empres\u00e1rios e gestores p\u00fablicos sobre a import\u00e2ncia da cultura da preven\u00e7\u00e3o e a necessidade da gest\u00e3o de riscos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante que os profissionais de comunica\u00e7\u00e3o estejam mobilizados para destacar a import\u00e2ncia da cultura de preven\u00e7\u00e3o e a necessidade da gest\u00e3o de riscos, apresentando trabalhos e cases em eventos da \u00e1rea e realizando projetos de pesquisa para a an\u00e1lise detalhada de casos concretos. Urge, tamb\u00e9m, debater estas tem\u00e1ticas nos sindicatos e nas associa\u00e7\u00f5es da \u00e1rea, lembrando que, sobretudo, o esfor\u00e7o deve ser coletivo porque, ao sinalizar para problemas que tenham a ver com as empresas ou clientes para os quais trabalham, os profissionais podem ser objeto de repres\u00e1lia.\u00a0 Os comunicadores devem, por isso, estar articulados com organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, ao mesmo tempo que precisam empreender sua capacita\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de governan\u00e7a, com o IBGC, de compliance e assim por diante.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>10. Olhando de fora, no contexto atual e diante da atua\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel perceber sinais que p\u00f5em em risco alguma organiza\u00e7\u00e3o brasileira nos pr\u00f3ximos anos? <\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 in\u00fameros fatores que podem incrementar riscos, especialmente para o desenvolvimento da atividade de comunica\u00e7\u00e3o organizacional. Podemos destacar, dentre outros, a aplica\u00e7\u00e3o abusiva e n\u00e3o \u00e9tica das IA generativa, a participa\u00e7\u00e3o de profissionais em movimentos ou no desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es que comprometem a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es qualificadas, refor\u00e7ando o negacionismo e a desinforma\u00e7\u00e3o. \u00c9 fundamental reconhecer, ainda, os riscos da n\u00e3o ades\u00e3o e da falta de compromisso com valores e princ\u00edpios que s\u00e3o caros \u00e0 sociedade, como a promo\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o, da diversidade, da acessibilidade, o respeito aos direitos humanos e toda sorte de preconceitos que ainda permanecem ativos em nosso contexto (racial, de g\u00eanero, religioso, \u00e9tnico).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>11. Ap\u00f3s a Pandemia do Novo Coronav\u00edrus e das Elei\u00e7\u00f5es 2022 no Brasil, a imprensa est\u00e1 mais bem preparada para cobrir situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que evolu\u00edmos neste sentido porque houve um debate importante durante a epidemia de covid e tamb\u00e9m sobre a\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9ticas desenvolvidas durante o per\u00edodo das elei\u00e7\u00f5es. A a\u00e7\u00e3o positiva dos tribunais (TSE, STF) no sentido de identificar desvios, abusos, crimes durante estes per\u00edodos ainda se mant\u00e9m e h\u00e1 ind\u00edcios favor\u00e1veis de que vivenciaremos situa\u00e7\u00f5es menos cr\u00edticas durante as elei\u00e7\u00f5es municipais de 2024. \u00c9 necess\u00e1rio estar atento sobretudo para o uso devastador de determinadas aplica\u00e7\u00f5es de IA, as chamadas \u201cdeepfakes\u201d, para as manifesta\u00e7\u00f5es que legitimam o discurso de \u00f3dio e para o incentivo ao golpismo, que caracterizou a elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2022 e ainda movimenta segmentos representativos da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>*Wilson da Costa Bueno \u00e9 jornalista, professor s\u00eanior da ECA\/USP, com mestrado e doutorado em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Rural. \u00c9 l\u00edder do grupo de pesquisa JORCOM \u2013 O Jornalismo na Comunica\u00e7\u00e3o Organizacional, certificado pela USP e registrado no Diret\u00f3rio dos Grupos de Pesquisa do CNPq. J\u00e1 orientou mais de 120 disserta\u00e7\u00f5es e teses em Comunica\u00e7\u00e3o\/Jornalismo e \u00e9 diretor da Comtexto Comunica\u00e7\u00e3o e Pesquisa, consultoria que atua h\u00e1 mais de 40 anos nas \u00e1reas de Comunica\u00e7\u00e3o Organizacional e Jornalismo Especializado (Cient\u00edfico, Ambiental, Sa\u00fade e Rural).\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. Na sua vis\u00e3o, o que engloba a gest\u00e3o de riscos e de crises e qual a contribui\u00e7\u00e3o deste processo para as organiza\u00e7\u00f5es? A gest\u00e3o de riscos e a gest\u00e3o de crises, compreendem, obrigatoriamente, uma governan\u00e7a ativa e competente, associada um sistema de compliance com diretrizes conhecidas por todos os p\u00fablicos internos. 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