{"id":327,"date":"2024-05-28T14:18:35","date_gmt":"2024-05-28T17:18:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=327"},"modified":"2024-05-28T14:28:02","modified_gmt":"2024-05-28T17:28:02","slug":"sergio-andreucci-casper-usp-andreucci-comunicacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/sergio-andreucci-casper-usp-andreucci-comunicacao","title":{"rendered":"Sergio Andreucci | C\u00e1sper\/USP\/Andreucci Comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<ol>\n<li><strong>Na sua vis\u00e3o, o que engloba a gest\u00e3o de riscos e de crises e qual a contribui\u00e7\u00e3o deste processo para as organiza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas exercida no Brasil por meio das \u00e1reas espec\u00edficas de comunica\u00e7\u00e3o corporativa, assessorias, consultorias e ag\u00eancias de RP, t\u00eam por demanda tradicional atender situa\u00e7\u00f5es do cotidiano da comunica\u00e7\u00e3o organizacional, bem como eventualmente responder por situa\u00e7\u00f5es inesperadas pela ocorr\u00eancia de crises de imagem.\u00a0 Tradicionalmente, as a\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o de crises est\u00e3o muito relacionadas \u00e0s atividades de assessoria de imprensa, prepara\u00e7\u00e3o de porta-vozes, comunica\u00e7\u00e3o com lideran\u00e7as e demais t\u00e1ticas voltadas para p\u00fablicos estrat\u00e9gicos ligados diretamente ao contexto, com o objetivo de minimizar os efeitos negativos de imagem proporcionados pela crise.\u00a0<\/p>\n<p>O que sabemos de fato \u00e9 como uma crise come\u00e7a, por\u00e9m n\u00e3o sabemos quando e como termina, os resultados reputacionais e o tempo de crise s\u00e3o praticamente incertos, portanto, todas as organiza\u00e7\u00f5es que se envolvem em alguma situa\u00e7\u00e3o de crise acabam demandando muitos recursos humanos e financeiros, na tentativa de controle e para a menor perda poss\u00edvel do seu capital de imagem.\u00a0<\/p>\n<p>A gest\u00e3o de riscos passou a ser um instrumento poderoso para melhoria cont\u00ednua dos processos, bem como um balizador de condutas e de estrat\u00e9gias corporativas. Outro fato preocupante \u00e9 que parte das organiza\u00e7\u00f5es que possuem planos de gest\u00e3o de riscos n\u00e3o contempla planos de conting\u00eancias para poss\u00edveis riscos residuais, ou seja, um\u00a0<em>risco<\/em>\u00a0que continua ap\u00f3s as respostas terem sido implementadas e que permanecem mesmo ap\u00f3s as contramedidas corporativas.<\/p>\n<p>O papel mais estrat\u00e9gico das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas para gest\u00e3o de crises dever\u00e1 anteceder ao pr\u00f3prio evento da crise, ou seja, \u00e9 muito mais seguro, econ\u00f4mico e eficiente para prote\u00e7\u00e3o da imagem e reputa\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es, o trabalho apurado das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na gest\u00e3o de riscos, antecipando fatos, verificando anomalias, tratando os problemas na fonte.\u00a0 Antes que essas anomalias se transformem em riscos e riscos se transformem em crises.<\/p>\n<p>Estar preparado para as conting\u00eancias \u00e9 ser estrat\u00e9gico e faz parte de um planejamento respons\u00e1vel, pois devemos medir e agir continuamente sobre os nossos riscos, mas n\u00e3o podemos fazer o mesmo com as incertezas. Trabalhar o mapeamento e a gest\u00e3o de riscos sem d\u00favida nenhuma apresenta a forma mais segura e efetiva para salvaguarda do patrim\u00f4nio reputacional das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>No seu ponto de vista, as organiza\u00e7\u00f5es brasileiras avan\u00e7aram na gest\u00e3o de riscos e crises nos \u00faltimos 10 anos?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da minha pesquisa, bem como da minha experi\u00eancia profissional, entendo que evolu\u00edmos muito nos \u00faltimos 10 anos em grandes empresas no quesito gest\u00e3o de riscos e crises, principalmente em empresas multinacionais, por\u00e9m na maioria das empresas n\u00e3o percebo ainda a aproxima\u00e7\u00e3o dos instrumentos de gest\u00e3o de risco com a \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mecanismos paralelos, que n\u00e3o se conversam e s\u00e3o conduzidos por \u00e1reas diferentes da organiza\u00e7\u00e3o.\u00a0 A comunica\u00e7\u00e3o acaba se integrando ao processo apenas na fase de comunica\u00e7\u00e3o de risco ou j\u00e1 tardiamente com o contingenciamento de crises.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Como se apresenta o cen\u00e1rio atual da pesquisa cient\u00edfica sobre risco e crise no contexto da comunica\u00e7\u00e3o organizacional no Brasil?\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No decorrer da minha pesquisa, de durou quatro anos, n\u00e3o encontrei dentro das Faculdades de Comunica\u00e7\u00e3o elementos e fundamentos suficientes para o estudo da gest\u00e3o de riscos, por\u00e9m, e de forma abundante, muito conte\u00fado e produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o de crises.\u00a0 Devido a essa dificuldade, busquei aux\u00edlio e base de conhecimento na \u00e1rea da Administra\u00e7\u00e3o, especificamente na FEA \/ USP e na FGV, onde tive acesso a um volume consider\u00e1vel de artigos sobre gest\u00e3o de riscos, por\u00e9m quase nada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o de crises. Ficou evidente para mim durante o per\u00edodo de pesquisa que as \u00e1reas do conhecimento da Comunica\u00e7\u00e3o e da Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o estavam nenhum pouco integradas.\u00a0 Enquanto uma s\u00f3 falava de risco a outra s\u00f3 falava de crise.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>Quais contribui\u00e7\u00f5es pesquisas brasileiras na \u00e1rea j\u00e1 promoveram para o aperfei\u00e7oamento das pr\u00e1ticas profissionais?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m acredito que apesar de termos algumas boas parcerias, principalmente por meio da Aberje, da Abrapcorp e da Abracom, bem como de iniciativas dos pr\u00f3prios cursos de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o das Faculdades, ainda estamos muito distantes do ideal.\u00a0 Entendo que estamos reconstruindo, p\u00f3s-pandemia, os la\u00e7os entre as Faculdades e as Organiza\u00e7\u00f5es, que tiveram por conta da crise que reduzir drasticamente os investimentos em qualifica\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento dos seus colaboradores, bem como tamb\u00e9m se afastaram durante esse per\u00edodo de poss\u00edveis parcerias com a academia.<\/p>\n<p>No que tange a \u00e1rea de gest\u00e3o de riscos, a ANPAD &#8211; Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Administra\u00e7\u00e3o promove anualmente seu evento internacional e contribui efetivamente para as Organiza\u00e7\u00f5es por meio de um Grupo de Trabalho espec\u00edfico sobre Gest\u00e3o de Riscos Corporativos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>Que caminhos a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre risco e crise deve percorrer com vistas \u00e0 legitima\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Do \u00e2mbito da \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o precisamos repensar as ementas e os curr\u00edculos dos programas de gradua\u00e7\u00e3o, bem como os professores e pesquisadores da \u00e1rea precisam se aproximar do entendimento de risco como estrat\u00e9gia de sustenta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio neg\u00f3cio das organiza\u00e7\u00f5es. Durante o estudo explorat\u00f3rio que realizei, ficou constatado nitidamente uma diferen\u00e7a de comportamento e entendimento da atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas nos Estados Unidos em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, especificamente na abordagem das quest\u00f5es de gest\u00e3o de riscos, isto \u00e9, existe uma aproxima\u00e7\u00e3o maior entre as \u00e1reas de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e da Administra\u00e7\u00e3o naquele pa\u00eds, no qual a presen\u00e7a e atua\u00e7\u00e3o do profissional de RP \u00e9 mais efetiva em todo o processo de gest\u00e3o de riscos. Uma prov\u00e1vel hip\u00f3tese para essa constata\u00e7\u00e3o pode estar relacionada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica da \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas nos Estados Unidos, que considera o conhecimento da Administra\u00e7\u00e3o e Neg\u00f3cios como elemento fundamental para prepara\u00e7\u00e3o de novos profissionais, al\u00e9m ainda do fato dos principais estudos e metodologias do segmento de gest\u00e3o de riscos serem oriundos de importantes Institutos e Universidades Estadunidenses.<\/p>\n<p>No Brasil, caminhamos muito nos conceitos e pr\u00e1ticas de gest\u00e3o de crises, agora precisamos, e j\u00e1 come\u00e7amos, nos aprofundar no entendimento do mapeamento de riscos das organiza\u00e7\u00f5es, em toda a sua cadeia produtiva, desde os seus insumos at\u00e9 a sua p\u00f3s-entrega, tanto para produtos quanto para servi\u00e7os.\u00a0 Nos Estados Unidos e grande parte do mundo, a forma\u00e7\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas est\u00e1 ligada a \u00e1rea de conhecimento de Neg\u00f3cios \u2013 <em>Business, <\/em>aqui no Brasil, apesar do MEC ter reclassificado recentemente os cursos de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e de Publicidade e Propaganda como cursos pertencentes \u00e0 \u00e1rea de conhecimento Neg\u00f3cios, ainda estamos presos aos Curr\u00edculos de Comunica\u00e7\u00e3o Social, sendo que o ideal seria um equil\u00edbrio entre as \u00e1reas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Vivemos um per\u00edodo de desconfian\u00e7a e de incertezas nas organiza\u00e7\u00f5es envolvendo personalidades (da m\u00fasica, do futebol, do cinema etc). Na sua perspectiva, qual \u00e9 a justificativa para isso?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Infelizmente estamos passando por um per\u00edodo longo de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no Brasil, fazendo com que ideologias radicais interfiram significativamente na produ\u00e7\u00e3o cultural, na m\u00eddia, na academia, na participa\u00e7\u00e3o social das empresas, al\u00e9m devastar muitas rela\u00e7\u00f5es familiares e de amizades.\u00a0 Esse ambiente nefasto vem atrasando o desenvolvimento do pa\u00eds, proporcionando um comportamento totalmente r\u00edspido e muitas vezes cauteloso pelas pessoas de bom senso que acabam abortando iniciativas e projetos com receio de serem julgados e mal interpretados pela opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>Poucas pr\u00e1ticas de comunica\u00e7\u00e3o de risco v\u00eam a p\u00fablico. Quando algo oficial \u00e9 divulgado j\u00e1 faz parte da comunica\u00e7\u00e3o de crise. Se h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico ou do mercado que devem ser comunicadas, por que ainda s\u00e3o omitidas?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De fato, a Comunica\u00e7\u00e3o, dentro do cen\u00e1rio nacional, vem chegando sempre atrasada, ou seja, quando acontece j\u00e1 est\u00e1 na fase final de comunica\u00e7\u00e3o de risco &#8211; ou pior &#8211; de comunica\u00e7\u00e3o de crise. Este fen\u00f4meno, no meu entendimento, ocorre, pois os profissionais da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o muito distantes dos processos de produ\u00e7\u00e3o da Administra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos nos fechar no quadrado da comunica\u00e7\u00e3o, precisamos nos aproximar de toda cadeia produtiva, entendendo as anomalias e os poss\u00edveis riscos, tratando os riscos durante todo o processo de produ\u00e7\u00e3o e evitando crises.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong>Qual crise ocorrida nos \u00faltimos anos no Brasil pode ser considerada emblem\u00e1tica, seja pela condu\u00e7\u00e3o bem-sucedida seja pela gest\u00e3o desastrosa?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente estamos convivendo com in\u00fameros eventos de crises nos \u00faltimos tempos.\u00a0 Logicamente temos exemplos positivos e muitos negativos, na maioria das vezes o que vem a p\u00fablico s\u00e3o os negativos.\u00a0<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, fora a crise do COVID que foi causado por quest\u00f5es de macroambiente, a maior crise emblem\u00e1tica dos \u00faltimos anos causada por uma organiza\u00e7\u00e3o foi decorrente do desastre ambiental ocorrido pelo rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho.\u00a0 Apesar de as empresas envolvidas estarem hoje respondendo, por meio de uma Funda\u00e7\u00e3o, pelas medidas de recupera\u00e7\u00e3o do impacto ambiental e social, a condu\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o de riscos inexistiu, bem como o processo de gest\u00e3o de crises foi tardio, conflitante e nada transparente.<\/p>\n<p>Quando falamos de processos de gest\u00e3o de riscos bem-sucedidos, podemos citar, por exemplo, a postura de v\u00e1rias montadoras de ve\u00edculos automotores (nem todas) que se anteciparam ao mercado anunciando por diversas vezes o recall de pe\u00e7as, muito antes da ocorr\u00eancia de um evento negativo pudesse acontecer com um condutor propriet\u00e1rio de um carro.<\/p>\n<p>No campo da gest\u00e3o de crises, posso apontar de maneira positiva como o Governo do Estado de S\u00e3o Paulo, durante a crise do abastecimento de \u00e1gua em 2014, administrou a comunica\u00e7\u00e3o de crise com agilidade, efici\u00eancia e transpar\u00eancia.\u00a0 Instalando prontamente o seu comit\u00ea de crises e realizando as a\u00e7\u00f5es anteriormente planejadas no seu Plano de Crises de forma articulada e transparente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong>De que formas os profissionais da Comunica\u00e7\u00e3o podem sensibilizar empres\u00e1rios e gestores p\u00fablicos sobre a import\u00e2ncia da cultura da preven\u00e7\u00e3o e a necessidade da gest\u00e3o de riscos?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Acredito que o melhor argumento passe pelo convencimento de que a gest\u00e3o de riscos al\u00e9m de evitar uma crise, que pode convalescer de maneira irrevers\u00edvel a organiza\u00e7\u00e3o, traz efici\u00eancia, pois gerenciar riscos melhora a produtividade e consequentemente os resultados da organiza\u00e7\u00e3o. Tratar de maneira hol\u00edstica todo o processo da cadeia produtiva da empresa, levantando as anomalias, mapeando seus riscos, controlando de forma efetiva esses riscos, tratando os riscos residuais, garante o padr\u00e3o de qualidade do neg\u00f3cio e a sua seguran\u00e7a na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e na fabrica\u00e7\u00e3o de produtos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong>Olhando de fora, no contexto atual e diante da atua\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel perceber sinais que p\u00f5em em risco alguma organiza\u00e7\u00e3o brasileira nos pr\u00f3ximos anos?\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Sem d\u00favida nenhuma as empresas, tanto no Brasil quanto de fora, est\u00e3o muito mais expostas e sens\u00edveis \u00e0s crises.\u00a0 As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o equil\u00edbrio entre o consumo e a produ\u00e7\u00e3o, a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mundial, a corrida tecnol\u00f3gica, a economia do planeta, as rela\u00e7\u00f5es internacionais e os conflitos das guerras, nos apontam para um cen\u00e1rio totalmente incerto e imprevis\u00edvel, tanto para as organiza\u00e7\u00f5es quanto para a sociedade.\u00a0 Vivemos em um mercado global integrado e em muta\u00e7\u00e3o constante, que tira o sono de qualquer governante e de empres\u00e1rios tamb\u00e9m.\u00a0 Os fatores de macroambiente sem d\u00favida nenhuma se apresentam como os maiores desafios e de risco para as organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li><strong>Ap\u00f3s a Pandemia do Novo Coronav\u00edrus e das Elei\u00e7\u00f5es 2022 no Brasil, a imprensa est\u00e1 mais bem preparada para cobrir situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Apesar da tentativa constante de controle e de cerceamento de liberdade de express\u00e3o que presenciamos nos \u00faltimos tempos, acredito que a imprensa brasileira est\u00e1 preparada para a cobertura de situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas que possam a vir acontecer.\u00a0 A imprensa tamb\u00e9m aprendeu com os seus erros e hoje se preocupa muito mais com a qualidade da fonte de informa\u00e7\u00e3o e a sua veracidade, aparentemente \u00e9 mais cautelosa.\u00a0 O problema ainda est\u00e1 no poder de quem det\u00e9m os meios de comunica\u00e7\u00e3o e de seus interesses, por muitas vezes, principalmente na imprensa regional, os interesses acabam contribuindo decisivamente para a qualidade imparcial ou parcial dos fatos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"12\">\n<li><strong>Voc\u00ea acabou de lan\u00e7ar um livro sobre Riscos de Comunica\u00e7\u00e3o e a relev\u00e2ncia da gest\u00e3o de identidades nas Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. Conte-nos um pouco a respeito da publica\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0A obra publicada pela Editora Aberje, na vers\u00e3o e-book e impressa, apresenta o resultado da minha tese de doutorado e uma reflex\u00e3o da minha atua\u00e7\u00e3o profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas de mais de 32 anos.<\/p>\n<p>Ao longo de 334 p\u00e1ginas fa\u00e7o um mergulho profundo nas quest\u00f5es da Comunica\u00e7\u00e3o Organizacional e de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas e apresento uma nova metodologia para o mapeamento de riscos em comunica\u00e7\u00e3o, denominada Matriz de Probabilidade de Riscos em Comunica\u00e7\u00e3o Corporativa, adaptada e baseada nos conceitos metodol\u00f3gicos da ISO 31000, no COSO- Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commissioneno e do PMI &#8211; Project Management Institute.\u00a0 A obra teve como suporte conceitual o estudo explorat\u00f3rio com a revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica e de artigos de 366 refer\u00eancias, sendo 255 nacionais e 111 internacionais, al\u00e9m de um estudo de caso com aplica\u00e7\u00e3o de pesquisa qualitativa e aplica\u00e7\u00e3o do modelo proposto.<\/p>\n<p>O tema principal desse estudo est\u00e1 relacionado \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do profissional de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas na gest\u00e3o de crises, indagando qual seria o posicionamento mais correto do RP para administra\u00e7\u00e3o de conting\u00eancias que envolvam a imagem e a reputa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es, ou seja, propondo um reposicionamento estrat\u00e9gico voltado \u00e0 gest\u00e3o de riscos corporativos de imagem.\u00a0 Uma reflex\u00e3o sobre o papel das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas, na aproxima\u00e7\u00e3o mais assertiva junto \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o e aos processos de produ\u00e7\u00e3o, antecipando-se \u00e0s possibilidades de crise, trabalhando preventivamente nas anomalias e nos riscos de imagem da cadeia produtiva.\u00a0 Tratar com aten\u00e7\u00e3o as vulnerabilidades, al\u00e9m de defender a imagem e a reputa\u00e7\u00e3o, prepara a empresa para poss\u00edveis eventos indesejados, contribui para o aperfei\u00e7oamento da organiza\u00e7\u00e3o e para o fortalecimento de todos os seus recursos, incluindo pessoas. A gest\u00e3o de riscos, assim sendo, acontece antes do pr\u00f3prio evento indesejado, protegendo as empresas administrativamente e organizando o seu sistema anticrises, baseado em todos os fatores de micro e macroambientes, que interferem direta ou indiretamente na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A identidade organizacional \u00e9 tratada no livro como ponto de partida para gest\u00e3o de riscos, pois a preocupa\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es relacionadas \u00e0 imagem e reputa\u00e7\u00e3o sempre foram pauta para a consecu\u00e7\u00e3o dos planejamentos estrat\u00e9gicos e de fundamental import\u00e2ncia para sobreviv\u00eancia dos neg\u00f3cios de maneira segura e equilibrada. Ao pensar sobre comunica\u00e7\u00e3o de riscos, a obra n\u00e3o est\u00e1 apenas caracterizando o trabalho de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas nas a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o de riscos, e sim, propondo que o Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas trabalhe tamb\u00e9m no tratamento dos riscos.\u00a0 Assim sendo, a figura realmente estrat\u00e9gica das Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas s\u00f3 ser\u00e1 de fato uma realidade, para prote\u00e7\u00e3o inteligente do capital reputacional de uma organiza\u00e7\u00e3o, quando estiver preparada para agir continuamente sobre os riscos, evitando as incertezas e se antecipando \u00e0s crises.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>* <\/strong>Doutor em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o pela ECA\/ USP. Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o pela C\u00e1sper L\u00edbero, MBA em Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica de Neg\u00f3cios pela FGV, Especialista em Marketing pela FECAP, Sergio Andreucci foi executivo de comunica\u00e7\u00e3o em grandes empresas do setor el\u00e9trico. \u00c9 s\u00f3cio-diretor da Andreucci Comunica\u00e7\u00e3o &#8211; ag\u00eancia especializada em gest\u00e3o de riscos e crises h\u00e1 22 anos, professor da C\u00e1sper L\u00edbero h\u00e1 30 anos e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da ECA \/ USP desde 2003.\u00a0 Andreucci, desde o in\u00edcio da sua carreira, sempre esteve \u00e0 frente de projetos importantes de gerenciamento de riscos e crises, atendendo em quase 35 anos de atua\u00e7\u00e3o mais de 65 empresas. Autor do livro \u201cRiscos de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 a relev\u00e2ncia da gest\u00e3o de identidades nas Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas\u201d (2023).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sua vis\u00e3o, o que engloba a gest\u00e3o de riscos e de crises e qual a contribui\u00e7\u00e3o deste processo para as organiza\u00e7\u00f5es? \u00a0 A atividade de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas exercida no Brasil por meio das \u00e1reas espec\u00edficas de comunica\u00e7\u00e3o corporativa, assessorias, consultorias e ag\u00eancias de RP, t\u00eam por demanda tradicional atender situa\u00e7\u00f5es do cotidiano da comunica\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":315,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-327","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/users\/315"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=327"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/327\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}