{"id":355,"date":"2024-08-05T14:28:02","date_gmt":"2024-08-05T17:28:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=355"},"modified":"2024-08-05T14:44:59","modified_gmt":"2024-08-05T17:44:59","slug":"elisa-prado-aberje-espm-bta","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/elisa-prado-aberje-espm-bta","title":{"rendered":"Elisa Prado | Aberje\/ESPM\/BTA"},"content":{"rendered":"\n<ol>\n<li><strong>Na sua vis\u00e3o, o que engloba a gest\u00e3o de riscos e de crises e qual a contribui\u00e7\u00e3o deste processo para as organiza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A gest\u00e3o de riscos \u00e9 fundamental para qualquer organiza\u00e7\u00e3o, independentemente de seu tamanho ou setor de atua\u00e7\u00e3o. Este processo permite que a organiza\u00e7\u00e3o identifique potenciais amea\u00e7as, sejam elas financeiras, operacionais, de mercado ou relacionadas \u00e0 conformidade e danos \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o. Isso ajuda a antecipar crises antes que elas ocorram.<\/p>\n<p>Ou seja, a gest\u00e3o de riscos \u00e9 essencial para garantir que uma organiza\u00e7\u00e3o possa operar de maneira eficiente, segura e sustent\u00e1vel, maximizando suas oportunidades e minimizando suas amea\u00e7as.<\/p>\n<p>A gest\u00e3o de riscos e a gest\u00e3o de crises s\u00e3o complementares. Uma boa gest\u00e3o de riscos pode ajudar a prevenir crises, enquanto uma gest\u00e3o de crises eficaz pode fornecer feedback valioso para melhorar a gest\u00e3o de riscos. Juntas, elas formam um sistema robusto para proteger a organiza\u00e7\u00e3o contra incertezas e garantir sua resili\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 diferen\u00e7as:<br \/>\u2022 Gest\u00e3o de Riscos: Proativa, com foco na antecipa\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o de riscos antes que eles se concretizem.<br \/>\u2022 Gest\u00e3o de Crises: Reativa, lidando com situa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 ocorreram e exigem uma resposta imediata.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>No seu ponto de vista, as organiza\u00e7\u00f5es brasileiras avan\u00e7aram na gest\u00e3o de riscos e crises nos \u00faltimos 10 anos?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Sim, as organiza\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram consideravelmente na gest\u00e3o de riscos e crises nos \u00faltimos dez anos, adotando uma abordagem mais integrada, proativa e baseada em dados. Essa evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 impulsionada pela necessidade de se adaptar a um ambiente de neg\u00f3cios em constante mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Com a aprova\u00e7\u00e3o da lei 12.846 em 2013, conhecida como a Lei Anticorrup\u00e7\u00e3o, houve uma concreta evolu\u00e7\u00e3o da atividade de governan\u00e7a corporativa e compliance no Brasil, pois ela prev\u00ea a responsabiliza\u00e7\u00e3o objetiva, no \u00e2mbito civil e administrativo, de empresas que praticam atos lesivos contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e as empresas passaram a ser obrigadas a fazer uma gest\u00e3o mais respons\u00e1vel e transparente de suas iniciativas.<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 uma relevante preocupa\u00e7\u00e3o dos stakeholders (em especial dos acionistas e investidores) com a postura das organiza\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o ao seu programa de compliance. Tanto no Brasil, quanto globalmente, fundos de investimento vem examinando quest\u00f5es como a defini\u00e7\u00e3o do conjunto de valores da empresa, a conduta interna em rela\u00e7\u00e3o aos colaboradores, o mapeamento de riscos e a estrat\u00e9gia elaborada para se proteja a reputa\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O novo conceito de resili\u00eancia organizacional ganhou destaque, levando as empresas a se prepararem n\u00e3o apenas para evitar crises, mas tamb\u00e9m para se recuperar rapidamente delas. Isso envolve planejamento de continuidade de neg\u00f3cios e desenvolvimento de planos de resposta a crises.<\/p>\n<p>Enfim, a gest\u00e3o de riscos e crises agora \u00e9 vista como uma parte essencial da estrat\u00e9gia organizacional, contribuindo para a resili\u00eancia e sustentabilidade a longo prazo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Como se apresenta o cen\u00e1rio atual da pesquisa cient\u00edfica sobre risco e crise no contexto da comunica\u00e7\u00e3o organizacional no Brasil?\u00a0<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><br \/>Este ano de 2024 tivemos o lan\u00e7amento do livro Riscos de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 A relev\u00e2ncia da Gest\u00e3o de Identidades nas rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, do autor Sergio Andreucci, fruto de uma extensa e completa pesquisa de doutorado desenvolvida na Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo. Este livro traz orienta\u00e7\u00e3o sobre a constru\u00e7\u00e3o e a condu\u00e7\u00e3o de rituais fundamentais para a atividade de gest\u00e3o de riscos e crises.<\/p>\n<p>O IBGC \u2013 Instituto Brasileiro de Governan\u00e7a Corporativa \u00e9 refer\u00eancia neste setor e muito ativo nestes temas, oferecendo cursos e forma\u00e7\u00f5es em compliance, gest\u00e3o de riscos e crises.<\/p>\n<p>As principais escolas de neg\u00f3cios, como FGV, Dom Cabral, Insper e FIA tamb\u00e9m trazem relevantes estudos, artigos e cursos sobre a governan\u00e7a coorporativa, compliance, incluindo a gest\u00e3o de riscos e crises.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>Que caminhos a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamico-cient\u00edfica sobre risco e crise deve percorrer com vistas \u00e0 legitima\u00e7\u00e3o desta \u00e1rea?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Acredito que a academia tem uma grande responsabilidade na evolu\u00e7\u00e3o destes temas.<\/p>\n<p>\u00c9 de extrema import\u00e2ncia que a academia incentive estudantes de mestrado e doutorado para estudos que abordem a gest\u00e3o de riscos que geram maior impacto \u00e0 sociedade, principalmente aqueles voltados aos crit\u00e9rios ESG, considerando ainda os riscos estrat\u00e9gicos, operacionais, de compliance, financeiro e por fim, e n\u00e3o menos importante, o de reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algumas sugest\u00f5es de trabalhos que poderiam ser realizados pela academia:<\/p>\n<ul>\n<li>Analisar vis\u00f5es estrat\u00e9gicas de gest\u00e3o de risco em organiza\u00e7\u00f5es, inclusive quanto \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de apetite e toler\u00e2ncia ao risco;<\/li>\n<li>Identificar, classificar, mensurar, avaliar e priorizar os riscos da empresa;<\/li>\n<li>Desenvolver planos de tratamento e resposta aos riscos da empresa e entender os pap\u00e9is das linhas de defesa;<\/li>\n<li>Elaborar processos adequados para governan\u00e7a e gest\u00e3o de riscos integrados aos controles internos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>Vivemos um per\u00edodo de desconfian\u00e7a e de incertezas nas organiza\u00e7\u00f5es envolvendo personalidades (da m\u00fasica, do futebol, do cinema etc.). Na sua perspectiva, qual \u00e9 a justificativa para isso?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vivemos em um mundo cada vez mais complexo e disruptivo e sabemos que a \u00fanica certeza que temos \u00e9 a incerteza.<\/p>\n<p>\u00c9 a era da supertranspar\u00eancia.\u00a0 Um mundo repleto de est\u00edmulos, ultraconectado, globalizado e com informa\u00e7\u00f5es chegando a todo momento e por v\u00e1rios canais. Neste novo contexto, as empresas j\u00e1 n\u00e3o det\u00eam mais a hegemonia discursiva. Hoje, todos se mobilizam, se articulam e querem ser ouvidos, fazendo valer suas demandas, seus direitos, seus valores. Isto tudo tem gerado muitos desafios para a reputa\u00e7\u00e3o e sustentabilidade dos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Diante deste novo comportamento das pessoas e consumidores, as crises acontecem todos os dias. Seja com empresas, pessoas desconhecidas, celebridades, artistas. Ou seja, com qualquer um.<\/p>\n<p>\u00a0Sabemos que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 sobre se vai acontecer, mas quando vai acontecer. Assim, as organiza\u00e7\u00f5es precisam estar preparadas para enfrent\u00e1-las e a forma mais correta \u00e9 por meio da gest\u00e3o de riscos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Poucas pr\u00e1ticas de comunica\u00e7\u00e3o de risco v\u00eam a p\u00fablico. Quando algo oficial \u00e9 divulgado j\u00e1 faz parte da comunica\u00e7\u00e3o de crise. Se h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico ou do mercado que devem ser comunicadas, por que ainda s\u00e3o omitidas?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas de gest\u00e3o de risco de uma empresa s\u00e3o feitas geralmente pelas \u00e1reas financeiras e de compliance e fazem parte de um processo extremamente interno e confidencial. \u00a0Quando \u00e9 feito de uma forma estruturada e s\u00e9ria, se apresentam todas as vulnerabilidades de uma organiza\u00e7\u00e3o e um s\u00f3 documento.<\/p>\n<ul>\n<li>O processo inicia com uma entrevista com executivos de \u00e1reas- chave do neg\u00f3cio, para determinar quais os riscos devem fazer parte da gest\u00e3o de riscos da empresa.<\/li>\n<li>Assim que identificados, \u00e9 necess\u00e1rio classificar, mensurar, avaliar e priorizar os riscos da empresa;<\/li>\n<li>Em seguida, desenvolver planos de tratamento e resposta aos riscos da empresa e entender os pap\u00e9is das linhas de defesa;<\/li>\n<li>E por fim, elaborar processos adequados para governan\u00e7a e gest\u00e3o de riscos integrados aos controles internos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Diante disto, as vulnerabilidades de uma empresa, quando vem a p\u00fablico, geralmente j\u00e1 se encontram em fase de crise. Como exemplo o caso da Vale e Brumadinho. O risco de que uma barragem viesse a se romper j\u00e1 constava (provavelmente) da matriz de riscos da companhia como um risco de alto impacto com alta probabilidade de ocorrer. No entanto, este evento somente veio \u00e0 tona quando houve o acidente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>Qual crise ocorrida nos \u00faltimos anos no Brasil pode ser considerada emblem\u00e1tica, seja pela condu\u00e7\u00e3o bem-sucedida seja pela gest\u00e3o desastrosa?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Cito duas crises emblem\u00e1ticas nos \u00faltimos tempos:<\/p>\n<p><strong>Vale e Brumadinho &#8211; 25 de janeiro de 2019<\/strong> &#8211; a maior crise corporativa ocorrida no Brasil. Os brasileiros jamais ir\u00e3o esquecer as imagens da Barragem Mina do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, da mineradora Vale, em Brumadinho-MG, rompendo e fazendo descer uma avalanche de rejeitos de min\u00e9rio, como se fosse uma lava, destruindo tudo que encontrou pela frente. Foram 259 pessoas mortas e 11 desaparecidas. Cen\u00e1rio de filme de cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>H\u00e1 danos irrepar\u00e1veis a centenas de pessoas e ao meio ambiente. O passivo da Vale \u00e9 imenso, tanto em valores que teve de despender nas compensa\u00e7\u00f5es, indeniza\u00e7\u00f5es e repara\u00e7\u00f5es, quanto na recupera\u00e7\u00e3o do solo, do rio Paraopeba e afluentes e da fauna e flora, tamb\u00e9m atingidas. O passivo financeiro deve passar da casa de bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>A Vale reconheceu que houve falha grave na gest\u00e3o de riscos. Basta dizer que os alarmes instalados n\u00e3o serviram para nada. Eles se localizavam no leito por onde os rejeitos passariam, no caso de rompimento. Tudo foi destru\u00eddo, antes que qualquer aviso funcionasse. Essa falha n\u00e3o permitiu a ningu\u00e9m que estava na rota dos rejeitos sequer correr para se salvar, da\u00ed o grande n\u00famero de v\u00edtimas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Americanas &#8211; 11 de janeiro de 2023<\/strong>. Nesta data a Americanas surpreendeu o mercado ao divulgar um Fato Relevante em que anunciava \u201cinconsist\u00eancias cont\u00e1beis\u201d que poderiam chegar a R$ 20 bilh\u00f5es. A not\u00edcia fez as a\u00e7\u00f5es ca\u00edrem 77%, a maior baixa individual de um papel na B3 desde o in\u00edcio do Plano Real, em 1994. A crise se alastrou pelo setor e derrubou as a\u00e7\u00f5es dos grandes bancos, todos credores da Americanas. Um ano de investiga\u00e7\u00f5es depois, a d\u00edvida chegou a R$ 43 bilh\u00f5es, reconhecidos no processo de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial da rede, aceito pela Justi\u00e7a em dezembro de 2023.<\/p>\n<p>O reconhecimento da fraude custou caro. O valor de mercado da grande varejista era de R$ 10 bilh\u00f5es no dia 11 de janeiro de 2023. Passado um ano, a empresa vale apenas R$ 783 milh\u00f5es, uma queda de 92,7%. A varejista d\u00e1 passos em seu processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial para reconquistar aquilo que j\u00e1 foi um dia, mas ainda parece estar longe disso \u2013 se \u00e9 que vai retornar \u00e0 antiga proemin\u00eancia.<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o sobre a fraude na Americanas foi muito confusa. O porta-voz, o rec\u00e9m empossado CEO, deu a informa\u00e7\u00e3o da fraude, em primeira m\u00e3o, e com total exclusividade, a um \u00fanico stakeholder: os analistas\/investidores. Isto causou muito ru\u00eddo no entendimento da crise pela imprensa e, desde este momento at\u00e9 os dias de hoje, a crise tem sido mal gerida, com falta de transpar\u00eancia e posicionamento dos principais acionistas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong>De que formas os profissionais da Comunica\u00e7\u00e3o podem sensibilizar empres\u00e1rios e gestores p\u00fablicos sobre a import\u00e2ncia da cultura da preven\u00e7\u00e3o e a necessidade da gest\u00e3o de riscos?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os riscos reputacionais est\u00e3o entre os seis riscos que causam maior impacto para uma empresa, como citei na pergunta 4. Sendo assim, acredito que um gestor de comunica\u00e7\u00e3o deve ser respons\u00e1vel por trabalhar em conjunto com estas \u00e1reas e mapear os riscos que possam impactar a reputa\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando falamos de uma grande empresa, cotada em bolsa etc., este processo \u00e9 conduzido pela \u00e1rea financeira e de compliance.<\/p>\n<p>Minha sugest\u00e3o aos profissionais de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 que estejam sempre alinhados com estas \u00e1reas e que se insiram no processo para cuidar dos riscos reputacionais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de mapear os riscos reputacionais \u00e9 preciso que os gestores de comunica\u00e7\u00e3o preparem plano de preven\u00e7\u00e3o de crises para cada um deles. Com defini\u00e7\u00e3o de mensagens-chave, porta-vozes definidos, estrat\u00e9gias de m\u00eddia e planos de comunica\u00e7\u00e3o com stakeholders.<\/p>\n<p>Com este plano tra\u00e7ado e aprovado pelo C-Suite, pode-se enfrentar uma eventual crise com mais precis\u00e3o e rapidez, pontos cruciais para uma boa gest\u00e3o de crises.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>9. <strong>Olhando de fora, no contexto atual e diante da atua\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel perceber sinais que p\u00f5em em risco alguma organiza\u00e7\u00e3o brasileira nos pr\u00f3ximos anos?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Sim, as crises de ciberseguran\u00e7a s\u00e3o, sem d\u00favida, fatores de alto risco para todas as organiza\u00e7\u00f5es, sendo elas pequenas, m\u00e9dias ou grandes.<\/p>\n<p>Com a crescente digitaliza\u00e7\u00e3o e depend\u00eancia de tecnologias da informa\u00e7\u00e3o, os riscos associados \u00e0 ciberseguran\u00e7a tornaram-se uma preocupa\u00e7\u00e3o central para empresas de todos os setores. <br \/>O n\u00famero de ataques cibern\u00e9ticos, como ransomware, phishing e ataques de nega\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o (DDoS), tem aumentado significativamente. Os atacantes est\u00e3o se tornando mais sofisticados, utilizando t\u00e9cnicas avan\u00e7adas para explorar vulnerabilidades, causando danos financeiros e danos \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o das empresas.<br \/><br \/>Um incidente de ciberseguran\u00e7a pode prejudicar a reputa\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o, levando \u00e0 perda de confian\u00e7a por parte de clientes, parceiros e stakeholders. A recupera\u00e7\u00e3o da reputa\u00e7\u00e3o pode levar anos e impactar negativamente as vendas e a lealdade dos clientes.<\/p>\n<p>Estima-se que este ano, 80% das organiza\u00e7\u00f5es globais corram o risco de sofrer ataques virtuais, com alta probabilidade de afetar informa\u00e7\u00f5es de seus clientes. Pesquisa divulgada em 2021 pela Fortinet, empresa do ramo de desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es de ciberseguran\u00e7a, confirma essa preocupa\u00e7\u00e3o. Em mar\u00e7o de 2020, in\u00edcio da crise sanit\u00e1ria, a viola\u00e7\u00e3o de dados alcan\u00e7ou um \u00edndice 131% superior ao mesmo per\u00edodo de 2019, no Brasil. Durante todo o ano, o pa\u00eds sofreu 8,4 bilh\u00f5es de tentativas de ataques desta natureza. Na Am\u00e9rica Latina esse n\u00famero chegou a 41 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros globais, o Brasil \u00e9 considerado o quinto pa\u00eds mais perseguido por criminosos virtuais, segundo Relat\u00f3rio de Amea\u00e7as Cibern\u00e9ticas da SonicWall 2021. Para 2024, a previs\u00e3o em todo o mundo \u00e9 ainda mais avassaladora. Estima-se que 80% das organiza\u00e7\u00f5es globais corram o risco de sofrer ataques virtuais, com alta probabilidade de afetar informa\u00e7\u00f5es de seus clientes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong>Ap\u00f3s a Pandemia do Novo Coronav\u00edrus e das Elei\u00e7\u00f5es 2022 no Brasil, a imprensa est\u00e1 mais bem preparada para cobrir situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que a Imprensa sempre esteve preparada para cobrir situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas. Os jornalistas mais experientes, possuem seus contatos e especialistas que podem ser acessados rapidamente para opinar sobre determinados assuntos, com garantida qualidade de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Entretanto, temos um n\u00famero cada vez menor de jornalistas nas reda\u00e7\u00f5es, geralmente cobrindo v\u00e1rios temas sem disponibilidade de tempo.<\/p>\n<p>Diante disto, as redes sociais se adiantam no levantamento das crises e a imprensa offline tem que atuar com mais profundidade e trazer aspectos mais relevantes sobre o fato ocorrido. Mas nem sempre \u00e9 o que vem ocorrendo. A imprensa acaba se baseando e se pautando pelas informa\u00e7\u00f5es das redes sociais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"11\">\n<li><strong>Fale um pouco sobre os seus livros, por favor.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<ul>\n<li>Em 2014, lancei meu primeiro livro \u2013 Imagem e Reputa\u00e7\u00e3o na era da Transpar\u00eancia. Neste livro trago experi\u00eancias que vivi nas empresas em que trabalhei como diretora de comunica\u00e7\u00e3o corporativa.<\/li>\n<li>Em 2017, lancei o segundo, sobre o tema Gest\u00e3o de Reputa\u00e7\u00e3o &#8211; Riscos, Crise e Imagem Corporativa que trouxe artigos de 12 executivos de comunica\u00e7\u00e3o corporativa sobre a import\u00e2ncia da gest\u00e3o de riscos e preven\u00e7\u00e3o de crises.<\/li>\n<li>Em 2022 o terceiro t\u00edtulo &#8211; Reputa\u00e7\u00e3o e Valor Compartilhado \u2013 Conversas com CEOs das empresas l\u00edderes em ESG no Brasil. Este livro escrevi com a colega Tatiana Maia Lins, especialista em gest\u00e3o de reputa\u00e7\u00e3o, e entrevistamos 12 CEOs das empresas de maior reputa\u00e7\u00e3o no Brasil sobre suas pr\u00e1ticas ESG.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Todos os livros acima foram lan\u00e7ados pela Editora Aberje.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>*Elisa Prado \u00e9 Professora e consultora em Gest\u00e3o de Reputa\u00e7\u00e3o Corporativa. Profissional de comunica\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de 35 anos. Graduou-se em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela PUC de Campinas e \u00e9 p\u00f3s-graduada em Marketing na ESPM com especializa\u00e7\u00e3o em comunica\u00e7\u00e3o com stakeholders\u00a0na Syracuse Universtiy. Foi diretora de comunica\u00e7\u00e3o no Deutsche Bank, Tetra Pak e Vivo, al\u00e9m de ter atuado em ag\u00eancias de publicidade e rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas como AAB, Ogilvy &amp; Mather e Grupo TV1. Em 2014, lan\u00e7ou seu primeiro livro \u2013 Imagem e Reputa\u00e7\u00e3o na era da Transpar\u00eancia. Em 2017, lan\u00e7ou o segundo, sobre o tema Gest\u00e3o de Reputa\u00e7\u00e3o &#8211; Riscos, Crise e Imagem Corporativa. Em 2022, lan\u00e7ou seu terceiro t\u00edtulo &#8211; Reputa\u00e7\u00e3o e Valor Compartilhado \u2013 Conversas com CEOs das empresas l\u00edderes em ESG no Brasil. \u00c9\u00a0membro do Conselho Consultivo da ABERJE, que organiza e regula a comunica\u00e7\u00e3o corporativa no Brasil e \u00e9 professora da ESPM no Master de Comunica\u00e7\u00e3o Transm\u00eddia, na cadeira de Preven\u00e7\u00e3o e Gerenciamento de Crises<strong>. <\/strong>\u00c9 consultora de Gest\u00e3o de Reputa\u00e7\u00e3o Corporativa e atua na BTA \u2013 Betania Tanure Associados. \u00c9 conselheira das ag\u00eancias FSB Holding e Jaboticaba. \u00c9 tamb\u00e9m professora na ESPM, StartSe University e Escola Aberje, na cadeira de Preven\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o de Crises.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sua vis\u00e3o, o que engloba a gest\u00e3o de riscos e de crises e qual a contribui\u00e7\u00e3o deste processo para as organiza\u00e7\u00f5es? \u00a0 A gest\u00e3o de riscos \u00e9 fundamental para qualquer organiza\u00e7\u00e3o, independentemente de seu tamanho ou setor de atua\u00e7\u00e3o. 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