{"id":367,"date":"2024-08-30T14:14:11","date_gmt":"2024-08-30T17:14:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=367"},"modified":"2024-08-30T14:14:12","modified_gmt":"2024-08-30T17:14:12","slug":"abner-de-freitas-hopeful","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/abner-de-freitas-hopeful","title":{"rendered":"Abner de Freitas | Hopeful"},"content":{"rendered":"\n<ol>\n<li><strong>A Hopeful \u00e9 uma escola de educa\u00e7\u00e3o em desastres. Conte-nos um pouco sobre o papel da institui\u00e7\u00e3o para a sociedade.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A Hopeful nasceu em 2017 como um produto da sala de aula. Naquele ano, um conjunto de atividades que desenvolvia durante a gradua\u00e7\u00e3o me levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do prot\u00f3tipo de um software de gest\u00e3o de voluntariado em desastres. Um dos professores me indicou \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de um edital que permitiu meu ingresso ao Tecnopuc. Desde ent\u00e3o, a Hopeful vem pivotando (ou seja, se refazendo) para entregar a melhor solu\u00e7\u00e3o para que indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es saibam o que fazer no ciclo (antes, durante e depois) dos desastres. Assim, nessa trajet\u00f3ria temos contribu\u00eddo significativamente para preparar munic\u00edpios, institui\u00e7\u00f5es e pessoas para os desastres. \u00c0 \u00e9poca que come\u00e7amos, quando fal\u00e1vamos sobre desastres, o tema era visto como distante e dispens\u00e1vel. Contudo, hoje ficou evidente que o tema sempre foi local e essencial. Contudo, essa mudan\u00e7a de pensamento ocorreu \u00e0s custas de muitas vidas. Infelizmente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>Qual a concep\u00e7\u00e3o de crise e de desastre para a Hopeful?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Para desastres, trabalhamos com o conceito de Castro (1998) que define desastres como o resultado de um evento adverso, de origem natural ou provocado pelo homem, sobre um ecossistema vulner\u00e1vel que vai causar danos humanos, materiais e ambientais. Contudo, em 2016 a assembleia das Na\u00e7\u00f5es Unidas, adiciona mais uma vari\u00e1vel de Castro, dizendo que os desastres, em qualquer escala, \u00e9 a intera\u00e7\u00e3o entre exposi\u00e7\u00e3o (evento adverso), vulnerabilidade e capacidade. Nessa perspectiva, crise \u00e9 uma fase ou um estado de rea\u00e7\u00e3o imediata a um desastre ou outra emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Nem tudo \u00e9 uma crise! Ent\u00e3o, o que de fato caracteriza uma crise? E quando uma crise se torna um desastre?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Para a Hopeful, o desastre n\u00e3o \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o ou qualquer fase da crise. Esta pode ser, ao contr\u00e1rio, uma fase, ou estado da resposta ao desastre.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>A partir do seu ponto de vista, as institui\u00e7\u00f5es brasileiras v\u00eam avan\u00e7ando na gest\u00e3o de riscos e crises?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil afirmar qualquer coisa sobre as institui\u00e7\u00f5es brasileiras, considerando esse grupo extremamente heterog\u00eaneo. Considero que, afirmando genericamente, ainda h\u00e1 muita \u201cpublicidade\u201d dos mal-intencionados, \u201camadorismo\u201d dos bem-intencionados e pouca \u201cmudan\u00e7a\u201d. Gest\u00e3o de riscos requer essencialmente a identifica\u00e7\u00e3o das falhas, o que leva indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es a se empenharem fortemente em escond\u00ea-las. S\u00f3 faz gest\u00e3o de riscos quem olha e fala sobre os erros. Todo o resto, \u00e9 \u201ccortina de fuma\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>Organiza\u00e7\u00f5es de qual\/quais setor(es) mais procuram a Hopeful em busca de aprendizado?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Os recentes desastres fizeram que prefeituras buscassem a Hopeful para atualizar seus planos de conting\u00eancia como tamb\u00e9m realizar treinamentos para que suas equipes saibam o que fazer nos desastres. Santa Maria, em especial, est\u00e1 tendo a oportunidade de alterar os fundamentos da gest\u00e3o dos riscos de desastres, trabalhando al\u00e9m das equipes de emerg\u00eancia, a comunidade para que ela coopere na resposta. Empresas ainda n\u00e3o identificaram a import\u00e2ncia da constru\u00e7\u00e3o dos plano de continuidade de neg\u00f3cios para suportar a exposi\u00e7\u00e3o aos desastres.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Voc\u00ea poderia nos contar um pouco sobre o Programa Santa Maria Resiliente?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Em 2023, o Programa Santa Maria Resiliente atualizou o plano de conting\u00eancia e realizou uma s\u00e9rie de simulados progressivos, criou os protocolos de comunica\u00e7\u00e3o em desastres, de voluntariado e desenvolveu as a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Em 2024, o programa mant\u00e9m sua aten\u00e7\u00e3o \u00e0s equipes de emerg\u00eancia, mas amplia o seu alcance envolvendo agora a comunidade, pol\u00edticos, setor privado e escolas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong>A partir da sua experi\u00eancia, quais s\u00e3o os principais desafios em comunicar no contexto de um desastre?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>The right message at the right time from the right person can save lives<\/em>. Essa frase que introduz o documento do CDC, CRISIS AND EMERGENCY RISK COMMUNICATION (2002), resume toda a minha compreens\u00e3o sobre a comunica\u00e7\u00e3o em desastres. No primeiro cap\u00edtulo do documento ele trata da psicologia da crise afirmando que a compreens\u00e3o sobre como a mensagem \u00e9 recebida no contexto dos desastres, pode contribuir na constru\u00e7\u00e3o dela. Considero que muitos erros que temos cometido sobre isso passa por essa n\u00e3o compreens\u00e3o. E da\u00ed \u201csa\u00edmos\u201d comunicando por intui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o por evid\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong>Na mesma dire\u00e7\u00e3o da pergunta anterior, quais seriam as melhores pr\u00e1ticas para a comunica\u00e7\u00e3o em momentos de desastres? H\u00e1 um protocolo-base?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>H\u00e1 protocolo sim. O melhor e utilizado pela ag\u00eancia americana de gest\u00e3o de emerg\u00eancia (FEMA). Em resumo, o CRISIS AND EMERGENCY RISK COMMUNICATION (2002) diz que o ciclo de comunica\u00e7\u00e3o em desastres se organiza em cinco fases: pr\u00e9-crise, inicial, manuten\u00e7\u00e3o, resolu\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong>Qual a tua avalia\u00e7\u00e3o sobre a gest\u00e3o p\u00fablica de riscos e de crises no contexto do desastre ocorrido entre abril e junho de 2024 no Rio Grande do Sul?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>N\u00e3o vou citar as falhas de indiv\u00edduos e nem de institui\u00e7\u00f5es porque considero que isso n\u00e3o traz benef\u00edcios e nem leva a mudan\u00e7a, mas vou destacar quais indicadores quem est\u00e1 lendo essa entrevista deve observar para pessoalmente, fazer a sua avali\u00e7\u00e3o. 1. Investimento em defesa civil municipal: esse \u00f3rg\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por gerenciar a coordena\u00e7\u00e3o de todos os servi\u00e7os p\u00fablicos, privados e outros nos desastres; se ele n\u00e3o existe, est\u00e1 sucateado, \u00e9 porque n\u00e3o houve interesse e nem esfor\u00e7o na prepara\u00e7\u00e3o. 2. Comunica\u00e7\u00e3o em desastres: esse \u00e9 o fio de ouro; ou se acerta ou se erra, e tudo que operacionalmente pode ter sido positivo, perde todo o benef\u00edcio; comunica\u00e7\u00e3o se estrutura antes com uma estrat\u00e9gia de coordena\u00e7\u00e3o; comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 publica\u00e7\u00e3o de rede social. 3. Educa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria: a popula\u00e7\u00e3o precisa saber o que fazer nos desastres. E isso deve ser feito, antes dos desastres.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong>Conte-nos um pouco da atua\u00e7\u00e3o da Hopeful no RS neste per\u00edodo cr\u00edtico.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A Hopeful cooperou com seus parceiros e clientes durante os desastres. Contudo, antes de detalhar algumas das a\u00e7\u00f5es, vale recordar que o pesado da nossa a\u00e7\u00e3o \u00e9 antes do desastre, quando poucos, pouqu\u00edssimos, se empenham em se engajar. Para Santa Maria, o longo trabalho que j\u00e1 temos realizado desde setembro de 2023, fez com que o munic\u00edpio desse uma r\u00e1pida resposta na execu\u00e7\u00e3o do plano de conting\u00eancia, garantindo uma eficiente execu\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o dos abrigos, na gest\u00e3o dos volunt\u00e1rios, nos resgates da popula\u00e7\u00e3o em \u00e1rea de riscos, no comando centralizado no CIOSP, al\u00e9m dos programas sociais de reconstru\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o. Para Porto Alegre, cooperamos na assist\u00eancia aos resgates, gest\u00e3o dos abrigos, organiza\u00e7\u00e3o do voluntariado e desenvolvimento de software e protocolos para a resposta aos desastres.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>*Abner Willian Quintino de Freitas \u00e9 mestre pela UFCSPA pesquisando sobre epidemiologia dos desastres, mestrando na PUCRS pesquisando resili\u00eancia dos sistemas de sa\u00fade nos desastres. Fundador da Hopeful, startup no TECNOPUC que trabalha com educa\u00e7\u00e3o em desastres. Coordena o Programa Santa Maria Resiliente.\u00a0 Coordenou o primeiro plano de conting\u00eancia de Porto Alegre. Tem experi\u00eancia com desastres e defesa civis na B\u00e9lgica, It\u00e1lia, Malta, Alb\u00e2nia, Marrocos e Jord\u00e2nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Hopeful \u00e9 uma escola de educa\u00e7\u00e3o em desastres. Conte-nos um pouco sobre o papel da institui\u00e7\u00e3o para a sociedade. A Hopeful nasceu em 2017 como um produto da sala de aula. Naquele ano, um conjunto de atividades que desenvolvia durante a gradua\u00e7\u00e3o me levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do prot\u00f3tipo de um software de gest\u00e3o de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":315,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-367","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/users\/315"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/367\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}