{"id":394,"date":"2024-12-13T09:37:24","date_gmt":"2024-12-13T12:37:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=394"},"modified":"2024-12-13T09:37:26","modified_gmt":"2024-12-13T12:37:26","slug":"as-tres-mortes-dentro-de-supermercados-da-rede-carrefour","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/as-tres-mortes-dentro-de-supermercados-da-rede-carrefour","title":{"rendered":"As tr\u00eas mortes dentro de supermercados da rede Carrefour"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 28 de novembro de 2018, o c\u00e3o abandonado Manchinha faleceu ap\u00f3s ser espancado por um seguran\u00e7a terceirizado do Carrefour, na cidade de Osasco, em S\u00e3o Paulo. Ap\u00f3s o ocorrido, o animal chegou a ser recolhido pelo Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal da Prefeitura de Osasco, por\u00e9m n\u00e3o resistiu. J\u00e1 no dia 14 de agosto de 2020, um representante de vendas de uma empresa fornecedora morreu durante o seu expediente, em uma unidade do Carrefour, no Recife, em Pernambuco. O supermercado continuou funcionando normalmente ap\u00f3s o ocorrido. O corpo foi isolado por engradados de cerveja, tapumes e caixas de papel\u00e3o e coberto com guarda-s\u00f3is, at\u00e9 a chegada do Instituto M\u00e9dico Legal (IML). Por fim, no dia 19 de novembro de 2020, em um Carrefour de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um homem negro foi agredido e morto por dois seguran\u00e7as, incluindo um Policial Militar (PM) tempor\u00e1rio. Os agressores eram funcion\u00e1rios da empresa de seguran\u00e7a Vector, terceirizada da rede. Segundo a Brigada Militar, a agress\u00e3o come\u00e7ou ap\u00f3s um desentendimento entre uma funcion\u00e1ria e o indiv\u00edduo. A v\u00edtima morreu no local.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Causas<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Caso Manchinha:<\/strong><\/p>\n<p>Envenenamento do c\u00e3o por veneno de rato em meio a um peda\u00e7o de mortadela, de acordo com testemunhas (n\u00e3o foi comprovado).<\/p>\n<p>Espancamento do animal com uma barra met\u00e1lica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Representante de Vendas: <\/strong><\/p>\n<p>Morte por mal s\u00fabito de um representante de vendas, enquanto trabalhava em uma unidade do Carrefour, no Recife, em Pernambuco.<\/p>\n<p>Funcionamento do estabelecimento mantido normalmente ap\u00f3s o ocorrido.<\/p>\n<p>Isolamento improvisado do corpo com engradados de cerveja, tapumes e caixas de papel\u00e3o.<\/p>\n<p>Cobertura do corpo com guarda-s\u00f3is.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Alberto:<\/strong><\/p>\n<p>Espancamento e morte de um homem negro, chamado Jo\u00e3o Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, por dois funcion\u00e1rios da empresa de seguran\u00e7a Vector, terceirizada de uma unidade do Carrefour na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>O homem foi agredido com chutes e socos no abd\u00f4men e na cabe\u00e7a. Em seguida, um seguran\u00e7a usou o joelho para sufocar Jo\u00e3o Alberto, at\u00e9 que ele parou de se movimentar. Um dos agressores se chama Magno Braz Borges, de 30 anos, que trabalhava de seguran\u00e7a na loja. O outro \u00e9 o Policial Militar tempor\u00e1rio Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos.<\/p>\n<p>De acordo com a Brigada Militar, houve um desentendimento entre uma funcion\u00e1ria e o homem, que amea\u00e7ou bat\u00ea-la. A mulher chamou os seguran\u00e7as, e o cliente foi levado para a parte externa do supermercado. Conforme apura\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil, a briga iniciou-se quando a v\u00edtima deu um soco no Policial Militar.<\/p>\n<p>Segundo uma necropsia realizada por legistas do Departamento M\u00e9dico Legal, que consta no inqu\u00e9rito da Pol\u00edcia Civil, o homem morreu por asfixia.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gerenciamento<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Manchinha:<\/strong><\/p>\n<p>Recolhimento do animal por parte do Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal da Prefeitura Municipal de Osasco.<\/p>\n<p>Afastamento do funcion\u00e1rio terceirizado.<\/p>\n<p>Um inqu\u00e9rito foi aberto pela Delegacia de Pol\u00edcia de Investiga\u00e7\u00f5es Sobre o Meio Ambiente, a fim de investigar as causas e os respons\u00e1veis pelo ocorrido.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo abriu inqu\u00e9rito civil, a fim de investigar o caso.<\/p>\n<p>No dia 6 de dezembro de 2018, o seguran\u00e7a prestou depoimento na Delegacia do Meio Ambiente de Osasco, onde confessou ter golpeado o c\u00e3o, dizendo estar arrependido. De acordo com o homem, ap\u00f3s acertar o animal com uma barra met\u00e1lica, ele n\u00e3o viu que o feriu. Segundo o seguran\u00e7a, ele s\u00f3 percebeu quando notou sangue no ch\u00e3o, e ent\u00e3o ligou para o Centro de Zoonoses, buscando ajuda.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Civil concluiu seu inqu\u00e9rito, responsabilizando o seguran\u00e7a pela agress\u00e3o, que resultou em uma hemorragia, e mais tarde, na morte do animal. A responsabilidade dos funcion\u00e1rios do Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal foi descartada. Al\u00e9m disso, a hip\u00f3tese de que o c\u00e3o teria sido envenenado tamb\u00e9m foi exclu\u00edda, por\u00e9m esse fato n\u00e3o pode ser confirmado, j\u00e1 que o animal foi cremado. O seguran\u00e7a deve responder em liberdade, por maus-tratos e abuso a animais.<\/p>\n<p>Em um acordo firmado com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo e com o Munic\u00edpio de Osasco, um valor de R$ 1 milh\u00e3o foi estabelecido a ser pago pelo Carrefour. Esse valor, depositado em um fundo criado pelo munic\u00edpio, ser\u00e1 voltado para a causa animal.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Representante de Vendas: <\/strong><\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o dos primeiros socorros.<\/p>\n<p>Acionamento do Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel de Urg\u00eancia (SAMU).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Alberto: <\/strong><\/p>\n<p>Houve uma tentativa de reanima\u00e7\u00e3o do homem pelo SAMU, por\u00e9m ele morreu no local.<\/p>\n<p>Os dois agressores foram autuados por homic\u00eddio qualificado, em flagrante.<\/p>\n<p>A pris\u00e3o preventiva dos dois homens foi decretada. O Policial Militar foi conduzido para um pres\u00eddio militar, enquanto o outro seguran\u00e7a da loja foi levado para um pr\u00e9dio da Pol\u00edcia Civil.<\/p>\n<p>Os dois agressores foram desligados da empresa terceirizada Vector, por justa causa.<\/p>\n<p>A Delegacia de Homic\u00eddios e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa (DHPP), de Porto Alegre, come\u00e7ou a investigar o crime.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Federal afirmou que iria suspender a Carteira Nacional de Vigilante de Magno Braz. O policial militar envolvido n\u00e3o possui a carteira. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m declarou a realiza\u00e7\u00e3o de uma fiscaliza\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria na empresa Vector.<\/p>\n<p>Adriana Alves Dutra, de 51 anos, agente de fiscaliza\u00e7\u00e3o do supermercado, foi presa temporariamente.<\/p>\n<p>No dia 11 de dezembro de 2020, a Pol\u00edcia Civil do Rio Grande do Sul indiciou seis pessoas por homic\u00eddio triplamente qualificado (asfixia, motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da v\u00edtima). Os indiciados foram os dois seguran\u00e7as, al\u00e9m de Adriana Alves Dutra, colaboradora que, segundo a pol\u00edcia, tem comando sobre os funcion\u00e1rios e que tentou impedir uma grava\u00e7\u00e3o, Paulo Francisco da Silva, colaborador da Vector que n\u00e3o permitiu o acesso da esposa \u00e0 v\u00edtima, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende, que ajudaram a imobilizar o homem. De acordo com a pol\u00edcia, foi identificado um exagero nas agress\u00f5es, decorrente da fragilidade socioecon\u00f4mica da v\u00edtima.<\/p>\n<p>A pris\u00e3o preventiva de Paulo Francisco da Silva, Adriana Alves Dutra, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende foi solicitada pela pol\u00edcia, al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o preventiva dos dois seguran\u00e7as.<\/p>\n<p>No dia 17 de dezembro de 2020, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul (MP-RS) denunciou as seis pessoas pelo ocorrido, por homic\u00eddio triplamente qualificado com dolo eventual (meio cruel, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da v\u00edtima), incluindo o racismo na qualifica\u00e7\u00e3o por motivo torpe. O Minist\u00e9rio solicitou que os envolvidos respondessem ao processo presos.<\/p>\n<p>O MP-RS tamb\u00e9m instaurou tr\u00eas inqu\u00e9ritos civis: um a fim de averiguar a pol\u00edtica de direitos humanos do Carrefour, outro para obter informa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 atua\u00e7\u00e3o da Brigada Militar na fiscaliza\u00e7\u00e3o de empresas privadas de seguran\u00e7a, e um terceiro acerca de danos morais coletivos.<\/p>\n<p>No dia 18 de dezembro de 2020, por decis\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a, os seis envolvidos se tornaram r\u00e9us, por\u00e9m, a solicita\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o de Paulo Francisco da Silva, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende foi negada, enquanto Adriana Alves Dutra recebeu pris\u00e3o domiciliar.<\/p>\n<p>A rede Carrefour prestou assist\u00eancia psicol\u00f3gica e financeira \u00e0 fam\u00edlia da v\u00edtima, e realizou acordos para indenizar os familiares de Jo\u00e3o Alberto, como seus filhos, sua vi\u00fava, seu pai, sua enteada, sua neta e sua irm\u00e3.<\/p>\n<p>No dia 11 de junho de 2021, o Carrefour assinou, no valor de R$ 115 milh\u00f5es, um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que ser\u00e1 revertido para pol\u00edticas que enfrentam o racismo.<\/p>\n<p>A empresa de seguran\u00e7a patrimonial Vector, respons\u00e1vel pelos seguran\u00e7as, pagou uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 1,8 milh\u00e3o pelo ocorrido. Al\u00e9m disso, foi obrigada a realizar campanhas buscando a conscientiza\u00e7\u00e3o acerca de pr\u00e1ticas antirracistas e reformular suas pol\u00edticas internas.<\/p>\n<p>Em agosto de 2021, por duas noites, a pol\u00edcia reconstituiu o caso na loja onde o crime ocorreu.<\/p>\n<p>No dia 17 de novembro de 2022, o 2\u00ba Juizado da 2\u00aa Vara do J\u00fari do Foro Central de Porto Alegre definiu que os seis r\u00e9us ir\u00e3o a j\u00fari.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Manchinha:<\/strong><\/p>\n<p>Em nota, o Carrefour informou que repudia todo tipo de maus-tratos aos animais. Segundo a rede, o c\u00e3o circulava h\u00e1 dias pelo estacionamento do estabelecimento, e o Centro de Zoonoses de Osasco foi acionado em m\u00faltiplas ocasi\u00f5es, mas n\u00e3o retirou o cachorro. O Carrefour afirma que, no dia do ocorrido, clientes reclamaram do animal, e que um funcion\u00e1rio terceirizado buscou afast\u00e1-lo da entrada, o que pode ter resultado em um ferimento na pata do cachorro. De acordo com a rede, o Centro de Zoonoses foi acionado e recolheu o animal, por\u00e9m esse desfaleceu por conta do uso de um \u201cenforcador\u201d. Por fim, o Carrefour afirmou que a Delegacia Especializada de Osasco (D.I.I.C.M.A.) estava investigando o caso por meio de um inqu\u00e9rito, e que a rede estava colaborando com as autoridades.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 nota do Carrefour, a Prefeitura de Osasco declarou que o Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal foi at\u00e9 o local para atender um cachorro que estava sangrando e ferido, e que um oficial de controle animal qualificado realizou o manejo. De acordo com a Prefeitura, o animal foi encaminhado para atendimento emergencial, por\u00e9m veio a \u00f3bito. Por fim, a nota declara que, no dia 1 de dezembro de 2018, o Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal come\u00e7ou a receber informa\u00e7\u00f5es de que o ocorrido era um caso de maus tratos, e que iniciou a investiga\u00e7\u00e3o com a requisi\u00e7\u00e3o de um inqu\u00e9rito policial, sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Osasco.<\/p>\n<p>Em outra nota, o Carrefour reconheceu o ocorrido, dizendo que ia assumir sua responsabilidade, que estavam tristes com a morte do c\u00e3o e que eram os maiores interessados no esclarecimento dos fatos. De acordo com a rede, o funcion\u00e1rio terceirizado foi afastado. Por fim, afirmaram que estavam buscando ONGs e entidades da causa, a fim de receberem aux\u00edlio na elabora\u00e7\u00e3o de uma nova pol\u00edtica voltada para a defesa e prote\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>O Carrefour emitiu uma nota, declarando que firmou um acordo com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo e com o Munic\u00edpio de Osasco, ap\u00f3s o ocorrido. Assim, afirmou que ir\u00e1 reverter R$ 1 milh\u00e3o a um fundo, criado pelo munic\u00edpio, ligado \u00e0 causa animal. Al\u00e9m disso, declarou que j\u00e1 implementa um plano de a\u00e7\u00e3o voltado para a causa animal, que possui o apoio de ONGs e entidades, que est\u00e1 em curso em Osasco e no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Representante de Vendas: <\/strong><\/p>\n<p>Em nota publicada no dia 19 de agosto de 2020, o Carrefour se desculpou pela forma inadequada com a qual conduziu o falecimento inesperado e triste do representante, que sofreu um ataque card\u00edaco. Tamb\u00e9m declarou que a empresa errou por n\u00e3o ter fechado o estabelecimento imediatamente, e que n\u00e3o achou a maneira certa de proteger o corpo. Segundo a rede, os primeiros socorros foram realizados e o SAMU foi acionado quando o homem come\u00e7ou a passar mal, e depois do seu falecimento, a orienta\u00e7\u00e3o de manter o corpo no local foi seguida. Por fim, o Carrefour afirmou que as instru\u00e7\u00f5es aos funcion\u00e1rios, para situa\u00e7\u00f5es como a ocorrida, foram alteradas, como o fechamento obrigat\u00f3rio dos estabelecimentos, e que iria manter contato com a fam\u00edlia do representante.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Alberto: <\/strong><\/p>\n<p>No dia 20 de novembro de 2020, o Carrefour emitiu uma nota declarando que, a fim de responsabilizar os envolvidos no ato criminoso, iria tomar as provid\u00eancias cab\u00edveis. Ademais, afirmou que iria romper o contrato com a empresa respons\u00e1vel pelos agressores, que desligaria o funcion\u00e1rio que comandava o estabelecimento no momento do ocorrido e que a loja fecharia em respeito \u00e0 v\u00edtima, al\u00e9m de confirmarem que, a fim de fornecer suporte, entrariam em contato com a fam\u00edlia do homem. Por fim, a rede lamentou o ocorrido e disse que n\u00e3o admite qualquer intoler\u00e2ncia e viol\u00eancia, declarando que uma apura\u00e7\u00e3o interna rigorosa foi iniciada, e que as medidas cab\u00edveis foram tomadas imediatamente.<\/p>\n<p>A Brigada Militar do Rio Grande do Sul emitiu uma nota, no dia 20 de novembro de 2020, declarando que foi ao local imediatamente depois de ter sido acionada, e que prendeu os envolvidos, at\u00e9 mesmo o Policial Militar tempor\u00e1rio, que ter\u00e1 sua conduta fora do expediente avaliada. O \u00f3rg\u00e3o tamb\u00e9m afirmou que o PM n\u00e3o se encontrava em servi\u00e7o policial, j\u00e1 que suas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o limitadas, de acordo com a legisla\u00e7\u00e3o. Por fim, a Brigada Militar declarou rep\u00fadio a todos os atos de discrimina\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e racismo, e reafirmou seu comprometimento com a defesa dos direitos e garantias fundamentais.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de seu advogado, o Grupo Vector, respons\u00e1vel pelos seguran\u00e7as, lamentou o ocorrido e se sensibilizou com a fam\u00edlia da v\u00edtima, declarando que n\u00e3o tolera qualquer tipo de viol\u00eancia, principalmente quando derivada de discrimina\u00e7\u00e3o e intoler\u00e2ncia. Tamb\u00e9m afirmou que todos os funcion\u00e1rios recebem treinamento espec\u00edfico para suas fun\u00e7\u00f5es, que procedimentos para apura\u00e7\u00e3o interna do ocorrido j\u00e1 tinham sido iniciados e que tomaria as provid\u00eancias cab\u00edveis.<\/p>\n<p>Em outra nota, o Grupo Vector lamentou novamente o ocorrido, repudiando todo ato de viol\u00eancia e afirmando o desligamento dos funcion\u00e1rios envolvidos no ocorrido. Por fim, declarou que sua prioridade era colaborar, de forma integral, com as a\u00e7\u00f5es e investiga\u00e7\u00f5es da Justi\u00e7a, e que seu principal compromisso \u00e9 assegurar que casos semelhantes n\u00e3o aconte\u00e7am outra vez.<\/p>\n<p>No dia 27 de novembro de 2020, o Carrefour emitiu uma nota dizendo que seguia mantendo contato com a fam\u00edlia da v\u00edtima, que desde o come\u00e7o contatou o pai de Jo\u00e3o Alberto, a fim de oferecer apoio, e que o CEO da rede tamb\u00e9m ligou para ele. Al\u00e9m disso, afirmou que conversou com a vi\u00fava, mas que o contato foi direcionado, por ela, para seu advogado. Assim, o Carrefour declarou que iria oferecer, para avalia\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, dois apoios imediatos: ajuda emergencial, a fim de ampar\u00e1-los, e apoio psicol\u00f3gico \u00e0 vi\u00fava, filha mais velha e ex-mulher da v\u00edtima, por meio de uma assistente social.<\/p>\n<p>O Carrefour informou que prestou assist\u00eancia psicol\u00f3gica e financeira aos familiares da v\u00edtima desde a morte de Jo\u00e3o Alberto, e que al\u00e9m disso, a rede buscou realizar acordos para indenizar os membros da fam\u00edlia, dos quais 8 j\u00e1 estavam com suas indeniza\u00e7\u00f5es definidas, e alguns, com elas j\u00e1 pagas. Por\u00e9m, afirmou que, at\u00e9 ent\u00e3o, o acordo com a vi\u00fava foi o \u00fanico n\u00e3o finalizado, pois essa, por meio de seus advogados, vinha insistindo em valores fora dos patamares jurisprudenciais e n\u00e3o razo\u00e1veis, e que a rede estava negociando na busca de um acordo final. Al\u00e9m disso, na mesma ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m afirmou a negocia\u00e7\u00e3o de uma indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos, mediante um TAC, junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio Grande do Sul, que estabelecer\u00e1 obriga\u00e7\u00f5es e compromissos da rede junto \u00e0 sociedade, na luta contra o racismo.<\/p>\n<p>No dia 27 de maio de 2021, o Carrefour confirmou a conclus\u00e3o de todos os nove acordos de indeniza\u00e7\u00e3o com os membros da fam\u00edlia da v\u00edtima, declarando que vinha negociando voluntariamente, com o suporte da Defensoria P\u00fablica, os acordos individuais com a fam\u00edlia, desde a morte de Jo\u00e3o Alberto, e que at\u00e9 abril, oito familiares j\u00e1 haviam recebido o dinheiro dos acordos.<\/p>\n<p>O Carrefour declarou, em 11 de junho de 2021, o fechamento do TAC com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado do Rio Grande do Sul, Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, Defensoria P\u00fablica do Estado do Rio Grande Do Sul, Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o e as entidades Educafro e Centro Santo Dias, com vig\u00eancia de tr\u00eas anos e no valor de R$ 115 milh\u00f5es. De acordo com a rede, algumas das a\u00e7\u00f5es confirmadas pelo TAC s\u00e3o voltadas para a promo\u00e7\u00e3o do empreendedorismo entre pessoas negras e para a educa\u00e7\u00e3o, como a concess\u00e3o de bolsas de estudos de n\u00edvel superior e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e de aprendizagem de idiomas, inova\u00e7\u00e3o e tecnologia, destinadas para pessoas negras.<\/p>\n<p>No dia 21 de dezembro de 2022, cerca de dois anos ap\u00f3s o ocorrido, o Carrefour relembrou o caso, retomando as mudan\u00e7as nas suas pol\u00edticas internas para valorizar a diversidade e os compromissos p\u00fablicos que firmou para incluir pessoas negras e combater a discrimina\u00e7\u00e3o. De acordo com a diretora executiva de rela\u00e7\u00f5es institucionais e comunica\u00e7\u00e3o do Carrefour, Maria Alicia Lima Peralta, quando o fato ocorreu, a rede concluiu que mesmo possuindo um programa de diversidade, ele n\u00e3o era suficiente. Assim, segundo ela, as mudan\u00e7as realizadas pela companhia, como a internaliza\u00e7\u00e3o da sua seguran\u00e7a, levaram a rede a uma vis\u00e3o de uma gest\u00e3o inclusiva de todas as diversidades, mas focada principalmente no combate ao racismo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias e Impactos:<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Manchinha:<\/strong><\/p>\n<p>Diante do ocorrido, foram organizadas manifesta\u00e7\u00f5es em frente ao estabelecimento de Osasco. Al\u00e9m disso, figuras p\u00fablicas e clientes da rede pediram justi\u00e7a pela morte do animal. O caso resultou em movimentos de boicote ao Carrefour, afetando negativamente a sua imagem.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Representante de Vendas: <\/strong><\/p>\n<p>Clientes relataram o ocorrido nas redes sociais e postaram imagens de onde o corpo foi coberto. A rede Carrefour recebeu in\u00fameras cr\u00edticas e amea\u00e7as de boicote acerca do acontecimento.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Alberto: <\/strong><\/p>\n<p>O caso gerou muita repercuss\u00e3o midi\u00e1tica e, tamb\u00e9m, nas redes sociais, entre autoridades e figuras p\u00fablicas. Foi comentado pela ONU Brasil, Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, pelo governador do Rio Grande do Sul, presidente do STF e ministros, por clubes e jogadores de futebol, entre outros. Al\u00e9m disso, aconteceram manifesta\u00e7\u00f5es por todo o Brasil, em Porto Alegre, Bras\u00edlia e Rio de Janeiro, por exemplo, pedindo justi\u00e7a pela v\u00edtima. A grande repercuss\u00e3o e a gravidade do ocorrido atingiram negativamente a imagem do Carrefour.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aprendizados <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Manchinha:<\/strong><\/p>\n<p>No dia 11 de dezembro de 2018, o Senado aprovou um projeto que aumenta a pena, para quem maltratar animais, em at\u00e9 quatro anos. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m calcula, para estabelecimentos que tolerarem maus-tratos, uma multa de at\u00e9 mil sal\u00e1rios m\u00ednimos. O senador Randolfe Rodrigues, autor do projeto, declarou que o apresentou por conta do epis\u00f3dio que aconteceu em Osasco.<\/p>\n<p>No dia 20 de dezembro de 2018, a rede Carrefour anunciou a\u00e7\u00f5es voltadas para a causa animal. Algumas iniciativas s\u00e3o a revis\u00e3o e o aprimoramento dos seus procedimentos internos, a produ\u00e7\u00e3o de material de sensibiliza\u00e7\u00e3o e treinamento de prestadores de servi\u00e7o e funcion\u00e1rios, eventos de ado\u00e7\u00e3o de animais, mutir\u00f5es de castra\u00e7\u00e3o e a elabora\u00e7\u00e3o do Pet Day, no mesmo dia do falecimento de Manchinha.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Representante de Vendas: <\/strong><\/p>\n<p>Melhoria no treinamento e orienta\u00e7\u00e3o dos colaboradores.<\/p>\n<p>Fechamento dos estabelecimentos em casos semelhantes ao ocorrido.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Alberto: <\/strong><\/p>\n<p>Internaliza\u00e7\u00e3o e melhoria do sistema de seguran\u00e7a dos estabelecimentos.<\/p>\n<p>Melhoria no processo de treinamento dos colaboradores.<\/p>\n<p>Instru\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios acerca de temas relacionados \u00e0 inclus\u00e3o, diversidade e ao combate ao preconceito e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Grupo Carrefour Brasil, declarando estar comprometido em combater o racismo estrutural e promover a\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o social e econ\u00f4mica de pessoas negras, anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um fundo, com o aporte inicial de R$ 25 milh\u00f5es. Esse valor se soma a uma doa\u00e7\u00e3o que a empresa divulgou, que iria reverter todo o resultado da rede no pa\u00eds, do dia 20 de novembro. Al\u00e9m disso, declarou que estava se reunindo com especialistas e entidades representativas da causa, a fim de aprender como agir concretamente na luta contra a discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A rede tamb\u00e9m declarou oito compromissos que assumiu e o seu plano de a\u00e7\u00e3o de longo, m\u00e9dio e curto prazo, refor\u00e7ando seu comprometimento com a valoriza\u00e7\u00e3o da diversidade, com destaque para a inclus\u00e3o de negros e negras, e no combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, ajudando a enfrentar o racismo institucional no pa\u00eds. Seu plano compreende tr\u00eas principais esferas: interna, com todos os funcion\u00e1rios, ecossistema, com parceiros e fornecedores, e externa, com a sociedade. Com os oito compromissos, o Carrefour disse que atuar\u00e1 para que o ocorrido com o Sr. Jo\u00e3o Alberto n\u00e3o seja esquecido. Alguns dos compromissos s\u00e3o a abertura de um programa de trainees e est\u00e1gio voltado para pessoas negras, a divulga\u00e7\u00e3o ostensiva, clara e permanente de uma pol\u00edtica de toler\u00e2ncia zero a qualquer discrimina\u00e7\u00e3o e o treinamento de todos os funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>No dia 26 de novembro de 2020, o Carrefour anunciou a forma\u00e7\u00e3o de um Comit\u00ea Externo de Livre Express\u00e3o sobre Diversidade e Inclus\u00e3o, a fim de assessor\u00e1-los em a\u00e7\u00f5es e diretrizes contra o racismo. Algumas a\u00e7\u00f5es do comit\u00ea foram divulgadas, como a adi\u00e7\u00e3o, nos contratos com fornecedores, de uma cl\u00e1usula de combate ao racismo, ades\u00e3o de pol\u00edtica de toler\u00e2ncia zero ao racismo e qualifica\u00e7\u00e3o diferenciada para acelerar a carreira de negros e negras no Carrefour. Al\u00e9m disso, a rede declarou que iria reverter os seus resultados dos dias 26 e 27 de novembro para a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o da diversidade e combate ao racismo.<\/p>\n<p>Em nota publicada no dia 27 de novembro de 2020, o Carrefour afirmou que estava em processo de contrata\u00e7\u00e3o, a fim de internalizar a seguran\u00e7a da loja onde o caso aconteceu, e que estava preparando outros dois estabelecimentos de Porto Alegre para o mesmo. Al\u00e9m disso, justificou a cria\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Externo de Livre Express\u00e3o sobre a Diversidade e Inclus\u00e3o, dizendo que apenas aprendendo com organiza\u00e7\u00f5es e pessoas comprometidas a combater o racismo \u00e9 que pode contribuir, de forma efetiva, para mudar o racismo estrutural na sociedade.<\/p>\n<p>No dia 4 de dezembro de 2020, o Carrefour declarou que, depois de ouvir as propostas do Comit\u00ea Externo e Independente, iria come\u00e7ar a internalizar os seus servi\u00e7os de seguran\u00e7a, a partir de 14 de dezembro, iniciando pelos quatro hipermercados no Rio Grande do Sul, incluindo a loja onde o fato ocorreu.<\/p>\n<p>No dia 05 de fevereiro de 2021, o Carrefour anunciou o site N\u00e3o Vamos Esquecer, criado para divulgar seus compromissos que contribuem para combater o racismo estrutural, assumidos ap\u00f3s a morte do Sr. Jo\u00e3o Alberto. No site, s\u00e3o detalhadas as a\u00e7\u00f5es implementadas pelo grupo, al\u00e9m de esse possibilitar o di\u00e1logo com a sociedade, por meio de propostas, sugest\u00f5es ou den\u00fancias.<\/p>\n<p>O Carrefour anunciou a constitui\u00e7\u00e3o de um Fundo Antirracista, de R$ 115 milh\u00f5es, v\u00e1lido por 3 anos, que ser\u00e1 destinado a a\u00e7\u00f5es internas que promovam a equidade e combatam a discrimina\u00e7\u00e3o racial, a\u00e7\u00f5es que mobilizem fornecedores e parceiros e a\u00e7\u00f5es que impactem a sociedade, em temas como educa\u00e7\u00e3o, empregabilidade e empreendedorismo de pessoas negras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 28 de novembro de 2018, o c\u00e3o abandonado Manchinha faleceu ap\u00f3s ser espancado por um seguran\u00e7a terceirizado do Carrefour, na cidade de Osasco, em S\u00e3o Paulo. Ap\u00f3s o ocorrido, o animal chegou a ser recolhido pelo Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal da Prefeitura de Osasco, por\u00e9m n\u00e3o resistiu. 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