{"id":430,"date":"2025-03-12T15:17:57","date_gmt":"2025-03-12T18:17:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=430"},"modified":"2025-03-12T15:17:58","modified_gmt":"2025-03-12T18:17:58","slug":"odir-dellagostin-fapergs","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/odir-dellagostin-fapergs","title":{"rendered":"Odir Dellagostin | Fapergs"},"content":{"rendered":"\n<ol>\n<li><strong> Qual \u00e9 a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre a atua\u00e7\u00e3o dos grupos de pesquisa brasileiros diante das crises clim\u00e1ticas recentes e da pandemia de COVID-19? Poderia destacar exemplos de iniciativas que tiveram impacto significativo?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Os grupos de pesquisa brasileiros desempenharam um papel essencial na resposta \u00e0s crises clim\u00e1ticas e sanit\u00e1rias, demonstrando grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. Durante a pandemia de COVID-19, pesquisadores brasileiros foram fundamentais no desenvolvimento de testes diagn\u00f3sticos, na modelagem epidemiol\u00f3gica para prever cen\u00e1rios e na realiza\u00e7\u00e3o de ensaios cl\u00ednicos que contribu\u00edram para o tratamento da doen\u00e7a. Destaco a atua\u00e7\u00e3o de grupos que trabalharam na produ\u00e7\u00e3o de vacinas nacionais, como a ButanVac e a SpiN-Tec, al\u00e9m de pesquisas voltadas \u00e0 genotipagem do v\u00edrus, que ajudaram no monitoramento das variantes circulantes. No \u00e2mbito das crises clim\u00e1ticas, projetos de pesquisa t\u00eam auxiliado na preven\u00e7\u00e3o de desastres ambientais, como enchentes e secas extremas, por meio do uso de tecnologias de sensoriamento remoto e modelagem clim\u00e1tica. O Brasil tem se destacado na aplica\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o para mitigar impactos e propor solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis para esses desafios.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> De que maneiras espec\u00edficas os pesquisadores contribu\u00edram para a sociedade durante esses per\u00edodos de crise? H\u00e1 projetos ou estudos que o senhor considera exemplares nesse contexto?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Os pesquisadores desempenharam um papel decisivo na comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento que orientou pol\u00edticas p\u00fablicas. Durante a pandemia, cientistas atuaram na produ\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias para embasar medidas sanit\u00e1rias, no desenvolvimento de novas abordagens terap\u00eauticas e no fortalecimento do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). O cons\u00f3rcio de sequenciamento gen\u00f4mico de SARS-CoV-2, por exemplo, foi uma iniciativa que permitiu a identifica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida de variantes e a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de controle mais eficientes. Na \u00e1rea ambiental, pesquisas sobre desastres naturais e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas t\u00eam impactado diretamente a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de resili\u00eancia e adapta\u00e7\u00e3o. Modelos de previs\u00e3o clim\u00e1tica desenvolvidos por institui\u00e7\u00f5es brasileiras foram fundamentais para mitigar os efeitos de enchentes recentes no Sul do Brasil, permitindo a cria\u00e7\u00e3o de sistemas de alerta e a\u00e7\u00f5es preventivas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Quais s\u00e3o os principais desafios e oportunidades na incorpora\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o e tecnologia para a conten\u00e7\u00e3o de crises sanit\u00e1rias e ambientais? Poderia comentar sobre experi\u00eancias bem-sucedidas nesse \u00e2mbito?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Um dos grandes desafios na incorpora\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o para conten\u00e7\u00e3o de crises \u00e9 a necessidade de investimentos cont\u00ednuos e a estrutura\u00e7\u00e3o de redes de colabora\u00e7\u00e3o entre academia, governo e setor privado. Al\u00e9m disso, a transposi\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico para aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas precisa ser mais \u00e1gil. Uma oportunidade significativa \u00e9 o uso de intelig\u00eancia artificial e big data para an\u00e1lise preditiva, permitindo prever surtos de doen\u00e7as e desastres naturais. No Brasil, tivemos experi\u00eancias bem-sucedidas como o uso de IA para mapeamento de \u00e1reas de risco em eventos clim\u00e1ticos extremos e a cria\u00e7\u00e3o de plataformas para monitoramento epidemiol\u00f3gico em tempo real. Um exemplo not\u00e1vel \u00e9 o trabalho da startup <strong>TideSat<\/strong>, apoiada pela FAPERGS, que desenvolveu um sistema de medi\u00e7\u00e3o remota do n\u00edvel da \u00e1gua, permitindo um monitoramento preciso e cont\u00ednuo de \u00e1reas sujeitas a enchentes. Essa tecnologia auxilia na preven\u00e7\u00e3o de desastres, fornecendo dados essenciais para a tomada de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas em tempo real, contribuindo para minimizar os impactos de crises ambientais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Como as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e os governos podem fortalecer a colabora\u00e7\u00e3o para aumentar a efic\u00e1cia das a\u00e7\u00f5es dos ICTs e dos pesquisadores na preven\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o de crises? Existem modelos de parceria que o senhor considera ideais?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o entre governo e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa pode ser fortalecida por meio de programas estruturados de financiamento e redes de inova\u00e7\u00e3o aberta. Modelos como o financiamento conjunto entre ag\u00eancias de fomento e minist\u00e9rios setoriais permitem uma abordagem mais integrada e eficiente. A cria\u00e7\u00e3o de centros interinstitucionais de pesquisa aplicada, envolvendo ICTs, \u00f3rg\u00e3os governamentais e empresas, \u00e9 um modelo bem-sucedido j\u00e1 adotado em outros pa\u00edses e que pode ser ampliado no Brasil. A coopera\u00e7\u00e3o internacional tamb\u00e9m desempenha um papel fundamental, permitindo o compartilhamento de dados e tecnologias para uma resposta mais r\u00e1pida \u00e0s crises globais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> No contexto da FAPERGS, quais s\u00e3o as principais estrat\u00e9gias adotadas para apoiar projetos voltados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de crises? Poderia mencionar iniciativas espec\u00edficas que receberam suporte da funda\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A FAPERGS tem investido em chamadas p\u00fablicas voltadas \u00e0 pesquisa aplicada em sa\u00fade e meio ambiente, estimulando projetos inovadores que contribuam para a resili\u00eancia da sociedade. Financiamos estudos sobre o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas no Rio Grande do Sul, assim como projetos voltados \u00e0 modelagem epidemiol\u00f3gica e vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica. Al\u00e9m disso, temos apoiado pesquisas na \u00e1rea de biotecnologia voltadas ao desenvolvimento de vacinas e diagn\u00f3sticos de doen\u00e7as emergentes. Durante a pandemia de COVID-19, lan\u00e7amos editais emergenciais para apoiar pesquisas relacionadas ao desenvolvimento de tecnologias de diagn\u00f3stico, monitoramento epidemiol\u00f3gico e estrat\u00e9gias de controle da doen\u00e7a. J\u00e1 em resposta ao desastre clim\u00e1tico que afetou o Rio Grande do Sul, foram abertas chamadas emergenciais para financiamento de pesquisas voltadas \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de novos eventos extremos, solu\u00e7\u00f5es para recupera\u00e7\u00e3o ambiental e impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na sa\u00fade p\u00fablica. Essas iniciativas demonstram o compromisso da FAPERGS com a pesquisa aplicada \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o de crises e ao fortalecimento da resili\u00eancia da sociedade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Como o investimento governamental em ci\u00eancia e tecnologia se traduz em benef\u00edcios concretos para a sociedade em tempos de crise? H\u00e1 m\u00e9tricas ou exemplos que ilustram esse retorno?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O investimento governamental em ci\u00eancia e tecnologia se traduz em benef\u00edcios diretos para a sociedade ao permitir respostas \u00e1geis e eficientes a crises sanit\u00e1rias e ambientais. Durante a pandemia de COVID-19, o financiamento p\u00fablico possibilitou a produ\u00e7\u00e3o de testes diagn\u00f3sticos em larga escala, a estrutura\u00e7\u00e3o de redes de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e a acelera\u00e7\u00e3o do desenvolvimento de vacinas, como a ButanVac. Na \u00e1rea ambiental, investimentos em pesquisa viabilizaram tecnologias para previs\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o de eventos clim\u00e1ticos extremos, reduzindo impactos socioecon\u00f4micos. H\u00e1 estudos cient\u00edficos que utilizam metodologias adequadas e com isso conseguem demonstrar o retorno desse investimento. Al\u00e9m disso, a gera\u00e7\u00e3o de empregos qualificados e o fortalecimento da ind\u00fastria nacional de biotecnologia e de outras \u00e1reas s\u00e3o impactos positivos que evidenciam a import\u00e2ncia desse financiamento cont\u00ednuo. O fortalecimento dos institutos de pesquisa e das universidades atrav\u00e9s de editais espec\u00edficos, como os promovidos pela FAPERGS, contribui para que o conhecimento gerado tenha aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e impacto real na vida da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"7\">\n<li><strong> Na sua opini\u00e3o, quais s\u00e3o as principais fortalezas e \u00e1reas de melhoria da ci\u00eancia brasileira no enfrentamento de crises clim\u00e1ticas e de sa\u00fade p\u00fablica?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A ci\u00eancia brasileira possui uma grande capacidade de resposta a crises, demonstrada pela r\u00e1pida mobiliza\u00e7\u00e3o de pesquisadores durante a pandemia e pelos avan\u00e7os cient\u00edficos em biotecnologia, epidemiologia e modelagem clim\u00e1tica. Institui\u00e7\u00f5es de pesquisa bem estruturadas, a exemplo das universidades federais, da Fiocruz e do Instituto Butantan, t\u00eam desempenhado um papel essencial no desenvolvimento de vacinas, testes diagn\u00f3sticos e sistemas de monitoramento ambiental. Al\u00e9m disso, o Brasil se destaca na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento em biodiversidade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, \u00e1reas estrat\u00e9gicas para a mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais e sanit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Por outro lado, um dos principais desafios enfrentados pela ci\u00eancia brasileira \u00e9 a necessidade de financiamento cont\u00ednuo e previs\u00edvel. Oscila\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias afetam a capacidade de manter projetos de longo prazo, essenciais para a preven\u00e7\u00e3o de crises. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma car\u00eancia na integra\u00e7\u00e3o entre academia, setor produtivo e formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas, o que dificulta a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos avan\u00e7os cient\u00edficos. O fortalecimento de redes de colabora\u00e7\u00e3o nacionais e internacionais, assim como o incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o e ao empreendedorismo cient\u00edfico, s\u00e3o aspectos fundamentais para ampliar o impacto da ci\u00eancia no enfrentamento de crises futuras.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"8\">\n<li><strong> Al\u00e9m do apoio \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, como a FAPERGS tem incentivado pesquisas que abordam a interse\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade e meio ambiente, considerando a crescente relev\u00e2ncia das quest\u00f5es ambientais para a sa\u00fade humana?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A FAPERGS tem promovido a integra\u00e7\u00e3o entre sa\u00fade e meio ambiente por meio de parcerias estrat\u00e9gicas, destacando-se a colabora\u00e7\u00e3o com a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) no \u00e2mbito do Programa Inova Fiocruz \u2013 Programa de Pesquisa em Sa\u00fade \u00danica. Em 2022, foi lan\u00e7ado o Edital FAPERGS\/FIOCRUZ 13\/2022 \u2013 REDE SA\u00daDE-RS, com um investimento total de R$ 4 milh\u00f5es, sendo R$ 2 milh\u00f5es provenientes de cada institui\u00e7\u00e3o. Este edital teve como objetivo apoiar pesquisas cient\u00edficas inovadoras e multic\u00eantricas que abordassem o conceito de Sa\u00fade \u00danica, reconhecendo a interconex\u00e3o entre sa\u00fade humana, animal e ambiental. As propostas contemplaram diversas linhas de pesquisa, incluindo zoonoses e vetores, biodiversidade, polui\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e resist\u00eancia antimicrobiana. \u200b<\/p>\n<p>Como resultado dessa iniciativa, foram selecionados 12 projetos que est\u00e3o em andamento, promovendo a colabora\u00e7\u00e3o entre pesquisadores de diferentes institui\u00e7\u00f5es e \u00e1reas do conhecimento. Al\u00e9m disso, a FAPERGS participa ativamente da Rede Sa\u00fade \u00danica, um cons\u00f3rcio que re\u00fane diversas institui\u00e7\u00f5es, incluindo e secretarias do Estado. Essa rede busca disseminar o conhecimento da abordagem de Sa\u00fade \u00danica em diferentes inst\u00e2ncias da sociedade, capacitando profissionais e promovendo a\u00e7\u00f5es integradas para enfrentar quest\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica que envolvem a sa\u00fade humana, animal e ambiental. \u200bEssas iniciativas refletem o compromisso da FAPERGS em fomentar pesquisas interdisciplinares que contribuam para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em ci\u00eancia, garantindo uma abordagem integrada e eficiente para os desafios de sa\u00fade e sustentabilidade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"9\">\n<li><strong> Quais s\u00e3o as li\u00e7\u00f5es aprendidas com a pandemia de COVID-19 que podem ser aplicadas para prevenir ou mitigar futuras pandemias? Como a ci\u00eancia pode se antecipar a essas amea\u00e7as?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A pandemia de COVID-19 evidenciou a import\u00e2ncia de investimentos cont\u00ednuos em pesquisa, infraestrutura laboratorial e redes de colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Um dos principais aprendizados foi a necessidade de fortalecer a vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica integrada, garantindo sistemas mais eficazes para o monitoramento de surtos e variantes virais. Al\u00e9m disso, a pandemia demonstrou a import\u00e2ncia de fortalecer a produ\u00e7\u00e3o nacional de insumos estrat\u00e9gicos, como vacinas, testes diagn\u00f3sticos e medicamentos, reduzindo a depend\u00eancia externa e aumentando a soberania sanit\u00e1ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outro ponto fundamental foi a rapidez com que os cientistas mobilizaram recursos para desenvolver solu\u00e7\u00f5es inovadoras. A coopera\u00e7\u00e3o internacional desempenhou um papel crucial, permitindo o compartilhamento de dados gen\u00f4micos e a acelera\u00e7\u00e3o do desenvolvimento de vacinas. Modelos como a ci\u00eancia aberta e colaborativa provaram ser fundamentais para a resposta global \u00e0 crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para prevenir futuras pandemias, \u00e9 essencial criar pol\u00edticas permanentes de financiamento para pesquisas em doen\u00e7as emergentes e zoonoses, ampliando o conceito de Sa\u00fade \u00danica, que reconhece a interconex\u00e3o entre sa\u00fade humana, animal e ambiental. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio fortalecer redes de pesquisa interdisciplinar e consolidar a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para garantir que informa\u00e7\u00f5es precisas e baseadas em evid\u00eancias cheguem rapidamente aos tomadores de decis\u00e3o e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pandemia tamb\u00e9m refor\u00e7ou a relev\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e da capacita\u00e7\u00e3o profissional em sa\u00fade p\u00fablica. O investimento na forma\u00e7\u00e3o de especialistas em virologia, epidemiologia e biotecnologia deve ser uma prioridade cont\u00ednua, permitindo que o Brasil esteja preparado para responder rapidamente a novas crises sanit\u00e1rias com uma base cient\u00edfica s\u00f3lida.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<ol start=\"10\">\n<li><strong> Com base em sua trajet\u00f3ria e nas experi\u00eancias acumuladas, que conselhos o senhor daria para pesquisadores e gestores que buscam atuar de maneira mais eficaz na preven\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de crises futuras?<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Para pesquisadores e gestores que buscam atuar na preven\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de crises futuras, o primeiro passo \u00e9 fortalecer a colabora\u00e7\u00e3o interdisciplinar. As crises sanit\u00e1rias e ambientais s\u00e3o complexas e exigem solu\u00e7\u00f5es integradas que envolvem diferentes \u00e1reas do conhecimento. Por isso, \u00e9 essencial estabelecer redes de coopera\u00e7\u00e3o entre cientistas, profissionais de sa\u00fade, engenheiros, climatologistas e formuladores de pol\u00edticas p\u00fablicas. Al\u00e9m disso, a comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica precisa ser aprimorada para garantir que os resultados das pesquisas sejam acess\u00edveis e compreens\u00edveis para a sociedade e para os tomadores de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro aspecto fundamental \u00e9 a necessidade de um planejamento estrat\u00e9gico de longo prazo, que inclua investimentos cont\u00ednuos em pesquisa e infraestrutura. A cria\u00e7\u00e3o de centros de excel\u00eancia voltados \u00e0 modelagem de cen\u00e1rios futuros e ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras pode proporcionar respostas mais r\u00e1pidas e eficazes \u00e0s crises. Al\u00e9m disso, \u00e9 essencial que pesquisadores busquem parcerias internacionais e participem de redes globais de pesquisa, uma vez que muitas crises, como pandemias e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, t\u00eam impacto transnacional. A ci\u00eancia deve estar sempre \u00e0 frente, antecipando desafios e propondo solu\u00e7\u00f5es antes que as crises aconte\u00e7am, garantindo um futuro mais seguro e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>*Odir Dellagostin \u00e9 Graduado em Medicina Veterin\u00e1ria pela UFPel, possui doutorado e p\u00f3s-doutorado em Biologia Molecular pela University of Surrey, Inglaterra. Professor da UFPel desde 1997, \u00e9 pesquisador n\u00edvel 1A do CNPq e membro titular da Academia Brasileira de Ci\u00eancias. Com mais de 250 artigos publicados e mais de 60 orienta\u00e7\u00f5es conclu\u00eddas, ocupou cargos de lideran\u00e7a na UFPel, CNPq e CAPES. Atualmente, \u00e9 Diretor Presidente da FAPERGS, Presidente do CONFAP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq, al\u00e9m de presidir o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do CGEE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual \u00e9 a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre a atua\u00e7\u00e3o dos grupos de pesquisa brasileiros diante das crises clim\u00e1ticas recentes e da pandemia de COVID-19? Poderia destacar exemplos de iniciativas que tiveram impacto significativo? Os grupos de pesquisa brasileiros desempenharam um papel essencial na resposta \u00e0s crises clim\u00e1ticas e sanit\u00e1rias, demonstrando grande capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. 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