{"id":645,"date":"2026-06-19T16:20:26","date_gmt":"2026-06-19T19:20:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?page_id=645"},"modified":"2026-06-19T16:20:26","modified_gmt":"2026-06-19T19:20:26","slug":"denuncias-de-assedio-sexual-derrubam-ministro-dos-direitos-humanos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/denuncias-de-assedio-sexual-derrubam-ministro-dos-direitos-humanos","title":{"rendered":"Den\u00fancias de ass\u00e9dio sexual derrubam Ministro dos Direitos Humanos"},"content":{"rendered":"\n<p>No dia 5 de setembro de 2024, vieram \u00e0 tona den\u00fancias de ass\u00e9dio sexual contra o ent\u00e3o Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, as quais foram reportadas por mulheres \u00e0 ONG Me Too Brasil. Almeida negou as acusa\u00e7\u00f5es, declarando que eram mentiras sem provas e que iria solicitar \u00e0 Justi\u00e7a a responsabiliza\u00e7\u00e3o das pessoas que efetuaram os relatos. Uma das v\u00edtimas seria Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial. Quatro ex-alunas de Almeida, uma advogada e Franco relataram seus casos publicamente. No dia 6 de setembro, o presidente Lula demitiu Almeida dizendo que, diante das den\u00fancias, a condi\u00e7\u00e3o dele como ministro era insustent\u00e1vel. A Comiss\u00e3o de \u00c9tica P\u00fablica, a Pol\u00edcia Federal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho abriram investiga\u00e7\u00e3o sobre o caso.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Causas<\/strong><\/p>\n<p>Den\u00fancias de ass\u00e9dio sexual contra o Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania \u00e0 \u00e9poca, Silvio Almeida, reportadas \u00e0 ONG Me Too Brasil. Anielle Franco, Ministra da Igualdade Racial, quatro ex-alunas de Almeida e uma advogada relataram publicamente terem sofrido ass\u00e9dio sexual.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Gerenciamento<\/strong><\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o de \u00c9tica P\u00fablica, a Pol\u00edcia Federal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho come\u00e7aram a investigar o caso.<\/p>\n<p>Em 6 de setembro de 2024, Almeida encaminhou \u00e0 Justi\u00e7a um pedido de interpela\u00e7\u00e3o judicial contra a ONG Me Too Brasil, solicitando que a organiza\u00e7\u00e3o detalhasse as acusa\u00e7\u00f5es e dissesse qual o encaminhamento dado \u00e0s informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Almeida encaminhou of\u00edcios \u00e0 Controladoria-Geral da Uni\u00e3o, ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica e \u00e0 Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, para apurar o ocorrido.<\/p>\n<p>Em 10 de mar\u00e7o de 2025, foi protocolada uma queixa-crime por difama\u00e7\u00e3o contra Silvio Almeida, que partiu da ONG Me Too Brasil e da diretora da organiza\u00e7\u00e3o, Marina Ganzarolli, apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a defesa da organiza\u00e7\u00e3o, Almeida ultrapassou os limites da liberdade de express\u00e3o ao acusar, sem evid\u00eancias, a ONG de buscar interferir na licita\u00e7\u00e3o do Disque Direitos Humanos \u2014 Disque 100, e apontar uma suspeita de superfaturamento. Isso foi anunciado pela primeira vez em uma nota oficial divulgada pelo Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania, enquanto Almeida ainda comandava a pasta.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No dia do ocorrido, Silvio Almeida se pronunciou em v\u00eddeo, manifestando seu rep\u00fadio, com veem\u00eancia, \u00e0s mentiras que estavam sendo imputadas contra ele. Na ocasi\u00e3o, Almeida disse que estava encaminhando of\u00edcios \u00e0 Controladoria-Geral da Uni\u00e3o, ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica e \u00e0 Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, para que houvesse uma apura\u00e7\u00e3o s\u00e9ria e cuidadosa do ocorrido. De acordo com ele, era clara a exist\u00eancia de uma campanha para afetar a sua imagem enquanto homem negro, defensor dos direitos humanos e com posi\u00e7\u00e3o de destaque no Poder P\u00fablico.<\/p>\n<p>No dia seguinte, Almeida publicou nova nota, afirmando que havia solicitado que o Presidente Lula o demitisse, para dar liberdade e isen\u00e7\u00e3o \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es. De acordo com Almeida, aquela era uma oportunidade para que ele pudesse se reconstruir e atestar sua inoc\u00eancia, e devido \u00e0 sua luta e aos compromissos que transpassam sua trajet\u00f3ria, ele iria incentivar a execu\u00e7\u00e3o de apura\u00e7\u00f5es criteriosas. Para Almeida, ele mesmo era o maior interessado em atestar sua inoc\u00eancia.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s o ocorrido, algumas notas haviam sido publicadas no site do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania, e foram apagadas mais tarde. As postagens apresentavam a defesa de Almeida e o envio de solicita\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o das acusa\u00e7\u00f5es, e comunicavam que a ONG Me Too possu\u00eda um hist\u00f3rico relacional controverso diante das atribui\u00e7\u00f5es da pasta, e que a organiza\u00e7\u00e3o tinha tentado interferir em uma licita\u00e7\u00e3o do Disque 100. A gest\u00e3o interina do Minist\u00e9rio optou por apagar as notas, afirmando que n\u00e3o \u00e9 cab\u00edvel o uso da estrutura de comunica\u00e7\u00e3o da pasta para defesa pessoal, e que as hip\u00f3teses apresentadas devem ser investigadas pelas inst\u00e2ncias respons\u00e1veis, antes de alguma comunica\u00e7\u00e3o oficial do Minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em 24 de fevereiro de 2025, foi publicada uma entrevista que o UOL realizou com Almeida. Na ocasi\u00e3o, ele disse que Anielle Franco, ao denunci\u00e1-lo por ass\u00e9dio sexual, &#8220;se perdeu no personagem&#8221;. A acusa\u00e7\u00e3o da ministra foi classificada por Almeida como um \u201cespalhamento de fofocas e intrigas\u201d. Na entrevista, Almeida negou as acusa\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s o ocorrido, Franco se pronunciou, afirmando que a manifesta\u00e7\u00e3o dele era &#8220;desprez\u00edvel&#8221; e &#8220;inaceit\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias e Impactos<\/strong><\/p>\n<p>Em 6 de setembro de 2024, o presidente Lula demitiu Almeida do cargo de Ministro dos Direitos Humanos, dizendo que, diante das den\u00fancias, a condi\u00e7\u00e3o dele como ministro era insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Diversas cr\u00edticas dirigidas a Silvio Almeida, que impactaram na sua imagem e reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Aprendizados e legados<\/strong><\/p>\n<p>Em 1 de outubro de 2024, o Governo Lula publicou o Plano Federal de Preven\u00e7\u00e3o e Enfrentamento do Ass\u00e9dio e da Discrimina\u00e7\u00e3o na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o. O plano abrange, por exemplo, a escuta ativa, a instru\u00e7\u00e3o e o acompanhamento das v\u00edtimas, al\u00e9m da garantia do sigilo dos dados pessoais dos denunciantes e a prote\u00e7\u00e3o contra poss\u00edveis retalia\u00e7\u00f5es. A iniciativa \u00e9 v\u00e1lida para servidores e empregados p\u00fablicos, e tamb\u00e9m integra a\u00e7\u00f5es para terceirizados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 5 de setembro de 2024, vieram \u00e0 tona den\u00fancias de ass\u00e9dio sexual contra o ent\u00e3o Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, as quais foram reportadas por mulheres \u00e0 ONG Me Too Brasil. 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