{"id":182,"date":"2022-10-25T15:06:12","date_gmt":"2022-10-25T18:06:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=182"},"modified":"2023-10-06T15:20:07","modified_gmt":"2023-10-06T18:20:07","slug":"noticia-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2022\/10\/25\/noticia-1","title":{"rendered":"Ser\u00e1 a comunica\u00e7\u00e3o de crise o novo normal?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <strong>Gisela Gon\u00e7alves<\/strong> (Pesquisadora do LabCom, Professora da Universidade da Beira Interior &#8211; Portugal)<\/p>\n\n\n\n<p>Pandemia, guerra na Ucr\u00e2nia, crise econ\u00f3mica, crise energ\u00e9tica, esc\u00e2ndalos, corrup\u00e7\u00e3o, cyber-ataques, racismo, xenofobia, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, s\u00e3o assuntos recorrentes nos nossos dias. As organiza\u00e7\u00f5es, sejam do sector p\u00fablico, empresarial, ou pol\u00edtico, vivem hoje em gest\u00e3o de crise permanente, em estado de alerta cont\u00ednuo, numa sociedade altamente mediatizada, interconectada e datificada. A an\u00e1lise de Beck (1992) \u00e0 sociedade de risco, h\u00e1 mais de 30 anos, parece ser hoje mais verdade do que nunca.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivemos uma era de constantes mudan\u00e7as, em que a informa\u00e7\u00e3o circula a uma velocidade vertiginosa, obrigando \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o constante das organiza\u00e7\u00f5es e das suas agendas. Por isso mesmo, os processos de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o fen\u00f3menos cada vez mais complexos e sens\u00edveis. Quando uma crise ocorre abre-se uma \u201carena ret\u00f3rica\u201d &#8211; para usar a met\u00e1fora dos investigadores dinamarqueses F. Frandsen e W. Johanssen &#8211; onde m\u00faltiplas vozes podem ser ouvidas. Algumas dessas vozes s\u00e3o expect\u00e1veis, como as das organiza\u00e7\u00f5es, v\u00edtimas, consumidores, grupos de press\u00e3o, pol\u00edticos ou jornalistas. Outras podem pertencer a atores ileg\u00edtimos, como \u00e9 o caso de hackers, trolls e bots. Por isso, nunca se consegue saber exatamente quais e quantas vozes se v\u00e3o fazer ouvir e de que forma elas interagem.<\/p>\n\n\n\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es tiveram que aprender a navegar em cen\u00e1rios de crise onde m\u00faltiplas vozes se fazem ouvir, mas nem sempre com o intuito de dialogar ou chegar a um qualquer consenso. O sucesso da gest\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o de crise depender\u00e1 sempre da forma como as organiza\u00e7\u00f5es reagem a essas diferentes vozes, tanto em palavras como em ac\u00e7\u00f5es, e de que forma os grupos e actores envolvido nos processos de comunica\u00e7\u00e3o interpretam o esfor\u00e7o desenvolvido pela organiza\u00e7\u00e3o. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo empresarial, em particular, \u00e9 not\u00f3rio como as marcas e os pr\u00f3prios CEOs t\u00eam vindo a adotar um papel mais ativista. &nbsp;Olhemos para o caso da guerra na Ucr\u00e2nia. Com o escalar da guerra, dezenas de empresas anunciaram a sa\u00edda da R\u00fassia, como forma de protesto. Desde as gigantes norte-americanas de tecnologias, como a Apple e a Microsoft, at\u00e9 marcas de roupa, petrol\u00edferas e fabricantes de autom\u00f3veis, muitos s\u00e3o os exemplos recentes de ativismo corporativo pol\u00edtico. H\u00e1 riscos na tomada de posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sobre este e outros temas sens\u00edveis? Certamente que sim, mas a complexidade do contexto de crise atual exige medidas arriscadas por partes das organiza\u00e7\u00f5es e dos seus l\u00edderes, e \u00e9 aqui que o profissional de comunica\u00e7\u00e3o entra, enquanto conselheiro da alta administra\u00e7\u00e3o, enquanto ator estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<p>A recente crise pand\u00e9mica tamb\u00e9m veio demonstrar o elevado valor da comunica\u00e7\u00e3o para as organiza\u00e7\u00f5es e para a sociedade, tanto ao n\u00edvel da comunica\u00e7\u00e3o interna como externa. No primeiro caso, h\u00e1 estudos que enaltecem o papel do comunicador no envolvimento dos colaboradores durante uma pandemia (ver, por ex. o <a href=\"https:\/\/www.ragan.com\/white-papers\/covid-19s-impact-on-communications\/\">Ragan Report &#8211; COVID-19\u2019s Impact on Internal Communications<\/a>); no caso da comunica\u00e7\u00e3o de risco e de emerg\u00eancia sanit\u00e1ria junto da popula\u00e7\u00e3o, olhe-se para o caso do projeto <a href=\"https:\/\/euprera.org\/what-we-do\/member-networks\/com-covid\/\">EUPRERA COM-COVID<\/a> sobre a comunica\u00e7\u00e3o governamental em tempos pand\u00e9micos (incluindo o caso brasileiro e portugu\u00eas), e como se p\u00f4de comprovar que a: <a href=\"https:\/\/euprera.org\/covid-comm-statement\/\">\u201cA comunica\u00e7\u00e3o pode salvar vidas\u201d.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, estes e outros estudos apenas confirmam o que h\u00e1 muito, tanto profissionais como acad\u00e9micos defendem \u2013 em situa\u00e7\u00e3o de crise e de risco, o departamento de comunica\u00e7\u00e3o ganha peso e protagonismo na estrat\u00e9gia de gest\u00e3o organizacional. Porqu\u00ea? Porque o profissional de comunica\u00e7\u00e3o percebe a import\u00e2ncia de ouvir os p\u00fablicos e de antecipar cen\u00e1rios; sabe que selecionar um bom porta-voz, gerir a comunica\u00e7\u00e3o digital, definir um bom plano de comunica\u00e7\u00e3o junto de diferentes grupos de p\u00fablicos \u2013 e n\u00e3o apenas com a imprensa -,&nbsp; tal como a pr\u00f3pria resili\u00eancia da organiza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o centrais no sucesso da estrat\u00e9gia de gest\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o de crise. Os tempos de crise podem at\u00e9 ser o novo normal, mas os profissionais de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o antigos especialistas, sem os quais as organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguir\u00e3o nunca navegar cen\u00e1rios complexos e sens\u00edveis. Pressupondo que al\u00e9m de eficiente, a comunica\u00e7\u00e3o das organiza\u00e7\u00f5es com os cidad\u00e3os ser\u00e1 respons\u00e1vel, honesta e fundada em princ\u00edpios \u00e9ticos, todos e cada um de n\u00f3s s\u00f3 teremos a ganhar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Gisela Gon\u00e7alves (Pesquisadora do LabCom, Professora da Universidade da Beira Interior &#8211; Portugal) Pandemia, guerra na Ucr\u00e2nia, crise econ\u00f3mica, crise energ\u00e9tica, esc\u00e2ndalos, corrup\u00e7\u00e3o, cyber-ataques, racismo, xenofobia, altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, s\u00e3o assuntos recorrentes nos nossos dias. 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