{"id":269,"date":"2023-12-18T15:10:16","date_gmt":"2023-12-18T18:10:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=269"},"modified":"2024-01-05T15:37:49","modified_gmt":"2024-01-05T18:37:49","slug":"braskem-omissao-leva-a-desastre-ambiental-e-humanitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2023\/12\/18\/braskem-omissao-leva-a-desastre-ambiental-e-humanitario","title":{"rendered":"Braskem: omiss\u00e3o leva a desastre ambiental e humanit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"\n<p>Por\u00a0<strong>Jo\u00e3o Jos\u00e9 Forni<\/strong>\u00a0(Autor do livro\u00a0<em>\u201cGest\u00e3o de Crises e Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 O que Gestores e Profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o precisam saber para enfrentar Crises Corporativas\u201d)<\/em><\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p>Durante anos, no subsolo da lagoa Munda\u00fa, em Macei\u00f3, uma mineradora de sal-gema cavou dia e noite para tirar de l\u00e1 um produto que gerou milh\u00f5es de d\u00f3lares de lucro. Mal sabiam os moradores dos bairros na regi\u00e3o que estavam \u00e0 beira de uma trag\u00e9dia e em cima de uma aut\u00eantica arapuca: solo comprometido, afundando, vulner\u00e1vel, im\u00f3veis com rachaduras e interditados para morar. A imprensa cochilou ou esqueceu de acompanhar, apurar e informar. Os governos, \u00f3rg\u00e3os ambientais e, durante certo tempo, at\u00e9 o Judici\u00e1rio deixaram de fiscalizar. Um por um foram c\u00famplices ou pelo menos lenientes com o que o jornalista Andr\u00e9 Trigueiro chamou de \u201co maior desastre urbano do mundo\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Passados cinco anos das primeiras den\u00fancias de rachaduras nos im\u00f3veis de v\u00e1rios bairros de Macei\u00f3, pr\u00f3ximos \u00e0 lagoa Munda\u00fa, parece que agora esse acidente entrou numa fase decisiva, para n\u00e3o dizer catastr\u00f3fica. At\u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 como minimizar ou esconder que milhares de pessoas est\u00e3o sendo deslocadas de seus lares ou ainda permanecem l\u00e1, sob amea\u00e7a de acontecer um desabamento e ficarem sem teto, em consequ\u00eancia de anos de escava\u00e7\u00e3o nas minas de sal-gema.<\/p>\n<pre><strong>\u00a0<\/strong><\/pre>\n<p><strong>Uma longa hist\u00f3ria de abusos<\/strong><\/p>\n<p>Em maio de 2018, com o agravamento de danos estruturais nos im\u00f3veis e ruas do bairro do Pinheiro, al\u00e9m de tremor de terra relatado por moradores desse bairro, o MPF\/AL instaurou o primeiro inqu\u00e9rito inicialmente para apurar a poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o do tremor com a explora\u00e7\u00e3o de sal-gema, e posteriormente o processo foi deslocado para acompanhar as a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico e privado voltadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos direitos do cidad\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 uma crise que emergiu h\u00e1 pelo menos cinco anos, quando se agravou. Mas a origem dos problemas, bem como os danos e os erros come\u00e7aram bem antes. Os moradores do bairro Pinheiro foram os primeiros a relatar os problemas, mas em seguida moradores do Mutange e do Bebedouro tamb\u00e9m registraram danos semelhantes em seus im\u00f3veis.\u00a0Num primeiro momento, a empresa negou sua responsabilidade e tentou desqualificar os estudos da CPRM, que atribu\u00edam-lhe a causa da subsid\u00eancia (1). A Braskem contratou estudos externos, para que indicassem que o motivo das rachaduras se devia \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do solo, falta de saneamento e \u00e1rea de grande incid\u00eancia de sismos.<\/p>\n<p>Diante do agravamento da situa\u00e7\u00e3o e sob amea\u00e7a de um grave acidente, a Braskem montou uma equipe exclusiva para fazer a gest\u00e3o, com autonomia e recursos para implementar as a\u00e7\u00f5es que julgava necess\u00e1rias. A partir da\u00ed, a empresa tentou pelo menos parecer diligente e estruturou um programa em v\u00e1rias frentes, o que inclu\u00eda indeniza\u00e7\u00f5es e remo\u00e7\u00f5es dos moradores que estivessem em \u00e1reas de risco. Seria uma estrat\u00e9gia de conten\u00e7\u00e3o de danos, que come\u00e7ou, digamos, com boas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Onde falhou<\/strong><\/p>\n<p>Por que a Braskem manteve essa crise segregada da gest\u00e3o ou estrat\u00e9gia de neg\u00f3cios? Talvez para n\u00e3o contaminar a marca com a amea\u00e7a de um poss\u00edvel acidente ou de desgastes futuros. A empresa tentou blindar a marca Braskem do efeito dessa crise. E, como se n\u00e3o fosse grave, a empresa deu continuidade a seus projetos, incluindo a agenda verde e seus desdobramentos. A crise de Macei\u00f3 n\u00e3o era considerada na sua estrat\u00e9gia de sustentabilidade.<\/p>\n<p>A Braskem continuou com campanhas institucionais de ser uma empresa verde. Inclusive omitindo da p\u00e1gina principal da empresa, na Internet, a amea\u00e7a de um desastre, durante anos. Essa pr\u00e1tica de fazer de conta que n\u00e3o \u00e9 comigo, no mundo globalizado e tecnol\u00f3gico, n\u00e3o funciona, no caso uma crise grave. Pelo contr\u00e1rio. H\u00e1 in\u00fameros exemplos no mundo corporativo de crises ou amea\u00e7as ignoradas, que deram errado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, essa crise, pela dimens\u00e3o da empresa e as consequ\u00eancias sociais acabou entrando na disputa pol\u00edtica que existe em Alagoas com os grupos do Senador Renan Calheiros e do deputado Arthur Lira, com desdobramentos que est\u00e3o ocorrendo e prejudicam o que deveria ser uma gest\u00e3o profissional e isenta do acidente. Ou seja, o problema t\u00e9cnico e humanit\u00e1rio de Macei\u00f3 foi capturado pela briga pol\u00edtica, que incluiu outra figura que pode sair arranhada desse caso, o prefeito de Macei\u00f3. A \u00faltima not\u00edcia dessa querela \u00e9 que o governador de Alagoas, aliado de Renan Calheiros, anunciou que vai ao STF pedir a anula\u00e7\u00e3o dos acordos firmados pela Braskem com Macei\u00f3, ainda que chancelados por \u00f3rg\u00e3os federais e estaduais.<\/p>\n<p>No meio desse cipoal de falhas de gest\u00e3o e de interlocutores, quem sofre e tem as vidas afetadas definitivamente s\u00e3o as milhares de pessoas que moram ou moravam em cima das minas e que foram ou est\u00e3o sendo obrigadas a se deslocar. Calcula-se que pelo menos 14.500 im\u00f3veis foram desocupados e 60 mil pessoas seriam afetados pela remo\u00e7\u00e3o. Apesar das rachaduras e da interven\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a, a Braskem s\u00f3 interrompeu a extra\u00e7\u00e3o de sal-gema e paralisou a opera\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica do Pontal da Barra, em maio de 2019.<\/p>\n<p>Crises dessa gravidade e consequ\u00eancias exigem aquilo que se recomenda ao bom gestor: rapidez nas decis\u00f5es, transpar\u00eancia total, disposi\u00e7\u00e3o para resolver o passivo e, principalmente, \u201c<em>compassion<\/em>\u201d (3) pelas pessoas, que sempre est\u00e3o em primeiro lugar, em qualquer tipo de crise. Ainda mais naquelas situa\u00e7\u00f5es que afetam diretamente a vida, o lar, a sa\u00fade mental e o futuro das fam\u00edlias. At\u00e9 agora, crise grave como essa, precisa tamb\u00e9m ter um comando, um l\u00edder que esteja coordenando todas as a\u00e7\u00f5es dessa gest\u00e3o. V\u00e1rios interlocutores opinam sobre a crise e a sociedade n\u00e3o sabe quem est\u00e1 no comando.<\/p>\n<pre><strong>\u00a0<\/strong><\/pre>\n<p><strong>Responsabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Importante frisar que \u201cUm ano ap\u00f3s o tremor de terra, e com base na realiza\u00e7\u00e3o de diversos estudos, an\u00e1lises e com envolvimento direto de 52 pesquisadores, o SGB\/CPRM apresentou,\u00a0em maio de 2019,\u00a0em\u00a0audi\u00eancia p\u00fablica, estudos conclusivos que apontaram a extra\u00e7\u00e3o mineral de sal-gema, pela empresa petroqu\u00edmica Braskem,\u00a0<em>como a respons\u00e1vel pelos danos<\/em>. (grifo nosso). Na ocasi\u00e3o, o fen\u00f4meno foi classificado como<em>\u00a0subsid\u00eancia<\/em>,\u00a0ou seja,\u00a0um rebaixamento da superf\u00edcie do terreno devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es ocorridas no suporte subterr\u00e2neo.\u201d (<em>Paper<\/em>\u00a0do MPF\/AL)\u00a0<\/p>\n<p>Em 2020, foi \u201cfirmado o Termo de Acordo para Apoio na Desocupa\u00e7\u00e3o das \u00c1reas de Risco entre MPF, MP, DPU, DPE e Braskem na Justi\u00e7a Federal, viabilizando a evacua\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de risco de criticidade 00 e a respectiva indeniza\u00e7\u00e3o justa paga pela empresa.\u201d \u00c0 \u00e9poca, a conselheira do CNJ Maria Tereza Uille perguntou ao diretor-geral da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), Victor Hugo Bicca, se havia no Brasil a chance de uma nova trag\u00e9dia, parecida com a de Brumadinho, onde morreram 270 pessoas.\u00a0<em>\u201cMacei\u00f3. O afundamento do Bairro Pinheiro pode ser uma trag\u00e9dia muito maior que Brumadinho e Mariana\u201d,<\/em>\u00a0foi a resposta.<\/p>\n<p>A partir dessas evid\u00eancias e acertos legais, o engajamento da empresa na crise deveria ser total, at\u00e9 porque n\u00e3o se tratava de uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica que dizia respeito exclusivo \u00e0 Braskem, algo que ela, nos bastidores, devesse administrar por conta pr\u00f3pria, com decis\u00f5es exclusivamente internas, ainda que estivesse fazendo tudo certo. Toda a crise grave \u00e9 um evento social, comunit\u00e1rio, dos contribuintes, dos consumidores. Na maioria dos casos, eles s\u00e3o v\u00edtimas da crise, n\u00e3o importa o tamanho ou a natureza do evento. Nessa crise, especificamente, in\u00fameros agentes p\u00fablicos e privados est\u00e3o envolvidos, sem falar nas pessoas, nos neg\u00f3cios atingidos por uma atividade que envolve a extra\u00e7\u00e3o de sal-gema na regi\u00e3o da lagoa Munda\u00fa desde a d\u00e9cada de 1970, gerando vultosa receita\u00a0para a companhia, durante anos.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito de resultado, a empresa vinha de uma s\u00e9rie de \u00edndices positivos nos \u00faltimos anos. Em novembro, a Braskem anunciou preju\u00edzo\u00a0de R$ 2,4 bilh\u00f5es, no 3\u00ba trimestre de 2023, aumento significativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perdas de R$ 1,1 bilh\u00e3o no mesmo per\u00edodo do ano anterior. A empresa atribui esse resultado negativo ao impacto da varia\u00e7\u00e3o cambial na sua receita. A crise de Macei\u00f3 n\u00e3o teria ainda rela\u00e7\u00e3o com os resultados da empresa.<\/p>\n<p>Para se ter uma m\u00ednima dimens\u00e3o dessa trag\u00e9dia,\u00a0\u201cat\u00e9 a libera\u00e7\u00e3o do laudo pela SGB\/CPRM havia 35 po\u00e7os de extra\u00e7\u00e3o em \u00e1rea urbana. Os po\u00e7os estavam pressurizados e vedados, no entanto, a instabilidade das crateras causou os danos ao solo, vis\u00edveis na superf\u00edcie\u201d, segundo o MPF\/AL. \u201cJ\u00e1 foi constatado, pelos\u00a0cientistas envolvidos nos estudos,\u00a0que o tremor de terra ocorrido em mar\u00e7o de 2018 se deu em raz\u00e3o do desmoronamento de uma dessas minas. De acordo com as pesquisas, aquele n\u00e3o foi o \u00fanico tremor, pois os laudos\u00a0apontam\u00a0a exist\u00eancia de outras minas deformadas e desmoronadas.\u201d<\/p>\n<p>Em dezembro de 2020, o MPF formalizou acordo de repara\u00e7\u00e3o socioambiental e urban\u00edstico por parte da Braskem, que \u00e9 obrigada a adotar medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, repara\u00e7\u00e3o ou compensa\u00e7\u00e3o socioambiental, bem como garantir os recursos necess\u00e1rios para o seu cumprimento. O entendimento \u00e9 que o desastre geol\u00f3gico que afundou o solo, causou tremores de terra e amea\u00e7ou a vida de cerca de 40 mil pessoas de cinco bairros de Macei\u00f3, denominado \u201cCaso Pinheiro\u201d, foi o maior caso de preven\u00e7\u00e3o de desastres j\u00e1 solucionado pelo Sistema de Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda mais. Como n\u00e3o existem crises locais, todas as crises s\u00e3o globais, na quinta-feira passada, a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Fitch cortou a nota de cr\u00e9dito em escala global da Braskem para &#8220;BB+&#8221;, de &#8220;BBB&#8221; e colocou o\u00a0<em>rating<\/em>\u00a0em observa\u00e7\u00e3o negativa, o que fez a empresa perder o que o mercado chama de &#8220;grau de investimento&#8221;. Como a crise mal administrada exp\u00f4s a empresa ao mercado, na semana passada a Bolsa de Valores brasileira anunciou a exclus\u00e3o da Braskem de seu \u00edndice de sustentabilidade em raz\u00e3o do desastre ambiental de Macei\u00f3. Segundo a B3, a decis\u00e3o considerou aspectos como o impacto ESG da crise, a gest\u00e3o da crise pela Braskem, o impacto de imagem e a resposta da companhia diante do problema.<\/p>\n<pre><strong>\u00a0<\/strong><\/pre>\n<p><strong>Cascata de erros hist\u00f3ricos<\/strong><\/p>\n<p>Importante lembrar tamb\u00e9m que esse desastre ecol\u00f3gico n\u00e3o come\u00e7ou a ser gestado em 2018. Conforma registra Editorial da\u00a0<em>Folha de S. Paulo (3)<\/em>, de 07\/12\/2023, \u201cA hist\u00f3ria da Braskem est\u00e1 ligada ao velho desenvolvimentismo brasileiro. O complexo petroqu\u00edmico que explora sal-gema em Macei\u00f3 constava das diretrizes do PND lan\u00e7ado no long\u00ednquo 1971, durante a ditadura militar. Apesar de o ent\u00e3o \u00f3rg\u00e3o ambiental de Alagoas n\u00e3o recomendar a minera\u00e7\u00e3o, o governo estadual a autorizou e, em 1976, a Salgema Ind\u00fastria Qu\u00edmica de Alagoas iniciou suas atividades \u2013 o nome mudou para Braskem em 2002, ap\u00f3s uma fus\u00e3o com outras empresas\u201d.<\/p>\n<p>E diz mais:\u00a0\u201cEm 2018, tremores foram reportados, com 14,5 mil im\u00f3veis afetados nos bairros Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. Rachaduras em casas j\u00e1 haviam sido verificadas cerca de dez anos antes. Desde os anos 1980, pesquisas da Universidade Federal de Alagoas alertam para os riscos da minera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de restinga.\u201d\u00a0Ou seja, da fiscaliza\u00e7\u00e3o federal \u00e0 estadual, todos foram lentos ou, sabiam do risco, se acomodaram, como se empurrar o problema, fosse uma solu\u00e7\u00e3o. Na falsa expectativa de que se resolveria por si mesmo.<\/p>\n<p>Esse desastre ecol\u00f3gico, como intitula o citado Editorial,\u00a0<em>\u201ctem uma longa hist\u00f3ria de erros da Braskem e, para o MPF, dos \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores<\/em>\u201d. Infelizmente, por tr\u00e1s das trag\u00e9dias brasileiras, quase sempre h\u00e1 o comportamento relapso de \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores e do pr\u00f3prio poder p\u00fablico, como neste caso.<\/p>\n<p>No Brasil, a fiscaliza\u00e7\u00e3o acaba sendo a grande vil\u00e3 de boates, centros de treinamento, favelas, museus e hospitais que incendeiam, al\u00e9m de barragens que rompem, encostas que deslizam sobre resid\u00eancias e pr\u00e9dios que desabam, todos com centenas de v\u00edtimas fatais. Triste rotina de um pa\u00eds onde se acha normal n\u00e3o pagar multas, nem se atender a notifica\u00e7\u00f5es, quando se trata de seguran\u00e7a e preserva\u00e7\u00e3o da vida.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do escrut\u00ednio da m\u00eddia, do MPF, dos \u00f3rg\u00e3os ambientais, no Congresso,\u00a0a Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) da Braskem foi instalada em 13\/12\/2023, j\u00e1 no apagar das luzes do ano legislativo. Vai ser um palco para depoimentos televisivos e pouca utilidade para realmente esclarecer esse passivo ou \u2013 mais importante &#8211; ajudar a solucionar a crise dos moradores daquele bairro.<\/p>\n<p>A CPI poder\u00e1 contribuir para minorar a trag\u00e9dia humana e ambiental que atinge Macei\u00f3? Improv\u00e1vel. CPI ser\u00e1 mais um palanque pol\u00edtico para os dois grupos pol\u00edticos se digladiarem, do que algo de utilidade para resolver o problema social das pessoas atingidas. CPI sempre fascina parlamentares, pela oportunidade de aparecerem na m\u00eddia. A exemplo de outras CPIs, h\u00e1 muito holofote, ataques, constrangimentos, testemunhas-bomba, bate-boca, mas \u2013 como aconteceu na CPI da Covid \u2013 muito pouco de pr\u00e1tico e efetivo. Uma CPI \u00e9 mais um cap\u00edtulo na saga que desde 2018 parece n\u00e3o ter fim. Pelo hist\u00f3rico de outras CPI, nada que deixe as v\u00edtimas dessa trag\u00e9dia animados. Elas sabem, como aconteceu em Mariana, com os atingidos pela barragem da Samarco, que uma solu\u00e7\u00e3o pode demorar anos. No mesmo dia, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal\u00a0<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/brasil\/mpf-dpu-e-mpal-pedem-o-bloqueio-de-r-1-bilhao-da-braskem\">pediu que a Justi\u00e7a bloqueasse R$ 1 bilh\u00e3o da mineradora<\/a>\u00a0para o pagamento das indeniza\u00e7\u00f5es aos donos de im\u00f3veis que foram afetados pelo afundamento no solo.<\/p>\n<pre><strong>\u00a0<\/strong><\/pre>\n<p><strong>Por que a m\u00eddia fingiu n\u00e3o saber<\/strong><\/p>\n<p>O jornalista e professor da USP, Marcelo Ratier, em artigo publicado no\u00a0<em>Uol,<\/em>\u00a0em 08\/12\/23,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/colunas\/rodrigo-ratier\/2023\/12\/06\/imprensa-que-levou-5-anos-para-noticiar-tragedia-em-maceio-deve-se-repensar.htm\"><em>Caso Braskem: \u201cNo Brasil, o descaso \u00e9 parte da paisagem<\/em>,<\/a>\u00a0suscita um quest\u00e3o delicada sobre a cobertura pela m\u00eddia desse acidente. \u201cA imprensa levou cinco anos para noticiar a trag\u00e9dia em Macei\u00f3, alegando que poderia ter havido um consentido conluio para n\u00e3o dar muita \u00eanfase a essa trag\u00e9dia e esconder o nome da empresa associado ao acidente. Uma trag\u00e9dia socioambiental que, aos olhos da imprensa, ficou por cinco anos no subterr\u00e2neo, escondida da vista como o sal-gema cuja extra\u00e7\u00e3o hoje colapsa a capital das Alagoas\u2026\u201d<\/p>\n<p>E a\u00ed, ele toca num ponto muito sens\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o m\u00eddia x empresas privadas, quando se trata de misturar o que no jarg\u00e3o publicit\u00e1rio se chama Igreja e Estado, uma poss\u00edvel coopta\u00e7\u00e3o da pauta jornal\u00edstica pelo investimento publicit\u00e1rio. \u201cDenunciar um suposto conluio da grande m\u00eddia para varrer o nome Braskem do notici\u00e1rio \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o mais recorrente.\u00a0<em>Greenwashing<\/em>, irriga\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos com verbas publicit\u00e1rias, atribui\u00e7\u00e3o de responsabilidades a intemp\u00e9ries ou a sujeitos ocultos, coopta\u00e7\u00e3o de jornalistas com coquet\u00e9is e pr\u00eamios, comunicados de imprensa que omitem e confundem s\u00e3o, sim, estrat\u00e9gias recorrentes no capitalismo extrativista praticado por tantas empresas ao redor do mundo.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o jornalista,\u00a0\u201cIsso conta um pouco da hist\u00f3ria, mas n\u00e3o tudo. A come\u00e7ar pelo suposto efeito dessas medidas, que tende a ser desigual em alcance e dura\u00e7\u00e3o &#8211; falar em &#8220;conluio&#8221; pressup\u00f5e uma imaginativa uniformidade, algo como uma combina\u00e7\u00e3o secreta entre os bar\u00f5es da m\u00eddia pelo silenciamento\u201d.\u00a0Se o jornalismo tem como miss\u00e3o b\u00e1sica informar o que est\u00e1 acontecendo, principalmente se for do interesse p\u00fablico, por que levou tantos anos para se descobrir que os neg\u00f3cios e lucrativos subterr\u00e2neos da Braskem estavam minando o subsolo de Macei\u00f3? Sem avaliar o risco que isso representava para quem morava em cima e para o meio ambiente? Sem que a\u00e7\u00f5es en\u00e9rgicas dos \u00f3rg\u00e3os do meio ambiente tivessem sido tomadas para intervir, corrigir ou suspender a minera\u00e7\u00e3o? Ou, no limite, fechar definitivamente a mina?<\/p>\n<p>O jornalista faz uma an\u00e1lise da cobertura dessa trag\u00e9dia nos \u00faltimos anos, sob o aspecto do valor-not\u00edcia. E conclui:\u00a0\u201cJornalismo tem compromisso com o interesse p\u00fablico, notici\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 feito para ser divertido. O que a gente precisa saber para navegar na vida cotidiana \u00e0s vezes \u00e9 inc\u00f4modo, dif\u00edcil, chato. O modelo atual, aquele que s\u00f3 enxerga problemas depois de cinco anos para em seguida devolv\u00ea-los ao esquecimento, agoniza. O jornalismo m\u00edope para o Brasil real precisa rever seus agentes e seus valores.\u201d<\/p>\n<p>Quando o assunto virou manchete, nas \u00faltimas semanas, o ombudsman do jornal\u00a0<em>Folha de S. Paulo<\/em>, Jos\u00e9 Henrique Mariane,\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/jose-henrique-mariant-ombudsman\/2023\/12\/o-buraco-noticioso-da-braskem.shtml\">na edi\u00e7\u00e3o de 10\/12\/2023\u00a0<em>(O buraco noticioso da Brasken)<\/em><\/a>\u00a0vai mais adiante sobre o papel da m\u00eddia. \u201cA primeira men\u00e7\u00e3o ao problema de Macei\u00f3, no \u00edndice da\u00a0<em>Folha<\/em>, \u00e9 de 13 de dezembro de 2018, h\u00e1 quase cinco anos. O nome da Braskem aparece apenas no 12\u00ba par\u00e1grafo, como uma terceira hip\u00f3tese para o ocorrido, que ainda seria investigado pelo Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Brasileiro. No dia anterior, a empresa curiosamente surgia j\u00e1 no t\u00edtulo com roupa de ativista ambiental: \u201cBraskem lan\u00e7a oito diretrizes para economia circular\u201d.\u00a0Ou seja, enquanto a escava\u00e7\u00e3o nas minas daquela regi\u00e3o avan\u00e7avam, a imprensa passou batida, sem saber ou priorizar o que acontecia no subsolo de Macei\u00f3. A empresa aparecia na m\u00eddia mais pelo tamanho de seu ativo, do que pela amea\u00e7a que significavam as minas de sal-gema.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Crime ambiental, crise social.<\/strong><\/p>\n<p>O que vem acontecendo em Macei\u00f3 ou poder\u00e1 ainda acontecer de pior assemelha-se ao que representou do ponto de vista humano, ambiental e social as trag\u00e9dias nas cidades mineiras de Mariana e Brumadinho, em 2015 e 2019. Explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio h\u00e1 anos, no caso sal-gema, que vai acumulando res\u00edduos ou mesmo escava\u00e7\u00f5es ou barragens sem fiscaliza\u00e7\u00e3o, sob a complac\u00eancia dos governos estadual e federal, e que avan\u00e7am sob a sedutora placa de progresso, mas que no fundo s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que, dia a dia, degradaram o meio ambiente, sem que tivessem sido interpelados por quem deveria fiscalizar. Onde estavam os pol\u00edticos do estado, sempre \u00e1geis em ir atr\u00e1s e descobrir e escancarar os erros dos advers\u00e1rios, por coisas muito menos importantes do que essa trag\u00e9dia?<\/p>\n<p>Os efeitos colaterais dessa crise s\u00e3o ainda imensur\u00e1veis. Mas j\u00e1 se evidencia que o poss\u00edvel rompimento da mina da Braskem\u00a0pode impactar definitivamente a lagoa Munda\u00fa, uma das principais fontes de renda de pescadores e catadores de sururu, al\u00e9m de comprometer a fauna e a flora daquele apraz\u00edvel local de Macei\u00f3. Eles alegam que os peixes que agora sumiram da lagoa s\u00e3o a \u00fanica fonte de alimenta\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. H\u00e1 anos, eles s\u00f3 sabem fazer aquilo: pescar. E como vai ser agora? Perguntam.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/al\/alagoas\/noticia\/2023\/12\/10\/entenda-os-impactos-na-lagoa-mundau-em-caso-de-colapso-da-mina-da-braskem-em-maceio.ghtml\">o site\u00a0<em>Globo.com,\u00a0<\/em><\/a>em caso de colapso, parte da \u00e1gua da lagoa seria escoada para a cratera formada pela mina, que, segundo as previs\u00f5es mais otimistas da Defesa Civil, seria do di\u00e2metro de uma piscina ol\u00edmpica e meia. Ao mesmo portal noticioso,\u00a0o pesquisador e professor Emerson Soares, da Universidade Federal de Alagoas (<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/educacao\/universidade\/ufal\/\">Ufal<\/a>), que coordena o projeto Laguna Viva, explica que\u00a0\u201cA mina s\u00f3 tem cloreto de s\u00f3dio. \u00c9 s\u00f3dio e cloreto. A nossa \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o era que \u00edndices de cloreto de s\u00f3dio e alguns outros compostos que existem na rocha calc\u00e1ria, c\u00e1lcio, por exemplo, ou algum tipo de magn\u00e9sio, iam aumentar na lagoa e iam reagir com outros compostos que j\u00e1 est\u00e3o ali e tornar a lagoa um pouco mais complicada para os organismos, mas o efeito n\u00e3o seria t\u00e3o negativo, visto o que a j\u00e1 se observa na lagoa&#8221;.<\/p>\n<p>\u201cColetas de amostras de \u00e1gua feitas bimensalmente apontaram que a lagoa est\u00e1 polu\u00edda por\u00a0esgotos, agrot\u00f3xicos e outras subst\u00e2ncias contaminantes. A gente encontra metais pesados em alguns n\u00edveis altos, tr\u00eas grandes fontes de esgoto do munic\u00edpio de Macei\u00f3, que trazem muitos contaminantes, solventes, BTEX, entre outros compostos, que eutrofizam (4) o ambiente e trazem doen\u00e7as, bact\u00e9rias e verminoses. Compostos que s\u00e3o cancer\u00edgenos que v\u00eam via esgoto&#8221;, diz o professor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de esgotos de Macei\u00f3 e da regi\u00e3o metropolitana que chegam \u00e0 lagoa sem tratamento, agrot\u00f3xicos tamb\u00e9m contaminam a \u00e1gua. &#8220;Agrot\u00f3xicos que v\u00eam via rio Munda\u00fa com os processos erosivos nas \u00e1reas marginais, com defloresta\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas e com lan\u00e7amento de agrot\u00f3xicos nesses terrenos, trazidos pelo rio Munda\u00fa, acabam vindo parar na lagoa. Ent\u00e3o esses s\u00e3o os maiores problemas da lagoa atualmente&#8221;, afirma o acad\u00eamico.<\/p>\n<p>Por causa do impacto ambiental causado pelo afundamento do solo na \u00e1rea onde era feita a minera\u00e7\u00e3o, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Alagoas multou a Braskem em mais de R$ 72 milh\u00f5es na semana passada. Apenas um espasmo, para dar a impress\u00e3o de que algo est\u00e1 sendo feito. Pena que tarde. Multar no Brasil \u00e9 muito f\u00e1cil. Existem at\u00e9 respostas-padr\u00e3o desde os sindicatos quando fazem greve ilegal at\u00e9 edif\u00edcios que n\u00e3o t\u00eam extintores de inc\u00eandio para fugir das multas. H\u00e1 uma cultura no Brasil de que multas n\u00e3o precisam ser pagas. Na pr\u00e1tica, nesse caso, deve ser o que vai acontecer. Boa manchete no dia da divulga\u00e7\u00e3o e depois, esquecimento.<\/p>\n<pre><strong>\u00a0<\/strong><\/pre>\n<p><strong>A natureza pedindo socorro<\/strong><\/p>\n<p>No \u00faltimo domingo, os moradores de Macei\u00f3 foram surpreendidos por um vertedouro em plena Lagoa de Munda\u00fa, o que indicou um colapso na mina 18 da Braskem. T\u00e9cnicos e autoridades esperam que a situa\u00e7\u00e3o se estabilize sem maiores consequ\u00eancias para outras minas na regi\u00e3o ou para os moradores de Macei\u00f3. Mas esse diagn\u00f3stico \u00e9 simplista, porque at\u00e9 os equipamentos que mediam dia e noite o n\u00edvel da \u00e1gua da lagoa foram levados no redemoinho formado pelo vertedouro.<\/p>\n<p>Num momento em que a COP28, que reuniu milhares de autoridades e ambientalistas de todo o mundo em Dubai, passa 15 dias discutindo se coloca ou n\u00e3o no relat\u00f3rio final uma data para a \u201celimina\u00e7\u00e3o\u201d ou \u201credu\u00e7\u00e3o\u201d dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, aqui, nas barbas das autoridades, uma trag\u00e9dia ambiental, social e humana foi sendo gestada nos \u00faltimos 50 anos, sem que ningu\u00e9m tivesse coragem de tomar uma decis\u00e3o coerente, corajosa e decisiva para interromper esse ciclo de degrada\u00e7\u00e3o do subsolo de Macei\u00f3. O que o Brasil e milhares de moradores atingidos pela cat\u00e1strofe esperam \u00e9 que a Braskem, agora, cumpra o que anuncia na chamada do seu site:\u00a0<strong><em>O compromisso com as pessoas e o planeta impulsiona a Braskem.<\/em><\/strong><\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p><strong>O que diz a empresa<\/strong><\/p>\n<p><strong>Comunicado sobre Macei\u00f3<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;A Braskem reafirma o seu compromisso e manifesta solidariedade irrestrita a todos os moradores da cidade de Macei\u00f3. Nossa prioridade continua sendo a seguran\u00e7a das pessoas. \u00c9 para isso que trabalhamos incansavelmente h\u00e1 quatro anos nos trechos da cidade afetados pelo afundamento do solo.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Desde 2019, j\u00e1 realizamos as seguintes a\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o:<\/em><\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><em>Paralisa\u00e7\u00e3o definitiva da atividade de extra\u00e7\u00e3o de sal, em maio de 2019<\/em><\/li>\n<li><em>Realoca\u00e7\u00e3o preventiva de cerca de 40 mil pessoas da \u00e1rea definida como de risco pela Defesa Civil<\/em><\/li>\n<li><em>Desocupa\u00e7\u00e3o de 100% dessa \u00e1rea de risco definida em 2020 \u2013 moradores dos \u00faltimos 23 im\u00f3veis, que ainda permaneciam na regi\u00e3o, foram realocados na semana passada<\/em><\/li>\n<li><em>Apresenta\u00e7\u00e3o de 19 mil propostas de indeniza\u00e7\u00e3o a moradores e comerciantes, o que representa 99,8% do total, com aceita\u00e7\u00e3o de 99%<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p><em>Al\u00e9m disso, disponibilizamos apoio psicol\u00f3gico, cuidado com animais de estima\u00e7\u00e3o, suporte para regulariza\u00e7\u00e3o de documentos e mudan\u00e7a. Os bairros desocupados continuam recebendo servi\u00e7os de zeladoria que incluem limpeza, controle de pragas e vigil\u00e2ncia patrimonial, em conjunto com a seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/em><\/p>\n<p><em>Como medida de preven\u00e7\u00e3o, uma das mais modernas redes de monitoramento do solo foi instalada na regi\u00e3o a partir de abril de 2019, e em novembro de 2020 foi iniciado o plano de fechamento definitivo das cavidades (po\u00e7os de sal) desativadas, que j\u00e1 tem 70% dos trabalhos conclu\u00eddos.<\/em><\/p>\n<p><em>Medidas adicionais de mitiga\u00e7\u00e3o, repara\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o foram definidas em acordos com \u00f3rg\u00e3os federais, estaduais e municipais. S\u00e3o a\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas social e ambiental, al\u00e9m de um programa de mobilidade urbana, projetos de reurbaniza\u00e7\u00e3o e de conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/em><\/p>\n<p><em>Para isso, provisionamos R$ 14,4 bilh\u00f5es, dos quais j\u00e1 foram desembolsados R$ 9,2 bilh\u00f5es, sendo R$ 4,4 bilh\u00f5es pagos em indeniza\u00e7\u00f5es de moradores e comerciantes.<\/em><\/p>\n<p><em>Sobre a movimenta\u00e7\u00e3o do solo registrada nos \u00faltimos dias em um local espec\u00edfico do bairro do Mutange, em Macei\u00f3, \u00e9 importante lembrar que a situa\u00e7\u00e3o se d\u00e1 em um trecho da \u00e1rea j\u00e1 100% desocupada desde abril de 2020, e segue sob monitoramento constante.<\/em><\/p>\n<p><em>Hoje, temos mais de mil profissionais integralmente dedicados a cumprir todos os compromissos assumidos com Macei\u00f3, colaborando com as autoridades e priorizando a seguran\u00e7a das pessoas<\/em><\/p>\n<p>________<\/p>\n<p>\u00a01\u00a0<strong>&#8211;\u00a0<em>Subsid\u00eancia<\/em><\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0A\u00a0subsid\u00eancia\u00a0\u00e9 um fen\u00f4meno de rebaixamento da superf\u00edcie do terreno devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es ocorridas no suporte subterr\u00e2neo. O fen\u00f4meno ocorre em diversos lugares do mundo devido \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, petr\u00f3leo e g\u00e1s do subsolo.<\/p>\n<p>\u00a02\u00a0<strong>&#8211;\u00a0Compassion<\/strong>: De acordo com o budismo, \u201ccompassion\u201d \u00e9 uma aspira\u00e7\u00e3o, um estado mental, querendo que outros se libertem do sofrimento. N\u00e3o \u00e9 passivo\u00a0\u00a0&#8211; n\u00e3o \u00e9 somente empatia \u2013 mas um altru\u00edsmo emp\u00e1tico, que ativamente luta por libertar o pr\u00f3ximo do sofrimento. (<em>Gest\u00e3o de Crises e Comunica\u00e7\u00e3o<\/em>, Atlas, 2019, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p\u00e1g. 178).<\/p>\n<p>3-\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2023\/12\/tragedia-anunciada.shtml\"><strong>Trag\u00e9dia Anunciada<\/strong>,\u00a0<em>Folha de S. Paulo,\u00a0<\/em>07\/12\/23.<\/a><\/p>\n<p>4-\u00a0<strong>Eutrofizar<\/strong>: caracteriza-se a eutrofiza\u00e7\u00e3o (termo vindo do grego que significa bem nutridi) como um processo em que ocorre um aumento na concentra\u00e7\u00e3o de nutrientes (principalmente f\u00f3sforo e nitrog\u00eancio) em ambientes aqu\u00e1ticos, tais como rios e lagos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0________<\/strong><\/p>\n<p><strong>Artigo publicado originalmente no site <a href=\"http:\/\/www.comunicacaoecrise.com\/\">www.comunicacaoecrise.com<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores<\/strong><strong>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Jo\u00e3o Jos\u00e9 Forni\u00a0(Autor do livro\u00a0\u201cGest\u00e3o de Crises e Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 O que Gestores e Profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o precisam saber para enfrentar Crises Corporativas\u201d) \u00a0 Durante anos, no subsolo da lagoa Munda\u00fa, em Macei\u00f3, uma mineradora de sal-gema cavou dia e noite para tirar de l\u00e1 um produto que gerou milh\u00f5es de d\u00f3lares de lucro. 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