{"id":317,"date":"2024-05-13T09:20:12","date_gmt":"2024-05-13T12:20:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=317"},"modified":"2024-05-13T09:20:34","modified_gmt":"2024-05-13T12:20:34","slug":"as-enchentes-no-rio-grande-do-sul-e-o-luto-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2024\/05\/13\/as-enchentes-no-rio-grande-do-sul-e-o-luto-coletivo","title":{"rendered":"As enchentes no Rio Grande do Sul e o luto coletivo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <strong>Helena<\/strong> <strong>Bornhorst <\/strong>(Psic\u00f3loga Cl\u00ednica &#8211; UFSM. P\u00f3s Graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental &#8211; PUCRS. CRP 07\/39306)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul \u00e9 de crise, de propor\u00e7\u00f5es inesperadas e emergenciais, onde perdas m\u00faltiplas, f\u00edsicas e simb\u00f3licas v\u00e3o se somando. Perdas de pessoas queridas, de conhecidos, de animais, das casas e m\u00f3veis, mas tamb\u00e9m da hist\u00f3ria familiar, das mem\u00f3rias, do acesso \u00e0s necessidades b\u00e1sicas, de planos futuros\u2026<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 um momento que nos sensibiliza e nos afeta, direta ou indiretamente, em diferentes camadas, e por isso nos pegamos em uma situa\u00e7\u00e3o que tem nome: luto coletivo. Luto coletivo justamente por ser uma dor coletiva, uma dor compartilhada e que perpassa uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento \u00e0 situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1 ocorrendo. \u00c9 como se a dor do outro se tornasse nossa tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nesse momento \u00e9 esperado que apare\u00e7am sentimentos muito diversos, como raiva, culpa, tristeza, des\u00e2nimo, impot\u00eancia, medo. \u00c9 esperado que haja mudan\u00e7as no sono, no apetite, na concentra\u00e7\u00e3o e no funcionamento habitual, nosso e da nossa rotina. Podem ocorrer tamb\u00e9m questionamentos sobre a vida, a finitude, a f\u00e9, os valores pessoais e algumas pessoas podem querer ficar muito pr\u00f3ximas uma das outras ou mais isoladas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que se recomenda nesses momentos? <\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Acolher e validar os nossos pr<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>prios sentimentos e os do outro. <\/strong>O luto, por mais que coletivo, segue sendo uma experi\u00eancia sentida e vivida de formas diferentes para cada um. Precisamos ser compreensivos e acolhedores com o sofrimento que vier, ele \u00e9 esperado e natural em uma situa\u00e7\u00e3o como essa. Se fazer presente e dispon\u00edvel \u00e9 o mais importante.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ajudar dentro dos nossos pr<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>prios recursos e condi\u00e7\u00f5es. <\/strong>Auxiliar de alguma forma pode ser uma maneira de lidar com as emo\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 importante entender como conseguimos e nos sentimos capazes de ajudar. Qualquer aux\u00edlio \u00e9 bem vindo, v\u00e1lido e necess\u00e1rio dentro das possibilidades de cada pessoa e, nesse momento, cada um vai conseguir ajudar de uma forma diferente.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Restringir informa\u00e7\u00f5es e aceitar nossos limites<\/strong>. Muitas vezes o acesso cont\u00ednuo e intenso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, not\u00edcias pode desencadear emo\u00e7\u00f5es muito intensas, como medo e ansiedade. Portanto, nesse momento \u00e9 importante percebermos o nosso limite e como estamos sendo afetados por tudo isso. Restringir alguns perfis, desconectar notifica\u00e7\u00f5es e fazer atividades fora do celular, pelo menos por algum tempo, pode ser ben\u00e9fico.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Pedir ajuda quando necess\u00e1<\/strong><strong>rio. <\/strong>N\u00e3o \u00e9 preciso lidar com esse processo todo sozinho, existem profissionais que podem e devem auxiliar, seja no acolhimento emocional, no direcionamento de informa\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os dispon\u00edveis, na busca de atender necessidades b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que n\u00e3o se recomenda nesses momentos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Comparar ou julgar a dor do outro.<\/strong> Quem est\u00e1 passando por um luto n\u00e3o precisa e n\u00e3o deve ter sua dor medida ou invalidada. Frases como \u201cmas a outra pessoa est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o pior\u201d, \u201ctudo acontece por um motivo\u201d, \u201clogo vai passar\u201d apenas atrapalham.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Ser invasivo. <\/strong>No momento n\u00e3o precisamos ficar perguntando detalhes sobre a situa\u00e7\u00e3o para as pessoas envolvidas, deixem que elas falem apenas aquilo que quiserem e se sentirem seguras. Dar espa\u00e7o e conforto \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Compartilhar not\u00ed<\/strong><strong>cias falsas e sensacionalistas.<\/strong> Divulgar e compartilhar sobre o evento \u00e9 importante, por\u00e9m precisamos nos responsabilizar por aquilo que est\u00e1 sendo passado. Verificar as informa\u00e7\u00f5es e fontes, assim como evitar repassar conte\u00fados de cunho sens\u00edvel e expositivo \u00e0s v\u00edtimas \u00e9 primordial e pode evitar aumentar o risco do trauma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Por fim, estamos aprendendo a lidar, como sociedade e coletivo, com esse momento.<\/p>\n<p>Entender a dimens\u00e3o do que estamos vivendo requer tempo, paci\u00eancia e apoio m\u00fatuo. <strong>Seguimos, um dia de cada vez.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Helena Bornhorst (Psic\u00f3loga Cl\u00ednica &#8211; UFSM. P\u00f3s Graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental &#8211; PUCRS. CRP 07\/39306) \u00a0 A situa\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul \u00e9 de crise, de propor\u00e7\u00f5es inesperadas e emergenciais, onde perdas m\u00faltiplas, f\u00edsicas e simb\u00f3licas v\u00e3o se somando. 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