{"id":322,"date":"2024-05-20T14:07:23","date_gmt":"2024-05-20T17:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=322"},"modified":"2024-05-20T14:14:13","modified_gmt":"2024-05-20T17:14:13","slug":"crises-como-a-do-rio-grande-do-sul-quem-se-importa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2024\/05\/20\/crises-como-a-do-rio-grande-do-sul-quem-se-importa","title":{"rendered":"Crises como a do Rio Grande do Sul, quem se importa?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <strong>Ot\u00e1vio Novo<\/strong> (advogado, profissional de Gest\u00e3o de Riscos e Crises, autor do livro \u201cGest\u00e3o da Qualidade e de Crises em Neg\u00f3cios do Turismo\u201d)*<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Nesse momento, todos. E esse \u00e9 um efeito comum nos casos de grandes crises e cat\u00e1strofes, e no caso do Rio Grande do Sul n\u00e3o seria diferente, afinal a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave e a como\u00e7\u00e3o \u00e9 geral. Entretanto, como ser\u00e1 depois que o momento mais cr\u00edtico passar? E quando as c\u00e2meras e postagens mirarem para outro acontecimento? Obviamente, a\u00e7\u00f5es e provid\u00eancias reativas emergenciais s\u00e3o compreens\u00edveis e muito v\u00e1lidas para minimizar impactos. Mas e com o processo completo e que realmente pode evitar perdas importantes, ou seja, a Gest\u00e3o de Crises como a do Rio Grande do Sul, quem se importa?<\/p>\n<p><br \/>A pergunta se mant\u00e9m e enquanto ainda h\u00e1 \u00e1gua e destrui\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os p\u00fablicos e privados do Rio Grande do Sul, equipes de resgate e atendimento volunt\u00e1rios em todo o pa\u00eds e principalmente na regi\u00e3o afetada se esfor\u00e7am para ajudar as v\u00edtimas e trazer o m\u00ednimo de dignidade nesse momento. E tudo \u00e9 transmitido por pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas da comunica\u00e7\u00e3o, seja na m\u00eddia tradicional ou nas redes sociais. Al\u00e9m disso, representantes pol\u00edticos e de setores da sociedade se engajam, discutem e aprovam a\u00e7\u00f5es para auxilio pr\u00e1tico no \u00e1rduo processo de financiamento da reestrutura\u00e7\u00e3o do estado.<\/p>\n<p><br \/>Esse olhar \u00e9 fundamental, mas \u00e9 parte subsequente de procedimentos anteriores e da mesma forma essenciais. Ou seja, a resposta \u00e0s ocorr\u00eancias e crises deve vir, obrigatoriamente, ap\u00f3s o levantamento de riscos e a prepara\u00e7\u00e3o ampla, e muitas vezes simples, dos atores e estruturas desse contexto. Assim, a chamada Gest\u00e3o de Crises ser\u00e1 realizada da forma correta, caso contr\u00e1rio o Gerenciamento da Crise ocorrer\u00e1, contudo sem a devida prepara\u00e7\u00e3o e consequentemente com efeitos danosos que poderiam ter sido evitados.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Pandemia parecia ter sido uma oportunidade dolorosa de ensinamento para todos, especialmente para aqueles que ainda sentem, de uma forma ou de outra, os efeitos dessa crise t\u00e3o grave. Mas o que percebemos \u00e9 que pouco transformamos, ou pouco restou, dessa experi\u00eancia em maturidade. E de modo geral, n\u00e3o existem sinais expressivos de mudan\u00e7a de comportamento de gestores e p\u00fablico. E isso \u00e9 preocupante porque pode refor\u00e7ar a tend\u00eancia geral de esperar que os problemas aconte\u00e7am para buscar uma solu\u00e7\u00e3o, ou seja, o famoso : \u201cSe acontecer a gente d\u00e1 um jeito\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>E apesar de totalmente indesejada e lamentada por todos, a calamidade do Rio Grande do Sul \u00e9 mais uma oportunidade que todos temos de entender as nossas demandas adiante. No caminho da transforma\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel estamos n\u00f3s como atores que podem ou n\u00e3o assumir pap\u00e9is adequados nos cen\u00e1rios a que estamos inseridos.<\/p>\n<p><br \/>\u00c9 preciso se importar com toda a cadeia de a\u00e7\u00f5es e responsabilidades da Gest\u00e3o de Crises e n\u00e3o s\u00f3 com a resposta que acontecer\u00e1 com menos ou mais potencial de caridade, de isen\u00e7\u00f5es fiscais e outras medidas paliativas. A atitude respons\u00e1vel e esperada de gestores e l\u00edderes, exemplos seguidos pelos liderados, \u00e9 o olhar preventivo e antecipat\u00f3rio, n\u00e3o s\u00f3 diante das possibilidades de ocorr\u00eancia, mas da cria\u00e7\u00e3o de cultura de prote\u00e7\u00e3o em todos os n\u00edveis e pap\u00e9is das organiza\u00e7\u00f5es, seja nas grandes estruturas p\u00fablicas ou privadas, seja no pequeno com\u00e9rcio e na casa de cada um.<\/p>\n<p><br \/>A observa\u00e7\u00e3o ampla de vulnerabilidades, mesmo distante de plena solu\u00e7\u00e3o para todas, leva qualquer estrutura, de qualquer n\u00edvel, a um patamar de redu\u00e7\u00e3o de impactos muito consider\u00e1vel, j\u00e1 que o conhecimento do que pode nos afetar nos tira das sombras do passivo sentimento de medo para a exposi\u00e7\u00e3o da bravura das a\u00e7\u00f5es reais e efetivas.<\/p>\n<p><br \/>Uma das grandes cr\u00edticas ao pensamento de gest\u00e3o de riscos e crises \u00e9 o foco em hist\u00f3ricos e acontecimentos passados como base das solu\u00e7\u00f5es de futuro, ou seja, seria como algu\u00e9m dirigir um carro olhando o tempo todo pelo retrovisor. Conhecer o passado \u00e9 importante, contudo uma vis\u00e3o ampla da gest\u00e3o de Crises inclui a capacidade de antecipa\u00e7\u00e3o, que dar\u00e1 a possibilidade de decis\u00f5es serem tomadas considerando o passado e tamb\u00e9m de situa\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o imponder\u00e1veis.<\/p>\n<p><br \/>E at\u00e9 mesmo nas medidas reativas h\u00e1 a necessidade do olhar antecipat\u00f3rio para que as a\u00e7\u00f5es emergenciais n\u00e3o agravem outros pontos do mesmo cen\u00e1rio. Como exemplo, no caso do Rio Grande do Sul ser\u00e1 importante haver cuidados na reconstru\u00e7\u00e3o, pensando n\u00e3o s\u00f3 em restabelecer rapidamente o que j\u00e1 existia, mas pensar na preven\u00e7\u00e3o total (sociedade em geral) para evitar recorr\u00eancia de erros, al\u00e9m de n\u00e3o deixar com que restri\u00e7\u00f5es de or\u00e7amento e investimentos prejudiquem os demais servi\u00e7os essenciais e etc.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A coragem dos l\u00edderes e daqueles que norteiam o amadurecimento das organiza\u00e7\u00f5es e da sociedade deve ir al\u00e9m da solidariedade e do socorro no momento tr\u00e1gico. Quem se importa de verdade com a resili\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o da sociedade, age antes, ao tratar antecipadamente de temas desagrad\u00e1veis enquanto a maioria vive a tranquilidade dos momentos de calmaria e c\u00e9u azul.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>*artigo publicado originalmente no Di\u00e1rio do Turismo.<\/p>\n<p><strong>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ot\u00e1vio Novo (advogado, profissional de Gest\u00e3o de Riscos e Crises, autor do livro \u201cGest\u00e3o da Qualidade e de Crises em Neg\u00f3cios do Turismo\u201d)* \u00a0 Nesse momento, todos. 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