{"id":373,"date":"2024-09-30T16:04:11","date_gmt":"2024-09-30T19:04:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=373"},"modified":"2024-09-30T16:04:12","modified_gmt":"2024-09-30T19:04:12","slug":"expointer-2024-resiliencia-e-referencia-em-saude-unica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2024\/09\/30\/expointer-2024-resiliencia-e-referencia-em-saude-unica","title":{"rendered":"Expointer 2024: resili\u00eancia e refer\u00eancia em Sa\u00fade \u00danica"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <strong>Elizabeth Obino Cirne Lima <\/strong>(Subsecret\u00e1ria do Parque Estadual de Exposi\u00e7\u00f5es Assis Brasil)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A Expointer \u00e9 uma feira rural realizada no Parque Estadual de Exposi\u00e7\u00f5es Assis Brasil, em Esteio, RS. Considerada a maior feira de agro, \u00e0 c\u00e9u aberto da Am\u00e9rica Latina, suas ra\u00edzes s\u00e3o antigas, tendo sua primeira edi\u00e7\u00e3o sido realizada no ano de 1901, ainda no formato de exposi\u00e7\u00e3o estadual. A Royal Agricultural Show, do Reino Unido, foi a feira do ramo que serviu de inspira\u00e7\u00e3o para a Expointer. Os produtores rurais que visitaram a exposi\u00e7\u00e3o sempre trouxeram refer\u00eancias de como o evento ga\u00facho podia ser aprimorado e modernizado. Assim, os organizadores da Expointer passaram a trabalhar no conceito de multifeira rural, uma abordagem que busca unir com\u00e9rcio, de utens\u00edlios, de vestimentas t\u00edpicas rurais, ferramentas, m\u00e1quinas e implementos agr\u00edcolas, inova\u00e7\u00f5es, cultura, tradi\u00e7\u00e3o e gastronomia. O contato com animais de diferentes ra\u00e7as, tecnologias do campo diversas e outros elementos presentes no evento fez com que a Expointer se consolidasse como um local onde n\u00e3o s\u00f3 existe um grande volume de neg\u00f3cios, mas tamb\u00e9m se realiza a transfer\u00eancia de tecnologias, fazendo com que o conhecimento seja disseminado entre os profissionais do setor. Ainda, a Expointer \u00e9 um dos principais eventos que permite a aproxima\u00e7\u00e3o entre o campo a cidade, visto que o meio rural vive temporariamente dentro da feira, que se localiza na regi\u00e3o metropolitana de Porto Alegre, onde residem cerca de 3 milh\u00f5es de pessoas, que podem <em>tocar<\/em> o campo, e as pessoas do campo se conectam com as pessoas e coisas das cidades grandes.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Um Parque para servir<\/strong><\/p>\n<p>Em um primeiro momento, o desafio recebido era de ressignificar o parque como um local que recebesse eventos o ano inteiro e n\u00e3o s\u00f3 a Expointer. Ali, encontrei a oportunidade para trazer as associa\u00e7\u00f5es de criadores de animais e parceiros para realizarem seus eventos, atividades culturais e com\u00e9rcio, mas tamb\u00e9m trazer educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia para dentro do PEEAB. Atualmente, est\u00e3o sendo articuladas parcerias com o Sistema S para trazer cursos de forma\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de espa\u00e7os de inova\u00e7\u00e3o para dentro do parque. Tudo isso com essa vis\u00e3o mais integrativa do agro com outros campos do conhecimento. Este movimento se d\u00e1 no campo da sa\u00fade tamb\u00e9m. Da pandemia para c\u00e1, o espa\u00e7o da Expointer serviu de centro de vacina\u00e7\u00e3o e at\u00e9 hoje s\u00e3o mantidas a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade com a popula\u00e7\u00e3o moradora de bairro Novo Esteio por l\u00e1.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>P\u00f3s-pandemia<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, al\u00e9m desse trabalho com a agenda de a\u00e7\u00f5es ao longo do ano havia uma Expointer para ser organizada. E a edi\u00e7\u00e3o de 2022 era de m\u00e1xima import\u00e2ncia, pois seria a primeira edi\u00e7\u00e3o sem restri\u00e7\u00e3o de p\u00fablico ap\u00f3s a Pandemia da COVID-19. O evento foi marcado por esse reencontro. Conhecida informalmente como a Expointer dos recordes, a edi\u00e7\u00e3o de 2022 trouxe mais de 700 mil pessoas para dentro do parque (quase que o dobro da m\u00e9dia pr\u00e9-pandemia) e mais de 7 bilh\u00f5es de reais em neg\u00f3cios realizados. Os ganhos da feira daquele ano foram investidos para melhorar a infraestrutura do parque, deix\u00e1-lo mais seguro, acess\u00edvel e inclusivo \u2013 uma forma de deixar um legado para al\u00e9m dos n\u00fameros. O objetivo n\u00e3o era entregar um parque maior, mas sim um parque melhor. Em 2023, conseguimos alcan\u00e7ar novos resultados com o evento, que mais uma vez teve acr\u00e9scimo de p\u00fablico e atingiu o n\u00famero de 7,9 bilh\u00f5es de reais em neg\u00f3cios realizados. \u00c9 uma felicidade muito grande ver como o cuidado com o parque gera estes recordes e est\u00e1 criando uma mudan\u00e7a de cultura entre nossos parceiros, que passam a ver o Parque Estadual de Exposi\u00e7\u00f5es Assis Brasil como uma casa parceira do setor agr\u00edcola do Rio Grande do Sul.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A Expointer da retomada<\/strong><\/p>\n<p>Esta capacidade de cuidar do parque e das pessoas foi posta \u00e0 prova neste ano de 2024, quando o Rio Grande do Sul foi afetado pela maior cat\u00e1strofe de sua hist\u00f3ria. As enchentes que vivemos foi uma crise em n\u00edvel humanit\u00e1rio, ambiental, econ\u00f4mico e tamb\u00e9m no \u00e2mbito da sa\u00fade p\u00fablica. O bairro de Novo Esteio, ao lado do parque, foi a regi\u00e3o do munic\u00edpio mais afetada, com muitas casas sendo severamente alagadas e fam\u00edlias ficando desabrigadas. O parque de exposi\u00e7\u00f5es da Expointer tamb\u00e9m foi duramente atingido, com pontos de alagamento, que duraram cerca de 30 dias, onde a \u00e1gua chegou a 3 metros de altura. Em meio \u00e0 esta situa\u00e7\u00e3o, o Governador Eduardo Leite tomou a decis\u00e3o de confirmar que a Expointer aconteceria. Este an\u00fancio nos ajudou para que tiv\u00e9ssemos um norte para a reconstru\u00e7\u00e3o do parque, que teria que acontecer de qualquer forma. Foram montados diversos grupos de trabalho, para administra\u00e7\u00e3o, quest\u00f5es jur\u00eddicas, comunica\u00e7\u00e3o e outras \u00e1reas, que fizeram com que a Subsecretaria do Parque de Exposi\u00e7\u00f5es Assis Brasil tivesse pela primeira vez uma conex\u00e3o \u00edntima com o Governo do Estado, uma vez que at\u00e9 ent\u00e3o est\u00e1vamos fisicamente mais separados, visto que o Pal\u00e1cio fica localizado em Porto Alegre. Estes grupos de trabalho aceleraram muito o processo para esta reconstru\u00e7\u00e3o. Os nossos parceiros do setor privado receberam muito bem tamb\u00e9m o meu contato e abra\u00e7aram a causa. A desafiadora reforma andou muito r\u00e1pido e provou como o povo ga\u00facho \u00e9 unido, forte e resiliente.<\/p>\n<p>Conseguimos cumprir todos os prazos e entregar uma Expointer muito simb\u00f3lica em 2024, a Expointer da retomada. Mesmo sem funcionamento completo do Trensurb, o p\u00fablico estava muito animado com a volta dos eventos e compareceu em peso na feira, mais de 600 mil pessoas. Em neg\u00f3cios fechados, batemos um novo recorde, atingindo R$ 8,1 bilh\u00f5es em comercializa\u00e7\u00f5es. Mesmo com os impactos das enchentes, o pavilh\u00e3o da agricultura familiar bateu recordes hist\u00f3ricos ao longo da feira. Esse crescimento representa a for\u00e7a do agro ga\u00facho, que recebe produtores rurais do Brasil inteiro. Hoje, o Rio Grande do Sul est\u00e1 consolidado como o maior parque fabril de m\u00e1quinas e implementos agr\u00edcolas do pa\u00eds, trazendo produtores de todo o Brasil, para durante a Expointer ter acesso aos lan\u00e7amentos e linhas de cr\u00e9dito especiais.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio das enchentes foi algo sem precedentes em termos de crise a ser combatida pela gest\u00e3o do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Nunca houve tamanho dano ambiental, patrimonial, de infraestrutura e perdas de vidas, numa extens\u00e3o t\u00e3o expressiva, como foi provocado pelas enchentes de 2024. O desafio \u00e9 gigante. Penso que a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica agiu muito r\u00e1pido, ao se organizar na estrutura\u00e7\u00e3o do gabinete de crise, que tinha escrit\u00f3rios nas regi\u00f5es afetadas pelas chuvas. Os desafios iam se apresentando dia a dia e este grupo agia coordenadamente encontrando solu\u00e7\u00f5es para estes desafios. Eu fiquei dentro do parque com cerca de 15 pessoas do nosso time e n\u00e3o houve dia em que ficamos sem trabalhar, as situa\u00e7\u00f5es que surgiam eram muito diferentes umas das outras e necessitavam de tomadas de decis\u00e3o individuais. O PEEAB ofereceu apoio ao Munic\u00edpio de Esteio, fomos alojamento, Centro de Distribui\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es, fornecedores de \u00e1gua pot\u00e1vel para Esteio e regi\u00e3o e tamb\u00e9m recebemos carretas de doa\u00e7\u00f5es e grupos que cruzavam o Brasil de norte a sul, para apoiar os ga\u00fachos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia em Sa\u00fade \u00danica<\/strong><\/p>\n<p>Estes grupos de trabalho apresentaram grandes avan\u00e7os no combate \u00e0 crise. O trabalho com informa\u00e7\u00e3o e a estrutura\u00e7\u00e3o de canais de contato est\u00e3o servindo at\u00e9 hoje para o melhoramento da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, de modo a auxiliar grupos da Secretaria de Agricultura que hoje trabalham na recupera\u00e7\u00e3o do solo, medidas sanit\u00e1rias para evitar o surgimento de novas doen\u00e7as, sistema para emiss\u00e3o de notas de compra e vendas de animais que permitem a rastreabilidade destes e o controle sanit\u00e1rio apropriado, entre outras quest\u00f5es. Isso tudo ressalta como essa postura integrativa que temos no Rio Grande do Sul \u00e9 que nos d\u00e1 respaldo para trabalhar na reconstru\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da sa\u00fade, a Expointer tamb\u00e9m atua no apoio \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas e fomenta a abordagem de sa\u00fade \u00fanica. Como parte da Secretaria de Agricultura, recebemos ministros da agricultura do Cone Sul e secret\u00e1rios de agricultura de todo o Brasil para encontros t\u00e9cnicos que debatem os desafios sanit\u00e1rios e definem os rumos a serem tomados, tanto para a parte animal como para a ambiental. Em 2023, a grande discuss\u00e3o foi a gripe avi\u00e1ria, por exemplo. Hoje, o Brasil \u00e9 refer\u00eancia no controle da sa\u00fade animal, com um controle maior do que de muitos pa\u00edses que s\u00e3o considerados globalmente como grandes exportadores. Aqui no Parque de Exposi\u00e7\u00f5es Assis Brasil, n\u00f3s trabalhamos dentro desse rigor das legisla\u00e7\u00f5es praticando e difundindo a import\u00e2ncia do cuidado com a sa\u00fade animal, uma vez que ela tamb\u00e9m est\u00e1 integrada com a sa\u00fade humana. Este cuidado com a sa\u00fade tamb\u00e9m est\u00e1 gerando bons resultados econ\u00f4micos, uma vez que estamos conquistando novos mercados e um aumento no n\u00famero de exporta\u00e7\u00f5es dos produtos do agro.<\/p>\n<p>O Parque \u00e9 uma refer\u00eancia na implementa\u00e7\u00e3o da abordagem de sa\u00fade \u00fanica, porque aplicamos todas as normas sanit\u00e1rias vigentes no Rio Grande do Sul. Os animais s\u00f3 podem entrar no PEAAB se estiverem 100% de acordo com as normas sanit\u00e1rias, o que garante um controle de doen\u00e7as e pragas entre os animais, mas tamb\u00e9m dos riscos que eles podem causar aos seres humanos. N\u00f3s somos uma vitrine de neg\u00f3cios bem como queremos propor este debate sobre sa\u00fade e provocar o melhoramento nos cuidados com a sa\u00fade animal, humana e do meio-ambiente. Estes resultados que estamos obtendo servem de inspira\u00e7\u00e3o para olhar ao horizonte e almejar mais.<\/p>\n<p>_________<\/p>\n<p>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Elizabeth Obino Cirne Lima (Subsecret\u00e1ria do Parque Estadual de Exposi\u00e7\u00f5es Assis Brasil) \u00a0 A Expointer \u00e9 uma feira rural realizada no Parque Estadual de Exposi\u00e7\u00f5es Assis Brasil, em Esteio, RS. Considerada a maior feira de agro, \u00e0 c\u00e9u aberto da Am\u00e9rica Latina, suas ra\u00edzes s\u00e3o antigas, tendo sua primeira edi\u00e7\u00e3o sido realizada no ano [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":315,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[23],"class_list":["post-373","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-artigo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/users\/315"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=373"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/373\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}