{"id":374,"date":"2024-10-01T09:42:12","date_gmt":"2024-10-01T12:42:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=374"},"modified":"2024-10-01T09:42:14","modified_gmt":"2024-10-01T12:42:14","slug":"fumaceira-das-queimadas-sufocou-o-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2024\/10\/01\/fumaceira-das-queimadas-sufocou-o-jornalismo","title":{"rendered":"Fumaceira das queimadas sufocou o jornalismo?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <strong><span class=\"OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none\">Luiz Artur Ferraretto<\/span><\/strong><span class=\"OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none\"> (Professor do Curso de Jornalismo <\/span><span class=\"OYPEnA font-feature-liga-off font-feature-clig-off font-feature-calt-off text-decoration-none text-strikethrough-none\">e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS)<\/span><\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>\u201cVoc\u00eas que fazem parte dessa massa. <\/strong><strong style=\"font-size: revert;color: initial\">Que passa nos projetos do futuro. <\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>\u00c9 duro tanto ter que caminhar. <\/strong><strong style=\"font-size: revert;color: initial\">E dar muito mais do que receber.\u201d<\/strong><strong> Admir\u00e1vel Gado Novo (Z\u00e9 Ramalho)<\/strong><\/em><\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p>Seria leviano afirmar que a imprensa cobriu \u2013 e est\u00e1 cobrindo \u2013 mal a trag\u00e9dia clim\u00e1tica representada pelas queimadas. Seria mais leviano ainda afirmar que cobriu \u2013 e est\u00e1 cobrindo \u2013 bem. Para sair desse impasse aparente, dever\u00edamos buscar uma metodologia de pesquisa cient\u00edfica, o que exige tempo e, dado o tamanho do problema, uma abordagem no m\u00ednimo multidisciplinar a partir do esfor\u00e7o de estudiosos de v\u00e1rias regi\u00f5es. Outra possibilidade talvez fosse se focar em alguns poucos ve\u00edculos do centro do pa\u00eds, o que acabaria por excluir a realidade do chamado Brasil profundo.<\/p>\n<p>Observo, no entanto, que o problema est\u00e1 a\u00ed, na nossa frente. E repete situa\u00e7\u00f5es j\u00e1 vividas, em \u00e2mbito nacional, durante os semestres iniciais da pandemia de covid-19 e, no caso do estado em que vivo, das enchentes de maio e de junho deste ano. Arrisco, buscando problematizar e formar algum tipo de hip\u00f3tese, que se repetem tamb\u00e9m situa\u00e7\u00f5es como as relacionadas \u00e0s trag\u00e9dias de Mariana (5 de novembro de 2015) e de Brumadinho (25 de janeiro de 2019), em Minas Gerais. Portanto, os ind\u00edcios existentes apontam que a abordagem jornal\u00edstica das queimadas exacerba uma s\u00e9rie de problemas pr\u00e9-existentes dos ve\u00edculos brasileiros de comunica\u00e7\u00e3o, sejam privados, sejam p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Sejamos francos! Qual o planejamento para enfrentamento de crises de parte dos governos Temer (de 31 de agosto de 2016 at\u00e9 1\u00ba de janeiro de 2019), Bolsonaro (de 1\u00ba de janeiro de 2019 at\u00e9 1\u00ba de janeiro de 2023) e Lula (de 1\u00ba de janeiro de 2023 at\u00e9 a atualidade), as gest\u00f5es federais durante os eventos que citei acima? Posso repetir a pergunta em rela\u00e7\u00e3o a administra\u00e7\u00f5es estaduais e municipais. A resposta ser\u00e1 pouco ou nenhum planejamento. Quem n\u00e3o planeja o enfrentamento de crises iria se preocupar com a comunica\u00e7\u00e3o a partir da crise? Tal questionamento chega a soar ing\u00eanuo. Afinal, a comunica\u00e7\u00e3o deveria fazer parte do planejamento para enfrentar grandes acidentes provocados pela irresponsabilidade de empresas e governantes, doen\u00e7as com teor pand\u00eamico ou crises clim\u00e1ticas, essas \u00faltimas obviamente causadas pela destrui\u00e7\u00e3o continuada do ambiente por parte do ser humano.<\/p>\n<p>Nesse processo, parece-me que \u2013 em especial nas trag\u00e9dias relacionadas \u00e0 natureza \u2013 h\u00e1 dose consider\u00e1vel de negacionismo interesseiro e de fatalismo conformista. O efeito disso torna costumeiro o impacto da a\u00e7\u00e3o destrutiva do ser humano sobre o ambiente. \u00c9 quase aceito como algo cotidiano, normal, aceit\u00e1vel at\u00e9.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde, entre outras atividades, ministro a disciplina Fundamentos de R\u00e1dio e Televis\u00e3o, acostumei-me \u00e0 estranheza das minhas turmas frente a uma coment\u00e1rio em uma reconstitui\u00e7\u00e3o do programa <em>Show de Not\u00edcias<\/em>, atra\u00e7\u00e3o da ent\u00e3o TV Ga\u00facha, de Porto Alegre, nos anos 1960, e vers\u00e3o do que fazia a TV Excelsior, de S\u00e3o Paulo, empresa controladora, na \u00e9poca, da emissora aqui do Rio Grande do Sul. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 a est\u00e9tica e os h\u00e1bitos de outrora que motivam essa atitude. A c\u00e2mera enquadra o gesto comum naquela d\u00e9cada de dois dedos com um cigarro aceso, enquanto a voz grave e precisa do jornalista e radialista Euclides Prado d\u00e1 vida ao personagem A M\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2013 Algumas empresas de nossa capital esquecem, propositadamente, de investir no futuro. E v\u00e3o jogando lixo industrial de todos os tipos diretamente no nosso rio. A continuar dessa forma, dentro de quinze anos teremos polu\u00eddas todas as praias do Gua\u00edba e os locais de veraneio como Ipanema, Vila Elza e Florida ser\u00e3o riscados da mem\u00f3ria dos ga\u00fachos definitivamente.<\/p>\n<p>De fato, mais do que o recurso hoje esdr\u00faxulo de recorrer a personagens em um telejornal, chama a aten\u00e7\u00e3o a informa\u00e7\u00e3o de que, no passado, o Gua\u00edba \u2013 conceitualmente considerado, na atualidade, um lago \u2013 teve balneabilidade. Ali\u00e1s, \u00e9 a mesma rea\u00e7\u00e3o que tive, ao assistir a reconstitui\u00e7\u00e3o do <em>Show de Not\u00edcias <\/em>produzida para um dos programas da s\u00e9rie documental <em>Mem\u00f3ria RBS<\/em>, em 1988, quando a TV Ga\u00facha j\u00e1 adotara a denomina\u00e7\u00e3o RBS TV. Parece que as \u00e1guas do Gua\u00edba sempre estiveram polu\u00eddas e foram impr\u00f3prias para banho ou consumo.<\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>\u201cL\u00e1 fora faz um tempo confort\u00e1vel. A vigil\u00e2ncia cuida do normal. <\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>Os autom\u00f3veis ouvem a not\u00edcia. Os homens a publicam no jornal.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p>Reitero que, como as queimadas ocorrem em v\u00e1rios pontos do pa\u00eds e atingem um territ\u00f3rio consider\u00e1vel, h\u00e1 dificuldade em analisar, com precis\u00e3o e com profundidade, a cobertura da m\u00eddia. Para se ter uma ideia da extens\u00e3o do problema ecol\u00f3gico, no dia 12 de setembro, conforme noticiou a Ag\u00eancia Brasil, o Monitor do Fogo Mapbiomas indicava que, de janeiro at\u00e9 o m\u00eas anterior, 11,89 milh\u00f5es de hectares haviam sido consumidos pelas chamas, sendo 5,65 milh\u00f5es de hectares devastados pelo fogo apenas em agosto, o equivalente a 49% da \u00e1rea destru\u00edda ao longo do per\u00edodo. Setenta por cento da \u00e1rea atingida eram de vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n<p>Um dia depois da divulga\u00e7\u00e3o desses dados, a rep\u00f3rter Eliana Marques apresentava, no <em>Jornal Nacional<\/em>, da Rede Globo de Televis\u00e3o, um balan\u00e7o do ocorrido no m\u00eas de setembro. Em 12 dias, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Brasil registrava 49.266 focos de inc\u00eandio, o maior n\u00famero desse per\u00edodo desde 2007. As chamas atingiam, de in\u00edcio, os estados do Amazonas, Par\u00e1, Rond\u00f4nia e Mato Grosso. Logo, no dia 2, a fuma\u00e7a chegava at\u00e9 S\u00e3o Paulo, fazendo com que 79 parques fossem fechados pelo risco de inc\u00eandio. Em 3 de setembro, era a vez de Belo Horizonte, em Minas Gerais, enquanto na capital do Acre, Rio Branco, escolas eram fechadas devido \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es do ar, que tamb\u00e9m obrigava ao uso de m\u00e1scaras por seus moradores. Em Bras\u00edlia, o fogo atingia a Floresta Nacional. No dia 4, chegava \u00e0s nascentes dos rios que abastecem a capital federal. Peixes agonizavam na ilha do Bananal, no Tocantins. O inc\u00eandio j\u00e1 estava sem controle no Xingu, em \u00e1rea ind\u00edgena no estado do Mato Grosso. Em 5 de setembro, o fogo subterr\u00e2neo brotava de folhas e galhos compactados no solo ao longo de anos, no Pantanal, em Mato Grosso do Sul. No dia 9 de setembro, o porto de Santos, no litoral paulista, ficava fechado devido \u00e0 fuma\u00e7a misturada com o nevoeiro. Peixes, em grande quantidade, apareciam mortos na Represa Billings, em S\u00e3o Paulo. A baixa umidade do ar gerava um alerta para 3.460 cidades por parte do Instituto Nacional de Meteorologia. Em v\u00e1rias partes do pa\u00eds, o c\u00e9u aparecia alaranjado pelo efeito da fuma\u00e7a. Na Chapada dos Veadeiros, em Goi\u00e1s, a terra arrasada e sem vegeta\u00e7\u00e3o \u2013 destacava o <em>Jornal Nacional <\/em>\u2013 lembrava a paisagem morta de algum planeta impr\u00f3prio para a vida humana.<\/p>\n<p>Em paralelo, no dia 11, o G1 registrava que, no sul do Rio Grande do Sul, a centenas de quil\u00f4metros dos principais focos de queimadas, ocorria o fen\u00f4meno da chuva preta: a fuligem, as cinzas e outros poluentes haviam se misturado \u00e0 \u00e1gua que se precipitava das nuvens. O ar tornava-se pesado, f\u00e9tido, havendo recomenda\u00e7\u00e3o para que, at\u00e9, se reduzissem atividades ao ar livre.<\/p>\n<p>Esses dados atestam que a imprensa em geral pode ter cumprido o seu papel de fazer o registro em si das queimadas. No entanto, efetivamente, \u00e9 \u00e0 descri\u00e7\u00e3o mera e simples que se deve restringir o papel do jornalismo frente a uma crise ecol\u00f3gica de tais propor\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>\u201cE ter que demonstrar sua coragem. \u00c0 margem do que possa parecer. <\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>E ver que toda essa engrenagem.\u00a0J\u00e1 sente a ferrugem lhe comer.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tenho a convic\u00e7\u00e3o de que exercer o jornalismo \u00e9, principalmente, problematizar os fatos. Isso se faz com base na \u00e9tica e na t\u00e9cnica da profiss\u00e3o. Portanto, restringir um acontecimento \u00e0 sua descri\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta da responsabilidade social exigida de um jornalista. Baseado na ideia de que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o \u00e9 algo fundamental, o <em>C\u00f3digo de \u00c9tica dos Jornalistas Brasileiros<\/em>, documento elaborado pela Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), deixa claro: os profissionais n\u00e3o podem admitir que nenhum tipo de interesse impe\u00e7a cidad\u00e3s e cidad\u00e3os de usufruirem desse direito. Creio ser importante destacar dois par\u00e1grafos do artigo 12, aquele que se refere aos deveres do jornalista. Obrigatoriamente, o profissional precisa \u201couvir sempre, antes da divulga\u00e7\u00e3o dos fatos, o maior n\u00famero de pessoas e institui\u00e7\u00f5es envolvidas em uma cobertura jornal\u00edstica\u201d e \u201cbuscar provas que fundamentem as informa\u00e7\u00f5es de interesse p\u00fablico\u201d.<\/p>\n<p>Do ponto de vista da t\u00e9cnica, sabendo que as queimadas s\u00e3o, evidentemente, not\u00edcia, o exerc\u00edcio pleno da profiss\u00e3o depende da presen\u00e7a de jornalistas no palco de a\u00e7\u00e3o dos fatos e da realiza\u00e7\u00e3o de entrevistas. Ocorre que a presen\u00e7a no local dos acontecimentos restringe-se aos ve\u00edculos do local onde ocorrem as queimadas, \u00e0s grandes redes de televis\u00e3o e a poucos jornais do centro do pa\u00eds, os que deslocaram enviados especiais.<\/p>\n<p>De outra parte, quais fontes deveriam ser ouvidas? Vamos l\u00e1. Trabalhemos com uma categoriza\u00e7\u00e3o \u00f3bvia, mas que pode ter sido esquecida nas reda\u00e7\u00f5es e nas salas de aula dos cursos de Jornalismo. Um profissional pode ouvir: <em>autoridades<\/em>, aquelas pessoas jornalisticamente relevantes ligadas aos poderes Executivo, Judici\u00e1rio e Legislativo; <em>especialistas<\/em>, que t\u00eam atua\u00e7\u00e3o como pesquisadores com respaldo da comunidade cient\u00edfica; <em>protagonistas<\/em>, quem, de modo direto, vivencia o tema em foco; <em>representantes<\/em>, aqueles e aquelas que falam em nome de setores sociais envolvidos com o fato; e <em>testemunhas<\/em>, quem presencia algo relevante do ponto de vista noticioso.<\/p>\n<p>Assim, por \u00f3bvio, \u00e9tica e t\u00e9cnica se entrecruzam. Afinal, h\u00e1 que dar vez e voz a quem de direito, apresentando, n\u00e3o raro, mais de uma perspectiva a respeito do ocorrido.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 problema no distanciamento em rela\u00e7\u00e3o ao palco de a\u00e7\u00e3o dos fatos \u2013 caso de muitos ve\u00edculos que n\u00e3o contam com rep\u00f3rteres <em>in loco<\/em> e\/ou que reduzem a cobertura a opini\u00f5es, por vezes muito pr\u00f3ximas das do senso comum \u2013, as fontes ouvidas n\u00e3o podem se restringir a autoridades. Do que consegui acompanhar \u2013 destaco que sem o rigor exigido pela ci\u00eancia \u2013, parece-me que os ecologistas est\u00e3o extintos ou em vias de extin\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 uma ironia. Na base do problema, representantes do agroneg\u00f3cio s\u00e3o pouco questionados, o que n\u00e3o oferece nem a cobran\u00e7a socialmente necess\u00e1ria junto a infratores nem permite o esclarecimento justo e honesto de quem tem conduta correta no exerc\u00edcio de sua atividade.<\/p>\n<p>A \u00e9tica e a t\u00e9cnica tamb\u00e9m podem estar sendo deixadas de lado por assessorias de imprensa no \u00e2mbito das autoridades, dos especialistas e dos representantes. Nos tr\u00eas poderes, h\u00e1 quem exer\u00e7a a fun\u00e7\u00e3o como concursado e como cargo em comiss\u00e3o. Nesse \u00faltimo, abundam militantes, raramente com conhecimento e experi\u00eancia no jornalismo, quase sempre subordinados \u00e0 a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a interesses partid\u00e1rios. A necess\u00e1ria atitude de ver o que a pessoa assessorada faz pelo vi\u00e9s da not\u00edcia tamb\u00e9m parece ter escasseado em institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e entidades do movimento social. Ressalve-se que o ensino de assessoria ainda encontra restri\u00e7\u00f5es em muitas universidades nas quais a idealiza\u00e7\u00e3o do jornalismo esbarra na realidade de um mercado no qual a atividade \u00e9 cada vez mais majorit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>\u201cO povo foge da ignor\u00e2ncia. Apesar de viver t\u00e3o perto dela. E\u00a0sonham com melhores tempos idos<\/strong>\u201d<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que a atividade jornal\u00edstica tamb\u00e9m reflete a passividade de uma sociedade que pouco cr\u00ea nas institui\u00e7\u00f5es e que se apresenta dividida entre quem grita de um lado e quem berra do outro. A velocidade da vida parece atropelar o racioc\u00ednio por toda parte. Nas reda\u00e7\u00f5es, h\u00e1 muito o que fazer e pouca gente para faz\u00ea-lo. Se, em outros tempos, horas extras feitas n\u00e3o eram pagas, agora s\u00e3o proibidas. O tempo da realiza\u00e7\u00e3o das coberturas n\u00e3o d\u00e1 conta do tempo dos fatos. Uma tarefa atropela a pr\u00f3xima. H\u00e1 que cobrir para o ve\u00edculo em si e para suas redes sociais. Em texto, imagem, \u00e1udio, v\u00eddeo&#8230; No que for necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Seria leviano, portanto, afirmar que todos \u2013 profissionais e ve\u00edculos \u2013 erraram e est\u00e3o errando. No entanto, tamb\u00e9m \u00e9 imposs\u00edvel ignorar que ocorreram e seguem ocorrendo erros, desinteresse e at\u00e9 coniv\u00eancia. Como a manada tocada pelos pe\u00f5es, jornalistas e p\u00fablico v\u00e3o sendo tocados adiante. Para onde? Ningu\u00e9m sabe bem. Vem uma crise. Passa. Vem outra. E seguimos, relatando escombros e sobras. Pandemia. Enchente. Queimadas. Qual ser\u00e1 a pr\u00f3xima?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>\u201cE correm atrav\u00e9s da madrugada. A \u00fanica velhice que chegou. Demoram-se na beira da estrada. <\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em><strong>E passam a contar o que sobrou! \u00c9 o Brasil! Eh, oh, oh, vida de gado. Povo marcado, eh! Povo feliz!\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>_________<\/p>\n<p>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores.<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luiz Artur Ferraretto (Professor do Curso de Jornalismo e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS) \u00a0 \u201cVoc\u00eas que fazem parte dessa massa. Que passa nos projetos do futuro. \u00c9 duro tanto ter que caminhar. 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