{"id":470,"date":"2025-05-17T15:35:21","date_gmt":"2025-05-17T18:35:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=470"},"modified":"2025-05-17T15:36:45","modified_gmt":"2025-05-17T18:36:45","slug":"comunicacao-de-risco-ja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2025\/05\/17\/comunicacao-de-risco-ja","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o de risco j\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p>Por <strong>S\u00edlvia Marcuzzo<\/strong> (Jornalista, Mestranda em Comunica\u00e7\u00e3o, integrante do grupo de pesquisa Cuidar_Com)<\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p>Nesses tempos de infodemia, com telas no bolso, em cima da mesa, nas paradas de \u00f4nibus, em backlights, salas de espera, dentro do elevador, entre outros lugares, se faz qualquer coisa para ter audi\u00eancia. Nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 disputada por v\u00e1rios interesses. Geralmente por algo que n\u00e3o precisamos saber. Ou ent\u00e3o, por alguma informa\u00e7\u00e3o da qual viver\u00edamos muito bem sem tomar conhecimento.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que precisamos saber e n\u00e3o est\u00e3o sendo veiculadas. H\u00e1 necessidade de manter a popula\u00e7\u00e3o ciente dos riscos que est\u00e1 correndo. E \u00e9 tarefa do poder p\u00fablico alertar, explicar ou melhor comunicar o que est\u00e1 acontecendo. A comunica\u00e7\u00e3o a que me refiro \u00e9 aquela em que h\u00e1 entendimento, houve troca, negocia\u00e7\u00e3o. Segundo o soci\u00f3logo Dominique Wolton, simplesmente informar n\u00e3o \u00e9 comunicar.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o esse pre\u00e2mbulo porque estamos vivendo no Rio Grande do Sul um momento hist\u00f3rico, p\u00f3s-desastre, no qual os poderes p\u00fablicos t\u00eam demonstrado ignorar a import\u00e2ncia de comunicar sobre os riscos que corremos em tempos de agravamento das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Isso envolve ondas de calor, situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica e risco de desastres.<\/p>\n<p>Recentemente, o governo do Estado utilizou recursos p\u00fablicos para veicular nas salas de cinema um v\u00eddeo de mais de 40 minutos sobre o quanto a gest\u00e3o atual, ou melhor, a pessoa do governador, se empenhou em resolver os problemas deixados pelas inunda\u00e7\u00f5es e enxurradas do ano passado.<\/p>\n<p>O conte\u00fado do document\u00e1rio rende muitas interpreta\u00e7\u00f5es. O chefe do executivo anunciou recentemente sua sa\u00edda do partido no qual foi eleito duas vezes para governar o RS. Revelou, ainda, que gostaria de concorrer \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica. N\u00e3o vou e n\u00e3o quero entrar na seara de comentar o teor e o conte\u00fado do trabalho feito pelos cargos em comiss\u00e3o (CCs) da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica<\/strong><\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o que \u00e9 paga com dinheiro p\u00fablico deve servir \u00e0 coletividade, n\u00e3o aos interesses de quem est\u00e1 no comando. Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 focar no quanto todos os governos, n\u00e3o apenas o Estadual, mas os municipais e o federal, deveriam investir na comunica\u00e7\u00e3o de risco como estrat\u00e9gia de gest\u00e3o. Esse tipo de comunica\u00e7\u00e3o envolve o convencimento, a educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o ou grupos espec\u00edficos sobre as possibilidades de perigo ao n\u00e3o se tomar determinados cuidados, pois representam riscos ao ambiente e \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>O National Research\u00a0<em>Council (<a href=\"https:\/\/simple.wikipedia.org\/wiki\/National_Research_Council\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NRC<\/a>), organiza\u00e7\u00e3o estadunidense de pesquisa e desenvolvimento em\u00a0<\/em>ci\u00eancia e tecnologia, em 1980, fez amplo estudo sobre o tema e definiu que comunica\u00e7\u00e3o de risco \u00e9 um processo interativo de troca de informa\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es entre indiv\u00edduos, grupos e institui\u00e7\u00f5es a respeito de um risco potencial. A concep\u00e7\u00e3o desse tipo de comunica\u00e7\u00e3o deve ser encarada com mecanismos onde organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas ouvem e consideram as popula\u00e7\u00f5es envolvidas na dissemina\u00e7\u00e3o e no recebimento de opini\u00f5es de outros grupos, que n\u00e3o sejam ligados \u00e0s Ci\u00eancias.<\/p>\n<p>Ou seja, \u00e9 um processo de troca, de constru\u00e7\u00e3o sobre o que e como se deve comunicar. \u00c9 algo complexo, requer consulta de comunidades que t\u00eam entendimentos diferentes sobre as situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<blockquote>\n<p><strong>A comunica\u00e7\u00e3o de risco trata da preven\u00e7\u00e3o, do que se deve fazer para evitar problemas mais graves quando acontece algum acidente ou epis\u00f3dio com danos e mortes. Todo mundo hoje sabe o que significou a pandemia e o tanto que foram trabalhadas as v\u00e1rias formas de medidas de seguran\u00e7a para evitar a contamina\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da Covid-19. No entanto, estamos vivendo com outros riscos rondando e o poder p\u00fablico prefere divulgar o que ele acha que \u00e9 bom e n\u00e3o o que a popula\u00e7\u00e3o precisa.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p>S\u00f3 para terem uma ideia, em 2024, morreram 280 pessoas no RS de dengue (dados divulgados no Summit sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas realizado recentemente pela UFRGS). Um n\u00famero superior ao total do desastre mais que clim\u00e1tico: 184 \u00f3bitos e 25 desaparecidos. A prolifera\u00e7\u00e3o do mosquito transmissor da doen\u00e7a segue sendo um caso s\u00e9rio de sa\u00fade p\u00fablica neste ano. No entanto, tanto na imprensa quanto nas telas, n\u00e3o se v\u00ea campanhas sobre o assunto. Ser\u00e1 que ningu\u00e9m perguntou qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da explos\u00e3o de casos com o desmonte do servi\u00e7o p\u00fablico?<\/p>\n<p>Segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Jorge Duarte, esse tipo de comunica\u00e7\u00e3o\u00a0implica compromisso de colocar o cidad\u00e3o no centro: significa ouvir com aten\u00e7\u00e3o, garantir o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o verdadeira, acess\u00edvel e compreens\u00edvel, e criar caminhos efetivos de participa\u00e7\u00e3o. \u00c9 comunica\u00e7\u00e3o voltada ao interesse coletivo, que aproxima Estado e sociedade e fortalece a cidadania. \u00c9 erro grave trat\u00e1-la como algo secund\u00e1rio.\u00a0Esse trecho \u00e9 parte do artigo \u201cCaso INSS tamb\u00e9m \u00e9 exemplo de crise de comunica\u00e7\u00e3o\u201d, publicado este m\u00eas e assinado por ele.<\/p>\n<p>O Chile, por exemplo, devido ao hist\u00f3rico de terremotos, tem desenvolvido diversas a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o de risco com o objetivo de reduzir os danos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds, assim como o Brasil, tamb\u00e9m \u00e9 signat\u00e1rio do Marco de Sendai, um documento que define uma s\u00e9rie de medidas para redu\u00e7\u00e3o do risco de desastres.<\/p>\n<p>Para encerrar, vou usar alguns argumentos citados pelo professor Fernando Fan, do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas da UFRGS, no col\u00f3quio para jornalistas realizado pelo IPH e a Faculdade de Biblioteconomia e Comunica\u00e7\u00e3o da UFRGS no dia 28 de abril. Ele afirmou que h\u00e1 estudos que mostram o quanto investir em sistemas de previs\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de cheias \u00e9 eficiente para reduzir vulnerabilidades. Um deles evidencia que, para cada real empregado, s\u00e3o economizados 112 reais. Outro chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o investimento de um real na preven\u00e7\u00e3o evitou o gasto entre 18 e 27 reais. E ainda lembrou de outra pesquisa que definiu que a cada real, seriam economizados 661 reais!<\/p>\n<p>Por tudo isso, me impressionou o tanto de energia, tempo, recursos humanos e financeiros que foi direcionado \u00e0 confec\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo sobre o evento do passado, enquanto temos um futuro pela frente que requer muita preven\u00e7\u00e3o e investimento. Ou voc\u00ea ainda n\u00e3o sabe que o Rio Grande do Sul \u00e9 o estado com a maior ocorr\u00eancia de eventos extremos, como estiagens, ondas de calor, ciclones, trombas d\u2019\u00e1gua e granizo?<\/p>\n<p>________<\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente na plataforma <a href=\"https:\/\/sler.com.br\/\">Sler<\/a> em 16\/05\/25.<\/p>\n<p><strong>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores<\/strong>.<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por S\u00edlvia Marcuzzo (Jornalista, Mestranda em Comunica\u00e7\u00e3o, integrante do grupo de pesquisa Cuidar_Com) \u00a0 Nesses tempos de infodemia, com telas no bolso, em cima da mesa, nas paradas de \u00f4nibus, em backlights, salas de espera, dentro do elevador, entre outros lugares, se faz qualquer coisa para ter audi\u00eancia. Nossa aten\u00e7\u00e3o \u00e9 disputada por v\u00e1rios interesses. 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