{"id":472,"date":"2025-06-02T10:25:35","date_gmt":"2025-06-02T13:25:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=472"},"modified":"2025-06-02T10:25:37","modified_gmt":"2025-06-02T13:25:37","slug":"ufsm-contribui-para-a-mitigacao-dos-impactos-da-catastrofe-climatica-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2025\/06\/02\/ufsm-contribui-para-a-mitigacao-dos-impactos-da-catastrofe-climatica-no-rs","title":{"rendered":"UFSM contribui para a mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos da cat\u00e1strofe clim\u00e1tica no RS"},"content":{"rendered":"\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-478\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Colapso-nos-municipios-do-RS-1.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Colapso-nos-municipios-do-RS-1.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Colapso-nos-municipios-do-RS-1-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Colapso-nos-municipios-do-RS-1-768x500.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/>Abril e maio de 2024. Neste per\u00edodo, o Rio Grande do Sul entrou em colapso. Chuvas intensas atingiram 471 das 497 cidades ga\u00fachas, aproximadamente 95% dos munic\u00edpios, e deixaram mais de 600 mil pessoas fora de casa \u2013 os dados s\u00e3o da Defesa Civil do estado. A falta de uma prepara\u00e7\u00e3o adequada do Poder P\u00fablico para conter as enchentes ocasionou diversas consequ\u00eancias que perduram at\u00e9 os dias de hoje, um ano ap\u00f3s a calamidade.<\/p>\n<p>Na Regi\u00e3o Central, mais especificamente no munic\u00edpio de Silveira Martins, a copropriet\u00e1ria da loja Massas do Vale, Cleci Bianchi, ainda sente os impactos da cat\u00e1strofe em seu neg\u00f3cio. \u201cEu perdi todo o estoque de massas. Eu perdi tudo. A gente tinha um gerador, que s\u00f3 conserva, n\u00e3o congela. Eu consegui [retomar], mas n\u00e3o muito, porque n\u00e3o tinha estrada nem ponte para as pessoas virem buscar [os produtos]. At\u00e9 agora\u00a0<i>t\u00e1<\/i> dif\u00edcil. Muito dif\u00edcil\u201d, revelou.<\/p>\n<p>Outra v\u00edtima naquela cidade foi Maria Fighera. Ela conta que no dia 30 de abril de 2024, em um momento de descanso logo ap\u00f3s o almo\u00e7o, sua fam\u00edlia ouviu um barulho estranho e, ao olhar para o lado de fora, notou deslizamentos em um morro pr\u00f3ximo \u00e0 estrutura do seu empreendimento. Al\u00e9m dos presentes precisarem sair de casa, o maquin\u00e1rio utilizado foi levado com as enchentes e os animais, mortos.<\/p>\n<p>Ela conta que, embora o preju\u00edzo financeiro tenha sido grande, nenhuma vida humana foi perdida. \u201cFicamos mais de um m\u00eas sem poder sair de carro. S\u00f3 pudemos sair depois que veio uma retroescavadeira que abriu a estrada, fazendo um desvio. Ficamos 15 dias sem luz, 20 dias sem internet. Ainda bem que t\u00ednhamos em casa um gerador, s\u00f3 faltava a gasolina\u201d, relembrou. A \u00fanica forma de saber sobre a situa\u00e7\u00e3o dos vizinhos era pessoalmente.<\/p>\n<p>Santa Maria est\u00e1 entre os munic\u00edpios atingidos e, consequentemente, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que precisou lidar com o acontecido. O Campus Sede teve de ser\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/2024\/04\/30\/ufsm-orienta-para-evacuacao-do-campus-e-suspensao-das-atividades-academicas-e-administrativas\">evacuado<\/a>\u00a0e as atividades acad\u00eamicas suspensas por 20 dias. Na sequ\u00eancia, foi revelado que o acervo do Departamento de Arquivo Geral da Universidade, que ficava localizado no subsolo da Reitoria, foi\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/2024\/04\/30\/nota-sobre-o-incidente-com-o-acervo-da-ufsm\">comprometido<\/a>.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-475\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Precipitacao-Tipica-vs-diaria.jpg\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Precipitacao-Tipica-vs-diaria.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Precipitacao-Tipica-vs-diaria-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Precipitacao-Tipica-vs-diaria-768x500.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/>Tamb\u00e9m afetada por toda essa situa\u00e7\u00e3o, a Institui\u00e7\u00e3o recorreu ao ensino, \u00e0 pesquisa e \u00e0 extens\u00e3o, com projetos voltados \u00e0 mitiga\u00e7\u00e3o dos danos causados tanto na cidade quanto fora, colocando-se na linha de frente da rede de apoio ao Estado. A\u00e7\u00f5es foram desenvolvidas em diferentes esferas para entender a complexidade da afli\u00e7\u00e3o que o Rio Grande do Sul viveu ao mesmo tempo em que as v\u00edtimas eram auxiliadas. Contudo, isso n\u00e3o basta: a UFSM segue trabalhando para evitar que esse pesadelo aconte\u00e7a novamente em territ\u00f3rio ga\u00facho.<\/p>\n<h3>\u00a0<\/h3>\n<h3><b>Universidade contribui para diminuir perdas no campo<\/b><\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Um exemplo de a\u00e7\u00e3o desenvolvida pela UFSM associada \u00e0 cat\u00e1strofe clim\u00e1tica \u00e9 o projeto de divulga\u00e7\u00e3o de boletins agrometeorol\u00f3gicos para profissionais envolvidos com o agroneg\u00f3cio em Cachoeira do Sul. A iniciativa, coordenado pela professora Zanandra Oliveira,\u00a0foi criada em 2017 em uma parceria entre o curso de Engenharia Agr\u00edcola com o Grupo Metos, empresa que trabalha com o monitoramento clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 adquirir dados relativos aos hor\u00e1rios, temperatura, umidade relativa, chuva e velocidade do vento em Cachoeira do Sul, em tempo real, para, dessa forma, gerar boletins informativos que ajudem os produtores a tomar as melhores decis\u00f5es. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o disponibilizadas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/cachoeira-do-sul\/estacao-meteorologica-da-ufsm-cs\">em uma p\u00e1gina espec\u00edfica no site da UFSM<\/a>\u00a0todo in\u00edcio de m\u00eas com gr\u00e1ficos sobre o m\u00eas anterior, fazendo um comparativo. Como o trabalho come\u00e7ou h\u00e1 aproximadamente oito anos, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel definir um padr\u00e3o no munic\u00edpio no que diz respeito ao clima.<\/p>\n<p>\u201cAs informa\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas s\u00e3o importantes para todas as \u00e1reas do conhecimento. A gente vai pensar nas engenharias, todo o planejamento de obras \u00e9 muito importante. Para o curso de Engenharia Agr\u00edcola, a gente tem uma rela\u00e7\u00e3o direta do clima com as atividades agropecu\u00e1rias. Ent\u00e3o, \u00e9 fundamental. Seria imposs\u00edvel a gente realizar as atividades de ensino e de pesquisa sem ter acesso a essas informa\u00e7\u00f5es. \u00c9 o clima que explica a variabilidade da educa\u00e7\u00e3o das culturas, o bem-estar dos animais de produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 um instrumento fundamental e necess\u00e1rio para essa \u00e1rea do conhecimento\u201d, destacou Zanandra.<\/p>\n<p>No dia 3 de junho de 2024, as secretarias da Agricultura, Pecu\u00e1ria, Produ\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel e Irriga\u00e7\u00e3o e de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul divulgaram um relat\u00f3rio acerca das perdas na produ\u00e7\u00e3o rural causadas pelas chuvas. De acordo com o documento, elaborado com dados coletados entre 30 de abril e 24 de maio, mais de 206 mil propriedades foram afetadas por todo o Estado, prejudicando 48.674 produtores. Ao todo, 19.190 fam\u00edlias tiveram perdas relacionadas \u00e0s estruturas dos empreendimentos, como galp\u00f5es, armaz\u00e9ns e estufas.<\/p>\n<p>Em territ\u00f3rio cachoeirense, tamb\u00e9m surgiu, em 2020, durante a pandemia, o projeto\u00a0<a href=\"https:\/\/pacomecsufsm.wixsite.com\/ufsm-cs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PaCom\u00ea<\/a>, que consiste na promo\u00e7\u00e3o de teorias acerca da prepara\u00e7\u00e3o de alimentos e o conhecimento por tr\u00e1s da pr\u00e1tica. A a\u00e7\u00e3o tem uma parceria com a Escola Estadual Coronel Ciro Carvalho de Abreu desde 2024 e tem os jovens alunos como os respons\u00e1veis por \u201ccolocar a m\u00e3o na massa\u201d, em uma horta localizada na institui\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 construir uma rede de entusiastas sobre a sa\u00fade alimentar, o plantio agroecol\u00f3gico e a culin\u00e1ria com produtos naturais.<\/p>\n<p>A professora da UFSM, Mariana Coronas, coordenadora da iniciativa, explica os benef\u00edcios da autoprodu\u00e7\u00e3o, levando em conta os problemas que a cidade teve durante a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica do ano passado: \u201cCachoeira ficou por alguns dias desconectada. Fecharam v\u00e1rios acessos. A gente ficou alguns dias com os supermercados desabastecidos principalmente de produtos perec\u00edveis. Os produtores locais, mesmo que tenham tido suas perdas, continuaram produzindo. Ter essa produ\u00e7\u00e3o local, em casa, te d\u00e1 uma certa autonomia para que, eventualmente, quando acontecerem esses eventos, ainda tenha essa fonte\u201d.<\/p>\n<p>O professor da escola cachoeirense, Volni Oestreich, destaca um dos cuidados que o grupo procura ter durante a atividade: \u201cn\u00f3s evitamos ao m\u00e1ximo o uso de qualquer produto qu\u00edmico. Ent\u00e3o, aqui, o aluno planta, rega, colhe e entrega na cozinha da cantina. Ele mesmo acaba conseguindo participar de todo o processo do plantio e cuidado durante o crescimento. Todos esses produtos s\u00e3o utilizados na escola, consumidos pelos alunos e professores\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-474\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Estradas-do-RS-sobrem-Danos.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Estradas-do-RS-sobrem-Danos.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Estradas-do-RS-sobrem-Danos-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Estradas-do-RS-sobrem-Danos-768x500.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/>Uma das respons\u00e1veis por atuar \u00e9 Vanderleia dos Santos, estudante do curso de Engenharia Agr\u00edcola da UFSM em Cachoeira do Sul. Ela fez ensino m\u00e9dio na Ciro Carvalho e, atrav\u00e9s do PaCom\u00ea, retornou para ajudar os atuais alunos. \u201cAgora, com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o fato de a gente ter essa seguran\u00e7a alimentar, de produzir alimentos, de ter contato com algo mais sustent\u00e1vel tamb\u00e9m, faz a diferen\u00e7a. \u00c9 bem mais gratificante, saud\u00e1vel, e a gente consegue mostrar para eles na pr\u00e1tica\u201d, comentou. Ainda, na vis\u00e3o da acad\u00eamica, os jovens j\u00e1 est\u00e3o bem mais conscientes com as pr\u00e1ticas da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>\u00a0<\/h3>\n<h3><b>Resistir para diminuir os impactos de novos cat\u00e1strofes<\/b><\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe clim\u00e1tica tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores da UFSM no que diz respeito \u00e0 infraestrutura ambiental dos munic\u00edpios. O projeto \u201cResili\u00eancia de redes de transporte em eventos extremos\u201d, coordenado pelo professor Felipe Caleffi, tamb\u00e9m do campus de Cachoeira do Sul, \u00e9 um exemplo. A iniciativa tem como objetivo modelar, por meio de um simulador, todas as 497 cidades do Rio Grande do Sul para entender o efeito das fortes chuvas e como elas afetam o transporte p\u00fablico e o transporte de emerg\u00eancia, como ambul\u00e2ncias, viaturas da pol\u00edcia e caminh\u00f5es dos bombeiros.<\/p>\n<p>O grupo tem a parceria da Defesa Civil do Estado, entidade que estuda quais \u00e1reas do Rio Grande do Sul s\u00e3o as mais cr\u00edticas e devem ser modeladas com mais urg\u00eancia. Com o trabalho, espera-se que seja realizado um planejamento melhor quando as crises ocorrerem. \u201cAs cidades podem se planejar melhor para quando os pr\u00f3ximos eventos ocorrerem. A gente imagina que em algum momento v\u00e1 acontecer de novo. De posse desses dados, dessas simula\u00e7\u00f5es, a gente consegue entender melhor os cen\u00e1rios\u201d, explicou Caleffi.<\/p>\n<p>Conforme\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/639969-infraestrutura-comprometida-chuvas-afetaram-mais-de-80-das-estradas-no-rs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reportagem publicada<\/a>\u00a0pelo Instituto ClimaInfo, em 4 de junho de 2024, 80% das estradas ga\u00fachas foram prejudicadas com a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica \u2013 aproximadamente 13,7 mil quil\u00f4metros. No mesmo texto, mas com dados do G1, constata-se que 4.521 km de vias p\u00fablicas foram afetadas, \u201cdist\u00e2ncia mais do que suficiente para atravessar o Brasil de Norte a Sul (4.397 km) e de Leste a Oeste (4.320 km)\u201d.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea da arquitetura e do urbanismo, \u00e9 desenvolvido o projeto Santa Maria Mais Verde Mais Resiliente. A iniciativa, que tem como coordenador o professor Edson Luiz Bortoluzzi, busca aumentar a resili\u00eancia ambiental da cidade por meio da integra\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas urbanas e da implanta\u00e7\u00e3o de sistemas de espa\u00e7os livres.<\/p>\n<p>Segundo o docente, h\u00e1 pelo menos 20 anos s\u00e3o feitas discuss\u00f5es na Universidade acerca da promo\u00e7\u00e3o de uma infraestrutura sustent\u00e1vel. A iniciativa, contudo, surgiu realmente a partir das enchentes de maio de 2024. A ideia \u00e9 propor o desenvolvimento de espa\u00e7os ambientalmente adequados a fim de proteger poss\u00edveis v\u00edtimas, uma vez que, na vis\u00e3o de Bortoluzzi, o problema n\u00e3o \u00e9 a enchente nem o deslizamento, mas a localiza\u00e7\u00e3o das moradias em \u00e1reas onde acontecem desastres clim\u00e1ticos.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas atingidas s\u00e3o aquelas de mais baixa renda. Alguns ainda dizem \u2018ah, invadiram aquele lugar\u2019. N\u00e3o, est\u00e3o ocupando aquele lugar porque foi o que sobrou para elas. A quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o \u00e9 chave, fundamental\u201d, detalhou o professor. A proposta tamb\u00e9m envolve a regi\u00e3o da Quarta Col\u00f4nia, em parceria com o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geoparquequartacolonia.com.br\/home\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Geoparque Quarta Col\u00f4nia<\/a>, e tem a inten\u00e7\u00e3o de, al\u00e9m de pensar na infraestrutura, investir simultaneamente no aspecto social que envolve a vulnerabilidade ambiental.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-476\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Propriedades-rurais-afetadas.jpg\" alt=\"\" width=\"547\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Propriedades-rurais-afetadas.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Propriedades-rurais-afetadas-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Propriedades-rurais-afetadas-768x500.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/>\u201cA gente tem que ter espa\u00e7os para caminhar, para fazer exerc\u00edcios. [Tem] a quest\u00e3o da sa\u00fade mental, porque quando a gente fala em exerc\u00edcios e parques n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 [sobre] sa\u00fade f\u00edsica, \u00e9 a sa\u00fade mental tamb\u00e9m. E esses espa\u00e7os verdes, essas \u00e1reas verdes (\u2026) certamente tem que estar atrelados na ideia de reduzir as enchentes\u201d, destacou Bortoluzzi.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><b>\u2018Todo desastre tem uma linha do tempo\u2019<\/b><\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00c9 normal ocorrerem tempestades severas entre abril e maio, com ventos fortes e at\u00e9 mesmo granizo, no Rio Grande do Sul. Entretanto, a raz\u00e3o por tr\u00e1s da cat\u00e1strofe clim\u00e1tica diz respeito a uma situa\u00e7\u00e3o de bloqueio das ondas atmosf\u00e9ricas. Isso significa que n\u00e3o houve uma intercala\u00e7\u00e3o entre per\u00edodos de chuva e tempo seco, o que fez com que a tempestade ficasse parada e o n\u00edvel de \u00e1gua na Terra aumentasse. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de acordo com o professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Meteorologia e coordenador do Grupo de Modelagem Atmosf\u00e9rica de Santa Maria (GruMA) da UFSM, Vagner Anabor.<\/p>\n<p>Ainda, segundo o docente, esse entrave ambiental durou cerca de duas semanas. Na Regi\u00e3o Central, mais de 250 mil\u00edmetros de chuva ca\u00edram em um \u00fanico dia, enquanto lugares como a Serra Ga\u00facha sofreram com 600 mil\u00edmetros por dia. Tipicamente, entre abril e maio, s\u00e3o cerca de 150 mil\u00edmetros por m\u00eas. \u201cEsses fen\u00f4menos foram muito intensos no estado do Rio Grande do Sul. Posso falar tranquilamente que \u00e9 o maior desastre j\u00e1 ocorrido porque, para ter uma situa\u00e7\u00e3o de desastre, a gente precisa ter: um fen\u00f4meno acontecendo, uma popula\u00e7\u00e3o exposta a esse fen\u00f4meno e que essa popula\u00e7\u00e3o exposta seja vulner\u00e1vel, n\u00e3o esteja preparada\u201d, afirmou Anabor.<\/p>\n<p>A professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o, M\u00e1rcia Amaral, evidencia a temporalidade da situa\u00e7\u00e3o: \u201ctodo desastre tem uma linha do tempo. O desastre nunca come\u00e7a quando eclode, come\u00e7a muito tempo antes, e nunca termina em uma data espec\u00edfica. Ele perdura por longos anos na vida de uma comunidade\u201d. Para ela, durante a crise clim\u00e1tica, foi poss\u00edvel ver os governos do Estado convocando especialistas de fora para estudar a recupera\u00e7\u00e3o de toda a \u00e1rea atingida, mesmo que houvesse solu\u00e7\u00f5es \u201ccaseiras\u201d, com muita expertise. \u201cN\u00f3s criamos uma rede de emerg\u00eancia clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul reunindo mais de 100 cientistas e buscando justamente que essas pessoas tivessem alguma for\u00e7a junto \u00e0 m\u00eddia, junto \u00e0 imprensa e junto aos governos, para que esse conhecimento gerado dentro das universidades pudesse tamb\u00e9m ser acessado nos momentos pr\u00e1ticos da recupera\u00e7\u00e3o do Estado\u201d.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Anabor, hoje, a UFSM forma os melhores previsores de tempo severo do Brasil, com as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior ga\u00fachas sendo refer\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de profissionais da meteorologia. Contudo, pela falta de estrutura, os outros estados ficam com essa m\u00e3o de obra. \u201cA tecnologia que n\u00f3s dominamos na UFSM permite prever e antecipar esses fen\u00f4menos com grande efici\u00eancia. A qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e o preparo das comunidades \u00e9 o que a gente precisa, encontrar meios de transferir essa informa\u00e7\u00e3o l\u00e1 para \u2018a ponta\u2019 da sistema, porque se uma pequena escola do interior n\u00e3o estiver preparada para o desastre e as pessoas n\u00e3o tiverem consci\u00eancia do problema nem de como reagir a uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, por menor que seja o fen\u00f4meno, vai ser muito grave\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o desenvolvida pela Universidade foi a Sociologia do Alerta, coordenada pela professora do curso de Ci\u00eancias Sociais, Mari Cleise Sandalowski, que est\u00e1 \u00e0 frente do projeto Cat\u00e1strofes S\u00f3cio Clim\u00e1ticas. A iniciativa surgiu durante as enchentes de 2024 com o questionamento de como a \u00e1rea das ci\u00eancias sociais poderia contribuir. A resposta: realizando um mapeamento das caracter\u00edsticas s\u00f3cio-culturais das comunidades que sofreram com quest\u00f5es de ordem ambiental n\u00e3o s\u00f3 no \u00faltimo ano, mas desde a d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Na primeira etapa, o que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o da docente foi que, no Rio Grande do Sul, h\u00e1 uma ocorr\u00eancia de eventos que destoa do resto do Brasil. Enquanto no pa\u00eds \u00e9 poss\u00edvel identificar elementos de ordem climatol\u00f3gica com o passar do tempo, em territ\u00f3rio ga\u00facho, de 15 anos para c\u00e1, s\u00e3o eventos de ordem hidrol\u00f3gicas. Em Santa Maria, regi\u00f5es de bairros como Tancredo Neves, Ch\u00e1cara das Flores, Itarar\u00e9, KM3 e Camobi s\u00e3o as mais afetadas pelas ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright  wp-image-477\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Vagner-Anabor.jpg\" alt=\"\" width=\"548\" height=\"357\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Vagner-Anabor.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Vagner-Anabor-300x195.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2025\/06\/Vagner-Anabor-768x500.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 548px) 100vw, 548px\" \/>Na Sociologia do Alerta, uma quest\u00e3o que tamb\u00e9m \u00e9 abordada \u00e9 a mem\u00f3ria dos moradores dessas localidades. Mari Cleise conta que n\u00e3o \u00e9 simples fazer com que uma pessoa, apesar das claras quest\u00f5es ambientais, deixe um lugar. \u201cN\u00e3o \u00e9 suficiente voc\u00ea simplesmente retirar as fam\u00edlias de um local e aloj\u00e1-las em outro. Voc\u00ea n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o a mem\u00f3ria afetiva, os la\u00e7os com a vizinhan\u00e7a, os la\u00e7os familiares, a quest\u00e3o da rede de apoio. Como fica a quest\u00e3o afetiva? O que \u00e9 um risco, afinal? Para uma popula\u00e7\u00e3o que muitas vezes est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o de precariedade social, de baixa renda, que n\u00e3o tem acesso ao saneamento b\u00e1sico, \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dentro dos fatores. Essas quest\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o de risco\u201d, pontuou.<\/p>\n<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-053c502 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"053c502\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-8308b9b\" data-id=\"8308b9b\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-13fc0af elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"13fc0af\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<h3>\u00a0<\/h3>\n<h3><b>Enfrentamento exige esfor\u00e7o conjunto<\/b><\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: apesar das investidas de institui\u00e7\u00f5es como a UFSM e do pr\u00f3prio Governo Federal, fortes chuvas, acompanhadas de ventos intensos e descargas el\u00e9tricas, seguir\u00e3o acontecendo no Rio Grande do Sul. No per\u00edodo em que a cat\u00e1strofe clim\u00e1tica completou um ano, a Defesa Civil ga\u00facha emite diferentes alertas para moradores de diferentes regi\u00f5es do Estado acerca de poss\u00edveis transtornos que poderiam ocorrer.<\/p>\n<p>A Secretaria Extraordin\u00e1ria da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica de Apoio \u00e0 Reconstru\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul (SERS), criada em meio \u00e0s enchentes por meio de uma Medida Provis\u00f3ria, hoje n\u00e3o tem mais status de minist\u00e9rio. A pasta, ent\u00e3o comandada por Paulo Pimenta, foi extinta no dia 20 de dezembro.<\/p>\n<p>O objetivo principal da SERS foi organizar as demandas do Rio Grande do Sul e facilitar o envio de verbas do Governo Federal que, ao todo, investiu R$ 98,7 bilh\u00f5es em medidas de reconstru\u00e7\u00e3o e apoio ao Estado. Desse montante, R$ 42,3 bilh\u00f5es j\u00e1 chegaram \u201c\u00e0s m\u00e3os\u201d do povo ga\u00facho entre repasses aos munic\u00edpios afetados, cria\u00e7\u00e3o de novas casas, descontos em d\u00edvidas, reformas em escolas e unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade e compra de medicamentos.<\/p>\n<p>A agora Secretaria para Apoio \u00e0 Reconstru\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul integra a Secretaria-Executiva da Casa Civil, do ministro Rui Costa, e dever\u00e1 ser extinta em 30 de maio deste ano. Emanuel Hassen de Jesus, o Maneco, ex-prefeito de Taquari que, em 2023, foi secret\u00e1rio de Comunica\u00e7\u00e3o Institucional da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social, \u00e9 quem hoje dirige o setor.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O enfrentamento de cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas exige muito mais do que a\u00e7\u00f5es emergenciais durante os epis\u00f3dios e medidas de reconstru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s os eventos extremos. \u00c9 necess\u00e1rio que os poderes p\u00fablicos municipal, estadual e federal, as institui\u00e7\u00f5es, a iniciativa privada e as comunidades estejam melhores preparados antes da ocorr\u00eancia de tempestades, enchentes ou deslizamentos. Tudo come\u00e7a com o entendimento de que o clima ga\u00facho sofre com situa\u00e7\u00f5es extremas e que o \u2018novo normal\u2019, resultante do aquecimento global, intensifica isto. Diminuir riscos para todos abrange a compreens\u00e3o de que o preparo deve levar em considera\u00e7\u00e3o aspectos ambientais, tecnol\u00f3gicos, econ\u00f4micos, sociais e culturais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-870c9a2 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"870c9a2\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-87cbec1\" data-id=\"87cbec1\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-93f74c4 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"93f74c4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<p><em><strong>*Reportagem desenvolvida pelo projeto Rep\u00f3rter Universit\u00e1rio, da Ag\u00eancia de Not\u00edcias da UFSM e da TV Campus, com o objetivo de produzir conte\u00fado multim\u00eddia e multiplaforma por estudantes de Comunica\u00e7\u00e3o Social sob a supervis\u00e3o de t\u00e9cnicos da \u00e1rea.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><b>Reportagem digital<\/b>: Pedro Pereira (jornalista)<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Reportagem audiovisual<\/strong>: Milene Eichelberger (jornalista)\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Capta\u00e7\u00e3o de imagens<\/strong>: Felippe Richardt (t\u00e9cnico em audiovisual), Leonardo Dalla Porta (publicit\u00e1rio) e Taiane Wendland (acad\u00eamica de Produ\u00e7\u00e3o Editorial, bolsista da TV Campus)<\/em><\/p>\n<p><em><b>Edi\u00e7\u00e3o de imagens<\/b>:\u00a0<\/em><em>Felippe Richardt (t\u00e9cnico em audiovisual) e Taiane Wendland (acad\u00eamica de Produ\u00e7\u00e3o Editorial)<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Arte:\u00a0<\/strong>Daniel Michelon De Carli (analista de TI e designer)<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Edi\u00e7\u00e3o<\/strong>: Mariana Henriques (jornalista) e Maur\u00edcio Dias (jornalista)<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Supervis\u00e3o geral<\/strong>: Felippe Richardt (TV Campus) e Mariana Henriques (Ag\u00eancia de Not\u00edcias)<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe title=\"Cat\u00e1strofe clim\u00e1tica: um ano ap\u00f3s as enchentes no Rio Grande do Sul\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7GAwz_Ds2LY?start=1&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abril e maio de 2024. Neste per\u00edodo, o Rio Grande do Sul entrou em colapso. Chuvas intensas atingiram 471 das 497 cidades ga\u00fachas, aproximadamente 95% dos munic\u00edpios, e deixaram mais de 600 mil pessoas fora de casa \u2013 os dados s\u00e3o da Defesa Civil do estado. 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