{"id":485,"date":"2025-06-05T12:48:08","date_gmt":"2025-06-05T15:48:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=485"},"modified":"2025-06-05T12:48:09","modified_gmt":"2025-06-05T15:48:09","slug":"por-uma-comunicacao-de-risco-inclusiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2025\/06\/05\/por-uma-comunicacao-de-risco-inclusiva","title":{"rendered":"Por uma Comunica\u00e7\u00e3o de Risco Inclusiva"},"content":{"rendered":"\n<p>Por\u00a0<strong>Patr\u00edcia Milano P\u00e9rsigo<\/strong>\u00a0(Professora Associada da UFSM, Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o)\u00a0<\/p>\n<pre>\u00a0<\/pre>\n<p>Na sociedade contempor\u00e2nea, enfrentamos diariamente amea\u00e7as de diversas origens, sendo a sociedade de risco um dos principais conceitos para compreend\u00ea-las (Beck, 2010). Nesse contexto, a confian\u00e7a e a credibilidade das fontes na comunica\u00e7\u00e3o de risco tornam-se essenciais para reduzir danos. Entretanto, nem todos os p\u00fablicos t\u00eam acesso a tais informa\u00e7\u00f5es, seja por baixo letramento, pela aus\u00eancia de dispositivos de comunica\u00e7\u00e3o adequados ou pela falta de acessibilidade aos conte\u00fados. Diante disso, \u00e9 fundamental um olhar atento para os p\u00fablicos vulner\u00e1veis, como pessoas com defici\u00eancia, idosos e indiv\u00edduos com mobilidade reduzida.<\/p>\n<p>A cultura do cuidado, aplicada \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o de risco, pode garantir uma inclus\u00e3o equitativa de diferentes p\u00fablicos, reduzindo impactos e prevenindo crises. De acordo com Michael Ashley Stein, professor e pesquisador da Harvard Law School, \u201c\u200b\u200b<u><a href=\"https:\/\/umsoplaneta.globo.com\/clima\/noticia\/2023\/12\/20\/mais-vulneraveis-a-crise-climatica-pessoas-com-deficiencia-buscam-espaco-na-tomada-de-decisao.ghtml\">pessoas com defici\u00eancia t\u00eam entre duas e quatro vezes mais probabilidades de morrer ou ficar feridas em emerg\u00eancias clim\u00e1ticas, incluindo ondas de calor, furac\u00f5es e inunda\u00e7\u00f5es<\/a><\/u>\u201d.<\/p>\n<p>Com base nos estudos da psicologia moral, o cuidado se traduz na aten\u00e7\u00e3o e na dedica\u00e7\u00e3o ao outro (<u><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2023\/08\/28\/artigo-comunicacao-efetiva-como-marca-da-cultura-do-cuidado-na-gestao-das-crises\">Oliveira, 2024<\/a><\/u>). Dessa forma, compreendemos a cultura do cuidado como um elemento essencial para tornar a comunica\u00e7\u00e3o de risco mais inclusiva. Os riscos afetam indiv\u00edduos e, portanto, eles devem estar no centro desse processo, o que envolve aten\u00e7\u00e3o, di\u00e1logo ativo e busca genu\u00edna por conhecer esses p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas com defici\u00eancia, \u00e9 essencial adquirir conhecimento amplo sobre os tipos de defici\u00eancia que apresentam, sua localiza\u00e7\u00e3o na cidade, suas condi\u00e7\u00f5es de habita\u00e7\u00e3o (se vivem sozinhas ou acompanhadas). Al\u00e9m disso, \u00e9 fundamental entender como preferem receber as mensagens sobre riscos e quais membros dessas comunidades poderiam atuar como l\u00edderes na comunica\u00e7\u00e3o de risco. Essas quest\u00f5es contribuem para a constru\u00e7\u00e3o de relacionamentos de confian\u00e7a, visto que, na comunica\u00e7\u00e3o de risco, a credibilidade est\u00e1 vinculada \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de precis\u00e3o, conhecimento e preocupa\u00e7\u00e3o com o bem-estar p\u00fablico (Rangel, 2007, p. 1378).<\/p>\n<p>Nesse contexto, organiza\u00e7\u00f5es e governos devem atuar para que sejam reconhecidos como agentes de cuidado, comprometidos com seus diferentes p\u00fablicos. <u><a href=\"https:\/\/www.undrr.org\/report\/2023-gobal-survey-report-on-persons-with-disabilities-and-disasters\">A pesquisa da ONU para redu\u00e7\u00e3o de riscos<\/a><\/u> revelou que 86% das pessoas com defici\u00eancia entrevistadas n\u00e3o participaram da tomada de decis\u00e3o local ou comunit\u00e1ria sobre planos de redu\u00e7\u00e3o de riscos e desastres, embora 57% estivessem dispostas a se envolver nesses processos. Com base nesses dados, uma das recomenda\u00e7\u00f5es da ONU (2023) \u00e9 integrar abordagens centradas na pessoa e na comunidade para aprimorar a prepara\u00e7\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<p>O cuidado tamb\u00e9m se reflete na cria\u00e7\u00e3o de oportunidades para a participa\u00e7\u00e3o desses indiv\u00edduos na constru\u00e7\u00e3o conjunta da comunica\u00e7\u00e3o de risco. Em um texto publicado no pr\u00f3prio OBCC, Ros\u00e2ngela Florczak destaca que \u201c<u><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2023\/08\/28\/artigo-comunicacao-efetiva-como-marca-da-cultura-do-cuidado-na-gestao-das-crises\">Comunicar, na perspectiva do cuidado, \u00e9 manter um di\u00e1logo cont\u00ednuo que investe na autonomia do ser humano, na corresponsabilidade e na capacidade de enfrentar e sobreviver \u00e0s adversidades do tempo e da hist\u00f3ria, ou seja, \u00e0s crises de todos os tipos e tamanhos. Comunicar deve se tornar, cada vez mais, sin\u00f4nimo de cuidado<\/a><\/u>\u201d.<\/p>\n<p>A perspectiva do cuidado na comunica\u00e7\u00e3o de risco para p\u00fablicos vulner\u00e1veis vai al\u00e9m da promo\u00e7\u00e3o da acessibilidade. Trata-se de um compromisso com a inclus\u00e3o efetiva e a corresponsabilidade social, fortalecendo redes de apoio e permitindo que indiv\u00edduos e comunidades enfrentem desafios com resili\u00eancia. Sob essa \u00f3tica, a comunica\u00e7\u00e3o de risco n\u00e3o deve ser apenas uma ferramenta t\u00e9cnica, mas um processo que incorpora a escuta ativa, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades diversas e a valoriza\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o coletiva. Assim, ao incorporar a cultura do cuidado, a comunica\u00e7\u00e3o de risco se torna mais equitativa, promovendo n\u00e3o apenas a dissemina\u00e7\u00e3o de alertas, mas tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais preparada e inclusiva.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p>BECK, Ulrich. Sociedade de Risco: Rumo a uma outra modernidade. 2. Ed. S\u00e3o Paulo: 34, 2010.<\/p>\n<p>RANGEL, Maria L\u00edgia. Comunica\u00e7\u00e3o no controle de risco \u00e0 sa\u00fade e seguran\u00e7a na sociedade contempor\u00e2nea: uma abordagem interdisciplinar. Revista Ci\u00eancia e Sa\u00fade Coletiva. 12 (5), 2007.<\/p>\n<p>____________<\/p>\n<p><strong>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores.<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Patr\u00edcia Milano P\u00e9rsigo\u00a0(Professora Associada da UFSM, Doutora em Comunica\u00e7\u00e3o)\u00a0 \u00a0 Na sociedade contempor\u00e2nea, enfrentamos diariamente amea\u00e7as de diversas origens, sendo a sociedade de risco um dos principais conceitos para compreend\u00ea-las (Beck, 2010). Nesse contexto, a confian\u00e7a e a credibilidade das fontes na comunica\u00e7\u00e3o de risco tornam-se essenciais para reduzir danos. 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