{"id":597,"date":"2026-03-15T14:31:28","date_gmt":"2026-03-15T17:31:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=597"},"modified":"2026-03-16T20:52:27","modified_gmt":"2026-03-16T23:52:27","slug":"por-que-a-midia-e-os-orgaos-fiscalizadores-falharam-no-escandalo-do-master","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2026\/03\/15\/por-que-a-midia-e-os-orgaos-fiscalizadores-falharam-no-escandalo-do-master","title":{"rendered":"Por que a m\u00eddia e os \u00f3rg\u00e3os fiscalizadores falharam no esc\u00e2ndalo do Master?"},"content":{"rendered":"\n<p>Por\u00a0<strong>Jo\u00e3o Jos\u00e9 Forni<\/strong>\u00a0(Autor do livro\u00a0<em>\u201cGest\u00e3o de Crises e Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 O que Gestores e Profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o precisam saber para enfrentar Crises Corporativas\u201d)<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O Brasil, desde novembro, est\u00e1 assistindo o desenrolar de um dos maiores esc\u00e2ndalos financeiros do pa\u00eds: o crescimento vertiginoso e a liquida\u00e7\u00e3o tardia e explosiva do Banco Master e seus penduricalhos. O banco de investimentos fundado pelo empres\u00e1rio Daniel Volcaro, h\u00e1 pouco mais de 8 anos. Segundo a jornalista Consuelo Dieguez, em reportagem publicada em fevereiro, na revista\u00a0<em>Piau\u00ed<\/em>\u00a0233 (1), \u201c o banco Master nasceu, cresceu, pintou e bordou debaixo do nariz do economista Roberto Campos Neto, que presidiu o BC de fevereiro de 2019 a dezembro de 2024. O Master pedia autoriza\u00e7\u00e3o para atuar no mercado desde 2017, mas durante a presid\u00eancia de Ilan Goldfajn, nunca conseguiu o sinal verde. Em 2019, sob a administra\u00e7\u00e3o de Campos Neto, Vorcaro chegou l\u00e1. A licen\u00e7a causou alguma surpresa, j\u00e1 que, entre os crit\u00e9rios para autorizar um banqueiro no mercado, est\u00e1 a exig\u00eancia de \u201creputa\u00e7\u00e3o ilibada\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja, o que a reportagem da revista\u00a0<em>Piau\u00ed<\/em>\u00a0insinua \u00e9 que o passado de Daniel Vorcaro n\u00e3o recomendaria receber uma licen\u00e7a para administrar um banco, porque em Minas Gerais, entre 2010 e 2017, ele teria dado golpes no mercado imobili\u00e1rio e participado de um esquema que aplicou um golpe em institutos de pens\u00e3o p\u00fablicos. Ou seja, a licen\u00e7a para ter um banco era totalmente inadequada para quem n\u00e3o tinha tradi\u00e7\u00e3o no mercado e ainda carregava um \u201cpassado que me condena\u201d. (1)<\/p>\n<p>Desde o dia da liquida\u00e7\u00e3o do banco pelo Bacen, em 18\/11\/25, a novela ou o esc\u00e2ndalo do Banco Master n\u00e3o para de nos surpreender. Al\u00e9m do preju\u00edzo aplicado aos investidores, que confiavam suas economias a bancos, corretoras de renome e bancos de investimento, que aplicavam esses recursos nos polpudos t\u00edtulos do Master, sob o argumento de que o Fundo Garantidor de Cr\u00e9dito (2) garantia aplica\u00e7\u00f5es at\u00e9 250 mil, a vida do principal executivo, Daniel Vorcaro, e a hist\u00f3ria pregressa do Master come\u00e7aram a ser melhor conhecidas. Principalmente pela quantidade e cacife dos seus contatos: pol\u00edticos, influenciadores, advogados, economistas, membros do Poder Judici\u00e1rio e at\u00e9 aventureiros. Mas tamb\u00e9m ostenta\u00e7\u00e3o e sinais de riqueza pouco adequados para quem deveria passar uma imagem de sobriedade, como CEO de uma institui\u00e7\u00e3o financeira. E n\u00e3o a de \u201cbon vivant\u201d e perdul\u00e1rio, como emerge agora nas apura\u00e7\u00f5es do esc\u00e2ndalo do banco. Pode-se dizer que Vorcaro n\u00e3o economizou o dinheiro dos aplicadores do banco Master. A ostenta\u00e7\u00e3o come\u00e7ava pela propriedade de tr\u00eas avi\u00f5es: um jato Gulfstream G700 que teria custado mais de R$ 100 milh\u00f5es. Al\u00e9m de mais dois avi\u00f5es menores, que valem R$ 150 milh\u00f5es. Para que tr\u00eas avi\u00f5es? S\u00f3 se explicaria para fazer m\u00e9dia com personalidades, pol\u00edticos,\u00a0<em>influencers<\/em>\u00a0ou outras pessoas de sua rela\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o se acanhavam em pegar carona.<\/p>\n<p>Essa ostenta\u00e7\u00e3o se mostrava tamb\u00e9m em festas, viagens ao exterior e eventos patrocinados por ele em lugares ex\u00f3ticos. Na festa de noivado com a modelo e empres\u00e1ria Martha Graeff, uma das extravag\u00e2ncias foi a contrata\u00e7\u00e3o do conjunto musical Cold Play por 6,7 milh\u00f5es de d\u00f3lares (R$ 35 milh\u00f5es). A festa na Sic\u00edlia (It\u00e1lia), com dezenas de convidados e atra\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, segundo apurou a m\u00eddia, teria custado cerca de US$ 40 milh\u00f5es (R$ 210 milh\u00f5es), o que deveria ter chamado aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas dos jornalistas, mas das autoridades fiscalizadoras do sistema financeiro.<\/p>\n<p>Certamente essas exibi\u00e7\u00f5es de Vorcaro, como festas com celebridades e convidados exclusivos, inclusive no exterior, caronas a pol\u00edticos e\u00a0<em>influencers<\/em>, bem como as rela\u00e7\u00f5es dele com figuras ilustres da Rep\u00fablica, n\u00e3o eram realizadas em segredo. A pergunta que n\u00e3o quer calar \u00e9 por que a m\u00eddia, a Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios (CVM), o Banco Central, o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a Receita Federal n\u00e3o perceberam que esse \u201cbanqueiro\u201d de araque, al\u00e9m de exibicionista, transitava com total desenvoltura pelo poder (leia-se Pra\u00e7a dos Tr\u00eas poderes em Bras\u00edlia), ao mesmo tempo em que seu banco oferecia rentabilidade bem acima das oferecidas por concorrentes, acumulando ativos de bilh\u00f5es de reais que foram sendo dilapidados pela m\u00e1 gest\u00e3o, megalomania, incompet\u00eancia ou fraudes do principal gestor? Na medida em que os fatos relacionados ao Master v\u00e3o sendo desvendados, percebe-se a forma err\u00e1tica, deslumbrada e irrespons\u00e1vel da gest\u00e3o do banco por Volcaro e todos os que com ele participavam do banco.<\/p>\n<p>Quantos investidores desavisados tiveram suas economias aplicadas no banco Master, acima de R$ 250 mil, e certamente perderam a parcela que excedia esse valor? At\u00e9 porque os bancos intermediadores desses investimentos, em geral, n\u00e3o detalham a destina\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o, informando apenas que o investidor havia aplicado em t\u00edtulos (CDB, LCA, LCI) com \u201cexcelente taxa\u201d, como certamente acontecia com o Master. A prop\u00f3sito, alguns bancos de primeira linha, classificados como \u201cA\u201d no ranking da gest\u00e3o de riscos, n\u00e3o sugeriam t\u00edtulos do Master para os clientes. Alguma raz\u00e3o deveria existir.<\/p>\n<p>Milhares de investidores foram v\u00edtimas dessa atua\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria ao mercado, tendo suas economias aplicadas, inobstante a garantia do FGC para determinados t\u00edtulos, com elevado risco. Naturalmente, esses investimentos resultaram em lucro tamb\u00e9m para os bancos aplicadores. Ser\u00e1 que um olhar mais atento das autoridades monet\u00e1rias e por que n\u00e3o da m\u00eddia, para as aventuras do titular do banco Master, sua movimenta\u00e7\u00e3o financeira, a ostensiva vida de viagens, festas e o conv\u00edvio com celebridades n\u00e3o teriam evitado que mais de um milh\u00e3o de investidores ca\u00edssem nessa arapuca?<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O que pode acontecer<\/strong><\/p>\n<p>Daniel Vorcaro foi preso no dia 18 de novembro, no aeroporto de Guarulhos, quando se preparava para viajar para o exterior. Foi preso, pela segunda vez duas semanas depois e deslocado para uma penitenci\u00e1ria federal, em Bras\u00edlia. \u201cCom a pris\u00e3o da c\u00fapula do Master e outros envolvidos, come\u00e7ou a aut\u00f3psia p\u00fablica do que talvez seja, nas palavras do ministro da Fazenda, \u201ca maior fraude banc\u00e1ria da hist\u00f3ria do pa\u00eds.\u201d (3) &#8220;<a href=\"https:\/\/apublica.org\/2026\/03\/banco-master-a-reconstrucao-completa-de-como-uma-fraude-capturou-a-republica\/\">O conte\u00fado (do celular) provocou um terremoto que atravessa o Executivo, o Legislativo e o Judici\u00e1rio, impactando principalmente o STF.&#8221;<\/a>, segundo a Ag\u00eancia P\u00fablica (4).<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o caso Master se transformou num tema de interesse nacional, n\u00e3o apenas pelo preju\u00edzo causado a investidores e ao Fundo Garantidor de Cr\u00e9dito (FGC), da ordem de R$ 60 bilh\u00f5es. Mas porque a verdadeira hist\u00f3ria do banco, come\u00e7a agora a ser revelada, a partir das degrava\u00e7\u00f5es do telefone do titular. N\u00e3o apenas a CPI do INSS ir\u00e1 abrir essa caixa de pandora. Agentes da Pol\u00edcia Federal est\u00e3o debru\u00e7ados h\u00e1 meses sobre o material coletado e degravado. A CPI tamb\u00e9m vai analisar essas informa\u00e7\u00f5es. Mas CPI, em geral, produz muito \u2018holofote\u2019 para os membros da Comiss\u00e3o e muito pouco de resultados para a investiga\u00e7\u00e3o. Ao serem reveladas, as informa\u00e7\u00f5es poder\u00e3o comprometer muita gente que at\u00e9 agora tenta se esquivar de ter convivido e negociado com o banqueiro. Como o governador de Bras\u00edlia, que for\u00e7ou a barra para o BRB adquirir o banco no ano passado, quando os boatos negativos sobre o Master j\u00e1 circulavam no meio financeiro. Volcaro confirmou em depoimento que conversou e visitou o governador de Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Liga\u00e7\u00f5es perigosas<\/strong><\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es do BRB com o Master n\u00e3o ocorreram por uma vis\u00e3o de mercado dos executivos do banco de Bras\u00edlia. Ao depor na PF, em dezembro passado, Vorcaro admitiu que tratou da negocia\u00e7\u00e3o Master-BRB com o governador, pelo menos quatro vezes, embora Ibaneis negue. \u201cCercado por essa teia de influ\u00eancia de pol\u00edticos, o BRB mergulhou de cabe\u00e7a no desastroso projeto de salvar o Master\u201d (5). Para se ter uma ideia dessa opera\u00e7\u00e3o \u2018Tabajara\u2019, quando o ent\u00e3o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, \u201capareceu no BC com seu plano de compra, os t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o se assustaram. \u201cTudo era muito amador\u201d, disseram. O balan\u00e7o do BRB era uma bagun\u00e7a\u201d, disse um analista do BC, que pediu para n\u00e3o ser identificado, \u00e0 jornalista Consuelo Dieguez, da revista\u00a0<em>Piau\u00ed.<\/em><\/p>\n<p>A entrada do BRB nesse redemoinho ocorreu um pouco antes. O BRB come\u00e7ou a comprar carteiras do Master em meados de 2024. S\u00f3 entre janeiro e junho de 2025, o banco comprou do Master R$ 12,2 bilh\u00f5es de cr\u00e9ditos inexistentes, segundo a Pol\u00edcia Federal. Alvos da PF, em 18 de novembro de 2025, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, tamb\u00e9m indicado por Ibaneis, foi afastado do cargo pela PF; e o dono do Master foi preso. (6)<\/p>\n<p>At\u00e9 a C\u00e2mara Legislativa de Bras\u00edlia, onde Ibaneis tem maioria, caiu no canto de sereia do governador, do banqueiro e seus \u2018advogados\u2019. Em agosto de 2025, aprovou em regime de urg\u00eancia proposta para o BRB adquirir 49% das a\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias e 100% das preferenciais do capital social do Banco Master. A turma da base do governo acabou entrando no redemoinho do Governador. O Conselho de administra\u00e7\u00e3o do banco, imediatamente, tamb\u00e9m aprovou. Agora se sabe que no conselho estava um membro que havia comprado a\u00e7\u00f5es do BRB pouco tempo antes, sendo ele ligado ao governador do DF. A transa\u00e7\u00e3o BRB-Master s\u00f3 n\u00e3o foi conclu\u00edda, porque houve uma forte rea\u00e7\u00e3o do mercado e da popula\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia. Mas a p\u00e1 de cal foi dada pelo Banco Central, que barrou a compra em setembro de 2025, por identificar riscos elevados e inconsist\u00eancias nos ativos do Master, incompat\u00edveis com o perfil do BRB.<\/p>\n<p>O Banco Central salvou o paciente, mas mesmo assim este n\u00e3o saiu ileso da investida. A compra do Master n\u00e3o foi concretizada porque o Banco Central liquidou o Master, pouco antes do acordo, em novembro de 2025. Mas, o que n\u00e3o se soube na \u00e9poca \u00e9 que o BRB havia comprado de cerca de R$ 12,2 bilh\u00f5es em carteiras de cr\u00e9dito do Master, com ativos superfaturados ou inexistentes. Isso s\u00f3 se descobriu depois do estouro do esc\u00e2ndalo, o que colaborou para a demiss\u00e3o do presidente do BRB, Paulo H. Costa, como se ele tivesse tomado essa decis\u00e3o \u00e0 revelia da diretoria, do Conselho de administra\u00e7\u00e3o e do pr\u00f3prio governador. Rombo que, agora, Ibaneis quer cobrir com patrim\u00f4nio imobili\u00e1rio do DF, provocando forte rea\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o e de ambientalistas. Por incluir uma \u00e1rea de 12 mil hectares, na chamada Serrinha do Parano\u00e1, apontada pelos ambientalistas como uma importante manancial h\u00eddrico da capital e da regi\u00e3o Centro-Oeste.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Contrato milion\u00e1rio leva esc\u00e2ndalo para o STF<\/strong><\/p>\n<p>Como hoje nada fica escondido muito tempo, na hora em que se abriu o balaio de crises do Master, apareceu um contrato com um escrit\u00f3rio de advocacia de Bras\u00edlia. O contrato talvez n\u00e3o tivesse ca\u00eddo nos holofotes, a n\u00e3o ser pelo fato de ter sido realizado com escrit\u00f3rio de advocacia da esposa de um ministro do STF e pelo valor exorbitante dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios.<\/p>\n<p>No meio jur\u00eddico, h\u00e1 um consenso de que o contrato do banco Master com o escrit\u00f3rio Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pelo valor de R$129 milh\u00f5es, por tr\u00eas anos, ou seja, R$ 3,5 milh\u00f5es mensais, ultrapassa todos os par\u00e2metros de consultoria de advogados no Brasil.<\/p>\n<p>O detalhe \u00e9 que esse escrit\u00f3rio pertence \u00e0 esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, advogada Viviane Barci de Moraes. Informa\u00e7\u00e3o que veio \u00e0 tona depois da liquida\u00e7\u00e3o do banco. A pol\u00eamica n\u00e3o se limitou ao surpreendente valor do contrato, mas sobre o papel do escrit\u00f3rio no epis\u00f3dio da liquida\u00e7\u00e3o e como atuou na assessoria e na defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. Principalmente pela proximidade da titular com um ministro do STF, onde o processo tamb\u00e9m transita. Como tudo que diz respeito ao banco Master passou a ser olhado com lupa pela m\u00eddia, por pol\u00edticos da oposi\u00e7\u00e3o e pelo mercado financeiro, s\u00e3o naturais os questionamentos sobre esse contrato. Se o clima no STF j\u00e1 estava tenso, por causa das rela\u00e7\u00f5es de irm\u00e3os do ministro Dias Toffoli com s\u00f3cios de um empreendimento no Paran\u00e1, a not\u00edcia do contrato colocou mais lenha na fogueira.<\/p>\n<p>Quase quatro meses passados da liquida\u00e7\u00e3o do Master, e diante da press\u00e3o sobre os ministros do STF, o escrit\u00f3rio de advocacia divulgou uma nota \u00e0 imprensa, em 7 de mar\u00e7o, dando detalhes do contrato. (7) \u201cA explica\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, tem lacunas e incongru\u00eancias, segundo advogados experientes e acad\u00eamicos do Direito ouvidos pela\u00a0<em>BBC News Brasil.<\/em>\u00a0Para os entrevistados, as tarefas executadas no atendimento ao Master, segundo a nota do escrit\u00f3rio, n\u00e3o condizem com os altos valores divulgados sobre o contrato.\u201d (8).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O maior esc\u00e2ndalo banc\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 a liquida\u00e7\u00e3o do banco Master, em fun\u00e7\u00e3o de o banco ter entrado no \u201cmodo crise\u201d, pouco se sabia sobre as aventuras do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ele era figura famosa n\u00e3o apenas na Faria Lima, em S. Paulo, a rua que administra boa parte do PIB financeiro do Brasil, mas principalmente pela influ\u00eancia que tinha com banqueiros, pol\u00edticos e famosos \u201cinfluenciadores\u201d. Basta dizer que o pr\u00f3prio Vorcaro contratou \u201cdesinfluenciadores\u201d para atacar a reputa\u00e7\u00e3o do Banco Central, por ter decretado a liquida\u00e7\u00e3o do Master. Tentativa meio desesperada de salvar o banco. Ficou claro para o mercado que essa tentativa de desconstru\u00e7\u00e3o do Banco Central j\u00e1 era uma a\u00e7\u00e3o meio desesperada de salvar o banco. O que o mercado descobriu depois \u00e9 que a autoridade monet\u00e1ria poderia ter intervindo bem antes no Master, reduzindo o preju\u00edzo de bilh\u00f5es de reais ao FGC e aos investidores..<\/p>\n<p>O esc\u00e2ndalo do Master, \u00e0 medida que as investiga\u00e7\u00f5es avan\u00e7am e os segredos do celular do banqueiro v\u00e3o sendo desvendados j\u00e1 se consagra como o maior esc\u00e2ndalo da ind\u00fastria bancaria brasileira. Mesmo quando cotejado com o passado, quando v\u00e1rios bancos foram liquidados, num per\u00edodo de crise econ\u00f4mica, antes e depois da implanta\u00e7\u00e3o da do Real, como moeda nacional. Naquele per\u00edodo, ficaram pelo caminho marcas fortes do mercado financeiro: Bamerindus, Banco Econ\u00f4mico, Banco Nacional; Cruzeiro do Sul; Banorte; Banco Santos, para citar alguns.<\/p>\n<p>Essa crise est\u00e1 longe de terminar. E pode comprometer figuras p\u00fablicas nos poderes da Rep\u00fablica. Pesquisa recente da empresa Meio\/Ideia sobre a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica do caso Master mostra que o Supremo Tribunal Superior, o Congresso e o governo federal, al\u00e9m do governador do DF, de certo modo est\u00e3o com a credibilidade abalada pelo epis\u00f3dio. Como diz a jornalista Vera Magalhaes, em artigo sobre a percep\u00e7\u00e3o do esc\u00e2ndalo, apurada em pesquisa: \u201cCrises institucionais prolongadas e generalizadas raramente produzem vencedores claros. Em geral, deixam como saldo o enfraquecimento difuso das institui\u00e7\u00f5es, exatamente o cen\u00e1rio de que o pa\u00eds menos precisa \u00e0s v\u00e9speras de uma disputa presidencial.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>\u00c0 guisa de Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Cabe perguntar por que o Bacen relutou tanto em intervir ou liquidar o banco Master? Por que a CVM, a quem compete fiscalizar o mercado de a\u00e7\u00f5es, ficou omissa nesse tremendo imbr\u00f3glio, mesmo envolvendo um banco com a\u00e7\u00f5es no mercado? Chegou a hora de a m\u00eddia tamb\u00e9m fazer um\u00a0<em>mea culpa<\/em> por ter deixado esse monstro criar corpo, avan\u00e7ar sobre milhares de pessoas, com expectativas de ganho f\u00e1cil; sob o benepl\u00e1cito de muitos bancos que tamb\u00e9m estavam faturando alto com as aplica\u00e7\u00f5es. O que falta descobrir \u00e9 como se chegou a esse n\u00edvel, em que um aventureiro fica ostentando riqueza com o dinheiro dos investidores, sem que ningu\u00e9m tenha intervindo ou pelo menos alertado que est\u00e1vamos na imin\u00eancia de uma tempestade perfeita.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>(1)\u00a0<em>\u201cA Contamina\u00e7\u00e3o. O Banco Master e a desmoraliza\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/em>\u201d. Revista Piau\u00ed 233, fevereiro de 2026, pag. 14.<br \/>(2) O\u00a0Fundo Garantidor de Cr\u00e9ditos (FGC)\u00a0\u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o privada e sem fins lucrativos que protege depositantes e investidores, devolvendo at\u00e9 R$ 250 mil por CPF\/CNPJ e por institui\u00e7\u00e3o financeira em caso de fal\u00eancia ou interven\u00e7\u00e3o do banco. Ele garante produtos de renda fixa como poupan\u00e7a, CDB, LCI e LCA.<br \/>(3) \u201c<em>A Contamina\u00e7\u00e3o. O Banco Master e a desmoraliza\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/em>, Revista Piau\u00ed 233, fevereiro de 2026, p\u00e1g. 14.<br \/>(4) Banco Master: a reconstru\u00e7\u00e3o completa de como uma fraude capturou a Rep\u00fablica. Ag\u00eancia P\u00fablica.<br \/>(5) <em>A Contamina\u00e7\u00e3o. O Banco Master e a desmoraliza\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/em>, Revista Piau\u00ed 233, fevereiro de 2026, p\u00e1g. 16.<br \/>(6) N\u00e3o bastassem os desvarios cometidos pelo ex-presidente do BRB, Paulo H. Costa, o BRB divulgou que ele deixou uma d\u00edvida n\u00e3o paga no banco, no valor de R$ 799 mil. Muito estranho, quando se sabe que funcion\u00e1rios dos bancos t\u00eam linhas de cr\u00e9dito especiais e sempre os empr\u00e9stimos s\u00e3o descontados na conta corrente, no dia do pagamento.<br \/>(7) <a href=\"https:\/\/www.poder360.com.br\/poder-justica\/leia-a-integra-de-nota-de-viviane-barci-sobre-contrato-com-banco-master\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.poder360.com.br\/poder-justica\/leia-a-integra-de-nota-de-viviane-barci-sobre-contrato-com-banco-master\/&amp;source=gmail&amp;ust=1773680495776000&amp;usg=AOvVaw35gfuneH2PO_HY950Z4QGb\">Veja a nota do escrit\u00f3rio Barci de Moraes Sociedade de Advogados<\/a>. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<br \/>(8) BBC News: <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c05vy931jnqo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/c05vy931jnqo&amp;source=gmail&amp;ust=1773680495776000&amp;usg=AOvVaw2DncqEx_GTWfQBSrDfHvab\">Explica\u00e7\u00e3o de esposa de Moraes sobre contrato com Banco Master tem lacunas e incongru\u00eancias.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>________<\/p>\n<p><strong>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Jo\u00e3o Jos\u00e9 Forni\u00a0(Autor do livro\u00a0\u201cGest\u00e3o de Crises e Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 O que Gestores e Profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o precisam saber para enfrentar Crises Corporativas\u201d) \u00a0 O Brasil, desde novembro, est\u00e1 assistindo o desenrolar de um dos maiores esc\u00e2ndalos financeiros do pa\u00eds: o crescimento vertiginoso e a liquida\u00e7\u00e3o tardia e explosiva do Banco Master e seus penduricalhos. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":315,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[23],"class_list":["post-597","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-artigo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/users\/315"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}