{"id":628,"date":"2026-05-29T15:44:26","date_gmt":"2026-05-29T18:44:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=628"},"modified":"2026-05-29T15:52:19","modified_gmt":"2026-05-29T18:52:19","slug":"da-resiliencia-a-antifragilidade-nas-crises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2026\/05\/29\/da-resiliencia-a-antifragilidade-nas-crises","title":{"rendered":"Da Resili\u00eancia \u00e0 Antifragilidade nas Crises"},"content":{"rendered":"\n<p>Por\u00a0<strong>Ana Flavia Bello<\/strong>\u00a0(CEO da Cosafe Latam, Mestra em Administra\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica pela PUC\/PR)<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Vivemos globalmente um contexto de \u201cpolicrises\u201d, com cen\u00e1rios diversos em choque: desastres clim\u00e1ticos, crimes cibern\u00e9ticos, tens\u00f5es geopol\u00edticas, guerras, gerando crises reputacionais, informacionais, rupturas de cadeias produtivas, entre outros impactos.<\/p>\n<p>Hoje em dia, as crises n\u00e3o s\u00f3 acontecem com maior frequ\u00eancia, como tamb\u00e9m escalam em uma velocidade exponencial! Em minutos, uma falha operacional, um v\u00eddeo feito por IA ou um post fake que viraliza, podem desencadear impactos reputacionais globais e a longo prazo.<\/p>\n<p>Diante da complexidade e velocidade das transforma\u00e7\u00f5es mundiais, <strong>ser resiliente j\u00e1 n\u00e3o basta. <\/strong><\/p>\n<p>Segundo Nassim Nicholas Taleb, em seu livro \u201cAntifr\u00e1gil \u2013 Coisas que se beneficiam com o caos\u201d, existem sistemas que n\u00e3o apenas resistem aos desarranjos, mas melhoram por causa deles.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><strong>O que significa ser antifr\u00e1gil?<\/strong><\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto o fr\u00e1gil quebra sob press\u00e3o e o resiliente tem a habilidade de, ap\u00f3s a press\u00e3o, retornar ao estado anterior, o antifr\u00e1gil tem o diferencial de <strong>evoluir diante do ocorrido.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazer um paralelo desta ideia com a pr\u00f3pria vida na Terra, como maior exemplo de antifragilidade natural: extin\u00e7\u00f5es em massa, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e eventos extremos n\u00e3o destru\u00edram a vida como sistema. Eliminaram o que era fr\u00e1gil e n\u00e3o ajustado, e abriram espa\u00e7o para novas formas de adapta\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o, aumentando a diversidade e a complexidade ao longo do tempo. <strong>A vida, portanto, evoluiu por meio da desordem, n\u00e3o apesar dela.<\/strong><\/p>\n<p>Trazendo o tema para a gest\u00e3o, o erro seria tratar organiza\u00e7\u00f5es complexas como m\u00e1quinas, quando na verdade funcionam mais como organismos. No ambiente corporativo, isso significa abandonar a ideia de controle absoluto e aceitar a incerteza como parte estrutural da opera\u00e7\u00e3o e do neg\u00f3cio. E mais do que isso: <strong>entender as (inevit\u00e1veis) crises como oportunidade de aprendizado para crescimento!<\/strong><\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es consideradas antifr\u00e1geis entendem que pequenos erros, falhas controladas e simula\u00e7\u00f5es s\u00e3o essenciais para desenvolver \u201cmusculatura\u201d diante do inesperado. \u00c9 por isso que propor treinamentos peri\u00f3dicos, que formulam cen\u00e1rios pr\u00f3ximos da realidade, envolvendo todos os times necess\u00e1rios, s\u00e3o essenciais para criar essa cultura.<\/p>\n<p>A toler\u00e2ncia ao erro tamb\u00e9m \u00e9 muito importante. Empresas que tentam eliminar qualquer erro, acabam se tornando limitadas (sem espa\u00e7o para criatividade e inova\u00e7\u00e3o) e fr\u00e1geis.<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica, isso exige:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Instituir uma cultura de reporte, com abertura e flexibilidade;<\/li>\n<li>Conceder autonomia para as equipes;<\/li>\n<li>Expor-se controladamente ao risco;<\/li>\n<li>Realizar simulados frequentes;<\/li>\n<li>Fazer estruturadas an\u00e1lises p\u00f3s-crise, para capta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de Li\u00e7\u00f5es Aprendidas;<\/li>\n<li>Descentralizar a tomada de decis\u00e3o;<\/li>\n<li>Adaptar-se constantemente.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Com isso, a l\u00f3gica muda: enquanto <strong>o resiliente corrige os erros para retornar \u00e0 normalidade, o antifr\u00e1gil aprende e evolui.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><strong>O problema da falsa previsibilidade e os impactos do uso da IA <\/strong><\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Outro ponto cr\u00edtico \u00e9 a ilus\u00e3o de controle criada pela tentativa obsessiva de prever o futuro. Isso cria uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de controle e leva \u00e0 neglig\u00eancia na prepara\u00e7\u00e3o organizacional. <strong>O antifr\u00e1gil aceita a incerteza como parte estrutural do sistema.<\/strong><\/p>\n<p>Pequenos eventos podem gerar consequ\u00eancias sist\u00eamicas! Por isso, organiza\u00e7\u00f5es antifr\u00e1geis n\u00e3o concentram esfor\u00e7os em prever crises, mas em preparar-se para o improv\u00e1vel (e extremo), para o pior cen\u00e1rio, em reduzir vulnerabilidades estruturais, criar diferentes caminhos de conten\u00e7\u00e3o, resposta e restabelecimento.<\/p>\n<p>Com a r\u00e1pida expans\u00e3o do uso de IA, os riscos desconhecidos crescem, a din\u00e2mica das crises torna-se ainda mais acelerada, intensa e refinada.<\/p>\n<p>Por outro lado, se a organiza\u00e7\u00e3o domina o uso de IA se beneficia da tecnologia ao implantar rastreamentos e monitoramentos inteligentes e avan\u00e7ados, em tempo real, detectar padr\u00f5es e sinais precocemente, simular diferentes cen\u00e1rios e adaptar muito rapidamente a comunica\u00e7\u00e3o de crise e as respostas.<\/p>\n<p>Assim pode-se imaginar que <em>\u201c<strong>N\u00e3o \u00e9 a tecnologia que vai definir o futuro, mas as escolhas humanas diante do inesperado.\u201d<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4><strong>Comunica\u00e7\u00e3o de crise: confian\u00e7a e legitimidade<\/strong><\/h4>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Neste mundo novo a Comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa ser antifr\u00e1gil.<\/p>\n<p>O estudo Edelman Trust Barometer de 2026 mostrou que vivemos uma \u00e9poca de insularidade, caracterizada por uma crise de confian\u00e7a que faz com que as pessoas se isolem cada vez mais e s\u00f3 se sintam seguros entre aqueles que refletem suas pr\u00f3prias vis\u00f5es.<\/p>\n<p>Como ent\u00e3o ser antifr\u00e1gil, usando uma crise a favor de sua imagem, sem ser ou parecer oportunista? O erro mais comum \u00e9 tentar \u201ccapitalizar\u201d a crise rapidamente, o que destr\u00f3i a confian\u00e7a. Quando h\u00e1 dor, impacto social ou perda de credibilidade, qualquer tentativa prematura de transformar a crise em narrativa positiva possivelmente soar\u00e1 oportunista perante os p\u00fablicos de interesse.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica antifr\u00e1gil na comunica\u00e7\u00e3o de crises pressup\u00f5e uma resposta t\u00e3o consistente e ancorada em a\u00e7\u00f5es concretas e relevantes, que o fortalecimento da imagem se torna consequ\u00eancia. Portanto, o fortalecimento da reputa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser declarado, mas percebido ao longo do tempo.<\/p>\n<p><strong>Antes de qualquer posicionamento institucional, a organiza\u00e7\u00e3o precisa:<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>reconhecer o problema com transpar\u00eancia;<\/li>\n<li>assumir responsabilidades, quando aplic\u00e1vel;<\/li>\n<li>proteger pessoas, antes da marca e dos outros ativos;<\/li>\n<li>agir concretamente, e n\u00e3o s\u00f3 comunicar;<\/li>\n<li>s\u00f3 ent\u00e3o comunicar aprendizados e mudan\u00e7as reais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Reputa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reconstr\u00f3i apenas com discurso. A confian\u00e7a cresce quando os p\u00fablicos percebem evid\u00eancias consistentes de evolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 fundamental, portanto, a cria\u00e7\u00e3o de um novo modelo mental para a Gest\u00e3o de Crises. Se at\u00e9 ent\u00e3o o foco estava em prever, controlar, evitar e conter. Hoje, o novo paradigma exige preparar, absorver, adaptar e evoluir.<\/p>\n<h4>\u00a0<\/h4>\n<h4><strong><span style=\"color: #000000\">Pergunta: Conseguiremos ser antifr\u00e1geis diante das pr\u00f3ximas crises?<\/span><\/strong><\/h4>\n<h4>\u00a0<\/h4>\n<p>_______<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>EDELMAN. <strong>Edelman Trust Barometer 2026<\/strong>. 26\u00aa edi\u00e7\u00e3o. [S.l.]: Edelman, 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.edelman.com\/trust\/2026-trust-barometer. Acesso em: 29 maio 2026.<\/p>\n<p>TALEB, Nassim Nicholas. <strong>Antifr\u00e1gil<\/strong>: coisas que se beneficiam com o caos. Tradu\u00e7\u00e3o de Renato Marques. Rio de Janeiro: Objetiva, 2020. 616 p. ISBN 978-85-470-0108-7.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Ana Flavia Bello\u00a0(CEO da Cosafe Latam, Mestra em Administra\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica pela PUC\/PR) \u00a0 Vivemos globalmente um contexto de \u201cpolicrises\u201d, com cen\u00e1rios diversos em choque: desastres clim\u00e1ticos, crimes cibern\u00e9ticos, tens\u00f5es geopol\u00edticas, guerras, gerando crises reputacionais, informacionais, rupturas de cadeias produtivas, entre outros impactos. Hoje em dia, as crises n\u00e3o s\u00f3 acontecem com maior frequ\u00eancia, como tamb\u00e9m [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":315,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[23],"class_list":["post-628","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-artigo"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/users\/315"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=628"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/628\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}