{"id":647,"date":"2026-06-30T18:27:30","date_gmt":"2026-06-30T21:27:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=647"},"modified":"2026-06-30T18:34:15","modified_gmt":"2026-06-30T21:34:15","slug":"inicio-do-el-nino-intensifica-debates-e-coloca-a-comunicacao-de-riscos-e-desastres-no-centro-das-estrategias-de-gestao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2026\/06\/30\/inicio-do-el-nino-intensifica-debates-e-coloca-a-comunicacao-de-riscos-e-desastres-no-centro-das-estrategias-de-gestao","title":{"rendered":"In\u00edcio do El Ni\u00f1o intensifica debates e coloca a comunica\u00e7\u00e3o de riscos e desastres no centro das estrat\u00e9gias de gest\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure id=\"attachment_648\" aria-describedby=\"caption-attachment-648\" style=\"width: 221px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-648\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2026\/06\/NASA-Earth-ObservatoryLauren-Dauphin.jpg\" alt=\"\" width=\"221\" height=\"200\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-648\" class=\"wp-caption-text\">NASA Earth Observatory \/ Lauren Dauphin<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em junho de 2026, teve in\u00edcio o El Ni\u00f1o, fen\u00f4meno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico na faixa equatorial. Na intera\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atua\u00e7\u00e3o em todo o mundo tendem a ser mais intensos. A previs\u00e3o \u00e9 de que o El Ni\u00f1o atue no Brasil entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, com potencial de ser o mais forte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Isso sugere aumento nos riscos relacionados a inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia e no Pantanal, altas temperaturas nas Regi\u00f5es Sul, Sudeste e Centro-Oeste, tend\u00eancia de aumento relativo dos riscos de desastres de origem hidrol\u00f3gica e geol\u00f3gica na Regi\u00e3o Sul, associados ao excesso de chuva, al\u00e9m de epis\u00f3dios de secas e alto risco de inc\u00eandios de vegeta\u00e7\u00e3o nas Regi\u00f5es Norte e Nordeste do pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<h3><span style=\"color: #003366\"><strong>O<\/strong><em><strong> El Ni\u00f1o precisa ser tratado como um alerta clim\u00e1tico urgente<\/strong><\/em><\/span><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f4nio Guterres, o El Ni\u00f1o precisa ser tratado como um \u201calerta clim\u00e1tico urgente\u201d. Na mesma dire\u00e7\u00e3o, a secret\u00e1ria-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM), Celeste Saulo, sinaliza que \u201cPrevis\u00f5es sazonais antecipadas e alertas precoces s\u00e3o vitais para salvar vidas e atenuar os impactos em nossas economias e comunidades\u201d. Diante desse cen\u00e1rio, s\u00e3o urgentes estrat\u00e9gias de prepara\u00e7\u00e3o e resposta a eventos clim\u00e1ticos extremos que dever\u00e3o ser empreendidas por pa\u00edses, estados e munic\u00edpios a fim de proteger a popula\u00e7\u00e3o e evitar preju\u00edzos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Comunica\u00e7\u00e3o de risco em pauta<\/strong><\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No Brasil, muitos movimentos para capacita\u00e7\u00e3o, qualifica\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o integrada de riscos de desastres j\u00e1 est\u00e3o sendo efetivados, principalmente pela rede da Defesa Civil nacional presente nos estados e munic\u00edpios, al\u00e9m de universidades e outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos ligados aos governos federais e estaduais.<\/p>\n<p>Dentre eles, eventos como semin\u00e1rios e congressos s\u00e3o espa\u00e7os para o debate sobre temas relacionados \u00e0 \u00e1rea, a saber: preven\u00e7\u00e3o, vulnerabilidade, monitoramento, educa\u00e7\u00e3o para redu\u00e7\u00e3o de riscos e desastres, assim como comunica\u00e7\u00e3o de riscos. Tais ocasi\u00f5es s\u00e3o importantes para reunir gestores p\u00fablicos, pesquisadores, profissionais da prote\u00e7\u00e3o e defesa civil, organismos internacionais e comunidades para pensar, conjuntamente, os desafios.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figure id=\"attachment_649\" aria-describedby=\"caption-attachment-649\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-649\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2026\/06\/Foto-Anselmo-Cunha.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2026\/06\/Foto-Anselmo-Cunha.jpg 800w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2026\/06\/Foto-Anselmo-Cunha-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/880\/2026\/06\/Foto-Anselmo-Cunha-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-649\" class=\"wp-caption-text\">Painel: &#8220;Comunica\u00e7\u00e3o de Risco&#8221; durante o 1\u00ba Congresso Internacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil. (Foto: Anselmo Cunha)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Em tempos em que a desinforma\u00e7\u00e3o se prolifera nas redes sociais digitais provocando alarmismo, inseguran\u00e7a e medo, \u00e9 imprescind\u00edvel que a discuss\u00e3o sobre gest\u00e3o de riscos e desastres considere o papel estrat\u00e9gico da comunica\u00e7\u00e3o em todas as fases do desastre. Afinal, a comunica\u00e7\u00e3o precisa ser clara, acess\u00edvel e baseada na confian\u00e7a, orientada para o enfrentamento do negacionismo clim\u00e1tico e do El Ni\u00f1o. Para isso, a pauta que se imp\u00f5e deve ser considerada cont\u00ednua e permanentemente, n\u00e3o apenas como uma agenda sazonal. A comunica\u00e7\u00e3o de risco precisa ser reconhecida como parte estruturante das pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o e defesa civil, e n\u00e3o acionada somente \u00e0s v\u00e9speras ou quando um acontecimento j\u00e1 ocorreu.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<h3><em><span style=\"color: #003366\"><strong>Comunica\u00e7\u00e3o de risco \u00e9 infraestrutura de prote\u00e7\u00e3o coletiva<\/strong><\/span><\/em><strong><br \/><br \/><\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>Para Ros\u00e2ngela Florczak, professora e pesquisadora da PUCRS, que participou do painel Comunica\u00e7\u00e3o de Risco, no 1\u00ba Congresso Internacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil, \u201cOs primeiros sinais de um El Ni\u00f1o potencialmente forte exigem prepara\u00e7\u00e3o imediata. Na pr\u00e1tica, isso significa tratar a comunica\u00e7\u00e3o de risco como infraestrutura de prote\u00e7\u00e3o. N\u00e3o basta emitir alertas: \u00e9 preciso garantir que eles sejam compreendidos, confi\u00e1veis e acion\u00e1veis. O roteiro \u00e9 complexo, mas vi\u00e1vel. Precisamos: (1) mapear vulnerabilidades comunicacionais nos territ\u00f3rios; (2) Identificar quem n\u00e3o recebe, n\u00e3o entende ou n\u00e3o consegue responder aos avisos; (3) Formar lideran\u00e7as e mediadores locais antes da crise; (4) Cocriar protocolos simples com as comunidades; (5) Produzir mensagens acess\u00edveis para diferentes p\u00fablicos e situa\u00e7\u00f5es; \u00a0(6) Monitorar d\u00favidas, boatos e desinforma\u00e7\u00e3o em tempo real. Em eventos extremos, comunicar bem \u00e9 parte da capacidade p\u00fablica de salvar vidas.\u201d<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><span style=\"color: #003366\"><strong>N\u00e3o basta emitir alertas!<\/strong><\/span><\/h3>\n<p><br \/>Em contextos de eventos extremos e desastres n\u00e3o basta emitir alertas. \u00c9 preciso construir confian\u00e7a antes da crise, traduzir informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas em linguagem acess\u00edvel, reconhecer vulnerabilidades dos territ\u00f3rios, fortalecer redes locais e criar condi\u00e7\u00f5es reais para que as pessoas possam agir e se proteger. Alertas s\u00e3o indispens\u00e1veis. Mas, sozinhos, n\u00e3o bastam. Entre a informa\u00e7\u00e3o emitida e a a\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, existe um caminho que passa pela escuta, pela media\u00e7\u00e3o, pela presen\u00e7a institucional, pelo enfrentamento da desinforma\u00e7\u00e3o e pela constru\u00e7\u00e3o cotidiana de v\u00ednculos de confian\u00e7a.<br \/><br \/><\/p>\n<p>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/eventos-e-cursos\">Relembre alguns eventos da \u00e1rea realizados nos \u00faltimos meses.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em junho de 2026, teve in\u00edcio o El Ni\u00f1o, fen\u00f4meno natural que se caracteriza pelo aquecimento anormal das \u00e1guas do Oceano Pac\u00edfico na faixa equatorial. Na intera\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a exemplo do aquecimento global, os efeitos da sua atua\u00e7\u00e3o em todo o mundo tendem a ser mais intensos. 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