{"id":662,"date":"2026-07-06T10:21:27","date_gmt":"2026-07-06T13:21:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/?p=662"},"modified":"2026-07-06T10:21:28","modified_gmt":"2026-07-06T13:21:28","slug":"a-copa-da-mundo-nao-e-nossa-discriminacao-racismo-e-mercantilismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/projetos\/institucional\/observatorio-crise\/2026\/07\/06\/a-copa-da-mundo-nao-e-nossa-discriminacao-racismo-e-mercantilismo","title":{"rendered":"A Copa da Mundo n\u00e3o \u00e9 nossa: discrimina\u00e7\u00e3o, racismo e mercantilismo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por\u00a0<strong>Jo\u00e3o Jos\u00e9 Forni<\/strong>\u00a0(Autor do livro\u00a0<em>\u201cGest\u00e3o de Crises e Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 O que Gestores e Profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o precisam saber para enfrentar Crises Corporativas\u201d)<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Quatro anos passam r\u00e1pido. O Brasil se preparou para aquele tradicional per\u00edodo em que, de norte a sul, muita gente come\u00e7a a curtir o clima de Copa do Mundo e, naturalmente, da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol, como favorita para ganhar mais um t\u00edtulo. Aquele clima de \u201cPra frente Brasil\u201d&#8230; N\u00e3o \u00e9 o caso agora. O grupo de jogadores convocados pelo t\u00e9cnico Carlo Ancelotti em sua maioria n\u00e3o joga no Brasil e alguns nunca jogaram. Foram direto para usufruir dos cofres cheios das equipes da Liga dos Campe\u00f5es da Europa ou para outros pa\u00edses, com sal\u00e1rios bem superiores aos pagos no Brasil. \u201cComo a grande maioria deixa o pa\u00eds muito cedo para se formar sob a l\u00f3gica europeia, o torcedor perdeu a conviv\u00eancia e a cria\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias afetivas com seus craques.\u201d Quem diz \u00e9 a psic\u00f3loga e escritora Ana Paula Hornos, em artigo publicado no jornal\u00a0<em>\u201cO Estado de S\u00e3o Paul<\/em>o\u201d de 13 de junho de 2026.<\/p>\n<p>No imagin\u00e1rio popular, acabou aquele tempo rom\u00e2ntico em que os jogadores, maioria deles jogando no Brasil, iam dar show nos gramados da Copa, n\u00e3o importava onde fosse, jogando pelas cores e pela alma do Pa\u00eds. De que s\u00e3o exemplos, tantos os her\u00f3is do primeiro t\u00edtulo, de 1958, como Gilmar, Garrincha, Pel\u00e9 e Nilton Santos, como outros dos anos de 1962, 1970, 1994 e 2002, quando o Brasil foi Campe\u00e3o do Mundo.<\/p>\n<p>O que os torcedores deduzem, hoje, de nossa sele\u00e7\u00e3o, at\u00e9 mesmo pelo comportamento midi\u00e1tico ou ostenta\u00e7\u00e3o de algumas estrelas do futebol? Os jogadores estariam menos interessados em defender uma bandeira, a honra do pa\u00eds, do que aparecerem na sele\u00e7\u00e3o, ser convocados, mais pelo que a Copa poder\u00e1 render para eles no futuro. A rigor, a maioria s\u00e3o profissionais que atuam em clubes de ponta, no exterior, com sal\u00e1rios milion\u00e1rios. Assediados pelas famigeradas BETs, marcas de cerveja e outros penduricalhos, eles tamb\u00e9m est\u00e3o de olho em milion\u00e1rios contratos publicit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Resultado: n\u00e3o h\u00e1 aquele comprometimento e despojamento do passado, em que a sele\u00e7\u00e3o brasileira tinha um grupo dos not\u00e1veis que atuava no pa\u00eds e se deslocava at\u00e9 de trem, como numa famosa foto de Pel\u00e9 e cia, esperando a passagem de um trem na esta\u00e7\u00e3o de Po\u00e7os de Caldas, MG, em 1958, como se todos estivessem ali numa confraria, despojados, num encontro de amigos, dispostos a jogar por uma paix\u00e3o, por uma camisa, pelo pa\u00eds. Foto essa que se encontra no Museu do Futebol, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga e engenheira Ana Paula Hornos, especialista em comportamento humano, e autora da cole\u00e7\u00e3o did\u00e1tica escolar \u2018Educa\u00e7\u00e3o Financeira e Valores\u2019, do livro \u2018Crise Financeira na Floresta\u2019, no denso artigo publicado no jornal \u201c<em>O Estado de S\u00e3o Paulo<\/em>\u201d &#8211;\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/einvestidor\/ana-paula-hornos\/por-que-a-copa-parece-diferente-desta-vez\/?srsltid=AfmBOor1hzdkhlaYyQKUSUp-cN3Zx7XNhbFuttMaIM7_bU6qgCTN97eu\">\u201cPor que a Copa parece diferente desta vez?\u201d,<\/a>\u00a0tenta explicar que os brasileiros hoje n\u00e3o conseguem dissimular uma certa frustra\u00e7\u00e3o quando a sele\u00e7\u00e3o brasileira entra em campo. Salvo algumas exce\u00e7\u00f5es, acabou aquela empolga\u00e7\u00e3o, aquela m\u00edstica como se o grupo que viaja para a Copa fosse defender a honra e a reputa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Mudaram os tempos, mudaram os interesses, as prioridades. Garotos com 18, 20 anos j\u00e1 s\u00e3o contratados por grandes clubes do exterior, sem terem passado pelas dificuldades de uma carreira no Brasil. Alguns sequer s\u00e3o conhecidos da torcida brasileira.<\/p>\n<p>\u201cO brasileiro sempre admirou o sucesso, mas historicamente se conectava ao esfor\u00e7o, \u00e0 supera\u00e7\u00e3o e \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de humanidade no \u00eddolo. Neste novo cen\u00e1rio, muitos jogadores deixaram de ocupar o espa\u00e7o de her\u00f3is esportivos e passaram a representar estilos de vida inalcan\u00e7\u00e1veis, consumo ostentat\u00f3rio e publicidade de apostas\u201d, diz a escritora.<\/p>\n<p>Vinte quatro anos depois do \u00faltimo t\u00edtulo, a equipe do Brasil se tornou meio que uma vitrine de talentos, ou melhor, de egos, fazendo a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol trocar treinadores e, por consequ\u00eancia, tamb\u00e9m de jogadores, a cada trope\u00e7o, a cada elimina\u00e7\u00e3o na Copa do Mundo ou em outros torneios, como a Copa Am\u00e9rica. Resultado: em quatro anos, com a CBF em crise, numa gest\u00e3o pol\u00edtica, err\u00e1tica e pouco profissional, n\u00e3o houve um trabalho continuado com treinadores, para forma\u00e7\u00e3o de um verdadeiro time. Cada novo treinador impunha o pr\u00f3prio estilo, convocava novos atletas e, nas primeiras derrotas, seu nome j\u00e1 come\u00e7ava a ficar desgastado. Quem se segurava um ano, numa temporada, nos primeiros trope\u00e7os j\u00e1 ficava amea\u00e7ado; podia perder a posi\u00e7\u00e3o, numa aut\u00eantica competi\u00e7\u00e3o pra ver quem errava menos.<\/p>\n<p>E o brasileiro, como reagiu a isso? \u201cH\u00e1 um vis\u00edvel recuo no engajamento espont\u00e2neo. As camisas amarelas est\u00e3o guardadas, o com\u00e9rcio est\u00e1 mais t\u00edmido e sumiu aquela antiga sensa\u00e7\u00e3o de que o Pa\u00eds inteiro, de forma visceral, parava emocionalmente junto. E se at\u00e9 Neymar est\u00e1 diferente nesta nova fase, ele se torna o s\u00edmbolo mais claro dessa transi\u00e7\u00e3o\u201d, diz a escritora Ana Paula, no citado artigo. \u201cO craque que antes representava o sonho do her\u00f3i salvador do futebol brasileiro, atualmente aparece associado menos \u00e0 performance e mais ao universo das\u00a0<em>bets<\/em>, campanhas publicit\u00e1rias,\u00a0<em>streams<\/em>\u00a0e \u00e0 l\u00f3gica da hiperexposi\u00e7\u00e3o permanente.\u201d<\/p>\n<p>\u201cNo curto prazo, isso gera aten\u00e7\u00e3o, engajamento e dinheiro. No longo prazo, desgasta o ativo mais valioso de qualquer figura p\u00fablica: o v\u00ednculo emocional, a confian\u00e7a e a identifica\u00e7\u00e3o. A verdade \u00e9 que a Copa parece diferente porque n\u00f3s tamb\u00e9m estamos diferentes. A nossa realidade ficou pesada demais e o anest\u00e9sico antigo do futebol j\u00e1 n\u00e3o faz efeito\u201d, segundo a articulista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A Copa da discrimina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quando a FIFA escolheu os Estados Unidos como a sede da atual Copa do Mundo, certamente n\u00e3o poderia saber quem seria o presidente do pa\u00eds em 2026. Mas, se tivesse tido um cuidado maior, descobriria com uma simples pergunta \u00e0 IA, ou talvez por contatos com o governo americano, amplas informa\u00e7\u00f5es sobre o que o atual presidente e seus comparsas pensavam sobre imigra\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a e minorias, como lamentavelmente vem acontecendo com as delega\u00e7\u00f5es de pa\u00edses pobres ou sem express\u00e3o no futebol, incluindo a do Ir\u00e3, do Haiti, Senegal, que foram literalmente discriminadas por Donald Trump e sua pol\u00edcia de fronteiras. A rigor, n\u00e3o deveria causar surpresas para a FIFA, essa trucul\u00eancia, pela forma autocr\u00e1tica e xenof\u00f3bica da gest\u00e3o Trump. N\u00e3o faltaram cenas de constrangimento. A sele\u00e7\u00e3o do Uruguai, um dos pa\u00edses mais pac\u00edficos e educados da Am\u00e9rica, teve que passar pelo constrangimento de uma revista, onde at\u00e9 cachorros foram utilizados pelos policiais. Cidad\u00e3os do Ir\u00e3 e Haiti est\u00e3o proibidos de entrar nos Estados Unidos. Sem falar em outros torcedores estrangeiros que compraram ingressos, confiando no chamado \u201cfair play\u201d da FIFA, e acabaram impedidos de entrar nos Estados Unidos. Quem vai pagar o preju\u00edzo?<\/p>\n<p>O presidente da FIFA, Giani Infantino lava as m\u00e3os e diz que lamenta o que aconteceu, mas a entidade n\u00e3o pode intervir nas normas internas dos pa\u00edses-sede. Uma desculpa esfarrapada, para quem teve o desplante de criar um trof\u00e9u da paz da FIFA para entregar ao presidente dos Estados Unidos, que, na \u00e9poca, reivindicava o Pr\u00eamio Nobel da Paz.<\/p>\n<p>Mas, voltando \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira e sua rea\u00e7\u00e3o a uma Copa do Mundo, al\u00e9m do desalento de uma sele\u00e7\u00e3o sem alma, por tr\u00e1s tamb\u00e9m existe um certo \u2018preconceito\u2019 ou seria constrangimento de torcedores em utilizar as cores verde e amarela. A desconfian\u00e7a, possivelmente, tem rela\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo bolsonarista que, de certa forma tentou se apropriar da bandeira e das cores brasileiras para ostent\u00e1-las em passeatas, carreatas e com\u00edcios durante os quatro anos daquele mandato. Certamente, h\u00e1 pessoas que s\u00e3o partid\u00e1rias do ex-presidente e continuam usando o verde e amarelo, como s\u00edmbolo.<\/p>\n<p>A escritora Ana Paula Hornos atribui esse desinteresse patri\u00f3tico pela sele\u00e7\u00e3o a outros fatores, al\u00e9m do desencanto pelos jogadores que mal conhecem: o momento hist\u00f3rico que vivemos, com crises que atingem, principalmente a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda. \u201cDiante de um cen\u00e1rio profundo de inseguran\u00e7a social, avan\u00e7o da pobreza e um endividamento cr\u00f4nico que sufoca o or\u00e7amento dom\u00e9stico, o esfor\u00e7o di\u00e1rio pela sobreviv\u00eancia simplesmente esgotou a nossa capacidade de dar uma pausa para celebrar.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDurante muito tempo, o futebol funcionou como uma suspens\u00e3o simb\u00f3lica da realidade nacional. A Copa do Mundo fazia o Pa\u00eds esquecer, ainda que temporariamente, do desemprego, da infla\u00e7\u00e3o e da desigualdade. O jogo operava como uma esp\u00e9cie de anestesia coletiva&#8221;. Algo que aconteceu em 1970, durante o per\u00edodo da ditadura militar, quando o regime surfou nas vit\u00f3rias daquela sele\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel, com uma gera\u00e7\u00e3o de ouro no time brasileiro, como Pel\u00e9, Tost\u00e3o, Gerson, Rivelino e companhia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 justamente nessa exaust\u00e3o real e financeira que fomos engolidos pela disputa agressiva por nossa aten\u00e7\u00e3o e por nosso bolso. A paix\u00e3o pelo futebol passou a competir com um ecossistema digital desenhado para capturar c\u00e9rebros cansados e transformar ansiedade em consumo instant\u00e2neo\u201d, conclui a escritora no artigo citado.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>O novo Big Brother nos gramados dos Estados Unidos<\/strong><\/p>\n<p>A Copa pode se tornar um novo\u00a0<em>Big Brother<\/em>\u00a0para a Rede Globo, principalmente pela avalanche publicit\u00e1ria que tenta transformar o evento na reden\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds, como se aqui estiv\u00e9ssemos num clima do famigerado\u00a0<em>Pra Frente Brasil<\/em>, dos anos 1970. N\u00e3o \u00e9 de hoje que os governos gostam de tirar proveito de vit\u00f3rias na Copa. O com\u00e9rcio comemora com festas, shows e encontros onde o consumo de bebidas alco\u00f3licas, principalmente, aumenta e facilita o clima de oba-oba. As empresas de comunica\u00e7\u00e3o comemoram, porque o faturamento publicit\u00e1rio tamb\u00e9m cresce.<\/p>\n<p>No caso da Rede Globo, que tem os direitos de transmiss\u00e3o da Copa do Mundo, o esfor\u00e7o de marketing \u00e9 tamanho que podemos especular que o faturamento destes 40 dias podem superar os valores do in\u00fatil programa\u00a0<em>Big Brother<\/em> (R$ 2 bilh\u00f5es). A cada passo do time do Brasil, o cofrinho fica mais cheio. Os consumidores s\u00e3o envolvidos pela onda que anuncia n\u00e3o apenas os patrocinadores da Copa do Mundo, mas uma s\u00e9rie de outras empresas interessadas em embarcar na &#8220;caravana holiday&#8221; da Copa. Basta ver a polui\u00e7\u00e3o de marcas ostentadas nos pain\u00e9is, atr\u00e1s dos entrevistados, durante a Copa. A Rede Globo enviou perto de 120 profissionais para os Estados Unidos, M\u00e9xico e Canad\u00e1, apostando numa possibilidade de o Brasil chegar \u00e0 final. Um tanto quanto improv\u00e1vel, pelo futebol apresentado no primeiro jogo contra o Marrocos e pela dificuldade, at\u00e9 do treinador, definir qual o time titular do Brasil.<\/p>\n<p>A avalanche comercial da m\u00eddia, principalmente, n\u00e3o constrangeu a Rede Globo \u2013 detentora dos direitos de transmiss\u00e3o &#8211; a cometer um pecado mortal: confundir jornalismo com publicidade, ignorando uma m\u00e1xima que qualquer estagi\u00e1rio de jornalismo aprendeu na faculdade. Nunca misturar a igreja com o estado, ou seja nada de jornalismo se confundir com publicidade. Ou vice-versa. O contrato da Rede Globo com o treinador da sele\u00e7\u00e3o, Carlo Ancelotti, facilitou a entrevista de 28 minutos, ao \u201cJornal Nacional\u201d, em 18 de maio, quando anunciou os convocados. Seguida, poucos minutos depois, por an\u00fancio publicit\u00e1rio, onde o treinador aparece. A entrevista, de certo modo, perdeu credibilidade com essa a\u00e7\u00e3o de marketing. Tampouco ficou bem para a imagem do treinador contratado.<\/p>\n<p>Agora, j\u00e1 na Copa do Mundo, houve uma outra cena, desta vez com o jornalista Alex Escobar, l\u00e1 nos Estados Unidos, em que ele entra ao vivo numa reportagem sobre a Copa e no fim dessa participa\u00e7\u00e3o o jornalista, com cara de paisagem, faz um escancarado an\u00fancio de uma BET. N\u00e3o foi um an\u00fancio isolado, at\u00e9 porque o jornalista poderia, na sua vida privada, ter algum contrato publicit\u00e1rio. Na reportagem, ao misturar not\u00edcia com faturamento, quebrou-se o encanto, o dogma do jornalismo, vulgarizado, provavelmente, por press\u00e3o do departamento de marketing da emissora. Mas, vale perguntar: o jornalista n\u00e3o ficou constrangido com esse &#8220;publieditorial&#8221;?<\/p>\n<p>Assim como acontece com a FIFA, a Copa do mundo se transformou num grande ca\u00e7a n\u00edquel. Onde todos os envolvidos querem ganhar alguma coisa. At\u00e9 aqueles tr\u00eas minutos da pausa para hidrata\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo questionados, pelo fato de a FIFA aproveitar para inserir an\u00fancios pela televis\u00e3o. E o torcedor, iludido, ainda pensa que os times entram em campo com esp\u00edrito patri\u00f3tico, para defender as cores do pa\u00eds. Ao fim e ao cabo, tudo tem a ver com\u00a0<em>Money, Money,<\/em>\u00a0e n\u00e3o com futebol.<\/p>\n<p>\u201cEssa quebra de sintonia com o \u00eddolo isolado reflete tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a profunda no pr\u00f3prio esporte. O futebol moderno evoluiu: os times que vencem hoje n\u00e3o dependem mais do milagre de um \u00fanico homem, mas sim de sistemas coletivos extremamente coordenados, de um esp\u00edrito de equipe oper\u00e1rio e de disciplina t\u00e1tica\u201d, conclui a escritora Ana Paula Hornos. Melhor n\u00e3o se iludir. Os milh\u00f5es de brasileiros que trabalham, estudam, com sal\u00e1rio no limite, sem transporte adequado, na fila dos postos de sa\u00fade e do INSS, esses s\u00e3o os verdadeiros representantes do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>________<\/p>\n<p><strong>Artigos assinados expressam a opini\u00e3o de seus autores<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Jo\u00e3o Jos\u00e9 Forni\u00a0(Autor do livro\u00a0\u201cGest\u00e3o de Crises e Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 O que Gestores e Profissionais de Comunica\u00e7\u00e3o precisam saber para enfrentar Crises Corporativas\u201d) \u00a0 Quatro anos passam r\u00e1pido. 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