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Nem rosquinha, nem mancha de café. Foto histórica do buraco negro supermassivo é comentada pelo PET-Física

Internet não perdoa e surgem diversos memes para satirizar os seguidores das teorias da Terra Plana.

Nem rosquinha, nem mancha de café. A imagem que rodou o mundo nesta quarta-feira é o primeiro registro direto do fenômeno mais estranho do universo observável: um buraco negro. Quando Albert Einstein apresentou a Teoria da Relatividade Geral – há mais de cem anos – esse fenômeno era uma hipótese. Hoje, temos mais uma grande evidência da sua existência: contrariando seu nome, a teoria da relatividade continua verdadeira para todos nós.

Imagem que compara a simulação da teoria de Einstein com a fotografia real do Buraco Negro.

Junto de grandes obras artísticas, essa foto entra como uma das imagens mais preciosas da humanidade. Representando os esforços coletivos de mais de 200 pesquisadores em uma empreitada de diversos países para melhor compreender o nosso universo, ela exalta que a humanidade pode muito quando caminha de mãos dadas. Os resultados apresentados também têm um importante impacto científico: o Grupo de Astrofísica da UFSM em colaboração com a pesquisadora Thaisa Storchi Bergmann, já entrevistada pelo PET – Física, estuda como esse tipo de buraco negro consome matéria.

Apesar de parecer desfocada ou de má qualidade, essa imagem representa muito esforço e engenhosidade tecnológica. Para distinguir um objeto tão pequeno no céu era necessário um telescópio do tamanho da Terra; sem viabilidade de construir um aparato tão grande, os cientistas utilizaram um método alternativo: a foto é o resultado combinação de telescópios em diferentes países. Ao serem sincronizadas e associadas, as observações individuais são equivalentes às de um telescópio do tamanho do nosso planeta.

Localização geográfica dos telescópios utilizados pelo projeto. Fonte: The Astrophysical Journal Latters

O volume de dados gerados nessa captura – que durou quatro dias – é de cerca de 4 petabytes, e o processo de correlação e de correção de erros durou quase dois anos. Se uma música no formato MP3 ocupa em torno de 1MB por minuto, cinco petabytes de música durariam mais de 7500 anos tocando continuamente. A unificação dessa informação em uma imagem só foi possível graças ao trabalho da cientista da computação Katie Bouman, que desenvolveu o programa de computador para combinar esses dados durante o seu doutorado.       

Katie Bouman, a cientista da computação responsável por unir observações de diferentes telescópios com os discos rígidos contendo os dados analisados no projeto do Event Horizon Telescope.

Texto por Luis Fernando Fontoura, acadêmico do curso de física da UFSM