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Por que esquecemos dos Lanceiros Negros?



Quando falamos em Revolução Farroupilha, há uma linha tênue entre o que nos é contado e o que não é. Há uma linha tênue entre o que foi heroísmo e o que foi covardia. Provavelmente os Lanceiros Negros são citados em algum livro de história ou outro conteúdo que prevê o ensino da Revolução Farroupilha. Citá-los sem explicá-los não é o suficiente. É também uma forma de tornar invisíveis estas figuras tão importantes para a história do território sul-rio-grandense.

O GT CHEGA, em parceria com o Núcleo de Divulgação Institucional (NDI) do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), fez um breve apanhado histórico sobre estas personagens, que foram tanto protagonistas quanto aqueles que são considerados os heróis da revolução.

No Rio Grande do Sul, a população negra à época era constituída por escravos, força de trabalho para os grandes proprietários de terra. Em um primeiro momento, os negros não participaram do conflito. Entretanto, quando introduzidos, reconheceu-se o potencial em combate – não eram apenas mão-de-obra para a manutenção dos latifundiários. A participação dos negros na Revolução Farroupilha se fundamentou na unidade militar chamada Lanceiros Negros. Durante dez anos, os escravizados combateram montados em cavalos e armados com lanças compridas, ao lado dos farrapos e contra as tropas imperiais.

Embora as negociações entre os dois lados visassem aos fim da guerra, um dos desafios era a aceitação por parte Império Brasileiro da posição dos negros em combate e que, portanto, estavam em determinada condição de liberdade. Foi a partir desta resistência que a Revolução Farroupilha foi selada em uma traição, chamada Traição dos Porongos. Os Lanceiros Negros foram ordenados a montar acampamento – sem suas armas – na localidade de Porongos e, na madrugada, foram massacrados pelos imperiais. A Revolução Farroupilha estava assim finalizada. Simples, não é? Na verdade, não.

Esta visão por parte do Império colocava e reforçava a figura do negro à subjugação e à servidão. As marcas refletem até os dias atuais, pois o racismo é uma das formas mais expressivas de preconceito no Rio Grande do Sul. O preconceito existente acaba colocando o negro como ator social resistente e político.

Uma dessas frentes do movimento de resistência é o Coletivo Afronta, primeiro grupo do estado formado exclusivamente por universitários negros e negras. Desde 2010, o coletivo tem a missão de “lutar por uma Universidade mais inclusiva, de qualidade, democrática e pública, reconhecendo e evidenciando, a partir de algumas ações concretas, a importância da população negra dentro da história do Brasil”. A resistência também pode ser retratada por meio de manifestações artísticas, como a pintura dos Lanceiros Negros, em uma das paredes da Casa do Estudante Universitário (CEU II) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), feita pelos artistas Deivison Lima e Patrick Vitos.

Se o papel do negro na Revolução Farroupilha continua a ser minimizado ou interpretado de outras maneiras, hoje existem movimentos e pessoas decididas a lutar não apenas pelo reconhecimento no contexto histórico nacional e regional, mas também pela igualdade.

 

Texto: J. Antônio de Souza Buere, acadêmico de Comunicação Social – Produção Editorial e bolsista do Núcleo de Divulgação Institucional do CCNE

Edição: Wellington Gonçalves, relações públicas do Núcleo de Divulgação Institucional do CCNE

Revisão Final: Maurício Dias

Colaboração e articulação: Andressa Mourão Duarte, mestranda em Ciências Sociais e GT CHEGA – Grupo de Trabalho do CCNE que tem como propósito desenvolver atividades e discussões que promovam a ruptura das diferentes manifestações de preconceito.


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