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Plágio: novas variações de um velho problema



O plágio é um mal que ameaça qualquer tipo de criação atualmente, seja intelectual, artística, visual, ou qualquer outra relação entre “criador” e “criatura”. No entanto, no ambiente acadêmico, esse infortúnio tem sido ainda mais comum. 

Dentre as possíveis causas desse problema, está a falta de conhecimento sobre o tema, que leva muitas pessoas a cometerem a infração por não saberem como referenciar ou por nem mesmo saber que é errado. Outra questão é a ideia de que pela gama de conteúdos disponíveis na internet e a distância entre quem consome e os autores dos materiais, o plágio não será descoberto e ficará impune. Essa ideia de invisibilidade se intensificou ainda mais com a pandemia da Covid-19. Com a imersão no mundo digital ocasionado pelas aulas online, sem contato pessoal direto com professores para sanar dúvidas e supervisionar o processo de criação dos alunos, a prática do plágio ganhou ainda mais espaço para se consolidar. 

O termo plágio é originado da antiguidade e passou a ser usado no contexto que conhecemos pelo poeta Marcial, no século I – quando utilizou a palavra “plagium”, termo do Direito romano, para expressar a apropriação de seus poemas por parte de um terceiro. A Lei Brasileira do Direito Autoral (Lei nº 9.610/98) não reconhece o plágio propriamente dito – que é a apresentação ou assinatura da obra de outrem – e sim “contrafação”, que se caracteriza como falsificação ou imitação da obra de outro, sem seu conhecimento ou autorização.

Mesmo não sendo um problema originado na atualidade, o plágio se intensificou com a ascensão tecnológica e de atalhos como “Ctrl C + Ctrl V”, conhecidos como “copia e cola”. Por outro lado, a tecnologia também atua em favor do combate ao problema e pode ser uma das soluções. A possibilidade de usar programas que detectam a porcentagem de cópia do conteúdo disponível, tem sido uma das formas mais eficazes de barrar ou diminuir a infração. 

Desde 2016, a Revista Ciência Rural, por exemplo, utiliza o programa  iThenticate©, o qual acessa mais de 45 milhões de páginas da internet, dados institucionais e arquivos acadêmicos e compara com o arquivo submetido à análise. A Editora UFSM, passou a usar o mesmo em 2018. A plataforma utilizada pela UFSM é a Turnitin©, popular dentre profissionais da educação e instituições, tais como Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

 

O artigo “É muito mais do que um ‘Ctrl + C Ctrl V’”, publicado pela Editora UFSM na revista impressa Estilo Editorial, indica tipos diferentes de plágio baseados nas ideias da obra “Autoria e Plágio” de Marcelo Krokoscz. São eles:

  • O plágio direto – apontado como um dos mais comuns, principalmente dentre os estudantes, se configura no uso de uma informação de outra obra, replicada palavra por palavra, sem informar o autor a quem ela pertence. Há também casos em que a ideia é copiada e muda-se apenas algumas palavras.
  • Já no plágio indireto, usa-se paráfrase sem atribuir a fonte original; o mosaico de informações de várias autorias para dar a ideia de originalidade; assim como o uso de conceitos e expressões de outros autores. 

 

Ainda, é possível identificar um tipo menos conhecido de plágio: o autoplágio. O artigo explica que se caracteriza quando o autor faz referência a um termo ou informação de sua autoria publicado em outra obra anterior, mas sem identificar no texto atual. No último dia 13, a Editora UFSM realizou a palestra “Plágio, autoplágio ou publicação prévia?” onde foram debatidos esses tipos de plágio, suas consequências e como evitar; e o autoplágio foi um dos temas abordados, assim como a publicação prévia – que consiste, na publicação de um texto, ou parte dele, antes de ser submetido e defendido à uma banca, no caso de uma tese, por exemplo. 

Outros métodos que podem ser explorados na busca da redução de danos ao patrimônio intelectual dos autores, é a implementação de medidas que instruam e incentivem os alunos a estimular e explorar o pensamento crítico, a se  aprofundarem na pesquisa e guiá-los quanto às técnicas de produção acadêmica. Para isso, a UFSM também oferece um manual com dicas para produzir trabalhos acadêmicos, além de um manual de instalação de Softwares anti plágio. 

Impedir que o plágio se replique, impulsiona que novas ideias ganhem espaço para serem criadas e desenvolvidas. Afinal, o conhecimento é constituído fundamentalmente pela inovação, que só é possível a partir da elaboração do inédito.

 

As informações para essa reportagem foram retiradas dos artigos “É muito mais do que um ‘Ctrl + C Ctrl V’”, sem autor especificado; e “O vírus do plágio”, de Gabriel Magadan, com edição de Carlos Gianotti; publicados na Edição n. 6 de 2019 da revista ‘Estilo Editorial’ da editora UFSM.

 

Texto: Júlia Weber, acadêmica de jornalismo e bolsista da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

Edição: Natália Huber, chefe da Subdivisão de Comunicação do CCNE.

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