<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>		<rss version="2.0"
			xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
			xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
			xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
			xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
			xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
			xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
					>

		<channel>
			<title>CCNE - Feed Customizado RSS</title>
			<atom:link href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne/busca?q=&#038;sites%5B0%5D=369&#038;tags=8m&#038;rss=true" rel="self" type="application/rss+xml" />
			<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne</link>
			<description>Centro de Ciências Naturais e Exatas</description>
			<lastBuildDate>Mon, 13 Apr 2026 23:20:17 +0000</lastBuildDate>
			<language>pt-BR</language>
			<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
			<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>

<image>
	<url>/app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico</url>
	<title>CCNE</title>
	<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
						<item>
				<title>Crônicas no CHEGA: confissões de uma feminista arrogante</title>
				<link>https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne/2019/03/09/perolas-do-cotidiano-confissoes-de-uma-feminista-arrogante</link>
				<pubDate>Sun, 10 Mar 2019 00:12:15 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[CCNE ao alcance de todos]]></category>
		<category><![CDATA[8M]]></category>
		<category><![CDATA[CCNE]]></category>
		<category><![CDATA[Dia da Mulher]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne/?p=924</guid>
						<description><![CDATA[Aos 13 anos me descobri feminista. Sofri assédio de um professor pedófilo. Fui confrontada por ele e pela direção da escola quando me defendi. E a vice-diretora, mulher, teve a audácia de perguntar se não era eu quem estava interessada no  dito cujo. Coloquei meu dedo em riste nas fuças dela e dele. E como eu e minha mãe sempre fomos cúmplices, no outro dia a levei na escola. Ela, leoa aquariana (risos), falou poucas e boas para ambos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Sempre balizo o mundo a partir de mim. Se eu, minimamente intelectualizada e de esquerda, fui/sou arrogante, muitas e muitos iguais a mim também foram/são.&nbsp;</p>
[caption id="attachment_925" align="alignnone" width="300"]<img class="size-medium wp-image-925" src="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/ccne/wp-content/uploads/sites/369/2019/03/IMG-20190309-WA0026-300x188.jpg" alt="" width="300" height="188"> Year of the Woman, de Audrey Lee[/caption]
<p>Aos 13 anos me descobri feminista. Sofri assédio de um professor pedófilo. Fui confrontada por ele e pela direção da escola quando me defendi. E a vice-diretora, mulher, teve a audácia de perguntar se não era eu quem estava interessada no&nbsp; dito cujo. Coloquei meu dedo em riste nas fuças dela e dele. E como eu e minha mãe sempre fomos cúmplices, no outro dia a levei na escola. Ela, leoa aquariana (risos), falou poucas e boas para ambos. E reafirmou:</p>
<p>- Minha guria sabe se defender! A Louise nunca me mentiu. Se ela disse que aconteceu, aconteceu.</p>
<p>Reprovei no primeiro vestibular. Entrei no segundo. Uma instituição católica. Comecei a me interessar profundamente por literatura (cursei Letras). Depois de um tempo, tive a sorte de conhecer professoras as quais acreditavam no meu potencial e me apresentaram teóricos que falavam sobre os estudos culturais, memória,&nbsp; identidade e lógico, feminismo (e de qual forma eu reportaria tudo isso para as literaturas emergentes&nbsp; estudadas por mim, principalmente as literaturas africanas de língua portuguesa). Conheci Simone Beauvoir, Virginia Woolf, Germaine Greer. Posteriormente,&nbsp; Judith Butler,&nbsp; bell hooks*, dentre outras. Fiz ao longo desse tempo, palestras e rodas de conversas sabendo destrinchar as ondas do feminismo e a importância da separação do feminismo branco e do feminismo negro.</p>
<p>Me considerei, durante muito tempo “a feministona da estrela”. Aquela que manjava dos 'paranauês' da teoria feminista. E mesmo tendo plena consciência do feminismo como movimento social e político, a favor das mulheres , TODAS AS MULHERES, e dos impactos da opressão de gênero sofrida historicamente POR TODAS NÓS. Eu realmente alienei tudo isso e coloquei minhas leituras acima daquelas, que não tiveram as mesmas oportunidades epistêmicas que eu.</p>
<p>Nós, brasileiras e brasileiros, somos fundamentalmente: cristãs e cristãos; conservadoras e conservadores. Mas eu, defendia (defendo) o aborto. Sempre achei (acho) formidáveis as mulheres exercendo sua liberdade corporal e sexual acima das amarras machistas.</p>
<p>Tentei no grito comprovar para mulheres, identificadas&nbsp; por ideias conservadoras, o quanto elas estavam equivocadas.</p>
<p>Eu e as feministas acadêmicas como eu, perdemos a capacidade de dialogar&nbsp; com a mulher de&nbsp; 10, 20, 30 anos (ou mais) de casada, orgulhosa&nbsp; do marido, dos filhos e de sua própria atuação perante sua família. Fomos solenemente rejeitadas por aquela que, se comparada a uma puta (invenção do patriarcado) irá preferir a morte. Fomos bombardeadas por ela, a mulher descartada por não ser tão bonita para os padrões, nem tão jovem e nem tão fresca, desencorajada em mostrar os seios em público, afinal, sempre lhe foi ensinado: é feio exibir o corpo!</p>
<p>Estive cega demais para entender: "meu corpo e minhas regras" infelizmente&nbsp; não alcança a mulher periférica, abusada de todas as formas, desde a infância e invisibilizada em seu sofrimento e em sua luta.&nbsp;&nbsp; Tampouco&nbsp; a mulher do campo, aquela que não teve e nunca terá acesso a informação e muito menos a proteção das leis, viáveis e confiáveis,&nbsp; em muitos casos, apenas no papel.</p>
<p>Arrogante, acreditei ser óbvio para qualquer pessoa do gênero feminino repudiar um misógino, no entanto não perguntei para essas mulheres se elas sabiam o que era misoginia. Ignorei as veteranas da idade da minha mãe, tias e avós, doutrinadas dentro de “moral e bons costumes”. Tripudiei, muitas vezes, nos seus valores cristãos. Não compreendi o quanto para elas reputação e recato são simbólicos, mesmo que tais valores sejam compulsórios. Tentei as fazer engolir aborto como algo coerente. Logo elas, felizes e orgulhosas por todas suas crias.</p>
<p>Simplesmente tampei meus ouvidos e olhos para a verdade delas, tão mulheres quanto eu e tão maravilhosas em suas feminilidades. Arrogante, eu fui arrogante. E eu preciso delas, em "seus pegues e pagues do mundo". Preciso da candura e do ensinamento delas. Da fé resistente em um mundo inóspito. Necessito continuar lutando por mim e por elas.&nbsp; Desejo elas ao meu lado, mudando em uma conjuntura excessivamente ruim para&nbsp; sociedade como um todo, mas principalmente para nós mulheres.</p>
<p>Agora, espero que não seja tarde para reconhecer:&nbsp;&nbsp;</p>
<p>Não será colocando nosso feminismo em uma cartilha que iremos conquistar aliadas. Volto a dizer (já falei em outros textos), nossa virada será no amor. Com diálogo e respeito. Nenhuma mulher a menos? Sim,&nbsp; para além do discurso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>*bell hooks -<strong>Gloria Jean Watkins</strong> mais conhecida pelo&nbsp;pseudônimo&nbsp;<strong>bell hooks</strong>&nbsp;(escrito em&nbsp;minúsculas) é uma&nbsp;autora, teórica&nbsp;feminista,&nbsp;artista&nbsp;e&nbsp;ativista social&nbsp;estadunidense.O nome "bell hooks" foi inspirado na sua bisavó materna, Bell Blair Hooks.&nbsp;A letra minúscula, que desafia convenções linguísticas e acadêmicas, pretende dar enfoque ao conteúdo da sua escrita e não à sua pessoa. O seu objectivo, porém, não é ficar presa a uma identidade em particular mas estar em permanente movimento.</p>
<p>Texto por: Louise da Silveira, licenciada em Letras pela UFN, mestranda em Geografia pela Universidade Federal de Santa Maria e integrante do GT CHEGA</p>
<p>Revisão: Wellington Gonçalves, Relações Públicas do Núcleo de Divulgação Institucional do CCNE</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
					</channel>
        </rss>
        