{"id":328,"date":"2024-02-09T09:18:13","date_gmt":"2024-02-09T12:18:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/cappa\/?p=328"},"modified":"2024-02-09T09:18:15","modified_gmt":"2024-02-09T12:18:15","slug":"cientistas-apresentam-o-esqueleto-mais-completo-ja-descrito-para-um-superpredador-de-240-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/cappa\/2024\/02\/09\/cientistas-apresentam-o-esqueleto-mais-completo-ja-descrito-para-um-superpredador-de-240-milhoes-de-anos","title":{"rendered":"Cientistas apresentam o esqueleto mais completo j\u00e1 descrito para um superpredador de 240 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"\n<figure style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2024\/02\/Prestosuchus-chiniquensis-por-Marcio-Castro.png\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"446\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Reconstru\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Prestosuchus chiniquensis, em arte de M\u00e1rcio L. Castro<\/figcaption><\/figure>\n<p>Foi publicado na \u00faltima semana, no peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0<a href=\"https:\/\/anatomypubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1002\/ar.25383\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Anatomical Record<\/a>\u00a0(dos EUA), um estudo apresentando detalhes do esqueleto de um predador de cerca de 240 milh\u00f5es de anos. A equipe liderada pela paleont\u00f3loga Bianca Mastrantonio, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), descreveu o esqueleto mais completo de\u00a0<i>Prestosuchus chiniquensis<\/i> j\u00e1 encontrado at\u00e9 o momento. Coletado em rochas do munic\u00edpio de Dona Francisca, o f\u00f3ssil foi estudado por uma equipe de pesquisadores de quatro institui\u00e7\u00f5es e dois pa\u00edses. O estudo contou com a colabora\u00e7\u00e3o de paleont\u00f3logos do Centro de Apoio \u00e0 Pesquisa Paleontol\u00f3gica (Cappa) da UFSM.<\/p>\n<p>\u201c<i>Prestosuchus<\/i>\u00a0\u00e9 um animal ic\u00f4nico\u201d, pontua Bianca. \u201cFoi o maior predador que j\u00e1 habitou nosso estado, e na \u00e9poca em que viveu estava entre os maiores predadores do mundo.\u201d<\/p>\n<figure style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2024\/02\/Bloco.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"511\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Acima, foto do bloco original. Abaixo, desenho esquem\u00e1tico dos ossos preservados. Os elementos do cr\u00e2nio foram marcados em cinza e os ossos p\u00f3s-cranianos, em branco (arte gr\u00e1fica: T\u00e9o Veiga de Oliveira)<\/figcaption><\/figure>\n<p>A esp\u00e9cie foi descoberta h\u00e1 quase um s\u00e9culo, em uma expedi\u00e7\u00e3o empreendida pela Universidade de Tubinga (da Alemanha) no ano de 1928, na regi\u00e3o de Chiniqu\u00e1, no munic\u00edpio de S\u00e3o Pedro do Sul. Contudo, era conhecida principalmente por esqueletos incompletos e fragmentados. \u201cIsso sempre foi um problema\u201d, explica o professor Cesar Schultz, da Ufrgs, coautor do estudo. \u201cPara que possamos atribuir v\u00e1rios f\u00f3sseis a uma mesma esp\u00e9cie, precisamos que eles preservem os mesmos ossos. E no caso de\u00a0<i>Prestosuchus<\/i>, muitos dos f\u00f3sseis conhecidos eram de diferentes partes do esqueleto, sem sobreposi\u00e7\u00e3o de elementos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 a beleza deste esqueleto\u201d, comemora a paleont\u00f3loga argentina Julia Desojo, da Universidade Nacional de La Plata, que tamb\u00e9m participou do estudo. \u201cTemos quase todos os ossos do cr\u00e2nio preservados, e a maior parte do esqueleto p\u00f3s-craniano. Esse nosso esp\u00e9cime ser\u00e1 um dos principais materiais de refer\u00eancia para a esp\u00e9cie.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma das conclus\u00f5es do estudo\u201d explica o pesquisador Marcel Lacerda, do Museu Nacional. \u201cPor sua completude, o novo material agora permite comparar esp\u00e9cimes fragment\u00e1rios, e confirmar que a maior parte deles, coletados no \u00faltimo s\u00e9culo, s\u00e3o todos da mesma esp\u00e9cie.\u201d<\/p>\n<p><i>Prestosuchus<\/i>\u00a0foi um animal quadr\u00fapede e carn\u00edvoro. \u201cEvolutivamente falando, ele est\u00e1 na raiz de uma linhagem chamada Loricata, que viria a dar origem aos atuais jacar\u00e9s e crocodilos\u201d, avalia a paleont\u00f3loga Let\u00edcia Rezende de Oliveira, do Cappa\/UFSM.<\/p>\n<figure style=\"width: 393px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/2024\/02\/Parte-da-equipe-em-2023.jpg\" alt=\"\" width=\"393\" height=\"361\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Parte da equipe de autores do estudo, durante trabalho desenvolvido com o esp\u00e9cime, em 2023. Da esq. para a dir.: Fl\u00e1vio Pretto e Let\u00edcia Rezende, ambos do Cappa\/UFSM, e Bianca Mastrantonio, da Ufrgs, que liderou a equipe. Na foto, a pesquisadora est\u00e1 segurando um dos f\u00eamures (osso da coxa). Por esse osso, que mede quase meio metro de comprimento, pode-se ter uma no\u00e7\u00e3o da escala do animal<\/figcaption><\/figure>\n<p>A equipe ainda levou um fragmento do \u00famero do animal at\u00e9 o Museu Nacional, vinculado \u00e0 Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde aspectos de sua biologia foram inferidos a partir de an\u00e1lises histol\u00f3gicas. \u201cAnalisando os ossos microscopicamente, pudemos identificar que o animal estava crescendo de forma lenta, al\u00e9m de apresentar v\u00e1rias linhas de crescimento, que sugerem que esse animal j\u00e1 fosse um adulto\u201d, aponta o paleont\u00f3logo Brodsky Farias, da Ufrgs. \u201cE provavelmente o animal ainda estava em fase de crescimento.\u201d<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o surpreende\u201d, aponta o paleont\u00f3logo Fl\u00e1vio Pretto, do Cappa\/UFSM. \u201cO indiv\u00edduo que estudamos nesse trabalho teria um pouco mais de quatro metros de comprimento. Mas conhecemos outros f\u00f3sseis do animal que eram pelo menos duas vezes maiores.\u201d<\/p>\n<p>O f\u00f3ssil descrito pelo grupo de pesquisadores faz parte do acervo tombado da Ufrgs. O p\u00fablico pode encontrar uma r\u00e9plica dele (uma c\u00f3pia feita por Fl\u00e1vio Pretto) em S\u00e3o Jo\u00e3o do Pol\u00easine, na mostra permanente do Cappa. Em seu acervo, o Cappa conta com outro f\u00f3sseis de\u00a0<i>Prestosuchus<\/i>, que est\u00e3o sendo estudados no momento, com o objetivo de completar o esqueleto da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A pesquisadora Bianca Mastrantonio ressalta que, mesmo com quase cem anos desde a descoberta dos primeiros f\u00f3sseis, ainda h\u00e1 segredos a desvendar sobre a biologia de\u00a0<i>Prestosuchus<\/i>, e conclui: \u201cAinda temos trabalho pela frente\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi publicado na \u00faltima semana, no peri\u00f3dico cient\u00edfico\u00a0The Anatomical Record\u00a0(dos EUA), um estudo apresentando detalhes do esqueleto de um predador de cerca de 240 milh\u00f5es de anos. A equipe liderada pela paleont\u00f3loga Bianca Mastrantonio, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), descreveu o esqueleto mais completo de\u00a0Prestosuchus chiniquensis j\u00e1 encontrado at\u00e9 o momento. 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