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Destaques do CCNE

A sessão destaques do CCNE foi um espaço sugerido pela Direção desse Centro e criada com o intuito de dar luz e prestigiar as pessoas pertencentes a essa comunidade (alunos, docentes e técnico-administrativos), que ganharam notoriedade por meio do seu trabalho (pesquisa, ensino, extensão, prática docente, prática administrativa, prática discente, arte, …)

A sessão “Destaques” figura em nossa homepage e sempre que um destaque for acrescido a esta galeria, haverá uma chamada nas notícias e o destaque será, então, conhecido.

Inaugurou nossa galeria o professor Gilson Rogério Zeni que em dezembro de 2014 foi eleito membro da Academia Brasileira de Ciências.

Como a maioria dos alunos da UFSM, o professor Gilson veio de uma cidade do interior. Fez o ensino básico e médio na cidade de Iraí, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina. Logo após, por volta de 1988, veio para Santa Maria para cursar Química Industrial na UFSM. De origem humilde, fez uso dos benefícios sócio-educativos proporcionados pela UFSM, tais como a moradia estudantil e bolsas de trabalho e pesquisa. Iniciou sua carreira cientifica como bolsista de iniciação na área da Química Orgânica onde desenvolveu seu mestrado e doutorado, sendo essa sua atual área de pesquisa. Fez o mestrado em 1994 na UFSM e o doutorado em 1996 na USP. Ingressou na UFSM como professor visitante em 2000 e no ano seguinte tornou-se professor do quadro permanente do departamento de química. Iniciou o seu grupo de pesquisa de síntese, reatividade, farmacologia e toxicologia de organocalcogênios, nesta mesma época. Em 2003, fez pós-doutorado na Iowa State University, nos EUA.

Em suas áreas de atuação, Gilson já publicou inúmeros artigos científicos nas mais prestigiadas revistas internacionais, além disso, possui um grande número de citações acadêmicas; orientou diversas Teses de Doutorado, Dissertações de Mestrado e dezenas de alunos de Iniciação Científica. Na área administrativa foi coordenador do programa de pós-graduação em Ciências Biológicas: Bioquímica Toxicológica e chefe do setor de bioquímica; participou de comitês nas agencias financiadoras CNPq, da FAPERGS e como membro assessor da CAPES na avaliação dos programas.

Sua área de atuação consiste na síntese de compostos orgânicos contendo os átomos de selênio e telúrio em sua estrutura e a aplicação destes como substratos em catálise homogênea, utilizando sais de paládio ou cobre como catalisadores, e na obtenção de heterociclos via reações de ciclização eletrofílica. Além disso, o Professor Gilson tem atuado no estudo farmacológico e toxicológico de organocalcogênios. A ênfase principal destes estudos é a busca por compostos que apresentem atividades antioxidante, anti-inflamatória, antinociceptiva, antidepressiva e neuroprotetora associadas à baixa toxicidade.

Como professor na UFSM, Gilson se preocupa muito com a formação dos alunos; em dar a eles uma formação sólida, tanto na parte de pesquisa como na parte ética. No momento, pretende exclusivamente formar pessoas, pois acredita que é necessário possibilitar aos alunos grandes experiências e inserção em instituições públicas, para que este aluno possa formar seus próprios alunos. O professor costuma enviar acadêmicos para outros países com os quais seu grupo mantém contato, contribuindo para a melhor formação e qualificação dos estudantes. O professor afirma ainda que “cada vez que um doutor é formado é uma felicidade enorme, pois todo o seu período de investimento foi recompensado”. Sua realização pessoal é ver um aluno bem colocado.

O professor Gilson recebeu em 2012 o Prêmio Pesquisador Gaúcho da FAPERGS, recebeu recentemente uma medalha da UFSM pelo seu destaque acadêmico e recentemente foi eleito membro da Academia Brasileira de Ciências. Ele conta que não esperava tal honraria, pois sua trajetória acadêmica é, em sua opinião, curta; esperava essa nomeação para professores mais experientes do que ele, contudo fica muito feliz por ter seu trabalho reconhecido.

Devido a sua trajetória profissional, suas conquistas e contribuição para a ciência, nós do CCNE reconhecemos o professor Gilson Zenicomo um dos nossos destaques.

Texto redigido por Sandro Lacerda – Assessoria de comunicação do CCNE.

Natural do Rio de Janeiro (RJ), João Batista Teixeira da Rocha já fez grandes viagens em sua vida. Sua vida escolar foi dividida entre as cidades de Canoas, Viamão, Santa Maria (RS), e Rio de Janeiro. Mas é em Porto Alegre que iniciou seu caminho nas Ciências Biólogicas. Assim, no ano de 1982, João Batista ingressou no curso de Graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tendo a certeza de que a Biologia era a área de que gostava. Neste período, seus maiores interesses eram pelas aulas de Educação, onde os professores levavam questionamentos aos alunos, o que o fazia pensar e discutir sobre o mundo. Mas, foram as aulas de Bioquímica que o prenderam. “Tinha uma coisa diferente, as aulas teóricas eram baseadas em estudo dirigido, então tínhamos aula formal ocasionalmente. Resolvíamos problemas e discutíamos com o professor. E foi essa maior interação que me motivou”, conta João que acabou desenvolvendo pesquisas na área ao se tornar monitor. Um de seus trabalhos desenvolvidos, neste período, foi publicado, até mesmo. em revistas internacionais de ciência. Sua formatura foi no ano de 1986 e ano seguinte, o biólogo ingressou no Mestrado.

Dividido entre duas áreas de seu maior interesse, a Educação em Ciências e a Bioquímica, João Batista optou por aquela que já tinha experiência e em 1987 iniciou o mestrado, na UFRGS, onde em dois anos, com a defesa da tese “Efeito da desnutrição durante a lactação sobre a atividade da hidrólise de atp em sinaptossomas de cérebros de ratos”, obteve seu título de mestre. No mesmo ano de finalização do mestrado, João Batista iniciou sua atuação profissional como Professor na UFSM. Porém, a busca constante por aprendizado o levou a iniciar, em 1992 o doutorado em Ciências Biológicas, na área de Bioquímica – subáreas de Enzimologia, Metabolismo e Bioenergética. De volta a UFRGS, João Batista conciliava a pesquisa de doutorado, desenvolvida entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e as aulas que ministrava. Seu título de doutor foi obtido no ano de 1996. Logo, o doutor voltou para a UFRJ para fazer o Pós-Doutorado.

Na UFSM, João Batista é professor pelo Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, atuando no Laboratório de Bioquímica Toxicológica, Farmacologia e Organocalcogênios. Dentro de sua carreira como pesquisador ganhou diversos prêmios e títulos. No ano de 2014, o Bioquímico foi eleito Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências, na área de Ciências Biomédicas.

Atualmente, o professor que trabalha na área de bioquímica, toxicologia e farmacologia de organocalcogênios, papel do estresse oxidativo em patologias humanas e experimentais, e educação em ciências, está em 28º lugar no ranking, entre 3 mil, dos principais pesquisadores do Brasil. 

Valter Antonio Noal Filho nasceu no dia 1º de dezembro de 1960 no Hospital de Caridade, em Santa Maria. Cresceu em uma casa, com um pátio grande e arborizado, uma das mais belas lembranças de sua infância. Com 19 anos ingressou na UFSM, onde foi aprovado na primeira turmado Curso de Comunicação Visual, uma fase de adaptações e construções.

Há pouco mais de 30 anos, iniciou sua trajetória como servidor técnico-administrativo na Universidade Federal de Santa Maria. De lá pra cá, atuou em diversos locais. “No final dos anos 80, cuidei da revista Ensaio, na Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis. Depois, em um curto período, na assessoria de divulgaçãodo do Gabinete do Reitor. Depois, foram dez anos na editora da Universidade e agora, há 15 anos, aqui no CCNE, no setor de revistas”, conta Valter.

Mas, além das divulgações feitas aqui, Valter tem em seu caminho, cinco livros de sua autoria. “O primeiro livro nasceu de uma curiosidade minha sobre o passado de Santa Maria e, ao mesmo tempo, da constatação de que se aproximava a data de seu bicentenário, que passaria despercebida caso nenhuma instituição tomasse a iniciativa de marcar a importante efeméride. Assim, eu e o amigo José Newton Cardoso Marchiori, iniciamos a pesquisa que originou o livro “Santa Maria: Relatos e impressões de viagem”, com lançamento previsto para novembro de 1997, justamente a época mais provável para assinalar os 200 anos da chegada da Comissão Demarcadora de Limites entre terras portuguesas e espanholas que aqui estabeleceu seu acampamento, embrião do atual sítio urbano.

Tal criação, fez com que o santa-mariense tomasse gosto pela literatura de viagem antiga, assim continuou pesquisando em bibliotecas, relatos de viagens pelo Rio Grande do Sul. Estabeleceu parceria com Sérgio da Costa Franco, importante historiador do Rio Grande do Sul, que após sete anos de pesquisa, resultou no livro “Os Viajantes olham Porto Alegre” em dois volumes, o primeiro traz relatos de 1754 a 1890 e o segundo volume, dos anos de 1890 a 1941. A obra foi agraciada com o prêmio Açorianos de Literaturaem 2005, na categoria especial e também o prêmio de Livro do Ano, recebendo a maior homenagem do prêmio daquele ano. “O prêmio foi uma surpresa na verdade, porque nem eu nem o Costa Franco pensávamos em prêmio, nós queríamos fazer um bom livro, que interessasse a um bom número de leitores e lhes oferecesse realmente novidades. Acredito que a premiação foi uma consequência, relata o autor.

Com o término destas obras, Valter participou de nova parceria, na organização de uma obra inédita de 1943, do escritor santa-mariense Getulio Schilling. Em 2008, mais dois trabalhos foram concluídos: a reedição do “Santa Maria: Relatos e impressões de viagem”, completamente modificada, com quase 20 novos textos, e com outros parceiros fez “Do céu de Santa Maria”, um livro que reproduz fotografias aéreas de SM, desde o final dos anos 20, início dos anos 30. Um livro que ganhou bastante apreço dos conterrâneos da cidade.

No CCNE, Valter trabalha com a Revista “Ciência & Ambiente”, executando diversas tarefas. Desde a criação do projeto gráfico, a diagramação,e divulgação de cada edição.

 

O amor pela profissão manifesta-se em lágrimas e em uma trajetória narrada com carinho. Assim, Cristina Wayne Nogueira conta sobre seus 20 anos como professora na UFSM e demonstra sua paixão pela vida. Nascida em maio de 1964 na cidade de Santa Maria, Cristina é a segunda filha de dois professores universitários, hoje já aposentados.

Santa Maria foi, e é, palco de sua vida e da maior parte de suas conquistas. Aqui passou a infância, estudou, foi mãe, ingressou na Universidade, fez graduação e mestrado, iniciou sua vida profissional como professora e pesquisadora. Mas, sua trajetória não se prendeu a apenas o centro do Rio Grande do Sul.

Desde o Ensino Médio, Cristina  tinha muita afinidade com o conteúdo de química e biologia, e gosto pela área da nutrição. Mas, pela pouca oportunidade oferecida na  época, optou pelo curso de Farmácia. Ingressando na UFSM em 1984. Da graduação, a santa-mariense passou a cursar o mestrado na área de Ciência da Tecnologia em Alimentos. Mas é no doutorado em Ciências Biológicas (Bioquímica), feito na UFRGS, que a professora encontrou-se em sua área de pesquisa. Com o início do doutorado, juntamente com o começo de sua docência, o período foi difícil mas com muito sucesso, pois pouco depois Cristina já embarcou para os Estados Unidos, para cursar seu pós-doutorado em Iowa State University, no estado de Iowa.

Como docente na UFSM, Cristina é professora pelo Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular, nos cursos de graduação e pós-graduação, e totalmente realizada. “Eu procuro trabalhar focada no meu dia-a-dia, nas coisas que me fazem feliz. E trabalhar com aula, com a didática, na pesquisa, com os alunos me faz muito feliz”, conta.

 Mas, esta realização não se dá apenas pela realização pessoal. Por sua trajetória, Cristina se vê atuando naquilo que é seu papel na sociedade e cumprindo-o como alguém que contribui na vida das pessoas. “No sentido de trocar experiências, de relatar aquilo que vivi, como superei, de mostrar para as mulheres que a gente pode sim ter uma carreira profissional de sucesso e paralelo isso ter uma vida pessoal estável, tranquila. Mostrar  que não precisamos abrir mão de uma coisa para assumir outra e trabalhar sempre na formação dos alunos, seja dando exemplo ou conselhos, que de alguma forma, eu tenho certeza, que contam para melhorar a formação de graduação, pós graduação e até depois para que eles se coloquem bem no futuro. Desta maneira busco cumprir meu papel”, aponta a professora.

Em 2010, Cristina recebeu o prêmio Scopus, uma premiação feita pela Editora Elsevier, que visa reconhecer o talento e dedicação de pesquisadores em todo o mundo. “Esse prêmio foi muito interessante porque assim valoriza o trabalho da gente que é um trabalho de formiguinha de dia-a-dia, de formar aluno e também porque era um ano importante que premiava mulheres na ciência. Então, naquele ano, eu fui destacada como uma das mulheres relevantes na ciência brasileira. Uma mulher fora do eixo Rio de Janeiro/ São Paulo”, destaca a professora.

Texto e fotografia: Camila Jardim – Núcleo de Divulgação Institucional

“Meu pai era promotor da justiça e foi transferido para Pelotas, não tínhamos nenhum parente na cidade, mas por acaso, em 1954, eu nasci lá. Sou feliz por isso, pois acho Pelotas uma cidade bem legal. Aí, com 2 anos de idade, viemos para Porto Alegre em uma outra transferência de meu pai. Compramos uma casa no bairro de Petrópolis, que naquela época era muito sereno, só casas e terrenos baldios, bastante espaço e muitas regiões com matos nativos. Assim me criei naquele local maravilhoso, como um menino da época. Soltávamos pandorgas, jogávamos bolinha de gude. Uma infância muito livre, muito boa.

Em Porto Alegre, fiz todos os estudos antes da graduação depois entrei no curso de bacharelado em Física na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), naquela época, a graduação era extremamente difícil, entravam oitenta jovens e se formavam apenas três ou quatro. Era um filtro. Além disso, o Instituto de Física sempre foi muito frequentado por professores de diferentes países, então tive aula com professores americanos, argentinos, brasileiros, uma formação muito cosmopolita, muito geral. Tive a sorte de ter grandes professores da Universidade de Buenos Aires – por conta da repressão militar muito forte na Argentina, bons físicos vieram para a UFRGS -, físicos importantíssimos de diferentes áreas. Tive uma formação em matemática e física de altíssima qualidade, eu saí preparado.

Mesmo com toda dificuldade, eu gostava muito de Física, gostava de Matemática e me dedicava muito ao curso, aos estudos, as disciplinas. Isso me fez seguir e fiquei ali firme. Sempre gostei de pesquisar coisas novas, então me encontrei naquele instituto e escolhi seguir no meio acadêmico. Me formei em 1979 e entrei no mestrado lá mesmo na UFRGS. Durante a pós-graduação fiz concurso para professor na Física da UFSM e aí terminei o mestrado já sendo professor aqui na nossa universidade, em 1984.

Em março de 1982, assumi aqui na UFSM e logo que terminei o mestrado, surgiu a oportunidade de eu fazer o doutorado na Alemanha. Escrevi diferentes cartas para a Alemanha, para diferentes institutos de meteorologia e o Instituto de Meteorologia e pesquisa de Clima de Karlsruhe, que é a universidade técnica mais antiga da Alemanha – onde Hertz descobriu as ondas eletromagnéticas experimentalmente, no final de 1880 – me aceitou. O professor Flider me disse: “Vem pra cá, vem fazer o doutorado comigo”. Fiz o doutorado em 3 anos e nove meses, e voltei para a nossa universidade. Fui o primeiro gaúcho a fazer um doutorado num instituto de meteorologia no exterior. Eu não sabia disso mas uma colega, que trabalha com estatísticas me disse “Gervásio, tu foste o primeiro do RS a fazer um doutorado num instituto de meteorologia fora do Brasil”, então foi esta a minha trajetória científica.

Em 2001, recebi, pelos trabalhos que tinha feito contribuições, o Prêmio de Pesquisador Gaúcho , na área de Geociências pela FAPERGS. Nove anos depois, em 2010, comecei a receber telefonemas de colegas que tinham cargos de direção científica em São Paulo, Rio de Janeiro. Eles me davam parabéns pelo título de comendador que tinha ganho. Eu não sabia de nada, o que é uma coisa interessante. Semanas mais tarde recebi a comenda da Ordem do Mérito Nacional Científico, uma coisa que me deixou muito feliz, também. Eu me sinto muito reconhecido, muito feliz por essas premiações, nem precisa mas se veio, que bom!

Pois é isso, sempre fui um pesquisador, um professor, então o meu papel foi aproveitar tudo aquilo que eu aprendi e que ganhei como experiência na minha vida em diversos locais, em diversos países e devolver para a sociedade. Trazer aqui para nossa comunidade gaúcha, brasileira, científica, a minha experiência, a minha formação e a minha maior contribuição foi (e é) formar pessoas, formar jovens, formar estudantes, jovens pesquisadores. De maneira que o que eu aprendi pudesse ser passado para esses jovens e estes jovens passassem para outros jovens, em um processo de cadeia de conhecimento e, é isso que quero continuar fazendo. Pois meus planos são sempre os mesmos, nunca mudou e nem vai mudar. O meu projeto é sempre um projeto acadêmico. É simples”. (Gervásio Annes Degrazia)


Texto e foto: Camila Jardim – Núcleo de Divulgação Institucional CCNE