{"id":1851,"date":"2019-09-18T09:55:45","date_gmt":"2019-09-18T12:55:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/?p=1851"},"modified":"2019-09-18T10:50:06","modified_gmt":"2019-09-18T13:50:06","slug":"por-que-esquecemos-dos-lanceiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/2019\/09\/18\/por-que-esquecemos-dos-lanceiros","title":{"rendered":"Por que esquecemos dos Lanceiros Negros?"},"content":{"rendered":"\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1853 alignright\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-content\/uploads\/sites\/369\/2019\/09\/semana-farroupilha-painel-casa-do-estudante-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2019\/09\/semana-farroupilha-painel-casa-do-estudante-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2019\/09\/semana-farroupilha-painel-casa-do-estudante-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2019\/09\/semana-farroupilha-painel-casa-do-estudante-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2019\/09\/semana-farroupilha-painel-casa-do-estudante.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Quando falamos em Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, h\u00e1 uma linha t\u00eanue entre o que nos \u00e9 contado e o que n\u00e3o \u00e9. H\u00e1 uma linha t\u00eanue entre o que foi hero\u00edsmo e o que foi covardia. Provavelmente os Lanceiros Negros s\u00e3o citados em algum livro de hist\u00f3ria ou outro conte\u00fado que prev\u00ea o ensino da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha. Cit\u00e1-los sem explic\u00e1-los n\u00e3o \u00e9 o suficiente. \u00c9 tamb\u00e9m uma forma de tornar invis\u00edveis estas figuras t\u00e3o importantes para a hist\u00f3ria do territ\u00f3rio sul-rio-grandense.<\/p>\n<p>O GT CHEGA, em parceria com o N\u00facleo de Divulga\u00e7\u00e3o Institucional (NDI) do Centro de Ci\u00eancias Naturais e Exatas (CCNE), fez um breve apanhado hist\u00f3rico sobre estas personagens, que foram tanto protagonistas quanto aqueles que s\u00e3o considerados os her\u00f3is da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e0 \u00e9poca era constitu\u00edda por escravos, for\u00e7a de trabalho para os grandes propriet\u00e1rios de terra. Em um primeiro momento, os negros n\u00e3o participaram do conflito. Entretanto, quando introduzidos, reconheceu-se o potencial em combate \u2013 n\u00e3o eram apenas m\u00e3o-de-obra para a manuten\u00e7\u00e3o dos latifundi\u00e1rios. A participa\u00e7\u00e3o dos negros na Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha se fundamentou na unidade militar chamada Lanceiros Negros. Durante dez anos, os escravizados combateram montados em cavalos e armados com lan\u00e7as compridas, ao lado dos farrapos e contra as tropas imperiais.<\/p>\n<p>Embora as negocia\u00e7\u00f5es entre os dois lados visassem aos fim da guerra, um dos desafios era a aceita\u00e7\u00e3o por parte Imp\u00e9rio Brasileiro da posi\u00e7\u00e3o dos negros em combate e que, portanto, estavam em determinada condi\u00e7\u00e3o de liberdade. Foi a partir desta resist\u00eancia que a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha foi selada em uma trai\u00e7\u00e3o, chamada Trai\u00e7\u00e3o dos Porongos. Os Lanceiros Negros foram ordenados a montar acampamento \u2013 sem suas armas \u2013 na localidade de Porongos e, na madrugada, foram massacrados pelos imperiais. A Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha estava assim finalizada. Simples, n\u00e3o \u00e9? Na verdade, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta vis\u00e3o por parte do Imp\u00e9rio colocava e refor\u00e7ava a figura do negro \u00e0 subjuga\u00e7\u00e3o e \u00e0 servid\u00e3o. As marcas refletem at\u00e9 os dias atuais, pois o racismo \u00e9 uma das formas mais expressivas de preconceito no Rio Grande do Sul. O preconceito existente acaba colocando o negro como ator social resistente e pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Uma dessas frentes do movimento de resist\u00eancia \u00e9 o Coletivo Afronta, primeiro grupo do estado formado exclusivamente por universit\u00e1rios negros e negras. Desde 2010, o coletivo tem a miss\u00e3o de \u201clutar por uma Universidade mais inclusiva, de qualidade, democr\u00e1tica e p\u00fablica, reconhecendo e evidenciando, a partir de algumas a\u00e7\u00f5es concretas, a import\u00e2ncia da popula\u00e7\u00e3o negra dentro da hist\u00f3ria do Brasil\u201d. A resist\u00eancia tamb\u00e9m pode ser retratada por meio de manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, como a pintura dos Lanceiros Negros, em uma das paredes da Casa do Estudante Universit\u00e1rio (CEU II) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), feita pelos artistas Deivison Lima e Patrick Vitos.<\/p>\n<p>Se o papel do negro na Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha continua a ser minimizado ou interpretado de outras maneiras, hoje existem movimentos e pessoas decididas a lutar n\u00e3o apenas pelo reconhecimento no contexto hist\u00f3rico nacional e regional, mas tamb\u00e9m pela igualdade.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Texto: J. Ant\u00f4nio de Souza Buere, acad\u00eamico de Comunica\u00e7\u00e3o Social \u2013 Produ\u00e7\u00e3o Editorial e bolsista do N\u00facleo de Divulga\u00e7\u00e3o Institucional do CCNE<\/em><\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Wellington Gon\u00e7alves,\u00a0<\/em><em>rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do N\u00facleo de Divulga\u00e7\u00e3o Institucional do CCNE<\/em><\/p>\n<p><em>Revis\u00e3o Final: Maur\u00edcio Dias<\/em><\/p>\n<p><em>Colabora\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o: Andressa Mour\u00e3o Duarte, mestranda em Ci\u00eancias Sociais e GT CHEGA \u2013 Grupo de Trabalho do CCNE que tem como prop\u00f3sito desenvolver atividades e discuss\u00f5es que promovam a ruptura das diferentes manifesta\u00e7\u00f5es de preconceito.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando falamos em Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, h\u00e1 uma linha t\u00eanue entre o que nos \u00e9 contado e o que n\u00e3o \u00e9. 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