{"id":3128,"date":"2023-01-04T09:19:18","date_gmt":"2023-01-04T12:19:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/?p=3128"},"modified":"2023-10-11T11:37:44","modified_gmt":"2023-10-11T14:37:44","slug":"presencadecorais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/2023\/01\/04\/presencadecorais","title":{"rendered":"A presen\u00e7a de corais favorece a ocorr\u00eancia de peixes na costa brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-3129 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/A-presenca-de-corais-1024x256.jpg\" alt=\"\" width=\"1092\" height=\"273\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/A-presenca-de-corais-1024x256.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/A-presenca-de-corais-300x75.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/A-presenca-de-corais-768x192.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/A-presenca-de-corais-1536x384.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/A-presenca-de-corais.jpg 1584w\" sizes=\"(max-width: 1092px) 100vw, 1092px\" \/><\/p>\n<p>A pesquisadora Mariana Bender, professora do Departamento de Ecologia e Evolu\u00e7\u00e3o do CCNE da UFSM, lidera um dos sete projetos do Centro de S\u00edntese em Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (SinBiose) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). Trata-se do <a href=\"https:\/\/reefsyn.weebly.com\/\">Projeto ReefSyn<\/a>, composto por um grupo de pesquisadores em biologia marinha de institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais focados em processar e compartilhar dados e resultados de s\u00ednteses da informa\u00e7\u00e3o existente sobre a ecologia de recifes nacionais. Em outubro de 2022, Bender e seu time de pesquisadores publicaram um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-022-20919-9\">artigo na revista cient\u00edfica Scientific\u00a0Report<\/a>, do grupo Nature, uma das revistas de maior prest\u00edgio cient\u00edfico a n\u00edvel mundial.<\/p>\n<p>O artigo intitulado &#8220;<em>Low functional vulnerability of fish assemblages to coral loss in Southwestern Atlantic marginal reefs&#8221;<\/em>, que em sua tradu\u00e7\u00e3o significa &#8220;Baixa vulnerabilidade funcional de assembleias de peixes \u00e0 perda de corais em recifes marginais do Atl\u00e2ntico Sudoeste&#8221;, demonstra que, ao mesmo tempo que os corais aumentam a presen\u00e7a de peixes dos recifes na costa brasileira, a perda destes corais n\u00e3o parece comprometer o papel dos peixes na manuten\u00e7\u00e3o do ecossistema. Estes resultados contrastam com o que ocorre nos oceanos do Indo-Pac\u00edfico e Caribe, onde o decl\u00ednio de corais frequentemente leva ao colapso geral de todo o ecossistema recifal. Assim, \u00e9 poss\u00edvel que os peixes em recifes brasileiros consigam se adaptar melhor a um futuro com menos corais, que s\u00e3o extremamente sens\u00edveis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Os recifes s\u00e3o estruturas formadas por esqueletos de invertebrados sobre as rochas das por\u00e7\u00f5es mais rasas dos oceanos. Estes ecossistemas ocupam apenas 0.000063% da superf\u00edcie terrestre e abrigam pelo menos um quarto do conjunto da fauna e flora marinhas. Os corais s\u00e3o um dos organismos que ocupam os recifes de forma estrutural e chamam a aten\u00e7\u00e3o pela variedade de formas e cores. Entretanto, devido \u00e0 pesca, polui\u00e7\u00e3o e \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, estas esp\u00e9cies est\u00e3o em decl\u00ednio globalmente. Estima-se que 14% dos corais do mundo desapareceram entre 2009 e 2018, o que representa cerca de 11.700 km\u00b2.<\/p>\n<p>\u201cOs recifes de coral no Brasil s\u00e3o considerados \u2018marginais\u2019 para o desenvolvimento da maior parte das esp\u00e9cies de corais. Como aqui as \u00e1guas s\u00e3o turvas, h\u00e1 menos luz penetrando na coluna d\u2019\u00e1gua e uma menor diversidade e cobertura de esp\u00e9cies de corais nos recifes quando a comparamos com a diversidade e cobertura encontradas em recifes do Indo-Pac\u00edfico e do Caribe\u201d, explica Mariana Bender, da Universidade Federal de Santa Maria, coordenadora do ReefSYN e autora do estudo. Nos recifes brasileiros a cobertura predominante \u00e9 de algas.<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o sendo muito abundantes, os corais do litoral brasileiro favorecem a ocorr\u00eancia de peixes e assim ajudam a aumentar a diversidade de peixes recifais. \u00a0\u201cAs col\u00f4nias de corais oferecem muitos recursos para os peixes recifais, como abrigo e alimenta\u00e7\u00e3o. Por isso, cerca de 40% das esp\u00e9cies de\u00a0 peixes analisadas, de um total de 113 esp\u00e9cies, t\u00eam maior probabilidade de ocorrer em locais com maior abund\u00e2ncia de corais. Desta forma, a ocorr\u00eancia dos corais beneficia as popula\u00e7\u00f5es de peixes recifais\u201d, explica Andr\u00e9 Luza, primeiro autor do estudo e pesquisador de p\u00f3s-doutorado do ReefSYN.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3130\" aria-describedby=\"caption-attachment-3130\" style=\"width: 502px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/Coral-Millepora_FOTO_Ronaldo-Francini-Filho.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-3130\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/Coral-Millepora_FOTO_Ronaldo-Francini-Filho-1024x683.jpg\" alt=\"Coral Millepora. Fonte: Ronaldo Francini-Filho.\" width=\"502\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/Coral-Millepora_FOTO_Ronaldo-Francini-Filho-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/Coral-Millepora_FOTO_Ronaldo-Francini-Filho-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/Coral-Millepora_FOTO_Ronaldo-Francini-Filho-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/Coral-Millepora_FOTO_Ronaldo-Francini-Filho-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/Coral-Millepora_FOTO_Ronaldo-Francini-Filho-272x182.jpg 272w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2023\/01\/Coral-Millepora_FOTO_Ronaldo-Francini-Filho.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 502px) 100vw, 502px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3130\" class=\"wp-caption-text\">Os corais s\u00e3o esp\u00e9cies-chave para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade nos recifes brasileiros. O coral representado nesta foto \u00e9 o coral Millepora. Foto: Ronaldo Francini-Filho.<\/figcaption><\/figure>\n<p>No caso brasileiro, este papel dos corais se torna ainda mais interessante por serem importantes mesmo sendo pouco abundantes, em contraste \u00e0s algas que s\u00e3o muito comuns por\u00e9m n\u00e3o aumentaram tanto quanto os corais a chance de ocorr\u00eancia de peixes no modelo deste estudo. \u201cEste resultado demonstra que os corais s\u00e3o esp\u00e9cies chave para a manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade nos recifes brasileiros, mesmo n\u00e3o sendo dominantes como s\u00e3o nos recifes do Caribe e do IndoPac\u00edfico\u201d, conclui Guilherme Longo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e \u00faltimo autor deste trabalho.<\/p>\n<p>Para chegar aos resultados, os pesquisadores fizeram modelagens computacionais a partir da observa\u00e7\u00e3o de peixes recifais em 36 pontos distribu\u00eddos ao longo dos 8000 km de litoral brasileiro. A coleta de dados consistiu na instala\u00e7\u00e3o de c\u00e2meras de v\u00eddeo e fotogr\u00e1ficas cobrindo dois metros quadrados em v\u00e1rios s\u00edtios de coleta, resultando em aproximadamente 4.000 horas de filmagem. \u201cForam in\u00fameras c\u00e2meras para registrar a atividade dos peixes nos recifes. Com isso, foi poss\u00edvel registar e associar a atividade dos peixes sobre os organismos fixos no fundo do mar, em uma escala bem fina\u201d, explica Bender. Este esfor\u00e7o de coleta foi poss\u00edvel gra\u00e7as a parceria com o projeto SisBiota Mar (CNPq).<\/p>\n<p>Segundo os autores, os peixes recifais brasileiros provavelmente manter\u00e3o boa parte das fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas que realizam, apesar dos decl\u00ednios de corais induzidos pelo clima e consequente perda de peixes associados a corais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante destacar que n\u00e3o removemos experimentalmente os corais para identificar outros efeitos sist\u00eamicos. Fizemos uma simula\u00e7\u00e3o computacional\u201d, adverte Bender. Por exemplo, n\u00e3o se sabe quais os impactos em cascata com a retirada de esp\u00e9cies deste ecossistema &#8211; o que os cientistas chamam de extin\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria &#8211; ou ainda, se a sobrepesca j\u00e1 afetou as fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas dos peixes recifais. \u201cExtin\u00e7\u00f5es podem j\u00e1 ter ocorrido, e o que podemos estar vendo atualmente \u00e9 um conjunto depauperado de peixes e invertebrados\u201d, conjectura Luza. Outro ponto \u00e9 que os modelos focam na probabilidade de ocorr\u00eancia e n\u00e3o consideram impactos sobre abund\u00e2ncia, sobreviv\u00eancia ou reprodu\u00e7\u00e3o destes organismos. \u201cA conclus\u00e3o de que os corais favorecem a ocorr\u00eancia de peixes utilizando essa abordagem de modelo em larga escala espacial \u00e9 um primeiro passo. Agora precisamos avan\u00e7ar com estudos experimentais para entender os mecanismos dessa rela\u00e7\u00e3o entre peixes e corais\u201d, projeta Longo.<\/p>\n<p>Pautadas as limita\u00e7\u00f5es do estudo, estes resultados ainda s\u00e3o positivos para, por exemplo, planejar as melhores estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o de recifes brasileiros focadas em ref\u00fagios clim\u00e1ticos, ou seja, na prioriza\u00e7\u00e3o de ambientes capazes de se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as do clima. \u201cN\u00e3o se trata de entender que os corais n\u00e3o s\u00e3o importantes para o ecossistema recifal brasileiro. Ao contr\u00e1rio, a cobertura de coral potencialmente suporta popula\u00e7\u00f5es de peixes recifais maiores e recifes com mais esp\u00e9cies de peixes. Isto confere maior capacidade dos ecossistemas recifais manterem a sua estrutura e fun\u00e7\u00e3o quando expostos a perturba\u00e7\u00f5es\u201d, finaliza Bender.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h5><strong>Sobre o Projeto ReefSYN<\/strong><\/h5>\n<p>O projeto <em><a href=\"https:\/\/reefsyn.weebly.com\/\">ReefSYN<\/a> &#8211; Recifes Brasileiros no Antropoceno: estimando os impactos da perda da biodiversidade sobre o funcionamento e servic\u0327os ecossiste\u0302micos para aperfeic\u0327oar o manejo futuro e a subsiste\u0302ncia,<\/em> est\u00e1 vinculado ao Centro de S\u00edntese em Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos &#8211; SinBiose do CNPq, tem como objetivo integrar dados da biodiversidade dos recifes brasileiros para responder quest\u00f5es sobre padr\u00f5es de diversidade, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. O ReefSYN busca mapear as fun\u00e7\u00f5es e os servi\u00e7os oferecidos por recifes \u00e0s popula\u00e7\u00f5es humanas costeiras, e contribuir para o manejo e conserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas recifais brasileiros. Para tal, o projeto re\u00fane uma equipe de especialistas em diferentes \u00e1reas do conhecimento, e \u00e9 desenvolvido em uma atmosfera colaborativa, de ci\u00eancia aberta e reprodut\u00edvel.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Texto: Paula Drummond, assessora do Centro de S\u00ecntese em Biodiversidade e Servi\u00e7os Ecossist\u00eamicos (SinBiose) do CNPq.<\/em><br \/><em>Edi\u00e7\u00e3o: Nat\u00e1lia Huber da Silva, chefe da Subdivis\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o do CCNE.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo do projeto ReefSYN, liderado pela Prof\u00aa. 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