{"id":5113,"date":"2024-07-03T14:05:32","date_gmt":"2024-07-03T17:05:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/?p=5113"},"modified":"2024-07-03T14:13:14","modified_gmt":"2024-07-03T17:13:14","slug":"equipe-de-meteorologistas-da-ufsm-atua-em-sao-luiz-gonzaga-resposta-emergencial-a-crise-climatica-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/2024\/07\/03\/equipe-de-meteorologistas-da-ufsm-atua-em-sao-luiz-gonzaga-resposta-emergencial-a-crise-climatica-no-rio-grande-do-sul","title":{"rendered":"Equipe de meteorologistas da UFSM atua em S\u00e3o Luiz Gonzaga: resposta emergencial \u00e0 crise clim\u00e1tica no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"\n<p>Em resposta \u00e0 atual crise clim\u00e1tica que assola o Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vem implementando uma s\u00e9rie de <a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/crise-climatica-rs-2024\">a\u00e7\u00f5es emergenciais<\/a>\u00a0para ajudar as comunidades mais afetadas. Entre essas iniciativas, est\u00e1 o trabalho de campo realizado por pesquisadores da meteorologia, em S\u00e3o Luiz Gonzaga, regi\u00e3o duramente atingida por ventos severos. Com o apoio da reitoria e do Centro de Ci\u00eancias Naturais e Exatas (CCNE), a equipe de pesquisadores da \u00e1rea da meteorologia se mobilizaram para realizar um mapeamento detalhado dos danos na regi\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>A equipe foi composta pelos docentes do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Meteorologia (<a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgmet\">PPGMET<\/a>) Ernani Nascimento e Vagner Anabor, p\u00f3s-doutorando Maur\u00edcio Ilha, T\u00e9cnico Meteorologista da UFSM Murilo Lopes e estudantes de mestrado\/doutorado no PPGMET P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o Elisvania Machado e Leonardo Furlan. A opera\u00e7\u00e3o, essencial para a compreens\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos clim\u00e1ticos, contou com o suporte da Defesa Civil local e o uso de drones para capturar e analisar dados cr\u00edticos sobre os fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos que atingiram a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com Murilo, o trabalho de campo come\u00e7ou ap\u00f3s um temporal registrado no dia 15 de junho (s\u00e1bado). Em uma resposta r\u00e1pida, a equipe de meteorologia da UFSM se deslocou para o munic\u00edpio de S\u00e3o Luiz Gonzaga na segunda-feira (17), antes que moradores da regi\u00e3o pudessem modificar a cena onde ocorreu o fen\u00f4meno. Fazendo o uso de drones, os pesquisadores realizaram voos para capturar imagens a\u00e9reas que permitissem uma compreens\u00e3o maior do processo de destrui\u00e7\u00e3o e do espalhamento dos destro\u00e7os causados pelos ventos. A an\u00e1lise dessas imagens ajudou a identificar se os danos foram provocados por tornados, microexplos\u00f5es ou outros fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos. Al\u00e9m destas, imagens da c\u00e2mera de seguran\u00e7a de um banco (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NmAEodiR9Nc\">clique aqui para acessar<\/a>) registraram o fen\u00f4meno ao vivo, o que tamb\u00e9m auxiliou no processo de identifica\u00e7\u00e3o deste.<\/p>\n<figure id=\"attachment_5114\" aria-describedby=\"caption-attachment-5114\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-5114 size-full\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/meteoro-03.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/meteoro-03.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/meteoro-03-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/meteoro-03-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5114\" class=\"wp-caption-text\">Regi\u00e3o de S\u00e3o Luiz Gonzaga, ap\u00f3s noite de chuvas intensas que provocaram danos graves em casas e em infraestruturas, causadas por uma microexplos\u00e3o. Fonte: Curso de Meteorologia da UFSM<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A identifica\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno e como ele aconteceu\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para a realiza\u00e7\u00e3o do trabalho, foram utilizados drones convencionais para capturar imagens a\u00e9reas com qualidade de at\u00e9 4K (ou Ultra HD, a segunda maior resolu\u00e7\u00e3o do mercado). As imagens coletadas permitiram a an\u00e1lise da dire\u00e7\u00e3o dos ventos e a confirma\u00e7\u00e3o de que o fen\u00f4meno foi uma microexplos\u00e3o, caracterizada por danos divergentes espalhados na mesma dire\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o t\u00e9cnico Murilo, as microexplos\u00f5es s\u00e3o fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos associados a tempestades severas, caracterizadas por movimentos descendentes de ar frio dentro das nuvens de tempestade (Imagem 1). Quando esse ar frio e pesado desce de forma r\u00e1pida e atinge o solo, ele se espalha lateralmente, gerando ventos destrutivos em uma \u00e1rea com di\u00e2metro inferior a 4 km. Esse espalhamento r\u00e1pido do ar ao atingir o solo resulta em danos divergentes, o que diferencia as microexplos\u00f5es de outros fen\u00f4menos como tornados, que causam danos convergentes.\u00a0<\/p>\n<figure id=\"attachment_5116\" aria-describedby=\"caption-attachment-5116\" style=\"width: 1080px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5116\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/Microexplosao-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1080\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/Microexplosao-1.jpg 1080w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/Microexplosao-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/Microexplosao-1-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/Microexplosao-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2024\/07\/Microexplosao-1-768x768.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-5116\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de como ocorre o fen\u00f4meno da microexplos\u00e3o. Movimentos de ar frio descem das nuvens de tempestades muito rapidamente, podendo atingir uma \u00e1rea de at\u00e9 4 km. Fonte: Diagrama\u00e7\u00e3o por Nat\u00e1lia Huber da Silva, 2024.<\/figcaption><\/figure>\n<p>O mapeamento foi realizado por meio de fotos georreferenciadas, ou seja, registradas por um sistema de coordenadas geogr\u00e1ficas, assim localizando o local exato onde os danos foram observados. Deste modo, os pesquisadores delimitaram a extens\u00e3o da \u00e1rea afetada, registrando desde danos menores &#8211; nas bordas do di\u00e2metro do fen\u00f4meno &#8211; at\u00e9 os mais severos &#8211; no centro da \u00e1rea impactada.\u00a0<\/p>\n<p>A \u00e1rea mapeada possui aproximadamente tr\u00eas quil\u00f4metros de di\u00e2metro e inclui danos graves a:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Infraestruturas<\/strong>: com a destrui\u00e7\u00e3o de galp\u00f5es de cooperativas e quedas parciais de silos de gr\u00e3os, galp\u00f5es de concreto e alvenaria com paredes externas destru\u00eddas na periferia da cidade.<\/li>\n<li><strong>Quedas de \u00e1rvores sobre casas<\/strong>: que causaram destelhamento de v\u00e1rias resid\u00eancias.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esses danos s\u00e3o condizentes com os ventos da microexplos\u00e3o, que atingiram at\u00e9 150 km\/h, possivelmente mais intensos em locais centrais do fen\u00f4meno. A microexplos\u00e3o foi confirmada pela equipe ap\u00f3s observar os danos causados pelo vento que se espalhou lateralmente ao atingir o solo da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Participa\u00e7\u00e3o da Defesa Civil<\/strong><\/p>\n<p>A equipe entrou em contato com esta organiza\u00e7\u00e3o e o Tenente Cristiano Machado, para obter maior precis\u00e3o na delimita\u00e7\u00e3o das \u00e1reas afetadas e identificar o tipo de estrago que ocorreu. Esse contato \u00e9 importante, uma vez que a Defesa Civil \u00e9 a primeira a chegar aos locais atingidos por tempestades e outros eventos meteorol\u00f3gicos extremos.\u00a0<\/p>\n<p>Os agentes forneceram indica\u00e7\u00f5es das \u00e1reas mais afetadas, estabelecendo contato com a prefeitura municipal e fornecendo imagens capturadas no dia seguinte \u00e0 tempestade. Igualmente, estabeleceram di\u00e1logo com os moradores das \u00e1reas atingidas para que os pesquisadores pudessem coletar relatos.\u00a0<\/p>\n<p>Essas informa\u00e7\u00f5es foram essenciais para confirmar o fen\u00f4meno causador como sendo uma microexplos\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/p>\n<p>A equipe de meteorologistas da UFSM ir\u00e1 analisar os dados coletados, com mais detalhes, buscando estimar a intensidade m\u00e1xima das rajadas de vento registradas.\u00a0<\/p>\n<p>Esses eventos ser\u00e3o classificados em uma escala semelhante \u00e0 utilizada para tornados, para melhor compreens\u00e3o da intensidade dos ventos durante esta microexplos\u00e3o em S\u00e3o Luiz Gonzaga.\u00a0<\/p>\n<p>A equipe tamb\u00e9m planeja elaborar uma nota t\u00e9cnica que detalhe a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica das velocidades mais altas da microexplos\u00e3o ao longo da cidade afetada, delimitando, mais precisamente, a extens\u00e3o dos estragos. Essa nota tamb\u00e9m incluir\u00e1 uma caracteriza\u00e7\u00e3o da tempestade e do fen\u00f4meno de microexplos\u00e3o, conforme identificado nas an\u00e1lises realizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e eficiente da equipe em S\u00e3o Luiz Gonzaga demonstra a import\u00e2ncia da pesquisa acad\u00eamica no enfrentamento de crises clim\u00e1ticas. Com a colabora\u00e7\u00e3o da Defesa Civil, m\u00e9todos adequados de pesquisa e o uso de tecnologia avan\u00e7ada, os pesquisadores conseguem fornecer informa\u00e7\u00f5es para a preven\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o de futuros desastres naturais, como este, no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><em>Texto: Maria Eduarda Silva da Silva, acad\u00eamica de jornalismo e bolsista da Subdivis\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o do CCNE da UFSM.<\/em><\/p>\n<p><em>Revis\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o: Nat\u00e1lia Huber da Silva, Chefe da Subdivis\u00e3o de Comunica\u00e7\u00e3o do CCNE<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em resposta \u00e0 atual crise clim\u00e1tica que assola o Rio Grande do Sul, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) vem implementando uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es emergenciais\u00a0para ajudar as comunidades mais afetadas. 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