{"id":662,"date":"2018-09-19T21:04:52","date_gmt":"2018-09-20T00:04:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/2018\/09\/19\/outras-vozes-e-perspectivas-do-ser-gaucho\/"},"modified":"2018-09-19T21:04:52","modified_gmt":"2018-09-20T00:04:52","slug":"outras-vozes-e-perspectivas-do-ser-gaucho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/2018\/09\/19\/outras-vozes-e-perspectivas-do-ser-gaucho","title":{"rendered":"Outras vozes e perspectivas do \u201cser ga\u00facho\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-661\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-content\/uploads\/sites\/369\/2018\/09\/AR042_CAPA_SITE_UFSM_1024x270px-1.jpg\" alt=\"AR042 CAPA SITE UFSM 1024x270px\" width=\"652\" height=\"172\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2018\/09\/AR042_CAPA_SITE_UFSM_1024x270px-1.jpg 1022w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2018\/09\/AR042_CAPA_SITE_UFSM_1024x270px-1-300x79.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/369\/2018\/09\/AR042_CAPA_SITE_UFSM_1024x270px-1-768x203.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">Compreender o que somos (ou o que n\u00e3o somos) dentro de uma tradi\u00e7\u00e3o excludente em algumas perspectivas como a ga\u00facha \u00e9 importante para atingir mudan\u00e7as dentro da sociedade<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\">A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento capaz de ser localizado dentro de qualquer cultura e que tamb\u00e9m possibilita a constru\u00e7\u00e3o de identidades da popula\u00e7\u00e3o pertencente a este meio. \u00c9 a partir da tradi\u00e7\u00e3o que conseguimos distinguir uma cultura de outra e que tamb\u00e9m se constr\u00f3i um sentimento de pertencimento \u00e0quele local ou \u00e0quele contexto: um sentimento de \u201cminha terra\u201d ou \u201cminha tradi\u00e7\u00e3o\u201d. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\">O m\u00eas de setembro para o Rio Grande do Sul \u00e9, sem d\u00favidas, importante, pois trata-se de um momento para cultuar e praticar, de forma ainda mais viva, os h\u00e1bitos ga\u00fachos que passam pelas artes, com as dan\u00e7as e m\u00fasicas t\u00edpicas do estado, pelas vestimentas e tamb\u00e9m pela alimenta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\">A tradi\u00e7\u00e3o, contudo, tamb\u00e9m pode funcionar como v\u00e1lvula para refor\u00e7ar estere\u00f3tipos e estigmas que est\u00e3o enraizados em determinada cultura e que, devido a sua constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e social de anos, d\u00e9cadas, s\u00e9culos, torna-se extremamente complexo romper ou adaptar alguns de seus aspectos. Mas, afinal, que constru\u00e7\u00e3o \u00e9 essa? Quais as cores, os trejeitos, os g\u00eaneros e as classes dessas vozes que foram consideradas para constituir um ideal do que se tem hoje de uma cultura ga\u00facha? Afinal, existe apenas uma tradi\u00e7\u00e3o dentro do Rio Grande do Sul e que \u00e9, portanto, plena e absoluta?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\">O Centro de Ci\u00eancias Naturais e Exatas (CCNE) decidiu ouvir diferentes pessoas &#8211; inseridas na cultura sul-rio-grandense e que ocupam diferentes espa\u00e7os dentro desta tradi\u00e7\u00e3o &#8211; para compreender o entendimento de cada um sobre o que \u00e9 ser ga\u00facho, j\u00e1 que de acordo com o Prof. Dr. Benhur Pin\u00f3s da Costa (UFSM), \u201cmesmo quando sabemos da multiplicidade de quem somos, insistimos em ser fronteira e encontrar a todo custo uma unicidade do ser ga\u00facho\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\">Um dos maiores equ\u00edvocos dos tradicionalistas ga\u00fachos \u00e9 tomar a tradi\u00e7\u00e3o conhecida e, portanto, que d\u00e1 corpo, voz e face ao Rio Grande do Sul como \u00fanica. Para Josu\u00e9 Goulart, acad\u00eamico de Ci\u00eancias Sociais (UFSM) e coordenador do Coletivo Afronta, \u201ctomar esta tradi\u00e7\u00e3o ga\u00facha como absoluta significa interpretar as mazelas relacionadas \u00e0 etnia, sexualidade, classe e g\u00eanero, tais como o racismo, homofobia e machismo, como costumes e maneiras dentro do movimento e n\u00e3o como o que realmente s\u00e3o: preconceitos e grandes problemas sociais, que fomentam a desigualdade em todos os setores.\u201d Este esquecimento dos preconceitos que cerceiam n\u00e3o apenas a cultura ga\u00facha, mas a cultura de forma geral, \u201creverberam em uma identidade ga\u00facha atrelada ao machismo, ao bairrismo e ao apagamento da hist\u00f3ria\u201d, opina Alan Ricardo Costa, licenciado em Letras Espanhol (UFSM) e Mestre em Letras (UCPel).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\">Sobre este apagamento hist\u00f3rico, Leonardo Bert\u00e9 Nunes, acad\u00eamico de Geografia (UFSM), relembra o massacre aos Lanceiros Negros, que foi um grupo organizado por ex-escravos excepcionais em combate, os quais foram mortos no lugar de receber uma carta de alforria. Afinal, o que estamos celebrando na Semana Farroupilha? S\u00e3o os interesses e conquistas de toda a popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha ou de um grupo seleto?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\"> Neste contexto, \u00e9 poss\u00edvel refletir: qual perspectiva da hist\u00f3ria est\u00e1 sendo ensinada nas escolas e nas outras institui\u00e7\u00f5es e, dessa forma, que est\u00e1 criando o conhecimento sobre o que foi a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha? Edipo Djavan dos Reis, licenciado em Hist\u00f3ria (URI) e mestre em Geografia (UFSM) com a disserta\u00e7\u00e3o intitulada <i>\u201cHomossexualidades na territorialidade tradicionalista ga\u00facha\u201d<\/i> comenta que a partir de suas pesquisas sobre g\u00eanero dentro do tradicionalismo ga\u00facho e viv\u00eancias como homossexual inserido no movimento, \u201ca hist\u00f3ria que eu estudei \u00e9 diferente das hist\u00f3rias que geralmente s\u00e3o contadas dentro do movimento tradicionalista\u201d e que \u201capesar de existir toler\u00e2ncia [aos homossexuais], n\u00e3o h\u00e1 uma total aceita\u00e7\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\">Essa hist\u00f3ria acaba por ser falha em representa\u00e7\u00f5es, o que Louise da Silveira, licenciada em Letras (UFN) e mestranda em Geografia (UFSM) aponta, contando que a Semana Farroupilha, em seu tempo de escola, era sempre constrangedora: por ser negra, ela n\u00e3o se via representada nas imagens para colorir de pe\u00f5es e prendas, sempre altos, brancos e com os cabelos longos, al\u00e9m de n\u00e3o possuir dinheiro para poder adquirir um vestido e comparecer \u00e0s atividades da semana \u201ctipicamente trajada\u201d. Entretanto, o sentimento de Louise em rela\u00e7\u00e3o ao seu estado \u00e9 de pertencimento. \u201cSou uma ga\u00facha tradicional do s\u00e9culo XXI, mas n\u00e3o cultuo elementos tradicionalistas. O sul n\u00e3o \u2018\u00e9 o meu pa\u00eds\u2019, \u00e9 meu lar\u201d, pontua ela.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify; text-indent: 36pt;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 115%;\">N\u00e3o cultuar todos os elementos inerentes \u00e0 cultura ga\u00facha n\u00e3o significa, portanto, ser menos ga\u00facho. \u00c9 importante reconhecer os diferentes tipos de ser ga\u00facho e a pluralidade e diversidade presente em nossa terra, assim como abrir-se para ouvir as novas vozes e perspectivas. Se no passado muitos grupos ficaram calados, por que agora eles devem continuar? A hist\u00f3ria \u00e9 continuamente escrita e somos n\u00f3s, como atores sociais, que contribu\u00edmos para o surgimento de novos cap\u00edtulos. Igor Corr\u00eaa Pereira, Licenciado em Geografia (UFSM), fala que \u201ca hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 \u00e9, ela pode vir a ser. Da mesma forma, a identidade. Construir um novo sentido do que \u00e9 ser ga\u00facho \u00e9 tarefa dos que querem mudan\u00e7as no mundo e na sociedade\u201d, o que para Dioggo C. Dresch, acad\u00eamico de Matem\u00e1tica (UFSM), reflete em um novo olhar do ga\u00facho: para ele, \u00e9 uma \u201cbatalha di\u00e1ria\u201d contra todas as problem\u00e1ticas sociais existentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right; text-indent: 36pt;\" align=\"right\"><i><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">Escrito por J. Ant\u00f4nio de S. Buere Filho<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><span style=\"font-size: 10pt; line-height: 115%;\">&nbsp;<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Compreender o que somos (ou o que n\u00e3o somos) dentro de uma tradi\u00e7\u00e3o excludente em algumas perspectivas como a ga\u00facha \u00e9 importante para atingir mudan\u00e7as dentro da sociedade &nbsp; A tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento capaz de ser localizado dentro de qualquer cultura e que tamb\u00e9m possibilita a constru\u00e7\u00e3o de identidades da popula\u00e7\u00e3o pertencente a este [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":660,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-662","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/media\/660"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/unidades-universitarias\/ccne\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}